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Textos Diversos
Filosofia
O
Prazer e a Sabedoria
1. Nos recordamos nestes momentos de
uma instrução ou diálogo onde Sócrates tratava
de alguns assuntos com Protarco e Filebo. Tal diálogo buscava
compreender qual estado ou origem que seria capaz de proporcionar ao
homem uma vida Feliz.
2. Neste diálogo Sócrates defendia que a Sabedoria era
a única capaz de dotar o homem de felicidade, no entanto aos
demais cabia a tarefa de demonstrar que era o Prazer, tal elemento.
3. Claro que cada pessoa tem uma pré-disposição
para um destes dois elementos, e certamente poderia acreditar que em
um destes se encontre depositado a Felicidade.
4. Se observarmos existem prazeres bons e ruins assim como Sabedorias
boas e negativas. Porém para aquele que a busca e obtém,
prazer é prazer, seja de algo bom ou doloroso. A Sabedoria pode
ser amarga, mas nos faz conscientes mesmo daquilo que preferiríamos
não saber.
5. Para poder afirmar que no Prazer ou na Sabedoria se encontre o maior
bem do Homem e a Felicidade, precisamos imaginar a vida sem o outro.
Pois se em um dos dois se encontrar tal dádiva, seria certamente
possível a vida sem o outro.
6. Imaginemos que uma pessoa possa viver a vida inteira no gozo dos
maiores prazeres que possa conceber, porém sem a sabedoria de
compreender, calcular e até memorizar quanto prazer já
teve, o que ainda falta, ainda nem sequer seria capaz de saber se vive
ou não em meio a algum prazer. De nada serviria qualquer prazer
que tivesse tido, pois nada levaria para o momento vindouro, provando
que sem a Sabedoria seria algo inútil.
7. Porém se também imaginamos uma vida de sabedoria e
inteligência e conhecimento de todas as coisas e a memória
de todo o vivido, porém alheios ao prazer e a dor, insensível
a estes elementos, iremos nos deparar com uma vida inaceitável
e incoerente.
8. Tanto o Prazer como a Sabedoria, sem lei e sem ordem, levariam a
elementos e extremos nocivos ao corpo e a Alma, embora claro não
deixem de ser Prazer nem Sabedoria, mas em seu aspecto negativo.
9. Um detalhe interessante é que podemos diferenciar o Prazer
e a Sabedoria Humana da Divina. O Que é prazeroso para o corpo
nem sempre é assim para a Alma, assim como a Sabedoria pode ser
útil para a Pessoa mas não para o Real Ser.
10. A Morte por exemplo não é algo prazeroso, no entanto
é necessária e natural em certa etapa da vida.
11. Se Há Prazer na Sabedoria, encontramos um estimulo para buscar
mais e mais tais conhecimentos. Se existe Sabedoria no Prazer, vamos
conhecer os limites até aonde os prazeres nos convém ou
não e saberemos quantificar, qualificar e aproveitar sabiamente
cada um destes momentos da vida.
12. Não podemos confundir o Prazer com a ausência de sofrimento
ou a Sabedoria com o Conhecimento. Não é porque não
temos fome, sede ou estamos saciados de outras necessidades físicas
que estejamos experimentando o Prazer. Também não é
porque tivemos acesso a algum conhecimento que este tenha se tornado
uma Sabedoria, propriamente dita.
13. Quantificar e qualificar tanto o Prazer como a Sabedoria são
tarefas indispensáveis para que possamos selecionar e somar o
melhor de cada um dos dois, com o objetivo de encontrar a mescla perfeita
e aceitável que conduzam um homem a uma vida plena tanto para
a Vida que vivemos como para a vida além da própria vida.
14. Tenhamos apenas em conta que o Prazer é algo que ligamos
claramente ao Corpo e a Mente, pois deles que vem estas muitas sensações
de agrado e desagrado que qualificamos como prazer ou dor. Já
a Sabedoria encontra-se envolvida com a Mente e com elementos superiores
como a Alma, visto que é de natureza superior.
15. Um homem é escravo daquilo que não é capaz
de controlar. O Que não somos capazes de vencer ou dominar, nos
vence e nos domina. Nossa única saída é compreender
o que nos convém ou não e fazer bom uso de nossa vida,
buscando a Verdade e extraindo a Sabedoria em meio ao Prazer e também
obtendo Prazer em meio a Sabedoria.
18/01/07
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