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Livros e Documentos Esotéricos
Samael Aun Weor
A Felicidade Mediante a Meditação Superior
Didática para Desintegração dos Defeitos

PRIMEIRA PARTE
O Conhecimento de Si Mesmo

Bom, vamos tratar um pouco sobre as inquietudes do Espírito. Acima de
tudo se necessita compreensão criadora.
O fundamental na vida é realmente chegar a conhecer-se a si mesmo: De
onde viemos, para onde vamos, qual é o objetivo mesmo da existência, para que
viemos, etc., etc.
Certamente, aquela frase que foi colocada no Templo de Delfos é
axiomática: “Noscete Ipsum”: “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o
Universo e os Deuses”.
Conhecer-se si mesmo é o fundamental. Todos acreditam que se
conhecem si mesmos e realmente não se conhecem. Assim, é necessário chegar
ao pleno conhecimento de si mesmo.
Isto requer incessante auto-observação; o que precisamos é nos ver tal
qual somos. Desafortunadamente, as pessoas admitem facilmente que têm corpo
físico, mais custa trabalho que compreendam sua própria psicologia, que a
aceitem de forma crua, real. O corpo físico aceitam que o têm, porque podem vê-
lo, tocá-lo, apalpá-lo, mas a psicologia é um pouco distinta, um pouco diferente.
Certamente que como não podem ver sua própria psique, não podem tocá-la, não
podem apalpá-la, para eles é algo que não entendem.
Quando uma pessoa começa a observar-se a si mesma, olha a si mesmo,
está nos indicando que se está tornando diferente dos outros.
Nas diversas circunstâncias da vida podemos nos autodescobrir. É dos
distintos eventos da existência que podemos tirar o material psíquico necessário
para o despertar da Consciência.
No relacionamento com as pessoas, seja no campo, na casa, no trabalho,
na escola, na rua, etc., os defeitos que temos escondidos afloram
espontaneamente, e se estivermos alertas e vigilantes como o vigia em época de
guerra, então os vemos. Defeito descoberto deve ser trabalhado, compreendido
em todos os níveis da mente.
Se por exemplo, passamos por uma cena de ira, temos que compreender
tudo o que acontece. Suponhamos que tivemos uma pequena briga, talvez
chegamos a um mercado, pedimos algo, o empregado nos trouxe outra coisa que
nós não tínhamos pedido, então nos irritamos. “Senhor, - dizemo-lhe – mas eu lhe
pedi tal coisa e você me está trazendo outra, não percebes que estou com pressa
e não posso perder tempo..”.
Eis aqui uma pequena briga, um pequeno desgosto. É óbvio que
precisamos compreender o que foi que aconteceu.
Quando chegarmos em casa, devemos imediatamente nos concentrar
profundamente no fato ocorrido, e se nos aprofundarmos nos motivos profundos
que nos fizeram atuar dessa forma e brigar com o empregado ou com a pessoa
porque não nos trouxe o que tínhamos pedido, viremos a descobrir nossa própria
auto-importância, ou seja, nos acreditamos auto-importantes. Obviamente, houve
me nós isso que se chama presunção, orgulho, irritação.
Ali vemos defeitos: a impaciência é um defeito, a presunção é outro defeito,
nos sentir muito importantes eis aí outro defeito, o orgulho, nos sentir muito
grandes e ver com desprezo à pessoa que nos estava servindo. Todos esses
motivos nos fizeram comportar-nos de forma desarmônica.
De passagem, descobrimos vários eus que devem ser trabalhados;
compreendido profundamente o que é o eu da presunção, teremos que estudar a
fundo o que é o eu do orgulho, deveremos estudar-nos profundamente, teremos
que compreender totalmente o que é o eu da auto-importância, teremos que
estudar a fundo o que é o eu da falta de paciência, o que é o eu da ira, etc. É um
grupo de eus, cada um deve ser compreendido separadamente, analisado,
estudado.
Temos que aceitar que detrás desse insignificante acontecimento,
escondem-se um grupo de eus. Teremos que estudá-los a cada um
separadamente, e que esses naturalmente estão ativos, teremos que estudá-los, a
cada um, separadamente, dentro de cada um deles está engarrafada a Essência,
ou seja, a Consciência, então teremos que desintegrá-los, aniquilá-los, reduzi-los
a poeira cósmica.
Para desintegrá-los, teremos que nos concentrar na Divina Mãe Kundalini,
lhe suplicar, lhe rogar, que reduza-os a pó. Mas primeiro teremos que
compreender o defeito, ponhamos a ira, e logo, depois de havê-lo compreendido,
então rogar à Divina Mãe Kundalini que elimine-o. Depois teremos que
compreender a impaciência, suplicar a Ela que elimine tal erro; depois
compreender a auto-importância, porque nos acreditamos importantes, se nós não
somos mais que uns míseros vermes do lodo da terra, no que apoiamos nossa
auto-importância, porque nada somos, cada um de nós não é mais que um vil
verme do lodo da terra, no que apoiamos nossa auto-importância, no que a
fundamentamos.
Realmente, não há alicerce para nossa auto-importância, porque nada
somos, cada um de nós não é mais que um vil verme do lodo da terra.
O que somos diante do infinito, diante da galáxia em que vivemos, diante
desses milhões de mundos que povoam o espaço infinito? Por que nos sentir
auto-importantes?
Assim, analisando cada um de nossos defeitos, os vamos compreendendo,
e defeito que vamos compreendendo deve ser eliminado com a ajuda de nossa
Divina Mãe Kundalini.
É óbvio que teremos que suplicar a Ela, que teremos que lhe rogar, que
elimine os defeitos que nós estamos compreendendo. Em uma cena pois, tomam
parte vários eus.
Ponhamos outra cena, uma de ciúmes, por exemplo. Inquestionavelmente,
é grave isso também, existem vários eus.
Um homem encontra de repente a sua mulher falando com outro homem,
de forma muito íntima. O que quer dizer isso? Sentirá ciúmes, brigará com a
mulher, é claro, mas se observarmos essa cena, ali houve ciúmes, ira, amor-
próprio, vários eus, pois o eu do amor-próprio se sentiu ferido, os ciúmes entraram
em atividade, a ira também. Qualquer cena, qualquer acontecimento, qualquer
evento deve nos servir de apoio para o autodescobrimento.
Em qualquer evento descobrimos que temos dentro de nós mesmos vários
eus, isso é óbvio. Necessita-se que nós estejamos alertas e vigilantes, como o
vigia em época de guerra. É indispensável o estado de alerta percepção, alerta
novidade.
Se não procedermos nesta forma, a Consciência continuará situada dentro
dos agregados psíquicos que em nosso interior carregamos e não despertará
jamais.
Temos que compreender que estamos adormecidos. Se as pessoas
estivessem despertas poderiam ver, tocar e apalpar as grandes realidades dos
mundos superiores. Se as pessoas estivessem despertas recordariam suas vidas
passadas. Se as pessoas estivessem despertas veriam a Terra como é.
Atualmente, não estão vendo a Terra tal como é. As pessoas da Lemúria
viam o mundo como era, sabia que o mudo tinha um total de 9 dimensões, e viam
as 7 dimensões fundamentais e viam o mundo de forma multidimensional. No
fogo, percebiam as Salamandras ou criaturas do fogo; nas águas, percebiam as
criaturas aquáticas, as Ondinas e Nereidas; no ar era claro para eles os Silfos; e
dentro do elemento terra viam os Gnomos.
Quando levantavam os olhos para o infinito podiam perceber outras
humanidades planetárias, os planetas do espaço eram visíveis para os antigos de
forma diferente. Viam a aura dos planetas e também podiam perceber os gênios
planetários. Mas quando a Consciência humana ficou enfrascada entre todos
esses eus ou elementos indesejáveis que constituem o Ego, o mim mesmo, o Eu
mesmo, então a Consciência adormeceu. Agora, se processa em virtude de seu
próprio engarrafamento.
Nos tempos da Lemúria, qualquer pessoa podia ver pelo menos a metade
de um Honstapagnos (um Honstapagnos equivale a cinco milhões e meio de
tonalidades de cor). Quando a Consciência ficou presa no Ego, os sentidos
degeneraram.
Na Atlântida, só se podia perceber um terço das tonalidades de cor. E
agora apenas se percebem as 7 cores do espectro solar e umas poucas
tonalidades.
As pessoas da Lemúria eram diferentes, para eles as montanhas tinham
alta vida espiritual, os rios para eles eram os corpos dos Deuses, a terra inteira era
perceptível para eles como um grande organismo vivente. Eram outro tipo de
gente, diferentes.
Agora, desgraçadamente, a humanidade está em um estado de
decadência. Se não nos preocuparmos por autodescobrir-nos, por nos conhecer
melhor, continuaremos com a Consciência adormecida, colocada entre todos os
eus que levamos em nosso interior.
Os psicólogos normalmente acreditam que temos um só Eu e nada mais.
Na Gnosis se pense diferente. Na Gnosis sabemos que a ira é um eu, que a
cobiça é outro eu, que a inveja é outro eu, que a gula é outro eu, etc., etc., etc.
Virgílio, o Poeta da Montua, o autor de Eneida, dizia que embora
tivéssemos mil línguas para falar e palato de aço, não alcançaríamos enumerar
nossas defeitos cabalmente. São tantos. E onde vamos descobri-los?
Somente no terreno da vida prática se faz possível o autodescobrimento.
Qualquer cena da rua é suficiente para saber quantos eus entraram em atividade.
Qualquer eu que entre em atividade há necessidade de trabalhá-lo, para
compreendê-lo e desintegrá-lo, só por esse caminho se faz possível liberar a
Consciência, só por esse caminho se faz possível o despertar.
Devemos nos interessar, primeiro que tudo, com o despertar, porque
enquanto continuemos assim como estamos, adormecidos, o que podemos saber
do Real, da Verdade? Para chegarmos a conhecer a fundo os Mistérios da Vida e
da Morte necessitamos indispensavelmente despertar. É possível despertar se
nos propormos a isso. Não é possível despertar se a Consciência continua
engarrafada dentro de todos esses eus.
Vivemos dentro de um mecanismo bastante complicado, a vida se tornou
profundamente mecanicista em 100%.
A Lei de Recorrência é terrível, tudo se repete, podemos comparar a vida a
uma roda que está girando incessantemente sobre si mesma. Passam os
acontecimentos uma e outra vez, sempre repetindo-se.
Em realidade de verdade nunca há uma solução final para os problemas,
cada qual carrega os problemas, a solução final em realidade de verdade não
existe. Se houvesse uma solução final para os problemas que alguém tem na vida,
isto significaria que a vida não seria vida mas sim morte.
Assim, a solução final não é conhecida. Gira a roda da vida, sempre
passando os mesmos acontecimentos, repetindo-se de forma mais ou menos
modificada, mais ou menos alta ou baixa, mas repetindo-se. Chegar à solução
final e pedir que a repetição de eventos ou circunstâncias não sigam é algo mais
que impossível, então o único que temos que aprender é saber como vamos reagir
diante das distintas circunstâncias da vida.
Se sempre reagirmos da mesma forma, se sempre reagirmos com
violência, se sempre reagirmos com luxúria, se sempre reagirmos com cobiça ante
os fatos diversos que se repetem uma e outra vez em cada existência humana,
pois não mudaríamos nunca, porque os acontecimentos que vocês estão vivendo
atualmente já os viveram na existência passada.
Isto significa que, por exemplo, se agora vocês estiverem sentados me
escutando, na existência passada também estiveram me escutando, não aqui
mesmo nesta casa, mas sim em qualquer outro lugar da cidade.
Assim também na antepassada, estiveram sentados me escutando, na
anterior antepassada, estiveram sentados me escutando e eu estive falando com
vocês, ou seja, sempre esta roda da vida está girando e os acontecimentos vão
passando, sempre são os mesmos. Assim, é impossível impedir que os
acontecimentos deixem de repetir-se. O único eu podemos fazer é mudar nossa
atitude para com os acontecimentos da vida.
Se nós aprendemos a não reagir ante nenhum impacto proveniente do
mundo exterior, se aprendemos a sermos serenos, impassíveis, então o que
acontecerá é que nós poderemos evitar que os acontecimentos produzam em nós
os mesmos resultados.
Vamos ver, por exemplo, em uma existência passada sobre um
acontecimento que citei em meu livro titulado: O Mistério do Áureo Florescer,
daquela existência em que me chamei Juan Conrado, Terceiro Grande Senhor da
Província de Granada, na antiga Espanha, na época da inquisição, quando o
inquisidor Tomás de Torquemada fazia desastres em toda a Europa. Queimava as
pessoas vivas na fogueira.
Certamente, eu cheguei a ele com o propósito de pedir uma admoestação
cristã para alguém, tratava-se de um Conde que me criticava constantemente com
suas palavras, que fazia ironias de mim, etc.
Naquela época, eu andava de Bodisattwa Caído e por certo não era uma
mansa ovelha, o Ego estava bem revivido, mas queria evitar um novo duelo, não
por temor, mas sim porque já estava cansado de tantos duelos, e cheguei muito
cedo na porta da Inquisição.
Um monge estava na porta. Disse-me: “Que milagre vê-lo por aqui, senhor
Marquês.” Disse-lhe: “Muito obrigado sua reverência, venho a lhe solicitar uma
audiência com o senhor Inquisidor, Monsenhor Tomás de Torquemada”.
“Impossível – disse – hoje há muitas visitas, entretanto vou tratar de conseguir
para você a audiência”. “Muito obrigado – disse-lhe – sua reverencia”, para me
adaptar a todos os convênios daquela época. Em realidade de verdade, a pessoa
tinha que adaptar-se ou do contrário a situação tornava-se difícil.
Em todo caso, aquele monge desapareceu como por encanto e aguardei
pacientemente a que retornasse. Já de retorno me disse: “Está conseguida, para
você, a audiência, senhor Marquês, pode entrar”.
E entrei, atravessei um pátio e cheguei a um grande salão que estava em
trevas e passei a outro salão que também estava em trevas e por último a um
terceiro salão que estava iluminado por um abajur. O abajur estava colocado
sobre uma mesa, diante da mesa se encontrava sentado o Inquisidor Tomás de
Torquemada, nada menos que o grande Inquisidor, um ser cruel, sobre seu peio
estava uma grande cruz. Encontrava-se em um estado aparentemente de beato,
com as mãos postas sobre o peito, ao verme não fiz mais que lhe saudar com
todas as reverências da época. Disse-me: “Sente-se, Senhor Marquês. O que o
traz por aqui?”. Então disse: “ Venho solicitar uma admoestação cristã para o
Conde Fulano de Tal e Tal e cinqüenta mil nomes e sobrenomes, que lança
sátiras contra mim, seu sarcasmo, suas ironias e não tenho vontade de outro
duelo, quero evitar um novo duelo”.
“Mas não se preocupe senhor Marquês – respondeu-me – já temos muitas
queixas contra este condezinho aqui na Casa Inquisitorial. Vamos fazer-lhe
aprender! Levaremo-lo à torre de martírio, colocaremo-lhe os pés sobre carvões
acesos, queimaremo-lhe bem os pés para que sofra, levantaremo-lhe as unhas,
torturaremo-lo e depois e levaremos à praça publica e o queimaremos na
fogueira”.
Bom, eu não tinha pensado em ir tão longe, unicamente ia pedir uma
admoestação cristã,. Claro, fiquei perplexo ao escutar ao Torquemada falando
dessa forma e vê-lo com as mãos postas sobre o peito em atitude de beato. Aquilo
me causou horror, não pude menos que manifestar meu descontentamento ao lhe
dizer: “Você é um perverso, eu não vim a lhe pedir que queime vivo a ninguém,
nem que você venha a torturar a ninguém, unicamente vim a lhe pedir uma
admoestação cristã e isso é tudo, agora perceberas que não estou de acordo com
sua seita”, e enfim pronunciei umas quantas palavras e uns quantos gritos que por
agora me reservo, um uma linguagem um pouco altissonante. Motivo mais que
suficiente para que aquele alto-dignitário da inquisição dissesse: “Então é assim,
senhor Marquês”. Fez soar um sino e apareceu um grupo de cavalheiros armados
até os dentes, ficou de pé aquele cavaleiro do Santo Ofício e ordenou a aqueles
cavaleiros dizendo: “Prendam a este homem”. “Um momento cavaleiros – disse –
recordem das regras da cavalaria”.
Naquela época, as regras da cavalaria eram respeitáveis, respeitabilíssimas
por todo mundo. “Me dêem uma espada – disse-lhes ao estilo dos Ibéricos – e
lutarei com cada um de vós”. Era nem mais nem menos que um Ibérico,
encontrávamo-nos reencarnados em plena Idade Média, na época do
Torquemada. Um cavaleiro me entrega uma espada, eu a recebo; em seguida dá
um passo para trás e me diz: “Em guarda”, e lhe respondi: “Sempre estou!”. E nos
travamos em combate.
Não se ouviam a não ser golpes de espadas, parecia que essas espadas
ao golpear umas com outras lançavam faíscas. Aquele cavaleiro era muito hábil
com a esgrima, pois manejava sua arma maravilhosamente. Eu tampouco era
uma mansa ovelha, claro está que não. Total que o duelo foi muito difícil, não me
faltava mais que fazer uma de minhas melhores estocadas para sair vitorioso, mas
os outros cavaleiros estavam vendo o assunto, e perceberam que seu
companheiro ia direto ao cemitério e claro que m caíram em turma. Mais chegou
um momento em que meu braço direito se cansou, já não podia com o peso da
espada diante de tal luta...
Queriam me queimar vivo. Aí tinham um pouco de lenha ao pé de um poste
de aço. Acorrentaram-me naquele poste, prenderam fogo à lenha e em poucos
segundos estava ardendo como tocha acesa. Senti grande dor e minha carne, via
como meu corpo físico se queimava até ficar reduzido à cinzas.
Quis dar e dei um passo, senti que aquela dor suprema se convertia em
felicidade. Entendi que mais além da dor existia a felicidade, a dor humana por
maior que seja tem um limite. Uma chuva benfeitora começou a cair sobre mim.
Total, saí daquele palácio caminhando lentamente, lentamente. De maneira que já
havia desencarnado, o corpo físico pereceu na fogueira da Inquisição...
Hoje, por exemplo, ao repetir um evento desses em minha vida, estou
seguro de que já não iria a uma fogueira, nem a um cemitério, nem algo do estilo.
Por que? Porque hoje, ao não ter esses eus da ira, da impaciência, escutaria ao
inquisidor serenamente, impassível, compreenderia o estado em que se encontra,
guardaria um silêncio total, nenhuma reação sairia de mim. Como resultado não
passaria isso, é claro, poderia sair tranqüilo, sem problemas.
De maneira que os problemas, em realidade de verdade, são formados pelo
Ego. Se naquela ocasião não tivesse reagido dessa forma contra o Santo Ofício,
como assim o chamavam, contra a Inquisição, etc., etc., pois é óbvio que não
haveria desencarnado dessa maneira. Isto não significa covardia, a não ser
simplesmente teria permanecido impassível, sereno, logo teria dado as costas e
teria me retirado sem problemas.
Só resta um ponto de discussão: aquele condezinho teria sido apreendido,
queimado vivo na fogueira e poderia culpar-me. Não, porque teria tido o valor de
informar isso ao Conde, embora aquele Conde teria se enchido de tremenda ira
contra mim, mas teria salvado sua existência, talvez até o homem teria ficado
agradecido. Ou seja, circunstâncias tão fatais não teriam acontecido, se o Ego

tivesse sido desintegrado, mas desgraçadamente tinha um Ego muito
desenvolvido e esses são os problemas formados pelo Ego.
Quando a pessoa não tem ego, esses problemas não ocorrem. Pode ser
que as circunstâncias se repitam, mas já não ocorrem, já não vêm esses
problemas.
A crua realidade é que os eventos podem estar repetindo-se, mas o que
nós temos que modificar é nossa atitude para com os eventos. Se nossa atitude
for negativa, criamos gravíssimos problemas, isso é óbvio. Necessitamos pois
mudar nossa atitude para com a existência, mas as pessoas não podem trocar
suas atitudes para com a vida se não eliminarem aqueles elementos prejudiciais
que levam em sua psique.
A ira, por exemplo, quantos problemas nos traz. A luxúria, quantos
problemas nos traz. Os ciúmes, quão nefastos são. A inveja, quantos
inconvenientes proporciona a nós.
As pessoas têm que mudar sua atitude diante das distintas circunstâncias
da vida, estas se repetem, conosco ou sem nós, mas se repetem.
O que importa é que alguém muda sua atitude diante das distintas
circunstâncias da vida. Ou seja, necessitamos nos autoconhecer profundamente.
E se nos autoconhecemos, descobrimos nossos erros. E se despertamos,
devemos experimentar isso que não é do tempo, isso que é a Verdade.
Mas enquanto nós continuemos com a Consciência adormecida,
engarrafada dentro do ego, dentre os eus, obviamente não saberemos nada dos
Mistérios da Vida e da Morte. Não podemos assim experimentar o Real, viveremos
na ignorância.
Faz-se pois urgente, inadiável cumprir com a máxima do Tales de Mileto:
“Noscete Ipsum”. “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os
Deuses”. Todas as leis da natureza estão dentro de nós mesmos e se nós não as
descobrirmos dentro de nós mesmos, tampouco as poderemos descobrir fora de
nós mesmos.
O homem está contido no Universo e o Universo está contido no homem.
Assim, o Universo está dentro de nós. Se não descobrimos o Universo dentro de
nós mesmos, tampouco o descobrimos fora de nós mesmos, isso é óbvio.
Existem dentre de nós possibilidades extraordinárias, mas, acima de tudo
devemos partir do princípio: “Noscete Ipsum”. “Homem, conhece-te a ti mesmo e
conhecerás o Universo e os Deuses”.
A personalidade ou a falsa personalidade, por exemplo, é óbice para a
verdadeira felicidade. Todo ser humano tem uma falsa personalidade, que está
formada pela presunção, pela vaidade, pelo orgulho, pelo temor , pelo egoísmo,
pela ira, pela auto-importância, pelo auto-sentimentalismo, etc.
A falsa personalidade é verdadeiramente problemática, está dominada por
todo esse tipo de eus que enumerei. Enquanto a pessoa possua a falsa
personalidade, de modo algum poderá conhecer a real felicidade. Se a pessoa
quer ser feliz, e todos temos o direito à felicidade, tem que começar por eliminar a
falsa personalidade. Mas para podermos eliminar a falsa personalidade temos que
eliminar os eus que a caracterizam, os que enumerei.
Eliminados todos esses eus, então tudo muda, cria-se em nossa
Consciência um centro de gravidade contínuo e sucede um estado de felicidade

extraordinária, mas enquanto exista a falsa personalidade a felicidade não é
possível. Devemos levar em consideração tudo isso se é que realmente
desejamos algum dia ser felizes.
Inquestionavelmente, o mais importante na vida pratica deve ser
precisamente cristalizar na humana personalidade isso que se denomina Alma.
O que se entende por Alma? Todo esse conjunto de poderes, forças, essas
virtudes, faculdades do Ser. Se a pessoa eliminar, por exemplo, o eu da ira, em
sua substituição cristalizará em sua pessoa humana a virtude da serenidade, da
paciência. Se a pessoa eliminar o defeito do egoísmo, em sua substituição
cristalizará em si a virtude maravilhosa do altruísmo. Se alguém eliminar o defeito
da luxúria, em sua substituição cristalizará em sua Alma a virtude extraordinária da
castidade. Se alguém eliminar de sua natureza o ódio, em sua substituição
cristalizará em sua personalidade o amor. Se a pessoa eliminar o defeito da
inveja, em sua substituição cristalizará na humana personalidade a alegria pelo
dever alheio, a filantropia, etc.
Assim, é necessário compreender que há a necessidade de eliminar os
defeitos indesejáveis de nossa psique para cristalizar em nossa humana pessoa
isso que se chama Alma: um conjunto de forças, de atributos, de virtudes, de
poderes cósmicos, etc.
Entretanto, tenho que dizer que nem tudo é intelecto; o intelecto é útil
quando está a sérvio do Espírito. Inquestionavelmente, devemos passar por
grandes crises emocionais se é que nós queremos cristalizar Alma em nós
mesmos. Se a água não ferver a 100 graus centígrados não cristaliza o que tem
que cristalizar e não elimina o que tem que eliminar. Assim também, se não
passarmos por graves crises emocionais, não cristalizaremos em nós isso que se
chama Alma, não eliminaremos em nós isso que se devemos eliminar.
Assim foi sempre. Quando a Alma é cristalizada completamente na pessoa,
até o próprio corpo físico se converte em Alma.
Jesus de Nazaré, o Grande Kabir, falou claramente sobre isso, disse: “Com
paciência possuireis vossas almas”, as pessoas não possuem uma Alma, a Alma
os possui. A Alma de cada pessoa sofre carregando um fardo entristecedor: a
pessoa. Possuir a Alma é muito diferente, mas escrito está: “Com paciência
possuireis vossas almas”.
Há eus muito difíceis de eliminar, defeitos terríveis, eus que estão
relacionados com a Lei do Karma. Quando se chega a isso, parece como se nos
detivéramos no avanço, e obviamente que sim. Mas com infinita paciência, ao fim
se consegue a eliminação desses eus. A paciência e a serenidade são faculdades
extraordinárias, virtudes magníficas, necessárias para avançar neste caminho da
Transformação Radical.
Em meu livro As Três Montanhas falo claramente sobre a paciência e a
serenidade. Um dia estando em um Monastério, um grupo de irmãos aguardava
impacientemente ao Abade, ao Hierofante, mas este demorava e passavam as
horas e este demorava. Todos estavam preocupados, havia ali alguns Mestres.
Mestres, claro, muito respeitabilíssimos, mas cheios de impaciência, passeavam
dentro do salão, iam, vinham, mexiam o cabelo, arranhavam-se a cabeça,
puxavam-se as barbas, impacientes. Eu permanecia tranqüilo, sereno, paciente
aguardava, unicamente me causava curiosidade esses irmãozinhos impacientes.

Ao fim, depois de várias horas, se apresentou o Mestre, e dirigindo-se a todos
disse: “Lhes faltam duas virtudes que este irmão temI”, e me assinalou. Logo,
dirigindo-se a mim, disse-me: “Diga-lhes você, irmão, quais são essas virtudes”.
Então eu me pus de pé e disse: “Há que saber ser pacientes, há que saber ser
serenos”. Todos ficaram perplexos. Em seguida, o Mestre trouxe uma laranja,
símbolo de esperança, e me entregou-a, me aprovando. Fiquei aprovado para
entrar na Segunda Montanha, que é a da Ressurreição. Os outros, os
impacientes, ficaram adiados.
Se me convidou, depois, em outro Monastério, para assinar alguns papéis
que tinha que assinar, e assim o fiz. Mais tarde me entregaram certas instruções
esotéricas e se me admitiu pois nos estudos da Segunda Montanha, e aqueles
companheiros até agora ainda estão lutando por obter a paciência e a serenidade,
pois não a têm.
Vejam, pois, quão importante é ser pacientes, ser serenos. Assim, quando a
pessoa está trabalhando na dissolução de um eu e por nada da vida consegue
dissolvê-lo porque é muito difícil, porque há eus assim que se relacionam com as
Leis do Karma, não resta a nós mais remédio que multiplicar a paciência e a
serenidade até triunfar, mas muitos são impacientes, querem eliminar tal ou qual
eu imediatamente, sem pagar o preço correspondente, e isso é absurdo. No
trabalho sobre nós mesmos se necessita multiplicar a paciência até o infinito, e a
serenidade até o cúmulo dos cúmulos. Quem não sabe ter paciência, quem não
sabe ser sereno, fracassa no Caminho Esotérico.
Observem-se na vida prática: São impacientes? Sabem permanecer
serenos no momento preciso? Se não tiverem essas duas preciosas virtudes, pois
terão que trabalhar para as conseguir. Como? Eliminando os eus da irritação, da
ira, que são os que não permitem ter a serenidade.
O que é que nós buscamos a longo prazo com tudo isso? Pois mudar,
mudar totalmente, pois assim como estamos, inquestionavelmente, o único que
fazemos é sofrer, nos amargurar a vida. Qualquer um pode nos fazer sofrer; basta
que nos toque uma fibra do coração para que já estejamos sofrendo. Se nos
disserem uma palavra dura, sofremos; se nos derem uns tapinhas no ombro e
umas palavras doces, alegramo-nos. Assim somos de débeis.
Nossos processos psicológicos não dependem de nós, melhor dizendo, não
temos poder sobre nossos processos psicológicos. Qualquer um pode dirigir
nossa psique.
Vocês querem ver uma pessoa zangada? Pois lhe digam uma palavra dura
e a verão zangada. Logo, querem vê-la contente? Lhe dêem um tapinha no ombro
e logo umas palavras doces e já muda, já está contente. Que fácil é, qualquer um
brinca com a psique dos demais. Que fracos soa estas criaturas. Trate pois de
mudar, de que tudo isto que temos de fraco seja eliminado, até nossa própria
identidade pessoal deve perder-se para nós mesmos. Isto quer dizer que a
mudança deve ser radical, pois até nossa própria identidade pessoal, sou Fulano
de Tal, X, X, deve perder-se para nós mesmos. Chegará o dia em que nos
encontraremos com nossa própria identidade pessoal.
Trata-se de nos converter em algo distinto, em algo diferente. Obviamente,
até a própria identidade pessoal deve perder-se. Tratemos de nos converter em
criaturas distintas, criaturas felizes, seres ditosos e teremos direito à felicidade.

Mas, se não nos esforçamos, como vamos mudar? De que maneira? Eis aqui o
grave.
O mais importante é pois não nos identificar com as circunstancias da
existência. A vida é como um filme e é de fato um filme, que tem um principio e
tem um fim. Distintas cenas vão passando pela tela da mente. O nosso erro mais
grave consiste em nos identificar com essas cenas. Por que? Porque passam,
simplesmente porque passam, são cenas de uma grande aventura e ao fim
passam. Felizmente, no caminho da vida tomei isso como lema, não identificar-me
com as diferentes circunstancias da vida.
Vem-me à memória casos da infância. Em realidade, meus pais terrestres
se divorciaram, cabia-nos, os irmãos de uma grande família, sofrer. Tínhamos
ficado com o chefe da família, que nos proibia pois visitar à chefa, ou seja, a nossa
mãe terrestre. Entretanto, nós não fomos tão ingratos para esquecer à chefa,
escapávamo-nos de casa com um irmãozinho mais novo que me seguia. Íamos
visitá-la e logo retornávamos a casa do chefe. Mas meu irmão sofria muito, pois na
volta se cansava porque era muito pequeno e eu tinha que carregá-lo sobre
minhas costas e ele chorava amargamente e dizia: “Agora, ao retornar a casa, o
chefe vai nos açoitar, o chefe vai nos dar açoitadas e pauladas”. Eu lhe respondia
dizendo: “Por que choras? Tudo passa, lembra-te que tudo passa”. Quando
chegávamos a casa, certamente o chefe aguardava cheio de grande ira e nos
dava de chicotadas. Posteriormente, nos internávamos em nosso quarto para
dormir, mas ao nos deitar eu dizia ao meu irmão: “ Viu? Já passou, convence-te
que tudo passa?”. Isso o chefe alcançou ouvir quando a meu irmão dizia que tudo
passa, que isso já passou. E claro, o chefe era bastante iracundo, empunhou de
novo o látego terrível que trazia, penetrou em nosso quarto dizendo: “Como assim,
tudo passa, sem-vergonhas”, e logo outra surra mais terrível nos deu, retirando-se
depois ao parecer muito tranqüilo por haver nos açoitado. E um pouquinho mais
tranqüilo dizia a meu irmão: “ Viu? Isso também passou”, ou seja, nunca me
identificava com essas cenas e tomei como lema na vida jamais me identificar com
as circunstâncias, com os eventos, com os acontecimentos, porque sei que essas
cenas vão passando.
Tanto alguém se preocupa porque tem um problema, que não acha como
resolvê-lo, e depois já passa e vem outra cena completamente distinta. Então,
para que se preocupou? Se ia passar, com que objetivo se preocupou?
Quando a pessoa se identifica com os distintos eventos da vida, comete
muitos enganos. Se a pessoa se identificar com uma taça de licor oferecida por
um grupo de amigos, pois caba bêbada. Se alguém se identifica com uma pessoa
do sexo oposto em um momento dado, então resulta fornicando. Se a pessoa se
identificar com um insultador que lhe está ferindo com a palavra, acaba também
insultando. Parece-lhe sensato que a um de nós que somos aparentemente sérios
resultemos insultando? Vocês acreditam que isso estaria bem?
Se a pessoa se identificar com uma cena de puro sentimentalismo chorão
onde todos estão chorando amargamente, pois também resulta com suas boas
lágrimas. Vocês acreditam que isto estaria correto? Que outros nos ponham a
chorar assim porque lhes deu vontade?
Isto que estou lhes dizendo é indispensável, se é que vocês querem
autodescobrir-se. Se a pessoa se identificar completamente com uma cena, pois

esqueceu de si mesma, esqueceu-se do trabalho que está fazendo, então está
perdendo o tempo totalmente. As pessoas se esquecem de si mesmas
completamente, esquecem-se de seu próprio Ser Interior Profundo, porque se
identificam com as circunstâncias.
Normalmente, as pessoas andam adormecidas, por isso estão identificadas
com as circunstâncias que lhes rodeiam e cada qual tem sua cançãozinha
psicológica, como dizia em meu livro Psicologia Revolucionária. De repente, a
pessoa se encontra com alguém que lhe diz: “Eu tive na vida que fazer isto e isto e
isto, roubaram-me, fui um homem rico, tive dinheiro, extorquiram-me, Fulano de
Tal foi o malvado que me extorquiu”. E tal é sua canção psicológica que dez anos
depois a pessoa encontra ao mesmo sujeito e torna a lhe cantar a mesma canção;
aos vinte anos encontra-o e torna a lhe narrar a mesma canção. Essa é sua
canção psicológica, ficou identificado com esse evento para o resto da vida.
Nessas circunstâncias, como vamos dissolver o Ego? De que maneira? Se
o estamos fortificando ao nos identificarmos, assim fortificamos os eus. Se nos
identificamos com uma briga resultamos também dando socos. Vem-me à
memória um caso por aí de uma luta de boxe, um campeão brigando contra outro
dos EUA. E ao final, todos os espectadores terminaram dando-se golpes uns
contra os outros, perfeitamente loucos, todos resultaram boxeadores.
Observem o que é a identificação. Vi de repente a uma dama vendo um
filme onde os atores choravam, choro fingido, claro está, mas aquela dama que
estava contemplando o filme resultou chorando também terrivelmente, em estado
de angustia espantosa. Vejam o que é a identificação, essa pobre mulher se
identificou com esse filme, pois criou o herói do filme ou a heroína. Um novo eu
criou-se dentro de si mesmo, esse novo eu roubou parte de sua Consciência, de
maneira que agora essa pessoa está mais adormecida. Por que? Pela
identificação.
Em certa ocasião, me ocorreu ir a um cinema, há muitíssimos anos. O filme
estava muito romântico, um par de apaixonados que se queiram, que se adoravam
e eu muito interessado em ver aquele par de apaixonados, essas cenas, essas
palavras... Que olhares!... Eu encantado, lhes olhando aí, ao fim terminou tal filme
e eu muito tranqüilo fui à minha casa. Já estando em casa, senti sono e me deitei,
então essa noite fui parar no mundo da mente, aí me encontrei com uma mulher
como aquela que eu tinha admirado no filme, estava até bonita e estava frente a
frente comigo, sentei-me com ela em uma mesa para tomar algum refrigerante.
Vieram as doces palavras, muito semelhantes às do filme, por certo. Conclusão:
bom, não cheguei até a cópula química nem nada do estilo, mas não faltaram
beijos, abraços, carícias, ternuras e cinqüenta mil coisas do estilo.
Estou lhes narrando uma história de vinte anos atrás, não é de agora,
porque agora não vou a cinemas, mas naquela época ia a alguns cinemas.
Conclusão: a cena não estava muito boa, um pouquinho erótica. De repente
trocou o panorama e descendi do mundo da mente ao mundo astral. São dois
mundos diferentes. Ao chegar ao mundo astral me encontrava dentro de um
grande templo e pude verificar que um Mestre tinha estado me analisando. Claro,
em meu interior me disse: “Coloquei os pés pelas mãos”. Me retirei uns poucos
passos para aguardar ver o que acontecia e de repente aquele Mestre me enviou
um papel pelo Guardião do Templo. Li o papel e dizia: “Você, retire-se

imediatamente deste Templo, mas com o INRI” (INRI é conservando o fogo) posto
que não tinha fornicado, não passava das ternuras.
Bom, total que então disse: “De todo modo isto está mau, isto está ruim...”.
E muito devagar saí, avancei pelo corredor da nave central e antes de sair fora do
templo reparei que era o templo das representações mentais, das efígies
mentais... Posteriormente, tive que destruir tal efígie ou representação do filme
para poder ser aceito em tal Templo.
Escutar a mensagem e vivê-la é o mais indicado neste tempo. Aqueles que
queiram despertar sua Consciência, devem escutar e viver esta mensagem.


SEGUNDA PARTE
A Eliminação Dos Defeitos

AS MÁQUINAS HUMANAS

Muito ouvimos e falamos sobre os Três Fatores integrantes da Revolução
da Consciência, mas é necessário fazer uma análise, uma profunda reflexão e
detectar até que ponto cumprimos com esse nosso dever diante da Grande Obra.
Quantas vezes recordamos de nós mesmos durante o dia? Em quantas
ocasiões deixamos de nos identificar com o trem da vida que levamos e
observamos detida e serenamente o batalhar das antíteses em nossas mentes?
Nosso dever cósmico é não permitir que passem pensamentos
mecanicistas, e também não dar espaço a pensamentos envenenados, assim
como deixar por completo nossos instintos animais.
É necessário e indispensável realizar dentro de cada um de nós o primeiro
choque consciente, trabalhando intensamente com a não identificação, lutar contra
a imagem negativa e a consideração interior.
Morrer em si mesmo é importante e trabalhar sobre si é o indispensável.
Para isso há que atravessar profundas crises emocionais. Entretanto, faz-se
necessário nos fazer conscientes de nossos atos, já que com eles conseguimos
realizar parte da Obra.
Nos dividir entre “observador” e “observado” é o propósito. Autodescobrir-
nos em ação e reconhecer nossos erros, eis aí a tarefa fundamental de cada um,
posto que morrer em si mesmo é nossa meta.
Desintegrando as pessoas que existem em nosso interior, a casa fica livre e
nela somente habitará a Consciência, o Ser. Então seremos livres de verdade e
teremos nos convertido em indivíduos superiores.
Quem desperta a Consciência tem acesso à ciência objetiva, universal e
pura. É por isso que não devemos nos deixar fascinar por esta ciência subjetiva
ultra-moderna: Biologia, Química, Física, etc. No fundo, é algo meramente
incipiente, o que até o momento se denominou de ciência pura, posto que ela só é
possível para os homens de Consciência desperta.
Esta Ciência nada tem haver com a pobreza de teorias que existe nos
diferentes colégios, nas diferentes escolas e universidades do mundo. Entretanto,
os cientistas acreditam que têm a última palavra, mais não sabem eles nada sobre
a Ciência Objetiva do Universo.
Vejamos um fato concreto: quando os cientistas, ao uníssono com os
astronautas, conseguiram chegar em um foguete tripulado à Lua, acreditaram com
sua Razão Subjetiva, que este evento tinha sido grandioso, se auto-exaltaram e
trataram de fazer ver à humanidade que com suas piruetas de circo já tinham
conquistado o mundo, mas quão equivocados estavam e ainda estão, já que os
falta a Razão Objetiva.
Quando se diz aos cientistas que há seres extraterrestres, que existem
naves que vêm de outros mundos, negam-no rotundamente. Quais são os motivos
para isso?
Os cientistas ultramodernos são robôs que não estão programados para
conhecer a Ciência Objetiva Universal, somente estão programados para
conhecer a ciência oficial universitária e isso é tudo.
De maneira que, estes cientistas ultramodernos são seres de Razão
Subjetiva, que tudo supõem e sustentam com sua hipótese, posto que os falta um
conhecimento concreto e objetivo das Leis do Universo.
São robôs, preparados com matérias universitárias, para trabalhar dentro
de seu programa e nada mais. Não poderia pois, exigir-se-lhes que conceituassem
sobre seres extraterrestres e naves interplanetárias, porque para isso ainda não
estão programados.
Tais robôs foram construídos nas universidades e não funcionam de outra
forma, mas sim de acordo com seu próprio acondicionamento (mecânico).
A Razão Subjetiva se nutre com as percepções externas, elabora seus
conceitos de conteúdo, por meio das informações recolhidas com os sentidos e
com esses conceitos forma seus raciocínios, fazendo disso a Razão Subjetiva.
Razão Objetiva é outra coisa, mas isso já é revolucionário. Não se pode
saber nada do Real quando tudo emana dos sentidos, isso é óbvio, referente,
irrefutável; mas existe a razão, e ela é objetiva. Esta funciona unicamente com os
conceitos da Consciência, com os dados que ela mesma contribui.
Quando conseguimos eliminar os elementos desumanos, nos quais está
enfrascada ou engarrafada a Consciência, então esta pode contribuir com doas à
razão. Razão apoiada nos dados da Consciência é Razão Objetiva.
Nada sabem os cientistas do raciocínio subjetivo sobre a Consciência.
Como poderiam saber? De que maneira poderiam investigá-la? Se são robôs que
estão programados para algo que não saia do mundo dos cinco sentidos. São
meras máquinas que funcionam de acordo com o que aprenderam nos colégios,
universidades, academias, etc., etc., e que não podem funcionar de outra forma.
Acreditam vocês que um robô pode funcionar de outra forma a como foi
programado? Pois obviamente não, não é verdade? Assim, estas máquinas
humanas que se titulam cientistas, nada sabem sobre a Consciência, para isso
não estão programados.
Só a Psicologia Transcendental, ensinada pelos poucos sábios que no
mundo existiram (como disseram os poetas), pode no orientar, com o propósito de
que a Consciência desperte. Indubitavelmente, está desperta, quando os

elementos infra-humanos que habitam em nosso interior são reduzidos a poeira
cósmica.
Consciência desperta é Consciência que pode informar. Na Consciência
estão os dados que necessitamos para nossa orientação psicológica; na
Consciência estão as partículas de dor de nosso Pai que está em segredo, na
Consciência está a Sabedoria, se nós conseguimos liberá-la, ela pode nos
orientar.
Um homem de Consciência desperta é um homem livre, que pode por si
mesmo conhecer o caminho que haverá que levá-lo à Liberação Final.
Agora, vocês verão porquê é tão importante morrer de instante em instante
e de momento em momento (ou seja, eliminar defeitos).
É indispensável estudar a fundo o livro titulado: O Mistério do Áureo
Florescer. Ensina-se, neste livro, a Kriya Sexual necessária para os despertar da
Consciência.
Eu, Samael Aun Weor, ensinei nessa obra como despertar a Consciência.
Unifiquei nessa obra a questão sexual e a questão Consciência. Mas precisa-se
conhecer a fundo tal obra, meditar nela profundamente e levar esses
ensinamentos à prática. Assim conseguiremos a Liberação Autêntica.
Quanto ao terceiro fator da Revolução da Consciência (sacrifício ou serviço
à humanidade), quando se trato pois de avançar firmemente no caminho da
Autoliberação Íntima, é necessário que nós imitemos ao Cristo, que entregou sua
vida pela humanidade doente.
Temos que ser capazes de subir ao Altar do supremo sacrifício se
realmente trabalhamos de verdade com os Três Fatores da Revolução da
Consciência (morrer, nascer – aproveitar positivamente nossas energias – e
sacrifício), se amamos a nossos semelhantes.
Se com a tocha do verbo incendiamos o mundo, é óbvio que subiremos
pelos distintos níveis do Ser, até nos converter em verdadeiros Seres, no sentido
completo da palavra.
Há que trabalhar profundamente nos Três Fatores. Há que estudar
profundamente aqueles livros: As Três Montanhas; Sim Há Inferno, Sim Há Diabo,
Sim Há Karma; A Doutrina Secreta de Anahuac, Psicologia Revolucionária e A
Grande Rebelião.
Nestas obras, há meios de orientação pata trabalhar nos Três Fatores da
Revolução da Consciência, trabalhar em si mesmos e trabalhar por um mundo
melhor.

DIDÁTICA DA MEDITAÇÃO SUPERIOR PARA ELIMINAR OS
DEFEITOS

Um homem qualquer vê sua mulher ou esposa muito tranqüila com um
cavalheiro qualquer, logicamente não se agüentaria, não ficaria tranqüilo.
Produto disso saltaria o eu do ciúmes. Seguidamente, se sentiria ferido
aquele outro elemento, o amor próprio, logo viria a ira. Vindo por último toda
classe de insultos e reclamações, produto daquela péssima transformação.
É lógico que se este irmão quisesse eliminar tais eus, um por dia, então o
que seria dos outros? Onde os deixaria e para quando? Isto logicamente é
impossível, pois se postergaria o trabalho, mais ainda, nunca se terminaria neste
ritmo, se complicaria muito, terminaria sendo um fracasso.
Neste caso, há que ser práticos, e isto deve fazer-se trabalhando dentro do
terreno da vida prática no que diariamente nos ocorre.
Há que deixar pois de estar teorizando tolices e pensando em coisas
impossíveis de realizar; há que não perder mais tempo, se é que de verdade
queremos mudar radicalmente, ou do contrário estamos postergando o trabalho
para amanhã e esse amanhã nunca chegará.
Há que eliminar a esse eu que tudo deixa para amanhã, devendo fazê-lo
hoje.
Devemos trabalhar com tenacidade, para criar a memória do trabalho.
A seguir damos a conhecer a didática precisa no que se refere à Meditação
da Morte do Eu.
Há que não confundir isso da divagação com a Meditação. Nisto da
Meditação da Morte do Eu, é necessário trabalhar com a imaginação positiva, a
vontade criadora e a concentração para ir pouco a pouco obtendo o estado de
Meditação verdadeira.
Esta prática consta de vários passos, que os reduzem aos três
mencionados anteriormente: descobrimento do defeito no qual trabalha, a
compreensão do mesmo, julgamento, e por último, eliminação.


PASSOS PARA A MEDITAÇÃO DA MORTE DO EU

Primeiro: Sentados em uma cômoda poltrona, em um lugar qualquer de nossa
casa, com a finalizada de relaxar nosso corpo para realizar melhor a prática.

Segundo: É necessário realizar o Exercício Retrospectivo, a fim de reviver ou
trazer para a memória os eventos e diferentes cenas do dia, revivendo-as da
mesma maneira como sucederam, as ordenando sucessivamente de acordo a
como vamos trabalhá-las, de acordo com a gravidade da falta.

Terceiro: Vem a observação serena, na qual entra a Análise Reflexiva sem
identificação de nenhuma espécie, com a finalidade de compreender a maneira de
atuar do defeito em questão.

Quarto: Vem a Análise Superlativa Unitotal e isto se relaciona com o bisturi da
autocrítica, ou seja, a incisão do defeito, com o fim de obter a Aniquilação Total.

Quinto: O Julgamento. Neste devemos evocar ao Koam Interior, ou seja, o que
chamamos de Reflexão Superlativa de nosso Ser. Este passo pode também ser
chamado “A acusação de Si mesmo”, no qual devemos descarregar todo o
sumário que tenhamos contra o defeito, amarguras, penas, infelicidades, ou seja,
tudo o que nos tenha causado sem consideração alguma.Devemos enumerar tudo
o que este defeito nos tenha feito acontecer, com a finalidade de que seja
verdadeiramente executado.

Sexto: Eliminação. Neste caso, evocamos dentro de cada um de nós à Shakti
Kundalini, com o propósito de lhe pedir a Eliminação ou Aniquilação Total do réu
em execução, ou seja, a chamado eu. A Ela devemos pedir com o coração, e ver
por meio de nossa imaginação e sentir por meio de nossa emoção como Ela o
executa e aniquila completamente, sem nenhuma compaixão, pois assim deve
ser. Vemos que Ela crava sua lança no coração do próprio monstro, logo vemos
como, com sua espada flamígera, representada no esperma sagrado, decapita-o e
incinera-o completamente, e vemos como vai se reduzindo de tamanho, até
converter-se em um menino, puro e inocente, o qual representa a virtude em
questão e vendo que deste se libera uma chama de cor azul que se funde em
nosso coração evocando ao mesmo tempo dentro de cada um de nós a própria
virtude e dando ação de graças. Desta maneira, iremos vendo através do sentido
da auto-observação, que se irá desenvolvendo, como o defeito vai morrendo
pouco a pouco até não ficar absolutamente nada dele.

É de notar que os irmãos que se encontram casados e estejam realizando
esta prática durante o Arcano, a união sagrada do Lingam e do Yoni, devem pedir
à Mão Divina a eliminação dos defeitos.
Igualmente acontece com os solteiros ao realizar a prática do Vajroli Mudra.
Tudo isto pois é questão de um prolongado processo e padecimentos
voluntários de si mesmos como se vai executando tudo isso, com muita paciência
e tenacidade, sem acreditar que é algo fácil. Mas tão pouco nos pondo a
raciocinar nas dificuldades que vamos ter, estas irão sendo esclarecidas ou
solucionadas à medida que vamos trabalhando sobre nós mesmos.
Em uma palavra, o próprio trabalho irá dando essa faculdade de
discernimento no que devemos e como devemos realizá-lo.
É assim como cada um de nós devemos trabalhar e deixar que a Divina
Mãe vá realizando também seu trabalho. Ela sabe o que devemos fazer. Nós, por
meio do sentido da auto-observação, iremos vendo os resultados. Muita devoção
e súplica devemos realizar e o resto virá por acréscimo.


ESCLARECIMENTOS SOBRE A ELIMINAÇÃO DOS DEFEITOS

Defeito descoberto, deve ser defeito eliminado.
Antes de conhecer e eliminar nosso Traço Psicológico, devemos trabalhar
intensamente em um sentido geral com relação a todos os defeitos, já que o
chamado Traço Psicológico tem raízes muito profundas em existências anteriores,
e para conhecê-lo faz-se necessário ter trabalhado de uma forma incansável pelo
menos durante cinco anos.


PERGUNTA: Mestre, você nos ensinou que devemos ter uma ordem e uma
precisão na eliminação dos defeitos, mas há algo que não posso lhe captar ao
você nos dizer que: “defeitos descoberto deve ser compreendido e eliminado”.
Tenho entendido que deve haver uma sucessão no trabalho. E isto o pergunto
devido ao seguinte: à pessoa durante o dia de manifesta defeitos, digamos que
durante a manhã se manifestou a luxúria, logo sai ao tabuleiro e salta o orgulho,
vai pela rua e quase lhe atropelam e salta a ira. Então, vemos uma sucessão de
fatos e manifestações dos defeitos, então talvez por isso houve um mal entendido
nosso ao procurar um Traço Psicológico. Como poderíamos entender isso e
exatamente sobre o que poderíamos trabalhar?
RESPOSTA: Há que ter uma ordem no trabalho, claro está que sim. Mas
em todo caso ao chegar a noite com seu corpo relaxado, passaria a praticar o
exercício retrospectivo sobre toda sua existência ou existências anteriores. Desta
forma então, passará a visualizar, reconstruir os eventos do sai. Já reconstruídos,
numerados, procederá ao trabalho. Primeiro um evento ao qual poderá dedicar
uns quinze minutos, outro evento ao qual poderá dedicar uma meia hora, outro ao
qual lhe poderá dedicar uns dez minutos. Tudo depende da gravidade dos
eventos. Assim já ordenados, poderá trabalhá-los na noite tranqüilamente e por
ordem.

PERGUNTA: E eliminá-los ou eliminar toda esse sucessão?
RESPOSTA: Também por ordem. Em cada trabalho sobre tal ou qual
evento entram os fatores de Descobrimento, Julgamento e Execução. A cada
elemento aplica-se os três instantes, que são: Descobrimento, quando tu o
descobristes; Compreensão, se o compreendeu; Execução, com ajuda da Divina
Mãe Kundalini. Assim se trabalha, porque se for trabalhar um por um, imagine
como irá ficar a situação. O trabalho vai se tornar muito difícil.