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Livros e Documentos Esotéricos
Samael Aun Weor
As Três Montanhas


Quatro Palavras ao Leitor
( Capítulo - 01 )
Sem querer, de modo algum, ferir delicadas suscetibilidades, devemos enfatizar a idéia básica de que, no ambiente cultural e espiritual da humanidade contemporânea, coexistem variadas instituições veneráveis que muito sinceramente crêem conhecer o Caminho Secreto e que, no entanto, não o conhecem.
Permita-se nos a liberdade de dizer, com grande solenidade, que não queremos fazer crítica destrutiva.
Enfatizamos e é ostensível que isso não é delito.
Obviamente e por um simples respeito muito profundo para com os nossos semelhantes, jamais nos pronunciaríamos contra nenhuma mística instituição. A nenhum elemento humano se poderia criticar pelo fato de desconhecer algo que nunca lhe foi ensinado. O caminho Secreto jamais foi desvelado publicamente.
Em termos rigorosamente socráticos, diríamos que muitos eruditos que pretendem conhecer a fundo a Senda do Fio da Navalha não só ignoraram, senão, ademais, ignoram que ignoram.
Não querendo indicar ou assinalar organizações espirituais de nenhum tipo e sem o ânimo de repreender a ninguém, diremos simplesmente que o ignorante ilustrado não somente não sabe, senão, ademais, não sabe que não sabe. Em todos os livros sagrados da antiguidade se faz alusão ao Caminho Secreto. É citado, é nomeado em muitos versículos, mas as pessoas não o conhecem.
Desvelar; indicar, ensinar a senda esotérica que conduz á liberação final é, certamente, o propósito desta obra que tendes em vossas mãos, querido leitor. Este é mais um livro do Quinto Evangelho.
Goethe, o grande iniciado alemão, disse: “Toda teoria é cinza e só é verde a árvore de dourados frutos, que é a vida.” Vivências transcendentais é, certamente, o que entregamos neste novo livro: o que nos consta, o que experimentamos diretamente. É inadiável traçar os mapas do caminho; indicar com precisão cada passo; assinalar os perigos, etc., etc., etc.
Faz algum tempo, os guardiões do Santo Sepulcro me disseram: “Sabemos que te vais, mas, antes de te ires, deveis deixar para humanidade os mapas do caminho e vossas palavras.’’
Eu respondi, dizendo: “Isso será o que farei.” Desde então me comprometi solenemente a escrever este livro.
 
Minha Infância
( Capítulo - 01 )
Não é demais asseverar solenemente que nasci com enormes inquietudes espirituais. Negá-lo seria um absurdo.
Ainda que a muitos lhes pareça algo insólito e incrível o fato concreto de que haja alguém no mundo que possa recordar, de forma íntegra, a totalidade de sua existência, incluindo até seu próprio acontecimento do nascimento, quero asseverar que eu sou um desses.
Depois de todos os consabidos processos natais, muito limpo e formosamente vestido, deliciosamente fui colocado no leito materno, junto a minha mãe…
Certo gigante muito amável, acercando-se daquele sagrado leito, sorrindo docemente, me contemplava. Era meu pai.
Folgo em dizer, claramente e sem rodeios, que, no amanhecer de qualquer existência, andamos originalmente em quatro pés; logo, em dois e, por último, em três. Obviamente, a última é a bengala dos anciãos.
Meu caso, de modo algum, podia ser uma exceção à regra geral. Quando tive onze meses, quis caminhar e è evidente que o logrei, sustentando-me firmemente sobre meus dois pés.
Ainda recordo plenamente aquele instante maravilhoso em que, entrelaçando minhas mãos sobre a cabeça, fiz solenemente o sinal maçônico de socorro: “ELAI B NE AL’ MANAH.”
E como ainda não perdi a capacidade de assombro, devo dizer que o que sucedeu então me pareceu maravilhoso. Caminhar pela vez primeira com o corpo que nos deu a Mãe Natura é, fora de toda dúvida, um prodígio extraordinário.
Muito serenamente me dirigi até o velho janelão, do qual se podia ver claramente o colorido conjunto de pessoas que aqui, lá ou acolá apareciam ou desapareciam na viela pitoresca do meu povoado.
Agarra-se aos barrotes de tão vetusta janela foi, para mim, a primeira aventura. Afortunadamente, meu pai, homem muito prudente, conjurando com muita antecipação qualquer perigo, havia colocado uma tela de alarme na balaustrada, a fim de que eu não fosse cair na rua.
Janela muito antiga de um alto piso! Quanto a recordo! Velho casarão centenário onde dera meus primeiros passos…
Certamente, nessa deliciosa idade, amava os encantadores brinquedos com que as crianças se divertem; mas isto, de modo algum, interferia em minhas práticas de meditação.
Por esses primeiros anos da vida em que se aprende a caminhar, costumava sentar-me ao estilo oriental para meditar…
Então estudava, de forma retrospectiva, minhas passadas reencarnações e é ostensível que me visitam muitas pessoas dos antigos tempos.

Quando concluía o êxtase inefável e retornava ao estado normal, comum e corrente, contemplava com dor os muros vetustos daquela centenária casa paternal, onde eu parecia, apesar de minha idade, um estranho cenobita…
Quão pequeno me sentia ante esses toscos paredões! Chorava… Sim! Como choram as crianças…
Lamentava-se, dizendo: “Outra vez em um novo corpo físico! Quão dolorosa é a vida! Ai! Ai! Ai!…”
Nesses precisos instantes, acudia sempre minha boa mãe, com o propósito de me auxiliar, ao tempo em que exclamava: “A criança tem fome, tem sede,” etc., etc,. etc.
Jamais pude esquecer aqueles instantes em que, alegre, corria pelos solarentos corredores de minha casa…
Então me aconteciam insólitos casos de metafísica transcendente: Chamava-se meu pai do umbral de sua recâmara; eu o via em roupas de dormir e, quando tentava me aproximar dele, esfumaçava-se perdendo-o na dimensão desconhecida…
Entretanto, confesso sinceramente que este tipo de fenômenos psíquicos me era familiar. Entrava suavemente em sua alcova e, ao verificar, de forma direta, que seu corpo físico jazia dormindo no perfumado leito de caoba, dizia a mim mesmo o seguinte: Ah! O que sucede é que a alma de meu pai está fora, porque seu corpo carnal, nestes momentos, está dormindo.
Por aqueles tempos começava o cinema mudo e muitas pessoas se reuniam na praça pública durante a noite, para se distrair, observando filmes ao ar livre na rudimentar tela: um lençol bem engomado, pregado em dois paus devidamente distanciados…
Eu tinha em casa um cinema muito diferente: Encerrava-se numa recâmara obscura e fixava o olhar no anteparo ou parede. Em poucos instantes de espontânea e pura concentração, iluminava-se esplendidamente o muro, como se fosse uma tela multidimensional, desaparecendo definitivamente o anteparo; surgiam, logo, do espaço infinitivo, paisagens viventes da grande natureza, gnomos brincalhões, silfos aéreos, salamandras do fogo, ondinas das águas, nereidas do imenso mar, criaturas ditosas que comigo brincavam, seres infinitamente felizes.
Meu cinema não era tudo, nem nele se necessitava de Rodolfo Valentino ou da famosa Gatinha Branca dos tempos idos.
Meu cinema era também sonoro e todas as criaturas que em minha tela especial apareciam cantavam ou falavam no orto puríssimo da divina língua primigênia que, como um rio de ouro, corre sob a selva espessa do sol.
Mais tarde, ao se multiplicar a família, convidava os meus inocentes irmãozinhos e eles compartilhavam comigo esta dita incomparável, olhando serenamente as figuras astrais na extraordinária barda de minha obscura recâmara…
Fui sempre um adorador do Sol e, tanto ao amanhecer como ao anoitecer, subia sobre o telhado de minha morada (porque, então, não se usava os terraços) e, sentado ao estilo oriental, como um iogue infantil, sobre as telhas de barro cozido, contemplava o Astro Rei em estado de êxtase, sumindo-se assim em profunda meditação. Bons sustos levava minha nobre mãe, vendo-me caminhar sobre a morada…
Sempre que meu idoso pai abria a velha porta do guarda-roupa, sentia como se me fosse entregar aquela singular jaqueta, ou casaca, de cor púrpura, na qual luziam dourados botões…

Velha peca do vestir cavalheiresco que usara com elegância naquela minha antiga reencarnação em que me chamara Simeón Bleler. Às vezes me ocorria que nesse armário velho pudessem também estar guardados espadas e floretes dos antigos tempos.
Não sei se meu pai me compreendia; pensava talvez que me pudesse entregar objetos dessa antepassada existência. O ancião olhava-me e, em vez de tais objetos, entregava-me um carrinho para que com ele brincasse; brinquedo de alegrias inocentes em minha infância.

Religião
( Capítulo - 02 )
Ensinado em bons modos, confesso, francamente e sem rodeios, que fui educado de acordo com a religião oficial de meu povo.
Fazer travessuras com alguém pelo corredor, em plena liturgia, sempre me pareceu abominável…
Desde criança tive o sentido de veneração e respeito. Não quis jamais “encolher os ombros” em pleno culto; nunca me agradou escapulir dos meus sagrados deveres, nem rir, nem burlar das coisas santas.
Sem querer agora enredar-me entre espinhos e sarças, devo tão só dizer que em tal seita mística – não importa qual seja seu nome- encontrei princípios religiosos comuns em todas as religiões confessionais do mundo. Citá-los, agora, é conveniente, para o bem da Grande Causa.
CÉUS
Achamo-los em toda religião confessional, ainda que com diversos nomes. Entretanto, estes são sempre nove, como dissera, com tanto acerto, o Dante florentino, em seu clássico poema “A Divina Comédia”.
1-Céu da Lua (mundo astral)
2-Céu de Mercúrio (mundo mental)
3-Céu de Vênus (mundo causal)
4-Céu do Sol (mundo búdico, ou intuicional)
5-Céu de Marte (mundo átmico, região de Atman)
6-Céu de Júpiter (o Nirvana)
7-Céu de Saturno (mundo paranirvânico)
8-Céu de Urano (mundo mahaparanirvânico)
9-Céu de Netuno (o Empíreo)

Resulta palmário e manifesto que estes nove céus, em boa hora citados, estão também dentro de nós mesmos, aqui e agora, e se penetram e compenetram mutuamente, sem se confundirem.
Obviamente, estes nove céus se encontram situados em nove dimensões superiores; ostensivelmente, trata-se de nove universos paralelos.
INFERNOS
Não é demais, nesta esotérica Mensagem de Natal, 1972-1973, recordar, com certa ênfase muito singular, os diversos infernos religiosos.

Evoquemos com solenidade, façamos memória dos múltiplos infernos pré-históricos e históricos.
Lembrança, reminiscência existe em qualquer lugar, sobre infernos chineses, maometanos, budistas, cristãos, etc., etc., etc…
Resulta inquestionável que todos esses variados infernos servem de símbolo para o mundo mineral submerso…
Claramente, Dante, discípulo maravilhoso de Virgílio, o poeta de Mântua, descobre, com assombro místico, a íntima relação existente entre os nove círculos dantescos e os nove céus…
O Bardo Thodol, livro tibetano dos espíritos do outro mundo, ressalta magnífico ante nossos olhos, fazendo-nos ver a crua realidade dos mundos infernos no interior do organismo planetário em que vivemos.
É indubitável que os nove círculos dantescos no interior da Terra se correspondem cientificamente com as nove infradimensões, submersas sob a região tridimensional de Euclides.
Resulta palmária e clara a existência cósmica dos mundos infernos em qualquer mundo do espaço infinito.
Obviamente, o reino mineral submerso não é, certamente, uma exceção do planeta Terra.
ANGEOLOGIA
Todo o cosmos é dirigido, vigiado e animado por séries quase intermináveis de hierarquias de seres conscientes, tendo cada um deles uma missão a cumprir, e estes (já se lhes chame por um nome ou por outro: Dhyan-Chohans, anjos ou devas, etc.) são mensageiros tão somente no sentido de serem agentes das leis Kármicas e cósmicas. Variam até o infinito em seus graus respectivos de Consciência e inteligência e todos eles são homens perfeitos no sentido mais completo da palavra.
Múltiplos serviços angélicos caracterizam o amor divinal. Cada Elohim trabalha em sua especialidade.
Nós podemos e devemos apelar à proteção angélica.
DEUS
Todas as religiões são pérolas preciosas engastadas no fio de ouro da divindade.
É ostensível o amor que todas as místicas instituições do mundo sentem pelo divinal: Alá, Brahma, Tao, Zen, I.A.O., INRI, Deus, etc., etc., etc.
O esoterismo religioso não ensina ateísmo de nenhum tipo, exceto no sentido que encerra a palavra sânscrita “nastika”: não admissão de ídolos, incluindo esse deus antropomórfico das pessoas ignorantes (coisa absurda seria crer num ditador celeste que, sentado lá em cima num trono de tirania, lançasse raios e relâmpagos contra este triste formigueiro humano).
O esoterismo admite um Logos ou um Criador coletivo do universo, um Demiurgo Arquiteto.
É inquestionável que tal Demiurgo não é uma deidade pessoal, como muitos equivocadamentre supõem, senão só a coletividade dos Dhyan-Chohans, anjos, arcanjos e demais forças. Deus é Deuses!

Escrito está, com caracteres de fogo, no livro resplandecente da vida, que Deus é o Exército da Voz, a Grande Palavra, o Verbo.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.”
“Todas as coisas por Ele foram feitas e, sem Ele, nada do que tem sido feito, foi feito.”
É algo palmário e manifesto que qualquer homem autêntico que logre realmente a perfeição ingressa, por tal motivo, na corrente do som, nas milícias celestes constituídas pelos Budas de compaixão, anjos, espíritos planetários, Elohim, Rishi- Prajapatis, etc., etc., etc.
Foi-nos dito, com grande ênfase, que os Logos soa e isto é obvio. O Demiurgo, o Verbo, é unidade múltipla perfeita.
Quem adora aos Deuses, quem lhes rende culto, pode captar melhor o significado das diversas facetas divinais do Demiurgo Arquiteto.
Quando a humanidade burlou dos Deuses santos, caiu, ferida de morte, no grosseiro materialismo desta idade de ferro.
LÚCIFER
Podemos e até devemos eliminar radicalmente todos os agregados psíquicos subjetivos, tenebrosos e perversos que levamos dentro. Entretanto, é inquestionável que jamais poderíamos dissolver, em nós mesmos, a sombra do Logos íntimo.
Resulta a todas as luzes claro e evidente que Lúcifer é a antítese do Demiurgo Criador, sua sombra viva, projetada no fundo profundo do microcosmos homem.
Lúcifer é o guardião da porta e das chaves do santuário, para que não penetrem nele senão os ungidos que possuem o segredo de Hermes.
E já que escrevemos este tão aborrecível nome para os ouvidos piedosos do vulgo, necessário seria consignar também que o Lúcifer esotérico da doutrina arcaica é totalmente o contrário do que os teólogos, como o famoso Desmouss-Eaux e o Marquês de Mirville supõem equivocadamente, pois é a alegoria do bem, o símbolo do mais alto sacrifício (Christos-Lúcifer) dos gnósticos e o deus da sabedoria sob infinitos nomes.
Luz e sombra, misteriosa simbiose do Logos Solar, unidade múltipla perfeita, INRI é Lúcifer.
DEMÔNIOS
As diversas teogonias religiosas nos pintam como castigados esses logói divinos que, reencarnamos em humanos corpos, cometeram o erro imperdoável de cair na geração animal.
Esses gênios tenebrosos são anjos caídos, demônios autênticos, no sentido mais completo da palavra.
Resulta absurdo asseverar que tais rebeldes houvessem dado a mente ao homem. É obvio que esses anjos caídos são verdadeiros fracassos cósmicos.

É muito oportuno, nestes instantes, recordar os nomes inumanos de Andramelek, Belial, Moloque, Bael, etc., cujas horrendas abominações podem ser estudadas por qualquer adepto da Loja Branca, nos registros acássicos da natureza.
Distinga-se entre o que é uma caída esotérica e o que é uma baixada.
Evidentemente, esses anjos rebeldes não baixaram, caíram; e isso é diferente.
O LIMBO
Versados na história universal, bem sabemos, de forma íntegra, o que é realmente o Orco dos clássicos gregos e latinos, o Limbo dos esoteristas cristãos.
Não é demais, neste tratado, enfatizar a idéia transcendental de que o Limbo é, certamente, a ante-sala dos mundos infernos…
Todas as cavernas conhecidas e por conhecer formam uma vasta e ininterrupta rede que abarca por inteiro o planeta Terra, constituindo o Orco dos clássicos, como já dissemos em linhas acima, o Limbo autêntico e esoterismo gnóstico…, o outro mundo; enfim, onde vivemos depois dos mortos.
Corresponde ao Limbo aquela mística e terrível alegoria que diz: “Ali vivem aquelas crianças inocentes que morreram sem ter recebido as águas do batismo.”
Dentro do esoterismo gnóstico, tais águas são do tipo genesíaco e constituem o “ens seminis” (a entidade do sêmen, como dissera Paracelso).
O batismo sacramental dos diversos cultos religiosos simboliza o sexo-ioga, o Maithuna, a magia sexual.
Na medula e no sêmen encontra-se a chave da salvação e tudo o que não seja por ali, por este caminho, é, certamente, uma perda inútil de tempo.
Crianças inocentes são aqueles santos que não trabalharam com as águas espermáticas do primeiro instante. Pessoas virtuosas que creram possível a auto-realização íntima do Ser sem cumprir com o compromisso do sacramento do batismo; desconheceram a magia sexual ou a rechaçaram enfaticamente.
Somente Mercúrio, o chefe e evocador das almas, tomando o caduceu da sabedoria em sua destra, pode evocar de novo à vida as infelizes criaturas inocentes precipitadas no Orco.
Somente ele, o Arquimago e Hierofante, pode fazê-las renascer em ambientes propícios para o trabalho fecundo e criador na forja dos Cíclopes.
Assim é como Mercúrio, o Núncio e o Lobo do Sol, faz ingressar as almas do Limbo nas milícias celestes…
PURGATÓRIO
Definamos o Purgatório assim: região molecular inferior, zona de tipo sublunar, astral submerso (Kama-Loka secundário).
No mundo purgatorial devemos frigir as sementes do mal; aniquilar larvas infra-humanas de todo tipo; purgar-nos de toda corrupção; purificar-nos radicalmente.

Dante Alighieri, falando sobre o Purgatório disse:
“Aproximamo-nos até chegar o lugar que antes me parecera ser uma ruptura, semelhante à brecha que divide um muro, e vi uma porta, pela qual se subia por três degraus de diferentes cores, e um porteiro que ainda não tinha proferido nenhuma palavra.
E como eu abrisse cada vez mais os olhos, vi-o sentado sobre o degrau superior com tão luminoso o rosto que não podia fixar nele a vista. Tinha na mão uma espada desnuda, que refletia seus raios para nós, de tal modo que em vão tentei fixar nela meus olhares.
-Dizei-me daí: Que quereis? Começou a dizer. Onde está o que vos acompanha? Cuidai que vossa chegada não seja funesta.
-Uma dama do céu, inteirada destas coisas – respondeu-lhe meu Mestre – nos disse faz pouco: Ide ali, aquela é a porta.
-Ela guia, felizmente, nossos passos – replicou o cortês porteiro. Chegai, pois, e subi nossos degraus.
Adiantamo-nos. O primeiro degrau era de mármore branco, tão polido, sólido e denso, que me refleti nele tal como sou. O segundo, mais escuro que a cor turquesa, era de uma pedra calcinada e áspera, rachada ao comprido e atravessada. O terceiro, que gravita sobre os demais, me parecia ser de um pórfiro tão vermelho como o sangue que brota das veias. Sobre este ultimo, tinha ambas as plantas o anjo de Deus, o qual estava sentado no umbral, que me pareceu formado de diamante. Meu guia conduziu-me de bom grado pelos três degraus, dizendo: “Pede humildemente que se abra a fechadura.”
Prostei-me devotamente aos pés santos. Pedi-lhe por misericórdia, que abrisse; porém antes me dei três golpes no peito. Com a ponta de sua espada, traçou-me sete vezes, na fonte, a letra “P”, e disse:
“Procura lavar estas marcas quando estiveres dentro.”
Em seguida, tirou debaixo das suas vestimentas, que eram da cor da cinza ou da terra seca, duas chaves, uma das quais era de ouro e a outra de prata. Primeiro com a branca e depois com a amarela, fez na porta o que eu desejava.
“Quando uma das chaves falha e não gira com regularidade pela fechadura – disse-nos – esta entrada não se abre. Uma delas é mais preciosa; porém, a outra requer mais arte e inteligência antes de abrir, porque é a que move a mola. Pedro mas deu, prevenindo-me que antes me equivocasse em abrir a porta do que em mantê-la fechada, sempre que os pecadores se prosternem aos meus pés.”
Depois empurrou a porta para o sagrado recinto, dizendo: “Entrai, mas devo advertir-vos que quem olha para trás torna a sair.”
Então giraram em suas dobradiças as folhas da sacra porta, que são de metal, maciças e sonoras. E não produziu tanto fragor, nem se mostrou tão resistente como a da rocha Tarpéia, quando foi arrojado desta o bom Metelo, pelo que ficou vazia. Eu me voltei, atento ao primeiro ruído, e me pareceu ouvir vozes que cantavam ao som de doces acordes: “Te Deum laudamus.”
Tal impressão fez em mim aquilo que ouvia como a que ordinariamente se recebe quando se ouve o canto acompanhado do órgão, que tão logo se percebem como se deixam de perceber as palavras.”
(Veja-se A Divina Comédia, da Dante).
A DIVINA MÃE

Maria, ou melhor diria, RAM-IO, é a mesma Ísis, Juno, Deméter, Ceres, Maia, a Divina Mãe Cósmica, o poder serpentino que subjaz no fundo vivente de toda matéria orgânica e inorgânica.
MARIA MADALENA
A bela Madalena é, fora de toda dúvida, a mesma Salambo, Matra, Istar, Astartéia, Afrodite e Vênus. A aura solar da Madalena arrependida é constituída por todas as esposas sacerdotisas do mundo.
Bem-aventurados os homens que encontrem refúgio nessa aura, porque deles será o Reino dos Céus.
CRISTO
Entre os persas, Cristo é Ormuz, Ahura-Mazda, a antítese de Arimã (Satã).
Na terra sagrada dos Vedas, Cristo é Vishnu, o Segundo Logos, sublime emanação de Brama, o Primeiro Logos.
O Jesus indostânico é o Avatara Krishna. O evangelho deste mestre é similar ao do Divino Rabi da Galiléia.

Entre os chineses antigos, Fu-Hi é o Cristo Cósmico, quem compusera o famoso “ I- King” , livro da leis, e nomeara, para o bem da humanidade, ministros Dragões.
No país ensolarado de Kem, na terra dos Faraós, Cristo era, de fato, Osíris e quem o encarnava passava, por tal motivo, a ser um osirificado.
Quetzalcoatl é o Cristo mexicano, que agora mora na longínqua Tule, o deus branco.

IMACULADAS CONCEPÇÕES
É urgente compreender o que são, realmente, as imaculadas concepções. Estas abundam em todos os cultos antigos. Fu-Hi, Quetzalcoatl, Buda e muitos outros são o resultado de imaculadas concepções.
O Fogo Sagrado faz fecundas as águas da vida, para que nasça o Mestre entre nós. Todo anjo é, certamente, filho da Divina Mãe Kundalini. Ela é realmente virgem antes do parto e depois do parto.
Em nome da verdade, solenemente asseveramos o seguinte: O esposo de Devi Kundalini, nossa Mãe cósmica particular, é o Terceiro Logos, o Espírito Santo, Shiva, o primogênito da criação, nossa Mônada íntima, individual ou melhor, diríamos, sobre-individual.
 
Espiritismo
( Capítulo - 03 )
Era eu ainda um rapaz de doze primaveras quando, solícito com alguém que ansioso investigava os mistérios do mais além, me propus também a inquirir, indagar, investigar no terreno inquietante do espiritismo.
Então, com a constância de clérigo na cela, estudei inumeráveis obras metafísicas. Não é demais citar autores como Luis Zea Uribe, Camille Flammarion, Kardek, Léon Denis, César Lombroso, etc.
O primeiro de uma série de Kardek certamente me pareceu muito interessante, mas tive que relê-lo três vezes, com ânimo indiscutível de compreendê-lo integralmente.
Depois, convertido realmente um verdadeiro rato de biblioteca, confesso, com franqueza, sem rodeios, que me apaixonei pelo Livro dos Espíritos, antes de seguir com muitíssimos outros volumes de enxundioso conteúdo.
Com mente impenetrável para qualquer outra coisa que não fosse o estudo, encerrava-se muito longas horas dentro de minha casa ou na biblioteca pública, com o anelo evidente de buscar o caminho secreto.
Agora, sem me presumir de sábio, sem vanglória alguma, só desejo, neste capítulo, dar a conhecer o resultado de minhas investigações no terreno espiritista.
MÉDIUNS
Sujeitos passivos, receptivos, que cedem sua matéria, seu corpo, aos fantasmas metafísicos da ultratumba. É inquestionável que o Karma da mediunidade é a epilepsia. Obviamente, os epilépticos foram médiuns em suas vidas anteriores.
EXPERIMENTOS
1- Certa dama, cujo nome não menciono, via constantemente o fantasma de uma mulher falecida. Este último lhe dizia ao ouvido muitas coisas.
Em solene sessão espírita, caiu a drama em transe. O fantasma obsessor indicou á citada médium escavasse em determinado lugar da casa, pois ali – foi-lhe dito – encontraria um grande tesouro.
Seguiram-se as indicações do fantasma. Desafortunadamente, o tesouro não foi encontrado. É inquestionável que essa fortuna era somente uma simples projeção mental da psique subjetiva dos assistentes. Obviamente, essas pessoas resultavam, no fundo, muito cobiçosas.
2- Além do tempo e da distância, muito longe desta minha querida terra mexicana, tive que me internar no estado de Zulia, Venezuela, América do Sul. Hóspede do meu anfitrião, em sua campestre morada, devo asseverar que, por aqueles dias, fui testemunha presencial de um acontecimento metafísico insólito.

Convém ratificar, para o bem dos meus leitores, que meu citado anfitrião era, for a de toda dúvida e dito sem rodeios, um personagem demasiado humilde, da raça de cor.
É inquestionável que aquele bom senhor, por certo muito generoso para com os necessitados, gastava com o saleiro de sua propriedade em ricas comilanças.
Residir no hotel entre gente culta ou ressentir-se contra alguém por algum motivo era, para esse bom homem, algo impossível. Certamente, preferia resignar-se à tarefa, com sua sorte, nos duros infortúnios do trabalho.
Folgo ao dizer, com eloqüência, que aquele cavalheiro de outrora parecia ter dom da ubiqüidade, pois era visto por toda parte, aqui, lá e acolá.
Qualquer noite dessas tantas, esse distinto cavalheiro, com muito segredo, convidou-se para uma sessão de espiritismo. Eu de modo algum quis declinar convite.
Três pessoas, reunidas sob o campesino teto de sua fazenda, sentamo-nos ao redor de uma mesa de três pés. Meu anfitrião, cheio de imensa veneração, abriu uma pequena caixa que jamais abandonava em suas viagens e dela extraiu uma caveira indígena.
Posteriormente, recitou algumas famosas preces e clamou com grande voz, chamando o fantasma do misterioso crânio.
Era meia-noite. O céu estava encoberto por negras nuvenzonas que, sinistras, perfilavam no espaço tropical. Chovia, e trovões e relâmpagos faziam estremecer comarca.
Estranhos golpes foram sentidos no interior do móvel e logo, definitivamente violando a lei da gravidade, como que zombando dos velhos textos de física, a mesa levantou-se do piso.
Depois, veio o mais sensacional. O fantasma invocado apareceu no recinto e passou junto a mim. Por último, a mesa se inclinou para o meu lado e a caveira que sobre este móvel se encontrava veio pousar em meus braços.
“Já basta! Exclamou meu anfitrião. A tempestade está muito forte e, nessas condições, tais invocações resultam muito perigosas.” Nesses instantes um trovão espantoso fez empalidecer o rosto do invocador.
3- Perambulando, certo dia, por uma dessas velhas ruelas da cidade do México, D.F., movido por uma estranha curiosidade, tive que penetrar, com outras pessoas, num antigo casarão, onde, para o bem ou para o mal, funcionava um centro espírita ou espiritualista.
Delicioso salão extra-superior com muitas campainhas e com bastante gente emotiva, delicada e de marca maior.
Sem pretender de modo algum, expor-se a um risco, muito respeitosamente tomei assento frente ao estrado.
Empapar-me nas doutrinas dos médiuns espíritas, discutir ou começar a arrojar maldade em termos amistosos e com fingidas mansidões e poses pietistas, certamente não foi meu propósito ao entrar em tal recinto.
Só queria tomar nota de todos os detalhes com flexível entendimento e singular prudência. Ensaiar-se a orar no falar para recitar em público, preparar-se com antecedência, certamente é algo que está em todo tempo excluído da mentalidade espiritista.
Paciente, a sacra confraria do mistério aguardava, com anelo místico, vozes e palavras surgidas da ultratumba.

Independente dos demais em seus diagnósticos, idôneo para algo bem nefasto, um cavalheiro de certa idade cai em transe. Convulsivo, estremece como qualquer epiléptico, sobe à tarina, ocupa a tribuna da eloqüência e toma a palavra.
“ Aqui, entre vós, Jesus de Nazaré, o Cristo!”. Exclama, com grande voz, aquele infeliz possesso.
Nesses instantes aterrorizadores, vibra, horripilante, a tarina engalanada com círios e flores – o altar dos Baais – e todos os devotos caem por terra, prosternados.
Eu, sem querer perturbar no desempenho a ninguém, serenamente me dediquei a estudar o médium com meu sexto sentido.
Traspassado de angústia, pude verificar, certamente, a crua realidade daquele insólito caso metafísico.
Obviamente, tratava-se de um impostor sinistro e esquerdo, que explorava a credulidade alheia, fazendo-se passar por Jesus Cristo.
Com meu sentido clarividente observei um magro negro, ataviado com vermelha túnica cor de sangue.
O técnico fantasma, metido no corpo físico do médium, aconselhando os consulentes, procurava falar com tom jesuscristiano, a fim de que os fanáticos aqueles não o descobrissem.
Concluída aquela horripilante sessão, retirei-me do recinto com ardente desejo de não regressar jamais ali.
4- Viver prazeirosamente, com sua família, de favor, em paz para trabalhar, por obra da magia, sobre a terra, é certamente algo muito romântico.
Entretanto, lançar-se a riscos costuma, ás vezes, ser indispensável quando se trata de procurar para os demais todo o bem possível.
Flanqueado de muralhas intelectivas, quis florescer em sabedoria e, sem desfalecer de forças, viajei, muito jovem, por diversos lugares do mundo.
Além do tempo e da distância, na remota longitude de uma comarca sul-americana, conhecida popularmente com o típico nome de Quindío, muito flexível ao entendimento, tive de me relacionar com um médium espírita que trabalhava com ferreiro.
Sem se misturar jamais em discussão alguma, aquele operário trabalhava tranqüilo na sua avermelhada forja.
Estranho ferrador espírita, místico senhor de bronzeada figura, atlética personalidade cenobita.
Valha-me Deus e Santa Maria! Eu o vi em sinistro e esquerdo transe mediúnico, possuído por Belzebu, príncipe dos demônios.
Ainda recordo aquelas palavras tenebrosas com as quais o poder das trevas fechara a sessão: “ bel tengo mental la petra y que a él le andube sedra, vao genizar le des.” Logo firmava Belzebu.
Ferreiro, paradoxal anacoreta. Arrependido o encontrei no dia seguinte do esquerdo conciliábulo espírita.
Então jurou solenemente, em nome do eterno Deus vivente, não voltar a emprestar seu corpo físico ao horror das trevas.
Algumas vezes o surpreendia em sua frágua, consultando muito sinceramente o devocionário espírita de Kardek.

Posteriormente, este cavalheiro de outrora convidou-me, cheio de místico entusiasmo, para outras tantas exaustivas sessões mediúnicas, onde, com ânsia infinita, evocara João Furtado, o Maior.
Sem exagero algum, para o bem dos meus amados leitores, devo agora asseverar, oportunamente, que o citado fantasma, falando com a língua do médium em transe, vangloriava-se de se poder manifestar através de cento e cinqüenta médiuns de forma simultânea.
Concluir com um discurso ( a alguém), rápido, em consonância, é certamente muito normal. Porém, pluralizar-se em cento e cinqüenta discursos simultâneos diferentes, pareceu-me, naquela época, algo assombroso.
É inquestionável que por aquela época da minha vida, ainda não havia analisado o tema esse da pluralidade do eu, do mim mesmo.
O EGO
Sem querer estender-me, inusitadamente, em digressões de nenhuma espécie, enfatizo, muito sinceramente, aquilo que de forma direta tenho experimentado plenamente. O citado ego obviamente carece de todo aspecto divinal, autoenaltecedor e dignificante. Permita-se nos a liberdade de dissentir daquelas pessoas que pressupõem a existência de dois eus: Um de tipo superior, outro de classe inferior.
Certamente e em nome de verdade, certificamos, sem incongruência alguma, o tremendo realismo bem informado de que somente existe, em cada sujeito, um eu pluralizado e terrivelmente perverso.
Esta convicção profunda se afiança na experiência vivida pelo autor do presente tratado esotérico.
De modo algum necessitamos exteriorizar idéias imaturas. Jamais cometeríamos o desatino de asseverar utopias descabeladas.
Nossa asserção tem muito abundante documentação em todos os livros sagrados dos antigos tempos.
Como exemplo vivo de nossa assertiva, não é demais recordar as cruentas batalhas de Arjuna contra seus amados parentes (os eus) no Bagavad-Gita ( O Canto do Senhor).
Ostensivelmente, tais agregados psíquicos subjetivos personificam, evidentemente, todo esse conjunto de defeitos psicológicos que levamos dentro de cada um de nós.
Em rigorosa psicologia experimental, resulta patente o engarrafamento da Consciência dentro de tais eus subjetivos.
Isso que continua além do sepulcro é, pois, o ego, um montão de eus-diabos, os agregados psíquicos.
Resulta palmária e manifesta a identificação de tais agregados psíquicos nos centros espíritas ou espiritualistas.
É notório e evidente que esses eus-diabos, devido à sua multiplicidade, podem entrar em muitos corpos mediúnicos – como no caso de João Furtado, o Maior – para sua manisfestação.
Qualquer mestre do Shamadi poderá evidenciar claramente, em estado de êxtase, o seguinte: Aqueles que através dos médiuns espíritas se manifestam certamente não são as almas nem os espíritos dos mortos, senão os eus-diabo destes últimos, os agregados psíquicos que continuam além da fossa sepulcral.
Foi-nos dito, com muita ênfase, que, durante os estados “postmortem”, continuam os médiuns convertidos em possessos do demônio ou dos demônios. É inesquecível que, depois de certo tempo,
concluem se divorciando do seu próprio Ser Divinal; então ingressam na involução submersa dos mundos infernos.

Teosofia
( Capítulo – 04 )
Sem me ufanar, de modo algum, com tão delicadas e múltiplas inquietudes de tipo filosófico e metafísico, confesso, francamente e com toda a sinceridade, que ainda não havia chegado às dezesseis primaveras da minha atual existência, quando já me encontrava enfrascado em muitas matérias de exundiososo conteúdo.
Com ânsias infinitas, propus-me a analisar detalhadamente os problemas do espírito à luz da ciência moderna.
Muito interessantes me pareceram, naquela época, os experimentos científicos do físico inglês Willian Crookes, descobridor insigine da matéria em estado radiante e do tálio, ilustre membro da Real Sociedade Britânica.
Sensacionais pareceram-me as famosas materializações do espectro de Katie King em pleno em laboratório, tema exposto por Crookes em sua “Medida da Força Psíquica”.
Excelentes, excepcionais, maravilhosos me pareceram muitos temas sagrados da antiguidade, tais como: a serpente do Paraíso; a burra de Balaão; as palavras da Esfinge; as vozes misteriosas das estátuas de Menão ao romper do dia; o terrível Mene Tecel Phares do festim de Baltazar; o Serafim de Theran, pai de Abraão; os oráculos de Delfos; os Betilos ou pedras falantes do destino; os menires oscilantes e mágicos dos druidas; as vozes enigmáticas de todos os sangrentos sacrifícios necromantes, a origem autêntica de toda tragédia clássica, cujas revelações indiscretas em Prometeu, as Coéforas e as Eumênides, custaram a vida ao iniciado Ésquilo; as palavras de Tirésias, o adivinho evocado por Ulisses na Odisséia, à margem da cova repleta com o sangue do cordeiro negro propiciatório; as vozes secretas que Alarico ouvia, mandando-lhes destruir a Roma pecadora; e as que a donzela de Orleans ouvia também para que exterminasse os ingleses, etc., etc., etc.
Ensinado em boas maneiras e sem ensaiar-me na oratória para recitar em público, aos dezessete anos de idade proferia conferências na Sociedade Teosófica.
O diploma teosofista o recebi das mãos de Jinarajadasa, ilustre presidente daquela augusta sociedade, que em boa hora conheci pessoalmente.
Seguro de mim mesmo em meu caráter, estava então muito bem informado sobre os estranhos e misteriosos golpes de Rochester, os clássicos fenômenos psíquicos da granja dos Eddy, onde nasceu a própria Sociedade Teosófica. Tinha acumulado muitos dados relacionados com aqueles trípodes evocadores das pitonisas dos antigos tempos. Sabia de casas encantadas e de aparições “post-mortem” e conhecia a fundo todos os fenômenos telepáticos.]
Inquestionavelmente, com tantos dados metafísicos em minha pobre mente acumulados, havia-me convertido num erudito muito exigente.
No entanto, quis muito sinceramente, formar o coração com o bom critério teosofista e por isso me engulosinei com as obras que encontrei na rica biblioteca.
Fonte inesgotável de sabedoria divina descobri, com assombro místico, nas volumosas páginas de A Doutrina Secreta, obra extraordinária da Venerável grande Mestra Helena Petrovina Blavatski, a sublime mártir do século XIX.

Vejamos, agora, as seguintes notas, por certo muito interessantes:
“1885. Em seu diário, o Coronel Olcott anota no dia 9 de janeiro.
H.P.B recebeu do Mestre M. o plano para sua Doutrina Secreta. É excelente. Oakley e eu tentamos fazê-lo na noite passada; porém, este é muito melhor.
A conspiração do matrimônio Coulomb obrigou H.P.B a deixar Adyar e a viajar para a Europa em março.
H.P.B levou consigo o precioso manuscrito. Quando me preparava para subir no barco, Subba Row recomendou-me que escrevesse A Doutrina Secreta e que lhe fosse mandado semanalmente o escrito. Eu lhe prometi e o farei...já que ele vai juntar notas e comentários e, depois, a Sociedade Teosófica a publicará.
Foi nesse ano que o Mestre K.H escreveu: Quando A Doutrina Secreta esteja pronta, será um tríplice produção de M., Upasika e minha.”
É evidente que tais notas nos convidam à meditação. Entretanto, é ostensível que a Venerável Mestra interpretou os ensinamentos, adaptando-os à época.
Esgotados os teóricos estudos de tipo teosófico, pratiquei com intensidade Raya-Yoga, Bhakti, Jnana-Yoga, Karma-Yoga, etc., etc., etc.
Múltiplos benefícios psíquicos obtive com as iogas práticas preconizadas por essa veneranda instituição.
Como a meritíssima Mestra H.P.B considerou sempre a Hatha-Yoga como algo demasiado inferior, é-me dado manifestar que jamais me interessei por tal ramo da ioga indostânica.
Muito mais tarde no tempo, fui convidado para uma grande assembléia da venerável grande Loja Branca onde, em plena ágora, qualificou-se a Hatha-Yoga como autêntica magia negra.
 
A Fraternidade Rosa-Cruz
( Capítulo – 05 )
Dezoito primaveras de adolescente já tinha no caminho de minha atual reencarnação, quando me foi concedida a alta honra de ingressar na Escola Rosa-Cruz antiga. Instituição benemérita, em boa hora fundada pelo excelentíssimo Sr. Doutor Arnold Krumm Heller, médico-coronel do glorioso exército mexicano, veterano ilustre da Revolução Mexicana, insigine catedrático da Universidade de Medicina de Berlim; notável cientista, extraordinário poliglota.
Impetuoso rapaz, apresentei-me com certa altivez àquela “aula lucis”, então regida por um ilustre cavalheiro de esclarecida inteligência e, sem entrar me muitas delongas, pelos ares, confesso francamente e sem rodeios que comecei discutindo e concluí estudando.
Apoiar-me na parede, localizar-me no canto da sala, arroubado em êxtase, depois de tudo, pareceu-me melhor.
Folgo em dizer, em grande forma e sem muita prosopopéia, que, impregnado de muitas intrincadas teorias de exundioso conteúdo, só anelava, com ânsias infinitas, encontrar meu antigo caminho, a senda do fio da navalha.
Excluindo cuidadosamente todo pseudopietismo e vão palavrório insubstancial de conversa ambígua, definitivamente resolvi combinar teoria e prática.
Sem prostituir a inteligência ao ouro, preferi, certamente, prosternar-me humildemente ante o Demiurgo Criador do Universo.
Riquíssima fonte inesgotável de esplendores deliciosos encontrei, gozoso, nas magníficas obras de Krumm Heller, Hartman, Eliphas Levi, Steiner, Max Heindel, etc., etc., etc.
Sem verborréia alguma, seriamente, sinceramente, declaro enfaticamente que, por aquela época da minha atual existência, estudei ordenadamente toda a biblioteca rosa-crucista.
Com ânsias infinitas buscava no caminho, um viandante que possuísse algum bálsamo precioso para sanar meu dolorido coração.
Sofria espantosamente e clamava na solidão, invocando os santos mestres da Grande Loja Branca.
O Grande Kabir Jesus disse: “Batei e abrir-se-vos-á; pedi e dar-se-vos-á; buscai e achareis.”
Em nome disso que é o Real, declaro o seguinte: Cumprindo com os ensinamentos do evangelho cristão, pedi e me foi dado, busquei e achei, bati e me foi aberto.
Em se tratando de estudos tão longos e complexos como são esses dos rosa cruzes, é inquestionável que o temário de modo algum caberia dentro do estreito limite do presente capítulo. Por isso eu me limitarei a sintetizar e concluir.
CHACRA FRONTAL. Desenvolve-se com a entonação da vogal I.
Assim: iiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Faculdade: clarividência.
CHACRA LARÍNGEO. Desenvolve-se cantando a vogal E.
Assim: eeeeeeeee. Faculdade: ouvido mágico.

CHACRA CARDÍACO. Desenvolve-se vocalizando a letra O.
Assim: ooooooooo. Faculdades: intuição, desdobramentos astrais, etc., etc.
CHACRA UMBILICAL. Desenvolve-se entoando a vogal U.
Assim: uuuuuuuuu. Faculdade: telepatia.
CHACRAS PULMONARES. Desenvolvem-se cantando a letra "A" Assim: aaaaaaaaa. Faculdade: recordação de existências anteriores.
I.E.O.U.A é a ordem das vogais. Com estas letras são formados todos os mantrans.
Dizia o Doutor Krumm Heller que uma hora diária de vocalização era melhor que ler um milhão de livros de pseudo-esoterismo e pseudo-ocultismo.
Eu, então, inalava com avidez suprema o prana cristônico, o alento vital das montanhas e, logo, exalava lentamente, fazendo ressoar a correspondente vogal.
Manifesto, para maior clareza, que cada vogal ia precedida de uma inalação e só ressoava ao exalar. É óbvio que inalava pelas fossas nasais e que exalava pela boca.
RESULTADOS CONCRETOS
Todos os meus chacras astrais, ou centros magnéticos, intensificaram sua atividade vibratória, rotando positivamente da esquerda para a direita, como os ponteiros de um relógio, visto, não de lado, senão de frente.
EXERCÍCIO RETROSPECTIVO
Com muita didática, ensinou-nos o professor certo exercício retrospectivo maravilhoso.
Aconselhou-nos jamais nos mover no leito no instante do despertar, explicando-nos que com tal movimento se agita o corpo astral e se perdem as lembranças.
É inquestionável que, durante as horas do sono, as almas humanas viajam fora do corpo físico; o importante é não esquecer nossas experiências íntimas ao regressar ao corpo.
Indicou-nos praticar, nesse preciso momento, um exercício retrospectivo com o inteligente propósito de recordar fatos, ocorrências e lugares visitados em sonhos.
RESULTADOS
Declaro solenemente que tal exercício psíquico me resultou assombroso, porque minhas lembranças fizeram-se mais vívidas, intensas e profundas.
PLEXO SOLAR
De acordo com as instruções do professor, diariamente (preferivelmente ao sair do Sol), comodamente me sentava numa deliciosa poltrona com o rosto voltado para o oriente.

Imaginava, então, de forma extraordinária, uma gigantesca cruz dourada que, do leste do mundo e tendo o Astro Rei por centro básico, lançava raios divinos que, depois de atravessar o infinito espaço, penetravam dentro de meu plexo solar.
Encantava-me combinar inteligentemente tal exercício com a entonação mântrica da vogal U, prolongando o som como é devido: uuuuuuuuuu.
RESULTADOS
Produziu-se o insólito despertar de meu olho telepático (situado, como já dissemos, na região do umbigo) e tornei-me extraordinariamente hiper sensível.
Como tal chacra magnético possui assombrosos funcionalismos, como esse de atrair e acumular a energia radiante do globo solar, é óbvio que, por tal motivo, minhas flores de lótus, ou rodas astrais, puderam receber maiores cargas eletromagnéticas que intensificaram mais a radioatividade vibratória.
Resulta muito oportuno, nestes momentos, recordar aos nossos amados leitores que o plexo solar abastece, com suas radiações solares, todos os chacras do organismo humano.
Indubitavelmente e sem exagero algum, é-me dado pôr certa ênfase para asseverar solenemente que cada um dos meus chacras astrais se desenvolveu extraordinariamente, intensificando-se, por esse motivo, as percepções de tipo clarividente, clariaudiente, etc., etc., etc.
RETIRADA
Pouco antes de me retirar daquela benemérita instituição, clamou aquele professor, dizendo: “Que nenhum dos aqui presentes se atreva a se auto qualificar de rosa-cruz, porque todos nós não somos senão simples aspirantes a rosacruzes”.
E logo acrescentou com grande solenidade: “Rosa-cruz é um Buda, um Jesus, um Mória, um K.H., etc., etc., etc.

O Corsário
( Capítulo - 06 )
Para certas pessoas demasiado superficiais, a teoria da reencarnação é um motivo de riso; para outras, muito religiosas, pode significar um tabu ou pecado; para os pseudo-ocultistas, esta é uma crença muito firme; para os velhacos do intelecto, isto é uma utopia descabelada. Entretanto, para os homens que recordamos nossas existências anteriores, a reencarnação é um fato.
Em nome da verdade, devo asseverar solenemente que eu nasci recordando todas as minhas passadas reencarnações e jurar isto não é um delito. Sou um homem de Consciência desperta.
Obviamente devemos fazer uma franca diferenciação entre reencarnação e retorno, duas leis muito distintas. Entretanto, este não é o objetivo do presente capítulo. Depois deste preâmbulo, vamos aos fatos, ao grão.
Outrora, quando os mares do mundo estavam infestados de navios piratas, tive que passar por uma tremenda amargura. Então, o Boddhisattwa do Anjo Dióbulo Cartobu estava reencarnado.
Não é demais afirmar, com certa ênfase, que aquele ser possuía corpo feminino de esplêndida beleza.
É ostensível que eu era seu pai.
Desafortunadamente e em malfadada hora, a cruel pirataria, que não respeitava vidas em honras, depois de assolar o povoado europeu onde muitos cidadãos morávamos em paz, seqüestrou as formosas do lugar, entre as quais é claro que estava minha filha, donzela inocente dos tempos idos.
Apesar do terror de tantos aldeões, eu consegui, valentemente e pondo em perigo minha própria vida, enfrentar o aleivoso capitão da corsária nave.
“Tirei, o senhor, minha filha desse inferno onde a meteu e lhe prometo que eu tirarei sua alma dentre o inferno onde já está metida!” Tais foram as minhas dolorosas exclamações.
O terrível corsário, olhando-me ferozmente, apiedou-se da minha insignificante pessoa e, com imperativa voz, ordenou-me que aguardasse um momento.
Eu vi, com ansiedade infinita, o flibusteiro retornado à sua nave negra. Entendendo que soube burlar, astutamente, os seus impiedosos lobos do mar. O certo é que, momentos depois, devolvia-me a minha filha.
Valha-me Deus e Santa Maria! Porém, quem iria pensar que, depois de vários séculos, haveria de reencontrar o ego desse terrível corsário, reincorporado um novo organismo humano!
Assim é a lei do eterno retorno de todos os seres e de todas as coisas, e tudo se repete de acordo com outra lei que se chama recorrência.
Numa noite de grandes inquietudes espirituais o reencontrei, gozoso, entre o seleto grupo de aspirantes a rosa-cruz.
Aquela amizade resultou, no entanto, num fogo fátuo, um fogo de palha, pois bem rápido pude verificar plenamente que tal homem, apesar de seus místicos anelos, continuava, em seus transfundos mais íntimos, como antigo corsário vestido à moderna.

Aquele cavalheiro de outrora entusiasmava-se muito, relatando-me suas “experiências astrais”, pois é inquestionável que saiba desdobrar-se à vontade.
Qualquer dia desses tantos, acertamos um encontro metafísico transcendental no S.S.S. de Berlim, Alemanha.
Esta foi, para mim, uma experiência relativamente nova, pois, certamente, até então não havia ocorrido ainda realizar o experimento da projeção voluntária do eidolon. No entanto, sabia que o podia fazer e por isso me atrevi a aceitar tal encontro.
Com inteira claridade recordo aqueles momentos solenes em que me convertera em espião do meu próprio sono…
Em estreita mística aguardava o instante de transição existente entre vigília e sono; queria aproveitar esse momento de maravilhas para escapar do corpo físico.
O estado de lassitude e as primeiras imagens de sonho foram suficiente para entender, de forma íntegra, que o ansiado momento havia chegado…
Delicadamente, levantei-me do leito e, caminhando muito devagarzinho, saí de minha casa, sentindo-me possuído por certa voluptuosidade espiritual, agradável, deliciosa…
É inquestionável que, ao me levantar da cama, no instante de estar dormitando, produziu-se o desdobramento astral, a separação muito natural do eidolon…
Com esse brilho muito singular do corpo astral, afastei-me de todas aquelas cercanias, anelando chegar ao Templo de Berlim…
Ostensivelmente, tive que viajar deliciosamente sobre as procelosas águas do Oceano Atlântico…
Flutuando serenamente na radiante atmosfera astral deste mundo, cheguei às terras da velha Europa e, de imediato, me dirigi à capital da França…
Andei, silente como um fantasma, por todas essas velhas ruas que outrora serviam de cenário para a Revolução Francesa…
De repente, algo insólito acontece: Uma onda telepática chegou ao meu plexo solar e sinto o imperativo categórico de uma imensa dita de encontrar um amigo de minhas passadas reencarnações…
Ditoso, flutuava aquele companheiro, submerso no ambiente fluídico astral, fora do corpo denso que jazia adormecido no perfumado leito de caoba…
No tálamo nupcial dormia também o corpo físico delicioso de sua bem-amada. A alma sideral desta última, fora de seu receptáculo mortal, compartilhava do gozo mirífico de seu esposo e flutuava…
Eu vi dois ternos infantes de esplêndida beleza, brincando felizes no encanto mágico daquela morada…
A meu antigo saudei, e também a sua Eva inefável, mas os meninos espantaram-se com minha inusitada presença...
Pareceu-me melhor sair por aí, pelas ruas de Paris e meu amigo não rechaçou a idéia. Conversando juntos, afastamo-nos da mansão das delícias…
Caminhamos devagarzinho, devagarzinho, por todas essas ruas e avenidas que vão desde o centro até a periferia…
Fora daquela grande urbe, propus-lhe – à queima-roupa, como se diz por aí – visitássemos juntos o templo esotérico de Berlim, Alemanha. O iniciado aquele declinou, muito amavelmente, do convite, objetando que tinha esposa e filhos e que, por isso, só queria concentrar sua atenção nos problemas econômicos da vida…
Com grande pesar, afastei-me daquele homem desperto, lamentando que pospusesse seu trabalho esotérico.
Suspendendo-me na luz astral das maravilhas e prodígios, passei por cima de uns vetustos muralhões antiquíssimos… Ditoso, viajei ao longo do tortuoso caminho de, em forma serpentina, se desenvolvia aqui, lá e acolá.
Embriagado de êxtase, cheguei ao templo das paredes transparentes. A entrada daquele lugar santo era certamente muito singular…
Vi uma espécie de parque domingueiro, todo cheio de plantas belíssimas e flores deliciosas que exalavam um hábito de morte…
No fundo extraordinário daquele jardim encantador, resplandecia, solene, o templo dos esplendores…
As gradeadas portas de ferro que davam acesso ao precioso parque do Santuário às vezes se abriam para que alguém entrasse, às vezes se fechavam… Todo aquele conjunto delicado e maravilhoso ressaltava, iluminado com a imaculada luz do Espírito Universal de Vida… Ante o Sancta Sanctorum encontrei, ditoso, muitos nobres aspirantes de diversas nacionalidades, povos e línguas…
Místicas almas que, durante aquelas horas em que o corpo físico dorme, movidas pela força do anelo, haviam escapado da densa forma mortal para até o Sancta…
Sublimes, conversam todos esses devotos sobre temas inefáveis. Falavam da lei do carma, discorriam sobre assuntos cósmicos extraordinários… Emanavam de si mesmos o perfume da amizade e a fragrância da sinceridade.
Em estado de bem-aventurança, andei por aqui, lá e acolá, buscando o atrevido flibusteiro que, ousado, me propusera tão tremendo encontro…
Em muitos grupos irrompi perguntando pelo citado cavalheiro de outrora, mas ninguém soube dar-me resposta alguma…
Compreendi, então, que aquele antigo pirata não havia comprido a palavra empenhada. Ignorava os motivos, sentia-me defraudado…
Silente, resolvi aproximar-me da gloriosa porta do Templo da Sabedoria. Quis penetrar dentro do lugar santo, mas o Guardião me fechou a porta, dizendo-me: “ Ainda não é hora. Retira-te”!…
Sereno e compreendendo-o todo, sentei-me, gozoso, na simbólica pedra, bem perto do portal do mistério… Nesses instantes de plenitude, auto-observei-me de forma íntegra. Certamente, eu não sou um sujeito de psique subjetiva; nasci com a Consciência desperta e tenho acesso ao conhecimento objetivo…
Quão belo me pareceu o corpo astral! ( Resultado esplêndido de antiquíssimas transmutações da libido).
Recordei meu corpo físico, que agora jazia, adormecido, na remota distância do mundo ocidental, num povoado da América…
Auto-observando-me, cometi o erro de confrontar os veículos astral e físico. Por tais comparações, perdi a êxtase e regressei instantaneamente ao interior de meu denso envoltório material…
Momentos depois, levantava-me do leito. Havia logrado um desdobramento astral maravilhoso…

Quando severamente perguntei ao velho flibusteiro sobre o motivo pelo qual não foi capaz de cumprir com sua palavra, não soube dar-me uma resposta satisfatória.
Trinta e cinco anos transcorreram desde aquela época em que esse velho lobo do mar e eu acertáramos tão misteriosos encontro… Além do tempo e da distância, aquele estranho personagem era já tão somente uma recordação escrita nas empoeiradas páginas de meus velhos cronicões….
Entretanto, confesso sem rodeios que, depois de tantos anos, tive de ser surpreendido com algo insólito…
Numa noite de primavera, encontrando-me ausente da densa forma perecedora, vi o Senhor Shiva, o Espírito Santo, minha Sacra Mônada Superindividual, com o semblante inefável do Ancião dos Dias…
Admoestava o Senhor, com grande severidade, o velho corsário dos mares. É inquestionável que o corpo físico deste último, a essas horas da noite, jazia adormecido no leito…
Anelante, quis intervir como terceiro na discórdia. O Velho dos Séculos, de forma categórica, me ordenou quietude e silêncio…
Outrora, o pirata aquele me havia devolvido a minha filha, tinha-a retirado do inferno onde ele mesmo a havia metido…
Agora, meu Real Ser, Samael, brigava por libertá-lo, por emancipá-lo, por tirá-lo dos mundos infernos…
 
Meditação
( Capítulo - 07 )
Flanqueado de muralhas intelectuais, enfastiado de tantas teorias tão complicadas e difíceis, revolvi viajar até as costas tropicais do mar do Caribe…
Lá longe, sentado como um eremita dos tempos idos, sob a sombra taciturna de uma árvore solitária, resolvi dar a sepultura , a todo esse séquito difícil do vão racionalismo…
Com a mente em branco, partindo do zero radical, sumindo em meditação profunda, busquei, dentro de mim mesmo, o mestre secreto…
Sem rodeios confesso, e com inteira sinceridade, que eu tomei muito a serio aquela frase do testamento da sabedoria que diz textualmente: “Antes que a falsa aurora amanhecesse sobre a Terra, aqueles que sobreviveram ao furacão e á tormenta louvaram ao Intimo e a eles apareceram os heraldos da aurora.
Obviamente buscava o Íntimo, adorava-o no segredo da meditação, rendia-lhe culto…
Sabia que, dentro de mim mesmo, nos ignotos recônditos de minha alma, o acharia. E os resultados não se fizeram esperar muito tempo…
Mais tarde, no tempo , tive de me afastar da arenosa praia para me refugiar em outras terra e em outros lugares…
Entretanto, aonde quer que fosse, continuava com minhas práticas de meditação. Deitado em meu leito ou no duro piso, colocava-me na forma de estrela flamígera (pernas e braços abertos à direita e à esquerda ), com o
corpo completamente relaxado…
Cerrava meus olhos para que nada do mundo me pudesse distrair. Depois, embriagava-me com o vinho da meditação na taça da perfeita concentração.
Inquestionavelmente, conforme intensificava minhas práticas, sentia que realmente me aproximava do Intimo…
As vaidades do mundo não me interessavam. Bem sabia que todas as coisas deste vale de lágrimas são perecedoras…
O Íntimo e suas respostas instantâneas e secretas era o único que realmente me interessava.
Existem festivais cósmicos extraordinários que jamais podem ser olvidados; isto o sabem muito bem os divinos e os humanos…
Nos momentos em que escrevo estas linhas, vem à minha memória o grato amanhecer de um venturoso dia…
Do jardim interior de minha morada, fora do corpo planetário, prostrado humildemente, clamando com grande voz, chamei o Íntimo…
O Bendito transpassou o umbral de minha mansão. Eu o vi vir até mim com passo triunfal…

Vestido com zefir precioso e branca túnica inefável, veio a mim o Adorável! Contemplei-o ditoso!…
Em sua cabeça celestial luzia, esplêndida, a coroa dos hierofantes. Todo seu corpo era feito de natureza, de felicidade…
Em sua destra resplandeciam, preciosas, todas essas gemas valiosas das quais fala o Apocalipse de São João…
Empunhava o Senhor, com grande firmeza, a vara de Mercúrio, o cetro dos reis, o bastão dos patriarcas…
Tomando-me em seus braços, cantou o Venerável com voz de paraíso, dizendo coisas que aos seres terrenos não lhes é dado compreender…
O Senhor de Perfeições levou-me, então ao planeta Vênus, muito longe das amarguras deste mundo…
Assim foi como me aproximei do Íntimo pelo caminho secreto da meditação interior profunda. Agora falo porquê…


Estado de Jinas
( Capítulo - 08 )
É, pois, o caso que, pasmado minha vida em tantas ocupações, tive, não obstante, que investigar a fundo os estados jinas.
Olhai, senhores, se havia razão que as razões deste capítulo nos admirassem, quando pudemos experimentar, de forma direta, a existência real de terras e povos jinas.
“Causará assombro que, no primeiro terço do século XVIII, quando já não reinavam os supersticiosos Felipes, o mesmíssimo dom Juan de Mur y Aguirre, antes Governador de San Marcos de Arichoa, no Peru, acreditava cegamente na existência de múltiplas ilhas misteriosas por todos os mares do mundo.
Isso se deveu a que, desde La Gomera e La Palma, enviavam informes mais ou menos fantásticos ao General e a Real Auditoria sobre as repetidas aparições das sonhadas ilhas, informes que produziram- diz Vieira – novos acessos de febre do maravilhoso nos ânimos, movendo-os a tentar, pela quarta vez, o descobrimento da ilha Non- Trabada.
O certo é que a Non-Trabada, ou Encubierta, não tornou a ser vista pelos mortais desde o século XVIII até a data, porque o ceticismo agressivo que vem reinando no mundo desde a Enciclopédia não merece outra coisa senão que se faça mais espesso e denso o véu de Maia, que os semelhantes mistérios etéreos, ou da quarta dimensão, recobre.
A ilha Non-Trabada, ou Encubierta, geralmente mais conhecida por San Borondón – diz Benítez em sua História das Ilhas Canárias – é um daqueles países encantados que tem preocupado aos modernos, tanto quanto o Velocino de Ouro aos antigos. E crendo que tinham poderosas razões para isso, porque, efetivamente, desde as ilhas La Palma, Gomera e Hierro, costumava-se ver, ao O.S.O. da primeira e ao O.N.O. da última, correndo em direção N. a S., uma como terra montanhosa que, segundo o cômputo geralmente mais admitido, distaria 40 léguas de La Palma e que poderia ter – não sabemos como se mediria – umas 87 léguas de comprimento por 28 de largura, e que, pois, as vezes, se via desde o sudoeste de Tenerife, poderia estar a 28 graus e alguns minutos de latitude norte.
No dia três de Abril de 1570, o doutor Hernán Pérez de Grado, Primeiro Regente da Autoria das Canárias, liberou uma provisão encomendada `as ilhas La Palma, Gomera e Hierro, a fim de que fizessem uma averiguação exata com quantas pessoas tivessem observado a aparição de semelhante terra ou que, por qualquer outro conduto, tivessem provas de sua existência.
Em virtude de semelhante informação, depôs, em La Palma, o piloto português Pedro Vello, natural de Setúbal, e disse que, por causa de uma tempestade, desembarcou na ilha Non-Trabada com dois de sua equipe e ali contemplou tais e quais maravilhas (fenômenos extraordinários, pegadas de gigantes, etc.)
Logo, ao amanhecer, nublou-se o céu, soprou horríssono o furacão e ele, temendo perder seu navio, voltou a bordo mais que depressa.
No instante de zarpar, perderam de vista a terra e, logo que este cessou, trataram de voltar a ela, sendo-lhes de todo ponto de vista impossível descobri-la, pelo que ficaram muito contrariados, especialmente por dois homens da tripulação que haviam ficado abandonados na espessura da selva.”
Esta verdadeira história jinas que aqui a vossa mercês se apresenta é tirada, ao pé-da-letra, de velhos cronicões…

Dizem antigas tradições, por certo muito respeitáveis, que, durante a idade de ouro do Lácio e da Ligúria, o rei divino Jano, ou Saturno, (I.A.O., Baco, Jeová) imperou sobre aquela santa gente, tribos árias todas, ainda que de muito diversas épocas e origens. Então, como em igual época do povo hebreu, podia-se dizer que conviviam felizes jinas e homens.
A Jana, Yana, Gnana, ou Gnosis, não é senão a ciência de Jano, ou seja, a ciência do conhecimento iniciático, a ciência de Enoichión ou do Vidente, e as variantes de seu nome são tais que há em cada língua uma, tais como as de Jan, Chan ou Kan, Dan, Dzan, D’Jan, Jain, Jian, Ioan, Kwan-Swan, Thanos, Thoan, Chohan, todas equivalentes `a mais sublime concepção de um espírito planetário, o Regente de Saturno, um Nazada, um Kabir, no sentido mais completo da palavra.
Para mim, a ciência jinas não é opinião, senão verdade assentada, e, se quereis que vo-la mostre com a experiência vivida, escutai com paciência o subseqüente relato:
Trinta vezes havia visto cair as folhas de outono em minha presente reencarnação, quando tive que trabalhar, consciente e positivamente, com a doutrina dos jinas ou de Jano.
Qualquer noite de maravilhas, Litelantes, minha sacerdotisa-esposa, fez-me sublime convite…
Encontrava-me repousando no tálamo nupcial, com o corpo relaxado, boca pra cima (decúbito dorsal).
Devo asseverar, com certa solenidade e para o bem da Grande Causa, que nesses instantes que achava em estado de alerta novidade, alerta percepção.
Dormitava atento e vigilante como o vigia em época de guerra. Obviamente anelava, com sede infinita, algo extraordinário.
Depois das já sabidas invocações de rigor, senti como se outro ser humano pousasse sobre o meu relaxado corpo, exatamente sobre aquelas mantas, cobertas e cobertores que deliciosamente me protegiam do frio da noite.
Inquestionavelmente era Litelantes. Reconheci-a pela voz, quando, de forma veemente, me chamara com meu nome de batismo…
Ostensivelmente, aquela dama-adepto, mediante a ajuda extra de algumas pessoas jinas, havia conseguido meter seu corpo físico dentro da quarta dimensão.
Vamos! Disse-me. Vamos! Vamos! E eu que com ânsia infinita sempre havia aguardado este instante, pressuroso me levantei do leito.
Resulta palmário e evidente que, ao me levantar, assim, ajudado, de fato atravessei a barreira da velocidade da luz, ficando, então, de pé, junto ao leitor de penitente e anacoreta, com o corpo físico bem submerso dentro da quarta dimensão.
Qualquer gnóstico sincero poderia certamente fazer o mesmo, se, no instante de começar a dormir, se concentrasse intensivamente com sua Divina Mãe Natura particular, individual…
Uma fórmula mágica muito especial é a seguinte: “Creio em Deus, Creio em minha Mãe Natureza e Creio na magia branca. Mãe minha, leva-me com meu corpo.
Amém.”
Milhares de vezes se reza esta oração, no instante de querer dormitar; entretanto, convém não esquecer aquele ditado popular que diz: “A Deus rogando e com o malho dando.”
Muito ligeiramente adormecidos, levantei-vos do leito, suplicando e, logo, saltai com a intenção de flutuar no ambiente circundante. Tende fé como um grão de mostarda e movereis montanhas.

Se não lograis flutuar, metei-vos novamente dentro da vossa cama e repeti o experimento.

Muitos triunfam de imediato e outros tardam meses e até anos inteiros para lograr sua entrada nos paraísos jinas…
Depois dessa pequena, porém importante digressão de tipo indicativo, continuemos com nosso relato.
Saí da minha recâmara com passo firme e decidido, atravessei um pequeno pátio, dirigi-me à rua.
Cedendo-me passagem com muita reverência, certo grupo de gente jinas; dirigi-me até as montanhas vizinhas.

Sai da cidade, seguido muito de perto por aquele grupo de gente jinas; dirigi-me até as montanhas vizinhas.
Senti como se me tivesse afundado num remoto passado sublunar antiqüíssimo; compreendi que havia penetrado nos cosmos inferior…
Fui submetido a provas de coragem, fazendo-me passar por cima de profundos precipícios…
Flutuando no ambiente circundante da quarta vertical, acompanhado por Litelantes e por toda a comitiva de gente jinas, atravessei o borrascoso oceano e cheguei a certo lugar secreto da velha Europa…

Penetrei valorosamente em certo castelo, onde tive que contemplar, com assombro, um estranho símbolo, sob o qual havia um crucifixo…
O regresso `a minha mansão foi relativamente fácil, pois é lei, na quarta dimensão, que tudo regressa ao seu ponto de partida original.

Litelantes e eu comentamos muito alegremente tudo isto. Obviamente havíamos conseguido um triunfo maravilhoso.
Dias depois continuamos com estes experimentos; aprendemos a colocar o corpo físico dentro dos cosmos superior.
Hoje, por experiência direta, sabemos que, com a ajuda da Mãe Divina Kundalini, podemos pôr o corpo físico em estado de jinas, para viajar por entre o cosmos de cima.


Onda Dionisíaca
( Capítulo - 09 )
Inquestionavelmente, Mammon e Dionísio, por serem incompatíveis tanto em seu continente como em seu conteúdo, jamais se poderiam conciliar. De forma axiomática, irrefutável, podemos e até devemos definir Mammon com dois termos:
a) Intelectualismo.
b) Dinheiro (ouro, riquezas).

Corretamente, e de modo contundente e definitivo, urge definir Dionísio assim: a)Transmutação voluntária da libido sexual.
b) Êxtase místico transcendental.

Resulta oportuno citar, agora, entre os fastos desta pobre humanidade pigméia, aquela data e hora – 4 de fevereiro de 1962, entre 2 e 3 da tarde - em que todos os planetas do nosso sistema solar se reuniram num supremo concílio cósmico, precisamente na brilhante constelação de Aquário, para iniciar a nova Era por entre o augusto troar do pensamento.

Desde essa data memorável e sob a regência de Urano, o muito venerável e meritíssimo Senhor de Aquário, vibra intensamente, em toda natureza, a onda dionisíaca.

Não é demais enfatizar, no presente capítulo, a notícia transcendental de que tal planeta citado foi, é e será sempre o brilhante astro que rege e governa inteligentemente as glândulas endócrinas sexuais.

Agora vos explicareis para vós mesmos o intrínseco motivo que nestes instantes origina a intensiva vibração dionisíaca.

Entretanto, resulta evidente, palmário e manifesto o fato concreto de que os terrícolas, em sua esmagadora maioria, não estiveram à altura das circunstâncias, não foram capazes de se polarizar positivamente com esta onda…

Definir os dois aspectos -positivo-negativo-dessa vibração cósmica é inadiável, urgente, indispensável.

Pólo positivo dionisíaco: Deleite sexual, infra-sexualismo de toda classe, homossexualismo, lesbianismo, prazeres demoníacos nos mundos infernos, mediante as drogas, fungos, àlcool, música infernal como esta da nova onda, etc., etc., etc.

Pólo negativo dionisíaco: degeneração sexual, infra-sexualismo de toda classe, homossexualismo, lesbianismo, prazeres demoníacos nos mundos infernos, mediante as drogas, fungos, álcool, musica infernal como esta da nova onda, etc, etc, etc.

Compreender a fundo os processos íntimos destes dois pólos da onda dionisíaca é algo muito urgente…

Como exemplo vivo deste par de pólos diametralmente opostos, correspondentes à mencionada ondulação, resulta oportuno citar, aqui, a título de ilustração, dois movimentos revolucionários contemporâneos.

De forma delicada, quero me referir, claramente e sem rodeios, ao Movimento Gnóstico Cristão Universal e também ao anverso da medalha dionisíaca, conhecido com o tristemente célebre nome de Movimento Hippie.


Inquestionavelmente, os dois mencionados antípodas psicológicos constituem, “per se”, uma viva demonstração manifesta do par de pólos opostos da tremenda vibração dionisíaca.
Chegando judiciosamente a esta parte do presente capítulo, torna-se iniludível a necessidade de uma confrontação didática.
Embriaguez dionisíaca, êxtase, Samadhi, obviamente resultam indispensáveis quando se trata de experimentar isso que é a Verdade, o Real. Tal exaltação é cem por cento possível através da técnica da meditação.
Psicodelia é diferente. Traduza-se este termo assim: Psiquis = alma; delia = droga.
Especificando diremos: O psicodélico é o antipolo da meditação. O inferno das drogas está no interior do organismo planetário em que vivemos, sob a própria epiderme da crosta terrestre.
Os fungos alucinógenos, pastilhas, LSD, a maconha, etc., etc., etc., intensificam, evidentemente, a capacidade vibratória dos poderes subjetivos, mas, é ostensível que jamais poderiam originar o despertar da Consciência.
As drogas alteram fundamentalmente os gens sexuais e isto já está demonstrado cientificamente. Como conseqüência de tais mutações negativas genéticas, resulta evidente o nascimento de crianças monstruosas.
Meditação e psicodelia são incompatíveis, opostos, antagônicos; jamais se poderiam mesclar.
Inquestionavelmente, estes dois fatores de embriaguez dionisíaca assinalam, indicam rebelião psicológica.
Gnósticos e hippies enfastiaram-se com o vão intelectualismo de Mammon, aborreceram-se com tantas teorias, chegaram à conclusão de que a mente, como instrumento de investigação, é demasiado miserável…
Zen? Gnana-ioga? Isso é superlativo. Existem, dentro de nós, em estado latente, faculdades de cognição infinitamente superiores à mente. Mediante estas últimas podemos experimentar de forma direta, isso que é o Real, isso que não é do tempo.
O movimento hippie preferiu o inferno das drogas; indubitavelmente, definiu-se perversamente.
Os gnósticos, plenamente desiludidos do néscio intelectualismo de Mammon, bebemos do vinho da meditação na taça da perfeita concentração.
Mudanças psicológicas radicais e de fundo tornam-se urgentes quando nos desiludimos com os velhacos da mente.
Regressar ao ponto de partida original é o indicado; só assim é possível uma transformação radical.
Sexologia? Valha-me Deus e Santa Maria! Este tema horroriza aos puritanos…
Escrito está, com palavras de fogo, nas Sagradas Escrituras, que o sexo é pedra de tropeço e rocha de escândalo…
Ressalta a evidência de que nós não somos filhos de nenhuma teoria, escola ou seita.
Na crua raiz de nossa existência só encontramos um homem, uma mulher e um coito…

Nascemos desnudos, alguém nos cortou o cordão umbilical, choramos e buscamos logo o peito materno…
Vestuário? Escolas? Teorias? Erudição? Dinheiro? Etc., etc., etc. Tudo isto veio depois, por acréscimo.
Crenças de todo tipo existem por toda parte. Entretanto, a única força que nos pôs no tapete da existência. Quero me referir à energia criadora do primeiro instante, à potência sexual.
O deleite amoroso, o desfrute erótico, é, por seqüência lógica, a dita maior…
Saber copular sabiamente é indispensável quando se anela, sinceramente, uma mudança psicológica definitiva.
Os hippies pressentiram tudo isto quando se sublevaram contra Mammon; porém, erraram o caminho, não se souberam sintonizar com o pólo positivo de Dionísio.
Os gnósticos somos diferentes. Sabemos desfrutar. Agrada-nos transmutar e sublimar a libido. Isto não é um delito.
O movimento hippie marcha resolutamente pelo caminho involutivo descendente do infra-sexualismo. O Movimento Gnóstico Cristão Universal avança vitorioso pela via ascendente, revolucionária do supra- sexual.
 
O Fogo Sexual
( Capítulo - 10 )
A transmutação sexual do “ens seminis” em energia criadora se faz possível quando evitamos cuidadosamente o abominável espasmo, o imundo orgasmo dos fornicadores.
A bipolarização deste tipo de energia cósmica no organismo humano foi, desde os antigos tempos, analisada nos colégios iniciáticos do Egito, México, Peru, Grécia, Roma, Fenícia, etc., etc., etc.
O ascenso da energia seminal até o cérebro verifica-se graças a certo par de cordões nervosos que, em forma de oito, se desenvolvem, esplendidamente, à direita e à esquerda da espinha dorsal.
Chegamos, pois, ao caduceu de Mercúrio com as asas do espírito sempre abertas. O mencionado par de cordões nervosos jamais poderia ser encontrado com o bisturi, porquanto estes são antes de natureza semi-etérica, semifísica.
Estas são as duas testemunhas do Apocalipse, as duas oliveiras e os dois candeeiros que estão diante do Deus da Terra, e se alguém os quiser danar, sai fogo da boca deles e devoram seus inimigos.
Na sagrada terra dos vedas, este par de cordões nervosos são conhecidos com os nomes sânscritos de Idá e Pingalá. O primeiro relaciona-se com a fossa nasal esquerda e o segundo com a direita.
É óbvio que o primeiro destes dois nadis, ou canais, é de tipo lunar; é ostensível que o segundo é de natureza solar. A muitos estudantes gnósticos poderá surpreender um pouco que, sendo Idá da natureza fria e lunar, tenha suas raízes no testículo direito.
A muitos discípulos do nosso Movimento Gnóstico poderia cair-lhes como algo insólito e inusitado a notícia de que, sendo Pingalá de tipo estritamente solar, parta realmente do testículo esquerdo. Entretanto, não nos devemos surpreender, porque tudo, na natureza, se baseia na lei das polaridades.
O testículo direito encontra seu antipolo exato na fossa nasal esquerda, e isto já está demonstrado. O testículo esquerdo encontra seu antípoda perfeito na fossa nasal direita, e, obviamente, isto deve ser assim. A fisiologia esotérica ensina que, no sexo feminino, as duas testemunhas partem dos ovários.
É inquestionável que, nas mulheres, a ordem deste par de oliveiras do templo se inverte harmoniosamente.
Velhas tradições que surgem da noite profunda de todas as idades, dizem que, quando os átomos solares e lunares do sistema seminal fazem contato no tribeni, perto do cóccix, então por simples indução elétrica desperta uma terceira força. Quero referir-me ao fogo maravilhoso do amor.
Escrito está nos velhos textos da sabedoria antiga que o orifício inferior do canal medular nas pessoas comuns e correntes encontra-se hermeticamente fechado. Os vapores seminais o abrem para que o fogo sagrado da sexualidade penetre por ali.
Ao longo do canal medular processa-se um jogo maravilhoso de variados canais que se penetram e compenetram mutuamente, sem se confundirem, porque estão localizados em diferentes dimensões.
Recomendo o Sushumná e outros, como o Vajra, o Chitra, o Centralis e o famoso Brahmanadi. Por este último ascende o fogo do deleite sexual, quando jamais cometemos o crime de derramar o sêmen.

Absurdo é enfatizar a equivocada idéia de que o erótico fogo de todas as ditas empreenda viagem de retorno para o cóccix, depois da encarnação do Ser (o Jivatma) no coração do homem.
Falsidade horripilante é aquela que afirma, torpemente, que a chama divina do amor, depois de haver gozado sua união com Paramashiva, se separe, em viagem de retorno, pelo caminho inicial. Tal regresso fatal, dito descenso até o cóccix, só se torna possível quando o iniciado derrama o sêmen.
Então, cai fulminado pelo raio terrível da justiça cósmica.
O ascenso do fogo sexual pelo canal medular realiza-se muito lentamente, de acordo com os méritos do coração. Os fogos da cárdia controlam sabiamente o ascenso milagroso da flama do amor. Obviamente tal chama erótica não é algo automático ou mecânico, como supõem muitos equivocados sinceros. Este fogo serpentino desperta exclusivamente com o deleite sexual amoroso e verdadeiro.
Jamais ascenderia a flama erótica pelo canal medular de casais unidos por mera conveniência pessoal.
Seria impossível o ascenso da chama santa na espinha dorsal de homens e mulheres adúlteros. Nunca subiria o fogo das delícias sexuais na espinha dorsal daqueles que atraiçoam ao guru.
Jamais ascenderia o fogo sexual pela medula dos beberrões, afeminados, lésbicas, drogados, assassinos, ladrões, mentirosos, caluniadores, exploradores, cobiçosos, blasfemos, sacrílegos, etc., etc., etc.
O fogo dos gozos sexuais é semelhante a uma serpente de maravilhas que, quando desperta, emite um som muito similar ao de qualquer víbora açulada por um pau.
O fogo sexual, cujo o nome sânscrito é Kundalini, desenvolve-se, revoluciona e ascende dentro da aura resplandecente do Maha-Choham.
O ascenso da flama das ditas ardentes ao longo do canal espinhal, de vértebra em vértebra, de grau em grau, resulta, em verdade, muito lento. Jamais subiria instantaneamente, como equivocadamente supõe algumas pessoas que não possuem informação correta.
Folgo em dizer, em grande estilo e sem muita prosopopéia, que os trinta e três graus de maçonaria oculta correspondem, esotericamente, com as trinta e três vértebras espinhais.
Quando o alquimista comete o crime de derramar o vaso de Hermes, refiro-me ao derrame seminal, obviamente perde graus maçônicos, porque o fogo dos encantos amorosos desce uma ou mais vértebras, de acordo com a magnitude da falta. Recuperar os graus perdidos sói ser espantosamente difícil. Entretanto, está escrito que na catedral da alma há mais alegria por um pecador que se arrepende do que por mil justos que não necessitam de arrependimento. No magistério do amor sempre somos assistidos pelos Elohins; eles nos aconselham e ajudam.
A Universidade Adhyatmica dos Sábios examina, periodicamente, os aspirantes que, depois de terem renunciado a Mammon, (intelectualismo e riquezas materiais), desfrutam, sabiamente, das delícias do amor no tálamo nupcial. Na medula e no sêmen encontra-se a chave da redenção, e tudo que não seja por ali, por esse caminho, significa, de fato, uma perda inútil de tempo.
O fogo serpentino (Kundalini) encontra-se enroscado, como qualquer cobra, com três voltas e meia, dentro de certo centro magnético situado no osso coccígeo, base da espinha dorsal.
Quando a serpente sexual desperta para iniciar sua marcha para dentro e para cima, passamos por seis experiências místicas transcendentais, que podemos e devemos definir, claramente, com seis termos sânscritos, assim:
Ananda: Certa alegria espiritual.
Kampan: Hipersensibilidade de tipo elétrico e psíquico.
Utthan: Progressivo aumento autoconsciente, desdobramentos astrais, experiências místicas transcendentais nos mundos superiores, etc.
Ghurni: Intensos anelos divinais.
Murcha: Estados de lassitude, relaxamentos de músculos e nervos de forma muito natural e espontânea durante a meditação.

Nidra: Determinado tipo específico de sono que, combinado com a meditação interior profunda, vem a se converter em Shamadi resplandecente (êxtase).

Inquestionavelmente, o fogo do amor se confere infinitos poderes transcendentais. A flama sexual é, for a de toda dúvida, uma verdade jeovística e vedantina ao mesmo tempo.

A chama sexual é a deusa da palavra, adorada pelos sábios. Quando desperta, confere-nos a iluminação.
A flama erótica nos confere essa sabedoria divina que não é da mente e que está mais além do tempo.
É ela que dá também o Mukti da beatitude final e o Jnana da liberação.

DI-ON-IS-IO. Dionísio. Silabando-se esta mágica palavra, este mantram de maravilhas, sobrevém, extraordinariamente, a transmutação voluntária da libido durante o coito paradisíaco.

Mágicos resultados deste mantram: DI- Intensificada vibração dos órgãos criadores. ON- Movimento inteligente da energia criadora em todo o sistema nervoso sexual até submergir na Consciência. IS- Esta mântrica sílaba nos recorda os mistérios isíacos e o seu correspondente nome Ísis. Obviamente, a vogal I e a letra S, prolongadas com um silvo doce e aprazível, invocam a serpente sexual para que suba,
vitoriosa, pelo canal medular espinhal.

IO- Isolda, o androginismo luni-solar, Osíris-Íris, cintila desde o fundo profundo de todas as idades, terrivelmente divino.

I, com sua profunda significação, certamente é o Lingam (falo), o Iod hebreu. O, é o eterno feminino, o útero (o Yoni), o famoso He de tipo hebraico.

IO. Quando entoamos esta última sílaba da mágica palavra durante o transe sexual, então se produz a transmutação íntegra da libido. Assim é como a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes desperta para iniciar seu êxodo pelo canal medular.

Ressalta patente e manifesto o aspecto maternal da flama sagrada que de forma serpentina ascende pela espinha dorsal. Flama com figura de cobra, divina chama sexual, Mãe Sacratíssima Kundalini.

Fora do corpo físico, nossa Mãe Cósmica particular, pois cada um tem a sua, assume sempre a presença maravilhosa de uma mãe virgem.

Certa vez, não importa o dia nem a hora, achando-me for a do corpo físico, encontrei-me com a minha Mãe Sagrada no interior de um precioso recinto.

Depois dos costumeiros abraços de filho e mãe, Ela se sentou nem cômodo sofá, frente a mim, oportunidade que aproveitei para fazer perguntas necessárias.

- Estou indo bem agora Mãe minha?
-Sim, filho meu! Vais bem.
- Ainda necessito praticar magia sexual?
-Sim, ainda necessitas.
- É possível que lá, no mundo físico, haja alguém que se possa auto-realizar sem necessidade da magia sexual?

A resposta a esta última pergunta foi tremenda: “Impossível, filho meu! Isso não é possível.”
Confesso francamente e sem rodeios que estas palavras da Adorável deixaram-me assombrado.
Recordei, então, com suprema dor, tantas pessoas pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas que anelam, de verdade, a liberação final, porém, desconhecem o Sahaja Maithuna, a magia sexual, a chave maravilhosa do grande arcano.
Inquestionavelmente, o caminho que conduz ao abismo está empedrado de boas intenções.
 
A Vaca Sagrada
( Capítulo - 11 )
Antes da segunda catástrofe transapalniana que alterou fundamentalmente o aspecto da crosta terrestre, existiu um velho continente que hoje faz submerso nas procelosas águas do oceano Atlântico.
Quero me referir, de forma enfática, à Atlântica, sobre a qual existem, por toda a parte, inumeráveis traduções.
Vede se não: Nomes estrangeiros, atlantes, ou de línguas bárbaras, como soíam dizer aqueles cretinos gregos que quiseram assassinar Anaxágoras, quando se atreveu a dizer que o Sol era um pouco maior que a metade do Peloponeso.
Nomes, digo, traduzidos ao egípcio pelos sacerdotes de Saís e voltados à sua significação primeira pelo divino Platão, para vertê-los, depois, maravilhosamente, na linguagem da Ática.
Vede o fio diamantino da tradição milenar desde aqueles até Sólon, continuando, em seguida com os dois Crístias e o mestre Platão…
Vede, vo-lo digo, as extraordinárias descrições de botânica, geografia, zoologia, mineralogia, política, religião, costumes, etc., dos atlantes.
Vede, também, com olhos de águia rebelde, veladas alusões aos primeiros reis divinos daquele velho continente antediluviano, dos quais tantas referências têm também o paganismo mediterrâneo e os textos sagrados antiquíssimos do mundo oriental.
Reis sublimes, dos quais estoutros apontamentos assombrosos de Diodoro de Sicília, que ainda nos ficam por estudar, dão detalhada conta.
Vede, enfim, e isto é o mais interessante, o próprio sacrifício da Vaca Sagrada, característico dos brâmanes, dos hebreus, dos maometanos, dos gentis europeus e de milhares de outros povos…
É inquestionável que o nosso celebérrimo e indestrutível circo taurino, no fundo, não é senão uma sobrevivência ancestral antiqüíssima daquela festa de sacrifício atlante, cuja descrição se encontra ainda em muitos livros arcaicos secretos.
São, em realidade, muitas lendas existentes no mundo sobre aqueles touros soltos no templo de Netuno, animais aos quais não se rendia brutalmente como hoje, com lanças e espadas, senão com laços e outras artes engenhosas da clássica tauromaquia.
Já vencida na arena sagrada, a simbólica besta era imolada em honra dos deuses santos da Atlântica, os quais, como o próprio Netuno, haviam involuido do estado solar primitivo, até se converterem em pessoas de tipo lunar.
A clássica arte tauromáquica é, certamente, algo iniciático e relacionado com o culto misterioso da Vaca Sagrada…
Vede a arena atlante do templo de Netuno e a atual. Certamente não são senão um zodíaco vivo, em cujo constelado se senta o honorável público.

O iniciador, ou hierofante, é o mestre, os bandarilheiros, a pé, são os companheiros. Os picadores, por sua vez, são os aprendizes. Por isto estes últimos vão a cavalo, quer dizer, com todo o lastro em cima do seu indomado corpo, que sói cair morto na dura briga.
Os companheiros, ao porem as bandarilhas ou bastos, já começam a se sentir superiores à fera, ao ego animal. Quer dizer que são já, à maneira de Arjuna do Bagavad-Gita, os perseguidores do inimigo secreto.
Enquanto o mestre, com a capa da sua hierarquia, ou seja, com o domínio de Maia, e empunhado, com sua destra, a espada flamígera da vontade, resulta a maneira dos Deus Krishna daquele velho poema, não o perseguidor, senão o matador do eu, da besta, horripilante monstro bramador que também se vê no Kameloc ou Kamaloka, o próprio rei Artur, chefe supremo dos insignes cavalheiros da Távola Redonda.
É, pois, a resplandecente tauromaquia atlante uma arte régia, profundamente significativa, porquanto nos ensina, através de seu brilhante simbolismo, a dura briga que nos deve conduzir à dissolução do eu.
Qualquer visão retrospectiva relacionada com o esoterismo taurino, é indubitável que nos pode conduzir a místicos descobrimentos de ordem transcendental.
Como fato de atualidade imediata não é demais citar o profundo amor que sente o toureiro por sua virgem; é ostensível que a ela se entrega totalmente antes de aparecer com seu traje de luzes na arena.
Isto vem a nos recordar os mistérios isíacos, o sacrifício terrível da Vaca Sagrada e os cultos arcaicos de IO, cujas origens provêm, solenes, do amanhecer da vida em nosso planeta Terra.
Resulta patético, claro e definitivo que somente IO, Devi Kundalini, a Vaca Sagrada das cinco patas, a Mãe Divina, possui, na verdade, esse poder mágico serpentino que nos permite reduzir a poeira cósmica o ego animal, a besta bramadora da arena da existência.
As vogais IO constituem, em si mesmas, o número dez da geração e a razão da circunferência ao diâmetro. Obviamente IO é, pois, o número Pi (Pithar), o tremendo mistério masculino-feminino. IO também é a suástica, foat ou a eletricidade sexual transcendente que se representam com a cruz dentro do círculo e símbolo da Terra, sobre cujo tema se poderia escrever todo um livro.
Escrito está, com letras de fogo no livro da vida, que tal símbolo da suástica, em forma de coordenada matemática, existiu em todos os países da Terra, desde a noite dos séculos.
Necessitamos com suma urgência inadiável, converter-nos em “vaqueiros”, quer dizer, em sábios condutores da vaca sagrada.
A Venerável Grande Mestra H.P.B. viu, realmente, no Indostão, uma autêntica vaca de cinco patas. Era um verdadeiro capricho da natureza, um milagre imaculado, branquíssimo, inefável…
Dom Mario Roso de Luna disse que aquela singular criatura levava a quinta pata na giba e que ela espantava as moscas ou se coçava…
O curioso animal era conduzido por um jovem da seita Sadhu. O jovem alimentava-se exclusivamente com o leite desta misteriosa vaca.
Ressalta palmário e manifesto o simbolismo esotérico, maravilhoso e esplendente da vaca das cinco patas.
Vivíssima expressão manifesta dos cinco desdobramentos da nossa Divina Mãe Kundalini muito particular…

Recordemos o signo do infinito, o oito estendido horizontalmente e igualado a um cinco; o que dá literalmente: Infinitivo igual a cinco. Quer dizer: o infinito é igual à pentalfa, à Vaca Inefável das cinco patas, à estrela de cinco pontas, ou pentágono regular e estrelado, que deteve Mefistófeles quando acudiu à evocação bruxesca do Doutor Fausto…
Definir estes cinco aspectos é indispensável para o bem de todos e de cada um de nossos estudantes:
a- A Imanifestada Kundalini.
b- Ísis inefável, casta Diana ( Sabedoria, Amor, Poder).
c- A Hécate grega, a Prosérpina egípcia, a Coatlicue asteca ( a rainha dos infernos e da morte. Terror de amor e lei).
d- A Mãe Natura particular individual ( aquela que criou nosso corpo físico).
e- A Maga Elemental Instintiva ( aquela que originou nossos instintos).
O vaqueiro, o condutor da vaca sagrada, pode e deve trabalhar no magistério destes cinco poderes da pentalfa…

Solenemente declaro enfaticamente o seguinte: Eu trabalho diretamente com os cinco poderes da Vaca Sagrada.
Ilustrar, esclarecer, ensinar sobre a pentalfa, é um dever, porém, prefiro fazê-lo com relatos vividos:

PRIMEIRO RELATO
Dizem que entre o sublime e o ridículo não há mais que um passo, e isto é axiomático.
Recordai, por um momento, as bacantes, quando estavam no período de seu furor orgiástico.
Belezas femininas polarizadas positivamente com a onda dionisíaca, ninfas dos bosques e das montanhas perseguidas pelos silenos lascivos…
Vede, agora, as mênades ridículas, negativamente polarizadas com a onda de Dionísio…
Bailarinas desenfreadas no furor de sua loucura sagrada. Mulheres “hippies” da antiga Grécia…
Fêmeas prostitutas excitadas pelas drogas, em plena embriaguez dionisíaca…Os sacrifícios humanos e de animais as faziam ainda mais perigosas…

Foram as mênades luxuriosas que mataram Orfeu e a lira maravilhosa caiu sobre o pavimento do templo, feita em pedaços…
Uma vez relatava a meus amigos cômicos episódios relacionados com um passado boêmio…
Obviamente, não podiam falar em tal comicidade o fruto fermentado da videira e as bacantes no cúmulo de seu furor orgiástico… Ridículas cenas daqueles tempos idos, em que eu andei pelo mundo, este do Kali-Yuga, como Bodhisattwa caído…
Entretanto, existem momentos estelares da humanidade. Um recordatório cósmico sói, em verdade, ser muito necessário…


Fora do veículo físico, em corpo astral, sob zona tridimensional de Euclides, tive que entrar no mundo soterrado…
O que sucedeu depois foi espantoso em grande estilo. O que ali vi, na horrível região submersa, foi mesmo que antes viram os Hoffman, os Edgar Poe, os Blavatsky, os Bulwer-Litton de todos os tempos; o mesmo que nos pinta Espronceda com seus coros demoníacos, com as angústias do poeta, com suas vozes discordes dos que levam sem rumo a nave da vida, fiando-se, loucos, do vento das paixões e do tenebroso mar da dúvida no bem obrar, dos que, fatais, desposam com o destino; dos que, orgulhosos, querem alçar torres de Babel de ambições néscias; dos que mentem; dos que combatem por mundanas glórias; dos que se enlodam no prazer da orgia; dos que cobiçam o ouro; dos ansiosos que odeiam o trabalho fecundo e criador; dos malvados, dos hipócritas e demais vítimas do Proteu do egoísmo, enfim…
Apareceram garras, dentes, cornos, trombas, aguilhões, beiços, caudas, asas dentadas, dilacerantes anéis que ameaçam aniquilar-me qual ínfimo gusano…
Aos meu ouvidos mágicos chegaram, nesses momentos, muitos sons horripilantes: alaridos, uivos, sibilos, relinchos, chiados, mugidos, grasnidos, miados, ladridos, bufares, roncos e crocitares.
Submerso me encontrei no lodo de tanta miséria; a angústia apoderou-se de mim; aguardava, ansiosamente, um bálsamo para sanar meu dolorido coração…
Não eram vãs, não, as elocubrações desses grandes videntes do astral que se chamaram alquimistas, cabalistas, ocultistas, esoteristas, iogues, gnósticos ou simplesmente poetas.
De repente, algo insólito acontece além das lamacentas águas do Aqueronte: gira sobre seus gonzos de aço a horrível porta que dá acesso à morada de Plutão…
Intensamente emocionado, estremeço, pressinto que algo terrível sucedeu. Não estou equivocado…Vejo-a! É ela! A Imanifestada Kundalini transpôs o umbral onde moram as almas perdidas…
Magnífica madona, excelente, extraordinária e terrivelmente divina, acerca-se de mim com passo magistral. Não sei o que fazer; estou confuso; sinto temor e amor simultaneamente…
Recordatório cósmico? Recriminação? Fala a adorável com voz de paraíso, bendiz-me e, depois, continua seu caminho como quem vai para as espantosas muralhas da cidade de Dite.
No fundo da minha Consciência senti, nesses momentos, como se Ela quisesse também ajudar a outros que moram em torno da cidade da dor, onde já não poderemos entrar sem justa indignação…
Olhando desde a alta torre de ardente cúspide, contam que viu Dante aparecer, de improviso, as três Fúrias infernais, as quais, segundo se diz, tinham movimentos e membros femininos…
Tudo isto o recordei instantaneamente; de modo algum queria eu – mísero mortal do lado da terra – converter-me num habitante a mais da cidade da dor.
Afortunadamente, tive a imensa dita de poder sair das entranhas do Averno para aparecer à luz do sol…
Outro dia, logo de manhã, alguém bate à minha porta: é um velho professor do ensino secundário…
Aquele bom homem me convida a uma festa de graduação. Sua filha concluíra os estudos com plexo êxito…
Impossível declinar seu convite! É meu amigo e até lhe devo certos favores. De modo algum estou disposto a depreciá-lo…

Depois de todos os conhecidos arranjos pessoais, Litigantes e minha insignificante pessoa que nada vale saímos de casa com o ânimo de chegar à morada do professor.
Muitas pessoas, elegantemente vestidas, nos receberam muito cordiais, na régia mansão…
Música deliciosa ressoava na habitação; pessoas alegres iam e vinham por aqui, por lá e acolá; ditosos casais dançavam sobre macio tapete.
Várias vezes meu esplêndido anfitrião veio até nós com o propósito de nos brindar o fermentado vinho…
Eu vi uma e outra vez, muito de perto, as resplandecentes taças de fino bacará; entretanto, rechacei energicamente a Baco e suas orgias. Achava-me compungido de coração…Meu anfitrião se tornou cáustico, incisivo e até um pouco ferino.
Inquestionavelmente, ele se converteu em meu pior inimigo. Supôs, equivocadamente, que eu fazia um desaire à sua festa…
Mais tarde, propagou, contra mim, diversas mentiras difamatórias. Lançou, contra minha insignificante pessoa, todo o veneno de suas críticas…
Não contente com tudo isso, apelou para a calúnia pública, acusando-me ante os tribunais de justiça de supostos delitos que ainda ignoro…
Aquele cavalheiro de outrora morreu um pouco mais tarde, num desgraçado acidente automobilístico.
Hoje em dia penso que naquele festim procedi, certamente, como qualquer intonso; faltou-me diplomacia.
Existem convidados em todas as salas do mundo que sabem brindar com o diabo. Passam a noite inteira com uma taça na mão e se defendem maravilhosamente.
Simulam beber cada vez que há um novo brinde, mas na realidade não bebem. Burlam do demônio do álcool…
SEGUNDO RELATO
Vamos, agora, a um novo relato muito singular, no qual não falaremos de festins maravilhosos nem de banquetes a Heliogábalo…;
“ Que descansada vida a do que foge do mundano ruído e segue a escondida senda por onde têm ido os poucos sábios que no mundo têm sido! Que não lhe enturve o peito
dos soberbos grandes o estado, nem do dourado teto se admira, fabricado
do sábio mouro, sem jaspes sustentado!…”.
Vênus caçadora, descendo dos altos cumes, com o propósito de auxiliar seu filho Enéias, o herói troiano que desembarcou nas terras da Líbia, me traz recordações insólitas…
Ísis, Adônia, Tonantzin ( o segundo aspecto da minha Mãe Divina Kundalini), veio a mim mais veloz que o sopro do Euro…
Não tinha um rosto próprio de um mortal, possuía uma beleza impossível de definir com palavras, parecia irmã de Febo Apolo…
Eu me vi em seus amantíssimos braços imaculados. Parecia a adorável uma “dolorosa”, como aquela do bíblico Evangelho crístico…

Tinha fome e me deu de comer, sede e me deu de beber; enfermei e me curou. Impossível esquecer suas palavras: “ Filho meu, tu, sem mim, na hora da morte, estarias completamente órfão.”
Logo continuou dizendo: “ Tu, sem mim, estarias no mundo totalmente só. Que seria de tua vida sem mim?”

Posteriormente repeti: “ Certamente, sem ti, Mãe Divina, eu estaria órfão. Reconheço plenamente que sem a tua presença, na hora da morte, me acharia realmente só.”
A vida se torna um deserto quando se morreu em si mesmo. Sem o auxílio da nossa Divina Mãe Kundalini, em toda a presença de nosso Ser, encontrar-nos-íamos, então, interiormente órfãos…

Ó Mãe adorável! Tu manifestastes o prana, a eletricidade, a força, o magnetismo, a coesão e a gravitação neste universo.
Tu és a divina energia cósmica, oculta na ignotas profundidades de cada criatura.
Ó Maha Saraswati! Ó Maha Lakshmi! Tu és a esposa inefável de Shiva (o Espírito Santo).

TERCEIRO RELATO
A lenda da Vaca Celeste, cujo leite é ambrosia, vida e imortalidade, não é, de modo algum, algo sem embasamentos sólidos, e nós, trabalhamos muito seriamente com o magistério dos cinco aspectos de Devi-Kundalini. Aos gnósticos nos agrada muito alimentar-nos com as maçãs de ouro, ou de Fréria, que dão a imortalidade aos deuses…
Bebemos, ditosos, o licor do soma ou bíblico maná, com o qual nos sentimos tão reconfortados e vigorosos como nos melhores momentos de nossa florida juventude…
Certo evento cósmico transcendental, divinal, vem à minha memória nos instantes em que escrevo estas linhas.
Sucedeu, há já muitos anos, que, numa noite de plenilúnio, fui transportado a um monastério extraordinário da Fraternidade Universal Branca…
Quão feliz me senti na mansão do amor!…Certamente não há nenhum maior prazer do que aquele de sentir a alma desprendida…Nesses instantes, o tempo não existe, o passado e o futuro irmanam-se dentro de um eterno agora.
Seguindo meus amigos por régias câmaras e galerias, chegamos até um pátio fresquíssimo, do qual era uma miniatura o dos Leões de Alhambra.
Encantador pátio no qual murmuravam, entre flores nunca vistas nem ouvidas, vários esguichos de água como aqueles da divina fonte Castália…
Entretanto, o melhor luzia no centro do pátio e o contemplei com místico assombro de penitente e anacoreta…
Quero me referir, de forma enfática, à Pedra da Verdade. Esta tinha, então, humana forma divinal…
Prodígio sexual da bendita deusa Mãe Morte, maravilha funeral, espectral…
Terceiro aspecto da minha Divina Mãe Kundalini, pétrea escultura viva, tremenda representação disso que tanta assusta aos mortais…

Sem rodeios confesso, ante os divinos e ante os humanos, que eu abracei a terrível deusa Morte em plena embriaguez dionisíaca…
Era indispensável reconciliar-me com a lei. Assim mo haviam dito os irmãos da Ordem de São João, esses veneráveis que em si mesmos haviam já realizado o mistério hiperbóreo…
Concluído aquele festival cósmico, tive então que me reunir com algumas damas e cavaleiros do Santo Graal no refeitório do monastério.
Com muito segredo e grande entusiasmo, todos os irmãos comentamos, durante a ceia, o extraordinário acontecimento.
Inquestionavelmente, as pedras animadas que na antiga Arcádia modificaram radicalmente a forma de pensar do sábio Pausânias podem ser classificadas em duas classes: ofitos e sideritos, a pedra-serpente e a pedra-estrela.
Eusébio, especialmente, nunca se separava de seus ofitos, que levava em seu seio, e recebia oráculos deles, proferidos por uma vozinha que se parecia a um tênue sibilo…
Arnóbio conta que sempre que encontrava uma pedra dessas, não deixava de lhe dirigir alguma pergunta que ela contestava com uma vozinha clara e aguda…
Hécate, Prosérpina, Coatlicue, em viva pedra animada, me pareceu como se houvesse brotado do campo da morte ou de alguma tumba de Carnac.
QUARTO RELATO
O que o comum das pessoas conhece, atualmente, acerca do xamanismo é muito pouco e ainda este pouco foi adulterado, da mesma forma que o resto das religiões não cristãs.
Sói ser chamado o paganismo da Mongólia sem razão alguma, posto que é uma das mais antigas religiões da Índia, a saber: O culto do espírito, a crença na imortalidade das almas e em que estas, após a morte, seguem apresentando as mesmas características dos homens a quem animaram aqui na Terra, ainda que seus corpos tenham perdido, pela morte, sua objetiva, trocando o homem sua forma física pela espiritual.
Dita crença, em sua forma atual, é retorno da primitiva teurgia e uma fusão prática do mundo visível com o invisível.
Quando um estrangeiro naturalizado no país deseja entrar em comunicação com seus invisíveis irmãos, tem que assimilar sua natureza, isto é, deve encontrar estes seres, andando a metade do caminho que deles o separa; e
enriquecido, então, por eles, com uma abundante provisão de essência espiritual, dota-os ele, por sua vez, com uma parte de sua natureza física, para colocá-los, esta maneira, em condições de se poder mostrar, algumas vezes, em sua forma semi-objetiva, da qual de ordinário carecem.
Semelhante processo é uma troca temporal de naturezas, chamando comumente teurgia.
As pessoas vulgares chamam de feiticeiros aos xamãs, porque se diz que evocam os espíritos dos mortos com o fim de exercer a nigromancia. Porém, o verdadeiro xamanismo não pode ser julgado por suas degeneradas ramificações na Sibéria, do mesmo modo que a religião de Gautama-Buda não ser confundida com o fetichismo de alguns que se dizem seus sequazes, em Sião e Birmânia.
Inquestionavelmente, as teúrgicas invocações tornam-se mais simples e eficazes quando se opera magicamente com o corpo físico totalmente submerso na quarta dimensão.

Percorrendo para dentro e para cima a metade do caminho que dos seres queridos nos separa, podemos encontrar-nos com nossos mortos queridos cara a cara. Obviamente resultaria mais fácil, tudo isto, andando a totalidade do caminho.
Com o corpo físico submerso dentro da quarta coordenada, podemos, como Jâmblico, invocar os deuses santos, para conversar com eles pessoalmente.
Entretanto, é ostensível que necessitamos, com urgência máxima, de um ponto de apoio; uma alavanca que nos permita realmente saltar, com o corpo físico e tudo, para a quarta dimensão.
Cabe oportunamente citar, aqui, aquela famosa frase de Arquimedes: “ Dai-me um pouco de apoio e moverei o universo.”
Já no oitavo capítulo deste livro falamos, com muito ênfase, sobre o agente mágico dos estados jinas.
Quero referir-me, claramente, ao quarto aspecto de Devi-Kudalini. (Este é o ponto de apoio para a quarta vertical).
Nos instantes em que escrevo estas linhas, vêm à minha mente algumas lembranças, magníficas evocações divinais…
Aconteceu que, numa noite outonal, resolvi beber vinho da meditação na taça da perfeita concentração.
O motivo de minha meditação foi minha Mãe Natura particular, o quarto aspecto da Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes.
Orar é conversar com Deus, e eu conversei com a Adorável, suplicando-lhe com verbo silencioso que me levasse, com corpo físico, ao paraíso terrenal (à quarta dimensão).
O que depois aconteceu, na noite do mistério, foi assombroso: Assistido pela inefável, levantei-me do leito…
Quando abandonei minha morada e saí à rua, pude evidenciar que meu corpo físico havia penetrado na quarta dimensão…
Ela me levou aos bosques mais profundos do Éden, onde os rios de água pura da vida vertem leite e mel…
Virgem! Senhora de arborizados cumes! Tudo cala ante ti: a Ibéria inculta, o gaulês que, ainda morrendo, ardente desafia; e o sicambro feroz que, por fim rendendo as armas, humilhando, te respeita.
Adorável Madona minha! Pelos deuses que do alto do céu governam na Terra os mortais, imploro sempre teu auxílio…
O rosto da minha Mãe Natura era como o de uma beldade paradisíaca, impossível de descrever com humanas palavras…
Seu cabelo parecia com uma cascata de ouro, caindo deliciosamente sobre seus ombros alabastrinos.
Seu corpo era com o da Vênus mitológica; suas mãos, com dedos cônicos formosíssimos e cheios de gemas preciosas, tinham a forma crística…
No bosque conversei com a Adorável e Ela me disse coisas que aos seres terrenais não é dado compreender…

Sublime resplandecia minha Mãe no mundo etérico, na quarta vertical, na quarta dimensão…
Se, pois, nada produz alívio para o peito dolorido, nem mármores da Frígia, nem púrpura esplendente, melhor é que se refugie no seio delicioso de sua Divina Mãe Natura particular, individual…
Ela é a autora de nossos dias, a verdadeira artífice de nosso corpo físico…
Foi Ela quem, no laboratório humana, juntou o óvulo com o zoosperma para que surgisse a vida… É Ela a criadora da célula germinal com seus quarenta e oito cromossomos… Sem Ela não se teriam multiplicado as células do embrião, nem formado os órgãos…
Ainda que dobre sua alma o sofrimento, matem-te firme, ó discípulo! E entrega-te humildemente a tua Mãe Natura…
QUINTO RELATO
“ Quero ver, nos confins da terrestre mansão, o Oceano e Tétis, a quem devemos a existência.”
Os amores de Júpiter com a virgem IO, a qual foi transformada em terneira celeste, ou a Vaca Sagrada dos orientais, para assim escapar das iras de Juno, é algo que tem mui profunda significação…
Daqui, pois, o primeiro Júpiter da teogonia grega, pai de todos os deuses, senhor do universo e irmão de Urano ou Ur-Anas, quer dizer, o Fogo e a Água primitivos; pois, é sabido, segundo o clássico, que no panteão grego figuram cerca de trezentos Júpiteres.
Em seu outro aspecto de Jové, ou Iod-Heve, é o Jeová macho-fêmea, andróginos coletivos de Elohim dos livros mosaicos, Adam-Kadmon dos cabalistas; o Ia-Cho ou Inacho da Anatólia, que também é Dionísios, cuja onda vibratória tornou-se muito intensa com a entrada do Sol na brilhante constelação de Aquário…
Jesus, o Grande Kabir, jamais rendeu culto ao antropomórfico Jeová das multidões judaicas… À lei do Talião: “ Olho por olho e dente por dente” do Jeová vingativo, seguiu-se a lei do amor: “ Amai-vos um aos outros como eu vos amei”.
Se com místico entusiasmo esquadrinharmos as Sagradas Escrituras, poderemos evidenciar claramente o fato palmário e manifesto de que em nenhum dos quatro Evangelhos figura o antropomórfico Jeová hebraico.
RAM-IO, Maria, a Divina Mãe Kundalini, acompanhou sempre o Adorável e aí a vemos no monte das Caveiras ao pé da cruz…
“ Pai meu, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem!” Exclama o Divino Rabi da Galiléia desde os cumes majestosos do Calvário.
Inquestionavelmente, o bendito Senhor de Perfeições só adorou a seu Pai que está em secreto, e as sua Divina Mãe Kundalini.
Em outras palavras diremos: O Grande Kabir Jesus amou profundamente Iod-Heve, o divino macho-fêmea interior…
Iod é, certamente, a mônada particular, individual de cada qual. O Shiva indostânico, o Arqui-hierofante e Arquimago, o primogênito da criação, o Velocino de Ouro, o tesouro do qual nos devemos apoderar depois de vencer o dragão das trevas.

Heve é o desdobramento de Iod, a divina esposa de Shiva, nossa Mãe Kundalini individual, a Vaca Sagrada de cinco patas, o mistério esotérico da pentalfa.
Júpiter e sua Vaca de IO (iiiiiiooooo) guardam concomitância exata com o Iod-Heve, o divino casal interior de cada criatura.
Quatro aspectos da Vaca Sagrada de IO temos estudado. Continuemos, agora, com o quinto mistério…
Existem, no caminho esotérico, intervalos cósmicos transcendentes e transcendentais.
Depois de haver ingressado no templo dos duas vezes nascidos, tive que passar por um desses intervalos…
Quero me referir de forma enfática a uma suspensão sexual, a um período de abstenção que durou vários anos. No ínterim dediquei-me com exclusividade absoluta à meditação interior profunda…
Objetivo: dissolver o eu psicológico, o mim mesmo, o si mesmo, o qual é certamente um nó na energia cósmica, uma trava que devemos reduzir a poeira cósmica.
Compreender de forma íntegra cada um de meus defeitos psicológicos, pareceu-me fundamental; mas, eu quis ir um pouco mais longe pelo caminho da meditação.
Compreensão não é tudo. Necessitamos, com urgência máxima, inadiável, capturar o profundo significado daquilo que compreendemos.
Qualquer devoto do real caminho se pode ter dado ao luxo de compreender um defeito psicológico em todos os territórios da mente, sem que, por isso, tenha logrado a apreensão de seu profundo significado.
Tratando de compreender meus próprios defeitos em todos os recôncavos da mente, resolvi converter-me em inimigo de mim mesmo.
Cada defeito foi estudado em separado e de forma muito ordenada. Jamais cometi o erro de querer caçar dez lebres ao mesmo tempo. De nenhuma maneira eu me queria expor a um fracasso.
A meditação se fazia exaustiva; tornava-se cada vez mais profunda, e , quando me sentia desfalecer, deixava a mente quieta e em silêncio, como que aguardando alguma revelação. Nesses instantes vinha a verdade, capturava isso que não é do tempo, o profundo significado do defeito compreendido de forma íntegra.
Depois orava, suplicava, rogava com veemência à minha Divina Mãe Kundalini que eliminasse de minha mente o agregado psíquico, o defeito psicológico em questão.
Assim, pouco a pouco, com esta didática, com este “modus operandi”, consegui, durante esta pausa sexual, eliminar uns cinqüenta por cento desses elementos subjetivos e infra-humanos que levamos dentro e que constituem o ego, o eu.
Entretanto, é evidente que tudo na vida tem um limite. Há escalas e escalas, graus e graus. Este trabalho se fez espantosamente difícil quando tive que enfrentar os elementos infra-humanos mais antigos.
Inquestionavelmente, minha Mãe Divina necessitava de armas superiores. Lembrei-me da lança de Eros, o emblema maravilhoso da sexualidade transcendente; porém, encontrava-me numa pausa. Que fazer?
Sem dúvida, já me havia sido entregue um desiderato cósmico, e certo imperativo categórico me exigia descer, outra vez, à frágua acesa de Vulcano (o sexo); mas eu não havia compreendido.

Havia sido transportado às montanhas do mistério. Tinha visto em ação as terríveis forças do grande arcano.
Em vão lutei contra o imperativo categórico das ondas dionisíacas. Eram, certamente, espantosamente divinas, onipotentes…
Esses poderes sobrenaturais pareciam uma hecatombe apocalíptica. Senti como se tais forças pudessem fazer saltar a Terra em pedaços.
Quando quis buscar, indagar, inquirir, sobre a origem de tais forças e poderes sexuais, encontrei-me frente a frente com a Maga Elemental, com minha Divina Mãe Kundalini em seu quinto aspecto.
Certamente a havia visto belíssima, do tamanho de um gnomo, ou pigmeu; muito pequena… Ela vestia branca túnica e longa capa negra que arrastava pelo solo. Sua cabeça estava coberta com uma touca mágica muito especial.
Junto a uma das colunas simbólicas da maçonaria oculta, a Adorável me havia ordenado uma nova descida à nona esfera (o sexo).
Desgraçadamente, eu havia acreditado que se tratava de alguma prova e por isso continuava em desobediência. Certamente estava lerdo na compreensão e isso me estava estancando.
Passado algum tempo de mortais lutas contra certo agregado psíquico muito infra-humano que resistia violento em desaparecer, tive que apelar para a lança de Longibus.
Não me restava outra solução. Apelei à eletricidade sexual transcendente. Supliquei à minha Divina Mãe Kundalini durante a cópula metafísica; roguei-lhe, ansioso para que empunhasse a lança de Eros.
O resultado foi extraordinário. Minha mãe sagrada, armada, então, com a lança santa, com a hasta divina, com o poder elétrico-sexual, pôde reduzir a poeira cósmica o monstro horripilante, agregado psíquico que em vão havia tentado dissolver longe do coito químico.
Assim foi como abandonei a minha pausa sexual e voltei à forja dos Cíclopes. Trabalhando com a hasta santa, consegui reduzir a poeira cósmica todos os elementos infra-humanos que constituem o eu.
O quinto aspecto de Devi Kundalini nos dá a potência sexual, a força natural instintiva, etc., etc., etc.
 
A Igreja Gnóstica
( Capítulo - 12 )
Aqueles que já passaram à outra margem sabem muito bem o que são as rigorosas ordálias da Iniciação...

Separar-nos do monstro das mil caras (a humanidade), para auxiliá-la de forma eficiente, não é um delito. Trinta anos de idade tinha, quando fui submetido a terríveis e espantosas provas... O que então vi, o que me sucedeu, bem vale a pena relatar.
Foi na noite do mistério quando senti, perto de mim, o aulido do furacão. Então compreendi...

Quão só me encontrava naquela noite! E, não obstante, para onde quer que me voltasse, aqui, lá ou acolá, prontamente me via rodeado pelas multidões. Não sei como vinham as pessoas até mim e logo...
Novamente só, aulia o furacão. Então compreendi o que o vento levou. Hoje falo porque...

"Que rumor longe soa
que o silêncio na serena
negra noite interrompeu?".
"É do cavalo a veloz carreira,
estendido no escape voador,
ou o áspero rugir de faminta fera,
ou o sibilo, talvez, do Aquilão,
ou o eco rouco de longínquo trovão,
que nas fundas cavernas retumbou,
ou o mar que ameaça com seu inchaço seio,
novo Luzbel, o trono de seu Deus?”

Porque todos aqueles espectros da noite do mistério foram vistos também por aquele poeta que cantou assim:

"Densa névoa
cobre o céu
e de espíritos

se povoa,
vagarosos,
que, aqui, o vento,
e ali, cruzam
vaporosos
e sem conta;
e aqui tomam,
e ali giram,
já se juntam,
se retiram,
já se ocultam,
já aparecem,
vagam, voam."

"Vago enxame de vãos fantasmas
de formas diversas, de variada cor,
em cabras e serpes montados, em corvos,
e em cabos de vassoura, com surdo rumor...”


"Passam, fogem,
voltam, crescem,
diminuem,
se evaporam,
se colorem,
e entre sombras
e reflexos,
perto e longe,
já se perdem,
já me evitam
com temor;
já se agitam
com furor
em aérea dança fantástica
ao meu redor.”

Com tantos e quantos berros, aulidos, silvos, relinchos, chiados, mugidos, grasnidos, miados, ladridos, bufares, roncos e crocitares segue ouvindo o vidente poeta, falando-nos com palavras que são pince ladas lívidas e fosfóricas de E1 Greco, em aparições extraordinárias, como as de Os Caprichos de Goya.

Por todas as partes escudos com leões rampantes, conchas de Compostela, mouros degolados, flores-delis e trutas. Por todas as partes palácios e casarões em ruínas; pobreza e mais pobreza.

Muitas vezes tive de enfrentar valorosamente as potestades negras das quais falara o apóstolo Paulo de Tarso no capítulo H da Epístola aos de Éfeso.

Inquestionavelmente, o adversário mais perigoso daquela noite tinha o título fatal de Anagarika. Quero referir-me, de forma enfática, ao demônio Cherenzi.

Aquela repugnante criatura tenebrosa tinha ensinado, no mundo, tantrismo negro (magia sexual com ejaculação seminal).

O resultado aparecia à simples vista: cauda diabólica desenvolvida e horripilantes cornos. Aquele tântrico da mão esquerda chegou ante minha presença, acompanhado por outros dois demônios.

Parecia sentir-se muito satisfeito com o abominável órgão Kundartiguador, a satânica cauda bruxesca e terrível, o fogo sexual projetado do cóccix para os infernos atômicos do homem, seqüência e corolário do tantrismo negro.

À queima-roupa, como dizem por aí, espetei-lhe a seguinte pergunta: "Tu me conheces?" Resposta: "Sim! Eu te vi, numa noite, na cidade de Bacatá, quando eu ditava uma conferência."

O, que depois sucedeu não foi certamente muito agradável. Aquele Anagarika me havia reconhecido e, enfurecido, arrojava fogo pelos olhos e pela cauda...
De forma violenta me quis ferir. Eu me defendi com as melhores conjurações da alta magia e, por fim, fugiu com seus acompanhantes... Solitário, continuei por meu caminho na noite do mistério. Uivava o furacão...

Nas fundas profundezas de minha consciência tinha a estranha sensação de me estar despedindo de tudo e de todos...

Ofegante, cansado, depois de haver pelejado muitas vezes contra a tirania do Príncipe das Potestades do Ar, que o espírito que agora reina sobre os filhos da inf.delidade, meti-me dentro da Igreja Gnóstica.
Templo de mármore luminoso que mais parecia de cristal por suas raras transparências.

O terraço daquela igreja transcendida dominava, invicto, como uma acrópole gloriosa, o âmbito solene de um sacro pinheiral...


Dali, o constelado firmamento resplandecente podia ser contemplado como outrora, nos templos atlantes; aqueles hoje sepultados templos lembrados pela extraordinária poesia de Maeterlink; dos que Asura-Maya, o astrônomo discípulo de Narada, faria as observações prévias para descobrir seus ciclos cronológicos de milhares de anos, ensinando-os, depois, aos seus amados amados discípulos, à luz da lua pálida, qual hoje o praticam seus devotos sucessores.

Lentamente avancei, caminhando muito devagar e em atitude reverente dentro do lugar santo.

Entretanto, algo me surpreende. Vejo certo personagem que, atravessando-se em meu caminho, me fecha a passagem. Outra batalha? Preparo-me para a defesa; porém, o personagem sorri docemente e exclama com voz de paraíso:

_ A mim tu não me assustas! Eu te conheço muito bem!...

Ah!... Reconheço-o por fim... É meu guru Adolfo - a quem sempre com o diminutivo Adolf.to - Valha-me Deus e Santa Maria! Porém... que é que eu estava fazendo?

_Perdoa-me, Mestre! Não te havia reconhecido...
Meu guru me conduz pela mão até o interior da Igreja Gnóstica... O Mahatma toma assento e depois me convida para me sentar ao seu lado. Impossível declinar tão esplêndido convite.

O diálogo que veio logo entre mestre e discípulo foi, certamente, extraordinário.

- Aqui, na Igreja Gnóstica - disse solenemente o hierofante - só podes estar casado com uma só mulher.
Com duas não. Tu, num passado, destes vãs esperanças à certa dama X, que, por essa causa e apesar do tempo e da distância, ainda te continua esperando.
Obviamente, de forma inconsciente, estás-lhe fazendo um grande mal; pois ela, aguardando-te, vive numa cidade na mais completa miséria.
Esta dama bem que poderia voltar ao seio de sua família no campo. Assim, é claro, seus problemas econômicos ficariam resolvidos.
Atônito, perplexo ao escutar tais palavras, abracei o meu guru, agradecendo-lhe infinitamente seus conselhos.

- Mestre - disse-lhe - que me poderia o senhor dizer agora sobre minha esposa Litelantes?
- Ela, sim, te serve para a magia sexual (Sahaja Maithuna). Com esta dama-adepto podes trabalhar na nona esfera (o sexo).
- Ó guru! Eu, o que anelo com ânsias infinitas é o despertar do Kundalini e a união com o íntimo, custe-me o que custar...
- Porém, que disseste, ó discípulo? Custe o que custar?
- Sim, Mestre, isso disse...
-Esta noite aqui se pagou a alguém e logo se lhe confiou a tarefa de te ajudar no despertar do Kundalini.
Passaste pela prova Direne, exclamou o hierofante. E, depois, pondo em minha cabeça um turbante de imaculada brancura, com um botão de ouro na frente, disse: Vamos ao altar... Levantando-me rápido, avancei com meu santo guru até a ara santa...
Ainda recordo aquele instante solene em que, ajoelhado ante a ara sacra, tive que prestar solene juramento...
"Custe o que custar!" Exclamou meu mestre com grande voz.

E esta frase, vibrando intensamente, repetiu-se, logo, de esfera em esfera... Cobri, então, meu plexo solar com a palma da mão esquerda e estendi a destra sobre o Santo Graal, dizendo: Juro!

Terrível Juramento!...
Lendas genuínas de Castela, como aquela de Afonso VII, arrancando das mãos dos mouros de Almeria a famosa escudela ou graal - melhor diríamos taça - talhada em enorme esmeralda e da qual se dizia que fora usada pelo Grande Kabir Jesus em sua última ceia. É terrivelmente divina...

Jurar ante o vaso santo?...
Dizem antigas lendas que José de Arimatéia recolheu nessa taça, ao pé da cruz, no monte das Caveiras, o sangue bendito que manara das feridas do Adorável...
Semelhante taça, antes foi presenteada pela rainha de Sabá a Soliman ou Salomão, o rei solar, e foi patrimônio, segundo outros, dos Tuathas de Danand, raça jina do Gaedhil ( a Galícia britânica ).
Não se sabe como veio parar esta relíquia veneranda na ermida de São João da Penha, nos Pirineus, e dali ora à Salvatierra galaica, ora a Valência, nos tempos de Jaime I, o Conquistador, ora a Gênova, por a terem recebido outrora os genoveses, como prêmio do auxilio que a Afonso VII prestassem no sítio de Almeria.
EPÍLOGO
Logo de manhã, escrevi à nobre dama sofredora que na cidade remota me aguardava...
Aconselhei-a com infinita doçura, que regressasse à terra de seus maiores e que se esquecesse da minha insignificante pessoa que nada vale...
 
A Primeira Iniciação de Fogo
( Capítulo - 13 )
Em se tratando de esoterismo transcendental e prático, podemos e até devemos enfatizar o seguinte:
Tudo quando em ocultismo puro se tem dito acerca de nossos quadros geomânticos, astrologia, ervas mágicas, pergaminhos maravilhosos com linguagens criptográficas, apesar de ser absolutamente nobre e verdadeiro, não é certamente senão o Kindergarten (jardim de infância), a parte menor da Grande Sabedoria do Oriente herdada e que consiste na transformação radical de nós mesmos, mediante o ascetismo revolucionário da nova Era Aquária (mescla extraordinária da ânsia sexual com o anelo espiritual).
Nós, os gnósticos somos, em realidade os eleitos possuidores de três grandes riquezas, a saber:
a- A Pedra Filosofal.
b- A Clavícula de Salomão.
c- A Gênese de Enoque.
Estes três fatores constituem o fundamento vivo do Apocalipse, amém das coleções de Pistorius, da Teosofia de Porfírio e de muitos outros segredos antiquíssimos.
A mudança radical absoluta dentro de nós mesmos, aqui e agora, seria impossível sem a pedra filosofal.
Falando claramente e sem rodeios, declaro: O “ens seminis” (a entidade do sêmen) é, certamente, essa matéria venerável – citada por Sendivogius – com a qual devemos elaborar a pedra filosofal.
Magia sexual é o caminho… Assim o compreendi em minha presente reencarnação, quando quis elaborar a pedra filosofal.
Mediante essa pedra bendita, podemos cumprir com aquela máxima alquimista que diz: “Solve et coagule.”
Necessitamos dissolver o eu psicológico e coagular, em nós, o hidrogênio sexual Si-12 na forma de corpos solares, poderes íntimos, virtudes, etc., etc., etc.
A pedra filosofal é a que valoriza a semente sexual e lhe dá o poder de germinar, com mística levedura que faz fermentar e levanta a inteira massa metálica, fazendo aparecer, em sua forma íntegra o rei da criação. Quero me referir ao Homem autêntico, não ao animal intelectual equivocadamente chamado homem.
A vontade (Thelema) adquire o poder de transmutação que converte os metais vis em ouro, ou seja, o mal em bem, em todas as circunstâncias da vida.
Por esta razão, para a transmutação, exige-se uma mínima quantidade de pedra filosofal ou pó de projeção.
Cada metal vil dissolvido no crisol da alquimia sexual é sempre substituído pelo ouro puro de alguma nova virtude. (Sove et coagule).

O “modus operandi” veja-se no capítulo 11, quinto relato, deste mesmo tratado. ( Para maior informação estude-se meu livro intitulado O Mistério do Áureo Florescer).
Acender o Fohat individual, a flama de Eros, em nosso laboratório alquímico sexual, é certamente, o fundamento da onda dionisíaca. Assim o compreendi profundamente, estudando aos pés de meu guru Adolfito.
Inquestionavelmente, sempre fui assistido durante a cópula metafísica. Estoutro guruji divinal, a quem pagaram seu salário no templo (veja-se capítulo 12), cumpriu com a palavra empenhada.
Aquela grande alma me assistia astralmente durante o coito químico. Eu o via fazer fortes passes magnéticos sobre meu osso coccígeo, espinha dorsal e parte superior de minha cabeça.
Quando a erótica Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes despertou, para iniciar sua marcha para dentro e para cima, ao longo do canal medular espinhal, senti então muita sede e uma dor muito aguda no cóccix que me durou vários dias.
Então fui acolhido no templo. Jamais pude olvidar aquele grande evento cósmico…
Por aquela época, eu morava em paz numa pequena casa, às margens do mar, na zona tropical das costas do Caribe…
O ascenso do Kundalini, de vértebra em vértebra, realizou-se muito lentamente, de acordo com os mistérios do coração.
Cada vértebra é muito exigente. Disto podemos inferir difíceis provas. Como corolário, afirmamos: Não é possível o ascenso do Kundalini a tal ou qual vértebra se para tanto não preenchemos as condições morais precisas.
Nos mundos superiores, a estas trinta e três vértebras espinhais se denomina com termos simbólicos, como os seguintes: cânones, pirâmides, câmaras santas, etc., etc., etc.
O místico ascenso da flama do amor de vértebra em vértebra de chacra em chacra, ao longo do canal medular, realizou-se, certamente, sobre a base da magia sexual, incluindo a santificação e o sacrifício.
O Mahatma assistente me prestou auxílio, conduzindo o fogo sagrado desde o osso coccígeo, base da espinha dorsal, até a glândula pineal, situada, como já é sabido pelos médicos, na parte superior do cérebro.
Posteriormente, aquela grande alma fez fluir, com grande maestria, meu fogo erótico até a região do entrecenho.
A Primeira Iniciação do Fogo veio como corolário, quando a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes fez contato com o átomo do Pai no campo magnético da raiz do nariz.
Foi, certamente, durante a cerimônia mística da última ceia quando se fixou a data cósmica da Iniciação.
O Santo Graal, qual áscua sagrada, resplendece abrasador sobre a mesa do banquete pascal.
A história verdadeira deste Santo Graal está escrita nas estrelas e tem seu fundamento; não em Toledo, como disse Wolfram von Eschenbach…
As principais origens conhecidas de todas essas lendas cavaleirescas relacionadas com a do Santo Graal são:

a- A “História Rerum in Partibus Transmarinis Gestarum” de Tiro (morto em 1184). Obra latina traduzida ao francês com o título de “Roman d’Eracle” e livro que serve de base ao A Grande Conquista de Ultramar, traduzindo do francês ao castelhano nos fins do século XIII ou princípios do XVI. Nesta conquista se resumem os cinco principais ramos referentes ao ciclo da Primeira Cruzada: a “Chansó D’Antiocha”, a “Chansón de Jerusalém”, “Les Chetiis” (ou cativos), “Elias” (O Cavaleiro do Cisne).
b- O “Dolopathos” de Juan de Haute-Seille, escrito até 1190.
c-A do poema que Paris chama “Elioxa” ou “Heli-Oxa” (a Terneira Solar), nome primitivo da Insoberta, ou Ísis-Bertam do Cavaleiro do Cisne, obra, esta última, de grandes analogias, segundo Gayangos, com o famoso “Amadis de Gaula”.
d- O “Parsifal” e o “Titurel” de Eschenbach.
e- O “Conde Graal”, de Chrétien de Troyes (1175); o “O Lohengrin” ou “Swan-Ritter” ( o Cavaleiro do Cisne), obra bávara anônima do século XIII, publicada por Goerres em 1813.
f- O “Tristam und Isolde” de Godofredo de Estrasburgo (1200-1220) e tantos quantos “Tristões” análogos andam pela literatura.
g- “A Demanda do Santo Graal”, com os maravilhosos feitos de Lanzarote e Galaz, seu filho (século XVI), com todas as suas obras concordantes.
Eu aguardei, com ansiedade infinita, data e hora da Iniciação. Tratava-se de um 27 sacratíssimo…
Queria uma Iniciação como aquela que o comandante Montero recebera no templo de Chapultepec, ou como essoutra que Ginés de Lara, o Deva reencarnado, tivera naquele “Sancta Sanctorum”, ou Adyita, dos Cavaleiros Templários, na noite extraordinária de um eclipse de Lua.
Porém, meu caso foi certamente muito diferente e, ainda que pareça incrível, na noite da Iniciação, eu me senti defraudado.
Repousando com angústia infinita em meu duro leito, dentro de uma humilde cabana, à beira do mar, passei a noite em claro, aguardando inutilmente…
Minha esposa-sacerdotisa dormia, roncava; às vezes se movia em seu leito, ou pronunciava palavras incoerentes…
O mar, com suas ondas furiosas, golpeava a praia, rugindo espantosamente, como que protestando…
Amanheceu e nada! Nada! Nada! Que noite de cão, Deus meu!…Valha-me Deus e Santa Maria!…
Que tempestades intelectuais e morais tive que experimentar naquelas mortais horas nortunas!
Realmente, não há ressurreição sem morte; nem amanhecer algum na natureza, nem no homem, sem que o precedam as trevas, tristezas e atonias nortunas que fazem mais adorável sua luz.
Todos os meus sentidos foram postos à prova, torturados em agonias mortais que me fizeram exclamar:
“Pai meu! Se é possível, afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, senão a tua.”
Ao sair o sol, como bola de fogo que parecera brotar do tempestuoso oceano, despertou Litelantes, dizendo-me:
- Recorda-se da festa que lhe fizeram lá em cima? Você recebeu a Iniciação…

- Como? Mas, que está você dizendo? Festa? Iniciação? Qual? Eu o único que sei é que passei uma noite mais amarga que o fel…
- Quê? Exclamou Litelantes assombrada. Então, você não trouxe ao seu cérebro físico recordação alguma? Não se recorda da grande cadeia? Esqueceu as palavras do grande Iniciador?
Oprimido com tais perguntas, interroguei Litelantes, dizendo: “Que me disse o Grande Ser?”
- Ele vos advertiu – exclamou a dama-adepto – que de hoje em diante tendes dupla responsabilidade pelos ensinamentos que dais no mundo… Ademais – disse Litelantes – vestiu-vos com a túnica de linho branco dos Adeptos da Fraternidade Oculta e vos entegrou a espada flamígera…
- Ah! Já entendo! Enquanto eu passava tantas amarguras em meu leito de penitente e anacoreta, meu Real Ser Interior recebia a cósmica Iniciação…
Valha-me Deus e Santa Maria! Porém, o que se passa comigo? Por que estou tão lerdo?
Tenho um pouco de fome; parece-me que é hora de nos levantarmos para o desjejum…
Momentos depois, Litelantes juntava, na cozinha, alguns lenhos secos que serviram de combustível para ascender o fogo… O desjejum estava delicioso. Comi com muito apetite depois de noite tão dolorosa…
Um novo dia de rotina. Trabalhei, como sempre, para ganhar o pão de cada dia. Descansei em meu leito por volta das doze do dia…
Certamente estava desvelado e justo me pareceu um pequeno repouso. Ademais, sentia-me compungido de coração…
Não tive, pois, inconveniente algum para me deitar em decúbito dorsal, quer dizer, posição de boca para cima e com o corpo bem relaxado…
De repente, encontrando-me em estado de vigília, vejo que alguém entra em minha recâmara.
Reconheço-o. É um chela da Venerável Grande Loja Branca…
Aquele discípulo traz um livro em suas mãos; deseja consultar-me e solicitar certa autorização… Quando quis dar resposta, falei com certa voz que me assombrou a mim mesmo. Atman, respondendo através da laringe criadora, é terrivelmente divino.
“Ide – disse-lhe meu Real Ser – cumpri com a missão que vos foi encomendada.” O chela retirou-se agradecido…
Ah! Quão mudado fiquei!… Agora sim! Já entendo! Foram estas minhas exclamações depois que o chela se retirou…
Alegre, levantei-me do duro leito para conversar com Litelantes. Necessitava contar-lhe o ocorrido…
Senti algo superlativo, como se no interior de minha Consciência se tivesse operado uma mudança étnica, transcendental, de tipo esotérico divinal…
Anelava a nova noite. Aquele dia tropical era, para mim, como o vestíbulo da sabedoria. O quanto antes eu queria ver o sol, como bola de fogo, fundindo-se uma vez mais nas tormentosas ondas do oceano…

Quando a lua começou a aceirar as águas tormentosas do mar do Caribe, nesses instantes em que as aves do céu se recolhem em seus ninhos, tive então de apressar Litelantes para que concluísse seus afazeres domésticos.
Aquela noite nos deitamos mais cedo que de costume. Eu anelava algo; encontrava-se em estado extático…
Deitado outra vez em meu duro leito de penitente e anacoreta, nessa asana indostância de homem morto (decúbito dorsal, boca para cima, corpo relaxado, braços ao longo do corpo, pés tocando-se nos calcanhares, com as pontas dos dedos abertas em forma de leque), aguardei em estado de alerta percepção, alerta novidade.
De repente, em questão de milésimos de segundo, recordei uma longínqua montanha. O que então aconteceu foi algo insólito inusitado…
Eu me vi instantaneamente ali, sobre o cume distante, muito longe do corpo, dos afetos e da mente…
Atman sem ataduras, longe do corpo denso e na ausência dos veículos supra-sensíveis…
Em tais momentos de Samadhi, a cósmica Iniciação recebida na noite anterior era, para mim, um fato palpável, uma crua realidade viva que nem sequer necessitava recordar…
Quando pus minha destra sobre o aúreo cinto, ditoso, pude evidenciar que ali tinha a flamígera espada exatamente no lado direito…
Todos os dados que Litelantes me dera resultaram precisos. Quão feliz me sentia, agora, como Homem-Espírito, vestido certamente com a túnica de linho branco!…
Em plena embriaguez dionisíaca, lancei-me ao infinito espaço sideral. Ditoso, afastei-me do planeta Terra…
Submerso no oceano do Espírito Universal de Vida, quis não regressar mais a este vale de amarguras e então visitei muitas moradas planetárias…
Quando pousei suavemente sobre um planeta gigante do inalterável infinito, desembainhando a espada flamígera, exclamei: Eu domino tudo isto!…
“O Homem é chamado a ser o governador de toda a criação.” Contestou um hierofante que estava ao meu lado.
Guardei a espada flamígera na sua dourada bainha e, submergindo ainda mais nas “águas dormentes”
da vida, realizei uma série de invocações e experimentos extraordinários: Corpo búdhico, vinde para mim!…
Atendendo ao meu chamado, veio para mim a bela Helena, Ginebra, a rainha dos jinas, minha alma espiritual adorável.
Ela entrou em mim e eu nela, e ambos formamos esse famoso Atman-Buddhi, do qual fala tanto a teosofia oriental.
Com justa razão se disse sempre que o Buddhi (alma espiritual) é com um vaso de alabastro fino e transparente, dentro do qual arde a chama de Prajna (Atman).
Continuando com sucessiva ordem aquelas singulares invocações, feitas do próprio fundo de caos, chamei então a minha alma humana, dizendo: Corpo causal, vinde para mim!… Eu vi a minha humana alma revestida, gloriosa, com o veículo causal (Manas superior teosófico).

Quão interessante resultou aquele momento em que a minha alma humana entrou ditosa em mim!…
Nesses instantes integrava, de forma extraordinariamente lúcida, aquela tríade teosófica, conhecida com os termos sânscritos: Atman-Buddhi-Manas.
Inquestionavelmente, Atman, quer dizer, o Íntimo, tem duas almas. A primeira é a alma espiritual (Buddhi), que é feminina. A Segunda é a alma humana (Manas superior), que é masculina.
Posteriormente, embriagado de êxtase, chamei a minha mente assim: Corpo mental, vinde para mim!…
Várias vezes tive que repetir a invocação; pois, a mente é tardia em obedecer; mas, por fim se apresentou com muita reverência, dizendo: senhor, aqui estou. Concorri ao teu chamado, desculpa-me que tenha demorado! Cumpri bem as tuas ordens?
No instante em que ia dar resposta, saiu do meu interior profundo a voz solene da minha Mônada pitagórica, dizendo: “Sim!… Obedecestes bem, entrai…”
Aquela voz era como a do Ruach Elohim que, segundo Moisés, lavrava as águas no amanhecer da vida…
Não é demais dizer, com grande ênfase, que concluí estas envocações, chamando o corpo astral. Este demorou também um pouco em vir ao meu esotérico chamado; mas, por fim, entrou em mim.
Revestido já com meus veículos supra-sensíveis, poderia ter chamado desde o caos, ou abismo primitivo, o meu corpo físico que, nesses momentos, jazia no seu duro leito de penitente e anacoreta. E é óbvio que também este corpo teria concorrido ao meu chamado.
Isto jamais é impossível. Meu corpo físico que em tais momentos tão interessantes jazia em seu duro leito, com ajuda do quarto aspecto de devi kundalini, poderia ter abandonado a região tridimensional de Euclides para concorrer ao meu chamado.
Entretanto, eu preferi então ressurgir desse “Vacuum” – no sentido de espaço pleno, ilimitado e profundo – para regressar ao planeta Terra… Eu parecia, nesses momentos, um raio solitário surgindo do Abismo da Grande Mãe… O regresso a este planeta de amarguras, governado por quarenta e oito leis, fez-se relativamente rápido.
Francamente e sem rodeios, declaro: Com plena autoconsciência reingressei ao corpo físico, penetrando dentro deste último por essa porta maravilhosa da alma citada por Descartes. Quero referir-me à glândula pineal.
É lástima que a filosofia cartesiana ignore o que é o conhecimento objetivo.
Como tal tipo de conhecimento puro é acessível às minhas faculdades cognoscitivas, pude escrever estas linhas para bem de nossos muito amados leitores…
 
A Segunda Iniciação de Fogo
( Capítulo - 14 )
Inquestionavelmente podemos e até devemos asseverar, com grande ênfase, a existência transcendente e transcendental de dois tipos clássicos de ocultismo. De todo o variado conjunto de processos históricos e pre-históricos relacionados com a terra e suas humanas raças, nos é dável inferir duas modalidades ocultistas, a saber:
a- Ocultismo inato.
b- Ocultismo escolástico.
A primeira destas duas correntes é ostensivelmente antediluviana; a Segunda é completamente pós– iluviana.
As paralelas exatas destas duas formas ocultistas, claramente enunciadas, devemos descobri-las, clarividentemente, nas duas modalidades da lei:
a- Lei natural e paradisíaca. (Sabedoria dos deuses).
b- Lei escrita. Deuteronômio. (Lei segunda e mais inferior).
Escrito está, com caracteres de fogo no livro da vida, que, quando os filhos de Deus, isto é, os Elohim, ou dos jinas, conheceram as filhas dos homens, advenho, espantosa, a terrível catástrofe atlante, ou do dilúvio universal (gênese-VI, 1). Então se conclui o império formidável da primeira lei e chegou o tempo do deuteronômio, ou Segunda lei.
É demasiado palmária e evidente a imperfeição terrível da lei escrita; tormento dos grandes homens pelas espantosas limitações da mesma e férrea tutela dos pequenos.
Moisés, o insigne líder sagrado do povo de Israel, congregando sua gente nas planícies de Moab, expõe, à vista de todos os prodígios extraordinários que o Senhor havia obrado em seu favor desde que, no monte Sinai, fora estabelecida a primeira aliança e repente a lei com novas ilustrações, pronunciando espantosas advertências contra seus transgressores e prometendo justas recompensas e felicidades de todo gênero aqueles que a guardem fielmente.
Moisés, transfigurado no monte Nebo, depois de haver abençoado as doze tribos de Israel, contempla a Terra Prometida, os Campos Elísios, ou mundo dos jinas, a terra que mana leite e mel, o mundo etérico, a Quarta dimensão…
Moisés não morreu como os demais homens. Desapareceu no monte Nebo. Nunca se encontrou seu cadáver. Que se fez?
Moisés retornou à terra feliz dos cantos nórdicos e druidas, fez-se jina, converteu-se em habitante do paraíso…

Com plena lucidez pudemos verificar, de forma íntegra, o fato contundente, claro e definitivo de que é precisamente aí, no mundo superliminal, na Quarta dimensão, onde outrora moravam as pessoas ditosas da antiga Arcádia…
Quero me referir, de forma específica, às humanidades paradisíacas dos antigos tempos.
Quando João, o Batista, foi degolado, o Grande Kabir Jesus retira-se num barco, “para um lugar deserto e afastado”, quer dizer, às terras jinas, à Quarta coordenada de nosso planeta Terra. E é ali onde opera com a multidão o milagre dos cinco pães e dois peixes, dos quais comeram nada menos que cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças, sobrando, ademais, doze cestos cheios de pedaços (Ibid. XIV, 15- 21).
É ostensível que o grande sacerdote gnóstico Jesus teve que colocar, também, as multidões dentro da Quarta dimensão com o evidente propósito de realizar o milagre…
Antigas tradições irlandesas, consignadas sabiamente nos deliciosos cantos dos bardos ou rapsodistas nórdicos, falam, com justa razão, de um extraordinário povo cainita ou inca, quer dizer, de sacerdotes-reis, chamado de Tuathas Danand, habilidosíssimos em toda classe de artes mágicas, aprendidas em Tebas.
Obviamente trata-se de um grande povo jina, protótipo de judeu errante, infatigável viajante.
Os Tuathas de Danand percorreram os países mediterrâneos até chegar a própria Escandinávia, onde fundaram, além de uma cidade lunar e outra solar, quatro grandes cidades mágicas.
Chegados de novo os Tuatha a Irlanda, desembarcaram em ditailha, protegidos, como Enéias em Cartago, por uma espessa névoa mágica (ou véu de Ísis da Quarta dimensão que os ocultara).
Em outras palavras, diremos que os Tuatha chegaram de regresso à Irlanda pela Quarta dimensão.
Escrito está, em velhos cronicões, a muito célebre batalha de Mandura, onde eles se cobriram de glória, derrotando os tenebrosos Fir-Bolgs.
“Era, com efeito, tão grande a excelência dos Tuatha de Danand, tão poderosas e inumeráveis suas hostes, que as planícies se viram coalhadas de hordas de combatentes que se estendiam até as regiões por onde se oculta o Sol, ao declinar do dia. Seus heróis imortalizaram-se ante Tara, a capital mágica da Irlanda.”
“Os Tuatha não chegaram a Erim em barco algum conhecido. Nem ninguém conseguiu determinar claramente se eram pessoas nascidas da terra ou descendentes dos céus, nem se tratava de Entes diabólicos ou de uma nova nação que não poderia de modo algum ser humana, se por suas veias não corria o régio sangue de Berthach, o infatigável, o fundador da Ceinne primitiva.”
Ao ocorrer a grande catástrofe atlante, os Tuatha de Danand meteram-se dentro da Quarta dimensão definitivamente.
Na etérica região de nosso planeta Terra habitam ditosas, algumas raças humanas. Essa gente, ainda em nossos dias de tantas amarguras, vive ainda em estado paradisíaco…
Na Quarta coordenada de nosso planeta Terra existe muitas cidades mágicas de esplendente beleza. Na Quarta vertical terrestre podemos descobrir os paraísos elementais da natureza, com todos os seus templos, vales, lagos encantados e terras de jinas…
Inquestionavelmente é ali, na Terra prometida, onde ainda podemos encontrar, ditosos, o ocultismo e nato e a lei natural e paradisíaca…

Aqueles jinas bem-aventurados que, felizes, moram nos Campos Elísios, na terra que mana leite e mel, não caem certamente sob a regência de deuteronômio, ou Segunda lei, que tanto atormenta os mortais…
Obviamente, as multidões jinas, como aquelas conhecidas como os Tuatha de Danand, moram ditosas no Éden sob regência da primeira lei.
Quatro esotéricos símbolos mágicos levavam sempre consigo os Tuatha de Danand, através de todas aquelas terras de seus êxodos legendários:
a- Uma gigantesca taça, ou graal (símbolo vivo do útero feminino).
b- Uma enorme lança de ferro puro (fálico símbolo masculino).
c- Uma grande espada flamígera (símbolo do fogo sexual).
d- A pedra da verdade (símbolo da pedra filosofal, sexual).
Se Moisés, o grande caudilho hebreu, tivesse ignorado o profundo significado destes quatro símbolos mágicos, jamais teria podido converter-se em jina no monte Nebo…
Assim o compreendi eu quando, prosternado diante do Logos do sistema solar, lhe pedira, com inteira humildade, o ingresso à Segunda Iniciação do Fogo…
Impossível esquecer aqueles instantes em que o Bendito encomendara a certo especialista a sacra missão de conduzir sabiamente pela minha espinha dorsal o Segundo Grau de Poder do Fogo…
Eu queria conhecer a fundo os mistérios da Quarta coordenada e penetrar, vitorioso, na Terra
Prometida…
Necessitava, com urgência máxima, inadiável, restaurar os poderes ígneos no meu fundo vital etérico…
Quando a Segunda Serpente despertou para iniciar seu ascenso para dentro e para cima, ao longo da medula espinhal etérica, fui acolhido no templo com uma grande festival cósmico. O jina especialista me assistia durante a cópula metafísica. Litelantes e eu o percebíamos com o sexto sentido.
Ostensivelmente, não estava abandonado. O jina me auxiliava com fortes passos magnéticos que iam desde o cóccix até a glândula pineal…
Aquele mestre havia lançado sobre seus ombros uma grande responsabilidade moral. Devia conduzir-me inteligentemente o fogo vivente e filosofal ao longo do canal medular espinhal do famoso Lingam Sarira teosófico (fundo vital do organismo humano).
Obviamente, tal veículo é tão somente a secção superior do corpo físico, o aspecto tetradimensional de nosso corpo físico.
“Esta Iniciação é muito mais trabalhosa.” Assim mo havia dito o Logos do nosso sistema solar.
Entretanto, eu anelava com ânsias infinitas conhecer os mistérios do mundo etérico, entrar na Terra Prometida.
O brilhante ascenso da Segunda Serpente Ígnea ao longo do canal medular, de vértebra em vértebra e de chacra em chacra, realizou-se muito lentamente, de acordo com os méritos do coração. Cada vértebra espinhal de tipo etérico implica em determinadas virtudes. Ostensivelmente devemos ser provados antes de chegar a tal ou qual vértebra. Recordemos que o ouro se forma com o fogo e a virtude com a tentação.
Os pés dos tronos dos Deuses têm animalescas formas. Os tenebrosos atacam incessantemente àqueles que intentam alcançar qualquer grau da maçonaria oculta na espinha dorsal. “O céu se toma por assalto.
Os valentes o têm tomado.”
No país das mil e uma noites também existem ágapes místicos. Eu estive numa dessas ceias. Os convidados fomos regiamente atendidos por cisnes de imaculada brancura às margens de um lago cristalino.
Em outra ocasião ensinou-me a seguinte lei cósmica: “Nunca mescles, dentro de uma mesma casa, forças contrárias, porque da mescla de duas correntes opostas resulta um terceira força, a qual é destrutiva para todos.”
O corpo vital é constituído por quatro éteres:
a- Éter refletor.
b- Éter luminoso.
c- Éter químico.
d- Éter da vida.
O primeiro destes éteres se encontra intimamente relacionado com os diversos funcionalismos da vontade e da imaginação.
O segundo se acha associado secretamente a todas as percepções sensoriais e extra-sensoriais. O terceiro é o embasamento de todos os processos bioquímicos orgânicos.
O quarto serve de meio as forças que trabalham com os processos de reprodução das raças. Durante a Segunda Iniciação do Fogo, aprendi a liberar os dois éteres superiores para viajar com eles longe do corpo físico.
Inquestionavelmente, as percepções clarividentes e clariaudientes intensificam-se extraordinariamente, quando absorvemos, em nosso corpo astral, os dois éteres superiores.
Tais éteres nos permitem trazer ao cérebro físico a totalidade das recordações supra-sensíveis. A esotérica explicação vívida, que em forma cênica me deram sobre a decapitação mística, foi certamente extraordinária…
Convidado fui a um festim macabro e o que sobre a mesa trágica vira foi realmente espantoso… Profana cabeça sangrenta posta sobre bandeja de prata, adornado tudo com algo que melhor é calar…
Ostensível, sua profunda significação: O ego animal, o si mesmo, o mim mesmo deve ser degolado…
Disto podemos coligir, com grande acerto, o fato contundente e definitivo de que a cabeça de João, o Batista, na bandeja de prata, possui, certamente, idêntico significado…
Inquestionavelmente, João, o Precursor, ensinou esta terrível verdade, subindo a ara do supremo sacrifício…

Esquadrinhando velhos cronicões com a constância de clérigo na cela, descobrimos o seguinte: Os nazarenos eram conhecidos como batistas, sabeanos e cristãos de São João. Sua crença era que o Messias não era o filho de Deus, senão simplesmente um profeta que quis seguir a João.
Orígenes (volume II, página 150) observa que “existem alguns que dizem de João que ele era o Ungido (Christus)”.
“Quando as concepções metafísicas dos gnósticos, que viam em Jesus o Logos e o Ungido, começaram a ganhar terreno, os primitivos cristãos separaram-se dos nazarenos, os quais acusavam Jesus de perverter as doutrinas de João e de trocar por outro o batismo no Jordão” (Codex Nazaraeus, II, página 109).
Não é demais asseverar, com grande ênfase, o fato trascendental de que João, o Batista, era também um “Christus”…
Por outra parte, considerando do ponto de vista do Logos (unidade múltipla perfeita), pode-se dizer que salvou aos que morreram em si mesmos, a esses que decapitaram o ego animal e que venceram o reino das trevas ou inferno.
Como conseqüência, ou corolário, tudo isto o compreendi de forma íntegra, unitotal, ao ver a mesa macabra na sala do festim…
Quando abandonei aquele antro insólito e abismal, os adeptos da Fraternidade Oculta deram-me um formoso presente.
Trata-se de um minúsculo instrumento de magia, mediante o qual posso operar como teurgo, modificando a plástica…
Aqueles que viram minhas fotos, poderão evidenciar, por si mesmos, o fato concreto que de forma voluntária manejo a plástica…
Variadas formas do meu rosto desconsertam a meus melhores fotógrafos. Entretanto, confesso, francamente e sem rodeios, que não sou eu que tenho este poder, senão o Íntimo, meu Real Ser interior, Atman, o Inefável. Ele opera sobre a plástica quando é indispensável…
Minha insignificante pessoa nada vale. A Obra é tudo. Eu, certamente, não sou mais do que um simples gusano do lodo da terra…
Se escrevesse detidamente tudo aquilo que nós, os místicos, experimentamos nas trinta e três câmaras santas do mundo etérico, encheríamos muitos volumes. Por isso, prefiro falar em síntese…
Quando o Segundo Grau de Poder do Fogo chegou à altura da laringe criadora, fui metido no cárcere.
A ata acusatória dizia textualmente o seguinte: “Este senhor, além de cometer o delito de curar os enfermos, é também o autor de um livro intitulado O Matrimônio Perfeito, o qual é um atentado contra a moral pública e os bons costumes dos cidadãos.”
Foi portanto, no horripilante calabouço de uma velha prisão sul-americana, onde tive que passar pela clássica cerimônia da decapitação…
Então vi, ao pé de um velho torreão, minha Divina Mãe Kundalini, com a espada flamígera em sua destra, decapitando uma criatura.
“Ah! Já entendo!” Exclamei nas pavorosas trevas do horrível calabouço. Posteriormente entrei nesse estado delicioso que na alta ioga se conhece como Nirvi-Kalpa-Samadhi.

Fora deste outro calabouço que se chama corpo físico, extasiado, experimentei em mim mesmo a grande realidade interior profunda…
Ela, minha mônada, entrou em mim, em minha alma, e então me transfigurei totalmente. Com plenitude lúcida, a mim mesmo me vi integralmente.
Ele é o “quinto” dos “sete” espíritos ante o Trono Cordeiro e eu sou Boddhisattwa. Isto nos vem a recordar aquela frase de Maomé: “Alá é Alá, e Maomé seu Profeta.”
Ao sair daquela prisão, dirigir-me para casa. Ali me aguardavam meus melhores amigos.
Dias depois, o Segundo Grau de Poder do Fogo fazia contato direto com o átomo do Pai, situado no campo magnético da raiz do nariz. Então vi, em visão noturna, a estrela flamígera, com o olho de Deus no centro.
A pentalfa resplandecente se desprendeu do Cristo Sol, para brilhar sobre minha cabeça… O festival cósmico da noite da Iniciação foi extraordinário. Do umbral do templo vi meu Real Ser, o Íntimo, crucificado em sua cruz, no fundo sacratíssimo do santuário e ante os Irmãos da Fraternidade Oculta.
Enquanto Ele recebia a Iniciação, eu, no vestíbulo do templo acertava contas com os Senhores do Karma…
 
A Terceira Iniciação do Fogo
( Capítulo – 15 )
Inquestionavelmente, a morte é algo profundamente significativo.
Mergulhar neste tema, aprofundá-lo integralmente, sinceramente, com paciência infinita e em todos os níveis da mente, resulta, certamente, urgente, inadiável.
Como consequência ou corolário luminoso, podemos e até devemos afirmar, com solenidade, o seguinte postulado: "Só descobrindo totalmente os mistérios da morte, poderemos descobrir a origem da vida".
Se o germe não morre, a planta não nasce. Morte e concepção se encontram intimamente associadas.
Ao exalarmos o último alento da nossa existência, projetamos inevitavelmente, através do tempo e do espaço o desenho elétrico de nossa própria existência.
Ostensivelmente, tal desenho eletropsíquico vem mais tarde impregnar o ovo fecundado. Assim é como retomamos.
A senda da vida é formada com as pegadas dos cascos do cavalo da morte.
Os últimos momentos do agonizante encontram-se vinculados secretamente aos gozos amorosos de nossos futuros pais terrenos.
O destino que nos aguarda mais além da morte será a repetição de nossa vida atual, mais suas consequências.
Isso que continua mais além da fossa sepulcral são meus afetos, minhas ternuras, meus ódios; eu quero, eu não quero, eu invejo, eu desejo, eu me vingo, eu mato, eu roubo, eu sou luxurioso, eu tenho ira, eu cobiço, etc., etc., etc.
Toda essa legião de eus, verdadeira legião de demônios personificando defeitos psicológicos, regressa, retoma, reincorpora-se.
Absurdo seria falar de um eu individual. Melhor é falar, com inteira clareza, sobre o eu pluralizado.
O budismo esotérico ortodoxo ensina que o ego é uma soma de agregados psíquicos.
O livro egípcio, A Morada Oculta, menciona, com grande ênfase, os demônios vermelhos de Seth (os eus diabos que constituem o ego).
Tais eus briguentos e gritões constituem as legiões tenebrosas contra as quais devia combater Arjuna por ordens emanadas diretamente do Bendito Senhor Krishna (Veja-se O Bagavad-Gita).
A personalidade não retoma, é filha de seu tempo; tem um princípio e um fim. O único que continua é certamente um montão de diabos.
Podemos alcançar a imortalidade no mundo astral. Entretanto, isto só é possível fabricando o eidolon (o corpo astral).

Muito diferentes autores de tipo pseudo-esoterista e pseudo-ocultista caem no erro de confundir o ego com o corpo astral.
A moderna literatura metafísica fala muito sobre projeções do corpo astral. Entretanto, devemos ter a coragem de reconhecer que os aficcionados ao ocultismo soem desdobrar-se no ego para viajar nas regiões sublimares da natureza, através do tempo e do espaço.
O corpo astral não é um implemento indispensável para a existência. Não é demais recordar que o corpo físico tem, afortunadamente, um fundo vital, ou Lingam Sarira, que garante integralmente sua existência.
Inquestionavelmente, o corpo astral é um luxo que muito poucas pessoas se podem dar. Raros são os sujeitos que nascem com esse esplêndido veículo.
A matéria-prima da Grande Obra, o alquímico elemento com o qual podemos fabricar o corpo astral, é o hidrogênio sexual Si-12.
Obviamente, o citado hidrogênio representa o produto final da transformação dos alimentos dentro do maravilhoso laboratório do organismo.
Resulta evidente que esta é a matéria mais importante com que trabalha o sexo. A elaboração desta substância se desenvolve em consonância rítmica com as sete notas da escala musical.
Não é demais compreender que o "ens seminis", e seu peculiar hidrogênio Si-12, é semente e fruto ao mesmo tempo.
Transmutar este hidrogênio portentoso, para dar-lhe inteligente cristalização numa oitava superior, significa, de fato, criar uma nova vida dentro do organismo existente, dar forma evidente ao corpo astral, ou sideral, de alquimistas e cabalistas.
Devem os senhores entender que o corpo astral nasce do mesmo material, da mesma substância, da mesma matéria de que nasce o corpo físico. O único que difere é o procedimento.
Todo o corpo físico, todas as células ficam, por assim dizer, impregnadas pelas emanações da matéria que é Si-12. E quando estas se saturaram o suficiente, a matéria Si-12 começa a cristalizar.
A cristalização dessa matéria constitui a formação do corpo astral.
A transição da matéria Si-12 a uma condição de emanações e a gradual saturação de todo o organismo com estas emanações é o que se chama, em alquimia, de transmutação ou transformação.
Justamente esta transformação do corpo físico em astral é o que a alquimia denomina transformação dos metais grosseiros em metais finos, ou seja, a obtenção de ouro dos metais ordinários.
O procedimento esotérico podemos descobri-lo no sexo-ioga, no Maithuna, na magia sexual: conexão do Lingam-Yoni, falo-útero, sem ejaculação do "ens seminis".
O desejo refreado originará os processos maravilhosos da cristalização do hidrogênio Si-12 numa oitava superior.
Alimentação é diferente. Inquestionavelmente, o corpo astral necessita também de seu alimento e nutrição. Isso é óbvio!
Como o corpo físico está sabiamente controlado por quarenta e oito leis, fato que está cientificamente demonstrado com os quarenta e oito cromossomos da célula germinal, resulta muito claro e manifesto que o hidrogênio capital do corpo celular é o hidrogênio 48 (quarenta e oito).

Poupar este tipo específico de hidrogênio resulta, na verdade, relativamente fácil, quando marchamos pela senda da linha reta.
O excedente do hidrogênio 48 (quarenta e oito) não gasto nas físicas atividades do mundo tridimensional de Euclides converte-se maravilhosamente no hidrogênio 24 (vinte e quatro).
Ostensivelmente, o citado hidrogênio 24 (vinte e quatro) advém sempre como alimento extraordinário do corpo astral.
E urgente asseverar, com grande ênfase, que o corpo sideral, ou astral, dos alquimistas e cabalistas desabrocha e se desenvolve esplendidamente sob o controle absoluto das vinte e quatro leis.
Todo órgão se conhece claramente por suas funções e sabemos que temos um corpo astral quando podemos viajar com ele (veja-se o capítulo 6 deste mesmo tratado).
Meu caso particular foi certamente extraordinário. Devo afirmar especificamente que eu nasci com corpo astral.
De forma magnífica o havia fabricado antes de nascer, em antiquíssimas idades de um passado Mahamvantara, muito antes que raiasse a aurora da cadeia lunar.
Restaurar os poderes ígneos no citado corpo sideral certamente era, para mim, o mais importante.
Assim o compreendi antes de solicitar ao Logos do sistema solar o ingresso na Terceira Iniciação do Fogo.
Não é demais dizer a meus leitores muito amados que o Grande Ser, depois de me outorgar o pedido, ditou especial providência, auxiliando-me.
Disto podereis coligir que me foi dado certo especialista no Terceiro Grau de Poder do Fogo.
Aquele Guru Deva cumpriu sua missão, dirigindo a Terceira Serpente ígnea pelo canal medular no corpo astral.
Litelantes e minha insignificante pessoa, que nada vale, percebíamos, com o sexto sentido, o especialista astral que, durante a cópula metafísica, nos auxiliava.
O despertar do fogo no corpo astral é sempre anunciado com um relâmpago terrível na noite.
Originalmente, o Terceiro Grau de Poder do Fogo, em tão precioso veículo, possui formosíssima cor branco-imaculada. Mais tarde, apresenta-se brilhando na aura do universo com uma belíssima cor de ouro.
Confesso francamente e sem rodeios que, durante o trabalho esotérico com o Terceiro Grau de Poder do Fogo, tive que viver, de forma simbólica, todo o drama cósmico.
Alguém que não é mais que um vil gusano que se arrasta pelo lodo da terra sente-se realmente comovido quando, de repente e sem merecê-lo, se vê convertido no personagem central de tal drama, ainda que isto seja de forma meramente simbólica.
Diferentemente das duas serpentes anteriores, o Terceiro Grau de Poder do Fogo, depois de tocar o átomo do Pai, no campo magnético da raiz do nariz, prossegue sua marcha até o coração.
Entre o campo magnético da raiz do nariz e o coração, existem vias secretas, Nadis, ou canais maravilhosos.
Certo caminho secreto conecta a raiz do nariz com o chacra capital, que desde o centro do cérebro controla o cárdias. Por essa via circula o fogo. Mais tarde prossegue sua marcha até o próprio coração, circulando misteriosamente pelo Anahata Nadi.

Viver todo o drama do Cristo no mundo astral é, fora de toda dúvida, algo que nunca poderia ser esquecido.
Conforme o Terceiro Grau de Poder do Fogo desabrocha e se desenvolve harmoniosamente no corpo astral, os diversos acontecimentos do Drama Crístico vão sendo abertos.
Quando o Fogo Sagrado chega ao porto maravilhoso do coração tranqüilo, vivenciamos, então, aquele simbolismo relacionado intimamente com a morte e a ressurreição do Cristo.
Terrível resulta esse instante em que o Longinus simbólico crava no costado do Iniciado a lança sagrada, o emblema extraordinário da força fálica.
Parsifal sanou, com tal hasta, a espantosa chaga que ardia dolorosa no costado do rei Amfortas.

Quando eu fui aprovado secretamente por certa potência sideral, os tenebrosos adeptos da mão esquerda atacaram-me cheios de grande ódio.

Entre os mistérios das grandes catedrais, não falta jamais o Santo Sepulcro e é evidente que não podia faltar o meu na Iniciação.

No instante em que escrevo estas linhas, vem a minha memória o momento iniciático de Ginés de Lara.
Não havia, efetivamente, naquele instante esotérico do insigne Iniciado, donzela alguma de "grande linhagem", filha do fundador do monastério, acompanhando-o; nem, tampouco, "homem bom" que o próprio Mestre guia, que o conduziu até o "Sancta Sanctorum", ou Adytia, daquele templo, onde o neófito achou, no centro de um riquíssimo aposento de mármore, um sepulcro suntuoso, hermeticamente fechado, e cuja pesada tampa levantou facilmente com suas próprias mãos Ginés, obedecendo ao Mestre, e viu, no mesmo, com grande surpresa sua, seu próprio corpo físico.

Diferentemente de Ginés de Lara, eu vi, no sepulcro, o meu próprio corpo astral. Compreendi, então, que devia passar pela ressurreição esotérica.

Inquestionavelmente deve ressuscitar, em nós, o grande mestre maçom Hiram Abif. "O Rei morreu! Viva o Rei!".
Ressurreição realista, crua, legítima, autêntica, só é possível na Segunda Montanha. Nestes parágrafos somente nos estamos referindo, enfaticamente, à simbólica ressurreição iniciática.
Dentro do Santo Sepulcro tive que permanecer astralmente pelo espaço de três dias, antes da mencionada ressurreição simbólica.
O descenso à obscura morada de Plutão foi indispensável, depois de todo o processo simbólico da ressurreição.
Recapitulações tenebrosas tive que iniciar nas entranhas mais profundas da Terra, ali onde o Dante florentino encontrara a cidade de Dite.
A ascensão progressiva realizou-se lentamente através dos diversos estratos do reino mineral submerso...
Recapitulação cênica, vívida, progressiva, ascendente, foi indispensável para o pleno conhecimento do si mesmo, do mim mesmo.
Recapitular antigos erros abismais sói ser útil quando se trata de dissolver o ego.
Conhecer nossos próprios erros psicológicos é certamente urgente, inadiável.

"Sou um santo!" Exclamei ante um grupo de damas elegantes que, tenebrosas, tomaram assento em suntuoso salão abismal...
Aquelas mulheres riram de mim, zombaram com vontade, ao mesmo tempo que, com certo gesto muito provocativo, repetiam ironicamente: "Santo! Santo! Santo!..."
Tinham razão essas desditadas criaturas. Naquela época ainda não havia dissolvido o ego. Era um Boddhisattwa caído...
Escrito está, com carvões acesos no livro de todos os esplendores, que, na morada de Plutão, a verdade se disfarça de trevas. "Demonius est Deus inversus", escreveu H.P.B.
Ascensão simbólica, iniciática, instrutiva, entretanto, diferente da ascensão lógica da Terceira Montanha.
Dezenove dias depois de haver iniciado a marcha ascendente abismal, os adeptos da Fraternidade Oculta eliminaram, do meu baixo ventre, certa capa, ou substância atômica, semelhante à pele do organismo humano.
Dentro do microcosmos homem, tal capa atômica é como uma grande porta que dá acesso aos baixos fundos abismais...
Enquanto esse elemento atômico exista nos indivíduos, a Essência permanecerá demasiado auto- encerrada no ego.
Retirada essa porta atômica na contraparte astral do ventre, os adeptos devem então curar tal zona ventral.
Quando o Terceiro Grau de Poder do Fogo logra sair pela parte superior do crânio, assume a mística figura do Espírito Santo; branca pomba com cabeça de ancião venerável.
Imaculada criatura divinal sobre a torre do templo pousada, em mística espreita, aguardando, ditosa, o instante supremo da Iniciação...
Recordando antigos erros de anteriores reencarnações, tive que passar, aos trinta e três dias, por um acontecimento insólito, inusitado...
Três dos quatro estados fundamentais da Consciência tiveram que ser submetidos à prova de fogo...
Definir estes quatro estados da Consciência é urgente para o bem dos nossos amados leitores:
a - Eicásia
b - Pístis
c - Dianóia
d - Nous
O primeiro destes quatro estados é inconsciência profunda, barbárie em marcha, sonho infra-humano, crueldade, etc., etc., etc.
O segundo de tais estados corresponde exatamente com todos os processos raciocinativos: opiniões, sectarismos fanáticos, etc., etc., etc.
O terceiro se manifesta como sintetismo conceitual, cientifícismo, revisão intelectiva de crenças, indução, dedução de tipo reflexivo, estudos muito sérios sobre fenômenos e leis, etc., etc., etc.
O quarto é Consciência desperta, estado de Turiya, clarividência realmente objetiva, iluminada, perfeita; polividência, etc., etc., etc.

Saí vitorioso na difícil prova. Inquestionavelmente, na senda do fio da navalha devemos ser provados muitas vezes.
O simbolismo hermético da citada prova esotérica foi muito interessante: três donzelas muito serenas no fogo. Vitória! Foi o resultado!

Hoje em dia já me encontro firmemente estabelecido nos estados dianoético e noético. Não é demais asseverar que eicásia e pístís foram eliminados da minha natureza através das terríveis ordálias da Iniciação.
Trinta e sete dias depois de haver iniciado revisões abismais, tive então que estudar, de forma direta, as doze constelações zodiacais, sob cuja regência evoluímos e involuímos constantemente.
Cada uma das doze constelações zodiacais resplandece com seu tom peculiar.
A luz astral da constelação de Leão é de uma belíssima cor de ouro e nos sentimos inspirados quando a contemplamos.

O fínal de todos os processos relacionados com a ascensão é sempre anunciado por quatro anjos que, voltados para os quatro pontos cardeais do planeta Terra, fazem cada um soar sua trombeta.
Dentro do templo foi-me entregue a branca pomba do Espírito Santo como que me dizendo: "Trabalha intensamente na nona esfera, se é que queres encarnar, em ti mesmo, o Terceiro Logos".

Todos estes processos simbólicos da ascensão concluíram aos quarenta dias.
A cerimônia final se realizou no mundo causal. O que então senti e vi foi certamente extraordinário.
O grande Iniciador foi então Sanat Kumara, o fundador do Grande Colégio de Iniciados da Venerável Loja Branca.
No altar, com a cana de sete nós em sua potente destra, aquele grande ser resplandecia terrivelmente divino.


A Quarta Iniciação de Fogo
( Capítulo - 16 )
Inquestionavelmente, a morte é algo profundamente significativo. Mergulhar neste tema, aprofundá-lo integralmente, sinceramente, com paciência infinita e em todos os níveis da mente, resulta, certamente, urgente, inadiável.
Esse triste homúnculo racional, equivocadamente denominado homem, é muito semelhante a um barco fatal, tripulado por muitos esquerdos e tenebrosos passageiros. Quero me referir aos eus.
Inquestionavelmente, cada um destes em particular tem sua própria mente, idéias, conceitos, opiniões, emoções, etc., etc., etc.
Obviamente estamos cheios de infinitas contradições psicológicas. Se nos pudéssemos ver, num espelho, de corpo inteiro, tal como internamente somos, ficaríamos horrorizados de nós mesmos.
O tipo de mente que num momento dado se expresse em nós, através dos diversos funcionalismos cerebrais, depende exclusivamente da qualidade do eu em ação. (Veja-se capítulo 3, parágrafo intitulado O Ego).
É evidente, palmária e manifesta, em cada um de nós, a existência interior de muitas mentes.
Certamente não somos possuidores de uma mente individual, particular. Temos muitas mentes.
Necessitamos, com urgência máxima, inadiável, criar o corpo mental. Mas, isto somente é possível transmutando o hidrogênio sexual Si-12. Mediante o Sahaja Maithuna (magia sexual), podemos e até devemos passar o excedente do hidrogênio sexual Si-12 não utilizado na fabricação do corpo astral a uma Segunda oitava de ordem superior.
A cristalização de tal hidrogênio na forma esplendente e maravilhosa do corpo mental é uma axioma da sabedoria hermética. Ostensivelmente, esta cristalização do citado hidrogênio sexual se processa solenemente de acordo com as notas dó-ré-mi-fá-sol-lá-si numa Segunda oitava tanscendente.
Alimentação é diferente. É evidente que qualquer organismo que vem à existência necessita de seu alimento específico e de sua nutrição. O corpo mental não é uma exceção à regra geral.
O excedente do hidrogênio 24, não gasto na alimentação do corpo astral, converte-se em hidrogênio 12.
(Não se confunda este último com o hidrogênio sexual Si-12).
Como conseqüência ou corolário evidente, é lícito asseverar claramente que o hidrogênio 12 é o alimento cardeal e definitivo para o corpo mental. Não é possível conseguir a plena individualização do entendimento sem a criação de um corpo mental.
Só criando tal veículo possuímos “manas inferior organizado’’ mente completa, particular e individual.
O fundamento desta criação encontra-se na nona esfera (o sexo). Trabalhar na frágua acesa de Vulcano é indispensável.
É evidente que sabemos que possuímos um corpo mental quando podemos viajar com ele consciente é positivamente através dos mundos supra-sensíveis.

Meu caso particular foi certamente algo muito especial. Eu nasci com um corpo mental. Já o havia criado num passado remotíssimo, muito antes que raiasse a aurora do Mahanvantara de Padma, ou Lótos de Ouro.
Realmente agora só necessitava, com urgência máxima, inadiável, recapitular a Quarta Iniciação do Fogo e restaurar os flamígeros poderes no já mencionado veículo.
O resplandecente Dragão de Sabedoria, quero me referir ao Logos do sistema solar de Ors, confiou a um especialista a nobre missão de me assistir e me ajudar.
Levantar a Quarta Serpente ao longo do canal medular do corpo mental, de vértebra em vértebra e de chacra em chacra é certamente, algo muito lento e espantosamente difícil.
“Antes que a chama de ouro possa arder com luz serena, a lâmpada deve estar bem cuidada em lugar livre de todo vento.”
“Os pensamentos terrenais devem cair mortos ante as portas do templo.”
“A mente que é escrava dos sentidos faz a alma tão inválida quanto o bote que o vento extravia sobre as águas.”
Assombrado, percebi os múltiplos explendores da pentalfa maravilhosa sobre os candelabros sacratíssimos do templo.
Transpassei, ditoso, o umbral do santuário. Meus pensamentos flamejavam ardentemente. Compreendi claramente que durante o trabalho na nona esfera deveria separar, muito cuidadosamente, a fumaça das chamas. A fumaça é horror, trevas, bestialidade. A chama é luz, amor, castidade transcedente.
Qualquer impacto exterior origina reações ondulatórias na mente. Estas últimas em si mesmas têm seu núcleo fundamental no ego, no eu, no mim mesmo.
Exercer absoluto controle sobre as citadas reações mentais é certamente indispensável. Necessitamos tornarmos indiferentes ante o elogio e o vitupério, ante o triunfo e a derrota.
Sorrir ante os insultadores, beijar o látego do verdugo, é indispensável. Recordai que as palavras que ferem não tem mais valor do que o que lhes dá o ofendido.
Quando não damos valor algum as palavras dos insultadores, estas ficam com um cheque sem fundos.
O guardião do Umbral, no mundo da mente, vem personificando o ego, o eu.
Enfrentar com heroísmo a terrível prova, vencer realmente o irmão terrível, como o denominam na maçonaria oculta, é indispensável na Quarta Iniciação do Fogo.
Sem temor algum com presteza, desembainhei a flamígera espada. O que sucedeu depois foi extraordinário: A larva do umbral fugiu espavorida. É ostensível que tal prova advém sempre depois que as asas ígneas foram abertas.
É uma tremenda verdade que quando o fogo sagrado, ascendendo, chega à altura do coração, abrem-se sempre as radiantes asas angélicas.
Inquestionavelmente, as ardentes asas nos permitem entrar instantaneamente em qualquer departamento do rei.
Outro evento cósmico maravilhoso que tive que vivenciar em mim mesmo, durante os múltiplos processos da Quarta Iniciação do Fogo, foi, certamente, o da entrada vitoriosa de Jesus na cidade querida dos profetas.

Quem quiser realmente ingressar na Jerusalém de cima (nos mundos superiores) deve libertar-se do corpo, dos afetos e da mente.
É urgente indispensável, inadiável, montar no simbólico asno (a mente), domá-lo, controlá-lo. Somente assim é possível liberar-nos deste, para ingressar nos mundos do espírito (a Jerusalém celestial).

Senti que meu gasto corpo físico se desintegrava e morria. Nesses momentos clamou com grande voz o Divino Rabi da Galiléia, dizendo: “Este corpo já não te serve.”
Ditoso escapei da destruída forma de vestido, com o To Soma Heliakon, o corpo de ouro do Homem solar.

Quando o Fogo Sagrado resplandeceu solenemente na estrela flamígera e na cruz estrelada, minha Divina Mãe Kundalini particular, individual, foi acolida no templo.
O Kundalini floresceu em meus lábios fecundos feito verbo, quando fogo chegou à laringe criadora.
Ainda recordo aquele instante em que se celebrou a festa. Os adeptos da Fraternidade Oculta premiaram-me com um símbolo maravilhoso que ainda conservo.
Extraordinário foi aquele momento em que o fogo do Kundalini chegou à altura do Cerebelo. Então meu corpo mental passou pela simbólica crucificação do senhor.
Notório resultou o ascenso da flama erótica à vértebra trinta e dois. Nesses momentos de grande solenidade, compreendi os mistérios relacionados com o grau de Leão da Lei.
“Quando uma lei inferior é transcendida por uma lei superior, a lei superior lava a lei inferior.”
“Ao Leão da Lei se combate com a balança.”
“Faze boas obras para que pagues tuas dívidas.”
Certo sino metálico fez estremecer, solenemente todos os âmbitos do universo quando o fogo divino abriu o lotos de mil pétalas (o chacra Sahasrara).

Nesses instantes de beatitude suprema, escutei coros inefáveis que ressoaram no espaço sagrado. Mais tarde tive que levar, pacientimente a flama erótica até o campo magnético da raiz do nariz.
Aproveitando inteligentemente certo fio nervoso secreto, prosseguiu depois, conduzindo o fogo até a região do tálamo, região onde está localizado o chacra capital que controla o coração.
Por último aproveitei inteligentemente o Ananhata Nadi, para levar a flama sexual até o templo-coração. A cerimônia final daquela Iniciação foi realmente extraordinária, sublime, terrivelmente divina.
Naquela noite mística, o templo estava vestido de Glória. Impossível descrever tanta beleza… Sanat Kumara, o Grande Hierofante, aguardava-me, austero, em seu trono régio.
Eu entrei, com profunda veneração dentro do sacro recinto…
Ante este Grande Imolado, como H.P.B. sói chamá-lo, minha Divina Mãe Kundalini, com infinito amor, pois sobre minha cabeça o manto amarelo dos Budas e o extraordinário diadema no qual resplandece o olho de Ceva.
“Este é o meu filho muito amado!” Exclamou minha Mãe, e logo acrescentou: “Ele é um Buda.”


O ancião dos Dias, Sanat Kumara, o ilustre fundador do Grande Colégio de Iniciados da Loja Branca no planeta Terra, acercando-se de mim, pois em minhas mãos o símbolo do Imperador (A esfera com a cruz em cima).
Nesses instantes escutaram-se acordes evangélicos, régia sinfonias basiadas nos ritmos do Mahavan e do Chotavan, que sustentam o universo firme em sua marcha.
 
A Quinta Iniciação de Fogo
( Capítulo - 17 )
Nós asseveramos, com grande solenidade e sem muita prosopopéia, o tremendo realismo, palpável e evidente, de três tipos específicos de ação:

a – Atos embasados na lei de acidentes.

b - Atos fundamentados nas leis eternas de retorno e recorrência.

c - Atos maravilhosos nascidos da vontade consciente.

O embasamento do primeiro tipo de ação é certamente a mecanicidade natural de toda esta ordem de coisas. Elemento primordial do segundo tipo de ação é, fora de toda dúvida, a incessante repetição de muitos dramas, comédias e tragédias.

Isto sucede sempre de vida em vida, através do tempo e do espaço, no vale doloroso do Samsara. O drama é para as pessoas mais ou menos boas; a comédia, para os palhaços, e a tragédia, para os perversos. Tudo volta a ocorrer tal como ocorreu, mais as conseqüências positivas ou negativas.

A "causa causorum" do terceiro tipo de ação é certamente o corpo causal, ou corpo da vontade consciente.

Como conseqüência ou corolário, podemos assentar o seguinte enunciado: Somente são possíveis os atos nascidos da vontade consciente, quando nos temos dado ao luxo de criar, para nosso uso particular, um corpo causal.
O hidrogênio sexual Si-12, mediante o sexo-ioga com seu famoso Sahaja Maithuna (magia sexual), pode e deve passar a uma terceira oitava de ordem superior.

A cristalização do citado hidrogênio na forma esplendente e maravilhosa do corpo causal processar-se-á com as notas dó-ré-mí-fá-sol-1á-si na mencionada oitava.

Alimentação é diferente. O corpo causal também necessita de seu alimento e este advém perfeito do excedente hidrogênio 12 não consumido no corpo mental.

Obviamente, o hidrogênio 12 (não se o confunda com o hidrogênio sexual Si-12) pode e deve converter-se em hidrogênio 6, que é o alimento específico do corpo causal.

Inquestionavelmente, as pobres pessoas, como não possuem realmente o copo da vontade consciente, sempre são fatalmente vítimas das circunstâncias.

O imperativo categórico, a faculdade determinativa, aquela que nos permite originar novas circunstâncias, somente é possível quando se possui o corpo causal, ou corpo da vontade consciente.
Com grande sinceridade e tremendo realismo gnóstico, temos que afirmar o seguinte: O animal intelectual, equiv..adamente chamado homem, não tem os corpos astral, mental e causal. Nunca os criou.

Inaceitável, insustentável, inadmissível supor, sequer por um instante, a plena manifestação do homem, quando nem sequer foram elaborados os citados veículos supra-sensíveis.

Condição básica, indispensável, urgente, quando de verdade nos queremos converter em Homens autênticos, é criar, dentro de nós mesmos, os mencionados veículos.


Grave erro é crer que os bípedes tricerebrados ou tricentrados venham a este mundo com tais corpos.
Na medula e no sêmen existem infinitas possibilidades que, desenvolvidas, podem transformar-nos em Homens legítimos. No entanto, estas se poderiam perder e até é normal que se percam, quando não trabalhamos com a escala fundamental dos hidrogênios.
O humanóide intelectual não é Homem; porém se presume de tal. Supõe equivocadamente que o é e, por mera ignorância, trata de usurpar um posto que não lhe corresponde. Crê-se o rei da criação, quando nem sequer é rei de si mesmo.
A imortalidade é algo muito sério; entretanto, temos que consegui-la mediante o Sahaja Maithuna (magia sexual).
Quem se fabrica um corpo astral, de fato e por direito próprio, faz-se imortal no mundo das vinte e quatro leis.
Quem se dá ao luxo de criar um corpo mental ostensivelmente alcança a imortalidade no mundo das doze leis.
Quem se forja um corpo causal indubitavelmente consegue a ansiada imortalidade no mundo das seis leis.
Só fabricando os precatados veículos solares, podemos encarnar isso que se chama alma humana.
Quero me referir ao terceiro aspecto da Trimurti indostânica: Atman-Buddhi-Manas.
Muito foi dito agora sobre o famoso To Soma Heliakon, o corpo de ouro do homem solar.
Inquestionavelmente se trata do traje de bodas da alma, citado pelo bíblico Evangelho crístico.
Obviamente, tal vestimenta é composta pelos corpos supra-sensíveis, por essas extraordinárias cristalizações do hidrogênio sexual Si-12.
De modo algum é possível penetrar no "Sanctum Regrum", no "Regrum Dei", no "Magas Regrum", sem o traje de bodas da alma.
Com o são propósito de iluminar ainda mais estes parágrafos, na continuação transcrevemos a parábola da festa de bodas:
"Respondendo Jesus, voltou a lhes falar em parábolas, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um rei que fez festa de bodas a seu filho. E enviou seus servos para chamar os convidados às bodas; mas estes não quiseram vir. Voltou a enviar outros servos, dizendo:
Dizei aos convidados: Eis aqui! Preparei minha comida. Meus bois e animais engordados foram mortos e tudo está disposto. Vinde às bodas! Mas eles, sem fazer caso, foram-se um para sua lavoura e outro para seus negócios. E outros, tomando os servos, afrontaram-nos e os mataram.
Ao ouvi-lo, o rei se irritou e, enviando seus exércitos, destruiu aqueles homicidas e queimou sua cidade. Então disse a seus servos: As bodas na verdade estão preparadas, mas os que foram convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos e chamai às bodas quantos achardes.
E saindo os servos pelos caminhos, juntaram todos os que acharam, juntamente maus e bons e as bodas foram cheias de convidados.
E entrou o rei para ver os convidados; e viu ali um homem que não estava vestido de bodas.
E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui sem estar vestido de bodas? Mas ele emudeceu.
Então o rei disse aos que serviam: Atai-o de pés e mãos e lançai-o nas trevas de fora. Ali será o choro e o ranger de dentes. Porque muitos são os chamados e poucos os escolhidos."

É notório e evidente que aquele convidado que não estava vestido com o traje de bodas da alma não podia legitimamente receber o qualificativo de Homem. Entretanto, outorga-se-lhe tal termo simplesmente por amor e respeito aos nossos semelhantes.
Grotesca teria resultado a parábola se tivesse dito que ali havia um animal que não estava vestido de bodas.
Obviamente, nenhum animal, incluindo a besta intelectual, jamais está vestido com o traje de bodas da alma.
Entretanto, voltemos ao meu caso pessoal para que nos acerquemos um pouco mais da finalidade deste capítulo.
Em nome da verdade devo dizer com inteira claridade que eu nasci com os quatro corpos: físico, astral, mental e causal.
Restaurar o poder do fogo em cada corpo, recapitular iniciações, foi-me certamente indispensável, urgente, inadiável.
Depois das quatro iniciações anteriores, tive que repassar, pacientemente, a Quinta Iniciação do Fogo.
Ao termo "repassar" quero, nestas linhas, dar um significado intrínseco, transcendente e transcendental.
Como em vidas anteriores já havia passado pelas cósmicas iniciações do fogo, só necessitava agora repassá-las.
Quando pedi ao Logos de nosso sistema solar de Ors permissão para ingressar nos mistérios da Quinta Iniciação do Fogo, foi-me dada a seguinte resposta: "Tu já não necessitas pedir permissão para entrar na Iniciação. Tens todo o direito de fazê-lo."
O Bendito confiou, então, a um nobre especialista do mundo causal a missão de me assistir e me ajudar.
O citado especialista teve que conduzir inteligentemente o fogo sagrado pelo canal medular espinhal do corpo causal, ou corpo da vontade consciente.
O despertar da Quinta Serpente ígnea de Nossos Mágicos Poderes no chacra Muladhara, no osso c..cigeo, foi celebrado no templo com uma grande festa.
O ascenso do Kundaliní de vértebra em vértebra e de chacra em chacra, ao longo da espinha dorsal do corpo causal, realizou-se muito lentamente, de acordo com os méritos do coração.
Como nasci desperto e gozo certamente disso que poderíamos chamar Consciência objetiva e conhecimento objetivo, foi-me muito fácil trazer as recordações do mundo causal ao cérebro físico.
Esclareço: A moderna psicologia revolucionária da nova Era de Aquário usa os termos objetivo e subjetivo da seguinte forma:
a - Objetivo: real, espiritual, verdadeiro, divinal, etc.
b - Subjetivo: vago, incoerente, impreciso, ilusório, fantástico, absurdo.

No mundo das causas naturais compreendi a necessidade de aprender a obedecer ao Pai, assim na terra como nos céus.
Ingressar no Templo da Música das Esferas, nessa região cósmica, certamente foi uma das minhas maiores ditas.

No umbral desse templo, o guardião me ensinou uma das saudações secretas da fraternidade oculta.

O rosto daquele guardião parecia um relâmpago. Quando esse homem viveu no mundo, chamou-se Beethoven.

No mundo causal encontrei muitos Boddhisatwas trabalhando intensamente pela humanidade.

Esses homens causais se desenvolvem maravilhosamente, cada um sob a direção de seu Deus Interno.

Somente o homem causal conseguiu definitivamente a imortalidade. Essa classe de seres estão mais além do Bem e do Mal.

Vivenciar o drama do Cristo Cósmico nessas regiões, converterse alguém no personagem central de toda a "via crucis", é, certamente, algo que jamais se poderia esquecer. Necessitamos refinar-nos, quinta essenciar-nos, purificar-nos realmente, se é que de verdade anelamos vivenciar seriamente as tremendas realidades contidas no divino simbolismo crístico.
Sem frear de modo algum meus íntimos anelos, confesso sinceramente que, no mundo das causas naturais, me vi a mim mesmo carregando o peso da minha própria cruz, ante as profanas multidões que, enfurecidas, me apedrejavam.

Muito semelhante me pareceu o rosto do Adorável, estampado milagrosamente no pano sagrado da Verônica.

Não é demais recordar que os arqueólogos descobriram muitas cabeças de pedra coroadas de espinhos.
Tais esfinges pertencem à idade de bronze.

Isto é claro que nos vem recordar a ruma Espina, sobre a qual já falamos amplamente no Tratado Esotérico de Magia Rúníca. Qualquer pessoa versada em gnosticismo universal sabe muito bem o que significa tal runa.

O profundo significado do divino rosto com a cabeça coroada de espinhos é "Vontade Cristo". Com singular diafaneidade e transparência divinais, vi, extático, resplandecer o pano de Verônica sobre a ara sacra na noite da Iniciação.

O evento cósmico final adveio inevitavelmente quando a Quinta Serpente, depois de haver passado pela glândula pineal e pelo campo magnético da raiz do nariz, chegou até sua cgrrespondente câmara secreta no coração tranqüilo.

Então, fusionado com meu Real Ser interior, ditoso, senti que regressava ao estado infantil paradisíaco.

Concluída a cerimônia final, prosternei-me ante meu guris Adolf.-to, exclamando: Obrigado, Venerável Mestre! A ti devo tudo isto!

O Mahatma bendito, pondo-se de pé, contestou: "Não me deis graças! O que necessito saber é como vos ireis portar agora na vida."

Os fatos estão falando por mim, Venerável Mestre! Tu o estás vendo. Tais foram, então, minhas palavras.

Posteriormente fui visitado por um grande gênio elemental. Quero me referir àquele "Deiduso" que personifica a Esfinge do deserto do Egito.

Aquele ser trazia os pés cheios de lodo. Entendi sua profunda significação esotérica ocultista.

"Trazeis os pés cheios de lodo." Disse-lhe. A misteriosa criatura guardou silêncio. Inquestionavelmente, o lavatório de pés estava me fazendo falta.

Quando quis depositar em suas maçãs o ósculo santo, delicadamente me chamou à ordem, dizendo:
"Beija-me com pureza". Eu assim o fiz.
Mais tarde me visitou Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu, minha Divina Mãe Kundalíní. Eu a interroguei de imediato sobre os resultados.
- Ó Mãe minha! Tenho, então, já as cinco serpentes levantadas?
- Sim, filho meu!
- Quero, agora, que me ajudes a levantar as cobras sexta e sétima.
- Essas as tendes levantadas.
Nesses instantes surgiu em mim a perfeita recordação de mim mesmo.
- Ah! Eu sou um antigo mestrezinho. Estava caído, agora me recordo.
- Sim, filho meu! És um Mestre.
- Ó Devi-Kundaliní! Tu és Lakhsmi, a esposa de Vishnu. Mãe adorável! Tu és a divina prometida de Shiva! Virgem venerável! Tu és a aquosa Sarasvatí, a consorte de Brama.
Ó querido leitor, escuta-me! Ela certamente é o eterno feminino representado pela Lua e pela água, a "Magna Mater" da qual provém o "M" mágico e o famoso hieróglifo de Aquário.
Inquestionavelmente, ela é também a matriz universal do grande abismo, a Vênus primitiva, a grande mãe virgem que surge das ondas do mar com Cupido-Eros, que é seu filho.
Fora de toda dúvida devemos afirmar, francamente e sem rodeios, que Ela é a Prakriti indostânica e, metaf.sicamente, Aditi e até Mulaprakriti.
Jamais poderíamos andar na rochosa senda que conduz até a liberação final sem o auxílio da Divina Mãe Kundalini.
 
Uma Aventura Supra-Sensível
( Capítulo - 18 )
Conversando no bosque do mistério, três amigos errantes chagamos devagarzinho, devagarzinho, ante a colina sagrada.
Sem o mínimo temor, fomos, então, testemunhas de algo insólito e inusitado. Narrá-lo é urgente para o bem de nossos muito amados leitores.

Impoluta rocha milenar abriu-se de repente no penhasco, como se se tivesse partido exatamente em dois pedaços iguais, deixando-nos perplexos e assombrados.
Antes que houvesse tempo suficiente para poder apreciar aquilo, sem vacilação alguma, como que atraído por estranha força, acerquei-me da misteriosa porta de granito…

Sem impedimento alheio, valoroso, transpassei o umbral de um templo. Nesse ínterim, meus amigos, serenos, sentaram-se em frente à gigantesca mole que diante deles se fechava…
Qualquer glossário extraordinário resultaria francamente insuficiente, se tentássemos descrever em detalhe minucioso todos os portentos daquele santuário subterrâneo.

Sem mundologia de nenhum tipo, prefiro falar sobre isto a grosso modo; porém, sinceramente, limitando-me a narrar o ocorrido.
Airoso, animado pela chama viva do espírito, avancei por um estreito corredor até chegar a um pequeno salão…

Aquele exótico recinto semelhava antes um escritório, repartição ou sala de advogado…

Ante a escrivaninha, sentado, encontrei um arconte do destino, indecifrável personagem, hermético juiz do Karma, místico vaticinador vestido como elegante cavalheiro moderno…
Quão sábio era aquele advogado-adivinho! Vaticinador sublime! Infalível! E terrivelmente divino…
Com profunda vaneração aproximei-me à sua escrivaninha. O fogo sagrado resplandeceu em seu rosto…
De imediato senti, de forma direta, seu profundo significado. “Obrigado, Venerável Mestre!” Exclamei com infinita humildade… O austero hierofante, com tom sibilino, tomou sua parábola e disse:

- Fulano de tal – referindo-se ostensivelmente a um dos dois amigos que a for a me aguardavam – é do tipo andrajoso, sempre viverá na miséria. Beltrano – referindo-se agora ao meu outro amigo – é o tipo samurai.
-Como? Samurai?
- Repito: Samurai! (Amigo lutador e espiritual como os progressistas samurais budistas do Império do Sol Nascente).
Por último, dirigindo-se à minha insignificante pessoa que nada vale, disse:

- Tu és do tipo militar, porque terás que arrastar multidões, formar o Exército de Salvação Mundial, iniciar a Nova Era Aquária.
Logo prosseguiu assim:
- Tua missão específica é criar Homens, ensinar às pessoas a fabricar seus corpos astral, mental, e causal, para que possam encarnar sua alma humana.
Posteriormente se levantou de sua escrivaninha com o evidente propósito de buscar, em sua biblioteca, uma das minhas obras e, assim que a teve em suas mãos, embriagado pelo êxtase, exclamou:
- O livro que em boa hora enviaste pelo correio a fulano de tal agradou muitíssimo.
O que sucedeu depois é fácil de coligir. Com infinita veneração e grande humildade, sem ostentação de nenhuma espécie, longe de toda vã enfatuação, despedi-me do venerável e saí do templo.
Discorrer agora, excogitar, meditar seriamente sobre a questão essencial deste relato é urgente, indispensável.
Excluindo de nosso léxico toda expressão de mau gosto, enfatizamos o seguinte postulado: É indispensável criar o Homem dentro de nós mesmos, aqui e agora. Como estou ensinando as pessoas a doutrina, obviamente sou um criador de Homens.
Há necessidade de se criar, dentro de nós mesmos, a disponibilidade ao Homem. Não é demais recordar que os tempos do fim já chegaram.
Muito foi dito agora, na leitura oculista, sobre as duas sendas. Quero me referir especificamente às vias espiral e direta.
Inquestionavelmente, os dois caminhos somente se abrem, augustos, ante o Homem autêntico. Jamais ante o animal intelectual!
Nunca poderei esquecer os momentos finais da Quinta Iniciação do Fogo. Depois de todos esses processos recapitulativos, tive que enfrentar, valorosamente, um guardião nirvânico terrivelmente divino.
O bem- aventurado Senhor de Perfeições, mostrando-me a senda espiral nirvânica, disse: “Este é um trabalho bom.” Depois, assinalando a via direta, exclamou com grande voz, como quando um leão ruge, dizendo: “Este é um trabalho superior.’’
Posteriormente o vi avançando para mim com esse imperativo tremendo das grandes majestades. Ele me interrogou e eu lhe respondi, estabelecendo-se o seguinte diálogo:
- Por qual destes dois caminhos vais seguir agora?
-Deixai que o pense.
- Não o pense. Diga-o imediatamente, defina-se!
- Vou pelo caminho direto que conduz ao Absoluto!
- Como lhe ocorre meter-se por aí! Não quer compreender o que vai sofrer? Que lhe está acontecendo, senhor?
- Eu vou para o Absoluto!

- Bem! Advertido fica! Estas foram as palavras finais do guardião. Depois se retirou solene.
Outra noite, for a de meus corpos supra-sensíveis em total exercício das funções como Atman ou homem-espírito…
Em pleno Nirvana, solitário, encontrava-me sobre o formoso terraço da mansão das delícias, no rincão do amor… Eu vi os habitantes dessa região em número sempre crescente, flutuando no espaço sagrado…
Felizes, tomaram assento no jardim cheio de perfumadas flores. Algoritmia divinal, estro sublime, nume inolvidável…

Atman–Buddhi–Manas, Trimurti de perfeição. Nos instantes em que escrevo estas linhas, ocorre-me repetir aquele versículo do livro A Morada Oculta que ao pé da letra diz:
“Eu sou o crocodilo sagrado Sebek.
Eu sou a chama de três pavios,
e meus pavios são imortais.
Eu entro na região de Sekem,
eu entro na região das chamas,
que derrotaram meus adversários.”

Repentista criatura ígnea tomou a palavra em nome da sagrada confraria e disse:
- Irmão meu, por que vais por esse caminho tão duro? Aqui no Nirvana somos felizes! Fica aqui conosco!…
Minha resposta, cheia de grande energia foi a seguinte:
- Não puderam os animais intelectuais com suas tentações, muito menos vós os Deuses. Eu vou para o Absoluto!…
Os inefáveis se calaram e eu me retirei precipitadamente daquela morada.
A vós do silêncio disse:
“- O Boddhisattwa que renuncia ao Nirvana por amor à humanidade é confirmado três vezes honrado e, depois de muitos nirvanas ganhos e perdidos por essa causa, ganha o direito de entrar no mundo de super nirvânica felicidade…”
O Nirvana tem ciclos de atividade e ciclos de profundo repouso. Por esta época do século XX encontra-se no período de ação.
Os nirvanis que se reencarnaram durante as primeiras raças só agora voltaram a se reencarnar. Passada esta época, submergirão na dita infinita até o futuro Mahamvantara.
A senda do dever, longo e amargo, é diferente. Implica em renúncia total; entretanto nos conduz diretamente ao Absoluto.

Qualquer noite destas tantas, encontrando-me feliz em estado de Samadhi, vi resplandecer, com tintas purpúreas, o planeta Marte…
Suas vibrações eram certamente de caráter telepático. Senti meu coração tranqüilo que me chamavam urgentemente do núcleo central daquela mole planetária. Esse cintilo era inconfundível…
Rápido me transportei, vestido com o To Soma Heliakon, até as vivas entranhas daquele mundo…
Vestido com o traje das milícias celestes, resplandecente, aguardava-me Samael, minha própria mônada individual, meu Real Ser íntimo, o regente divinal daquele planeta.
Reverente, prosternei-me ante o onisciente, ínclito senhor daquele lugar; e, logo, tomando a palavra, disse:
- Aqui estou, Pai meu! Para que me chamaste?
-Tu, filho meu, te esqueces de mim!
- Não, Pai meu, eu não me esqueço de ti!
- Sim, filho meu, se a ti te entregam a portaria do universo, tu te esqueces de mim!
- Ó Pai meu, eu vim para beijar tua mão e receber tua bênção!
O onimisericordioso me bendisse e eu ajoelhado, beijei sua destra. No fundo do templo planetário aparecia um leito de dor…
Posteriormente entrei em profundas reflexões. Por que elegi eu mesmo o caminho? Por que me esqueci de meu Pai diante da terrível presença do guardião dos caminhos?
Jesus, o grande sacerdote gnóstico, no monte das Oliveiras, deu-nos uma grande lição, quando exclamou: “Pai meu, se é possível afasta de mim este cálice, mas não se faça a minha vontade, senão a tua.”
Dezoito anos depois trovejando e relampagueando, rasguei minhas vestes, protestando contra tanta dor. Ai! Ai! Ai!…
Uma virgem do Nirvana me respondeu: “Assim é o caminho que tu mesmo escolheste. Para nós, os habitantes do Nirvana, os triunfos são menores e por isso é evidente que sofremos menos. Entretanto, como teus triunfos serão maiores, teus sofrimentos também serão mais intensos.”
Quando quis descansar um pouco, os agentes do Karma recriminaram-me, dizendo: “Que lhe acontece, senhor? Vai o senhor andar? Circule, amigo! Circule! Circule!”
Pacientemente continuei a marcha pela rochosa senda que conduz à liberação final.
 
Perseguições
( Capítulo - 19 )
Nas vertentes tropicais da Serra Nevada, às margens do Macuriba, ou mar do Caribe, tive que recapitular pacientemente os diversos processos esotéricos iniciáticos da Terceira, Quarta e Quinta Iniciações do Fogo.
Ali vivia, austero, com certo grupo muito seleto de estudantes gnósticos, muito longe de tanta idiotice, loucura, patetice do vão intelectualismo...
Probos e irrepreensíveis anacoretas gnósticos, agradecidos, haviam-me construído, com madeira daqueles bosques, simples morada...
Quero evocar, agora, ao menos por um momento, a todos esses esclarecidos varões, alguns dos quais, nestes momentos, sobressaem como notáveis missionários internacionais...
Desta minha antiga terra mexicana vos saúdo, ínclitos senhores da Nevada Serra sul-americana!...
Quero incluir, também, dentro destas minhas saudações, suas mulheres e seus filhos, e os filhos de seus filhos...
Quão ditoso morava naquele memorável refúgio do bosque profundo, fora do mundano bulício!...
Então retornei aos paraísos elementais da natureza; e os príncipes do fogo, dos ares, das águas e da perfumada terra entregaram-me seus segredos...
Um dia qualquer, não importa qual, alguns desses cenobitas do gnosticismo universal, afanosos, bateram na porta da minha morada, para suplicar-me que apagasse o fogo.
O crepitar incessante do ígneo elemento avançava, terrível, através da espessa sombra, incinerando tudo que achava na sua passagem.
Espantosa cremação ameaçava cultivos e cabanas. Em vão tinham feito fossos, valetas, com o propósito de deter a marcha triunfal do fogo.
O ígneo elemento transpassava ardente todo fosso e arroio, ameaçando inclemente todas as imediações, contornos, cercanias e arredores...
Obviamente, eu jamais fui bombeiro ou "traga-fumaça", como simpaticamente se apelidam esses heróicos servidores públicos...
Entretanto, confesso francamente e sem rodeios que, nesses instantes, a sorte de todos estes irmãos gnósticos estava em minhas mãos. Que fazer?
Eu anelava servi-los do melhor modo possível, e esta era, fora de toda dúvida, uma de minhas melhores oportunidades.
Indigno, absurdo e até ingrato teria sido negar tão urgente auxílio. Não só se paga Karma pelo mal que se faz, senão pelo bem que se deixa de fazer, podendo-se fazê-lo.

Assim, pois, resolvi operar magicamente. Avançando sobre meus pés até a fogueira titânica, sentei-me muito perto dali e logo me concentrei no íntimo...
Orando secretamente, supliquei ao mesmo que invocasse Agni, o ingente e preclaro Deus do fogo...

O Íntimo escutou minha prece e clamou com grande voz, como quando um leão ruge, chamando Agni; e sete trovões repetiram suas vozes...
Logo, esteve ao meu lado o brilhante Senhor do Fogo, o resplandecente Filho da Chama, o onimisericordioso...
Eu o senti em toda a presença do meu Ser e lhe roguei, em nome da caridade universal, dissipasse aquele incêndio...
Ostensivelmente, o bendito Senhor de Perfeição considerou justa e perfeita a minha súplica... De forma inusitada surgiu, por entre o mistério azul do bosque profundo, uma suave brisa perfumada que modificou totalmente o rumo dessas línguas de fogo, e então se dissipou totalmente a fogueira...
Outro dia, quando conversava ante os cenobitas gnósticos, numa clareira muito bela da mata cerrada do bosque, muito perto das cabanas, vimo-nos, de repente, ameaçados por torrencial aguaceiro...
Anelante, concentrei-me no íntimo, orando intensamente e pedindo para que invocasse Paralda, o gênio elemental dos inquietos silfos do ar.
Olímpico, acudiu, aquele Deva, com o evidente propósito de me auxiliar. Eu aproveitei a magnífica oportunidade que se me oferecia e lhe roguei alijasse daquelas cercanias as tormentosas nuvens...
Inquestionavelmente, estas últimas se abriram sobre as nossas cabeças, em forma de círculo e depois se foram, ante os assombrados místicos daquele rincão do amor...
Por aqueles tempos, os irmãos gnósticos viajavam semanalmente até as praias arenosas do borrascoso pontal.
Litelantes encomendava, àqueles penitentes sinceros, que trouxessem peixes e até legumes e frutas, que na Serra Nevada não era possível cultivar, devido à fome feroz das implacáveis formigas...
Essas involucionantes criaturas devoravam, insaciáveis, flores, frutas e verduras, e certamente nada podia detê-las. Assim é a voracidade da selva. Isto o sabem muito bem os divinos e os humanos. As rondas noturnas das "tambochas", ou formigas, são certamente espantosas...
As serpes venenosas, tais como a temível Talla X e outras conhecidas desde os antigos tempos com os clássicos nomes de Cascavel, Coral e T.paná, medravam espantosas por qualquer parte, aqui, lá, acolá...
Ainda recordo um velho curandeiro da montanha, chamado João. Esse varão morava com sua esposa no mais profundo do bosque...

Qual bom samaritano do Antigo Testamento, aquele homem, com seus preciosos bálsamos, sanava os humildes montanheses mordidos pelas víboras...
Desafortunadamente, aquele senhor odiava as cobras e, implacável e vingativo, matava-as sem consideração alguma...
-Amigo João - disse-lhe um dia - você está em guerra contra as víboras e estas se preparam para se defender. Vamos ver quem ganha a batalha...
-Eu odeio as cobras...
- Melhor seria que você as amasse.
Recorde que as serpentes são clarividentes. Na aura astral dessas criaturas resplandece o zodíaco maravilhoso e sabem, por experiência direta, quem as ama de verdade e quem as aborrece...
- Eu não posso amá-las... Sinto que se me decompõe o corpo quando as vejo... Cobra que se atravesse em meu caminho, eu a mato!...

- Ó bom ancião! Doze serpentes vos morderam e, quando a décima terceira vos fira, morrereis.
Um pouco mais tarde, perto de sua cabana solitária, o velho foi mordido por uma temível cobra que, enroscada três vezes e meia, escondida o aguardava...
Cumpriu-se a minha profecia. O velho curandeiro faleceu com o arcano 13 da cabala.
Nenhum dos seus amigos pôde encontrar a venenosa serpe... O ancião médico portava sempre em sua mochila algumas plantas maravilhosas. Recordemos as cinco capitanas: capitana solabasta, capitana generala, capitana silvadora, capitana pujadora, capitana lengua de venado.
Milagrosos vegetais não classificados pela botânica e somente conhecidos na Nevada Serra, perto das tormentosas águas do Macuriba. Extraordinárias plantas, mediante as quais o velho curandeiro do bosque solitário sanava as vítimas das serpentes.
Não há dúvida de que o velho as usava terapeuticamente, de forma muito sábia, receitando-as na forma oral, como chás ou tisanas, ou na forma externa, fazendo lavar a ferida ou feridas com o cozimento de tais vegetais.
Os eremitas gnósticos da Nevada Serra jamais matavam as perigosas víboras. Eles aprenderam a amálas sinceramente...
Como conseqüência deste proceder, ganharam a confiança das temíveis serpes. Agora, tais cobras venenosas converteram-se em guardiãs do templo...
Quando estes anacoretas da montanha queriam afastar as serpentes, cantavam, cheios de fé, os seguintes mantrans: Osi... Osoa... Asi...
Cada vez que esses ermitões anelavam, de verdade, encantar magicamente as terríveis cobras, silabavam as misteriosas palavras: Osi... Osoa... Asi...
Jamais místico algum daquela montanha suprimiu a vida de alguma serpe! Esses cenobitas aprenderam a respeitar toda existência... Entretanto, há certas exceções. Tal é o caso da preciosa cobra cascavel...
CÂNCER
Em nome da verdade, quero deixar assentado neste livro o seguinte enunciado: Já foi descoberto o remédio infalível contra o temível câncer, e este se encontra na serpente cascavel!
Fórmula salvadora: Sacrifique-se o citado animal, elimine-se guizos e cabeça (estas partes não são úteis). (N.E. - Ponha-se o corpo a secar no sol ou no calor da terra). Moa-se a carne utilizável, até reduzi-la a fino pó.
Encerre-se tal substância em cápsulas vazias que se podem conseguir em qualquer farmácia.
Dose: Tomar uma cápsula a cada hora.
Observação: Continue-se o tratamento até sanar radicalmente.
Advertência: O enfermo deverá eliminar radicalmente toda medicina e limitar-se, exclusivamente, ao tratamento com a víbora.
(N.E. -Não comer carnes vermelhas. Controlar periodicamente a creatinina e a uremia).

GAVIÕES
Surgem em minha mente, nestes instantes, silvestres reminiscências, recordações da montanha, evocações selvagens... Quanto sofriam aqueles penitentes com as cruéis aves de rapina!...
Os astutos gaviões assolavam os currais, levando, nas suas garras, pintos e galinhas...
Eu vi muitas vezes esses sangüinários pássaros sobre os ramos das vizinhas árvores pousados, espreitando suas indefesas vítimas...
Tragar e ser tragado é a Lei do Eterno Trogo Auto-Eg..rático Cósmico Comum (recíproca alimentação de todos os organismos).
Inquestionavelmente, tal reciprocidade, correspondência ou mutualidade, provém, intimamente, do elemento ativo onipresente Okidanokh.

PERSEGUIÇÕES
Quão felizes morávamos em nossas cabanas do bosque solitário! Desafortunadamente vieram novas perseguições...
Profanas gentes das vizinhas aldeias se deram a tarefa, por certo não muito bela, de propagar contra nós variadas mentiras difamantes...
O mexerico das senhoras, o embuste dos cavalheiros, a conversa mole, o cochicho, a impertinência, assumiu monstruosas figuras e desatou a tempestade...
Inquestionavelmente, eu me converti no personagem central do drama, contra o qual foi lançada toda faísca, chispaço, fuzilaço...
Essa ordem de coisas foi-se então pondo, a cada dia, de mal a pior; e, por fim, surgiu por aí o acusador, o delator, o denunciante...
Alarmada, a polícia buscava-me por todos os lugares, com ordens categóricas de me aplicar a lei de fuga...
Certamente, não era eu para esses pobres gendarmes um simples boleteiro ou alvorotador do povo ao estilo de Paulo de Tarso, senão algo pior. Um bruxo do Averno, escapado de misteriosos conciliábulos, um passarolo de mau agouro, um monstro que era indispensável encarcerar ou matar...
Numa noite estrelada, achando-me em estado de êxtase, fui visitado por um Mahatma que, tomando a palavra, disse: "Vem em tua busca muita gente armada. Tu deves ir por outro caminho."
Não é demais asseverar, com grande ênfase, que eu sempre sei obedecer às ordens da Fraternidade Universal Branca...

Aproveitando o silêncio noturno, desci a montanha por um escarpado e difícil caminho. No Plano - como denominam os eremitas gnóstícos as terras costeiras - fora da serra, fui recolhido pelo Venerável Mestre Gargha Kuichines. Ele nos transportou em seu carro até uma formosa cidade.
 
O Segredo do Abismo
( Capítulo - 20 )
Excluindo da minha mente todo o possível disfarce, sem jactância alguma, humildemente confesso, francamente e sem rodeios, que, depois de haver subido pelos cinco graus das ígneas iniciações, foi-me urgente o desenvolvimento na luz com os oito graus da Iniciação Venusta.

Trabalhar na frágua acesa de Vulcano (o sexo) resulta inadiável, quando, de verdade, se quer o completo despertar da Primeira Serpente de Luz.

Escrito está, com palavras de ouro, no livro de todos os esplendores, o seguinte: "O Kundalini se desenvolve, revoluciona e ascende dentro da aura maravilhosa do Mahachohan."

Inquestionavelmente, primeiro trabalhamos com o fogo e logo com a luz. Jamais devemos confundir as serpes do fogo com as víboras da luz...

O ascenso extraordinário da Primeira Serpente de Luz para dentro e para cima, ao longo do canal medular espinhal do corpo físico, permitiu-me conhecer o segredo do abismo.

O fundamento de tal segredo encontra-se na lei da queda, tal como foi formulada por São Venoma. Eis aqui a formulação que o citado mestre deu a esta lei cósmica por ele descoberta:

"Todas as coisas que existem no mundo caem para o fundo. E o fundo, para qualquer parte do universo, é sua estabilidade mais próxima, e dita estabilidade é o lugar ou ponto sobre o qual convergem todas as linhas de força provenientes de todas as direções.
Os centros de todos os sóis e de todos os planetas de nosso universo são precisamente esses pontos de estabilidade. Não são senão os pontos inferiores dessas regiões do espaço para as quais tendem, definitivamente, as forças provenientes de todas as direções daquela parte dada do universo. Também se concentra, nestes pontos, o equilíbrio que permite aos sóis e planetas manter sua posição."

O Tigre do Turquestão, comentando, diz:

"Ao enunciar seu princípio, São Venoma disse ainda que, ao caírem as coisas no espaço, onde quer que fosse, tendiam a cair para um ou outro sol, ou para um ou outro planeta, segundo a que sol ou plane ta pertencesse aquela parte dada do espaço em que caía o objeto, constituindo cada sol ou planeta, nessa esfera determinada, a estabilidade ou fundo."

Os anteriores parágrafos, entre aspas citados, aludem claramente aos dois aspectos, externo e interno, da lei da gravidade.

O exterior é tão somente a projeção do interior. Sempre se repete, de forma tridimensional, a gravitação secreta das esferas...

O núcleo central desta massa planetária em que vivemos é, fora de toda dúvida, o lugar ou ponto matemático para onde convergem todas as linhas de força provenientes de diversas direções.

No centro de estabilidade planetária se encontram e se equilibram reciprocamente as forças involutivas e evolutivas da natureza.

Ondas de Essências iniciam sua evolução no reino mineral; prosseguem com o estado vegetal; continuam na escala animal e, por último, alcançam o nível do tipo humanóide intelectivo.


Ondas de vida descem, em seguida, involuindo, de acordo com a lei da queda, revivendo processos animais, vegetais e minerais, para o centro de gravidade terrestre. Gira a roda do Samsara. Pelo lado direito ascende Anúbis, evolucionante; e, pelo esquerdo, desce Tifão, involucionante.
A permanência dentro do estado humanóide intelectivo é algo demasiado relativo e circunstancial.
Com muita justeza nos foi dito que qualquer período humanóide consta sempre de cento e oito vidas de tipo evolutivo e involutivo, que se processam e se repetem sempre, já em espirais mais elevadas, já em espirais mais baixas.
Esclareço: A cada período humanóide racional assinalam-se sempre cento e oito existências, que guardam estrita concordância matemática com o mesmo número de contas que forma o colar do Buda.
Depois de cada época humanóide, de acordo com as leis do tempo, espaço e movimento, gira, inevitavelmente, a roda do Arcano 10 do Tarô. Então resulta palmárío e manifesto que as ondas de vida involucionante descem no reino mineral submerso para o centro de estabilidade planetária, para reascender evolutivamente um pouco mais tarde.
Qualquer novo reascenso evolutivo desde o centro de gravidade terrestre exige prévia desintegração do mim mesmo. Esta é a morte segunda.
Como a Essência está engarrafada no ego, a dissolução deste último faz-se indispensável, a fim de que aquela se libere.
No centro de estabilidade planetária se restaura a prístina pureza original de toda Essência.
Três mil vezes gira a roda do Samsara. Compreender isto, captar sua profunda significação é indispensável e inadiável, se é que realmente anelamos a liberação final.
Continuando com o presente capítulo, é necessário chamar a atenção do leitor, com o propósito de asseverar o seguinte: Concluídos os três mil períodos da grande roda, qualquer tipo de auto-realização íntima resulta impossível.
Em outras palavras, é necessário afirmar o fato iniludível de que a toda mônada se atribuem matematicamente três mil períodos para a sua auto-realização interior profunda. É indubitável que, depois da última volta da roda, as portas se fecham.
Quando este último acontece, então, a mônada, a chispa imortal, nosso Real Ser, recolhe sua Essência e seus princípios, para se absorver, definitivamente, no seio do espírito universal de vida (o supremo Parabrahatman).
Escrito está, com misteriosos caracteres de fogo no testamento da sabedoria antiga, o fato concreto, claro e definitivo de que muito poucas são as mônadas divinais, ou chispas virginais, que realmente querem a maestria.
Quando uma mônada qualquer anela certamente a maestria, é inquestionável que a consegue, trabalhando intensamente a sua Essência.
Toda Essência intimamente trabalhada do interior por sua mônada divina é muito fácil de ser reconhecida no mundo das formas densas. Esse é o caso concreto de qualquer pessoa com grandes inquietudes espirituais.
Ostensivelmente, tal tipo específico de inquietudes místicas jamais poderia existir em pessoas cuja Essência não tivesse sido trabalhada de dentro por sua correspondente mônada divinal.
Certa vez, achando-me em férias no porto de Acapulco, nas costas do Pacífico, México, tive que entrar no estado iogue de Nirvi-Kalpa-Samadhi.

Quis, então, saber algo sobre essas mônadas que, depois de haverem passado pelas três mil voltas da roda do Samsara, haviam perdido já toda oportunidade cósmica.
O que vi naquela ocasião, longe do corpo, dos afetos e da mente, foi realmente extraordinário...
Completamente submerso dentro da corrente do som, no oceano resplandecente e imaculado do supremo Parabrahatman-Atman, meti-me pelas portas de um templo inefável...
Não foi necessário interrogar, esquadrinhar e investigar. Em toda a presença de meu Ser, pude vivenciar a tremenda realidade de tais mônadas sublimes. Elas estão mais além do bem e do mal.
Pequeníssimas criaturas inocentes, centelhas da divindade sem auto-realização, seres felizes; porém, sem maestria.
Flutuavam deliciosamente aquelas nobres criaturas na brancura imaculada do grande oceano.
Entravam no templo ou saíam; oravam e se prosternavam ante os Budas, ante os Deuses santos, ante os Mahatmas.
Inquestionavelmente, tais mônadas divinas vêem os mestres da mesma forma como as formigas vêem os homens.
Os Agnisvatas, os Budas de Compaixão, os hierofante, são, para tal tipo de mônadas sem maestria, algo que não se pode entender; seres estranhos, enigmáticos, terrivelmente divinos...
Nos "sanctas" ou igrejas da vida livre em seu movimento, as citadas mônadas obedecem aos Deuses santos e os servem com infinita humildade.
O gozo daquelas mônadas é muito bem merecido, pois a Essência de cada uma delas conheceu os horrores do abismo e girou três mil vezes na roda do Samsara.
Cada uma das três mil voltas cíclicas da roda do Samsara inclui múltiplos processos evolutivos através dos reinos minerais, vegetal, animal e humanóide.
Cada uma das três mil voltas fatais da citada roda significa, de fato, pavorosas involuções descendentes até o centro de estabilidade planetária, baixando, lentamente, pelos escalões humanóide, animal, vegetal e mineral.
Especificando dados concretos, enfatizaremos o seguinte:
Três mil ascensos desde o centro de gravidade planetária.
Três mil descensos até o centro de gravidade planetária.
Três mil subidas desde a dura pedra até o animal racional.
Três mil baixadas desde o homúnculo racional até a pedra.
Três mil vezes fracassados e repetidos os ciclos de cento e oito vidas humanas.

Inquestionavelmente, aquelas mônadas divinais excluídas radicalmente da mestria, seja por intencional rechaço ou simplesmente por haverem fracassado em seus esforços para consegui-lo, sofreram o indizível no vale doloroso do Samsara e na infernal morada de Plutão (o reino mineral submerso).
Este último dado demonstra a infinita misericórdia divina e dá sentido ao estado de felicidade elemental que tais mônadas possuem no seio do espírito universal de vida.
 
O Batismo de João
( Capítulo - 21 )
O Segundo Grau da Iniciação Venusta, oitava superior da sua correspondente Iniciação do Fogo, surgiu transcendente, como resultado esotérico do ascenso milagroso da Segunda Serpente radiante de Luz, para dentro e para cima, pelo canal medular espinhal do fundo vital orgânico (Lingam Sarira).
Inusitado, mágico encontro foi, certamente, aquele que tive que manter com João no jardim das Hespérides, onde os rios de água pura de vida mamam leite e mel…
Quero referir-me, com grande solenidade, ao Batista, vivíssima reencarnação de Elias, aquele colosso que viveu nas asperezas do monte Carmelo, tendo por toda companhia a vizinhança das bestas ferozes e donde saía, como raio, para afundar e levantar reis. Criatura sobre-humana, umas vezes visível, outras invisível, a quem respeitava até a própria morte.
Ostensivelmente, o esotérico batismo divinal do Cristo João tem muito profundas raízes arcaicas. Não é demais, neste parágrafo, recordar o batismo de Rama, o Cristo iogue do Indostão.
“Quando estiveram a meia “yodjana” da ribeira meridional do Sarayu, disse docemente Visvamitra: “Rama! É conveniente que arrojes água sobre ti mesmo, conforme os nossos ritos. Vou ensinar-te nossas saudações para não perderes tempo. Primeiro, recebe estas duas ciências maravilhosas: a potência e a ultrapotência. Elas impedirão que a fadiga, a velhice, ou outro mal, nunca invada teus membros.”
Pronunciando este discurso, Visvamitra, o homem das mortificações, iniciou nas duas ciências a Rama, já purificado nas águas do rio, de pé, a cabeça inclinada e as mãos juntas.” (Isto é textual do Ramaiana e convida os bons cristãos a meditar).
O fundamento diamantino batismal inquestionavelmente se encontra no Sahaja Maithuna (magia sexual).
Plena informação sobre sexo-ioga era urgente ao candidato, antes de receber as águas batismais. Rama teve que ser previamente informado por Visvamitra antes de ser batizado. Assim conheceu a ciência da potência e da ultrapotência.
Na transmutação científica das águas espermáticas do primeiro instante, encontra-se a chave do batismo. O sacramento batismal, em si mesmo, está cheio de uma profunda significação. É de fato um compromisso sexual.
Batizar-se equivale, de fato, firmar um pacto de magia sexual. Rama soube cumprir com este terrível compromisso: Praticou o Sahaja Maithuna com sua esposa sacerdotisa.
Rama transmutou as águas seminais no vinho de luz do alquimista e, por fim, encontrou a palavra perdida, e o Kundalini floresceu em seus lábios fecundos feito Verbo. Então, pôde exclamar com todas as forças de sua alma: “O Rei morreu! Viva o Rei!”
Na presença do cristo João pôde sentir, em toda a presença do meu Ser Cósmico, a profunda significação do batismo.

Os nazarenos eram conhecidos como batistas, sabeanos e cristãos de São João. Sua crença era que o Messias não era o filho de Deus; senão simplesmente um profeta que quis seguir João.
Orígenes (Volume II, pág. 150) observa que “existem alguns que dizem de João, o Batista, que ele era o ungido (Christus).”
“Quando as concepções metafísicas dos gnósticos, que viam em Jesus o Logos e o ungido, começaram a ganhar terreno, os primitivos cristãos separaram-se dos nazarenos, os quais acusavam Jesus de perverter as doutrinas de João e de mudar por outro o batismo no Jordão” (Codex Nazaraeus II, pág. 109).
Concluirei este capítulo, enfatizando o seguinte: Quando a segunda Cobra de Luz fez contato com o
átomo do Pai, no campo magnético da raiz do nariz, resplandeceu o Cristo-Sol sobre as águas da vida e veio a cerimônia iniciática final.
Sejam as bênçãos de Amenzano, com sua inalterabilidade, por toda a eternidade. Amém!
 
A Transfiguração de Jesus
( Capítulo - 22 )
O ascenso luminoso da Terceira Serpente de Luz, para dentro e para cima, pelo brilhante canal medular espinhal do corpo sideral, deu-me franco acesso a oitava superior venusta da correspondente Iniciação do Fogo...
Não é possível escrever dentro do estreito espaço deste tratado tudo o que anteriormente aprendera em todas e em cada uma das trinta e três câmaras santas...
A revolução extraordinária da Terceira Cobra radiante processou-se muito lentamente, de acordo com os méritos do coração tranqüilo...
Quando a víbora luminosa transpôs o umbral da terceira câmara secreta do templo-coração, obviamente me senti transfigurado...
É isto, acaso, algo demasiado raro? Não sucedeu o mesmo a Moisés no monte Nebo? Inquestionavelmente, não sou o primeiro a quem isto aconteça, nem tampouco o último...
Em tais momentos de bem-aventurança, transportado fui ante a presença daquele ínclito varão de preclara inteligência e nobre face que outrora conhecera, quando eu tão somente era um terno adolescente...
Quero referir-me, francamente e sem rodeios, ao professor de aspirantes a Rosa-Cruz, citado no capítulo 5 deste mesmo tratado. Desafortunadamente, esse insigne senhor não me pôde ver nem sequer em plena transfiguração...
A emocionante e sublime cena da transfiguração de Jesus, sobre a qual, como sobre a ascensão, os que se têm por cristãos jamais meditaram o bastante, aparece descrita por Lucas (IX, 18-37) nos termos seguintes:
"E aconteceu que, estando Jesus orando, perguntou logo aos seus discípulos: "Que dizem as pessoas que sou eu?" E eles lhe responderam: "Uns dizem que és João, o Batista, (Ioagnes, Rá ou o Cordeiro de Deus); outros dizem que és Elias, e outros muitos, que em ti ressuscitou algum dos antigos profetas."
Ao que Jesus acrescentou: "E vós, quem dizeis que sou eu?" Respondendo Simão Pedro: "Tu, o Cristo de Deus és!" Ele então lhes comunicou para que não dissessem nada a ninguém acerca de tudo aquilo, dizendo-lhes: "É necessário que o Filho do Homem padeça muitas coisas e que seja desprezado pelos anciãos e pelos príncipes, pelos sacerdotes e pelos escribas, e que seja entregue à morte, e que ressuscite ao terceiro dia."
E acrescentou a todos: "Quem deseja vir após mim negue-se a si mesmo (dissolva o ego), tome dia após dia a sua cruz (pratique magia sexual) e siga-me (sacrifique-se pela humanidade).
Porque, o que quiser salvar sua alma (o egoísta que nunca se sacrifica pelos seus semelhantes) perdê-la-á; e o que por amor a mim quiser perder sua alma (o altruísta que sobe a ara do supremo sacrifício pela humanidade) esse a salvará.
Porque, que aproveita um homem granjear tudo do mundo, se se dana e se perde a si mesmo?

Pois, quem se afronta de mim e de minhas palavras, afrontar-se-á do Filho do Homem, quando vier com toda a sua majestade e a do Pai e a de seus santos anjos.
Mas, digo-vos em verdade que alguns há que não provarão a morte até que vejam, por si mesmos, o reino de Deus."
E depois desta passagem que, tomada ao pé da letra, refere-se somente a Jesus, porém, que, tomada simbolicamente ou em espírito, refere-se, com efeito, a todos os homens, como mais adiante veremos, contínua o texto com a cena da transfiguração, dizendo:
"E aconteceu, como oito dias depois destas palavras (e como se o fato, acrescentamos nós, viesse a ser uma corroboração prática e tangível delas), que, tomando Jesus a seus discípulos Pedro, Tiago e João, subiu a um monte para orar.
E, enquanto fazia o Mestre a sua oração, transformou-se e fez-se outra a figura do seu rosto e suas vestimentas tornaram-se brancas e resplandecentes.
E eis aqui que com Jesus falavam dois varões. E estes eram Moisés e Elias, que apareceram cheios de majestade e que lhe falavam de sua saída ou de Jerusalém.

Mas Pedro e seus companheiros estavam carregados de sono e, despertando, viram a glória de Jesus e dos dois varões que com ele estavam.
E quando estes se afastaram dele, disse Pedro a Jesus, não sabendo o que se dizia:
"Mestre, bom é que nós estejamos aqui. Façamos três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias."
E, enquanto Pedro dizia isto, veio uma grande nuvem que os envolveu, causando-lhes grande pânico. E da nuvem saiu uma voz que dizia: "Este é meu filho amado! A ele escutai!" E quando a voz cessou, acharam já só a Jesus. E eles calaram e a ninguém disseram coisa alguma do que haviam visto e ouvido..."
 
Jesrusalém
( Capítulo - 23 )
O extraordinário desenvolvimento, revolução e ascenso da Quarta Serpente Venusta, para dentro e para cima pelo canal medular do corpo mental, permitiu-me vivenciar todo o cru realismo evangélico da magistral entrada do Grande Kabir Jesus em Jerusalém.
Então pude verificar, por mim mesmo e de forma direta, os aspectos inferior (inferno) e superior (céu) do mundo mental.
Inquestionavelmente, essa meretriz de todas as fatalidades, ou grande rameira apocalíptica, cujo número é 666, involuciona horripilantemente nos infernos mentais...
Não sou certamente nenhum aleivoso iconoclasta, empenhado em destruir, qual vândalo intelectual, queridos ideais. Entretanto, devo confessar, sinceramente e sem rodeios, tudo aquilo que vira nessas regiões manásicas da natureza.
Icástica aparece a razão dos sem razão na região inferior da mente concreta planetária...
Aquilo que percebera com o sentido espacial nos infernos mentais já foi dito por São João no Apocalipse:
“Mercadoria de ouro e de prata, e de pedras preciosas, e de margaritas, e de linho fino, e de escarlate, e de seda, e de carmesim, e de toda madeira olorosa, e de todo vaso de marfim, e de cobre, e de ferro e de mármore.
E canela, e olores, e ungüentos, e de incenso, e de vinho, e de azeite, e flor de farinha e trigo, e de bestas, e de ovelhas, e de cavalos, e de carros, e de servos, e de almas de homens.”
Horríveis edifícios e leitos de procusto, onde fornica incessantemente a grande rameira.
Prostíbulos abomináveis, asquerosas ruas, antros de cinema onde se exibem filmes pornográficos, etc., etc., etc.
Passar mais além do corpo, dos afetos e da mente é indispensável, quando se quer a entrada triunfal na Jerusalém de cima (o céu de Mercúrio e, depois, o mundo do espírito).
Vejamos agora o capítulo 21 de Mateus (Versículos de 1 a 20).
“E como se aproximaram de Jerusalém, e vieram a Betfagé, ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: “Ide à aldeia que está diante de vós e logo achareis uma asna atada e um burrico com ela. Desatai-a e trazei-mos. E se alguém vos disser algo, dizei: O Senhor os tem mister. E logo os deixará.”
E tudo isto foi feito para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta que disse: “Dizei à filha de Sião:
Eis aqui, teu rei vem a ti, manso e sentado sobre uma asna (símbolo da mente) e sobre um burrico, filho do animal de jugo.”
E os discípulos foram e fizeram como Jesus – o Grande Kabir – e Ele se sentou sobre eles.

E a companhia, que era muito numerosa, estendia seus mantos no caminho, e outros cortavam ramos das árvores e os estendiam pelo caminho (esotérico).
E as pessoas que iam adiante (na senda do fio da navalha) e os que iam atrás (na esotérica senda)
aclamavam, dizendo: “Hosana ao filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”
E entrando Ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: “Quem é este?”
E as pessoas diziam: “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galiléia.”
E entrou Jesus no templo de Deus (o templo que cada um de nós leva dentro) e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo (os mercadores, os eus que personificam os nossos defeitos de tipo psicológico), e transtornou as mesas dos trocadores (demônios que adulteram tudo o que é bom) e os assentos dos que vendiam pombas (diabos que vendem o Terceiro Logos, que comerciam, profanando o Espírito Santo: fornicários, prostitutas, lésbicas, homossexuais).
E lhes disse: “Escrito está, minha casa, casa de oração será chamada; mas vós, covil de ladrões a haveis feito” (assim a mente de cada pessoa é guarida de perversidade).
Então vieram a Ele cegos e coxos no templo, e os sanou (pessoas incapazes de ver a verdade e sujeitos que não podiam andar no caminho).
Mas, os príncipes dos sacerdotes e os escribas (ou intelectuais), vendo as maravilhas que fazia, e os jovens aclamando no templo e dizendo: Hosana ao filho de Davi! Indignaram-se.
E lhe disseram: “Ouves o que estes dizem?” E Jesus lhes disse: “Sim! Nunca lestes: Da boca das crianças e dos que mamam, aperfeiçoaste o louvor?”
E deixando-os, saiu para fora da cidade, para Betânia e pousou ali.
E, pela manhã, voltando à cidade, teve fome.
E, vendo uma figueira perto do caminho (símbolo da força sexual), veio a ela e não achou nada nela, senão folhas somente. E lhe disse: “Nunca mais, para sempre, nasça de ti fruto.” E logo secou a figueira.
E, vendo isto, os discípulos, maravilhados, diziam: Como é que secou, em seguida, a figueira?”
Escrito está, com carvões acesos no livro dos esplendores: “Árvore que não dá fruto é cortada e lançada ao fogo.”
Quando Adão e Eva (a humanidade paradisíaca) comeram do fruto proibido, foram abertos os olhos de ambos e conheceram que estavam desnudos; então colheram folhas de figueira e fizeram aventais.
Gautama, o Buda, sentado quatro dias com suas noites em profunda meditação à sombra da figueira, alcançou a iluminação final.
No antigo Egito dos faraós, a figueira foi sempre venerada como símbolo vivo da energia criadora do Terceiro Logos.
As criaturas involucionantes dos mundos infernais certamente são figueiras estéreis que jamais deram fruto.

Sobre esta sempre verde figueira se poderia escrever uma estranha epígrafe, porque um dos detalhes mais típicos, concomitante com certas vidências astrais, é o da planta sempre verde e que gira vertiginosamente.
Um bom amigo de Jumilla me disse: “No término deste povoado existe uma gruta de bastante extensão e altura, onde cresce uma figueira que jamais perde folha nem lança fruto; e é crença geral, apoiada pelo testemunho de vários que dizem tê-lo visto, que no dia de São João, ao despontar do dia, sai desta gruta uma grande coorte militar de espectros, com cavalos de guerra ricamente ajaezados. Guerreiros que, precedidos de fantásticos estandartes, se dirigem para o sul, desaparecendo ao longe, como se evocassem algum longínquo feito histórico.” (Isto é textual da Árvore das Hespérides).
Jesus, o grande sacerdote gnóstico, disse:
“A pedra (filosofal, o sexo) que desprezaram os que edificavam (pessoas de muitas religiões), esta foi feita pela cabeça de esquina. Pelo Senhor é feito isto, e é coisa maravilhosa em nossos olhos. Portanto, digo-vos que o reino de Deus será tirado de vós e será dado a pessoas que façam os frutos dele (pessoas que sejam capazes de praticar magia sexual, dissolver o ego e sacrificar-se pelos seus semelhantes).
E o que cair sobre esta pedra (o sexo) será quebrantado, e sobre quem ela cair, esfacela-lo-á.”
Inquestionavelmente, só mediante o fogo sexual é possível incinerar todos os agregados psíquicos perversos que levamos dentro, para entrar na Jerusalém celestial, em Domingo de Ramos. (Veja-se meu livro intitulado O Mistério do Áureo Florescer).

O Monte das Oliveiras

( Capítulo - 24 )
O ascenso maravilhoso da Quinta Serpente de Luz, para dentro e para cima, pelo canal espinhal do corpo causal, deu-me, de fato, franco acesso aos mistérios iniciáticos do Quinto Grau da Sabedoria Venusta.
Se escrevesse detalhadamente tudo aquilo que então aprendera nas trinta e três câmaras santas do mundo causal, é óbvio que encheria um imenso volume.
Como homem causal, sentado com muita humildade, cruzei meus braços sobre o peito para assistir a cerimônia final...
Desafortunadamente tinha o péssimo costume de cruzar os braços de forma tal que o esquerdo ficava sobre o direito...
“Assim não deveis cruzar os braços”, disse-me um adepto do templo. E logo acrescentou: “O direito deve ir sobre o esquerdo.” Eu obedeci suas indicações.
Tendes visto sarcófagos egípcios? Os braços dos defuntos cruzados sobre o peito ilustram estas afirmações.
Qualquer crânio entre duas tíbias, ou ossos de morto, como sinal de perigo, diz o mesmo. Fazer a vontade do Pai, assim nos céus como na terra, morrer no Senhor, é o profundo significado de tal símbolo...
O Grande Kabir Jesus, no monte da Oliveiras, orou assim: “Pai meu, se é possível, afasta de mim este cálice; mas não se faça a minha vontade, senão a tua”.
E, estando em agonia, orava mais intensamente. E foi seu suor como grandes gotas de sangue que caíam até a terra. E, quando se levantou da oração e veio a seus discípulos, achou-os dormindo de tristeza (com a Consciência adormecida).
E lhes disse: “Por que dormis? (Por que tendes a Consciência adormecida?) Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.” (Porque os adormecidos é claro que caem em tentação).
Em verdade, em verdade vos digo que vossa Consciência deve permanecer sempre alerta e vigilante como o vigia em época de guerra.
Escrito está: Antes que o galo (o Verbo) cante (ou se encarne em nós), negar-me-ás três vezes.”
Quando o hierofante Patar, ou Pedro, se esqueceu de si mesmo, negou o Cristo Íntimo três vezes.
Pedro, Petra ou Pedra, era o próprio hierofante, ou o intérprete, em fenício; e daqui a famosa frase evangélica: “Tu és Pedro, e sobre esta Pedra edificarei minha Igreja” (Nosso templo interior).
Bunsen, em seu “Lugar del Egipto en la Historia Universal” (volume 5, página 90), comenta, por sua vez, a inscrição encontrada no sarcófago de uma grande rainha da décima primeira dinastia (2.250 anos antes de J.C.) e que só é transcrição do Livro dos Mortos (4.500 anos antes de J.C.), interpretado hieróglifos de Peter, patar, Revelação, Iniciação, etc., etc., etc.

De modo algum se equivocaram jamais os velhos alquimistas medievais, quando descobriram a “petera” iniciática em nossos órgãos sexuais...
Inquestionavelmente, derramar o vaso de Hermes, prostituir a pedra da verdade, equivale a negar o Cristo...
Do todo incognoscível, ou zero radical, emana, ao começar uma manifestação ou universo, a mônada pitagórica, o Verbo, o Arquimago, ou hierofante, o Uno-Único, o Aunad-Ad budista, o Ain Soph, En Soph, ou Pneuma-Eikon caldaico, o Ruach Elohim ou Divino Espírito do Senhor, flutuando sobre as águas genesíacas, o Existente por si mesmo, Anupadaka ou Manu-Swayambu-Narayana ário.
Esta, a mônada particular de cada um de nós, transforma-se na dúada mais excelsa: nossa Divina Mãe Kundalini particular, individual...
Ele e Ela constituem realmente o Pai-Mãe gnóstico, o Zeru-Ana persa; o Protogonos Dual, ou Adam-Kadmon; o Theos-Chaos da teogonia de Hesíodo; o Ur-Anas, ou fogo e água, caldeu; o Osíris-Ísis egípcio; o Jah-Hovah, Jehovah ou Iod-Heve semita, etc., etc., etc.
Roma, ao inverso, é amor. O sacramento da igreja do amor, ou Roma, é o Sahaja Maithuna (magia sexual).
Devemos aprender a cumprir com este santo sacramento, vibrando no tom com o divino casal.
Ele se deve converter na viva expressão do iod hebraico; ela deve ser viva manifestação de Heve.
O Adam-Kadmon cabalista, o Rha-Sephira, ou eterno masculino-feminino, conciliando-se em perfeita harmonia, acima e abaixo, no infinitamente grande e no infinitamente pequeno, constituem a nota culminante do monte da Oliveiras.

A Bela Helena

( Capítulo - 25 )
O ascenso sublime e maravilhoso da Sexta Serpente radiante, para dentro e para cima, ao longo do canal espinhal do corpo búdico, deu-me, de fato e por direito próprio, passagem franca para a sexta Iniciação Venusta...
No mundo búdhico, ou intuicional universal, tive que vivenciar, por aquela época, alguns capítulos transcendentais do evangelho crístico...
Quero me referir agora, com suma delicadeza, a certas passagens miríficas secretas, intencionalmente eliminadas do texto original pelos escribas e doutores da lei...
É certamente deplorável que a Santa Bíblia hebraica tenha sido tão cruelmente mutilada, adulterada, deformada...
O que então experimentei na cósmica região intuicional guarda múltiplas concordâncias rítmicas perfeitas com os diversos processos esotéricos iniciáticos que nós devemos vivenciar aqui e agora...
Extraordinárias cenas relacionadas com os outros planetas do sistema solar de Ors, no qual vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser.
Quando a Sexta Víbora de Luz resplandece transpôs o umbral augusto de sua correspondente câmara no coração tranqüilo, gloriosamente brilhou o sol da meia-noite no inalterável infinito...
Eu entrei no templo da Iniciação, acompanhado por muita gente. Cada um dos do cortejo portávamos em nossa destra uma vela, círio ou tocha ardente...
Nesses instantes, eu me senti vivenciando aqueles versículos esotéricos, crísticos que ao pé da letra dizem:
“ E logo, ainda falando ele, veio Judas, que era um dos doze, e com ele uma companhia com espadas e paus, da parte dos príncipes dos sacerdotes (ou homens constituídos por autoridade mundana), e dos escribas (ou seja, dos tidos por sábios no mundo), e dos anciãos (os tidos, no mundo, por prudentes, sensatos e discretos).
E como veio Judas (o demônio do desejo), aproximou-se logo dele e lhe disse: “Mestre!” E o beijou. Então eles lançaram sobre ele suas mãos e o prenderam.”
Embriagado de êxtase, exclamei: “Eu sou o Cristo!” Uma dama-adepto me admoestou, dizendo: “Cuidado, não digas isso! É falta de respeito!”
“Nestes momentos o estou representado”, repliquei. A dama sagrada guardou, então, um respeitoso silêncio.
O drama cósmico dentro do templo das paredes transparentes teve certo sabor majestático muito grave, terrivelmente divino...
Convertido no personagem central, tive que experimentar, em mim mesmo, as seguintes passagens evangélicas:

“ E trouxeram Jesus ao sumo sacerdote Caifás (o demônio da má vontade), e se juntaram a ele todos os príncipes dos sacerdotes (as autoridades oficiais deste mundo), e os anciãos (as pessoas muito respeitáveis e cheias de experiência), e os escribas (os intelectuais). E os príncipes dos sacerdotes e todo o concílio buscavam testemunho contra Jesus (o interno salvador), para entregá-lo à morte; mas, não o achavam. Porque muitos diziam falso testemunho contra Ele, mas seus testemunhos não concordavam.
Então, levantando-se uns, deram falso testemunho contra Ele, dizendo: “Nós o ouvimos dizer: “Eu derrubei este templo que é feito por mão (referindo-se ao corpo animal) e em três dias edificarei outro feito sem mão (o corpo espiritual, o To Soma Heliakon).” Mas nem ainda assim concertava o testemunho deles.
Então, o sumo sacerdote (com sua má vontade), levantando-se no meio, perguntou a Jesus, dizendo:
“Não respondes algo? Que testemunham estes contra ti?” Mas ele calava e nada respondia (o silêncio é a eloqüência da sabedoria).
O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar e lhe disse: “És tu o Cristo, o filho de Deus?” (o Segundo Logos). E Jesus lhe disse: “Eu Sou! (Ele é), e vereis o Filho do Homem (a todo verdadeiro cristificado ou osirificado) sentado à direita da potência de Deus (o Primeiro Logos) e vindo nas nuvens do céu.”
Então, o sumo sacerdote (o demônio da má vontade) rasgou suas vestimentas e disse: “Que mais temos necessidade de testemunhos? Ouvistes a blasfêmia! Que vos parece?” E eles todos o condenaram a ser culpado de morte. E alguns começaram a cuspir nele, e cobrir seu rosto, e dar-lhe bofetadas, e dizer-lhe: “Profetiza! E os servidores o feriam com bofetadas.
E, logo pela manhã, havendo tido conselho, os príncipes dos sacerdotes, com os anciãos e com os escribas, e com todo o concílio, levaram Jesus atado e o entregaram a Pilatos.
E Pilatos (o demônio da mente) perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?” E respondendo Ele, disse-lhe: “Tu o disseste!”
E os príncipes dos sacerdotes (as autoridades deste mundo) o acusavam muito.
E lhe perguntou outra vez a Pilatos, dizendo: “Não respondes algo? Olha de quantas coisas te acusam” (ao Cristo Interno o acusam todas as pessoas, até aquelas que se dizem seus seguidores).
Mas Jesus (o Cristo Íntimo) nem sabia com isso respondeu. (Repito: O silêncio é a eloqüência da sabedoria). Pilatos (o demônio da mente) se maravilhava.
Entretanto, no dia da festa lhes soltavam um preso, qualquer um que pedissem. E havia um que se chamava Barrabás (o demônio da perversidade que cada um leva dentro), preso com seus companheiros de motim, que haviam cometido morte numa revolta (porque o ego é sempre homicida e malvado). E, visto a multidão, começou a pedir que se fizesse como sempre lhes havia feito.
E Pilatos lhes respondeu, dizendo: “Quereis que vos solte o rei dos judeus?” Porque sabia que, por inveja, o haviam entregue os príncipes dos sacerdotes (as autoridades de todo tipo). Mas, os príncipes dos sacerdotes incitaram a multidão para que lhes soltasse antes Barrabás (as autoridades de todo tipo defendem o ego. Elas dizem: primeiro eu, segundo eu, terceiro eu).
E, respondendo Pilatos, lhes diz outra vez: “Que, pois, quereis que faça daquele que chamais de rei dos judeus?” E eles voltaram a dar vozes: “Crucifica-o!” (Crucifica! Crucifica! Crucifica!).
Do “sancta” inefável saí extático, depois de haver experimentado, de forma direta, o tremendo realismo íntimo de todos estes versículos parágrafos acima citados.

Revestido com uma nova túnica de glória, vestimenta talar esplendorosa, saí da grande catedral da alma...
Quão ditoso me senti ao contemplar, dali, o amplo panorama! Então vi o fluir e o refluir de todas as coisas...
Buddhi é como um vaso de alabastro fino e transparente, dentro do qual arde a chama de Prajna...
Atman, o Ser, tem duas almas. A primeira é a alma espiritual e é feminina (Buddhi). A segunda é a alma humana e é masculina (Manas superior).
O animal intelectual, equivocadamente chamado homem, só tem encarnada, dentro de si, a Essência.
Ostensivelmente, esta última é o Buddhata, uma mínima fração da alma humana, o material psíquico com o qual se pode e se deve fabricar o embrião áureo. (veja-se O Mistério do Áureo Florescer).
A fonte e base da alta magia se encontra no desponsório perfeito de Buddhi-Manas, já nas regiões puramente espirituais, ou no mundo terrestre.
Helena significa claramente os esponsais de Nous (Atman-Buddhi) com Mansas (a alma humana, ou casal), a união mediante a qual se identificam Consciência e Vontade, ficando, por tal motivo, dotadas ambas as almas com divinais poderes...
A essência de Atman, do primordial, eterno e universal fogo divinal, encontra-se contida dentro de Buddhi, que, em plena conjunção com Mansas causal (alma humana), determinam o masculino-feminino.
A bela Helena de Tróia é a mesma Helena do Fausto de Goethe, Shakti, ou potência feminina do Ser Interno...
Ele e Ela, Buddhi-Manas, são as almas gêmeas dentro de nós mesmos (embora o animal intelectual ainda não as tenha encarnadas), as duas filhas adoráveis de Atman (o Íntimo), o esposo e a Esposa eternamente enamorados...
Tal amor tem infinitas correlações, seja nos pares conjugados dos sóis duplos do céu e no da Terra com a Lua; seja no anfiáster protoplasmático das células determinantes, como é sabido, do misterioso fenônemo da cariocinese ou duplicação morfológica da célula una; seja no universal simbolismo das epopéias e de toda a restante literatura, onde o amor ideal entre dois seres se sexo oposto constitui a “alma mater” da produção literária.
Inquestionavelmente, o Sahaja Maithuna, como sacramento da igreja de Roma, repete-se com os gêmeos no acassa Tattwa e continua glorioso com Osíris-Ísis na região de Anupadaka.
Esclareço: Quando citamos a igreja de Roma, coloque-se as letras ao universo e leia-se assim: Amor.
Obviamente, o sexo é a igreja do amor.
A teoria das almas gêmeas não implica em perigo algum quando captamos seu profundo significado. O coito químico, a cópula metafísica, resplandece gloriosamente no zênite do ideal, sem a mais leve sombra de impureza...
O legítimo enamoramento nunca está separado do sexo. O ato sexual é, certamente, a consubstancialização do amor no realismo psicofisiológico de nossa natureza.
O desponsório Buddhi-Manas só é possível mediante o coito químico. O desfrute sexual é um direito legítimo do homem. Renato cometeu o grave erro de afirmar, de forma enfática, que a Helena de Simão, o Mago, era uma formosa mulher de carne e osso, a quem o citado mago havia encontrado num lupanar de Tiro e que, segundo opinam seus biógrafos, era a reencarnação da Helena grega.

Tal conceito não resiste a uma análise profunda. Os colégios iniciáticos autênticos ensinam, com inteira clareza, que a bela Helena é Buddhi, a alma espiritual da Sexta Iniciação Venusta, a Shakti potencial feminina.
 
O Acontecimento do Gólgota
( Capítulo - 26 )
O radiante ascenso da Sétima Serpente Venusta, para dentro e para cima, pelo canal espiritual medular espinhal do veículo divinal (Atman), permitiu-me vivenciar o acontecimento do Gólgota...
Inquestionavelmente, necessito confessar, francamente e sem rodeios, o fato concreto, claro e definitivo de que me vi convertido no personagem central do drama cósmico.
Experimentar, em si mesmo, o evento cósmico do Calvário, com todo o cru realismo transcendental do mundo do espírito divino (Atman), resulta, certamente, extraordinário.
Não sou o primeiro a vivenciar o acontecimento do monte das Caveiras; tampouco serei o último... E me vi a mim mesmo, depois da crucificação, estendido como um cadáver sobre o limo da terra.
Então, a Shakti potencial, a divina esposa de Shiva, minha perfeita Mãe Kundalíni, prosternada com infinita humildade, me adorava...
Ó Mãe minha! Exclamei. Tu és minha Mãe! Eu sou quem deve ajoelhar-se diante de ti! Não é possível que tu te curves diante de mim! Eu não mereço isso! Sou um vil gusano do lodo da terra, um pecador, um indigno!...
Entretanto, é evidente que em tais instantes do drama cósmico, eu representava o "Christus", Vishnu, o Segundo Logos, o Filho...
Nos momentos em que escrevo estas linhas, vem-me à memória aquela oração inefável de Dante Alighieri que textualmente diz:
“Virgem Mãe, Filha de teu Filho, a mais humilde e ao mesmo tempo a mais alta de todas as criaturas, limite fixo da vontade eterna, tu és a que enobreceste de tal sorte a humana natureza que teu criador não desdenhou de converter-se em sua própria obra.
Em teu seio se inflamou o amor, cujo calor fez germinar esta flor na paz eterna. És aqui, para nós, meridiano sol de caridade e embaixo, para os mortais, vivo manancial de esperança.
És tão grande, Senhora, e tanto vales, que todo aquele que deseja alguma graça, e não recorre a ti, quer que seu desejo voe sem asas.
Tua benignidade não só socorre ao que te implora, senão que muitas vezes também se antecipa espontaneamente à súplica. Em ti se reúne a misericórdia, a piedade, a magnificência e tudo quanto de bom existe na criatura (inquestionavelmente, cada ser tem sua Divina Mãe Kundalini original, particular, individual).
Este, pois, que, desde a mais profunda lacuna do universo até aqui, viu, uma a uma, todas as existências espirituais, te suplica lhe concedas a graça de adquirir tal virtude que se possa elevar, com os olhos, até a saúde suprema.
E eu, que nunca desejei ver mais do que desejo que ele veja, dirijo-te todos os meus rogos e te suplico que não sejam vãos, a fim de que dissipes, com os teus, todas as névoas procedentes de sua condição, de sorte que possa contemplar abertamente o sumo prazer.

Rogo-te ainda, ó Rainha, que podes quanto queres, que conserves puros teus afetos depois de tanto ver que tua custódia triunfe sobre os impulsos das paixões humanas."
Até aqui esta sublime prece dantesca. Continuemos, agora, com o te capítulo. Estudemos alguns versículos crísticos...
“Os soldados do presidente levaram Jesus ao Pretório e juntaram a ele toda a quadrilha.
E, desnudando-o, lançaram-lhe em cima um manto de grã. (A pedra filosofal primeiro é negra, depois branca e, por último, vermelha).
E puseram sobre sua cabeça uma coroa de tecida de espinhos (clássico diadema doloroso em todo astral cristificado) e uma cana em sua mão direita (como a vara de Aarão ou o bastão dos patriarcas, vivo símbolo da espinha dorsal); e, dobrando os joelhos diante dele, burlavam, dizendo: "Salve, rei dos judeus!"
E depois que o escarneceram (porque assim é este caminho do sexo), desnudaram-lhe o manto (porque eles, os tenebrosos, jamais querem que o iniciado vista a púrpura de seu Logói íntimo) e o vestiram com suas vestiduras e o levaram para crucificá-lo.
E, saindo, acharam um cirineu que se chamava Simão. A este encarregaram para que levasse sua cruz (o guru sempre aparece no caminho para nos ajudar).
E como chegaram ao lugar que se chama Gólgota, que é dito o lugar da caveira (sinônimo da morte).
Deram-lhe de beber vinagre com fel; e, provando-o, não o quis beber (é evidente que a senda do fio da navalha é muito amarga).
E depois de o haverem crucificado (com cruz sexual, porque o falo embutido dentro do útero forma tal signo sacratíssimo), repartiram suas vestes, lançando sortes (clara alusão à eliminação das humanas posses). E, sentados, o guardavam ali. E puseram sobre sua cabeça sua causa escrita: INRI -Ignis Natura Renovatur Integram (O fogo renova incessantemente a natureza).
Então crucificaram com Ele dois ladrões. Um à direita e outro à esquerda. (Bom ladrão: O divino poder secreto que, para a cristificação, rouba a energia sexual. Mau ladrão: O inimigo secreto que, para o mal, saqueia o depósito do hidrogênio sexual Si-12).
E os que passavam (os profanos e profanadores de sempre) diziam-lhe injúrias, meneando suas cabeças. E dizendo: "Tu, o que derrubas o templo e em três dias o reedificas, (tu que aniquilas o Adão de pecado para que nasça o Adão celestial), salva-te a ti mesmo. Se és filho de Deus, desce da cruz." (Porque aos tenebrosos não nos agrada a inserção do madeiro atravessado que forma teus dois braços, como duas mãos ingentes que se estendem para afugentar as forças sinistras e os poderes inferiores).
Desta maneira também os príncipes dos sacerdotes (as autoridades), escarnecendo com os escribas (ou intelectuais), e os fariseus (que sempre se presumem de virtuosos e santos) e os anciãos (pessoas muito respeitáveis do mundo), diziam: "A outros salvou. A si mesmo não pode salvar. Se é o rei de Israel, desça agora da cruz (que abandone a senda do fio da navalha e o Sahaja Maithuna) e creremos nele.
Confiou em Deus; livre-o agora, se o quer, porque disse: Sou filho de Deus" e cristificou e, portanto, se fez filho do Eterno. Nós filhos do diabo somos, porque somos fruto de fornicação).
E desde a hora sexta (tentação) houve trevas sobre toda a Terra até a hora nona (nona esfera).
Somando-se, cabalisticamente, temos 9 mais 6 igual a 15. Este é o arcano do Tifão Bafometo: o Diabo.
Tal valor esotérico corresponde à constelação da Baleia, sob cuja influência cósmica se desenvolve o iniciado até conseguir a ressurreição ( Recordemos o sinal de Jonas).
E, perto da hora nona, Jesus exclamou com grande voz, dizendo: “ Eli! Eli! Eli! Lama Sabachtani!" Isto é: Deus meu, por que me abandonaste? (Ostensivelmente, antes da ressurreição todo iniciado sente se realmente abandonado). E alguns dos que estavam ali, ouvindo-o, diziam: "A Elias chama este."
(Helias, Eliú, Elias, Hélio, o Sol Cristo, o Logói Íntimo, é nossa suprema aspiração).
E logo, correndo um deles, tomou uma esponja e a embebeu de vinagre, e, pondo-a em uma cana (símbolo da espinha dorsal), dava-lhe de beber (como dizendo: O trabalho com os fogos sexuais espinhais é amargo que o fel).
Mas Jesus, havendo outra vez exclamado com grande voz, deu o espírito. (Assim é como os iniciados morremos em nós mesmos, com morte de cruz). (Veja-se meu livro intitulado O Mistério do Áureo Flor).
E eis aqui o véu do templo (o famoso véu de Ísis, o véu sexual adâmico, produto do pecado original) rompeu-se em dois (devido à morte suprema do ego), e a terra tremeu, e as pedras (da senda do fio da navalha) se fenderam.
 
O Santo Sepulcro
( Capítulo - 27 )
Escrito está, com caracteres de fogo, no livro dos esplendores, que, quando Jesus, o grande sacerdote gnóstico, exalou seu póstero alento, a terra filosófica, sua muito humana pessoa, tremeu ao compreender a difícil tarefa que o destino lhe tinha reservado, e as pedras da senda do fio da navalha se fenderam, tornando-se o caminho ainda mais difícil. (Isto só o compreendem integralmente aqueles mestres que, depois de morrerem em si mesmos, preparam-se para a ressurreição).
Mercúrio, como planeta astrológico, é muito mais misterioso que o próprio Vênus e idêntico ao Mitra mazdeísta, o Buda, o gênio ou deus estabelecido entre o Sol e a Lua, o companheiro perpétuo do sol da sabedoria.
Pausânias, em seu livro V, no-lo mostra, tendo um altar em comum com Júpiter. Ostentava asas para expressar que assistia ao Sol sem seu curso e era chamado o núncio e o lobo do Sol: “Solaris luminis particeps”. Era o chefe e o evocador das almas, o arquimago e o hierofante.
Virgílio o descreve, tomando seu caduceu, ou martelo, para chamar de novo à vida as infelizes almas precipitadas no Orco ou Limbo: “Tum virgam capit, hac animas ille evocat Orco”, com o são propósito de fazê-las ingressar na milícia celeste.
Depois destas explicações se fazem claros os seguintes versículos (explicados).
“E abriram-se os sepulcros e muitos corpos de santos que haviam dormido no Orco, se levantaram. E, saídos dos sepulcros (depois se sua ressurreição esotérica), vieram à santa cidade (à Jerusalém de cima) e apareceram a muitos.”
Inquestionavelmente, muitos santos quiseram se auto-realizar intimamente sem o santo sacramento da igreja do amor (o Sahaja Maithuna).
Essas desditosas almas caem sempre no Orco, ou Limbo da ignorância, da trevas e da dor... Só morrendo em si mesmo, com morte de cruz, símbolo este completamente sexual, é possível, então, a ressurreição...
Se o gérmem não morre, a planta não nasce. A senda da vida é formada com as pegadas dos cascos do cavalo da morte.
Mercúrio, é o áureo planeta, o inefável, a quem os hierofantes proibiam nomear, e é simbolizado, na mitologia grega, pelos famosos lebréus, ou cães guardadores do gado celeste que abebera nas puríssimas fontes da sabedoria oculta...
Mercúrio é também Hermes-Anúbis, o bom inspirador ou Agathodaemon. Como ave de Argos, vela sobre a Terra. Há quem o tome equivocadamente pelo próprio Sol, sendo ambos, respectivamente, o Sarama e Sarameya hindus.
O imperador Juliano orava todas as noites ao sol oculto pela intercessão de Mercúrio; pois, como diz Vossius: “Todos os teólogos asseguram que Mercúrio e o Sol são um... Por isso era considerado como o mais eloqüente e sábio dos deuses, o que não é de se estranhar, pois que Mercúrio se acha tão perto da sabedoria e da palavra (O Logos) que com ambos foi confundido...”

Mercúrio é o Terceiro Logos, Shiva, o Espírito Santo, o primogênito da criação, nossa mônada autêntica, particular, individual...
Ó deuses santos! Quão triste seria a sorte dos santos no Limbo, se Mercúrio os abandonasse...
Mercúrio, Shiva, grande hierofante, núncio e lobo do Cristo Íntimo, suprema esperança daqueles que dormem no santo sepulcro...
Eu reconheci o fálico sinal na barca de Rá, ao passar pela Oitava Iniciação Venusta. Então clamei com grande voz, dizendo: “Quando soe a primeira trombeta, ressuscitarei dentre os mortos!”
“Salve, ó grande divindade que navegas em tua barca! Transportado até aqui, ante ti apareço!”
“Deixa-me subir à ponte de mando e dirigir a manobra da barca, como fazem teus servidores, os arcontes dos planetas.”
Litelantes, afligiu-se um pouco ao contemplar meu santo sepulcro. “Não temais, disse-lhe um mahatma, o corpo físico dele ainda não morrerá”. Estas palavras a tranquilizaram integralmente.
Naquela longínqua época de minha presente existência nem sequer tinha morrido em mim mesmo; continuava com o ego bem vivo. O sepulcro era então meramente simbólico, como o ataúde de toda loja maçônica...
Compreendia, sim, de forma íntegra, o simbolismo sepulcral. Sabia que devia morrer em mim mesmo, para ter direito à ressurreição de Hiram Abif, o mestre secreto, dentro do meu templo-coração...
Conclui aquela iniciação com instruções precisas, relacionadas com a missão que atualmente estou cumprindo no mundo...

Serenidade e Paciência

( Capítulo - 28 )
É ostensível que nós, os irmãos do templo dos duas vezes nascidos, havíamos eliminado da nossa psique variados elementos subjetivos, infra-humanos. Entretanto, depois de haver passado pelas oito iniciações, anelávamos, com todas as forças da alma, ingressar nos esotéricos trabalhos mágicos da Montanha da Ressurreição.

Foi-nos dito, no templo, que devíamos aguardar, com infinita paciência, o abade do monastério. Mas, é evidente que as horas transcorriam longas e aborrecedoras, com uma monotonia insuportável. O venerável não parecia, certamente, ter pressa alguma.

Alguns desses veteranos da Primeira Montanha se moviam por toda parte, por aqui, lá, acolá, protestando, impacientes, pela singular demora do superior.
Há casos que surpreendem na vida e um destes foi a assombrosa entrada do abade no templo. Todos os irmãos da ordem sagrada ficamos estupefatos, pois alguns dos nossos já haviam perdido a esperança de ver o mestre.

Frente à sacra confraria falou o venerável, dizendo: “Aos senhores, irmãos, fazem-lhe falta duas virtudes que este irmão tem.” Isto disse ao mesmo tempo que me apontava com o dedo indicador.
Posteriormente, de forma dose e imperativa ao mesmo tempo, ordenou-me assim:

-Diga-lhes o senhor, irmão, quais são essas duas virtudes.

-Temos que saber ser pacientes! Temos que saber ser serenos! Exclamei com voz pausada e clara...

-Já vêem? Convenceram? Prorrompeu o abade com grande solenidade. Todos os adeptos, espantados e maravilhados ao mesmo tempo, optaram por guardar um respeitoso silêncio.

Inquestionavelmente, todos os membros da congregação, com exceção minha, tiveram então que ser afastados, pois só a minha insignificante pessoa, que nada vale, saiu vitoriosa na difícil prova.

O austero hierofante obsequiou-me, em seguida, uma formosa laranja. Eu captei, de imediato, sua profunda significação...

Muito mais tarde, no tempo, tive que comparecer ante a irmandade de outro monastério da Fraternidade Universal Branca com o propósito definido de receber instruções e firmar documentos...

Então me preveniram com as seguintes palavras: “Deves cuidar-te muito bem do frio lunar.”
Voltar à frágua acesa de Vulcano, depois de um longo recesso, me foi urgente.

Inquestionavelmente, entre montanha e montanha existem sempre longos períodos de abstenção sexual.
 
Os Nove Graus de Maestria
( Capítulo - 29 )
Capturar, apreender, captar de forma íntegra, unitotal, a profunda significação dos nove mestres que foram em busca de Hiram e de seus assassinos é urgente, inadiável.
Inquestionavelmente, nenhum dos nove mestres foi pelas regiões do Norte; senão que, inteligentemente ordenados em três grupos de três, repartiram-se respectivamente para o Oriente, o Sul e o Ocidente.
Ostensivelmente foram estes últimos os que conseguiram descobrir a tumba e os assassinos.

Esta simbólica peregrinação esotérica dos nove mestres refere-se, especificamente, em conseqüência, à peregrinação individual que todo iniciado tem que efetuar na Segunda Montanha, passando por nove etapas ou graus sucessivos, totalmente enumerados e definidos nas nove esferas:

Lua, Mercúrio, Sol, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, e Netuno.
Podemos e até devemos emitir o seguinte enunciado: Somente mediante estas romarias íntimas, de esfera em esfera, estaremos em condições de vivificar e fazer ressurgir, em e dentro de cada um de nós, o mestre secreto, Hiram, Shiva, o esposo de nossa Divina Mãe Kundalini, o Arquimago, a mônada particular, individual, nosso Ser Real...
Uma coisa é ser mestre e outra, por certo muito diferente, alcançar a perfeição na maestria.
Qualquer esoterista que fabrique na forja dos Cíclopes o Tom Soma Heliakon, o traje de bodas da alma, por tal motivo se converte em Homem e, por conseguinte, em um mestre. Entretanto perfeição na maestria é algo muito distinto.
O número nove, aplicado à retórica, nos põe em íntima relação mística com as nove musas eternas.
Não é demais, neste capítulo, citar cada uma destas deidades inefáveis do classicismo antigo:
1- Clio
2- Érato
3- Melpômene
4- Calíope
5- Euterpe
6- Tália
7- Urânia
8- Polímnia
9- Terpsícore

Vivências é algo muito importante, a fim de que nossos muito amados leitores possam compreender melhor a doutrina...
Escutai-me: Certa noite, não importa agora a data, nem o dia, nem a hora, esplendidamente ataviado com o traje de bodas da alma, saí à vontade do corpo físico...

Experimentando em toda a presença de meu Ser cósmico certa deliciosa voluptuasidade espiritual, flutuei com inteira suavidade na aura do universo.
Em suprema bem-aventurança tive que pousar meus pés, como se fosse uma ave celestial, sobre o limo da terra, sob a verde folhagem de uma árvore taciturna...

Em boa hora clamei, então, com grande voz, invocando os adeptos da Fraternidade Oculta...
Inquestionavelmente fui assistido...
Os irmãos me conduziram amavelmente até o templo maravilhoso das paredes transparentes...
O Mahatma permanecia sentado ante sua escrivaninha como se estivesse atendendo a muitas pessoas...

-Quero saber – disse – o que é que me faz falta...
O venerável, tirando dentre uma das gavetas da escrivaninha certo livro secreto, consultou suas páginas e logo respondeu:
- Ao senhor lhe fazem falta cinqüenta e oito (58) minutos. Tem que apresentar aqui trinta e seis (36) bolívares de vinte e três (23) quilos cada um. E as oito (8) iniciações recebidas devem ser qualificadas. - Obrigado, venerável mestre! Posteriormente me retirei do templo com infinita humildade e veneração.
Análise cabalística desta questão:
58 minutos: 5 mais 8 igual a 13. Este arcano significa a morte de todos os elementos subjetivos que constituem o eu.
36 bolívares: 3 mais 6 igual a 9. Romper cadeias e grilhões nos mundos submersos dos nove planetas citados neste capítulo...Trabalho muito intenso na frágua acesa de Vulcano...
23 quilos: 2 mais 3 igual a 5. Os trabalhos de liberação deverão ser perfeitos, sob os esplendores da flamígera estrela de cinco pontas... (Não é demais recordar, oportunamente, o Rishi Baha-Deva e seus 23 profetas).
Qualificação: Antes da ressurreição autêntica, cada uma das oito iniciações deve ser qualificada. Isto se processa em oito anos, durante os quais temos que experimentar o livro do patriarca Jó em todo o seu cru realismo.
Enfatizamos solenemente o seguinte enunciado: “Jamais se poderiam qualificar as oito iniciações num tempo menor ao já indicado de oito anos...”
Obviamente, a cada uma das oito corresponde um ano. Como corolário, resultam oito anos para as oito iniciações...
Esclareço: O já mencionado tempo exclusivamente corresponde ao epílogo de toda uma série mística de profundos trabalhos esotéricos, realizados em todos e cada um dos nove planetas antes citados.

Indubitavelmente, tais trabalhos processam-se em tempos diferentes e soem, na verdade, ser demasiado delicados.
É ostensível que todo aquele que ingressa na Segunda Montanha não recebe, por tal motivo, mais graus nem iniciações. A perfeição na maestria somente advém com a ressurreição esotérica transcendental...
A plena manifestação da mônada dentro do Mestre Ressurrecto confere-lhe extraordinários poderes mágicos...
O Patriarca Enoque
( Capítulo - 31 )
O símbolo do tempo, ao qual o anel de bronze faz também enfática referência, conduz ciclicamente o Arhat gnóstico até aquela antiga época patriarcal, denominada também idade de bronze ou Dvapara Yuga, que indubitavelmente precedeu esta nossa atual idade de ferro ou Kali Yuga...
Os melhores tratadistas do ocultismo afirmaram sempre que entre estas duas idades aconteceu a segunda catástrofe transapalniana, que modificou totalmente a fisionomia geológica do planeta Terra.
O sétimo, entre os dez sublimes patriarcas antediluvianos, é, fora de qualquer suposição, totalmente diferente dos seis que, no curso dos séculos, o precederam, (Adão, Set, Enos, Cainã, Maladel, Jared), assim como dos três que o sucederam (Matusalém, Lameque, Noé).
Entretanto, é claro que o que mais nos assombra em tudo isto é o sagrado nome de Enoque que, traduzido, significa: iniciado, dedicado, consagrado, mestre.
O Gênese hebraico (V.24) assevera, de forma muito solene, que Enoque não morreu fisicamente, em realidade, senão que “caminhou com Deus e desapareceu, porque o levou Deus”.
Antiqüíssimas tradições esotéricas que se perdem na noite dos séculos dizem claramente que, estando Enoque sobre cume majestoso do monte Mória, teve um Shamadi clarividente em que sua Consciência objetiva iluminada foi arrebatada e levada aos nove céus citados por Dante em sua Divina Comédia, e no último dos quais – no de Netuno – encontrou o patriarca a palavra perdida (seu próprio Verbo, sua mônada particular, individual).
Posteriormente quis este grande hierofante expressar esta visão numa lembrança permanente e imperecedora...
Assim dispôs, categoricamente e com grande sabedoria, que se fizesse, debaixo desse mesmo lugar bendito, um templo secreto e subterrâneo, compreendendo nove abóbadas, sucessivamente dispostas uma debaixo da outra, nas vivas entranhas do monte...
Seu filho Matusalém foi certamente o arquiteto encarregado material de tão extraordinário “sancta”...
Não se menciona o conteúdo e destino específico, definido, de cada uma destas abóbadas, ou grutas mágicas, em comunicação uma com a outra, mediante uma escada espiralóide...
A última destas cavernas é, não obstante, a que absorve toda a importância oculta. De maneira que as anteriores tão só constituem a via secreta indispensável, mediante a qual se chega a esta, no mais profundo da montanha...
É, esta última, o local, ou “sancta”, mais íntimo, em que o patriarca Enoque depositou seu mais tesouro esotérico...
O Velocino de Ouro dos antigos, o tesouro inefável e imperecedor que buscamos, não se encontra nunca, pois, na superfície, senão que temos que escavar, cavar, buscar nas estranhas da terra, até encontrá-lo...

Descendo valorosamente às estranhas ou infernos do monte da Revelação, encontra o iniciado o místico tesouro – sua mônada divina – que para ele se conserva através dos incontáveis séculos que nos precederam no curso da história...
No capítulo II do Apocalipse de São João, ainda podemos ler o seguinte: “Ao que vencer de comer do maná oculto e lhe darei uma pedra branca, e, na pedra, um novo nome escrito, o qual não conhece senão aquele que o recebe.”

Céu Lunar
( Capítulo - 31 )
A grande obra individual se cumpre no domínio zodiacal das potências titânicas... Os doze trabalhos de Hércules, protótipo do Homem autêntico, indicam, assinalam a via secreta que nos há de conduzir até os graus de mestre perfeito e grande eleito...
Primeiro, entre todos, vem a captura e morte do leão de Neméia, a força dos instintos e paixões incontroladas que tudo devasta e devora...
Em estado de êxtase fui levado consciente e positivamente ao mundo lunar (ou mundo astral). Então me aconselharam com infinita sabedoria...
Minha alma se comoveu em suas profundidades mais íntimas ao encontrar, ali, o ancião do templo dos duas vezes nascidos. Nosso querido reitor, o velho sagrado, parece certamente ter todas as características do limão, mas é ostensível que irradia infinito amor...
Compreendi que, para ter direito de ascenso ao céu lunar (astral superior), devia, primeiro, baixar aos infernos selenitas (astral inferior) e enfrentar valorosamente as três Fúrias...
Nos instantes em que escrevo estas linhas, vem-me à memória aquela passagem iniciática em que Ginés de Lara, conduzido por seu mestre, contempla, assombrado, as águas prateadas do lago...
- Olha agora aqui! Exclama o Mahatma...
E Ginés olhou, eriçando-se-lhe o cabelo, e viu duas coisas que nenhum mortal viu; porém, nem por isso menos assombrosas nem menos certas...
Viu primeiro, como em gigantesco telescópio, os habitantes do lado de cá da Lua. Seres infelizes, desgraçados sob toda ponderação, e acerca de cuja natureza e origem se guarda grande mistério entre os que sabem tudo...
E viu, depois algo mais maravilhoso ainda: O segredo do outro lado do satélite, ou seja, o do hemisférico sempre voltado para o outro lado e do qual jamais se vê a Terra miserável. Lugar onde algum místico quis situar, portanto, o paraíso de Enoque e de Elias, os dois jinas do povo hebreu...
Depois desta pequena digressão, continuemos com o tema do presente capítulo.
Quando quis subir pela simbólica escada de Jacó, o velho sagrado do templo arrancou a árvore do conhecimento, ou árvore da ciência do bem e do mal, um ramo delicioso e mo fez cheirar. Aquela fragrância era certamente nirvânica. “Cheirai sempre este ramo para que possais subir.” Tais foram as palavras do adepto...
Inquestionavelmente devemos praticar o Sahaja Maithuna, aspirar a fragrância deliciosa do fruto proibido, porém, não comê-lo. Essa é a lei!...
Nos abismos de Selene iniciei meu trabalho, desintegrando Judas, o demônio do desejo... Um pouco mais tarde tive que continuar meu trabalho com o inquieto demônio da mente, que tanta amargura nos traz, o abominável Pilatos fatal de todos os tempos...

Aniquilação! Palavra terrível...Esse foi o final catastrófico do Pilatos fatal que me atormentava...
Posteriormente prossegui meu trabalho no abismo, atacando Caifás, o demônio da má vontade, a mais detestável das três Fúrias clássicas, no interior de cada um de nós...
Morreu certamente a terceira Fúria depois de receber várias lançadas no corpo...Nenhuma igualava sua horrível aparência; nenhuma tinha em sua cabeleira tantas serpentes; suas próprias irmãs a temiam.
Levava a desditada, em suas mãos, todos os venenos gorgôneos do Inferno...
Pude verificar, com inteira clareza que assombra, todo o processo de morte nas três Fúrias... É inquestionavelmente que passaram por todas as transformações mágicas cantadas por Ovídio...
Se no princípio foram gigantescas e horríveis, como o monstro Polifemo da terra maldita, que devorava, implacável, os companheiros de Ulisses, depois, momentos antes de chegar a Parca soberana, tinham já o aspecto de crianças recém-nascidas...
Aquelas sombras abomináveis, aqueles três traidores que levava dentro, morreram afortunadamente.
Ai! Ai! Ai! Que teria de mim sem o auxílio da minha Divina Mãe Kundalini? Eu invocava a minha Mãe desde o fundo do abismo e Ela empunhava a lança de Eros...
Ginebra
( Capítulo - 32 )
A eterna dama, a alma-espírito (Buddhi), exige sempre de seu cavaleiro, a alma humana (Manas superior), todo gênero de inauditos sacrifícios e prodígios de coragem...
Ela, a divina esposa perfeita, é Ginebra, a rainha dos jinas, aquela que a Lancelote escançava o vinho...
Delicioso vinho da espiritualidade transcendentes nas taças iniciáticas de Sukra e de Manti... Taças que não são, em suma, senão o Santo Graal em seu significado de cálice da suprema bebida, ou néctar iniciático dos deuses santos...
Ditoso o cavalheiro que, depois da dura contenda, celebre seus esponsais com a rainha dos jinas!
Escrito está, com letras de ouro, no livro da vida, que dentro de Buddhi (alma espiritual), como num vaso de alabrasto fino e transparente, arde a chama de Prajna (o Ser).
Numa noite de indiscutíveis delícias, tive a dita de encontrar a minha bem-amada na paragem secreta da Segunda Montanha... Pela senda solitária avançava, lentamente, a carruagem da minha prometida...
Diz a lenda dos séculos que a marquesa de Beaupré passeava num coche de singular beleza, pois era feito de porcelana pura. Porém, a carruagem triunfal de minha Valquíria adorável se parecia antes àquele outro coche que, nos tempos do rococó, usara a mulher do duque de Clermont, carruagem esplêndida com tronco de seis cavalos, os quais levavam ferraduras de prata, e as rodas com aros do mesmo metal.
A carruagem triunfal da minha adorada se detém ante uma fortaleza de pórfiro luzente, onde a riqueza e esplendor do oriente, os muros e adornos abrilhanta...
O esplêndido veículo estaciona ante as portas de bronze refulgente, que com tanta majestade espantam...
De repente, se vê ali cercada a carruagem por amável coro, distintos cavaleiros, príncipes e nobres, formosas damas e delicadas crianças...
Alguém dá um sinal e eu obedeço. Avanço até a carruagem do amor. Vejo através dos cristais da felicidade a minha Valquíria (Buddhi).
Ataviada, ela, com o vestido nupcial, o traje de bodas da alma, chegou a minha prometida em seu resplendente coche para os esponsais...
Desposar-me ante a ara santa com minha alma gêmea, o Buddhi teosófico... Que dita, Deus meu!
Entretanto, foi-me dito que devia ainda aguardar um pouco... A viril subministradora da força do alto me retardava, e eu sofria o indizível...
Por essa época tive que submergir profundamente nos sacros mistérios da Minna, as pavorosas trevas lunares de um amor que é da morte do irmão gêmeo...

Trabalhei intensamente na super-obscuridade do silêncio e do segredo augusto dos sábios...
Tive que aguardar por um tempo e tempos, e a metade... Entretanto, eu suspirava por Ginebra, a rainha dos jinas (minha alma espiritual).
Certa noite, as estrelas, cintilando no espaço infinito, pareciam ter um novo aspecto...
Longe do mundano bulício, encontrava-me em êxtase. A porta da minha recâmera permanecia hermeticamente fechada...
Foi então, certamente, quando celebrei as bodas com a minha adorada (Buddhi). Ela entrou em mim e eu me perdi nela...
Nesses instantes de bem-aventurança, brilhou intensamente o sol da meia-noite (o Logos Solar).
Senti-me transformado de forma íntegra. O famoso chacra Sahasarara, o lótus das mil pétalas, a coroa dos santos, resplandeceu vitorioso em minha glândula pineal e entrei nesse estado conhecido entre os indostãos com o termo sânscrito de Paramananda (suprema felicidade espiritual).
Foi então quando senti a necessidade de me converter num autêntico e legítimo Brahmavidvarishta. Os mil ioga-nadis do Saharsrara conferiram-me, de fato, poder sobre certas forças sutis da natureza...
Buddhi, minha Ginebra, minha alma espiritual, além de levar o Shiva-Shakti-Tattwa ao máximo de atividade vibratória, tinha posto o Padma coronário em certo estado de intensificadas funções místicas...
Então me vi convertido no mensageiro da Nova Era Aquária, ensinando a humanidade uma doutrina tão nova e tão revolucionária...e, não obstante, tão antiga...
Quando abri a porta da minha recâmara, o olho de diamante (a pineal) me permitiu ver inumeráveis inimigos. É óbvio que a difusão da Gnose, em sua forma revolucionária, aumentará cada vez mais o número de meus adversários.
Não é demais dizer que, depois desse evento cósmico, tive que realizar certo tipo de rito nupcial no templo. Muita gente assistiu a este festival de amor...
Inquestionavelmente, na Quinta Iniciação do Fogo havia encarnado a minha humana alma (o Manas superior da Teosofia).
Mas agora, ó Deuses! Com este desponsório alquimista e cabalista, encarnava também a minha alma espiritual (o Buddhi).
Ostensivelmente, dentro deste último, arde sempre, de forma inalterável, a chama de Prajna (o Íntimo).
 
O Dragão das Trevas
( Capítulo - 33 )
Eu pensava que, depois das bodas químicas com a minha alma espiritual, entraria, de cheio, numa paradisíaca lua-de-mel. Nem remotamente suspeitava que, entre as guaridas submersas do subconsciente humano, se escondesse o esquerdo e tenebroso Mara do evangelho budista, o famoso dragão das trevas, citado pelo Apocalipse de São João, o pai dos três traidores.
Gigantesco monstro abismal de sete cabeças infra-humanas, personificando sempre os sete pecados capitais: ira, cobiça, luxúria, inveja, orgulho, preguiça e gula...
E rugiu a grande besta espantosamente, como quando um leão ruge, e estremeceram de horror as potências das trevas...
Só com a eletricidade sexual transcendente, em plena magia sexual, é possível reduzir a poeira cósmica aquele horripilante engendro abismal...
Afortunadamente, eu soube aproveitar até o máximo o “coitus reservatus” para fazer minhas súplicas a Devi-Kundalini, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes.
Empunha o monstro com sua sinistra mão a terrível lança. Três vezes tenta ferir-me em vão.
Desesperado, arroja contra mim o duro pique. Intervém, nesses instantes, minha Divina Mãe Kundalini, apodera-se da singular relíquia e com ela fere, mortalmente, o dragão vermelho...
Mara, a horripilante besta infernal, perde, então, sua gigantesca estatura. Empequenece pouco a pouco; reduz-se a um ponto matemático e desaparece, para sempre, do tenebroso antro...
Posteriormente, esta fração da minha Consciência antes enfrascada no abominável monstro regressa, volta a mim...
Terríveis são os segredos do velho abismo, oceano sombrio e sem limites, onde a noite primogênita e o caos, avós da natureza, mantêm uma perpétua anarquia no meio do rumor de eternas guerras, sustentando-se com o auxílio da confusão...
O calor, o frio, a umidade, a seca, quatro terríveis campeões, disputam ali a superioridade e conduzem ao combate seus embriões de átomos que, agrupando-se em torno da insígnia de suas legiões e reunidos em diferentes tribos, armados ligeira ou pesadamente, agudos, arrendondados, rápidos ou lentos, formigueiam tão inumeráveis como as areias do barca ou as da ardente praia de Cirene, arrastados para tomar parte na luta dos ventos e para servir de lastro às suas asas velozes...
O átomo ao qual maior número de átomos adere domina por um momento. O caos governa como árbitro e suas decisões vêm aumentar, cada vez mais, a desordem mercê da qual reina. Depois dele, é ostensível que, nesses mundos infernos, o acaso dirige tudo...
Ante aquele abismo selvagem, berço e sepulcro da natureza, ante aquele antro que não é mar nem terra, nem ar nem fogo, senão que é formado de todos esses elementos que, confusamente mesclados em suas causas fecundas, devem combater do mesmo modo sempre, a menos que o Demiurgo Criador disponha de sues negros materiais para formar novos mundo. Ante aquele Tártaro bárbaro, o dragão das trevas exalou seu póstero alento...

Fácil é descer aos mundos infernos; porém, não o é tanto voltar. Ali está o duro trabalho!...Ali, a difícil prova!...
Alguns heróis sublimes, poucos em verdade, conseguiram o regresso triunfal. Bosques impenetráveis separam o Averno do mundo da luz e as águas do pálido rio, o Cocito, traçam pregas labirínticas naquela penumbra, cuja só imagem nos estremece...
 
Conclusão dos Trabalhos Lunares
( Capítulo - 34 )
Depois de ter reduzido a poeira cósmica Mara, o pai das três Fúrias clássicas, tive então que enfrentar as bestas secundárias do abismo...
O dia terminava lentamente. O ar delicioso da noite convidava para descansar de suas fadigas aos seres vivos que povoam a face da Terra; e eu, vil gusano do lodo da terra, só queria sustentar os combates do caminho e das coisas dignas de compaixão que a minha memória escreverá sem se equivocar...

Ó musas inefáveis! Ó alto engenho divino! Vinde em meu auxílio! Inspirai-me para que meu estilo não desdiga da natureza do assunto...
Interrompeu meu sono profundo um trovão tão forte... Como homem a quem se desperta violentamente, levantei-me e, dirigindo um olhar ao redor de mim, fixei a vista para reconhecer o lugar onde me achava. Vime, então, numa casa solitária, junto ao caminho tenebroso...

Sentado numa tosca cadeira junto à janela, da qual bem se podia contemplar a escarpada senda, evoquei, mui sinceramente, os tempos idos...

Certamente, em outras idades, eu havia estado ali, na mansão do abismo e ante o mesmo caminho... Nada disto me pareceu novo. Compreendi que estava recapitulando mistérios. Levantando-me da cadeira, abri a velha porta daquela morada e saí caminhando devagarinho... devagarinho... devagarinho... pelo caminho solitário...

De uma só olhada e atravessando com o olhar um espaço tão distante como o dável à penetração da vista espiritual, vi aquela paragem triste, devastada e sombria...
O piso estava úmido, e eu tive que me deter intempestivamente ante certo cabo elétrico que jazia estendido no solo...

Um cabo de cobre de alta tensão? Que horror!... E estive a ponto de pisá-lo!...

“É preferível morrer, sendo livre, que viver, estando preso.” Assim clamou a voz do silêncio na noite do mistério...
E eu que, alarmado, tentava nesses preciosos instantes retroceder, senti-me reconfortado...
Avancei resolutamente por aquelas paragens sublunares, ao longo da tortuosa senda abismal...
A escarpada senda, virando inesperadamente para a esquerda, penetrou entre certas colinas muito pitorescas...
Nelas vi algo assim como um parque nacional em dia de domingo. Um matizado conjunto de humanas criaturas que pareciam desfrutar deliciosamente da pradaria...


Para solaz entretenimento de muitos, alguns vendedores ambulantes iam e vinham aqui, lá e acolá, vendendo globos coloridos...
Símbolo vivo da vida profana, assim o entendi. Entretanto, é ostensível que quis viver tudo aquilo com intensidade...
Estava muito absorto em tudo isso, contemplando as multidões de sempre, quando, de repente, eis aqui que algo insólito e inusitado sucede. Pareceu-me como se de verdade o tempo se detivesse um momento...
Nesses instantes de terror, surge de dentro da selva um lobo sanguinário que, feroz e com olhar avesso, tenta em vão agarrar sua presa. Ante este, fogem da Parca desapiedada algumas galinhas que, desesperadas, cacarejam.
Extraordinária simbologia oculta: Ave de curral, pusilânime, covarde, tímida. Lobo sanguinário, cruel, desapiedado...
Pavor!...Terror!...Espanto!...Humanos estados sublunares da infraconsciência humana. E eu que acreditava ter morrido em mim mesmo, ignorava a existência destes agregados psíquicos dentro de meus próprios infernos atômicos...
Afortunadamente, jamais na dura briga esqueci minha hasta santa. Graças a minha Divina Mãe Kundalini pude exceder a muitos em força e habilidade na lança.
Havendo caído já os principais demônios-eus, vis personificações de meus horríveis defeitos infra-humanos, concluíram epicamente meus trabalhos lunares, dando morte, com a hasta santa, a muitas outras bestas infernais...
Não é demais dizer que tive que recolher muito rico espólio de guerra depois de muitas cruentas batalhas...
Quero me referir, com grande ênfase, àquelas múltiplas gemas preciosas de minha própria existência, a esses grãos de Consciência embutidos, enfrascados, nesses horripilantes engendros do inferno...
A última parte do trabalho foi de caráter completamente atômico. Não é nada fácil expulsar as malignas inteligências de seus habitáculos nucleares...
Isto é certamente o que se entende por transformar as águas negras em brancas... Agora, tais átomos se converteram em veículos maravilhosos de certas inteligências luminosas...
Chispas magníficas! Átomos capazes de informar sobre as atividades do inimigo secreto...
Numa noite de glória tive a maior honra com que se pode brindar um ser humano: Fui visitado pelo Cristo Cósmico. O Adorável trazia um grande livro em sua mão direita, como me dizendo:
-Vais entrar agora na esfera de Mercúrio.
Ao ver o Mestre, não pude menos que exclamar dizendo:
- Senhor, haveis chegado mais depressa do que eu pensava. Ainda não vos aguardava...
O Cristo vivo respondeu docemente:

- Eu às vezes demoro quando me toca vir no mês de março... Tu tens que seguir morrendo ainda...
- Como? Seguir morrendo? Ainda?
- Sim, respondeu o Adorável. Tens que seguir morrendo, repetiu...
O que aconteceu depois foi prodigioso. O Mestre elevou-se lentamente para o sol da meia-noite, desprendendo-se depois um pouco do astro-rei, para me bendizer e perdoar os meus antigos erros...
Assim foi como consegui o reingresso ao primeiro céu, a morada dos anjos inefáveis... Inquestionavelmente era eu um anjo caído. Mas é ostensível que havia sido perdoado...
Na catedral da alma há mais alegria por um pecador que se arrepende que por mil juntos que não necessitam de arrependimento...

O Céu de Mercúrio

( Capítulo - 35 )
Vem, agora, transcendental e transcendente, o Segundo Trabalho de Hércules: A distribuição da hidra de Lerna, monstro simbólico de origem imortal, dotado de nove cabeças ameaçadoras que se regeneram cada vez mais que são destruídas, ameaçando os rebanhos como as colheitas.
Dura briga na qual o herói solar se faz acompanhar por Yolao, seu auriga e inspirador, cujo notável papel é muito similar ao de Sri Krishna em sua relação com Arjuna. (Veja-se o Bagavad Gita – O Canto do Senhor).
Ainda que este magnífico trabalho possa ser interpretado como uma obra bonificativa num delta pantonoso como o do Nilo sagrado, essa hidra polifacética é também uma imagem alegórica que personifica claramente a mente, com todos os seus defeitos psicológicos.
Como constelação, tal hidra simbólica tem sua parte dianteira entre Leão e Câncer, estendendo-se, ao sul, até os pés resplandecentes de Virgem.
Com carvões acesos, Yolao queima as cabeças renascentes no lugar das que Hércules aplasta com sua clava, depois do quê, havendo este cortado a cabeça imortal – símbolo extraordinário do amor autêntico - esconde-a sob uma rocha que obviamente há de servir como pedra filosofal de sua regenerada vida deliciosamente espiritual.
Escrito está com caracteres de fogo no livro da vida: “Quem quiser subir deve primeiro baixar”. “A cada exaltação precede sempre uma terrível humilhação.”
Inquestionavelmente, eu anelava de verdade e com todas as forces da minha alma, subir, ascender ao céu de Mercúrio, o Devachán dos indostânicos, o mundo mental superior, a morada dos arcanjos. Entretanto, foi indispensável antes de baixar, descer aos infernos da mente para destruir, ali, a hidra de Lerna.
Aqueles defeitos psicológicos de polifacética estrutura, que nos infernos lunares havia reduzido a poeira cósmica, continuavam existindo como as abomináveis cabeças de hidra fatal, nas diversas pregas da mente.
Horripilantes criaturas animalescas, asquerosos engendros abismais, personificavam claramente cada um dos meus próprios defeitos psicológicos.
Alguém pode dar-se ao luxo de compreender qualquer erro psicológico, sem que, por tal motivo, tenha captado seu profundo significado…
Inquestionavelmente necessitamos com urgência máxima, inadiável, não só compreender senão também apreender o profundo significado daquilo que queremos eliminar.
Eliminar as cabeças (defeitos psicológicos) da hidra de Lerna, só é possível mediante a eletricidade sexual transcendente, durante o Sahaja Maithuna na forja dos Cíclopes.
Como a copula metafísica na nona esfera é uma forma de oração, eu suplicava, nesses instantes, a Devi Kundalini…

Goethe, o grande iniciado alemão, adorando a sua Divina Mãe Kundalini, cheio de êxtase, exclamava:
“Virgem pura no mais belo sentido!
Mãe digna de veneração!
Rainha eleita por nós
E de condição igual aos deuses.”

Anelando morrer em si mesmo,aqui e agora, durante o coito químico, aquele grande bardo dizia:
“Flechas, transpassai-me!
Lanças, submetei-me!
Maças, feri-me!
Desvaneça-se tudo!
Brilhe a estrela perene,
Foco do eterno amor.”
Inquestionavelmente, eu sempre procedi de forma muito similar, e a hidra de Lerna, pouco a pouco, lentamente foi perdendo cada uma de suas abomináveis cabeças…
Em certa ocasião, achando-me no Tibet oriental, dentro de um monastério, tive a oportunidade de dizer a minha Divina Mãe Kundalini o seguinte: “Tu e eu dialogamos e parecemos duas pessoas diferentes e , no entanto, somos o mesmo Ser.
Não é demais asseverar, enfaticamente, que a resposta foi certamente extraordinária: “Sim, filho meu! Tu e eu somos o mesmo Ser, porém, derivado.”
Em nome da verdade confesso, francamente e sem rodeios, que, sem o auxílio imediato da minha Divina Mãe adorável, de nenhuma maneira teria conseguido eliminar radicalmente a hidra de Lerna…(meus defeitos psicológicos no subconsciente intelectual).
“Antes que a chama de ouro possa arder com luz serena, a lâmpada deve estar bem cuidada, em lugar livre de todo o vento. Os pensamentos terrenais devem cair mortos às portas do templo”.
“A mente, que é escrava dos sentidos, faz a alma tão inválida como o bote que o vento extravia sobre as águas.”
Quando resplandeceu, vitorioso, o sol da meia-noite no firmamento espiritual, voltei ao estado arcangélico que outrora havia perdido e entrei, ditoso, no céu de Mercúrio…

O Céu de Vênus

( Capítulo - 36 )
Vem agora, extraordinária, a Terceira Façanha de Hércules, o herói solar. Quero me referir, enfaticamente, à captura de dois animais. Suave um, como veloz, turbulento e ameaçador o outro: a corça cerenita e o javali de Erimanto.
Podemos e até devemos identificar estes famosos quadrúpedes com as duas resplandecentes constelações austrais mais próximas das estrelas de Gêmeos, que se acham perto dos dois Centauros, com os quais Hércules sustenta uma lide sangrenta.
Na corça de pés de bronze e cornos de ouro, consagrada a Diana e disputada por Apolo, o deus do fogo, podemos ver uma clara alusão à alma humana (o esposo de Valquíria), o Manas superior da Teosofia.
E no terrível javali, perverso como nenhum, está o símbolo vivo de todas as baixas paixões animais.
Não é demais asseverar, nestes instantes, que eu anelava, muito sinceramente e com todas as forças da minha alma, entrar no Céu de Vênus, o mundo causal, a morada dos principados. Entretanto, é claro que necessitava primeiro fazer méritos; reduzir a poeira cósmica o espantoso javali...
Baixar é necessário antes de subir. A toda exaltação precede sempre uma terrível humilhação. Descer aos infernos venustos foi indispensável, urgente, inadiável; antes do ascenso...
Informação prévia necessitava e esta, em si mesma, resultava certamente premente, peremptória...
Indicações precisas, extraordinária, vieram em mim durante a meditação. É ostensível que o iniciado sempre é assistido...
Sobre um grande tábua, muito semelhante ao atraente tabuleiro de um jogo de xadrez, ao invés das conhecidas peças do citado jogo, vi muitas figuras animalescas de asqueroso aspecto...
Inquestionavelmente, com a ajuda da minha Divina Mãe Kundalini, eu havia eliminado defeitos de tipo psicológico, seja no mundo astral, seja no mundo mental. Entretanto, os germes causais destes continuavam existindo dentro de mim mesmo, aqui e agora...
No terreno de mais pura psicologia experimental, podemos assentar o seguinte enunciado: A eliminação radical de qualquer defeito psicológico fracassa absolutamente, quando não se dissolve sua causa secreta.
Extirpar da minha psique tais causas intrínsecas foi certamente minha tarefa nos infernos venustos... É ostensível que então tive que passar, vitorioso, por espantosas tentações carnais, como aquelas que sofrera o patriarca gnóstico Santo Agostinho ao pé da cruz...
“O gnóstico mistério está presente no quieto voar da pomba, e o pecado do mundo na serpente que morre o pé do anjo que a doma.”

“Sobre a eterna noite do passado se abre a eterna noite do amanhã. Cada hora, uma larva do pecado! E o símbolo, a serpe e a maçã.”
Imensa é a multidão dos delitos, cujos germes causais devia eliminar e, ainda que tivesse cem bocas, cem línguas e voz de ferro, não poderia enumerá-los todos...
No Tártaro, onde se castiga os malvados, encontrei também dois velhos amigos da juventude. Um ainda vive; o outro já está morto...
Não é demais recordar esses titãs dos antigos tempos que quiseram escalar o céu. Sofrem, agora, nos abismos, encandeados pela ira de Júpiter.
Ali também moram os insolentes lápitas e o atrevido Ixião, que atentou contra Juno, e Piritoo, que quis raptar Prosérpina...
No mundo soterrado vive também o orgulhoso Salmoneu, rei de Élida, que reclamou para si as honras divinas, sendo ele um simples mortal, um vil gusano do lodo da terra...
Momentos antes de abandonar definitivamente a morada de Plutão, vi algo espantoso, terrível, como se um descomunal monstro gigantesco quisesse devorar a humanidade inteira. Ai! Ai! Ai!
Posteriormente, senti-me transformado nesses infernos atômicos. O Cristo Cósmico entrou em mim e eu me perdi nele...
Então, uma multidão de mães me trouxeram seus filhos e eu, cheio de êxtase, exclamei: Deixai que venham as crianças a mim, porque delas é o reino dos céus.
Quão feliz me senti com o corpo causal transformado! Depois de abençoar a todos esses ternos infantes, abandonei o reino mineral submerso e penetrei, vitorioso, no céu de Vênus (o mundo causal).
Foi assim como reingressei ao estado dos principados que outrora havia perdido, quando, na meseta central da Ásia, cometera o mesmo erro do conde Zanoni...
Cair rendido aos pés paradisíacos da deliciosa beldade feminina; beber o licor de mandrágoras; comer das maçãs de ouro do jardim das Hespérides, foi certamente o mencionado erro. Conduto, trabalhando posteriormente com a eletricidade sexual transcendente, tive que retornar ao caminho que outrora havia abandonado...
Esse mundo causal maravilhoso, ou mundo da vontade consciente, tantas vezes citado pelo senhor Leadbeater, Anie Besant, Arthur Power, Rudolf Steiner, H.P.B., etc., ostensivelmente é terror de amor e lei.
Indubitavelmente, o céu de Vênus não é do tempo e está mais além da mente.
Resulta patente que a substância acássica, como elemento natural e vibração, ou Tattwa, constitui, em si mesma, o fundo vivo e filosofal do mundo de causalidade cósmica.
O azul elétrico profundo resplandece maravilhoso nessa região e cintila por aqui, por lá e acolá, saturando-nos com uma deliciosa voluptuosidade espiritual indescritível...
É o mundo das causas naturais como um oceano sem limites nem margens. A incessante ondulação da ação e conseqüência flui e reflui ali, de instante em instante...

É evidente que não existe causa sem efeito, nem efeito sem causa. A toda ação segue uma reação. De qualquer ato sempre se desprende uma conseqüência, ou melhor diríamos, série de conseqüências...
Por aquela época da minha atual existência recebi muita informação objetiva demonstrada e demonstrável.
Exemplo: Ante o orador de certo auditório, eu me apresento em plena assembléia. Não sei guardar compostura, meto o nariz onde não devo, refuto conceitos... Resultado: O dissertador, um homem do mundo causal, retira-se indignado...
Posteriormente, o conferencista este comenta com outros a minha atitude e isto se converte, de fato, em toda uma série encadeada de conseqüências...
No mundo causal vi também, com assombro místico, o porvir que aguarda o planeta Terra e as humanas criaturas que neste mundo físico moram...
Vestido com o corpo causal, eu me vi, de repente metido dentro de um grande pátio ferroviário... Certamente, o Movimento Gnóstico é um trem em marcha. Uns passageiros sobem numa estação e descem em outra. Raros são aqueles que chegam até a estação final...
Posteriormente tive que submergir no infinito espaço estrelado. Necessitava investigar algo no anfiteatro da ciência cósmica...
Surpreendido, admirado – posto que ainda não perdi a capacidade de assombro – pude perceber com o olho de Dagma, ou olho de Shiva, algo insólito e inusitado...
Ante minha vista espiritual, apareceu a Terra sitiada mortalmente por doze gigantes descomunais, negros, sinistros, ameaçadores...(as doze constelações zodiacais agenciando a cristalização definitiva do karma mundial).
Seres de outros mundos não ignoram a grande catástrofe que sobrevirá e se aproximarão com suas naves para registrar ou fotografar o cataclismo. Eis aí o Apocalipse de São João em plena marcha. Colisão de mundos! Ai! Ai! Ai!...
Resulta oportuno citar, nesta parte, alguns versículos extraordinários do Corão:
“Entre os sinais que devem preceder a chegada da hora póstera, acha-se o de que a Lua se partirá em duas.
Porém, apesar disso, os incrédulos não darão crédito a seus olhos.
(É obvio que de modo algum pode tratar-se de uma divisão geológica, ou física, de nosso vizinho satélite.
Interprete-se isto de forma política e militar. As grandes potências disputarão a Lua).
Quando se toque a trombeta pela primeira vez...Quando a terra e as montanhas sejam levadas pelos ares e amassadas de um só golpe... Quando o céu desgarre e caia em pedaços... esse dia será o dia inevitável.
(Colisão! É o termo preciso. O planeta Terra chocar-se-á com outro mundo que se vem aproximando perigosamente).
O golpe que é! Será o dia do juízo final. Aqueles que tenham obras que pesem na balança terão uma vida agradável. Aqueles que, ligeiras, terão por morada a fossa ardente (os mundos infernais).

Quando a terra trema com esse tremor que lhe está reservado...quando haja vomitado os mortos que repousam em suas estranhas... o homem preparar-se-á para ser julgado.
O sol terá desgarrado, as estrelas cairão, as montanhas serão postas em movimento e terminarão estraçalhando-se contra o solo. O céu estalará em mil pedaços e os mares e os rios confundirão suas águas. As tumbas entreabri-se-ão e ressuscitarão os mortos. Os que praticaram o bem terão a felicidade sem limites; porém, os réprobos serão também castigados sem medida.”
Inquestionavelmente, antes da inevitável colisão, a excessiva aproximação daquela mole planetária originará espantosas tempestades eletromagnéticas.
É ostensível que a presença daquele mundo sideral exerça atração sobre o fogo líquido do interior do nosso globo terráqueo. Então o ígneo elemento buscará saída, dando origem a inúmeros vulcões. Por aqueles dias, a terra estremecerá com pavorosos terremotos e horripilantes maremotos...
Povos e cidades cairão fatalmente como míseros castelos de naipes, feitos ruínas.
Ondas monstruosas nunca jamais vistas açoitarão com fúria as arenosas praias e um som muito estranho surgirá do fundo dos mares...
Indubitavelmente, a radiação extraordinária daquele planeta matará milhões de criaturas e tudo se consumirá em apocalíptico holocausto.
Pedro ou Patar, o grande hierofante, disse: “Mas o dia do Senhor virá como ladrão na noite, no qual os céus passarão com grande estrondo e os elementos, ardendo, serão desfeitos, e a Terra e as obras que nela estão serão queimadas.”
No mundo causal eu contemplava, com assombro místico, a grande catástrofe que se avizinha; e, como essa é a região da música inefável, a visão foi ilustrada na corrente do som.
Certa deliciosa sinfonia trágica ressoava nos fundos profundos do céu de Vênus.
Aquela partitura assombrava, em geral pela grandeza e majestade, e pela inspiração, doce e severa, grandiosa e terrífica, dramática e lúgubre ao mesmo tempo...
Os trechos melódicos fragmentários (leitmotives) que foram ouvidos no mundo causal, nas diferentes situações proféticas, são de grande potência expressiva e de íntima relação com o grande acontecimento e com os acontecimentos históricos que inevitavelmente os precederão no tempo...
Existem, na partitura dessa grande ópera cósmica, fragmentos sinfônicos relacionados com a terceira guerra mundial; sonoridades deliciosas e funestas, acontecimentos horripilantes, bombas atômicas, radioatividade espantosa em toda Terra, fomes, destruição total das grandes metrópoles, enfermidades desconhecidas, contendas incessantes aqui, lá e acolá, etc., etc., etc...
Entremeados com uma arte sem precedentes, foram ouvidos os temas relacionados com a destruição de Nova Iorque, Paris, Londres, Moscou, etc., etc., etc.

O Céu do Sol

( Capítulo - 37 )
A seguinte obra de Hércules, o herói solar, é certamente, a limpeza extraordinária dos famosos estábulos de Áugias, rei da Élida, cuja filha, conhecedora das virtudes das plantas, compunha, com elas, mágicas beberagens.
Em tais mencionados estábulos (viva representação simbólica de nossos próprios fundos subconscientes submersas), que hospedavam seus próprios rebanhos (esses múltiplos agregados psíquicos bestiais que constituem o ego) e, entre eles, doze cândidos touros, alegorizando o Karma zodiacal, se havia acumulado a sujeira de várias gerações.
Inquestionavelmente, Hércules devia limpar esses estábulos em um só dia. Dizem velhas tradições que se perdem na noite dos séculos que o logrou, fazendo um buraco na parede e desviando depois o curso de um rio, para que suas àguas os inundassem.
Este insólito trabalho pode, portanto, ser identificado com Aquário, casa zodiacal de Urano, Ur-Anas, o fogo e a água primordiais, simbolizando claramente as correntes sexuais no organismo humano.
Urano, como primeiro rei divino da primitiva Atlântida, é o regente de nossas glândulas sexuais. Urano, o Asura-Maya, é realmente o primeiro revelador dos mistérios da vida e da morte.
“É certamente Ur-Anas, o fogo e a água primevos, que determinam intrinsecamente o primeiro culto lunisolar da andrógina IO…(iiiiiiooooo). IO Pitar é o Sol. Menes, ou Mani, é a Lua.
“Om Mani Padme Hum”, como mantram de imenso poder esotérico, tem que surgir nos deuses Sol e Lua, no seio do sagrado lotus, surgido milagrosamente da águas espermáticas do primeiro instante.
Diz a lenda dos séculos que Urano teve quarenta e cinco filhos de diversas mulheres e que além do mais teve de Titéia outros dezoito filhos. Estes últimos receberam o coletivo nome de Titãs por causa de sua mãe.
Adicionando, entre si, por separado, cada uma destas quantidades cabalísticas, teremos os seguintes resultados:
45: 4 mais 5 igual a 9: Ermitão do Tarô, a nona esfera, o sexo.
18: 1 mais 8 igual a 9: o arcano 18 é o crepúsculo do Tarô; inclui o arcano 9 duas vezes. Significa os inimigos secretos, ocultos; a luta subterrânea nos domínios da nona esfera, o tenebroso…
Ostensivelmente, Urano é o rei absoluto das funções sexuais, o amo da Nova Era de Aquário.
Como Titéia sobrepujava todas as mulheres em beleza e virtudes, foi também posta no número dos deuses.
Foi-nos dito que seus fiéis devotos, agradecidos por todos os bens recebidos, chamaram-na Terra.
Em nome da verdade tenho que confessar francamente e sem rodeios que o quarto trabalho resultou, para mim, tremendamente fácil. Entretanto, tive que passar previamente por uma delicada prova.

Num velho parque da cidade, eu me vi a mim mesmo conversando com uma nobre dama; alguém que, sem dúvida alguma, foi certamente uma grande amiga.
Muito juntinhos nos sentamos num banco, sentindo ambos um grande amor. Por um instante parecíamos dois namorados, porém…

De repente me lembrei de minha Divina Mãe Kundalini! E então desviei essa corrente do amor para dentro e para coma, para minha Mãe adorável…
Nesses momentos exclamei com todas as forces da minha alma: Este Amor é para minha Mãe!…Assim foi como Hércules desviou o curso de um rio para que suas águas inundassem os estábulos de Áugias. (O que tenha entendimento que entenda, porque aqui há sabedoria).

Inquestionavelmente estava metido dentro das entranhas minerais do Sol, nos infernos solares… Quão limpos me pareceram os mundos submersos do astro rei! Infernos sem almas em pena, sem demônios. Que maravilha!…
É ostensível que entre as vivas entranhas do resplandecente Sol não poderiam viver os demônios. Jamais resistiriam, estes últimos, às potentes vibrações desse astro…
Quando me achei encerrado dentro de um dos simbólicos estábulos de Áugias, encontrei-o completamente limpo e sem animais de nenhuma espécie. Então compreendi…

Quis sair, porém, a porta estava hermeticamente fechada. “Abre-te Sésamo!” Gritei com todas as minhas forças…
Nesses instantes, as portas abriram-se como por encanto, e então penetrei num segundo estábulo. Achei-o tão limpo como o primeiro…

“Abre-te Sésamo!” Gritei outra vez. E, quando se abriram as portas, penetrei num terceiro estábulo.

Ostensivelmente, este também estava limpo e formoso…
“Abre-te Sésamo!” Gritei pela quarta vez. E, quando se abriu a Quarta porta, transpassei o umbral de uma brilhante mansão solar…

O que eu vi no fundo do santuário foi algo insólito e inusitado. Ó deuses! Ali, sentados em seus tronos, aguardavam-se Osíris, Ísis, Hórus…
Avancei até eles e, prosternando-me, adorei-os. Nesses instantes senti em mim suas bênçãos.
Três aspectos de meu Ser, porém, derivado. Assim o compreendi e isto merece uma explicação…

Um de nossos rituais gnósticos esotéricos diz textualmente o seguinte:
“Osíris (o arqui-hierofante e o arquimago, nossa mônada particular, individual), poderoso imperador, responde ao filho suplicante!…

Ísis (o desdobramento de Osíris, a dúada mística, Devi Kundalini), Mãe digníssima, responde ao filho suplicante!…
Hórus (o Cristo Íntimo), responde ao peregrino suplicante!…”


Eles me receberam e entrei vitorioso no céu do sol, na morada das potestades, no mundo búdhico ou intuicional. Então reconquistei meu lugar entre essas divinais criaturas, glorioso estado consciente que outrora havia perdido…

O Céu de Marte

( Capítulo - 38 )
O Quinto Trabalho de Hércules, o herói solar, foi à caça e destruição das aves antropófagas que, tenebrosas, habitavam as lagoas de Estinfálide e matavam os homens com suas bronzeadas plumas que, à maneira de flechas mortíferas, laçavam contra suas indefesas vítimas.
Ostensivelmente, este labor se acha intimamente relacionado com a constelação de Peixes, casa de Netuno, o senhor da magia prática.
Inquestionavelmente, essas aves antropófagas são as cruéis harpias citadas por Virgílio, o poeta de Mântua...
Para o bem da Grande Causa, pela qual todos nós, os irmãos do Movimento Gnóstico, estamos lutando, vou transcrever, agora, alguns parágrafos de A Eneida...
“Aproximamo-nos das ilhas Estrófades que se encontravam no mar Jônio e nas quais habitam as imundas harpias (bruxas horripilantes, jinas negros), monstros com cabeça e pescoço de mulher, que eram antes formosas donzelas, porém, agora estão transformadas em Fúrias e seu contato corrompe quanto toca.
Capitanei-as a execrável Celeno; e, providas de longas garras, têm sempre no rosto a palidez da fome.
Sem pensar nelas, aportamos naquela terra, e, apenas desembarcados, encontramos um rebanho de vacas formosas e reluzentes que estavam pastando sem que ninguém as cuidasse.
Famintos como estávamos, não tardamos em sacrificá-las para saciar o nosso apetite com sua carne fresca.
Porém, quando estávamos no melhor do banquete, baixaram dos montes as harpias (bruxas), grasnando como corvos e batendo as asas, e aproximaram de nossa comida suas bocas imundas.
A carne arruinou-se e o fedor infestava o ar. Então acreditamos que nos seria impossível fugir delas e mudamos de lugar, refugiando-nos perto de umas cavernas afastadas da praia. Porém, pela segunda vez, quando nos dispúnhamos a comer, depois de sacrificar novas reses, voltaram aqueles monstros (aquelas aves antropófagas) e nos estragaram de novo o alimento.
Cheios de coragem, meus homens se dispuseram ao ataque e armaram arcos e azagaias para exterminar tão horríveis seres. Porém, sua pele não se deixava atravessar pelo bronze e seus flancos eram invulneráveis. Então, a horrenda Celeno disse, gritando, enquanto revoluteava sobre nossas cabeças:
“Por que nos fazeis a guerra, insensatos? Os deuses nos fizeram imortais. Não vos ofendemos sem justiça, porque vós sacrificantes muitas vacas de nosso rebanho. Em castigo, vou dar-vos uma maldição: Enéias e sua estirpe andarão errantes pelo mar, antes de encontrar a terra que buscam, e passarão fome. Não poderão alçar as muralhas de sua nova cidade até que, de tão famintos, se vejam obrigados a devorar suas próprias mesas.”
Estas estranhas palavras nos encheram de consternação. Imprecando aos deuses para que apartassem de nós tais ameaças, abandonamos aquela triste terra e embarcamos de novo.”
Até aqui este insólito relato oculista e esoterista. Continuemos, agora, com as explicações.

Muitas destas harpias abismais, surpreendidas em flagrante, foram capturadas com certos procedimentos.
Algumas tradições antigas dizem: “Se pomos, no solo, umas tesouras de aço abertas em forma de cruz e se regamos mostarda negra ao redor deste metálico instrumento, qualquer bruxa pode ser apanhada.”
Causa assombro que alguns oculistas ilustres ignorem que estas bruxas podem iludir a lei da gravidade universal!
Ainda que pareça inusitada a notícia, nós asseveramos, muito solenemente, que isto é possível, metendo o corpo de carne e osso dentro da quarta dimensão.
Não é de modo algum estranho que estas bruxas com seus zangões, metidas com seu corpo físico dentro da quarta vertical (o hiperespaço), possam levitar e viajar, em poucos segundos, a qualquer lugar do mundo.
E ostensível que elas têm fórmulas secretas para escapar fisicamente deste mundo tridimensional de Euclides.
Em termos estritamente oculistas, bem podemos qualificar estas harpias esquerdas e tenebrosas com o título de jinas negros, para diferenciá-las radicalmente dos jinas brancos.
O organismo humano colocado dentro da quarta dimensão, a despeito de tudo o que diga a ciência oficial, pode assumir qualquer figura, trocar de forma...
Recordai, amados leitores, a execrável Celeno e suas imundas harpias, horrendos pássaros das ilhas Estrófades, no mar Jônio...
Uma tarde qualquer, não importa a data, nem o dia, nem a hora, sentado ao pé dos grandes, dentro de um vetusto calabouço, estudava uma obra esotérica...
O sol se ocultava entre os vermelhos incêndios do ocaso e a luz vespertina se desvanecia lentamente...
De repente, algo insólito sucede. Escuto, junto a mim, uma gargalhada estrondosa, sarcástica, burlesca, marcadamente feminina...
Trata-se de uma dessas aves antropófagas que habitam as lagoas de Estinfálide, uma feiticeira, uma bruxa de ma agouro, uma mulher de esquerdos conciliábulos... A perversa foge e se esconde nas pavorosas trevas dos mundos infernos...
Assim se inicia meu intrépido descendo às estranhas vivas do reino mineral submerso marciano. Antes de subir é indispensável baixar. Essa é a lei. A cada exaltação antecede uma espantosa e terrível humilhação.
Aniquilar dentro de mim mesmo esses elementos inumanos, bruxescos, essas aves de mau agouro, foi certamente, minha tarefa no tenebroso Tártaro.
Ainda que pareça incrível, pelo inusitado da notícia, é urgente saber que todos os seres humanos, sem exceção alguma, levam s em seus transfundos inconscientes variados elementos feiticeiros.
Isto significa que no mundo existem muitas pessoas que, sem sabê-lo, praticam inconscientemente a magia negra.
Inquestionavelmente, até os próprios santos de todas as religiões sofrem o indizível, quando se autodescobrem. Então podem verificar, por eles mesmos, o cru realismo desses elementos inumanos que ostensivelmente são obrigados a eliminar de sua psique.

Qualquer adepto, ou místico, ou santo, enquanto não tenha morrido radicalmente em todos e em cada um dos quarenta e nove departamentos do subconsciente, é mais ou menos negro.
Eis aqui um dos grandes motivos pelos quais não nos é dado condenar ninguém. “Quem se sinta limpo de pecado que arroje a primeira pedra.
Naquela época da minha vida fui atacado incessantemente e de forma desapiedada pelas sinistras aves que habitam as lagoas de Estinfálide.
Nas mandingas, salões de tenebrosos conciliábulos dentro dos infernos marcianos, assombrado, descobri muitos irmãos da rochosa senda...
Tratava-se de agregados bruxescos, ostensivelmente ignorados por suas humanas personalidades. Concluídos meus trabalhos nos abismos minerais de Marte, ascendi, vitorioso, ao quinto céu, o mundo de Atman, a morada radiante da virtudes.
Assim foi como voltei ao céu de Marte. Então reconquistei meu lugar entre esses sublimes seres, posição divinal que outrora havia perdido.
O objetivo de meus trabalhos nos infernos marcianos, havia sido alcançado.Eliminados de minha psique os elementos inumanos, minha consciência ficava livre.
As grilhetas intelectuais tinham sido aniquiladas. E minha Consciência liberada, fora já do horripilante calabouço da mente, onde por tanto tempo morava prisioneira, havia conseguido fusionar-se, mesclar-se com Atman, o Inefável, meu Real Ser.
Ah! Se as pessoas compreendessem o que é o calabouço do intelecto!... Se entendessem que vivem prisioneiras no cárcere da mente!...
Em completa bem-aventurança, como homem-espírito no céu marciano, longe do corpo, dos afetos e da mente, andava conscientemente qual uma ave de luz resplandecente, antítese radical dessas outras aves sinistras das lagoas de Estinfálide...
Em tais momentos de deliciosa bem aventurança, tive que passar junto a muitas obras simbólicas estruturadas em ferro puro.
É a região de Atman, o Inefável, o mundo do mais cru realismo, a dimensão das matemáticas. No mundo tridimensional de Euclides, jamais percebemos um sólido de forma íntegra, unitotal. Aqui só vemos, de forma subjetiva, ângulos, superfícies, etc.
Entretanto, na brilhante região de Atman, não somente percebemos sólidos de forma íntegra com, ainda, hipersólidos, incluindo a quantidade exata de átomos que, em seu conjunto, constituem a totalidade de qualquer corpo.
Inquestionavelmente, no céu de Marte gozamos realmente de percepção objetiva mais completa. Quão feliz me sentia nessa região das ditas infinitas! Entretanto, nem tudo na vida são festas; também existem sofrimentos. Tu o sabes... A sede do Juízo Celestial, onde se administra a justiça objetiva, sempre intervém.
Um dia qualquer, feliz no mundo de Atman, veio a mim um juiz da lei de Katância (o Karma superior). Ele se sentou ante uma mesa e eu, com muito respeito e veneração, tive então que responder de encargos:

O senhor criticou a muitos em seus livros – disse o Jerarca.
Sou combativo por natureza – respondi de forma enfática.
-Condenado a sete dias de prisão. (Tal foi a sentença).
Hei de confessar francamente, e sem rodeios, que, ao escutar a sentença, estive um pouco cínico. Pareceu-me a questão esta um caso de polícia, como quando um rapaz briga com outro da mesma idade e o metem umas quantas horas no cárcere.
Entretanto, já em pleno cumprimento da sentença, senti que este castigo era terrivelmente doloroso. Sete dias no horrível calabouço da mente e depois de me haver emancipado...
Sete simbólicos dias de amargura dentro do cárcere pavoroso do intelecto...
Ai!Ai!Ai!...
 
O Céu de Júpter
( Capítulo - 39 )
Quase contígua á brilhante constelação de Peixes, encontramos a de Touro que inquestionavelmente se acha intimamente relacionada com o trabalho esotérico transcendente: a captura do touro de Creta.
Este havia sido remetido a Minos pelo deus Netuno, para que fosse oferecido em holocausto. Porém, o rei, cobiçoso, deteve-se indevidamente para si. Por isso, o animal se tornou espantoso e ameaçador, e aterrorizando todo o país.
Diz a lenda dos séculos que Hércules, o herói solar, obteve assim facilmente a permissão para se apoderar dele, encadeá-lo e arrastá-lo pelo mar até Micenas.
É indubitável que o trabalho relacionado com os infernos jupiterianos se acha plenamente alegorizado com a Sexta façanha de Hércules…
Não é demais, nestas linhas, recordar o primeiro Júpiter da teogonia grega, pai de todos dos deuses, senhor do universo e irmão de urano, Ur-Anas, quer dizer, do Fogo e da Água primitivos, pois é sabido, segundo o clássico, que no panteão grego figuram cerca de trezentos Jupíteres.
Em seu outro aspecto de Jove, ou Iod-Eve, é o Jeová macho e fêmea, ou andróginos, e coletivos Eloim dos livros mosaicos, Adam-Kadmon dos cabalistas; o Iacho, o Inacho, da Anatólia, que também é Baco, ou Dionísio, de fenícios, continuadores da primitiva teogonia de Sanchoniaton…
O caráter sempre atribuído a Júpiter, o venerável pai dos deuses, como homem celeste, deu lugar, assim mesmo, a não poucos típicos nomes nórdicos, tais como o de Herr-Man e Herr-Manas, ou Hermes, literalmente o Homem Divino, ou o Senhor Homem: Alcides, ou El Cid, precursor teogônico de todos os nossos “Cides” pré-históricos do romantismo.
Inquestionavelmente, Júpiter, no Punjab e no Rigistão, é o Hari-Kulas, ou Hércules, o senhor solar, o protótipo da raça do Sol, o hari-Mukh de Cachemira, ou seja, o sol no horizonte da vida.
Júpiter, ou IO-Pitar, quer dizer, o pai de IO, é o espírito divino de toda aquela antiga hoste de criadores que, ao se reencarnar em corpos de sexo opostos, deu lugar à fábula grega dos amores de Júpiter com a virgem IO (iiiiiooooo), a qual foi transformada em terneira celeste, ou vaca sagrado dos orientais, para assim escapar das iras de Juno.
Júpiter e sua vaca IO (iiiiiooooo) nos facilita o significado de outra porção de nomes arcaicos, tais como o próprio Gerião ou Ferião – o que leva as vacas – o de Hiperião Bósforo, literalmente “o condutor da vaca”, o mesmo que Gautama, o Buda.
Assim, a hoste dos senhores, ou Eloim Júpiter, se acha simbolizado pelo hierograma sexual de IO (iiiiiooooo). É ostensível que têm dezenas de nomes em cada língua e uma centena ou milhar de mitos para cada nome destes em sua língua respectiva.

Toda esta legião inefável de seres divinos, todos estes Eloim, constituem, em seu conjunto, o Deus único e sem nome dos tartésios, o autêntico Júpiter sublime dos antigos tempos…
Desenvolvida muito cuidadosamente esta temática transcendental, poderemos deduzir solenemente o seguinte: O céu de Júpiter é a morada dos Eloim, o Nirvana…
Aqueles devotos da senda que, ao chegar à Quinta Iniciação do Fogo, elejam o caminho espiralóide, ingressarão no Nirvana.
Desenvolvimento integral é diferente. Em nome da verdade devo confessar, francamente e sem rodeios, que esse foi sempre meu melhor anelo…
O pleno desenvolvimento de todas as minhas possibilidades superlativas, nirvânicas, em toda a presença de meu Ser Cósmico, foi minha aspiração…
Entretanto, é inquestionavelmente que antes de subir devemos baixar. A toda exaltação antecede sempre uma espantosa e terrível humilhação…
Encadear o simbólico touro de Creta foi, realmente, a tarefa a seguir. E esta, em si mesma, pareceu-me horripilante… Por aquela época da minha atual existência, muitas tentações sexuais me assediavam inclementes do tenebroso Tártaro…
Auto-explorando-me psicologicamente, descobri nos fundos mais profundos da minha própria mente, o famoso touro de Creta. Vi-o, sim, Negro, descomunal, gigantesco, ameaçante e provido de agudos cornos…
Obviamente se expressava na minha psique com fortes impulsos sexuais, passionais, irreflexivos… Foi urgente encadear a tenebrosa besta. Foi indispensável desintegrá-la, reduzi-la a poeira cósmica…
Indubitavelmente fui assistido pela minha Divina Mãe Kundalini, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes…
Este grande evento cósmico foi celebrado com uma festa no templo maravilhoso de Júpiter… Então, muitos reis e sacerdotes da natureza, revestidos com a púrpura sagrada, deram-me as boas-vindas…
Assim foi como reingressei ao céu de Júpiter, à morada das dominações, à felicidade nirvânica…
Deste modo, eliminando elementos infra-humanos, reconquistei meu posto entre essas hierarquias inefáveis, estado consciente que outrora havia perdido, quando, na meseta central da Ásia, faz já cerca de um milhão de anos, cometera o erro de comer do fruto proibido…
 
O Céu de Saturno
( Capítulo - 40 )
O Sétimo trabalho de Hércules, o herói solar, é a subseqüente captura das éguas de Diomedes, filho de Marte e rei do povo guerreiro dos bistônios, que matavam e comiam os náufragos que chegavam a essas costas.
Hércules e seus companheiros só conseguem apoderar-se daquelas bestas depois de feroz combate com os bistônios – aqueles que, com Diomedes haviam acudido para defender suas posições - aos quais vencem ficando o rei dado em pasto a essas fêmeas antropófagas.
Nos infernos Saturnianos tive que capturar e destruir as éguas de Diomedes, infra- humanos elementos passionários profundamente submersas em meus próprios abismos inconscientes…
Simbólicas bestas, junto às “águas espermáticas do primeiro instante”, disposta sempre a devorar os fracassados…
Por aquela época de minha atual existência fui atacado incessantemente no tenebroso Tártaro.
Os adeptos da maligna magia Atlante resolveram-me combater com inaudita ferocidade e eu tive que me defender valorosamente…
Núbeis damas adoráveis, belezas malígnas deliciosamente perigosas, assediaram-me por todas as partes…
Inquestionavelmente, nos saturnianos infernos experimentamos, vivenciamos, revivemos os terrores atlantes…
“Hércules, como diz Aeliano (Várias histórias, livro V, Capítulo 3), limpou a terra e os mares de todo gênero de monstruosidade, e não de monstros, vencendo ao necromante Briareu, o dos cem braços, num de seus célebres trabalhos, ou triunfos, sobre a maligna magia atlante que se havia assenhoriado de toda a Terra.”
Hércules o verdadeiro Krishna ariano do Maabarata, pressentindo a catástrofe final atlante que se avizinhava e com ela o desaparecimento do divino jardim das Hespérides transplantou, para onde quer que fosse, quer dizer, em todo o Penjab, na Ásia Menor na Síria, no Egito, Grécia, Itália, Germânia, nas Ilhas Britânicas, Espanha, Mauritânia e ainda na América sob o nome de Quetzalcoatl (a Serpente Branca Luminosa) a simbólica Árvore Iniciática que a todos estes países salvará da catástrofe.
Entretanto, Escrito esta: “De toda árvore do horto poderás comer, mas, da Árvore da Ciência do Bem e do Mal não comeras porque, no dia que ela comeres morrerás.”
Embriagar-nos com o aroma delicioso da fruta proibido é indispensável. Assim ensinou Hércules…
À vista da barreira do oceano, infranqueável para o homem, Hércules cheio de titânica rebeldia estendeu o seu arco contra o sol como se fosse feri-lo para detê-lo em sua circular carreira além do oceano, onde se ia sepultar e para onde ele não o podia seguir. Porém, o deus Apolo mandou que se mantivesse quieto e paciente (porque só com paciência infinita se pode realizar a “Magnus Opus”, a Grande Obra), em prêmio da qual regalou-o com uma taça de ouro, o Santo Graal, resplandecente símbolo eterno do útero ou Yoni feminino…

É inquestionável que a seta de Hércules não é se não a Pedra Magnes, o falo ou lança de Longinus, o centurião romano, aquela com qual este feria o costado do Senhor, a mesma hasta santa mediante cujo poder secreto Parsifal Sanara a ferida no costado de Amfortas…
Com os milagrosos poderes dessas relíquias veneradas derrotei em cruentas batalhas, o rei dos Bistônios, os cavaleiros do Graal Negro, Klingsor, o ego animal…
Finalizando o saturnino trabalho namorada de Plutão, fui então transportado, no eidolon, à Terra solar dos hiperbóreos… Essa é a ilha de Avalone, a mágica região Jinas onde habitam os deuses santos.
Sublime ilha de Apolo, terra firme no meio do “Oceano da grande vida livre em seu movimento…”
Ah! Se o imperador Frederico, na Idade Média, tivesse realizado em si mesmo o mistérios do Graal, o mistérios hiperbório… É indubitável que então teria voltado a florescer, de forma esplêndida, a árvore seca do império… É ostensível que o reino do Graal teria reaparecido do maravilhoso dentro do próprio Sacro Império Romano…
A senda da vida é formada com as pegadas dos cascos do cavalo da morte… Não é possível realizar em si mesmo, o mistérios hiperbório sem ser sido antes julgado na vasta Sala da Verdade-Justiça.
Não é possível a auto-realização íntima do Ser sem ter sido declarado “morto” na Sala da Verdade-Justiça.
Diz a lenda dos séculos que muitos iniciados viajaram no passado, até o país do Irmão João – a Terra Solar _ para receber certa consagração esotérica mágica muito especial… Estes irmãos da Ordem de São João na ilha do Apolo Solar, estão bem “mortos”… Não é pois, estranho, que eu também tivesse que viajar a terra de luz, ou terra solar.
No vestíbulo glorioso do santuário saturnino ante os régios seres, sentado, tive que responder certas perguntas. Os deuses santos tomaram nota num grande livro…
Nesses místicos instantes surgiram em toda a presença do meu Ser cósmico algumas lembranças…
Ah… Eu havia estado ali antes e no mesmo lugar santo, ante os tronos veneráveis, faz muitos milhões de anos
pela época do continente Mu, ou Lemuria… Agora regressava vitorioso, depois de ter sofrido muito. Ai! Ai! Ai!…
Preenchidos os indispensáveis requisitos esotéricos, saí do vestíbulo e entrei no templo…
Inquestionavelmente, o templo de Saturno, na Terra Solar jina das regiões setentrionais, estava cheio de intensas trevas…
É ostensível que o Sol e Saturno alternam seu trabalho no governo no mundo… E vi tronos. E se sentaram…
Os anjos da morte iam e vinham por aqui por lá e acolá…
Pessoas divinas chegaram ao templo. Vieram de diversos lugares da Ilha encantada, situada no extremo do mundo…
“Thule última a Sole Nomen Habens”, Ajryanem-Vaejo, o país setentrional dos velhos persas, onde esta localizado magicamente o palácio do Rei Arthur, como o Mitgard, a resplandecente residência sacrossanta dos Ases, os senhores inefáveis do Norte…

“Ó Maat ! Eis-me aqui que chego ante ti! Deixa-me, pois, contemplar tua radiante formosura! Olha meu braço se levanta em adoração ao seu nome sacrossanto!”
“Ó Verdade-Justiça, escuta! Chego ante os lugares em que as árvores não se dão, em que solo não faz surgir as plantas…” A figura esquelética do Deus da Morte, no estrado do santuário pesou meu coração na Balança da Justiça Cósmica, ante a humanidade divina…
Aquele Verbo de Potência, ante os brilhantes seres vestidos com os corpos gloriosos de Kam-ur, me declarou “morto”… Na tarima do santuário se via um simbólico ataúde, dentro do qual aparecia meu cadáver…
Assim foi como voltei ao céu de Saturno, ao Paranirvana, à morada dos tronos. Assim foi como reconquistei esse estado hierárquico que outrora havia perdido quando cometera o grave erro de comer das maças de ouro do jardim das Hespérides…
Posteriormente passei pela cerimônia da morte. Ao retornar para casa, deparei com algo inusitado… Vi cartazes funerais nos muros da minha mansão anunciando minha morte e convidando para meu enterro…
Quando atravessei o Umbral, encontrei com místico assombro, um ataúde de cor branca e muito formoso…
É ostensível que dentro daquela caixa funeral jazia meu cadáver, completamente frio e inerte… Muitos parentes e dolentes, ao redor daquele féretro, choravam e soluçavam amargamente…
Flores deliciosas embalsamavam com seu aroma o ambiente daquela peça… Aproximei-me da minha mãe que, nesses instantes, enxugava com um lenço suas lágrimas…
Beijei suas mãos com amor infinito e exclamei: “Graças te dou, ó mãe, pelo corpo físico que me deste! Muito me serviu esse veículo. Foi, certamente, um instrumento maravilhoso; porém, tudo na vida tem um princípio e um fim…”
Quando saí daquela morada planetária, ditoso, resolvi flutuar na aura do universo. Vi-me a mim mesmo convertido em um menino sem ego, desprovido dos elementos subjetivos das percepções…
Meus pequenos sapatinhos infantis não me pareceram muito formosos. Por um momento quis tirá-los, mas
logo me disse a mim mesmo: Ele me vestirá como quiser…
Na ausência do mortificante intelecto, que a ninguém faz feliz, só existia em mim o mais puro sentimento…
E quando me recordei de meu velho pai e irmão Germano, me disse: Eles já morreram…
E ao recordar todos esses dolentes que deixava no vale doloroso do Samsara, exclamei: “ Família? Qual? Já não tenho família…”
Sentindo-me absolutamente desencarnado, afastei-me, com a intenção de chegar a um remoto lugar onde deveria ajudar a outros… Em tais momentos de místico encanto, me disse: Por muito tempo não voltarei a tomar corpo físico…
Posteriormente senti que o cordão de prata o famoso Antakarana, o fio da vida, Ainda não se havia rompido.
Então tive que regressar ao corpo físico para continuar com a dura líder de cada instante…

O Céu de Urano
( Capítulo - 41 )
Diz a lenda dos incontáveis séculos que Enéias – o troiano satisfeito – sentou-se com o rei Evandro e os veneráveis senadores à mesa do festim…
“Os escravos lhe serviam toda classe de comidas e lhe escançaram o doce vinho; e, quando haviam satisfeito o desejo de comer e de beber, o rei Evandro explicou a seu hóspede que aquela cerimônia em honra de Hércules, que acabavam de celebrar quando chegaram, não era nenhuma superstição, senão um ritual que se devia ao deus por ser achar ali perto o lugar de uma de suas maiores façanhas (a oitava): a caverna onde deu morte ao ladrão Caco.
Via-se ali perto, um terrapleno enorme, coberto de pedras que pareciam ter sido derrubadas por algum terremoto. Debaixo delas estava a abertura que conduzia ao antro onde Caco se refugiou e onde o filho de Júpiter o encurralou, atirando-lhe pedras e troncos em castigo por haver tentado, este, roubar-lhe seus rebanhos.
Depois desta explicação do rei Evandro, um coro de adolescentes entoou o elogio de Hércules e de seus altos feitos. Enumera todos os seus trabalhos: Como estrangulou a hidra de Lerna, como matou o leão de Neméia e tirou das trevas para a luz Cérbero, o cão infernal…(o instinto sexual que nos deve guiar até a liberação final).
Acabadas as canções e as cerimônias, o velho rei, caminhando a passo lento, devido à idade, dirigiu-se para a cidade de Palântia, onde tinha seu trono, e caminhava sustentando por dois jovens: Palante, seu filho, e Enéias.
Enquanto os três andavam, entretinham-se em animar a conversa e o rei explicou que o nome de Lácio, onde se levantava sua cidade (Latium), vinha dos tempos antigos em que Cronos, o pai de Júpiter, se refugiou ali para fugir dos inimigos que defendiam a causa de seu filho, quando o destronara.
Então começou a idade de ouro, à qual se seguiu a idade de ferro, onde predominava a raiva da Guerra e o furor de possuir.
O país começou a ser invadido por gente de diversas procedências. Caminhando, Evandro mostrou a Enéias o bosque e os lugares onde haveriam de suceder, no futuro, as gestas da nova Roma; o lugar onde o impetuoso Rômulo realizaria suas façanhas; o Capitólio, agora praça coberta de ouro e mármore, então, um claro do bosque cheio de sarças e espinhos; e a rocha Tarpéia, de onde a justiça romana precipita os que são traidores da pátria.
Ruínas diversas mostravam ali os monumentos de outras idades, e umas pedras levantadas por Jano, e outras por saturno, davam nome a dois lugares: o Saturno e o Janículo. Tudo isto é textual de A Eneida de Virgílio, o poeta de Mântua, o bom mestre do Dante florentino…
Jesus, o Grande Kabir, foi crucificado entre dois ladrões; um a sua direita e outro a sua esquerda…

Agato, o bom ladrão em nosso interior, rouba o hidrogênio sexual Si-12 dos órgãos criadores com o evidente propósito de cristalizar p Espírito Santo, o grande consolador, dentro de nós mesmos, aqui e agora…
Caco, o mal ladrão, escondido dentro da tenebrosa caverna da infraconsciência humana, saqueia, aleivoso, o centro sexual do organismo para satisfação de brutais paixões animais… A cruz é um símbolo sexual surpreendente, maravilhoso, formidável. O pau vertical é masculino; o horizontal, feminino. No cruzamento de ambos se acha a chave de todo poder… O Lingam Negro, embutido no Yoni feminino, forma a cruz. Isto o sabem muito bem os divinos e os humanos…
Podemos e devemos assentar como corolário o seguinte postulado: Agato e Caco, crucificados no monte das Caveiras, à direita e à esquerda do Grande Kabir, alegorizam, enfaticamente, o tantrismo branco e o tantrismo Negro, a boa e a má magia do sexo…
A Bíblia, do Gênese ao Apocalipse, não é senão uma série de anais históricos da grande luta entre os sequazes de Agato e de Caco; a magia branca e a negra, os adeptos da senda da direita, os profetas, e os da esquerda, os levitas…
Nos abismos de Urano tive que reduzir a poeira cósmica o mau ladrão, o tenebroso Caco, aquele que antes saqueara o centro sexual da minha máquina orgânica para a vil satisfação de animalescas paixões…
Quando penetrei no vestíbulo do santuário, recordei que antes havia estado ali… Em antigos tempos… Com o olho de Shiva vi, no futuro, diversos movimentos tântricos de Aquário, entre os quais ressaltava o povo gnóstico, cujas bandeiras ondulavam, vitoriosas, em todos os países da Terra… Inquestionavelmente, Urano, Aquário, é sexual, mágico, revolucionário cem por cento…
Assim foi como reingressei ao céu de Urano, O Mahaparanirvana, a morada dos Querubins…
Assim foi como reconquistei aquele brilhante estado de Consciência que outrora havia perdido, quando caí, rendido, aos pés da Eva maravilhoso da mitologia hebraica…
 
O Céu de Netuno
( Capítulo - 42 )
Inquestionavelmente resulta muito complexo o Nono Trabalho de Hércules, o herói solar: a conquista do cinto do Hipólita, a Rainha das amazonas, o aspecto psíquico feminino da nossa própria na natureza interior…

Embarcando com outros heróis legendários, tem que pelejar, primeiro, com os filhos de Minos – os magos negros – depois, com os inimigos do rei de Licos, cujo exótico nome nos recorda a analogia entre lobo e luz – trata-se, pois, dos senhores do Karma, com os quais devemos, então, arregalar negócios – e, finalmente, com as amazonas – terríveis mulheres tentadoras – suscitadas por Hera, ainda que Hipólita tenha consentido em lhe ceder seu cinto pacificamente, sendo que a Rainha é inutilmente sacrificada pela brutalidade masculina que pretende apoderar-se violentamente de sua inata virtude.

Esse cinto maravilhoso, análogo ao de Vênus e emblema da feminilidade, perde todo significado e valor ao ser separado de sua legítima possuidora. O amor, e não a violência, faz, portanto, sua conquista realmente significativa e valiosa…

Tendo costeado o deus Netuno o continente atlante, agora submerso nas procelosas águas do oceano que leva seu nome, dizem as tradições que gerou vários filhos em uma mortal mulher…

Junto à ilha, onde habitara, era tudo plano; porém, no meio dela havia um vale muito especial com um pequeno monte central, distante cinqüenta estádios da arenosa praia…

Naquele monte morava um desses grandes seres nascidos na Terra, chamando Evenor, que de sua mulher Leucipe havia gerado Clitone, sua única filha.

Mortos estes pais de Clitone, Netuno casou-se com ela e cercou o outeiro em que habitava com vários fossos de água, dos quais, segundo diz a lenda dos séculos, três vinham do mar e distavam por igual do oceano, amuralhando o outeiro para fazê-lo inconquistável e inacessível.

Esta Clitone, ou Minerva-Neith, edificou, na Grécia, Atenas e Saís, no famoso delta do Nilo… Em memória de tudo isto, os atlantes edificaram o maravilhoso templo de Netuno e Clitone…

Nesse “sancta” foram depositados os cadáveres dos dez filhos de Netuno, simbólico número mágico… Não podemos deixar o estudo do número dez sem tratar a bíblica obrigação do dízimo, à qual se sujeitou voluntariamente o próprio Abraão, com relação ao rei iniciado Melquisedeque…
Segundo relata o capítulo XIV do Gênese: “Saiu o rei de Sodoma a recebê-lo (a Abraão)… Então, Melquisedeque, rei de Salém – o qual era sacerdote do Deus altíssimo – tirou pão e vinho e o abençoou e disse: “Bendito seja Abraão do Deus altíssimo, possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus altíssimo, que entregou teus inimigos em tua mão”. E deu-lhe Abraão os dízimos de tudo.”

Em seu aspecto exotérico, ou público, a obrigação do dízimo, na legislação judaica, é o dever universal que todos os irmãos da senda têm de contribuir fielmente com uma parte de seus ingressos – que não deve ser inferior ao dízimo – naquela forma livremente eleita que julguem mais oportuna e eficaz para sustentas a causa da verdade e da justiça…


Em seu aspecto esotérico, ou secreto, o dízimo simboliza a balança de pagamentos na esfera de Netuno…
É inquestionável que ali temos que arregalar contas com os inimigos do rei Licos (os Senhores do Karma).
É indubitável que todos nós assassinamos o deus Mercúrio, Hiram, e não é possível ressuscitá-lo dentro de nós mesmos sem haver antes pago o abjeto delito…
Por conseguinte, o dízimo vem a ser um complemento prático e necessário do princípio dinâmico que emana do estudo profundo do décimo mandamento, ou seja: Considerar, com fonte, manancial e providência espiritual de todo o centro interior e divino de nossa vida, o Iod misterioso que se esconde no meio do delta central do santuário de nosso ser…
Esclarecem este ponto do dízimo as palavras evangélicas (Mateus, VI, 20): “Mas, fazei-vos tesouros no céu… porque onde estiver vosso tesouro, ali estará vosso coração…”
O capítulo III de Malaquias diz: “Trazei todos os dízimos ao celeiro e haja alimento em minha casa, e provaime agora nisto, se não vos abrirei as janelas do céu e derramei sobre vós bênçãos, até que superabunde.”
Cavando nas profundos entranhas do Averno, trabalhando intensamente na nona esfera, eu buscava, com ânsias infinitas, o tesouro do céu, o Velocino de Ouro dos antigos…
Os filhos de Minos, os adeptos da mão esquerda, os levitas de sempre, iracundos, atacavam-me incessantemente nos pavorosos abismos netunianos… Na dura briga anelava conquistar o cinto de Hipólita; porém, as amazonas, suscitadas por Hera, assediavam-se, incansáveis, com seus sutis encantos abismais…
Uma noite qualquer, não importa agora a data, nem o dia, nem a hora, fui transportado ao castelo de Klingsor, localizado exatamente em Salamanca, Espanha…
Não é demais recordar agora, com grande ênfase, que nesse velho castelo, citado por Wagner em seu Parsifal, funciona o salão da bruxaria.
O que então vira, na tétrica morada das harpias, foi certamente horripilante… Sinistras feiticeiras de esquerdos conciliábulos, tenebrosas, atacaram-me muitas vezes no interior do castelo; entretanto, defendi-me valorosamente com a flamígera espada…
Meu velho amigo, o anjo Adonai – que, por estes tempos, tem corpo físico – teve que me acompanhar nesta aventura…
Não eram vãs, não, as lucubrações desses grandes videntes do astral que se chamaram alquimistas, cabalistas, ocultistas, etc. O que agora víamos dentro deste antro era certamente espantoso…
Muitas vezes desembanhei a flamígera espada para lançar chamas sobre a fatal morada do nigromante Klingsor…
De forma inusitado, Adonai e eu nos acercamos de umas feiticeiras que arrumavam a mesa para o festim…
Em vão atravessei, com a espada, o peito de uma dessas bruxas; ela permaneceu impassível.
Inquestionavelmente estava desperta no mal e para o mal…
É ostensível que quis fazer chover fogo do céu sobre aquela fortaleza horrenda… Fiz esforços supremos; senti-me desmaiar.

Nesses instantes o anjo Adonai acercou-se da janela dos meus olhos, para ver o que ocorria dentro de mim mesmo…
Imaginai, por um momento, qualquer pessoa, detendo-se ante a janela de uma casa para observar através dos vidros e ver o que sucede no interior da mesma…

É ostensível que os olhos são as janelas da alma e os anjos do céu podem ver através destes cristais o que sucede no interior de cada um de nós…
Feita a singular observação, Adonai retirou-se satisfeito. Meu próprio castelo interior, a morada de Klingsor, havia sido incinerado com o fogo íntimo…

Cada um de nós leva dentro a fortaleza de esquerdos conciliábulos; isto jamais o ignoram os Mahatmas…

Posteriormente tive que evidenciar claramente o aspecto tenebroso da existência. É ostensível que Satã tem o dom da ubiqüidade. Vede-o dentro de ti mesmo, por aqui, por lá e acolá…
Concluídos os trabalhos esotéricos nos infernos netunianos, tive então que ascender ao Empíreo, a região dos Serafins, criaturas do amor, expressões direta da unidade…

Assim foi como reconquistei este estado hierárquico no céu de Netuno. Este é o universo das mônadas divinais… Inquestionavelmente havia conseguido o cinto de Hipólita.
Qualquer noite destas, evidenciei-o numa festa cósmica; então, dancei com outros inefáveis…
Outra noite, flutuando no Empíreo, em estado serafínico, pedi a minha Mãe Divina Kundalini a lira; então, soube tocá-la com maestria…
 
A Ressurreição
( Capítulo - 43 )
É inquestionável que para Richard Wagner, como para todos os países cristãos, em geral, o Graal é a taça sagrada em que o Senhor de Perfeição bebera em sua última ceia; a divina taça que receberam o seu sangue real, vertido da cruz no monte das Caveiras e recolhida, devotamente, pelo senador romano José de Arimatéia.
O grande cálice foi possuído pelo patriarca Abraão. Melquisedeque, o Gênio Planetário do nosso mundo, transportou-o, com infinito amor, do país de Semíramis à terra de Canaã, quando iniciou algumas fundações no lugar em que, mais tarde, estaria Jerusalém, a cidade querida dos profetas. Utilizou-o sabiamente quando celebrou o sacrifício em que ofereceu o pão e o vinho da transubstancialização na presença de Abraão, e o deixou com este mestre. Também esteve este vaso santo na Arca de Noé…
Foi-nos dito que esta taça venerada foi levada, também, à terra sagrada dos faraós, ao país ensolarado de Kem, e que Moisés, o chefe dos mistérios judeus, o grande hierofante iluminado, a possui…
Antiquíssimas tradições milenares, que se perdem na noite aterradora de todas as idades, dizem que este vaso mágico era feito de uma material singular, compacta como a de um sino, e não pareciam ter sido trabalhada como os metais; ao contrário, pareciam produto de uma espécie de vegetação…
O Santo Graal é o cálice milagroso da suprema bebida, o vaso onde está contido o maná que alimentava os israelitas no deserto, o Yoni, o útero de eterno feminino… Nessa taça de delícias está contido o vinho delicioso da espiritualidade transcendente…
A conquista do “ultra-mare-vitae”, ou mundo superliminal e ultraterrestre, a ressurreição esotérica, seria algo mais que impossível sem a magia sexual, sem a mulher, sem o amor…
O Verbo delicioso de Ísis surge dentre o seio profundo de todas as idades, aguardando o instante de ser realizado…
As palavras inefáveis da deusa Neith foram esculpidas com letras de ouro, nos muros resplandescentes do Templo da Sabedoria… “Eu sou a que fui, é e será, e nenhum mortal levantou meu véu.”
A primitiva religião de Jano, ou Jaino, quer dizer, a áurea, solar, quiritária e super-humana doutrina dos jinas é absolutamente sexual…
Dentro do inefável idílio místico, comumente chamando “os encantos da Sexta-feira santa”, sentimos no fundo do nosso coração que nos órgãos sexuais existe uma força terrivelmente divina…
A Pedra da Luz, o Santo Graal, tem o poder de ressuscitar o Hiram Abif, o Mestre Secreto, o Rei do Sol, dentro de nós mesmos, aqui e agora…
O Graal conserva o caráter de um “misterium tremendum”. É a pedra caída da coroa de Lúcifer… Como força temível, o Graal fere e destrói os curiosos e impuros; porém, aos justos e sinceros os defende e lhes dá vida…

Inquestionavelmente, o Graal só pode ser alcançado mediante a Lança de Eros, combatendo contra os eternos inimigos da noite…
Realizar, em si mesmo, o mistério hiperbóreo só se torna factível, descendo aos mundos infernais… Dita ressurreição é a verdadeira apoteose, ou exaltação, do que há de mais elevado e vivente no homem: sua mônada divina, eterna e imortal, a qual se achava morta, oculta…
Indubitavelmente, esta é, em si mesma, o Verbo, o “fiat luminoso e espermático do primeiro instante”, o Senhor Shiva, o esposo sublime de nossa divina Mae Kundalini, o Arqui-Hierofante e o Arquimago, a sobre-individualidade particular de cada um…
Escrito está com caracteres de fogo no livro da vida: “Ao que sabe, a Palavra dá poder. Ninguém a pronunciou , ninguém a pronunciará, senão somente aquele que tem encarnado…”
Com a ressurreição do Mestre secreto em cada um de nós, alcançamos a perfeição na maestria…Então somos lavados de toda mancha, e o pecado original é eliminado radicalmente…
Eu trabalhei intensivamente na superobscuridade do silêncio e o segredo augusto dos sábios… Reconquistei meu lugar no Primeiro Céu, ou da Lua, onde Dante tivera a visão dos bem-aventurados e reconheceu, extático, a Piccarda Donati e a imperatriz Constança…
Voltei a meu lugar no Segundo Céu, ou de Mercúrio, morada dos espíritos ativos e benéficos… Retornei ao Terceiro Céu ou de Vênus, região dos espíritos amantes, ali onde Dante se ocupara de Roberto, o rei de Nápoles…
Regressei ao Quarto Céu, ou do Sol, morada dos espíritos sábios, capítulo onde Dante citara São Francisco de Assis…
Reconquistei o Quinto Céu, ou de Marte, a região dos mártires da fé; capítulo onde Dante menciona Cacciaguida e seus maiores, a antiga e a nova florença…
Retornei ao Sexto Céu, ou de Júpiter, região dos príncipes sábios e justos…
Regressei ao Sétimo Céu, ou de Saturno, morada deliciosa dos espíritos contemplativos; magnífico capítulo onde o Dante florentino mencionara com grande ênfase, a Pedro da Minhão e falara contra o luxo dos prelados…
Voltei ao Céu Oitavo, ou Estrelado, região de Urano, parágrafos imortais onde Dante mencionara o triunfo do Cristo Íntimo e a coroação da Divina Mãe Kundalini. Paraíso dos espíritos triunfantes…
Retornei ao Céu Nono, ou Cristalino, a região de Netuno; capítulo extraordinário em que Dante lançara sua invectiva contra os maus pregadores…
Posteriormente tive que comparecer ante o Terceiro Logos, Shiva, meu Real Ser, minha própria sobre-individualidade, Samael é em si mesmo…
Então, o Bendito assumiu uma figura distinta diferente da minha, como se fosse uma pessoa estranha. Tinha o aspecto de um cavaleiro muito respeitável…
O Venerável me pediu que fizesse um estudo quirosófico das linhas de sua mão…

A linha de Saturno em sua onipotente destra, pareceu-me muito reta surpreendente, maravilhosa ; no entanto, alguma parte me pareceu interrompida, danificada, quebrada…
- Senhor! O Senhor teve algumas lutas, sofrimentos…
- O Senhor está equivocado! Eu sou um homem de muita sorte. A mim sempre vai tudo muito bem…
- Bem… É que eu vejo um pequeno dano na linha de Saturno…
- Meça o senhor bem essa linha. Em que idade vê esse dano?
- Senhor!… Entre a idade dos cinqüenta e três (53) e os sessenta e um (61) tiveste uma época dura…
- Ah!… Isso é no princípio… Porém, depois, que tal?
- Oito anos passaram muito rápido e logo o triunfo que te aguarda…
Concluindo o estudo, o Venerável pôs-se de pé e disse: “A mim me agradam estes estudos quirosóficos; porém, esporadicamente. À minha esposa (Devi – Kundalini) também lhe agradam e prontamente vou trazêla.
Ah! Porém tenho que pagar o seu trabalho. Aguarde-me o senhor aqui, que voltarei para pagá-lo…”
O Bendito afastou-se e eu o fiquei aguardando… Ao longe vi duas filhas minhas, agora pessoas maiores de idade; entretanto, pareciam ainda pequenas. Preocupavam-me um pouco e as chamei…
É indubitável que por aquela época da minha atual existência eu tinha os citados cinqüenta e três (53) anos de idade… Na mão do Bendito havia visto o meu próprio futuro…
Evidentemente as oito iniciações recebidas deviam ser qualificadas. Duríssimo: Um ano para cada iniciação…
Vivenciar agora, em oito anos, todo o Livro do Patriarca Jó, pagar os dízimos de Netuno antes da ressurreição… O Livro de Jó é uma representação completa da Iniciação antiga e dos povos que precediam a magna Cerimônia.
O neófito, nele se vê despojado de tudo, até de seus filhos, e afligido por uma enfermidade impura. Sua esposa o angustia, burlando da confiança que ele põe num Deus que o trata. E seus três amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, atormentam-no, julgando-o um ímpio, seguramente merecedor de tal castigo…
Jó então, clama por um campeão, um libertador, porque ele sabe que este (Shiva) é eterno e vai redimi-lo da escravidão da terra (mediante a ressurreição íntima), restaurando sua pele.
Jó, por permissão divina vê-se atormentado, despojado, enfermo, sob a cruel ação desses seres malignos que Aristófanes chamou de “as negras aves”; São Paulo, “as cruéis potestades do ar”; a Igreja, “os demônios”; a teosofia e a Cabala, “os elementários”, etc., etc., etc…
Entretanto, como Jó é justo e entoa o tema de sua própria justificação frente a tais rigores do destino, vence, por fim, como o sagrado IT de sua crucificação na chaga da carne. E Jeová (o Iod-Heve interno de cada qual) permite que a ele se cheguem os anjos curadores, ou jinas, cujo clássico caudilho, em outros livros como o de Tobias, é o arcanjo Rafael.
Uma noite depois de uma festa cósmica em minha honra foi celebrada pelo motivo de haver sido bem qualificado na Primeira Iniciação, fui devidamente instruído…

- Tereis que pagar o crime de haver assassinado do Deus Mercúrio – foi me dito…
- Perdoai-me esse Karma…
- Isso não tem perdão e só se pode pagar trabalhando com a Lua.
Então vi como a Lua, em cada trabalho, acerca-se-ia mais e mais do planeta Mercúrio, até mesclar-se por fim como ele…
Meu Real Ser Íntimo, ou Deus Mercúrio, Shiva, minha mônada, acercando-se de mim, disse: “Tereis que usar as botas do Deus Mercúrio.” Posteriormente me calçou com tais botas…

Sensacional extraordinário foi para mim aquele instante em que o grande hierofante do Templo me mostrara um campo de desporte…
Olha! Disse-me. Tu converteste o templo de Mercúrio num campo de desporte…
Certamente todos assassinos Hiram (o Deus Mercúrio, nossa mônada), quando comemos da fruta proibida no jardim do Éden… Por isso se nos advertiu: “Se comerdes dessa fruta, morrereis…”
Posteriormente, o caminho tornou-se espantosamente difícil e eu tive que sofrer intensamente… É obvio que a senda do fio da navalha é absolutamente sexual. Tu sabes!…

- Filho meu! Tens que sofrer com paciência as conseqüências dos seus erros. Exclamou minha Mãe Divina Kundalini…
Outra noite cheia de dor, minha Mãe exclama com grande voz, dizendo: - Filho meu! Tu me trocaste, lá no mundo físico por outras mulheres…

- Isso foi no passado, Mãe minha. Agora não te estou trocando por ninguém…
- Tu me trocaste por outras mulheres.
-Passado é passado, o que interessa é o presente. Eu vivo de instante a instante; faço mal em discutir contigo…

- Passado, presente ou futuro, tu és o mesmo…
- Tens razão, Mãe minha…
Como negar, pois, que havia convertido o templo de Mercúrio num campo de desporte?
E sucedeu que, tendo ido de ferias ao porto de Acapulco, nas costas do Pacífico, México, tive que ser instruído sobre a estigmatização do corpo astral…
Fora do corpo físico, um monge santo, um ermitão, tratou de atravessar as palmas das minhas mãos com propósito de me estigmatizar. Nos instantes em que aquele cenobita golpeava o cravo para perfurar minhas mãos, saltavam raios divinos…
Nesses momentos orei a meu Pai, que está em secreto, solicitando-lhe ajuda. A oração chegou ao Senhor…


É inesquecível que na Iniciação havia recebido tais estigmas, porém, de forma simbólica…

Na montanha da ressurreição devia forma-los, fazê-los na forja dos Cíclopes… O anacoreta conduzia-me até a Igreja Gnóstica. Shiva, minha mônada divina, andou junto…
Dentro do templo vi um religioso andrógino, vestido com a túnica purpúrea, junto à pia do batismo…

- É muito forte e responde muito bem; porém, falta-lhe cumprir melhor com o Sacramento da Igreja de Roma (Amor)… - disse o Mahatma, dirigindo-se à minha mônada…
Desde então compreendi a necessidade de refinar ainda mais a energia criadora. Assim foi como fiz do Maithuna uma forma de oração…
A inserção do falo vertical dentro do útero formal faz cruz. Inquestionavelmente, os cinco estigmas crísticos, no corpo astral, são formados com a santa cruz…
Não é possível a ressurreição sem haver previamente formado os estigmas do Adorável no corpo astral.
Assim formei eu mesmo meus estigmas; assim os formaram os místicos de todos os tempos…
INRI… “Ignis Natura Renovatur Integram”: O Fogo renova incessantemente a natureza.

Conversando no México

( Capítulo - 44 )
Segunda-feira, 12 de junho, ano de 1972 (Décimo ano de Aquário).
- Bem, “Joaco” (familiar diminutivo de Joaquim), hoje vamos até o centro da cidade…
- Para quê, Mestre? No Sábado da semana passada retiramos a correspondência que havia no correio. Que poderia haver agora?
- De todas as maneiras, eu necessito ir ao centro. Tenho em meu poder um cheque e devo trocá-lo. Não se trata de uma grande soma, porém, sim, me serve para comer. Assim evitarei de gastar o pouco que já tenho reunido para o pagamento do aluguel da casa… Além do mais, devo colocar no correio muitas cartas; gosto de manter a correspondência em dia…
Momentos depois, Joaquim Amortegui V., missionário gnóstico internacional e grande paladino desta tremenda cruzada pela Nova Era de Aquário, e minha insignificante pessoa, que vale algo menos do que a cinza de um cigarro, nos dirigíamos para o centro da cidade do México…
Não é demais dizer, sem muita prosopopéia, que a mim me agrada conduzir meu próprio veículo. Assim, pois, muito contentes, deslizávamos, velozes, no carro, pelo calçamento e Tlalpan até a praça da Constituição (o Zócalo, como dizemos os mexicanos).
- Esta é a era do automóvel, meu estimado Joaco. Mas eu te confesso, francamente e sem rodeios, que, se tivesse que eleger a vida num mundo com uma técnica como esta ou em outro com uma idade de pedra, porém, isso sim, totalmente espiritual, eu preferia a Segunda, inquestionavelmente, ainda que, em vez de automóvel, tivesse que viajar a pé ou em burro…
-Oh! Eu também digo o mesmo… Viajo, agora, por sacrifício, por amor à humanidade, para ensinar a doutrinas; porém, prefiro mover-me nos burros e cavalos de antes. Não me agrada nada a fumaça destas grandes cidades, nem esta vida mecanicista…
Assim, conversando, Joaco e eu, ao longo de um calçamento que mais pareciam um rio de aço e cimento, chegamos ao Zócalo. Demos a volta neste ultimo, passamos por um lado da catedral metropolitana e logo nos metemos pela avenida Cinco de Maio, em busca de um estacionamento…
Instantes depois penetrávamos dentro de um grande edifício:
- Quer o senhor que lavemos seu carro?
- Não! Não! Não! Este é tempo de chuvas. Para quê?
- Enceramos seu automóvel, senhor?
- Não, rapaz, não. Deixa que primeiro o leve à chapeação e pintura!…

Conclusão: Saímos daquele edifício rumo ao correio, depois de ter deixado estacionado o carro.
No correio central tive certamente uma grata surpresa ao receber um exemplar da Sexta edição de “O Matrimônio Perfeito”. Foi-me remetido de Cúcuta, Colômbia, América do Sul, pelo missionário gnóstico internacional Efrain Villegas Quintero…
Recebi também algumas cartas; coloquei no correio aquelas que trazia de casa e depois nos dirigimos para uma casa de câmbio…
O cambista aquele, com a Consciência profundamente adormecida, estava demasiado ocupado em seu ofício.
Eu o vi com duas chamadas; uma em sua destra e outra em sua sinistra. Ostensivelmente atendia simultaneamente a dois telefonemas e até se dava ao luxo de conversar, a intervalos, com um terceiro cliente que estava ante o balcão do negócios…
Obviamente, aquele pobre humanóide intelectual de psique subjetiva achava-se não somente identificado com tudo, senão também tremendamente fascinado… e sonhava o tempo todo.

Falava esse homúnculo racional sobre valores, cotações, moedas, ouro, enormes somas, cheques, riquezas, etc., etc., etc…
Afortunadamente, não foi necessário aguardar muito tempo; seu secretário me atendeu diligentemente…
Instantes depois, saímos desse lugar com algum dinheiro no bolso. Não era muito, mas, sim, o suficiente como para a comida de uns quantos dias mais…

Caminhando outra vez pela famosa avenida Cinco de Maio, senti a necessidade de convidar Joaco para tomar um pequeno refrigerante. Este, ainda que é pouco comer, por consideração a mim, não declinou o convite.
Indubitavelmente encontramos um formoso lugar. Quero me referir ao Café Paris.
Uma elegante garçonete acerca-se de nós:

-Que vão pedir, senhores?
- Traga-me senhorita, -disse-lhe – um suco de morango e um pedaço de pastel de queijo…
- Eu – disse Joaco - quero tão só um suco de mamão…
Escutadas estas palavras dos cavalheiros, a dama se retira para reaparecer, momentos depois, com as mencionados pedidos…
Saboreando muito lentamente o delicioso refrigério, extraindo desses manjares seu elemento espiritual, entre ambos, Joaco e eu, entabulamos o seguinte diálogo:
- Eu te conto, Joaco, que já me vou aproximando do final do meu livro intitulado As Três Montanhas.
Certamente só me falta uma introdução à Terceira Montanha, três capítulos da Ascensão e a conclusão…
-Então, já o senhor está acabando esse trabalho!
- Sim, Joaco! Sim, sim… O interessante de tudo isto é que agora me toca apelar para a Lemúria…

- Como? À Lemúria? Por quê?
- É claro que nesta reencarnação só cheguei até o cume da Segunda Montanha. Entretanto, naquele arcaico continente Mu, ou Lemúria, outrora situado no vasto Oceano Pacífico, passei pelas Três Montanhas…
Então, inquestionavelmente, consegui a liberação; mas, renunciei a toda felicidade e fiquei neste vale de lágrimas para ajudar a humanidade. É ostensível que a posse do elixir da longa vida, me permitiu conservar aquele corpo lemur durante milhões de anos…
Assim, pois, meu estimado Joaco, eu te conto que fui testemunha presencial de todas aquelas catástrofes vulcânicas que acabaram com o continente Mu. É evidente que, através de mais de dez mil anos de incessantes terremotos e pavorosos maremotos, aquela terra antiga submergiu entre as procelosas águas do Oceano Pacífico. É algo patético, claro e definido que, conforme aquele velho continente foi submergindo lentamente entre as ondas embravecidas do borrascoso oceano, a Atlântica, aquela de Platão, surgiu paulatinamente dentre as profundas águas do Atlântico…
Inquestionavelmente, eu vivi também com meu corpo lemur no “país das lombas de barro”. Conheci suas poderosas civilizações, muito superiores à atual e o vi submergir entre as furiosas ondas do oceano que leva seu nome…
“No ano 6 de Kan, o 11 Muluc, no mês Zrc, ocorreram terríveis terremotos que continuaram sem interrupção até 13 Chuen. “O país das lombas de barro”, a terra atlante, foi sacrificada. Depois de duas comoções desapareceu durante a noite, sendo Constantemente estremecida pelos fogos subterrâneos, os quais fizeram que a terra afundasse e reaparecesse várias vezes e em diversos lugares. Por fim, a superfície cedeu e dez países se separaram e desapareceram. Afundaram-se 64 milhões de habitantes, 8.000 anos antes de escrever este livro. (Isto é textual de um manuscrito maia que é parte da famosa coleção de Le Plongeon, “os Manuscritos de Troano”, e que podem ser vistos no Museu Britânico).
Antes que a estrela Bal caísse no lugar onde agora só existe mar e céu, antes que sete cidades com suas portas de ouro e templos transparentes tremessem e estremecessem como as folhas de uma árvore movidas pela tormenta, eu saí dali rumo à meseta central da Ásia, a esse lugar onde hoje está o Tibet…
Nessa zona da Terra se mesclaram os sobreviventes atlantes com os nórdicos. Assim se formou a primeira sub-raça de nossa atual raça ária…
O guia Salvador dos atlantes eleitos, aquele que os tirara do “país das lombas de barro”, foi o Noé bíblico, o Manu Vaivasvata, o fundador da raça ária.
Ainda recordo, além do tempo e da distância, aqueles festivais cósmicos que então foram celebrados em nosso monastério. Quero me referir, de forma enfática, à Ordem Sagrada do Tibet, velha instituição esotérica. É indubitável que aquela antiga ordem conta com duzentos e um (201) membros. O plano maior é formado por setenta e dois (72) brâmanes. Inquestionavelmente, tão benemérita organização mística conserva o tesouro do Aryabarta Ahsram. Por aqueles tempos era eu sempre recebidos, ali, com muita veneração. Exótico resultava, vivendo com corpo lemur em pleno mundo ário…
Desafortunadamente, o diabo em qualquer lugar mete o rabo, e sucedeu desgraçadamente algo insólito. Voltei às minhas antigas andanças. Reincidência no delito. Enamorei-me, outra vez, da Eva sedutora da mitologia hebraica e traguei o fruto proibido. Resultado: A grande lei me tirou tão precioso veículo e de vida em vida fiquei, como um judeu errante, sobre a face da Terra…

- Agora sim, Mestre, sinto-me mais pequeno que uma formiga, como nada. Não compreendo! Se o senhor dissolveu o ego, o mim mesmo, quem poderia ser tentador? De que forma caiu?…
- Ó Joaco… Em nome da verdade quero que tu saibas que, quando o eu é dissolvido, fica no seu lugar a mente… Indubitavelmente esta foi a “causa causorum” de minha caída…
-Isto é algo inusitado. Não entenda…
- Coisas passionais. Enamorei-me, incorri no mesmo erro do conde Zanoni. Isto é tudo!…
Tal donzela de misteriosos encantos para mim estava proibido. Entretanto, devo dizer que, rendido, caí aos pés da fêmea deliciosa…
Minha Mãe Divina Kundalini me levou, Posteriormente, ao interior de uma caverna, na profundidade da montanha. E então vi chuvas, lágrimas e torrentes de água turva; amarguras e lodo; miséria, etc., etc., etc…
“Vede o porvir que vos aguarda!” Exclamou minha Mãe.
Inúteis foram as minhas súplicas; não merecia perdão. Era um reincidente no delito. Por fim, eu vi encerrar-se dentro do chacra Muladhara, no osso coccígeo, e então… Ai de mim! Ai! Ai!…
Havia cometido o mesmo erro que no arcaico continente Mu motivara a caída angélica. É inquestionável que antes de ingressar nos mistérios lemurianos já havia incorrido no mesmo delito…
A alegoria do bíblico Adão, considerada da árvore da vida, significa, claramente, que aquela raça lemuriano, que acabavam de separar-se em sexos opostos, abusou do sexo e se afundou na região da animalidade e da bestialidade…
O Zohar ensine que Matromethah (Shekinah, simbolicamente a esposa de Metraton) “é o caminho para a grande árvore da vida, a árvore poderosa, e Shekinah é a graça divina.” Não há dúvida que esta árvore maravilhoso chega ao vale celestial e se acha oculta entre as Três Montanhas. Desde estas Três Montanhas ascende a árvore ao alto e logo volta a descer ao baixo. A árvore do conhecimento do bem e do mal cresce das raízes da árvore da vida. Os Dhyanis Boddhisattwas, reencarnados em lemurianos corpos, reproduziam-se mediante o poder de Kriya-Shakti (o poder da vontade e da ioga).
Atributos de Shiva: o “lingam” negro embutido no “yoni”. Inquestionavelmente, o Arqui- Hierofante e Arquimago não derrama jamais o vaso de Hermes.
Quando os Dhyanis – entre os quais estava eu mesmo – cometeram o crime de derramar esse vidro líquido, flexível, maleável da alquimia, afastaram-se de sua mônada divina (assassinaram o deus Mercúrio), caíram na geração animal…
- Estou assombrado!
- Por quê, Joaco, Por quê? Fui acaso o primeiro que caiu ou o ultimo?
H. P. Blavatsky diz na “A Doutrina Secreta” que Samael foi o primeiro a cair, mas isto é simbólico. É ostensível que sou o Dhyani Boddhisatwa. O “quinto” dos “sete” e por tal motivo se diz que Samael foi o primeiro a cair. Afortunadamente já estou de pé, apesar de haver reincidido no mesmo delito…

Quão diferente foi o caso de muitos desses outros Dhyanis caídos na geração animal. Recordemos a Moloch, o grande homicida, agora involuido espantosamente nos mundos infernos. Recordemos a Andrameleque e a seu irmão Asmodeu, dois tronos precipitados ao Averno…
- Eu acreditava que depois da liberação, toda caída seria impossível…
Tu te equivocas, meu estimado Joaco. No cosmos sempre existe o perigo de cair. Somente entrando no Imanifestado Sat, o Espaço Abstrato Absoluto, desapareceu todo perigo…
Concluída a conversa de sobremesa, chamamos a senhorita que humildemente atendia a mesa dos senhores…

- A conta, senhorita?…
- Sim, senhores… é tanto…
- Aqui tem também sua propina…
Muito quietinhos saímos desse suntuoso lugar em busca do carro… Ambulando outra vez, sob o sol, por essa famosa avenida Cinco de Maio, ocorreu-me dizer:
- O grave, ó Joaco é a abominável ressurreição do ego animal depois da caída. Inquestionavelmente, o mim mesmo ressuscita como a ave de Fênix de suas próprias cinzas. Agora tu compreenderás, profundamente e de forma íntegra, qual é o motivo intrínseco pelo qual todas as teogonias religiosas enfatizam a idéia de que os anjos caídos se converteram em demônios…
- Ah! Sim!… Isto está muito claro…
Momentos depois deslizávamos, velozes, pelo calçamento de Tlalpan de regresso para casa…
- Como eu subi e baixei e voltei a subir, é óbvio que possuo vasta experiência nestas questões de tipo esotérico…
- Ó, Mestre! O senhor tem, nesse sentido, experiência muito especial…
Certamente, meu caro leitor! Eu não sou mais do que um mísero gusano de o lodo da terra, um qualquer que nada vale. Entretanto, como percorri o caminho, posso indicá-lo com inteira claridade e isso não é um delito…
Concluiremos o presente capítulo com aquela frase de Goethe: “Toda teoria é cinza e só é verde a árvore de dourados frutos, que é a vida…”
 
O Décimo Trabalho de Hércules
( Capítulo – 45 )
A Décima Façanha de Hércules, o grande herói solar, foi a conquista do rebanho de Gerião, matando seu possuidor, aquele que o enfrentou depois de seus guardiões os cães Ortros e Eurítião.
Este insólito acontecimento teve por cenário a ilha de Erítia ( A Vermelha), além do oceano, o qual parece referir-se à uma ilha do Oceano Atlântico, habitada por seres gigantescos, personificados claramente pelo próprio tricípite Gerião, que pareceu sob suas mortíferas flechas, depois de seu vaqueiro e do cão, abatido por sua maça.
A mitologia comparada corteja o cão bicípite Ortros, irmão de Cérbero, com Vritra, o gênio védico da tempestade.
Em sua viagem passa Hércules da Europa à África, para depois atravessar o oceano na taça de ouro (no vaso sagrado), que inteligentemente utiliza na sua viagem noturna…
Isto significa claramente que o Sol esplendoroso teve que esperá-lo enquanto não regressava, detendo-se em seu solstício para o bem do herói…
Indubitavelmente, o homem-Deus passou com o ganho adquirido na mesma taça, ou Santo Graal, para depois regressar pelo caminho da velha Europa, numa viagem cheia de infinitas aventuras…
Conta a lenda dos séculos que então o herói solar levantou as colunas “J” e “B” da maçonaria oculta sobre o estreito de Gibraltar, provavelmente em agradecimento aos Dióscuros, que o fizeram sair vitorioso na empresa…
De regresso a Micenas, as vacas foram sacrificadas a Juno, para aplacar seu aborrecimento, por seu irmão Eristeu.
Em se tratando dos mistérios arcaicos, não é demais dizer que estes eram celebrados sempre em augustos templos senhoriais…
Quando transpassei o umbral daquele templo Mu, ou Lemuriano onde outrora for a instruído nos mistérios da ascensão do Senhor, com infinita humildade solicitei ao hierofante alguns serviços que me foram concedidos…
É indubitável – e isto o sabe todo Iniciado – que toda exaltação vem precedida sempre por uma espantosa e terrível humilhação… Claramente temos asseverado, em tom enfática que a toda subida antecede uma baixada…
A Décima Façanha de Hércules, o herói solar do esoterismo, realiza-se nos mundos infernos do planeta Plutão…

Sentimentos dolorosos rasgaram minha alma quando me vi submetido à tortura do desprendimento… Aquelas damas de augustos tempos, a mim ligadas pela lei do Karma, com o coração destroçado, aguardavam-me no Averno…
Todas essas beldades tentadoras, perigosamente belas, se sentiam com pleno direita sobre mim… Para meu bem ou para meu mal, aquelas fêmeas terrivelmente deliciosas haviam sido minhas esposas em reencarnações anteriores, conseqüência natural da grande rebelião e da caída angélica…
Os cães Ortros e Eurítião, símbolos vivos da paixão animal, assediaram-me inclementes, com ferocidade inaudita; multiplicaram-se até o infinito das tentações.
Entretanto, à base de Thelema (vontade) e compreensão profunda e com a ajuda da minha Divina Mãe Kundalini, venci o senhor do tempo, o tricípite Gerião… É indubitável que assim me apoderei do rebanhos e me fiz pastor autêntico, não de vacas, como veladamente se diz, senão de ovelhas…
Para o bem da Grande Causa, convém que, na continuação, estudemos alguns versículos do capítulo 10 de João: “Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que não entra pela porta (o sexo) no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte (pregando doutrinas diferentes que nada têm a ver com a magia sexual branca), o tal é ladrão e salteador (furta as ovelhas e as leva para o abismo).” (Nós saímos do Éden pela porta do sexo; só por dita porta podemos voltar ao Éden. O Éden é o próprio sexo).
“Mas aquele que entra pela porta (o sexo), pastor das ovelha é. A este abre o porteiro e as ovelhas ouvem sua voz, e a suas ovelhas chama pelo nome (com o Verbo íntimo) e as tira (leva-as pelo caminho do fio da navalha). E como retirou todas as próprias, vai diante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem sua voz (seu Verbo). Mas, ao estranho não seguirão, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos (os falsos pastores não possuem o Verbo).”
Esta parábola lhes disse Jesus (cujo significado é Salvador), mas eles não entenderam o que era que lhes dizia (é evidente que atrás da letra que mata está o espírito que vivifica).
Voltou, pois, Jesus (o Salvador íntimo) a lhes dizer: “Em verdade, em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas (não está o poder no cérebro, nem em nenhuma outro lugar do corpo, senão no sexo).”
(Com outras palavras asseveramos o seguinte: O poder criador do Logos encontra-se exclusivamente no sexo.
É fácil, agora, compreender porque ele é a porta das ovelhas: Buscar escapatórias equivale a fugir da porta do Éden…).
“Todos os que antes de mim vieram (porque não foram iniciados nos mistérios sexuais) ladrões são e salteadores.”
“Eu sou a porta. O que por mim entrar será salvo (não cairá no abismo da perdição) e entrará, e sairá, e achará pastos (rico alimento espiritual).”
Cristo, sem a serpente sexual, nada poderiam fazer. É por este motivo que o Segundo Logos, o Senhor de Perfeição, o Logói íntimo de cada qual, desce de sua elevada esfera e se faz filho da Divina Mãe Kundalini, a serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes…(por obra e graça do Terceiro Logos).
Os setianos adoravam a grande luz e diziam que o Sol, em suas emanações, forma ninho em nós e constitui a serpente.

É ostensível que aquela seita gnóstica tinha como objeto sagrado um cálice, um “yoni”, o Santo Graal, no qual tomavam o sêmen de Benjamin. Este último, em si mesmo, era uma mescla de vinho e água…
Indubitavelmente, jamais faltava sobre o altar dos nazarenos gnósticos o símbolo sagrado da serpente sexual… A força, o poder que acompanhou Moisés, foi a serpente sobre a vara que depois se converteu na própria vara.
No canto de Homero a Deméter, encontrado numa biblioteca russa, vê-se que tudo gira ao redor de um feito fisiológico-cósmico de grande transcendência.
“Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor (aquele que já alcançou esse grau esotérico crístico) sua vida dá pelas ovelhas.”
“Mas, o assalariado (o esoterista tântrico que ainda não conseguiu a cristificação), e de quem não são próprias as ovelhas, vê o lobo que vem, e deixa as ovelhas e foge, e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.”
“Também tenho outras ovelhas que não são deste redil (que estão metidos em outras escolas), as quais também me convém trazer, e ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor.”
“Por isso me ama o Pai, porque eu ponho minha vida para voltar a tomá-la (o Cristo Íntimo cristalizar em nós e nos redime quando somos dignos).”
“Ninguém mais tira, mas eu a ponho de mim mesmo (como que dizendo: Cristalizando-a na minha humana pessoa quando quero). Tenho poder para pô-la e tenho poder para voltar a tomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai.”
Depois deste comentário crístico esotérico, é indispensável que continuemos com o presente capítulo…
Que simplicidade! Que infalsificável formosura primitiva têm, na verdade,todos esses relatos platônicos que versam sobre deuses e deusas arcaicos, seres divinos do passado lemuriano, autênticos pastores tântricos do Éden sexual…!
Sublimes criaturas que levantam cidades ciclópicas, instruem povos, dotam-nos de uma legislação jamais superada e premiam seus heroísmos. Realizar em si mesmo o mistério hiperbóreo, o mistério do Graal, é urgente anelamos converter-se em autênticos profetas, em genuínos pastores cristificados…
Necessitamos passar o Mar Vermelho, atravessar o oceano tempestuoso da vida, passar para outra margem na taça de ouro, no vaso sagrado que Hélios, o Sagrado Sol Absoluto, nos empresta…
Concluídos os esotéricos trabalhos nos infernos do planeta Plutão, tive, então, que levante colunas… Plus Ultra, Adam-Kadmon, Homem celeste: tais são os místicos significados que foram atribuídos às colunas de Hércules…
Aquele evento cósmico-humano foi procedido pela desencarnação da minha esposa-sacerdotista Litelantes…
Inquestionavelmente ela, em si mesma, era certamente o único nexo kármico que neste vale doloroso do Samsara me ficara…
Eu a vi afastar-se de ser descartado veículo lemuriano, vestida, certamente, de rigoroso luto… Adão-Eva é indubitavelmente o significado mais secreto das duas colunas de Hércules… Reconciliação com o divinal resulta urgente, inadiável, impostergável. Tu o sabes… Levantar colunas é reconciliação, regresso do casal original, volta ao Éden…
Necessitamos retornar ao ponto de partida original, voltar ao primeiro amor. Isso é insdiscutível, irrefutável, irrebatível!… Nos arcaicos mistérios do continente Mu, ou Lemúria, eu tive que vivenciar o cru realismo disso em bodas paradisíacas, edênicas…
Então, recebi por esposa uma grande iniciado. Quero me referir, de forma enfática, à outra metade da laranja, à minha Eva particular, primigênia. Assim levantei as duas colunas de Hércules…
Em plena mesa do festim me encontrava, acompanhando, ditoso, pela nova esposa e muito altos sacerdotes…
Litelantes, então, atravessou o umbral da régia sala. Veio, desencarnada, presenciar a festa…
Assim, ó deuses, foi como restabeleci o Segundo Logos, o Cristo Cósmico, no santuário da minha alma…
A Undécima Façanha de Hércules
( Capítulo – 46 )
A Undécima Façanha de Hércules, o herói solar, teve lugar no domínio transatlântico, consistindo em se apropriar das maçãs das Hespérides, as ninfas, filhas de Héspero, vivíssima representação do planeta Vênus, o luzeiro delicioso do amor…
Desconhecendo o caminho, necessitava primeiro adonar-se de Nereu, que tudo sabe. E depois, na África, enfrentar em luta corpo a corpo, o espantoso gigante Anteu, filho de Posêidon…
Também se costuma relacionar com esta viagem a liberação de Prometeu-Lúcifer, matando a águia que atormenta, assim como a substituição temporária do famoso Atlas, carregando o mundo sobre suas espáduas titânicas, para conseguir seu auxílio…
Finalmente, as simbólicas maçãs de ouro lhe são entregues pelas próprias Hespérides, matando previamente o dragão que as guardava…
Evidentemente, esta façanha tem estreita relação com o relato bíblico dos frutos da árvore da ciência do bem e do mal no jardim edênico, naquele que, não obstante, o dragão é substituído por uma cobra que convida a colher e a provar esses frutos maravilhosos que Hércules depois entrega a Atena, a deusa da sabedoria e sua divina protetora…
O descenso intrépido ao velho Tártaro do undécimo planeta do nosso sistema solar fez-se urgente, inadiável, impostergável, antes do ascenso ao Pai (o Primeiro Logos).
Abrupto, quebrado e desigual caminho descendente me conduz, fatalmente, até as horrendas trevas da cidade de Dite…
Meu Nereu, ou melhor diríamos, meu guruji, mestre ou guia, pacientemente me ensinou todos os perigos…
E foi, certamente, nesses horripilantes abismos da dor, naquele planeta que está mais além da órbita de Plutão, onde encontrei Anteu, o gigante descomunal, mais espantoso ainda que o desmesurado Briareu.
O Dante florentino, em sua Divina Comédia, exclama:
“Ó tu que no afortunado vale onde Cipião herdou tanta glória, quando Aníbal e os seus voltaram as costas, recolheste mil leões por presa e que, se tivesses assistido à grande Guerra de teus irmãos, ainda há quem creia que terias assegurado a vitória aos filhos da Terra! Se não o levas a mal, conduze-nos ao fundo onde o frio endurece o Cocito. Não faças que me dirija a Tício nem a Tifeu, este que vês pode dar o que aqui se deseja; portanto, inclina-te e não torças a boca. Ainda pode renovar tua fama no mundo, pois vive e espera gozar ainda de longa vida, se a Graça não o chama a si antes do tempo…”.
Assim lhe disse o Mestre, e o gigante, apressando-se em estender aquelas mãos que tão rudemente oprimiram Hércules, colheu o meu guia.

Quando Virgílio se sentiu agarrado, disse-me: “Aproxima-te para que eu te tome”. E em seguida me abraçou de modo que os dois juntos formávamos um só fardo.
Como ao olhar a Corisenda pelo lado que está inclinada, quando passa uma nuvem por cima dela em sentido contrário, parece próxima a desabar, tal me pareceu Anteu, quando o vi inclinar-se. E foi para mim tão terrível aquele momento que teria preferido ir por outro caminho. Porém, ele nos conduziu , suavemente, ao fundo do abismo que devora Lúcifer e Judas; e sem demora cessou sua inclinação, voltando a se erguer como o mastro de um navio…” (Isto é textual de A Divina Comédia).
Anteu, alegórico personagem magista, representativo titã das hordas tenebrosas abismais…
Travadas mui cruentas batalhas contra os demônios da cidade de Dite, teve que ser libertado Lúcifer-Prometeu…
Eu vi abrir-se a acerada porta do horripilante calabouço; o guardião lhe cedeu passagem…
Cenas terríveis da obscura morada, casos insólitos, insuspeitados; o que os moradores da Terra ignoram…
Lúcifer é o guardião da porta das chaves do santuário, para que não penetrem nele senão os ungidos que possuem o segredo de Hermes…
O Christos-Lúcifer dos gnósticos é o deus da sabedoria sob distintos nomes, o deus de nosso planeta Terra, sem nenhuma sombras de maldade, pois é uno com o Logos platônico… Prometeu-Lúcifer é o ministro do Logos Solar e o senhor das sete mansões de Hades…
Lúcifer certamente é o espírito da iluminação espiritual da humanidade e da liberdade de eleição e, metafisicamente, o brandão da humanidade; o Logos, em seu aspecto superior, e o adversário, em seu aspecto inferior; o divino e encadeado Prometeu: a energia ativa e centrífuga do universo; fogo, luz, vida, luta, esforços, Consciência, liberdade, independência, etc., etc., etc…
A Lúcifer estão encomendadas a espada e a balança da justiça cósmica, pois que ele é a norma do peso, da medida e do número.
Dentro de cada um de nós, Lúcifer é a reflexão do Logói íntimo, sombras do Senhor projetada no fundo do nosso Ser…
No instante em que escrevo estas linhas, vem-me à memória um caso insólito… Uma noite qualquer, não importa qual, tive que encontrar o espantoso personagem dentro de uma formosa recâmara…
Imponente, Prometeu-Lúcifer, sustentando sobre patas de besta, em vez de pés, mirava-me ameaçante. Dois espantosos cornos luziam pavorosos em sua fronte sinistra. Entretanto, estava vestido como elegante cavalheiro…
Acercando-me dele serenamente, dei-lhe algumas palmadinhas no ombro ao mesmo tempo que lhe dizia:
- Tu a mim não me espantas. Eu te conheço muito bem. Não me pudeste vencer. Sou vitorioso…
O colosso retirou-se e eu, sentando-me no afofado e perfumado leito de caoba, aguardei um momento…
Posteriormente penetrou na alcova uma fêmea perigosamente bela; desnuda, recostou-se na cama…

Quase desmaiada de luxúria, a formosa envolveu-me em seus impudicos braços, convidando-me aos prazeres da carne… Deitado junto à bela, demonstrei meus Poderes ao diabo; dominei-me a mim mesmo…
Depois me levantei da cama de prazeres. A beldade aquela, quase morta de lubricidade, sentindo-se defraudada, contemplou-me inutilmente…
Na continuação, entrou na mansão um menino resplandecente, radiante criatura, terrivelmente divina… O infante sublime, ricamente ataviado com formosa túnica sacerdotal de uma cor negra muito especial, atravessou o exótico recinto…
Eu o reconheci de imediato e aproximando-me dele, muito quietinho, disse-lhe:
- É inútil que te continue disfarçando. Eu te reconheço sempre, ó Lúcifer!… Tu jamais me podes vencer…
Aquela criatura sublime, terror dos ignorantes, sorriu, então, com doçura infinita… Inquestionavelmente, ele é o Divino Daimon de Sócrates, nosso treinador especial no ginásio psicológico da vida…
Justa é sua liberdade depois do seu duro trabalho; o Logos o traga, o absorve-o… Até aqui este relato.
Continuemos com o tema transcendental deste capítulo… Minha nova sacerdotisa na Montanha da Ascensão resultou certamente extraordinária…
Obviamente acelerou-se o meu progresso íntimo e, em conseqüência, consegui apoderar-me das maçãs de ouro do jardim das Hespérides…
As ninfas venustas, esquisitamente deliciosas, caíram aos meus pés, não me puderam vencer… Concluído os trabalhos mágicos naquele Averno, ascendi, vitorioso, ao Pai…
É óbvio que este místico acontecimento transcendental de modo algum podia passar despercebido… Aquele evento cósmico foi então celebrado com infinita alegria no Sancta… Em esplêndido trono, sentado ante a augusta confraria, senti-me completamente transformado…
Nesses momentos indizíveis, o Ancião dos Dias, meu Pai que está em secreto, a bondade das bondades, o oculto do oculto, a misericórdia das misericórdias, o Keter da cabala hebraica, resplandeceu dentro de mim, cristalizou definitivamente em toda a presença do meu Ser…
Em tais instantes, os Irmãos da Fraternidade Universal Branca, com infinita veneração, me contemplaram…
Meu rosto assumiu o aspecto da ancianidade…
Indubitavelmente havia conseguido cristalizar nas diversas partes do meu Ser as três forças primárias do universo…
A Décimo Segundo Trabalho de Hércules
( Capítulo – 47 )
Décimo Segundo Trabalho de Hércules, o herói solar, foi certamente imposto por seu irmão, quer dizer, por seu resplandecente protótipo divinal no Sagrado Sol Absoluto.
lndubitavelmente, dito trabalho consistiu em tirar do seu domínio plutônico o cão tricípite que o guardava...
Tendo entrado na morada subterrânea dos mortos, trata, primeiro, de propiciar o próprio Aidoneus, o qual lhe permite levar o cão com a condição de que consiga apropriar-se dele sem armas, o que faz colhendo-o primeiro pelo seu rabo de dragão e depois pelo pescoço, até sufocá-lo
Hermes o guia no caminho de regresso, e, depois que Cérbero foi mostrado a Micenas, deixa-o livre para que regresse à sua residência...
Inquestionavelmente, nosso resplandecente sistema solar de Ors tem doze planetas, e isto vem a nos recordar os doze salvadores...
Resulta palmário e evidente que o trabalho final de Hércules há de se realizar sempre no décimo segundo planeta da família solar...
Igualmente, só com Escorpião, cuja constelação é a mais apropriada para figurá-lo, podemos e devemos relacionar a última de suas façanhas zodiacais, consistindo em tirar o cão tricípite do ciumento subterrâneo, do reino das sombras, onde a verdade se disfarça de trevas...
Naturalmente, só pode cumprir esta tarefa com o consentimento do próprio Hades, ou Plutão, e com a ajuda de Hermes e de Minerva ao mesmo tempo... (Sexo-ioga e sabedoria).
Com infinita veneração transpus o umbral do templo. Anelava a liberação final... No amuralhado pátio dos sacerdotes, resplandeceram, gloriosamente, as águas espermáticas da piscina sagrada...
O iniciático lago da representação dos mistérios antigos, eterno cenário de todo templo, não podia faltar ali... O que naquele lemúrico santuário então pedira, inquestionavelmente me foi concedido...
Iniciou-se meu trabalho com o descenso ao Tártaro naquele planeta doze de nosso sistema solar...
Três fêmeas deliciosas, perigosamente belas, em vão apelaram a todos os seus encantos irresistíveis...
Diabretes provocativas lutaram até o impossível; quiseram fazer-me cair; mas eu soube dominar-me a mim mesmo...
O signo zodiacal de Escorpião desatou em meus órgãos criadores todos os seus ardores passionais; entretanto, ganhei todas as batalhas contra mim mesmo...
O cão-guia (o instinto sexual) conduz sempre o cavaleiro pelo angusto caminho que vai das trevas à luz, da morte à imortalidade...
O cão puxa a coleira de seu amo, levando-o pela escarpada senda até a meta. Posteriormente o cão deve descansar. Então vem a grande renúncia.
Em harmoniosa concordância rítmica com este evento cósmico-sexual, advém, iniludível, o supremo desprendimento de todas as coisas materiais e a eliminação radical do desejo de existir...

A idéia transcendental do "hálito das trevas" movendo-se sobre "as águas dormentes da vida", que é a matéria primordial com o espírito latente nela, convida-nos à reflexão...
Em todas as cosmogonias, ' "a água" (o "ens seminis") desempenha o mesmo papel importante. E a base e a origem da existência material e o fundamento de toda autêntica auto-realização íntima.
Entretanto, é urgente, inadiável, impostergável, jamais ignorar que entre o abismo primitivo, no fundo das águas, moram muitíssimas bestas perigosas...
Se os divinos titãs do velho continente Mu, aqueles anjos caídos na geração animal, não se tivessem olvidado desta tremenda verdade, se tivessem permanecido alertas e vigilantes como vigia em época de guerra, ainda se achariam em estado paradisíaco...
Adonar-se completamente do cão tricípite, sem arma alguma, significa, de fato, controle absoluto sobre o sexo...
Quando me fiz dono de tal cão, ascendi, vitorioso, do fundo do negro e horroroso precipício... Então encarnou em mim o Ser de meu Ser. Isso que está mais além de Brama, Vishnu e Shiva aquele Divino Protótipo Solar Absoluto.
Quando este feito místico aconteceu, entrei, ditoso, num pequeno santuário do Sagrado Sol Absoluto...
Desde esse instante extraordinário pude alimentar-me com os frutos da árvore da vida, mais além do bem e do mal...
Havia regressado ao ponto de partida original; inquestionavelmente tinha voltado à minha morada... Cada um de nós tem, nessa radiante esfera de luz e de alegria, seu protótipo divinal...
Os indivíduos sagrados que habitam o Sol Central, preparam-se para entrar no Espaço Abstrato Absoluto.
Isto sucede sempre ao final do Mahamvantara (dia cósmico).
Cada universo do espaço infinito possui seu próprio Sol Central e a soma total de tais sóis espirituais constituí o protocosmos...
A emanação de nosso onimisericordioso e sagrado Absoluto Solar é aquilo que H.P.B. denomina "o Grande Alento", para si mesmo profundamente ignoto...
Obviamente, este princípio ativo onipresente, ainda que partícipe na criação dos mundos, não se funde nos mesmos; permanece independente, onipresente e onipenetrante...
Resulta fácil compreender que a emanação do Absoluto Solar se desdobra nas três forças primárias: - Brama, Vishnu e Shiva - com o evidente propósito de criar e tornar novamente a criar...
Quando conclui qualquer manifestação cósmica, as três forças originais integram-se para se mesclar ou se fusionar com o incessante hálito, para si mesmo profundamente ignoto...
Isto que sucede no macrocósmico, repete-se no microcosmos-homem. Tal foi meu caso particular...
Assim foi como pude voltar ao seio do Sagrado Absoluto Solar. Entretanto, continuei com o corpo físico lemur, vivendo durante milhões de anos... Converti-me numa pedra a mais da muralha guardiã.
Esta muralha é formada pelos Mestres de Compaixão, aqueles que renunciaram a toda a felicidade por amor a humanidade...
Paz Inverencial!
Samael Aun Weor