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Livros e Documentos Esotéricos
Samael Aun Weor
Introdução à Gnose - Primeiro Grau

 
Este é o grau de introdução aos Estudos Filosóficos Gnósticos ou graus externos da gnose. É natural que todos os estudantes começaram por este grau e logo continuaram, sucessivamente, com os graus primeiro, segundo, terceiro, etc.
Se deve ter muito em conta que estes não são os graus esotéricos gnósticos. Os graus esotéricos gnósticos os recebe o estudante quando está preparado para isso. Os graus esotéricos, que são os autênticos graus gnósticos, não podem ser divulgados por ninguém que os haja recebido; isto está proibido. Quem disser: "eu tenho tantos graus, tantas iniciações", é um desonesto.
Se uma pessoa quer ser engenheiro, advogado ou médico, etc., tem de preparar-se para isso. Essa pessoa irá à escola e estudará muito. Logo que possuir um bom conhecimento teórico do ramo que estuda, então começará a prática do que aprendeu. A prática traz a perfeição. Os grandes sábios, os grandes profissionais, os grandes cientistas etc., não só chegaram a possuir um bom conhecimento teórico de seus respectivos ramos de estudo, e sim puseram este conhecimento na prática. A teoria por si só não pode trazer nada (exceto um desfrute intelectual da parte dos que a entendem). Necessita-se a prática.
Estude este curso de lições e estude-o com verdadeiro incentivo, com o desejo de aprender, com o desejo de conhecer a sabedoria superior. Mas recorde que você tem que por em prática o que aprendeu, se quer chegar à perfeição da Obra.
Lição 1
É necessário triunfar na vida. Se verdadeiramente você quer triunfar, deve começar por ser sincero consigo mesmo, reconhecendo seus próprios erros.
Quando reconhecemos nossos próprios erros, estamos no caminho de eliminá-los.
Todo aquele que corrige seus erros, triunfa inevitavelmente.
O homem de negócios que culpa, diariamente, os outros pelos seus próprios fracassos e, jamais, reconhece seus próprios erros, não poderá triunfar. Lembre-se de que os grandes criminosos se consideram santos. Se visitamos uma penitenciária, comprovamos que nenhum ladrão ou criminoso se considera culpável. Quase todos dizem a si mesmos: “Eu sou inocente”.
Não caia no mesmo erro; tenha a coragem de reconhecer seus próprios erros. Assim se evitarão também males piores.
Quem reconhece seus próprios erros pode formar um lar feliz. O político, o cientista, o filósofo, o religioso, etc., que chega a reconhecer seus próprios erros, pode corrigi-los e triunfar na vida.
Se você quer triunfar na vida, não critique ninguém. Quem critica os demais é débil, enquanto o que se autocrítica de instante a instante é um colosso. A crítica é inútil porque fere o orgulho alheio e provoca a resistência da vitima que procura, então, justificar-se. A crítica produz uma reação inevitável contra seu próprio autor. Se você quer verdadeiramente triunfar, escute este conselho: Não critique ninguém.
O homem ou a mulher que sabe viver sem criticar ninguém, não provoca resistência nem reações de parte do próximo e, conseqüentemente, cria um ambiente de êxito e progresso. Por outro lado, o que critica os outros se enche de inimigos. Temos que recordar que os seres humanos estão cheios de orgulho e de vaidade, e este orgulho e esta vaidade inerentes a eles produzem uma reação (ressentimento, ódio, etc.) que se dirige ao que os criticou. Concluímos, então, que o que critica os demais inevitavelmente fracassa. Aquele que quiser corrigir outros é melhor que inicie por corrigir a si mesmo. Isto dá melhor resultado e é menos perigoso.
O mundo está repleto de neurastênicos. O tipo neurastênico é crítico, irritável e, também intolerante. As causas da neurastenia são muitas: impaciência, cólera, egoísmo, soberbia, orgulho, etc.
Entre o espírito e o corpo existe um mediador: o sistema nervoso. Cuide de seu sistema nervoso. Quando ele estiver irritado por algo que canse, é melhor fugir disso. Trabalhe intensamente, porém com moderação; lembre-se de que o trabalho excessivo fadiga. Se você não leva em conta a fadiga, se continua com o trabalho excessivo, então, a fadiga é substituída por excitação. Quando a excitação se toma doentia, converte-se em neurastenia. E necessário alternar o trabalho com o descanso agradável; evitamos, assim, o perigo de cairmos na neurastenia.
Todo patrão que quer triunfar, deve cuidar-se do perigo da neurastenia. O patrão neurastênico critica tudo e se torna insuportável. O neurastênico aborrece a paciência e, como patrão, se converte em verdugo de seus empregados. Os operários que têm que trabalhar sob as ordens de um patrão neurastênico e crítico terminam odiando o trabalho e o patrão. Nenhum trabalhador descontente trabalha com prazer. Muitas vezes as empresas fracassam porque os operários não trabalham eficientemente quando estão descontentes.
O neurastênico, como operário ou empregado de escritório, se torna rebelde e termina sendo despedido do trabalho. Todo trabalhador neurastênico procura a ocasião de criticar o patrão. Todo patrão tem orgulho e vaidade e, é claro, que se sente ofendido quando seus empregados o criticam. O trabalhador que vive criticando o patrão termina perdendo o emprego.
Cuide de seu sistema nervoso. Trabalhe com moderação. Divirta-se salutarmente. Não critique ninguém. Procure ver o melhor em todos os seres humanos.
EXERCÍCIO PARA DOMINAR A IRA
Você se sente irritado ou cheio de ira? Está nervoso? Reflita um pouco; lembre-se de que a ira pode provocar úlceras gástricas. Controle a ira por meio da respiração: aspire lentamente (não aspire pela boca, aspire pelo nariz, mantendo a boca bem fechada) o ar vital, contando mentalmente 1, 2, 3, 4, 5, 6. Retenha, agora, o alento contando, 1, 2, 3, 4, 5, 6. Exale, depois, o alento muito lentamente pela boca contando mentalmente 1, 2, 3, 4, 5, 6. Repita o exercício até que a ira passe.
Lição 2
Um grande autor deduziu que o ser humano necessita de oito coisas importantes na vida: a saúde e a conservação da vida, alimento, sono, dinheiro e as coisas que o dinheiro compra, vida no mais além, satisfação sexual, o bem-estar dos filhos e um sentido da própria importância. Nós sintetizamos estas oito coisas em três: Saúde, Dinheiro e Amor.
Se você quer realmente adquirir estas três coisas, deve estudar e praticar tudo o que este curso ensina. Nós vamos mostrar-lhe o caminho do êxito.
A FORÇA DO PENSAMENTO
É necessário que você saiba que existe uma força imensamente superior à eletricidade e à dinamite: a força do pensamento. Quando você pensa em algum amigo ou em um membro da família, escapam de seu cérebro ondas mentais; estas ondas são como as das emissoras de rádio e viajam através do espaço, chegando à mente daquela pessoa na qual estamos pensando. Os cientistas já começam a fazer experimento com a força do pensamento e, logo, inventarão o telementômetro, instrumento com que se poderá medir a força mental de qualquer pessoa. Em um futuro, a óptica avançará um pouco mais e, então, se inventará o fotomentômetro, instrumento que nos permitirá ver e medir a força mental que o cérebro humano irradia.
Você tem que saber que assim como o homem tem mente, assim também todo o Universo tem mente. Existem a mente humana e a mente cósmica. A Terra é a mente condensada. O Universo inteiro é mente condensada. As ondas da mente universal saturam o espaço infinito. O engenheiro que vai edificar uma casa, o primeiro que faz é realizar o projeto mental, quer dizer, a constrói na mente; depois, a projeta no plano e, por último, a cristaliza materialmente. Assim, toda coisa, toda construção existiu primeiro na mente. Não pode existir nada no mundo físico ou material em que vivemos sem antes ter existido no mundo da mente.
É necessário aprender a concentrar e projetar a mente com precisão e grande força. E necessário que você saiba que concentrar a mente é fixar sua atenção em uma só coisa. Quando você fixa a atenção mental em um amigo distante, quando você se concentra nesse amigo, pode estar certo de que seu cérebro emite ondas mentais potentes que, inevitavelmente, chegarão ao cérebro de seu amigo. O importante é que você se concentre verdadeiramente. É necessário que nenhum outro pensamento seja capaz de distraí-lo. Você deve aprender a concentrar sua mente.
Você está fazendo este curso e cremos que quer triunfar na vida e ter saúde, dinheiro e amor. Reflita um pouco... Aprenda a manusear a força do pensamento.
Quem aprende a manejar a força do pensamento, vai com absoluta segurança ao triunfo, assim como a flecha chega ao alvo guiada pela mão do exímio arqueiro.
Lembre-se de que o mundo é um produto da mente. Você é o que é pela mente.
Você pode transformar-se totalmente, fazendo uso da força do pensamento. O pobre e miserável é assim porque quer ser assim; com a mente se sustenta pobre e miserável. O rico e poderoso é assim porque, com a mente, se fez assim. Cada um é o que quer ser com a força da mente. Cada um projeta no mundo da mente cósmica o que é e o que quer ser. Os projetos da mente se cristalizam fisicamente e, então, temos, na prática, uma vida rica ou miserável, feliz ou desgraçada. Tudo depende do tipo de projetos mentais que hão cristalizado. Assim como a nuvem se condensa em água e a água, em gelo, a força mental também. Primeiro nuvens (projetos), depois água (circunstâncias, desenvolvimento do projeto) e, por último, o gelo duro (o projeto convertido em fatos concretos). Se o projeto foi bem feito e com força suficiente, se os fatos ou o desenvolvimento dos fatos e as circunstâncias foram maravilhosos, o resultado será a vitória. A condensação perfeita do projeto é a vitória.
Os fatores básicos para o triunfo de um projeto são três:
1º força mental.
2º circunstâncias favoráveis.
3º inteligência.

FORÇA MENTAL
É impossível lograr a cristalização de um projeto (comercial, etc.), sem força mental. E necessário que nossos estudantes aprendam a manejar a força mental, porém primeiro é necessário que o estudante aprenda a relaxar seu corpo físico. E indispensável saber relaxar o corpo para lograr a perfeita concentração do pensamento. Podemos relaxar o corpo estando sentados em uma cômoda poltrona ou deitados em posição de homem morto (em decúbito dorsal, quer dizer, de costas, boca para cima, com os joelhos tocando-se entre si e os braços seguindo o corpo). Das duas posições, a segunda é melhor.
Imagine que seus pés são sutis, que deles escapa um grupo de anõezinhos.
Imagine que as batatas de suas pernas estão cheias de pequenos anões brincalhões que estão saindo um a um e que, conforme vão saindo, os músculos vão se tomando flexíveis e elásticos. Continue com os joelhos, fazendo o mesmo exercício. Siga com os femurais, órgãos sexuais, ventre, coração, garganta, músculos da face e cabeça em ordem sucessiva, imaginando que esses pequenos anões saem de cada uma destas partes do corpo, deixando os músculos completamente relaxados.
CONCENTRAÇÃO DO PENSAMENTO
Quando o corpo está perfeitamente relaxado, a concentração do pensamento torna-se fácil e simples. Concentre-se no negócio que tem projetado. Imagine de forma viva todo o negócio, as pessoas que se relacionam com o mesmo.
Identifique-se com essas pessoas, fale como se fosse elas e diga mentalmente o que gostaria que essas pessoas dissessem. Esqueça de você mesmo e mude sua personalidade humana pela personalidade humana dessas pessoas, atuando como você gostaria que essas pessoas atuassem. Assim, você determinará potentes ondas de pensamento que atravessarão o espaço para chegar ao cérebro das pessoas relacionadas com o negócio. Se a concentração é perfeita, o triunfo será, então, inevitável.
A LEI DO CARMA
Esta Lei é conhecida no Oriente e, no mundo inteiro, milhões de pessoas a conhecem porque ela é universal. Esta Lei opera em todo o Universo. Se você faz mau uso da força do pensamento, a Lei do Carma cairá sobre você e, então, você será horrivelmente castigado.
A energia mental é dádiva de Deus e só se deve utilizar com bons propósitos e com boas intenções. É justo que o pobre melhore sua situação econômica, porém não é justo utilizar a força mental para prejudicar outras pessoas. Antes de fazer um trabalho mental para levar a cabo a cristalização de um projeto, reflexione e medite, já que se você vai utilizar a força mental para prejudicar outros, é melhor que não o faça, porque o raio terrível da Justiça Cósmica inevitavelmente cairá sobre você, como um raio de vingança.
CIRCUNSTÂNCIAS FAVORÁVEIS
O pensamento e a ação devem marchar totalmente unidos. A cristalização de um projeto só é possível quando as circunstâncias são favoráveis. Aprenda a determinar circunstâncias favoráveis para seus negócios. Freud, o grande psicólogo, disse que tudo o que o homem faz na vida tem duas causas fundamentais:
1ª -o impulso sexual.
2ª -o desejo de ser grande.

Todo ser humano se move sob o impulso sexual. Todo o mundo quer ser apreciado. Se você quer rodear-se de boas circunstâncias para a cristalização de seus negócios, reconheça, então, as boas qualidades dos demais. Estimule as boas qualidades do próximo, não humilhe ninguém, não despreze ninguém. É necessário dar alimento a cada um em seu trabalho, oficio ou profissão. Por meio do apreço e do alento, podemos despertar entusiasmo em todas aquelas pessoas que se relacionam conosco. Aprenda a elogiar sabiamente seus semelhantes, sem cair na adulação. As pessoas se sentem reconfortadas com o alimento da estima.
Seja cavalheiresco; não critique ninguém. Assim, formará o ambiente favorável para a cristalização de seus negócios. A apreciação sincera dos méritos do próximo é um dos grandes segredos do êxito.
É necessário deixar o mau costume de estar falando de nós mesmos a cada instante. Urge empregar a palavra para fortalecer e alentar todas as boas qualidades do próximo. O estudante gnóstico deve deixar o péssimo costume de estar nomeando a si mesmo e de contar a cada instante sua própria vida. O homem ou a mulher que só falam de si mesmos se tomam insuportáveis. Pessoas assim caem na miséria porque os demais se cansam delas.
Jamais diga eu, diga sempre nós. O termo nós tem mais força cósmica. O termo eu é egoísta e fastidia a todos aqueles que se põem em contato conosco. O eu é egoísta. O eu dever ser dissolvido. O eu é criador dos conflitos e problemas.
Repita sempre: nós, nós, nós...



Todas as manhãs, antes de levantar-se, diga com força e energia: “Nós somos fortes. Nós somos ricos. Nós estamos cheios de sorte e de harmonia. OM... OM... OM...”
Faça esta prece simples e verá que terá êxito em tudo. Ponha grande devoção nesta prece, ponha fé.
EXERCÍCIO
Dependure no teto de seu quarto um fio de seda com uma agulha em seu extremo. Concentre-se nessa agulha e trate de movê-la com a força do pensamento.
Quando as ondas mentais se desenvolvem, podem mover a agulha. Trabalhe dez minutos por dia nesta prática. No início, a agulha que está no fio de seda não se moverá, porém com o tempo você poderá ver que ela oscila e chega a mover- se fortemente. Este exercício é para desenvolver a força mental.
Lembre-se de que as ondas mentais viajam através do espaço e passam de um cérebro a outro.
Lição 3
O grande advogado José M. Seseras disse o seguinte: “Não há sorte nem desventura, êxito nem fracasso; tudo é vibração do éter. Aprendendo o manuseio dos tattwas se podem resolver favoravelmente todos os assuntos da vida”.
Você necessita de um sistema preciso e exato para conseguir dinheiro, um sistema científico que nunca falhe. Você necessita aproveitar as circunstâncias favoráveis para lograr a cristalização de todos seus projetos (comerciais, etc.).
Recorde: tattwa é vibração do éter. Nesta época de rádio, da televisão e dos foguetes teleguiados, resultaria absurdo negar a vibração do éter. Um grande sábio disse: “A vida nasceu da radiação, subsiste pela radiação e se suprime por qualquer desequilíbrio oscilatório”.
Você tem direito de triunfar, O espírito deve vencer a matéria. Nós não podemos aceitar a miséria. Lembre-se de que a miséria é própria dos espíritos fracassados. Quando o espírito vence a matéria, o resultado é a luz, o esplendor, o triunfo completo no econômico, no social e no espiritual. É necessário que você conheça a Lei da Vibração Universal. O estudo dos tattwas é importantíssimo.
Tattwa (este termo é indostânico) é vibração do éter.
Agora os cientistas dizem que o éter não existe e que a única coisa real é o campo magnético. Também poderíamos dizer que não existe a matéria e que a única coisa real é a energia. Estas são palavras, questão de termos. O campo magnético é o éter. “Tudo vem do éter, tudo volta ao éter”. Sir Oliver Lodge, o grande cientista britânico, diz: “É o éter o que, por diversas modificações de seu equilíbrio, dá lugar a todos os fenômenos do Universo, desde a impalpável luz até as massas formidáveis dos mundos”.
PRANA
Prana é a energia cósmica. Prana é vibração, movimento elétrico, luz, calor, magnetismo universal, vida. Prana é a vida que palpita em cada átomo e em cada Sol. Prana é a vida do éter. A grande vida, quer dizer, prana se transforma em uma substância azul intenso muito divina; o nome dessa substância é akasha. O akasha é uma substância maravilhosa que enche todo o espaço infinito e que quando se modifica, converte-se em éter. É interessante saber que o éter modificando-se, converte-se, por sua vez, nisso que chamamos tattwas.
O estudo das vibrações do éter (tattwas) é indispensável. Lembre-se de que os negócios, o amor, a saúde, etc., são controlados pelas vibrações cósmicas. Se você conhece as leis vibratórias da vida, se conhece os tattwas, poderá conseguir muito dinheiro. Recorde que o dinheiro, em si mesmo, não é bom nem mau; tudo depende do uso que você faça dele. Se o emprega para o bem, é bom, se o emprega para o mal, é mau. Consiga muito dinheiro e o empregue para o bem da humanidade.
Existem sete tattwas principais que você deve aprender a manejar para triunfar na vida. Você necessita ser um triunfador. Nenhum gnóstico deve viver na miséria. É necessário que você conheça os nomes dos sete tattwas; estes nomes são termos sânscritos. Pode ser que lhe custe algum esforço para aprendê-los, porém recorde que vale bem a pena estudar para triunfar na vida.
NOMES DOS TATTWAS
Akasha é o princípio do éter. Vayu é o princípio etérico do ar. Tejas é o princípio etérico do fogo. Prithivi é princípio etéreo do elemento terra. Apas é o princípio etérico da água.
Existem dois tattwas secretos chamados adi e samadhi que vibram durante a Aurora e que são excelentes para a meditação interna (com eles se logra o êxtase ou samadhi). Não nos estenderemos agora sobre estes tattwas porque são de utilidade somente para estudantes muito adiantados.
HORÁRIO TÁTTWICO
A vibração dos tattwas começa com a saída do Sol. Cada tattwa vibra durante vinte e quatro minutos em um período de duas horas. O primeiro tattwa que vibra é o akasha, depois seguem, em ordem sucessiva, vayu, tejas, prithivi e apas. A cada duas horas, volta a vibrar o akasha e se repete a sucessão dos tattwas, na mesma ordem já descrita. Os tattwas vibram de dia e de noite. E necessário saber a hora da saída do Sol. O anuário astrológico de Bucheli é um dos calendários que marcam a hora de saída do Sol para cada localidade da América Latina. Alguns diários, especialmente nos Estados Unidos, e revistas indicam a hora de saída do Sol. É útil, também, para esta finalidade, o calendário de Galván. Os que quiserem o anuário americano de Bucheli, podem pedi-lo no seguinte endereço: Sra. Elly de Bucheli, Casula # 1880, Santiago. Chile. Pode solicitá-lo também à Editora Kier S.A.. Av. Santa Fe 1260, 1059, Buenos Aires, Argentina. (Nota do Revisor: Não sabemos se esses endereços estão atualizados, convém se buscar as Efemérides na internet ou em ilvros especializados.)

PROPRIEDADES DOS TATTWAS
Akasha -é bom, exclusivamente, para a meditação. Aconselhamos que ore muito nesta hora. Não marque encontro de negócios nem de amor a esta hora, porque fracassará inevitavelmente. Este tattwa nos induz a cometer erros gravíssimos. Se você trabalha durante este período, deve ser muito cuidadoso (os artistas devem abster-se de trabalhar no akasha). Tudo o que começa em akasha fracassará. Este é o tattwa da morte.
Vayu -Tudo o que seja velocidade e movimento corresponde a vayu, o princípio do ar. Os ventos, o ar, o tráfego aéreo, etc., se acham relacionados com vayu. Durante este período, as pessoas se deleitam falando mal do próximo, enganando, roubando, etc. Geralmente, os acidentes aéreos ocorrem neste período e os suicidas são estimulados por este tattwa. Aconselhamos que não se case durante este período, porque seu matrimônio seria de curta duração. Todo tipo de negócios simples e rápidos são muito bons em vayu, porém os negócios complicados e de longa duração resultam um fracasso. E bom realizar trabalhos intelectuais durante este período. Os grandes iogues manuseiam mentalmente este tattwa e o utilizam inteligentemente quando querem flutuar no ar.
Tejas -é quente porque é o princípio etérico do fogo. Durante o período em que este tattwa está em atividade, sentimos mais calor. Você pode banhar-se com água fria em tejas e não se resfriará jamais. Não discuta com ninguém em tejas porque as conseqüências podem ser graves. Você deve aproveitar a hora de tejas para trabalhar intensamente. Não se case neste tattwa porque terá constantes desavenças com o cônjuge. As explosões e acidentes mais terríveis acontecem neste período do tattwa tejas.
Prithivi - este é o tattwa do êxito na vida. Se você quer triunfar nos negócios, faça-os em prithivi. Se quiser ter boa saúde, coma e beba em prithivi.
Os casamentos que se realizam emprithivi se fazem felizes para toda a vida. Toda festa, toda conferência, todo negócio, todo encontro que se realize emprithivi será um êxito completo. Prithivi é amor, caridade, benevolência.
Apas - é o principio da água e o oposto de tejas (fogo). Este tattwa é maravilhoso para a compra de mercadorias. É também maravilhoso para os negócios e você pode conseguir muito dinheiro se souber aproveitar este tattwa.
Compre bilhete de loteria em apas. As viagens por vias aquáticas, em apas, resultam boas. As chuvas que começam em apas costumam ser muito longas e fortes. O tattwa apas opera concentrando e atraindo.
Lembre-se de que necessita conhecer a hora exata da saída do Sol para orientar-se pelos tattwas. Tenha sempre um bom relógio de pulso ou de bolso e aproveite os tattwas na vida prática.
PRÁTICA
Sente-se diante de uma mesa de frente para o Leste, apóie os cotovelos sobre a mesa e proceda da seguinte maneira: introduza os dedos polegares de ambas as mãos nos ouvidos; cubra os olhos com os indicadores, com os médios feche as fossas nasais e com os dedos anulares ou mínimos sele os lábios. Inale lentamente contando até vinte. Retenha o alento e conte de um a vinte. Exale lentamente contando de um a vinte. É necesário retirar os dedos das fossas nasais para inalar e exalar, porém durante a retenção do alento, os dedos médios devem fechá-las hermeticamente. E necessário que durante a retenção do alento, você procure ver os tattwas com o terceiro olho. O terceiro olho situa-se entre as sobrancelhas. No início, não verá nada, porém, depois de algum tempo, você poderá vê-los e reconhecê-los-á pelas suas cores. Akasha é preto e seu planeta é Saturno. Vayu é azul verdoso e seu planeta é Mercúrio. Tejas é vermelho como o fogo e seu planeta é Marte. Prithivi é amarelo dourado e seu planeta é o Sol, embora Júpiter também o influencie. Apas é branco e seus planetas são Vênus e a Lua.
Lição 4
Para triunfar na vida há que se converter em pescador de homens. Jesus escolheu seus discípulos entre os pobres pescadores. Eles tiveram que deixar de pescar peixes para se converterem em pescadores de homens. Quer ter êxito, poder e glória? Escute este conselho: “Ponha no anzol a isca de que o peixe goste”.
Não converse com os demais sobre as coisas que interessam a você. O seu é unicamente seu. O ser humano, desgraçadamente, é egoísta e só quer saber do que interessa a si próprio. Se fala o próximo das coisas que ele deseja e quer, você influirá positivamente sobre ele e conseguirá, com ele, tudo de que necessita. Há que aprender a ver o ponto de vista do semelhante e ajudá-lo a resolver seus conflitos. Converta-se em uma pessoa altruísta e bondosa, ajude aos outros com seus conselhos, esforce-se para compreender o ponto de vista de outros e logrará pescar em abundância. Quando começamos a compreender o próximo, começamos também a dar os primeiros passos no caminho da felicidade e do êxito.
Há que estudar e compreender as funções da mente. O que conhece o mecanismo mental, está capacitado para controlá-lo. Se tem falado muito da força mental e são muitas as escolas que ensinam como concentrar a mente.
Ninguém pode inteligentemente negar a força do pensamento. Esta força se compõe de ondas e formas radioativas que se trasladam de um cérebro a outro.
Há que desenvolver essa força maravilhosa, porém devemos advertir que o pensamento e a ação devem combinar-se sabiamente, se quisermos triunfar na vida. A concentração do pensamento é milagrosa quando se combina inteligentemente com a ação.
A força mental realiza prodígios e maravilhas quando se fundamenta na sinceridade e na verdade. Não procure enganar o próximo; não use a concentração mental para enganar o semelhante porque o fracasso para você será inevitável. A força mental realiza prodígios quando se utiliza para ajudar os outros.
Ajudando os outros, beneficiamos a nós próprios. Essa é a Lei.
Necessita triunfar em alguma coisa importante? Sente-se numa poltrona bem cômoda, relaxe seus músculos. Concentre-se no negócio que lhe interessa e imagine o negócio em pleno êxito. Identifique-se com o próximo, procure entender o ponto de vista dele e o aconselhe mentalmente, fazendo-o ver as vantagens que lhe proporciona o negócio que vai realizar com você. Assim, as ondas mentais penetrarão profundamente na mente alheia e realizarão maravilhas. Uma hora de perfeita concentração é suficiente para determinar o triunfo de um negócio.

Todo comerciante tem direito de conseguir dinheiro, porém o que ele vende deve ser bom, útil e necessário para os demais. Não procure enganar os outros porque engana a si próprio. Multidões de vendedores ambulantes percorrem as ruas, oferecendo, inutilmente, suas mercadorias, pois a ninguém interessam essas mercadorias e as pessoas até se entediam quando se encontram com estes vendedores. O erro destes vendedores é que pensam somente no seu e só falam do seu. Se eles aprendessem a ver o ponto de vista alheio, triunfariam inevitavelmente.
É necessário compreender que todo ser humano tem um “eu” que quer sobressair-se, fazer sentir-se, subir ao topo da escada, etc.; este é, precisamente, o lado débil do ser humano. Você também tem esse lado débil. Não caia nos mesmos erros alheios, nunca diga “eu”, diga sempre “nós”. Quem domina a si próprio, domina os demais.
Insinue inteligentemente o que você quer, porém não diga “eu quero”.
Lembre-se de que aos outros não interessa o que você quer. Deixe que os outros preparem sua idéia, como se fosse deles; ponha os elementos para essa preparação, ponha-os inteligentemente. Deixe que os outros elaborem sua idéia.
Pode estar seguro de que os demais se sentem felizes elaborando sua idéia. As pessoas gostam de sentir-se importantes; essa é a debilidade do eu. Explore esta debilidade. Nunca se sinta importante e será importante. Procure dissolver o eu e será verdadeiramente feliz.
Todo êxito na vida depende da habilidade que você tenha para tratar as demais pessoas. E necessário deixar o egoísmo e cultivar o Cristocentrismo.
Urge trabalhar pelo bem comum. É indispensável dissolver o eu e pensar sempre como “nós”. O termo “nós” tem mais força que o egoísta “eu”.
Todos os grandes fracassos da vida se devem ao eu. Quando este quer fazer sentir-se, sobressair-se, subir ao topo da escada, vêm, então, as reações das demais pessoas; o resultado de tais reações mentais é o fracasso. Recorde que o eu é energético, é desejo, é recordações, é medo, violência, ódio, apetências, fanatismos, ciúmes, desconfiança, etc.. Você necessita explorar profundamente todos os subterfúgios de sua mente, porque dentro de você mesmo tem isso que se chama eu, mim mesmo, ego, etc.
Se você quiser triunfar na vida, deve dissolver o eu. Se quiser dissolver o eu, deve desintegrar todos seus defeitos. Se quiser desintegrar seus defeitos, não os condene nem justifique, compreenda-os. Quando condenamos um defeito, o escondemos nos profundos confins da mente e quando o justificamos, o robustecemos horrivelmente; porém quando compreendemos um determinado defeito, então, o desintegramos completamente.
Quando o eu se dissolve, nos enchemos de plenitude e felicidade. Quando o eu se dissolve, se expressa através de nos o Ser, o espírito, o amor. Recorde que Deus, o espírito, o Ser interno de cada homem, de cada mulher e de cada criatura jamais é o eu. O Ser é divino, eterno e perfeito. O eu é Satã da lenda bíblica. O eu não é o corpo, é energético e diabólico. No eu está a raiz da miséria, a pobreza, os fracassos, as desilusões, os desejos insatisfeitos, os desejos violentos, o ódio, a inveja, os ciúmes, etc. Mude sua vida agora mesmo. Urge que compreenda a necessidade de acabar com todos seus defeitos para dissolver o eu, o Satã, a causa de todos os fracassos. Quando eu se dissolve, fica dentro de nós somente o Ser, Deus, a felicidade. Deus é paz, abundância, felicidade e perfeição.

PRÁTICA
Um grande homem, depois de estudar a si próprio, descobriu que tinha doze defeitos que lhe estavam prejudicando. Este homem disse: “Assim como é impossível caçar dez coelhos ao mesmo tempo, porque o caçador que quiser fazer isto não caçaria nenhum, assim também é impossível acabar com meus doze defeitos ao mesmo tempo.”
Este homem chegou à conclusão de que seria melhor caçar um coelho e, depois, outro, acabar primeiro com um defeito e, depois, com outro. Então, resolveu dedicar dois meses a cada defeito. Quando o homem chegou aos vinte e quatro meses, já não tinha os defeitos, tinha terminado com os doze defeitos que o impediam de chegar ao triunfo. O resultado foi maravilhoso: este homem se converteu no primeiro cidadão dos Estados Unidos, seu nome é: Benjamin Franklin.
Imite este personagem. Examine-se e veja quantos defeitos tem, conte-os, enumere-os. Depois, dedique dois meses a cada defeito, em ordem sucessiva, até que elimine todos.
Sente-se numa poltrona cômoda e ore a seu Deus interno assim: “Tu que és meu verdadeiro Ser, tu que és meu Deus interno, ilumina-me, ajuda-me, faz-me ver meus próprios defeitos. Amém”.
Concentre-se nesta prece até chegar ao sono profundo. Procure descobrir todos seus defeitos. Aconselhamos ler a Bíblia. Nos quatro Evangelhos se encontra a palavra do Divino Mestre. Aí verá as virtudes de que necessita, aí verá as virtudes que lhe faltam. Onde falta uma virtude, existe um defeito.
Lição 5
O DINHEIRO.
Por que o dinheiro assumiu tão imensa importância em nossa vida? Dependemos, acaso, exclusivamente dele para nossa própria felicidade psicológica? Todos os seres humanos necessitamos de pão, abrigo e refúgio, disto se sabe. Porém, sendo isto tão natural e simples até para as aves do céu, por que assumiu tão tremenda e espantosa importância e significado? O dinheiro assumiu tal valor exagerado e desproporcionado porque psicologicamente dependemos dele para nosso bem-estar. O dinheiro alimenta nossa vaidade pessoal, nos dá prestígio social, brinda-nos os meios para lograr o poder. O dinheiro tem sido usado pela mente para fins e propósitos totalmente diferentes dos que tem em si mesmo, entre os quais está satisfazer nossas necessidades físicas imediatas. O dinheiro está sendo utilizado com propósitos psicológicos; essa é a causa pela qual ele assumiu uma importância exagerada e desproporcionada.

Necessitamos de dinheiro para termos pão, abrigo e refúgio; isto é óbvio. Porém quando o dinheiro se converte em uma necessidade psicológica, quando o utilizamos com propósitos diferentes dos que tem em si mesmo, quando dependemos dele para conseguirmos fama, prestígio, posição social, etc., o dinheiro assume, então, diante da mente uma importância exagerada e desproporcionada e, daqui, se origina a luta e o conflito para possuí-lo.
É lógico que temos necessidade de conseguir dinheiro para satisfazermos nossas necessidades físicas, para termos pão, abrigo e refúgio, porém se dependemos, exclusivamente, do dinheiro para nossa própria felicidade e satisfação pessoal, somos, então, os seres mais desgraçados da Terra. Quando compreendemos profundamente que o dinheiro só tem por objetivo nos proporcionar pão, abrigo e refúgio, então, lhe impomos espontaneamente uma limitação inteligente. O resultado disto é que o dinheiro já não assume, diante de nós, essa importância tão exagerada que tem quando se converte em uma necessidade psicológica.
O dinheiro, em si mesmo, não é bom nem mau, tudo depende do uso que façamos dele. Se o utilizamos para o bem, é bom; se o utilizamos para o mal, é mau.
Necessitamos compreender a fundo a verdadeira natureza da sensação e da satisfação. A mente que quiser chegar a cornpreender a verdade, deve estar livre destas travas.
Se quisermos de verdade libertar o pensamento da sensação de satisfação, temos que começar por aquelas sensações que são mais familiares para nós e estabelecer aí o fundamento adequado para a compreensão. As sensações têm seu lugar adequado e quando as compreendemos profundamente em todos os níveis da mente, não assumem a estúpida deformação que têm agora. Muitas pessoas pensam que se toda ordem de coisas marchasse de acordo com o partido político ao qual pertencem e pelo qual lutam sempre, teríamos um mundo feliz, cheio de abundância, paz e perfeição. Esse é um conceito falso, porque realmente nada disso pode existir se antes não temos compreendido individualmente o verdadeiro significado das coisas.
O ser humano é demasiado pobre internamente e, por isso, necessita do dinheiro e das coisas para sua sensação e satisfação pessoal. Quando alguém é pobre internamente, busca externamente dinheiro e coisas para completar-se e buscar satisfação. É por isso que o dinheiro e coisas materiais assumiram um valor desproporcionado e o ser humano está disposto a roubar, a explorar e mentir a cada instante. A isso se deve a luta entre o capital e o trabalho, entre patrões e operários, entre exploradores e explorados, etc.
São inúteis todas as mudanças políticas sem havermos compreendido antes nossa pobreza interior. Podem mudar-se, uma e outra vez, os sistemas econômicos, pode alterar-se, vez por outra, o sistema social, porém se não temos compreendido profundamente a natureza íntima de nossa pobreza interior, o individuo criará sempre novos meios e caminhos para obter satisfação pessoal à custa da paz dos outros.
Urge compreender profundamente a natureza intima deste “mim mesmo”, se é que realmente queremos ser ricos internamente. Quem é rico internamente, é incapaz de explorar o próximo, é incapaz de roubar e de mentir. Quem é rico internamente está livre das travas da sensação e satisfação pessoal. Quem é rico internamente, encontrou a felicidade.
Necessitamos de dinheiro, é certo, porém é necessário compreendermos profundamente nossa justa relação com o mesmo. Nem o asceta, nem avarento cobiçoso compreenderam jamais qual é nossa justa relação com o dinheiro. Não é renunciando ao dinheiro nem cobiçando-o, que podemos chegar a entender nossa justa relação com este. Necessitamos de compreensão para nos dar conta inteligenternente de nossas próprias necessidades materiais, sem dependermos desproporcionalmente do dinheiro.
Quando compreendemos nossa justa relação com o dinheiro, termina, de fato, a dor do desprendimento e do sofrimento espantoso que produz a competição. Devemos aprender a diferenciar entre nossas necessidades físicas imediatas e a dependência psicológica das coisas. A dependência psicológica das coisas cria a exploração e a escravidão.
Necessitamos de dinheiro para satisfazer nossas necessidades físicas imediatas, porém desgraçadamente, a necessidade se transforma em cobiça. O eu psicológico, percebendo sua própria vacuidade e miséria, costuma dar ao dinheiro e às coisas um valor distinto do que têm, um valor exagerado e absurdo. Assim é como o eu quer enriquecer-se externamente já que internamente é pobre e miserável. O eu quer fazer sentir-se, deslumbrar o próximo com as coisas e o dinheiro.
Alegamos sempre a necessidade para justificar a cobiça. Esta última é a causa secreta do ódio e das brutalidades do mundo, as quais costumam, muitas vezes, assumir aspectos legais. A cobiça é a causa da guerra e de todas as misérias deste mundo. Se quisermos acabar com a cobiça do mundo, devemos compreender profundamente que esse mundo está dentro de nós mesmos. Nós somos o mundo. A cobiça dos demais indivíduos está dentro de nós mesmos.
Realmente, todos os indivíduos vivem dentro de nossa própria consciência. A cobiça do mundo está dentro do indivíduo e, só acabando com a cobiça que levamos interiormente, terminará a cobiça no Mundo. Somente compreendendo o complexo processo da cobiça em todos os níveis da mente, podemos chegar a experimentar a grande Realidade.
PRÁTICA
1º - Deite-se de costas, em forma de estrela, abrindo as pernas e os braços para a direita e para a esquerda.
2º - Concentre-se agora em suas próprias necessidades físicas imediatas.
3º - Medite, reflita em cada uma dessas necessidades.
4º - Adormeça tentanto descobrir, por si mesmo, onde termina a necessidade e onde começa a cobiça.



5º - Se sua prática de concentração e meditação interna for correta, descobrirá, em visão interna, quais são suas necessidades legítimas e qual a cobiça.
Lembre-se de que, compreendendo profundamente a necessidade e a cobiça, poderá estabelecer bases verdadeiras para o processo correto do pensar.
Lição 6
É necessário que você tenha três coisas na vida: pão, abrigo e refúgio. Não devemos passar fome; necessitamos comer. Não devemos andar mal vestidos; é necessário vestir muito bem. Não é justo viver toda a vida pagando aluguel por moradia; necessitamos ter uma boa casa própria. Reflita sobre tudo isto. Urge que compreenda a necessidade de viver melhor sem ter que cair no pecado da cobiça.
Em nossa lição anterior, dissemos que é necessário distinguir entre a necessidade e a cobiça. E indispensável saber onde termina a necessidade e começa a cobiça.
Você necessita aprender a impressionar muito bem as demais pessoas; esta é uma arte muito delicada. Muitas senhoras se vestem muito bem, às vezes, com luxo excessivo e, nas mãos, brilham valiosíssimos anéis e, entretanto, apesar de tudo não logram impressionar bem os demais. Muitos elegantes cavalheiros ostentam trajes caríssimos e usam carros de último modelo e, não obstante, fracassam muitas vezes por não saberem causar boa impressão nas pessoas.
O presidente da Colômbia, Dr. Olaya Herrera, dominava o povo com seu eterno sorriso; cada sorriso do Senhor presidente representava, de fato, milhões de dólares. Os homens sabemos que o sorriso de um mulher vale, para nós, mais que todas as peles e diamantes que usa. Uma mulher com um sorriso cativante causa grande impressão entre os homens.
O sorriso da sinceridade e o perfume da cortesia realizam verdadeiros milagres no mundo dos negócios.
É urgente distinguir entre o sorriso da sinceridade e o sorriso mecânico. O sorriso da sinceridade sai do próprio âmago da Alma. O sorriso mecânico é hipócrita e tenebroso, é um gesto do diabo.
Existem, no homem, dois fatores em discórdia: a Alma e o diabo. A Alma é divinal; o diabo é maligno. Toda boa ação é da Alma; toda ação má é do diabo.
Quando você bate na porta para que lhe abram, o dono da casa, muitas vezes, pode perguntar: Quem é? E, então, responde: “eu”. Este eu, este mim mesmo, é, exatamente, o diabo em nós. Os clarividentes vêem este eu como uma entidade fluidica muito horrível, que vive dentro do corpo humano. Esta entidade sai também do corpo durante o sono e viaja a grandes distâncias, por onde o levem seus desejos e paixões.
A Alma não é o eu, é o Ser. Distinga entre o Ser e o eu. O Ser é a Alma; o eu é Satã em nós.
Seu corpo não pensa nem deseja, é tão só um traje, um vestido. Você pensa com a mente e esta é um veículo da Alma, não obstante, quando somos maus, converte-se em veículo do diabo. A mente diabólica quer guerras, cria conflitos, problemas, quer vícios, bebidas, adultérios, fornicação, cobiça, hipocrisia, etc.



A abelha deleita-se trabalhando. A formiga é feliz trabalhando. Aprenda a gozar e desfrutar do trabalho. Quando o empregado de um armazém se alegra trabalhando, irradia ondas mentais de êxito e progresso; então, as vendas aumentam e o patrão se sente feliz com seu empregado e não quer que este deixe o emprego. Preocupe-se pelo êxito do negócio onde trabalha. É necessário que você conquiste o carinho do patrão. Aprenda a sorrir sinceramente, aprenda a alegrar-se com o trabalho. Se quiser que as pessoas se sintam felizes com você, é indispensável que se sinta também feliz com os demais. Se você não se sente feliz com o trabalho, se não quer sorrir, aconselhamos escutar uma boa música; lembre-se de que a música realiza milagres. Assim também poderá mudar o seu caráter. Quando ouvimos uma boa música, quando passamos longos períodos absorvidos escutando boa música, elevamos nossa mente a níveis mais altos de consciência.
A mente irradia ondas que viajam através do espaço e essas ondas passam de um cérebro a outro. Temos uma prova da realidade dessas ondas na telepatia.
Muitas vezes, quando vamos pela rua e, de imediato, nos assalta a recordação de alguém, acontece que nos encontramos com a pessoa que recordamos; isto é telepatia. As ondas mentais daquela pessoa chegaram a nós e, por nossa vez, as captamos.
Temos em nosso organismo um verdadeiro sistema hertziano. A glândula Pineal, situada na parte inferior do cérebro, é o centro emissor do pensamento e o Plexo Solar, situado na região do umbigo, é a antena receptora. A glândula Pineal é o assento da Alma, a janela de Brahma, pela qual a Alma entra e sai do corpo.
Esta glândula é um corpúsculo oval de tecido vermelho cinza. A glândula Pineal secreta um hormônio que regula o desenvolvimento dos órgãos sexuais. Depois da maturidade, esta glândula degenera em tecido fibroso que não secreta.
A glândula Pineal é o quebra-cabeça dos sábios, o centro emissor do pensamento. Ela se encontra desenvolvida nos grandes gênios da ciência, da arte, da filosofia, etc. e se encontra totalmente atrofiada nos idiotas. Geralmente, os grandes comerciantes e os indivíduos que costumam ter grande êxito em suas atividades têm esta glândula muito desenvolvida.
A glândula Pineal se acha intimamente relacionada com os órgãos sexuais e depende da potência sexual. O homem ou a mulher que gasta torpemente suas energias sexuais, fracassa nos negócios porque sua glândula Pineal se atrofia. Uma glândula Pineal debilitada não pode irradiar, com força, as ondas mentais e o resultado é o fracasso.
Seja prudente, não gaste torpemente suas energias sexuais. A Bíblia diz: “Não fornicarás”; cumpra com o sexto mandamento, poupe suas energias sexuais e, assim, fortificará sua glândula Pineal e, inevitavelmente, triunfará. Assim, poderá irradiar suas ondas mentais com força, poder e glória; essas ondas mentais, depois de chegar ao centro receptor (Plexo Solar) das demais pessoas que se ponham em contato com você, lhe darão o êxito que você busca. Seja um triunfador, sorria sempre cheio de sinceridade, viva alegre, trabalhe com prazer e o mundo será seu, a sorte lhe sorrirá por toda parte.

PRÁTICA
De frente para um espelho, contemple seu rosto detidamente e, depois, ore assim:
“Minha Alma, tu deves triunfar. Minha Alma, tu deves vencer Satã. Minha Alma, apodera-te de minha mente, de meus sentimentos, de minha vida. Tu deves afastar de mim o guardião do umbral, tu deves vencê-lo. Tu deves apoderar-te totalmente de mim. Amém. Amém. Amém”.
Ore sete vezes esta prece e, depois, observe seus olhos no espelho, suas pupilas, o centro de suas pupilas, a menina de seus olhos e imagine-as carregadas de luz, força e poder. É necessário que procure penetrar com a mente no interior de seus olhos refletidos no espelho. É necessário que trate de ver com a imaginação, no centro de seus olhos refleti-dos, a beleza de sua Alma. É necessário que exclame dizendo: Minha Alma! Eu quero ver-te, quero ver-te, quero ver-te.
Persevere com intensidade diariamente neste exercício. Faça sua prática todas as noites antes de submergir-se no sono. Com este exercício, desenvolverá a clarividência. Pratique dez minutos diários, isso é tudo.
CLARIVIDÊNCIA
É necessário que você saiba que existe um sexto sentido, o da clarividência.
Tal faculdade reside na glândula Pituitária.
Quando você desenvolver a clarividência, poderá ler o pensamento alheio como em um livro aberto. Quando for clarividente, poderá ver a Alma das pessoas. Quando for clarividente poderá ver o eu das pessoas e compreenderá que a Alma não é o eu, que este é Satã em nós.
A clarividência nos permite ver o que está mais além da morte. Com os exercícios que lhe entregamos, desenvolverá totalmente a clarividência. Você deve praticar estes exercícios. Queremos que nos escreva comunicando-nos todas suas impressões.
Lição 7
Na vida, o homem se defronta com inumeráveis problemas. Cada pessoa necessita saber como resolver, inteligentemente, cada um deles. Necessitamos compreender cada problema. A solução de todo problema está nele mesmo.
Chegou a hora de aprender a resolver problemas. Existem muitos tipos de problemas: econômicos, sociais, morais, políticos, religiosos, familiares, etc. e devemos aprender a resolvê-los de forma inteligente. O mais importante para a solução de todo problema é não se identificar com o mesmo. Alguém tem certa tendência para identificar-se com o problema e é tamanha a identificação que de fato nos convertemos no próprio problema. O resultado de tal identificação é que fracassamos na solução, porque um problema não pode jamais resolver outro problema.
Para resolvê-lo se necessita de muitíssima paz e quietude mental. Uma mente inquieta, batalhadora, não pode resolver nenhum problema. Se você o tem muito grave, não se identifique com ele, não se converta em outro problema, retire-se para qualquer lugar de sã descontração, para um bosque ou parque, para a casa de um amigo muito íntimo, etc. Distraia-se com algo distinto, escute boa música e, depois, com sua mente tranqüila e quieta, estando em perfeita paz, procure compreender profundamente o problema recordando, que a solução de todo ele está no próprio problema.
Lembre-se de que sem paz não pode fazer nada novo. Você necessita de quietude e paz para resolver todo problema que se apresente na vida. Necessita pensar de uma maneira completamente nova acerca de qualquer problema que queira resolver e isto só é possível tendo tranqüilidade e paz. Na vida moderna temos muitíssimos problemas e, desgraçadamente, não temos paz. Isto é um verdadeiro quebra-cabeças porque sem paz não podemos resolver problemas.
Nós necessitamos de paz e devemos estudar este assunto profundamente.
Necessitamos investigar qual é o principal fator que acaba com a paz dentro e fora de nós mesmos, precisamos descobrir qual é a causa do conflito. Chegou a hora de compreendermos a fundo, em todos os níveis da mente, as contradições íntimas que temos interiormente, porque esse é o principal fator de discórdia e conflito. Quando compreendemos a fundo a causa de urna enfermidade, curamos o enfermo. Quando conhecemos profundamente a causa do conflito, acabamos com ele e o resultado é a paz.
Dentro e em torno de nós, existem milhares de contradições que criam conflitos. Realmente o que existe dentro de nós existe também na sociedade, porque esta é, como já dissemos tantas vezes, uma extensão do indivíduo. Se há contradição e conflito dentro de nós, também há na sociedade. Se o indivíduo não tem paz, a sociedade também não a terá e, nestas condições, toda a propaganda pela paz resulta de fato totalmente inútil.
Se nos analisamos judiciosamente, descobrimos que, dentro de nós próprios, existe um estado constante de afirmação e negação: o que queremos ser e o que somos realmente. Somos pobres e queremos ser milionários, somos soldados e queremos ser generais, somos solteiros e queremos ser casados, somos empregados e queremos ser gerentes, etc.
O estado de contradição engendra conflito, dor, miséria moral, atos absurdos, violências, murmurações, calúnias, etc. O estado de contradição jamais, na vida, pode trazer-nos paz. Um homem sem paz nunca pode resolver seus problemas.
Você necessita resolver os seus inteligentemente e, portanto, é urgente que tenha paz constante. O estado de contradição impede a resolução dos problemas; cada problema implica em milhares de contradições. Farei isto? E aquilo? Como?
Quando?, etc. A contradição mental cria conflitos e frustra a resolução dos problemas.
Primeiro necessitamos resolver as causas da contradição para acabarmos com o conflito; só assim vem a paz e com esta a solução dos problemas. É importante descobrir as causas das contradições, é necessário analisá-las detalhadamente. Somente assim é possível acabar com o conflito mental. Não é correto culpar os outros pelas nossas contradições internas; as causas destas contradições estão dentro de nós mesmos. Existe conflito mental entre o que somos e o que queremos ser, entre o que é um problema e o que nós queremos que seja. Quando temos um problema de qualquer ordem, quer seja moral, econômico, religioso, familiar, conjugal, etc., nossa primeira reação é pensar nele, resistir a ele, negá-lo, aceitá-lo, explicá-lo, etc. É necessário compreender que com a angústia mental, com a contradição, com a preocupação, com o conflito, não se pode resolver nenhum problema. A melhor maneira de reagir diante de um problema é o silêncio da mente. Este silêncio vem, se não pensamos no problema.
Este silêncio vem quando compreendemos que com o conflito e as contradições nada se resolve. Este silêncio não é um dom especial de ninguém nem uma capacidade de certo tipo. Ninguém pode cultivar este silêncio, advém naturalmente, quando compreendemos que nenhum problema se resolve resistindo a ele, aceitando-o, negando-o, afirmando-o ou explicando-o, etc.
Do silêncio mental nasce a ação inteligente, a ação intuitiva e sábia que resolverá o problema por mais difícil que seja; esta ação inteligente não é o resultado de reação alguma. Quando percebemos o fato, o problema, quando nos damos conta do fato sem afirmá-lo, sem negá-lo nem explicá-lo, quando nem aceitamos o fato nem o rechaçamos, vem, então, o silêncio da mente. No silêncio floresce a intuição. Do silêncio brota a ação inteligente que resolve totalmente o problema.
Somente na quietude e no silêncio mental há liberdade e sabedoria.
O conflito mental é destrutivo, ruinoso e é o resultado dos desejos opostos:
queremos e não queremos, desejamos isto e aquilo. Estamos em constante contradição e isto de fato é um conflito. A contradição constante que existe dentro de nós se deve à luta de desejos opostos.
Há constante negação de um desejo por outro desejo; um empenho se sobrepõe a outro empenho. Não existe um desejo permanente no ser humano.
Todo desejo é passageiro: quer um emprego e, depois que o tem, deseja outro emprego. O empregado quer ser gerente e o cura, ser bispo. Ninguém está satisfeito com o que tem. Todo o mundo está cheio de desejos insatisfeitos e quer satisfação.
A vida é uma sucessão absurda de desejos fugazes e vãos. Quando compreendemos profundamente que todos os desejos da vida são fugazes e vãos, quando entendemos que o corpo físico é engendrado no pecado e que seu destino é a putrefação no sepulcro, nasce, então, dessa profunda compreensão a paz verdadeira da mente e desaparecem a contradição e o conflito.
Só a mente que está em paz pode solucionar problemas. A paz está no silêncio da mente.
A contradição surge da teimosia: quando a mente se aferra a um só desejo, quando quer que a todo custo se realize o desejo; assim é lógico que tem que haver conflito. Se observamos cuidadosamente duas pessoas que estão discutindo um problema, poderemos confirmar que cada pessoa se apega a seu desejo, cada pessoa quer ver satisfeito seu desejo e isto, como é natural, cria conflito mental.
Quando resolutamente vemos a futilidade dos desejos, quando compreendemos que o desejo é a causa de nossos conflitos e amarguras, advém, então, a paz verdadeira.
PRÁTICA

Sentado em uma poltrona cômoda, ou deitado em sua cama, feche seus olhos. Depois, concentre-se em seu interior, estudando você mesmo, investigando seus desejos, suas contradições.
É necessário que compreenda quais são seus desejos contraditórios para que, assim, conheça as causas de seus conflitos internos. Com o conhecimento das causas do conflito mental, advém a paz da mente. Pratique diariamente este simples exercício. É indispensável que você conheça a si mesmo.
Lição 8
O ALCOOLISMO
Este vício tem três aspectos perfeitamente definidos:
a) iniciação;
b)intoxicação;
c)morte.

INICIAÇÃO.
Algumas pessoas iniciam este vício horrível na adolescência, outras, na juventude, outras, na maturidade e algumas poucas, na velhice. São muitas as causas que levam as pessoas ao vício do álcool. O adolescente que se inicia neste horrível caminho, o faz com o propósito de sentir-se como homem completo; tem um falso conceito da honradez e crê que ser homem significa ser alcoólatra, fumante, fornicário, adúltero, etc. O jovem chega ao bárbaro vício do álcool seduzido pelos seus amigos ou amargurado pelos seus sofrimentos. Muitas vezes uma decepção amorosa ou uma situação econômica difícil costumam ser motivo fundamental para iniciar-se no caminho fatal do alcoolismo. O homem maduro que ingressa neste horrível sendeiro do álcool, o faz, como sempre, movido pela mola secreta de suas próprias amarguras: talvez a morte de um ser querido, uma decepção amorosa, um divórcio, a perda de seu emprego ou de sua fortuna, etc.
Com as primeiras taças, o organismo humano se rebela. No princípio o organismo não está ainda intoxicado e, é claro, que rechaça fortemente o ingrediente daninho do álcool, ao qual não está acostumado. O vômito, os mal-estares do estômago, depois de grandes bebedeiras, etc., são sintomas que o organismo utiliza para eliminar o ingrediente nocivo. A luta do organismo costuma ser muito forte, porém a vontade maligna se propõe a violentá-lo e o consegue.
Não há alcoólatra que não tenha sua tragédia moral. O alcoólatra já intoxicado sabe guardar secretamente a dita tragédia. O que está se iniciando no vício sempre exterioriza a sua tragédia, porém quando compreende que as pessoas não o entendem, prefere calar.

INTOXICAÇÃO
Vencidas as defesas do organismo humano, vêm as intoxicações alcoólicas.
Ao chegar a esta segunda etapa, o organismo já não pode sentir bem sem o álcool. O médico intoxicado pelo álcool, já não pode realizar um operação cirúrgica sem sua bebida predileta: treme o pulso e, se a realiza, sai muito mal. O comerciante não pode negociar sem o álcool, sente-se tímido, nervoso e fracassa.

O operário não é capaz de trabalhar sem a bebida, sente-se sem forças. O álcool se converte em uma necessidade para o organismo intoxicado. O intoxicado, estimulado pela mola secreta da tragédia moral, bebe e bebe. Alguns alcoólatras comem e bebem; estes duram mais. Outros não comem, para assim, dizem eles, “não perder a embriaguez”; estes morrem logo. A comida favorece todo o processo digestivo, porém a sua falta deixa de fato o organismo totalmente indefeso e o resultado é a morte.
MORTE
Com a morte termina toda intoxicação alcoólica. A disfunção pode vir por úlcera, hepatite, cirrose hepática ou, em geral, por qualquer enfermidade do fígado, do estômago, etc. Clinicamente se pôde comprovar que os alcoólatras que vivem mais são aqueles que comem enquanto bebem e os que vivem menos são aqueles que bebem e não comem enquanto estão bebendo. A morte do alcoólatra é horrível. Nas clínicas e hospitais, ficam muito nervosos pela falta de bebida: clamam, gritam, exigem a garrafa de álcool; seu desespero é espantoso. Alguns morrem vomitando sangue, outros, com terríveis diarréias sanguinolentas, etc.
PSICOLOGIA DO ALCOÓLATRA
O alcoólatra, plenamente intoxicado, gasta tudo no vício; quando já não tem o que gastar, torna-se, então, mendigo, ladrão, vigarista ou, em geral, no melhor dos casos, nada mais que simples pedinchão de álcool, um mendigo de álcool. O intoxicado perde todo conceito da honra, da dignidade, da responsabilidade, etc. e lhe interessa somente uma coisa: beber. O álcool se converte, para o intoxicado, em uma necessidade vital, fundamental; isso é tudo.
Para o intoxicado alcoólico, as coisas sérias da vida não têm nenhum valor; ele é completamente irresponsável; é imoral no mais completo sentido da palavra.
A dignidade, honra, a honradez acrisolada, a responsabilidade moral, a palavra empenhada, a virtude, etc. não têm absolutamente nenhuma importância para o intoxicado alcoólico. O alcoólatra empedernido ri de todas essas qualidades humanas e até se sente infinitamente superior a todos seus semelhantes.
CAMPANHA CONTRA O ÁLCOOL
A verdadeira campanha efetiva contra o álcool se realiza explicando, em todos os detalhes, os três aspectos definidos deste vício horrível. Estes três aspectos do caminho do álcool: iniciação, intoxicação e morte devem ser assinalados no lar, na escola, na universidade, nas academias, nos templos, nas lojas, nos ashrams, nos santuários, etc. Essa é a melhor maneira de fazer campanha efetiva contra o alcoolismo. As leis secas que proíbem a venda de álcool resultam inúteis, porque os alcoólatras, astutamente, inventam, então, sua maneira de fabricar bebidas embriagantes de forma clandestina. Isto causa mais dano que benefício à sociedade. Somente a compreensão criadora pode salvar as pessoas de cair neste horrível e espantoso vício. O sistema de ensino audiovisual é maravilhoso para combater o vício do álcool.
O LAR
A verdadeira educação começa no lar. Os pais de família que bebem, dão mau exemplo a seus filhos, conduzem seus filhos ao caminho fatal do abismo. Nos lares deve ensinar-se aos filhos o que é este horrível vício, os três aspectos deste horrendo caminho, etc. Este tipo de ensinamento, acompanhado do bom exemplo, é radical para prevenir as novas gerações contra o vício do álcool. O que se aprende bem, não que se esquece jamais.
MEDITAÇÃO E EMBRIAGUEZ
A meditação e a embriaguez são dois pólos opostos de uma mesma força: a meditação é positiva e a embriaguez alcoólica é negativa.
O gnóstico deve beber o vinho da meditação na taça sagrada da concentração. É necessário mantermo-nos distantes do aspecto negativo; é necessário não cair no aspecto negativo da mente. O vício do álcool pertence ao aspecto negativo da mente. O alcoólatra submerge nos infernos atômicos da Natureza e se perde no abismo. É melhor beber o vinho da meditação na taça sagrada da concentração do pensamento. Concentremos o pensamento em nosso Deus interior, meditemos profundamente nEle, durante horas inteiras e, assim, chegaremos ao Samadhi, ao êxtase inefável. Então, poderemos conversar com os Deuses e entrar nos grandes mistérios da Natureza. Isto é melhor que o delirium tremens, que permite ao alcoólatra penetrar nos infernos atômicos da Natureza, para conviver com os demônios do abismo. As visões do delirium tremens dos alcoólatras são verdadeiramente reais; isso que eles vêem nas visões existe realmente. Eles vêem larvas, demônios e monstros horríveis que realmente têm existência nos infernos atômicos da Natureza universal. Eles penetram no abismo e vêem os seres daí, os seres perversos que vivem nos infernos atômicos da Natureza.
LARVAS ALCOÓLICAS
Todo ser humano carrega uma atmosfera atômica perceptível para os clarividentes. Estas larvas vivem na quarta dimensão. Temos que dizer, de passagem, que a fisica moderna já começa a admitir as quatro coordenadas, a quarta dimensão, a quarta vertical.
O alcoólatra carrega em sua atmosfera ultra-sensível, larvas alcoólicas que o estimulam no vício que lhe deu vida, impulsionando-o a beber. Tais larvas só se desintegram com a fumaça de enxofre.
OSMOTERAPIA
Os perfumes combinados com a força mental constituem um maravilhoso sistema de cura. Pode-se curar os alcoólatras, combinando sabiamente estes dois elementos.
Indicações: Você tem algum ser querido vítima do vício do álcool? Quando este estiver dormindo, aperte sua mão direita com a dele, faço-o cheirar um perfume delicioso, um extrato de rosas e, depois, com a voz muito suave, fale a ele como se estivesse acordado; aconselhe-o, explique-lhe de maneira muito detalhada o que é o vício horrível do álcool. Lembre-se de que quando o corpo dorme, o ego sai dele e anda pela quarta dimensão. As palavras que você lhe diz quando está dormindo chegam ao tímpano do ouvido, passam depois ao centro sensorial do cérebro e em seguida se transmitem ao ego, mesmo que este se encontre muito longe do corpo flsico. Ao despertar, o ego volta ao corpo fisico e, se não recorda o que você lhe disse, pode estar certo de que tudo o que foi dito ficou no subconsciente de seu ser amado. Essas palavras vão, pouco a pouco, produzindo seu efeito e, no final, chegará o dia em que o paciente fica curado do vício horrível do álcool.
PRÁTICA
Deite-se e permaneça tranqüilamente em sua cama. Abra suas pernas para a direita e para a esquerda para formar a estrela flamígera de cinco pontas.
Relaxe bem seus músculos. O processo de relaxamento é fácil se se combina com a imaginação. (Pratique o exercício de relaxamento que foi indicado na Lição II).
Relaxamento mental: depois de logrado o relaxamento do corpo físico, é necessário relaxar a mente. O relaxamento mental se consegue também com a ajuda da imaginação. Observe todos os pensamentos que lhe venham à mente, todas as recordações que lhe assaltem, todas as inquietações, etc. e estude-os para conhecer sua origem. O estudo de tudo isto lhe revelará muitas coisas, fa-loá conhecer seus defeitos, seus erros, etc. Assim, conhecerá como trabalha seu eu, seu ego. Analise cada defeito, trate de compreender cada defeito em todos os níveis da mente; estude cada pensamento, recordação ou emoção que lhe assalte; compreenda cada pensamento. Imagine, depois, um abismo profundo e lance cada pensamento estudado, cada recordação, cada inquietação, etc. nesse abismo. Sua mente, assim, ficará quieta e em silêncio. Na quietude e silêncio da mente, poderá ver e ouvir o Íntimo, ele é o Mestre interno, ele é seu Deus interno.
CONCENTRAÇÃO
Quando a mente logra a absoluta quietude e silêncio, pode concentrar-se no Íntimo; esta concentração se faz com a ajuda da oração. Ore ao Intimo, procure conversar com Ele. Lembre-se de que orar e conversar com Deus. Pode orar sem fórmulas, isto é, conversar com Deus, dizer-lhe com infinito amor o que sente seu coração.
MEDITAÇÃO
Quem logra a perfeita concentração, pode meditar em seu Deus interno.
Reflita em seu Deus interno, identifique-se com ele, viva nele.
CONTEMPLAÇÃO
Quem aprende a silenciar a mente, a concentrar a mente e a orar, pode praticar a meditação perfeita e alcançar as alturas da contemplação interna. Ao chegarmos a estas alturas, estamos em êxtase. Podemos conversar cara a cara com os Deuses inefáveis, estudar as maravilhas do cosmo infinito e viajar através do infinito em espírito e Alma. Nesse estado de êxtase, o corpo físico fica adormecido e abandonado. Você compreende agora por que é conveniente praticar estes exercícios nos momentos em que tem sono. O sono é um poder que deve ser aproveitado para lograr conscientemente o êxtase.
Lição 9
A MENTE UNIVERSAL
A convivência social se fundamenta necessariamente nos funcionalismos da mente. É necessário explorar profundamente os diversos níveis da mente.
A esfera do pensamento onde o homem vive não está jamais encerrada dentro da limitada circunferência do crânio, como geralmente supõem os ignorantes e até os ignorantes ilustrados do mundo. Se existisse um homem assim, como essas pessoas crêem, desde logo, seria este o homem mais desgraçado do mundo. Um homem com o pensamento encerrado no crânio não poderia ver nem perceber nada, seria um completo idiota vivendo entre as mais profundas trevas; esta desgraçada criatura não poderia ver o Sol nem a Lua, nem as estrelas, nem a Terra em que vivemos, nem as pessoas, nem as coisas, nem a luz. Nada do que tem vida existiria na mente de um homem assim; isto se explica pelo fato de que o homem não pode perceber nada que não exista de antemão em sua própria mentalidade.
Dom Immanuel Kant disse em sua “Crítica da Razão Pura” que o exterior é o interior. Todo o Universo exisite na mente cósmica. A esfera mental de cada pessoa estende-se por todo o cosmo e chega até as estrelas mais distantes; esta é a causa pela qual vemos, ouvimos e sentimos todo o criado; este é o motivo pelo qual podemos ver as estrelas mais distantes.
Nosso pensamento não está encerrado no crânio, estende-se por todo o cosmo, e penetra em todas as partes:
mundos, sóis, pessoas e coisas; tudo está dentro do pensamento de cada homem. A mente é energia universal. Vibra e cintila em todo o criado. O cérebro não é a mente, é tão somente um centro receptor, uma oficina radiotelegráfica que recebe as mensagens da mente. O cérebro não pensa, quem pensa é a mente e esta não é o cérebro.
As religiões dizem que a Alma humana tem um corpo de carne e osso. Os teósofos sustentam que a Alma humana tem, além do corpo de carne e osso, um corpo mental. Todas as escolas do Oriente e do Ocidente que se dedicam ao estudo do Ocultismo ensinam seus estudantes a manejar o corpo mental. A Alma, envolta no corpo mental, pode transportar-se à vontade a outros planetas e ver o que acontece aí.
Todo o Universo está dentro da mente humana. Todas as mentes estão dentro de todas as mentes. Vivemos mutuamente na esfera do pensamento alheio. Os problemas econômicos e sociais de cada pessoa vivem em todas as pessoas; ninguém é alheio a ninguém. Todos estamos dentro da mente de todos.
O mendigo vive dentro da mente do rico e, este último, dentro da mente do mendigo. Todos estamos submersos no oceano da mente universal.
IMAGINAÇÃO E VONTADE
Os dois pólos da mente são imaginação e vontade. A imaginação é feminina e a vontade, masculina. A chave do êxito se encontra na imaginação e vontade unidas em vibrante harmonia.
AÇÃO MENTAL
O inventor concebe com sua imaginação o telefone, o rádio, o automóvel, etc. e, depois, com a vontade os cristaliza, os converte em fatos, em realidades concretas. Os estilistas de Paris ditam a moda tal como eles a concebem com sua imaginação.
EPIDEMIAS MENTAIS
Se um homem pensa tanto em bom como em mau sentido, as ondas que emanam de sua mente chegarão ao corpo mental de cada indivíduo. As ondas mentais se propagam por todas as partes. Quando elas são de sabedoria e amor, beneficiam a todos aqueles que as recebem. Quando as ondas estão impregnadas de devoção e veneração para com Deus, levam paz e consolo a todos aqueles que estão em sofrimento. As ondas mentais venenosas danificam a mente alheia. As ondas mentais de ódio, inveja, cobiça, luxúria, orgulho, preguiça, gula, etc. produzem epidemias mentais. As ondas mentais perversas envenenam, com sua radioatividade, muitas mentes débeis. O caso dos rebeldes sem causa é um bom exemplo do que são as epidemias mentais. Os rebeldes sem causa se converteram em uma praga má e danosa. Devemos buscar a causa desta epidemia mental na imaginação mal usada. Os salões de cinema exibem filmes de bandidos e pistoleiros que, depois, ficam gravados na mente dos jovenzinhos. Os pais de família presenteiam suas crianças com pistolas, carrinhos de guerra, canhõezinhos, soldadinhos de chumbo, metralhadoras de brincadeira, etc. etc. etc.. Tudo isto se reflete, com força, na imaginação dc crianças e adolescentes.
Vêm depois as revistas e os contos de ladrões e policiais, as revistas pornográficas, etc. O resultado de tudo isto não demora e, em pouco tempo, a criança, o adolescente, se converte de fato em um rebelde sem causa e, mais tarde, no ladrão, no bandido, no vigarista, etc..
HIGIÊNE MENTAL
Necessita-se praticar higiene mental. Urge uma medicina preventiva. Cultive a sabedoria e o amor, faça, diariamente, muita oração. Selecione as obras de arte; aconselhamos a boa música, a música clássica, a boa pintura, as obras de Michelangelo, as grandes óperas, etc. Evite espetáculos danosos para a mente, os espetáculos sangrentos como o boxe, a luta livre, etc.; estes tipos de espetáculos produzem epidemias mentais. Cuide de sua mente, não permita que dentro do templo de sua mente penetrem os maus pensamentos. Seja puro em pensamento, palavra e obra. Ensine a seus filhos todo o bem, o verdadeiro e o belo.
ORIGENS DA MENTE UNIVERSAL
A grande Realidade divina surgiu de seu próprio seio na Aurora deste Universo solar no qual vivemos, nos movemos e temos nosso Ser. A grande Realidade não conhece a si mesma, porém, ao contemplar-se no espelho vivente da grande imaginação da Natureza, chega então a conhecer a si mesma. Deste modo se cria uma atividade mental vibratória por meio da qual a grande Realidade conhece suas infinitas imagens que luzem maravilhosas no cenário cósmico. Esta atividade, que saindo da periferia se dirige ao centro, é o que se chama mente universal.
Todos os seres vivemos submersos no oceano infinito da mente universal; assim, todos vivemos dentro de todos e ninguém pode separar-se mentalmente de ninguém. “Heresia da separatividade é a pior das heresias”.
A atividade intelectual da mente universal dimana de uma força centrípeta e, como a toda ação corresponde uma reação, a força centrípeta, ao encontrar, no centro, uma resistência, reage e cria uma atividade centrífuga chamada Alma cósmica. Esta Alma cósmica, vibratória, resulta ser um mediador entre o centro e a periferia, entre o Espírito universal de Vida e matéria, entre a grande Realidade e suas imagens viventes.
Um grande Mestre disse: “A Alma é o produto de uma ação centrífuga da atividade universal impelida pela ação centrípeta da imaginação universal”



ESCLARECIMENTOS DE TERMOS
Centrífuga: é a força que procura se distanciar do centro, a força que vai do centro para a periferia.
Centrípeta: é a força que é atraída pelo centro, a força que flui da periferia para o centro.
Todo indivíduo pode engendrar alma. Quando conhecemos a técnica da meditação interna, quando dirigimos o poder mental para o interior de nosso próprio centro divino, a resistência que encontramos causa sua reação e quanto mais vigorosa for a força centrípeta que apliquemos, mais vigorosa será também a força centrífuga que se forma. Fabricamos, assim, Alma, assim, a Alma cresce e se expande. A Alma forte e robusta encarna e transforma o corpo fisico, o transforma em matéria mais sutil e elevada até convertê-lo em Alma também.
PRÁTICA
Aprenda a usar sua imaginação e vontade unidas em vibrante harmonia.
Deitado em seu leito ou em uma poltrona cômoda, imagine um lugar distante bem conhecido (uma casa, um parque, alguma avenida, uma cidade, etc.) e adormeça com essa imagem na mente. Quando se encontrar dormitando e com a imagem em sua mente, faça essa imagem real: esqueça do lugar onde sue corpo se encontra, ponha em atividade sua força de vontade e, cheio de plena confiança em você mesmo, caminhe pelo lugar imaginado, ande com se estivesse em carne e osso por este lugar.
Se a prática for feita corretamente, você se desdobrará e, então, sua Alma se transportará a esse lugar, onde você poderá ver e ouvir tudo o que acontece aí.
APÊNDICE
O corpo físico é um dos maravilhosos instrumentos que o homem possui para manifestar-se. Se consideramos este
corpo desde o ponto de vista estritamente físico, é o que poderíamos chamar uma máquina, sendo o alimento seu combustível. Segundo seja o tipo de combustível que se use, assim trabalhará e servirá de instrumento essa máquina.
Muitas vezes, encontramos pessoas que irradiam uma atitude de dita, felicidade, saúde, otimismo, simpatia, amor, etc.; estas pessoas conquistam a amizade de todos, possuem uma força de atração um ímã irresistível. Outras são débeis e carecem desse ímã maravilhoso: fracassam quando procuram receber ajuda de outras pessoas e quando são donas de alguma negócio, seus clientes gradualmente desaparecem.
A psicologia descobriu que o caráter de uma pessoa depende de seu estado interno. O caráter não se desenvolve no corpo físico, porém se expressa por meio dele e, se o corpo físico não está em bom estado, então, nosso lado interno não pode se expressar eficientemente.
É indispensável que cada pessoa se nutra suficientemente. Quando a nutrição é imperfeita, o sangue se debilita, empobrece, motivo pelo qual as células também se debilitam. Um dos melhores meios para se obter nutrição completa com o alimento habitual consiste em mastigar perfeitamente os alimentos. Os alimentos ingeridos mal triturados perdem grande parte do valor nutritivo. Outro ponto de grande importância é a irrigação do corpo, quer dizer, o uso apropriado da água em beneficio do organismo. A quantidade mínima de água requerida diariamente é dois litros e meio. Se a água é pouca, certas glândulas não podem trabalhar eficientemente, o corpo não elimina bem os resíduos do organismo, o fígado não funciona bem, etc..
DIETA VEGETARIANA
A maior parte das pessoas crê que uma comida sem carne é incompleta.
Nada mais errôneo, porque a ciência demonstrou que a nutrição obtida dos vegetais tem um poder de sustentação maior.
Todos os animais, em si, levam os venenos da putrefação, o sangue venoso está cheio de ácido carbônico e de outras substâncias nocivas; estas substâncias daninhas e repugnantes se encontram em todas as partes da carne e quando comemos esses alimentos, enchemos nosso corpo com essas toxinas.
Existem provas abundantes que demonstram que a dieta carnívora estimula a ferocidade. Observamos a ferocidade das bestas de presa e a crueldade dos canibais e comparemo-las com a fortaleza e docilidade prodigiosa do bovino, do elefante, do cavalo... Entretanto, não devemos chegar à conclusão de que todos devem deixar de comer carne de uma vez e dedicar-se a comer vegetais. Seria uma loucura se uma pessoa mudasse sua dieta ordinária que tem estado usando durante anos e que a está nutrindo adequadamente. Eliminar a carne da dieta ordinária das pessoas acostumadas com ela, minaria completamente sua saúde. A única maneira de proceder é experimentar e estudar primeiramente as coisas.
Você deve ser muito cuidadoso com sua nutrição. Não lhe pedimos que deixe a carne de uma vez, porém, sim, o advertimos de que a carne, quando é consumida em grandes quantidades (por exemplo, todos os dias), é como veneno para o corpo. O Dr. Arnold Krumm-Heller, professor de medicina da Universidade de Berlim e grande médico gnóstico, assegurava que o homem deveria consumir somente vinte por cento de carne entre os alimentos.
Nós comprovamos que alguns alimentos como o trigo, o ovo, o abacate, etc.
podem substituir a carne. Os cereais em geral são de grande valor nutritivo. A proteína do leite de vaca é maravilhosa. O leite de soja é muito nutritivo e a sua composição química é similar à do leite de vaca.
Para procurar a melhor nutrição, os alimentos devem ser usados de forma balanceada. Evite comer pão branco; a farinha branca é danosa e não tem alimento algum. Coma pão preto, banana, farinha de milho, em vez de pão branco ou farinha branca. Coma muitos vegetais; recorde que os vegetais são fontes de grande alimento. As vitaminas se encontram nos vegetais.*N. do E.: Em obras posteriores, o Autor deixou de insistir sobre este tema e considerou que levá-lo ao extremo produz o erro de fazer da cozinha uma religião.
Lição 10
ESOTERISMO E PSEUDO-ESOTERISMOVamos começar nossa palestra desta noite. Hoje nos propomos a investigar sistemas que nos permitem experimentar o que está mais além do corpo físico, isso que pertence a outras dimensões da Natureza e do Cosmo.
Bem, antes de tudo, é necessário que os irmãos ponham atenção...
Há alguns anos aconteceu em Roma um caso insólito: uma monja caía constantemente em transes mediúnicos ou hipnóticos; assumia, então, certas atitudes, que poderíamos dizer imodestas ou, talvez, disséssemos, obscenas...
Confessou-se com o senhor “cura” e lhe relatou a questão; o que acontecia era que ela conservava um retrato de um namorado que teve; bastava-lhe ver o retrato para cair nesses transes tão estranhos, hipnotizada. Durante tais transes, assumia, pois, a atitude de uma mulher que está na cópula química, metafisica...
O “cura” interessou-se por tal retrato e pediu-lhe que o trouxesse; ela naturalmente obedeceu. Dias depois o senhor “cura” tinha em suas mãos aquela foto. Não era uma foto como as atuais, pois, naquela época, a fotografia, em si mesma, não existia; era mais um retrato pintado a mão por algum “retratista”.
Sabemos muito bem que naquelas épocas em que a fotografia não existia, os artistas costumavam pintar retratos de pessoas, ou fazer retratos de pessoas de forma realmente maravilhosa.
Mas ao examinar aquela foto, pôde evidenciar claramente que tinha uma marca bastante interessante, uma marca cheia de pedras (não diria ”preciosas” mas sim pedras de adorno, pedras falsas ou “fantasias”, porém que em todo caso eram brilhantes). A ela bastava ver as pedras, brilhantíssimas, para cair de fato em transe hipnótico e, até, mediúnico. O “cura” experimentou com ela e o resultado sempre foi o mesmo...
Consultou outra autoridade, mais eminente nestas questões e se fizeram distintas experiências com outras pessoas; foi, então, quando a Hipnologia ganhou grande força, por toda parte surgiram indivíduos impressionáveis, passivos, que foram submetidos a sono hipnótico mediante pedras brilhantes; fazia-se olhar fixamente as pedras brilhantcs, faziam-se “passes” sobre a cabeça e o corpo do paciente e este entrava em sono profundo... Virou moda, então, a cura por meio do hipnotismo (tudo isto acontecia em plena Idade Média, quando as fogueiras da Inquisição ardiam por todas as partes).
De tal forma que a Hipnologia que se estuda hoje na Faculdade de Medicina, não é, pois, coisa nova, nem a aplicação do hipnotismo à questão médica tão pouco é uma novidade; já se ensinou, nesse sentido, naquela época.
Não é demais afirmar que tais ensaios resultavam, no fundo, perigosos, porque o “Santo Ofício” estava muito ativo, porém até os próprios clérigos haviam se interessado pelo caso da monja...
Propagou-se, então, por toda Europa, a questão da Hipnologia, que de imediato se definiu pelo mediunismo e afins; todo tipo de experiências psíquicas se suscitaram à raiz desta questão; foi, então, quando surgiram as mais variadas escolas. Muito mais tarde, apareceram em cena, já algum tempo depois, personagens como Richard Charcol, César Lombroso, Camille Flamarión, etc. (isso já foi mais tarde no tempo).
Quanto aos experimentos, houve os notáveis, porém muito mais tarde, como resultado daquelas inquietações medievais. Não é demais recordar, por exemplo, as experiências com Eusapia Paladino de Nápoles; essa mulher despertou inquietações por toda a Europa... Na presença dela, uma mesa, por exemplo, se levantava no ar, violando a Lei da gravidade...
Claro, vieram sábios a Nápoles; de toda a Europa eles iam com o propósito - diziam - de “desmascarar a fraude” (pessoas céticas por natureza e materialistas!). Aqueles cientistas começaram por examinar o organismo físico de Eusapia Paladino; examinou-se a urina, o sangue, etc., utilizou-se um laboratório muito bem equipado para as experiências...
Sentaram Eusapia Paladino em uma cadeira, fixa no solo, devidamente segura (de lado a lado havia um par de poste de feno); algemaram-na para que não pudesse fazer nenhum truque; envolveram-lhe o corpo com fios elétricos, até os dedos das mãos estavam conectados com fios elétricos; qualquer movimento, por mais insignificante que fosse, era suficiente para produzir um som. Dessa maneira, ela estava praticamente controlada; entretanto, depois das sessões correspondentes, ou digo eu, depois de ela cair em transe hipnótico, aconteceram fenômenos extraordinários (certamente uma mesa levitou no ar). Fizeram fotografias, pôde-se verificar que não havia nenhum truque; os cientistas se convenceram até a saciedade de tal fato e não lhes restou outro remédio que renderem-se diante da evidência...
Um bandolim que havia no chão foi levantado por mãos invisíveis, na presença de todos e, dele, saíram melodias inefáveis; um instrumento de música que estava dentro de uma caixa de aço hermeticamente fechada e devidamente carregada com eletricidade de alta tensão, ressoou deliciosamente, tocado por mãos invisíveis...
A mãe de Botacci, um grande cientista, que estava morta desde há muitos anos, apareceu em pleno laboratório. Fotografaram-na, caminhou até onde estava seu filho e o abraçou, chamando-o pelo apelido carinhoso de família e dizendo-lhe “meu filho”, etc. Tudo isso foi formidável, não havia truque aí... Fizeram moldes em gesso das mãos, do rosto, etc. Básculas ou balanças simplesmente controladas se moveram por si mesmas e indicaram determinados pesos específicos; mãos que podiam passar sobre pedaços fosforescentes de papel, ou capas fosforescentes eram visíveis porque para a experiência se apagavam certas luzes; deixavam e permanecia tudo controlado, qualquer suspeita de truque era suficiente para que se acendesse uma luz (aí não havia truques).
Depois de tudo, esses cientistas regressaram a seus países de origem perfeitamente convencidos; seu ceticismo ficou destroçado, reduzido a poeira cósmica. Foram formidáveis tais experiências...!
E o que diremos das experiências de William Crookes? Na Califórnia, em uma casa de Merville, aconteceram fenômenos insólitos: começou a chover pedras sem nenhum motivo, no interior da casa. O curioso era que umas pedras saíam por uma janela e entravam por outra (movimentos estranhos que não correspondiam de nenhuma maneira as leis da Física); mesas que se levantavam no ar, cadeiras que iam e vinham, flutuando na atmosfera (coisas estranhas). Foi, então, quando a William Crookes, aquele que descobriu a “matéria radiante”, aquele que a apresentava em seus famosos tubos de cristal, lhe coube também experimentar...
Ele notou que todos esses fenômenos ocorriam na presença de duas senhoritas da casa, as duas senhoritas Fox. Conforme a eloqüência, convidou também a todos os cientistas do mundo para estudar o fenômeno e começaram as experiências. Estas senhoritas eram colocadas dentro de uma câmara, devidamente acorrentadas para assegurar-se de que não iam fazer nenhum truque e logo vinham os fenômenos...
Materializou-se, então, Kathie King, uma mulher morta há muitos anos. Fez-se visível e tangível em pleno laboratório e esteve materializando-se durante três anos seguidos... As senhoritas Fox, entretanto, caíam em estado de transe (disseram-nos que para essas materializações tinha que usar a força vital dessas senhoritas).
O certo era que se condensava aquela aparição diante de todos os cientistas: fizeram fotografias em quantidade, três anos seguidos de materialização de Kathie King. Aos três anos, despediu-se de todos os cientistas e disse: Já cumpri minha missão aqui no mundo físico, demonstrei-lhes que os defuntos continuam vivendo nos Mundos Superiores; para isso vim e minha missão está cumprida”... Entre lágrimas e soluços, despediu-se de todos; as câmaras fotográficas foram registrando os processos de desmaterialização daquela defunta. Ainda lhes deixou materializado uma mecha de cabelo, como recordação...
Vieram, repito, sábios de toda a Europa, todos cem por cento incrédulos.
Entretanto tiveram que se convencer porque fatos são fatos e diante dos fatos temos que nos render... Depois daquelas experiências com Kathie King, ficou demonstrada fisicamente a realidade “mais além”.
E o que diremos daquele “médium” francês que, em estado de transe, flutuava na atmosfera, que flutuando na atmosfera, sentado numa cadeira, saiu por uma janela e entrou por outra, no andar superior; que enfiava o rosto nas brasas e não se queimava, etc.? Foram fenômenos de ordem popular. Como negálos, se os cientistas os comprovaram? Entretanto, é óbvio que essas comprovações do tipo psíquico-experimental tão pouco levaram ninguém à iluminação, ninguém se transformou com isso; a única coisa que se conseguiu foi demonstrar, pois, a realidade, das dimensões superiores da Natureza e do Cosmo, mas ninguém se transformou com isso.
Toda essa série de acontecimentos mediúnicos, todas essas experiências do tipo psíquico, fizeram-se populares e, como conseqüência ou corolário, apareceram escolas do tipo pseudo-esoterista, pseudo-ocultista, meio-mediúnica, meio-espírita, meio-esoterista (de tudo um pouco) que se popularizaram. Não vou me pronunciar contra nenhuma escola, porque não é esse o objetivo desta conferência, quero unicamente dizer-lhes que tais escolas do tipo semi-esotérico, semi-espíritas, surgiram como conseqüência ou corolário de muitíssimas investigações do tipo psíquico, porém essas escolas tão pouco possuíram uma autêntica tradição esotérica. Não foram escolas que permitiram a transformação do ser humano; tais escolas possuíram abundante biblioteca e muitíssimos eruditos, porém não conduziram ninguém à transformação, à auto-realização íntima do Ser.
Apareceram certos tipos de pessoas muito curiosas, teorizando em cem por cento. Denominamo-las “persona-lidades kalkianas”, assim as temos chamado por serem pessoas desta época do “Kaly-Yuga”. Distinguem-se pela sua erudição, porém não possuem realmente auto-realização íntima nem Esoterismo autêntico.
São pessoas que têm dogmas; um deles é, por exemplo, o da Evolução (surgiu no fundo das escolinhas como a de Alan Kardec, León Denis, etc.).
Se lemos Alan Kardec, a fundo, em seu livro intitulado “O Livro dos Espíritos”, veremos aí o dogma da Evolução. Parece que Darwin influiu muito com sua teoria da Evolução e transformação das espécies, influiu de forma muito decisiva sobre todas as escolas “kalkianas”...
Finalmente, apareceu um calão muito curioso de eruditos sem auto-realização, sem conhecimento nenhum da “Sabedoria da Serpente”, sem capacidade para investigar fora do corpo físico, de forma positiva e consciente; sem experiência prática sobre Alquimia, sem experiência direta sobre Cabala verdadeira, sem conhecimento real da Anatomia Oculta do homem, etc.
Esse curioso calão pareceu estender raízes por todas as partes e se multiplicou de forma evidente por todo o mundo. Agora, têm distintos nomes; não serei eu, precisamente, quem vai publicar os nomes de todas essas escolinhas, porque cada um é livre para pensar como quiser e de maneira nenhuma me proponho a atacar outras organizações. Direi, sim, a vocês que têm fundamentos falsos...
Quando alguém não conhece a “Sabedoria da Serpente”, quando não é um verdadeiro alquimista de laboratório, quando não é capaz de operar praticamente com a Alquimia e de mover-se em qualquer Sephirot; quando é escravo do dogma da evolução e está cheio de infinitos temores e preconceitos, obviamente marcha pelo caminho do erro.
O dogma da evolução, por exemplo, é completamente falso, não tem embasamentos sólidos sobre os quais possa sustentar-se. Diz-se que se “vai evoluindo em cada reencarnação, pouco a pouco até que chegue o momento em que se libera, depois de milhões de existências”... Quando alguém leva a sério tal teoria, não se preocupa realmente em trabalhar sobre si mesmo, porque se diz: “Algum dia chegarei, se não chego agora, chegarei dentro de um milhão de vidas”.... Nessas condições, perde o tempo e, no fim, o supreende o fato de que se esgota seu ciclo de existências e não lhe resta outro remédio senão ingressar na involução submersa dos Mundos infernais (perdeu seu tempo).
Tais escolas, entre outras coisas, infundiram nas pessoas temor sobre o Kundalini. “Isso é perigoso, se o Kundalini se desvia por outro lado, se despertam as mais terríveis paixões e se torna louco...”! Então, para que falam as pessoas sobre o Kundalini? Melhor seria que não o citassem; para depois dizer que “é perigoso”, melhor não dizer nada. Primeiro falam de belezas sobre o Kundalini: “que abre todos os chacras, que desenvolve todos os poderes, que conduz à iluminação”, etc., e depois saem com essa que “é perigoso” que “melhor que não se envolva”, que “nessas condições se vai ao fracasso”... Primeiro dizem uma coisa e logo dizem outra: dizem que “não desperte o Kundalini, porque é perigoso”... Então, para que o mencionam, se é perigoso? Esses são os calões em que vivem atualmente os pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas (é gravíssimo!).
Evolução obviamente existe, não negamos essa Lei, porém ao lado da Lei da evolução, existe outra contrária, por oposição: existe a da involução. Essas leis são meramente mecânicas e nada têm a ver com a auto-realização íntima do Ser.
Há evolução no grão que germina, no caule que cresce, na árvore que põe ramos e frutos; há involução na planta que murcha, que decresce e que, no final, se converte em um montão de lenha. Há evolução na criatura que se gesta dentro do ventre materno, na criança que nasce, que se desenvolve; no adolescente, no jovem que luta pela existência, no homem maduro e forte, etc.; porém há involução também no ancião, no homem que cada dia envelhece mais e mais e que, ao final, entra em estado de decrepitude e morre (são processos meramente naturais). Não negamos de modo algum a existência destas leis; com o que não estamos de acordo é em atribuir às mesmas princípios e conceitos completamente equivocados...
Todo este calão do tipo dogmático, toda essa pseudo-sapiência teórica das distintas escolas do pseudo-ocultismo e pseudo-esoterismo barato, surgiram na realidade como conseqüência ou corolário de todo esse psiquismo anterior: espiritismo, mediunismo, mesas parlantes, indivíduos em transe, etc. Então, esse calão não tem realmente fundamentos sólidos, não tem sistemas de investigação superior, porque de maneira nenhuma me parece correto que queiramos fundamentar nossas experiências exclusivamente em sujeitos passivos, mediúnicos (vêem-se tantos erros no psiquismo barato!). Parece-me que os homens sérios de maneira nenhuma deveriam ocupar-se com essa classe, digamos, de fenômenos tão ignorantes.
Como citação, direi algo muito interessante, há pouco tempo, em um Lumisial da irmã República da Venezuela, certa mulher do tipo mediúnico caiu em estado de transe (uma dama que ainda não tinha dissolvido o ego e que portanto de maneira nenhuma estava preparada para receber desideratos cósmicos ou mensagens transcendentais do Ser). Porém o curioso é que, já estando no estado mediúnico, quis passar por sábia: chamou fulano de tal e lhe disse: “Tu recebeste a primeira Iniciação de Mistérios Maiores; tu, fulano de tal, tens a quarta; tu cicrana, a quinta”... Resultado, que todos os irmãozinhos desse Lumisial resultaram Mahatmas, puros “Hierofantes” , aí não havia nenhum pequeno, todos eram grandalhões. Irmãozinhos recém-chegados já eram “Hierofantes”...
Afortunadamente, esse Lumisial se fechou. Graças a Deus, porque haviam caído em um estado de loucura insuportável...
De vez em quando, acontecem esses casos nos Lumisiais e algum “psíquico”, cheio de eus, cem por cento subjetivo, cai em transe e já se torna “sábio”. Tudo isto nos indica, meus estimáveis irmãos, que não é uma mente desordenada a que pode nos levar realmente à liberação (obviamete não!).
Existe também a Ioga. Não quero me pronunciar contra ela, porém assinalarei, sim, alguns perigos...
Os hata-iogues crêem, pois, que unicamente à base de posturas iogues é possível a auto-realização íntima do Ser (esse conceito está equivocado). Tão pouco quero ir ao outro extremo e dizer que toda ginástica hata-ioga seja inútil; obviamente, se há certas ginásticas que podem ser úteis para a saúde do corpo físico, porém de maneira nenhuma poderiam conduzir-nos para a liberação final (trata-se de encontrar caminhos!).
Acontece que a humanidade vive em um labirinto, sem saída por nenhuma parte. Uns querem liberar-se através da Ioga, outros, através do espiritismo ou do mediunismo, etc.; outros pensam que recebendo as mensagens através dos médiuns se tornam sábios, porém qual a conclusão?

Vamos, agora, até os Himalayas. No Tibet, há multidões de anacoretas que se encerram em cavernas por toda a vida; seus Gurujis lhes ensinaram diversas técnicas da meditação, alguns se converteram em atletas, outros crêem que já estão livres, etc. Há os que se alimentam com puras urtigas, ervas que encontram ao redor de sua caverna, querendo converter-se, assim, em Deuses. Enfim, cada um é livre para pensar como quiser, porém me agrada esclarecer mistérios...
Não negamos que alguns desses anacoretas tenham conseguido fazer-se verdadeiros atletas da meditação; nesse estado dc êxtase, costuma acontecer que a Essência do iogue se desengarrafa, escapa do ego e, na ausência dele, pode submergir no vazio iluminador. Aí, há ausência de homens e de Deuses, porém se escutam as palavras do Eterno.
Tais santos submersos em meditação profunda experimentam isso que não é do tempo, isso que é a Verdade. Porém passado o êxtase, o shamadi, retornam outra vez como o gênio da Lâmpada de Aladim à garrafa, entram no ego para continuar com sua penitência. Em um desses tantos dias, pode ser que escapem em maha-shamadi, e desprendam do terrenal. Como a Essência já está acostumada, por disciplina, liberar, sair do ego, então, assim procederá com a morte do corpo físico e poderá inclusive essa Essência entrar nos planetas do Cristo (planetas que giram ao redor de nosso Sistema Solar, como giram os planetas físicos) e desfrutarão de um shamadi delicioso.
Acontece que nos planetas do Cristo existe uma natureza muito distinta da nossa. Assim como nossa natureza, a do mundo físico está submetida aos processos de nascimento, crescimento, desenvolvimento e morte. A Natureza dos planetas do Cristo que giram em torno do Sol é diferente. Essa Natureza é imutável, eterna, não está submetida a mudanças, nem à morte; portanto, os que vivem nos planetas do Cristo são felizes, desfrutam em seu interior, pois, dos esplendores do Cristo Íntimo e vivem em um êxtase permanente. Dessa maneira, estes iogues, desengarrafados, gozarão, por algum tempo, da felicidade dos planetas do Cristo, poderão flutuar pelo ambiente circundante, mas, com assombro, tais iogues verão que não são habitantes desses mundos, que são admitidos como visitantes, porém realmente não têm direito de existir aí. Tão tremendas realidades os levam a compreender que ainda estão incompletos, que não estão livres, como o supunham antes de morrer e, com dor, regressarão novamente, como o gênio, à Lâmpada de Aladim, à garrafa, isto é, ao ego. Assim há muitos que no Tibet se consideravam santos e iluminados, que desencarnaram em maha-shamadi e que o povo venera corno Deuses e vivem, agora, no mundo ocidental, convertidos em pessoas vulgares, comuns e correntes...
De maneira que, se não se elimina o ego, não se logra a liberação final; essa é a crua realidade dos fatos... Ainda que pratiquem muitos exercícios ioguinos, ainda que se encerrem em cavernas isoladas do mundo, alimentando-se, por aí, com ervas silvestres, se não destroem o ego, não se liberam...
Bem, tem-se falado muito nas escolas do tipo pseudo-esotérico, pseudoocultista, sobre a constituição septenária do homem. Todas essas escolas (kalkianas, diríamos) têm abundante biblioteca; há obras onde se mencionam os sete cornos do homem e onde se afirma, de forma enfática, que toda criatura humana tem os sete corpos. De acordo com isto, todos são Mestres.


Porém, a que se devem esses erros? Devem a interpretações errôneas sobre a cultura oriental. Se hovessem interpretado melhor as coisas, não teriam “metido a pata” como o têm feito...
Na realidade e de verdade, o ser humano, o humanóide intelectual, para falar mais claro, possui unicamente o corno que tem, esse veículo, seu assento vital orgânico. Esse assento vital é o que os indostânicos chamariam o lingam sarira, isto é, o corpo vital. Porém corpo vital e corpo físico são o mesmo, são um só corpo, porque o chamado corpo vital ou duplo etérico (para usar desta vez os termos das pessoas desta idade kalkiana) não é mais que a parte superior do corpo físico, isto é, o corpo físico é tetradimensional, tem quatro dimensões; a quarta vertical é formada pelo corpo vital ou lingam sarira.
Porém deixando de lado esta questão do corpo planetário com seu assento vital orgânico, o que é que tem o humanóide? A única coisa que tem interiormente na realidade é um montão de diabos. Será um pouco duro dizer isto, porém é a verdade. Aqueles que hajam destruído o ego e que, portanto, desfrutem da verdadeira consciência desperta, poderão verificar, por si mesmos, o que estou afirmando nestes momentos.
No humanóide há sim algo digno, não negamos: a Essência, ou o Buddhata como dizem os orientais, falando à luz do Zen ou do Chang. Essa Essência, desgraçadamente, está enfrascada nos diversos elementos inumanos que levamos em nosso interior. De maneira que esses elementos inumanos são na realidade e de verdade um montão de diabos, os demônios vermelhos de Seth, como se dissera no Alto e Baixo Egito. E falando na linguagem tibetana, diríamos que esses elementos inumanos são os agregados psíquicos, vivas personificações inumanas de nossos defeitos psicológicos.
Isso é, pois, o que tem o ser humano, o humanóide. Porém, em que ficamos sobre o corpo astral de que falaram as escolas do tipo pseudo-esotérico e pseudo-ocultista? Em que ficamos sobre o famoso manas inferior e manas superior, isto é, corpo mental e o corpo da vontade consciente ou corpo causal?
Não, o humanóide não tem esses corpos! Porém, então, por que essas escolas afirmam que sim, que os têm? Pois, por péssima interpretação dos ensinamentos orientais; mal interpretados, foram difundidos no mundo ocidental e conduziram as pessoas ao erro. Os corpos astral, mental e causal terão que ser fabricados, isso é óbvio. Como se fabricam esses corpos? Se não se têm noções de Alquimia, como se faria para fabricá-los?
Antes de tudo, há que ser alquimista, há que estudar a Alquimia. A Alquimia e os alquimistas agitaram toda a Idade Média; os alquimistas medievais puderam salvar-se graças a que diziam que estavam procurando a fórmula para fazer ouro, que seu anelo era ajudar o rei, o governo em cada nação. Assim, dessa forma e desse modo, escaparam da fogueira. Eram também chamados sopradores; na casa dos alquimistas nunca faltava um laboratório; aí se viam uns enormes foles desses antigos para estar soprando o fogo; viam-se crisóis, viam-se enormes panelas, chaminés, etc., etc., etc. todos os utensílios próprios de um laboratório...
Quando alguém visitava a casa, sabia que estava na presença de um alquimista... Alguns até podiam fabricar sabão também, para dissimular a coisa.
Porém, geralmente, todos esses artefatos e utensílios de laboratório não eram mais que o símbolo vivente do corpo de Doutrina.

Havia-se buscado a Alquimia do Egito, os árabes a trouxeram para a Europa e muitíssimos monges medievais, eminentes mestres etc., aceitaram. Aí temos, como para citar alguns personagens, o Abade Tritemus, um monge beneditino, alquimista, foi o Mestre nada menos que de Paracelso, outro grande médico e alquimista que logrou a transmutação do chumbo em ouro e que também conseguiu a Pedra Filosofal e o Elixir da Longa Vida. Paracelso ainda vive, pessoalmente eu o conheço. Os que crêem que Paracelso morreu, estão muito equivocados...
E quanto a Dr. Juan Fox, médico, ilusionista e mago que viajara em seu cavalo desde Praga até Varsóvia, que, naquela época, assombrou todo o mundo, transmutou o chumbo em ouro e ainda existe. Dentre os três discípulos do Abade Tritemus, o único que não logrou maiores triunfos foi Cernélio Agrippa. Este homem cometeu o erro de ficar teorizando, passou a vida raciocinando, fazendo silogismos, prosilogismos, dentro do círculo vicioso do raciocínio; quando quis realizar a Grande Obra, já estava velho, não pôde, morreu, a morte o surpreendeu lutanto para dissolver o eu, querendo tomar posse de si mesmo, porém não logrou, fracassou...
Mediante a Alquimia, se aprende a fabricar o Mercúrio dos sábios, com o que se pode fabricar os corpos existencias superiores do Ser. Indubitavelmete, transformado o exiohehari, isto é, o esperma sagrado, se elabora o Mercúrio dos sábios. Inquestionavelmente, tal matéria venerável tem que passar por alguns processos de purificação antes de ser útil. Essa matéria venerável, essa água misteriosa, passará pelas operações aritméticas de soma, subtração e divisão de princípios antes de ser útil.
É óbvio que no princípio tal matéria venerável, resultado como já disse, das transmutações do esperma, é preta, porém se se logra refinar o Sacramento da Igreja de Roma (Roma ao inverso, lê-se “Amor”), então, essas águas se tornam brancas e, se se continua com o processo de refinamento sexual, no final, as águas brancas se tornam amarelas. Ao chegar a estas alturas, o enxofre é liberado de suas prisões ou centros magnéticos, situados nos infernos atômicos do homem.
O enxofre é o fogo e é liberado. Este se mistura, então, com o mercúrio e, assim, temos o mercúrio enxofrado, que sobe pelo canal medular-espinhal até o cérebro. O excedente de tal mercúrio, depois de saturar as células orgânicas, vem a cristalizar-se, dentro de nosso corpo, na forma extraordinária e maravilhosa do veículo astral ou sideral. Quem possui um corpo astral sabe que o tem porque pode andar com ele, pode flutuar no espaço com ele, pode transportar-se a outros mundos com o mesmo, etc. E uma espécie de duplo organismo extraordinário, formidável e maravilhoso.
Uma vez que alguém se encontre na posse de um corpo astral, pode dar-se ao luxo de criar, para seu uso particular, um corpo mental. Este é o resultado, também, das condensações do mercúrio. Quando o mercúrio se condensa na forma do corpo mental, nos transforma. Alguém que possua o corpo mental, pode absorver a Sabedoria da Natureza, tem acesso a todos os Templos de Hermes Trismegisto, o três vezes grande Deus Íbis de Thot. Quando se tem logrado tal êxito, está-se preparado para fabricar o corpo da vontade consciente. Este também vem a cristalizar-se com as condensações do Mercúrio dos sábios...
Dessa maneira, alguém que tenha os corpos Físico, Astral, Mental e Causal, pode, de fato, receber os princípios étnicos, búdicos ou anímicos que o convertem em Homem real. Isto quer dizer antes desse instante, não se é homem; antes desse momento, não se é mais que um animal intelectual.
Um professor de Medicina do Distrito Federal (México), dizia que estes seres humanos (que assim se chamam) não são mais mamíferos racionais. Dizer mamíferos racionais ou mamíferos intelectuais, é a mesma coisa. Façamos, pois, uma grande diferença entre o que são os mamíferos intelectuais e o que é o homem. Só quem possui esses veículos é homem.
Agora vejam, uma coisa é ser Homem real e outra coisa é ter capacidade para ser um investigador competente da vida nos Mundos Superiores. Um homem pode ser homem no sentido mais completo da palavra e, não obstante, não ser um investigador competente da vida nos Mundos Superiores. Para sê-lo, tem que eliminar o ego.
Não é por meio do mediunismo que se vai obter dados exatos sobre a vida nos Mundos Superiores, sobre os mistérios do ultratumba; não com sujeitos em estado de hipnose que podemos ter algumas referências sobre o mais além. Não, quem quiser de verdade ser um investigador nos Mundos Superiores, tem que destruir o ego, isto é, passar pela aniquilação budista, que tanto martiriza, que tanto incomoda os fanáticos das escolas pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas.
Porém, se não se passa pela aniquilação budista, se não se logra deixar de existir aqui nos mundos internos como ego, jamais terá a lucidez verdadeira, a objetividade exata para poder, na verdade, ser um investigador sério e idôneo da vida nos Mundos Superiores.
Um indivíduo em estado de hipnose, subjetivo, falará do mais além, dirá que fulano de tal é um Mahatma, citará muitas coisas absurdas, porém não tem objetividade, é na realidade e na verdade uma Essência engarrafada no ego.
Para ser investigador idôneo, se necessita que o ego seja aniquilado. Se o ego é reduzido à poeira cósmica, a consciência, o Ser fica completamente livre.
Uma consciência livre é uma consciência iluminada, uma consciência que poderá experimentar diretamente o real, uma consciência verdadeiramente emancipada, idônea para a investigação. Somente uma consciência assim poderá nos informar sobre as existências anteriores, sobre os mundos inefáveis, sobre o Carma, a Lei; sobre as Leis da evolução e da involução, sobre os mundos infernais, etc. Porém que alguém com ego queira nos informar sobre tudo isso não pode ser, porque não tem uma consciência livre, não uma consciência resplandecente; é uma consciência ainda enfrascada, aprisionada, em meio a distintos receptáculos de matéria. Obviamente, não possui idoneidade indispensável para a investigação.
Assim, meus queridos amigos, nos propomos, nesta Instituição, a dar-lhes os ensinamentos exatos que lhes permitam passar pela grande aniquilação, para que se convertam em verdadeiros investigadores competentes da vida nos Mundos Superiores...



Quem são os que têm dito à Humanidade que todos possuem os sete corpos e traçam esquemas sobre isso? Indivíduos que não destruíram o ego. Então, com que direito o fazem, por que o fazem? Dessa forma, conduzem outros ao erro; porém, desgraçadamente, existem em abundância os pseudo-sapientes, as personalidades kalkianas, por todas as partes. Isto é, digamos, uma espécie de veneno que se propaga em todas as direções do mundo.
Há que conhecer também a fundo a Sabedoria da Serpente. Se não se conhece esta sabedoria, se vive em trevas e não se logra a liberação. Por exemplo: sustentam falsamente as escolas pseudo-esotérica e pseudo-ocultista, em todos seus calões inúteis, que o Kundalini pode despertar a qualquer momento, seja através da meditação, com as práticas do Pranayama ou por imposição de mãos do Guru, etc. Trata-se de algo falso, falsíssimo, porque o Kundalini não desperta dessa maneira. Quem são os que falam assim? Os que não estudaram os Tantras tibetanos, os que não investigaram jamais os tesouros de Anáhuac.
É bom saber que nos códices que nos ficaram, aqueles que foram salvos do vandalismo dos gachupines, em entrelinhas, está escondida a Sabedoria da Serpente. Leve-se em consideração que a grande Tenochtitlan foi serpentina. Dessa forma, nós, os mexicanos, temos uma tradição serpentina; essa é a crua realidade dos fatos.
Há os que afirmam que na Índia há tesouros extraordinários; não o negamos, porém, na Índia secreta. Entretanto, aqui no México, se fala mais claro.
Em Yucatán, por exemplo, encontrei uma grande serpente de pedra na atitude de tragar um homem (o tinha, pois, entre suas fauces)...
Lição 11
O PEQUENO MUNDO EM QUE VIVEMOS
Inquestionavelmente, necessitamos reflexionar um pouco sobre nós mesmos...Disseram-nos que somos o micro-cosmo do macro-cosmo, porém vivemos realmente, por assim dizer, nas partes inferiores de nossos cinco centros (já sabemos que temos cinco centros: o intelectual, o emocional, o motor, o instintivo e o sexual).
Indubitavelmente, este microcosmo a que pertencemos é controlado por todos nossos interesses pessoais; por tal motivo, nem sequer nos damos conta do que é realmente o planeta Terra. Poderíamos dizer que vivemos em nosso próprio microcosmo (cosmo pequeno, infinitesimal), mas porque nos achamos, digamos, completamente presos pelos sentidos externos, nem sequer, repito, podemos assegurar que vivemos realmente no planeta Terra. Vivemos em nosso microcosmo particular, porém no planeta Terra, não. Por quê? Porque em nossa mente, nossos sentimentos, nossos desejos, nossas emoções, vivem em nós, dentro de nosso pequeno mundo; os interesses mesquinhos nos controlam, não temos tempo para pensar em outra coisa que não sejam nossos interesses egoístas, em nossas paixões, etc.

Dessa maneira, francamente, não vivemos de verdade no planeta Terra (isto parece paradoxal, mas é verdade). Quem poderia vangloriar-se de conhecer realmente o planeta em que vivemos? Pois é um mundo com sete dimensões: quem o conhece? Sabemos que no mar, sobretudo em certas zonas profundas e isoladas do Pacífico e do Atlântico há fenômenos extraordinários, há lugares onde os navios não podem avançar (“águas mortas”, diz-se das que não têm uma explicação)...
Se friccionamos um fósforo com o propósito de obter fogo, é óbvio que com a fricção ele surge, porém antes da fricção, o mesmo já existia no fósforo em estado latente; com a fricção, a única coisa que logramos é permitir que o fogo surja. Entretanto, as pessoas crêem que antes da fricção o fogo não existia no fósforo; então, se o fogo não existia, de onde saiu? Do nada, nada pode sair.
Dessa forma, o fogo existe antes do fósforo. E qual é a natureza do fogo? Sobre isso nada se pôde explicar; os cientistas se limitam a dizer que “é o produto das combustões”, isto é, fogem pela tangente; tal conceito não é mais que um remendo para ocultar sua ignorância...
Estuda-se a mecânica dos fenômenos, porém o que se sabe sobre a vida? Os cientistas poderão conhecer toda a mecânica da vida, mas o que sabem sobre o fundo vital? Nada...! Há alguns meses, propagou-se por aí a notícia jornalística de que já se podia engendrar criaturas em qualquer laboratório. Coisa absurda: filhos de simples laboratório, “bebê de proveta”! Ter-se-á visto maior estupidez? E em que consistia a celeuma? Bom, simplesmente porque haviam logrado que o espermatozóide masculino se unisse, está claro, com um gameta feminino, isto é, com um óvulo, depois de unidos, colocam-nos em seu respectivo lugar dentro do organismo e é óbvio que se processa a gestação. Isso não tem nada de novidade (essa é, certamente, a famosa inseminação artificial), mas eles pensavam que já estavam criando vida.
Se nós colocamos as matérias químicas das quais é constituído um espermatozóide e um óvulo e pedimos aos cientistas que façam um par de gametas maculino e feminino, estou certo de que o fazem, porém, se depois lhes pedimos que, depois de unidos tais gametas artificiais, os depositem em seu lugar correspondente dentro do corpo feminino, para que aí resulte uma criatura ou, simplesmente que o coloquem em uma “proveta” muito especial, estou certo de que dali não sairá nada...
Um certo dia, um materialista ateu, inimigo do Eterno, discutia com um homem muito religioso e chegaram àquela discussão, daquele conto clássico, de que “quem foi primeiro, se o ovo ou a galinha” (é um conto que, supostamente, não acabará): Quem pôs o ovo? A galinha. E de onde saiu a galinha? Do ovo. E o ovo de onde saiu? Da galinha... O resultado é que essa questão jamais acabará.
Porém depois de tanto discutir, discutir e discutir, o religioso desafiou, pois, o materialista para que fizesse um ovo, para ver se se sentia muito capaz de tirar um pinto dali. O materialista disse que o faria e o fez (um ovo muito bem feito).
Depois de feito, o religiso disse: “Bom, vamos, agora, chocá-lo em uma galinha para que dali saia um pinto”... E o colocaram para chocar na galinha, porém não saiu nada (era um ovo morto, sem vida). Isto nos lembra muito Dom Afonso Herrera, o grande sábio mexicano que conseguiu fazer a célula viva (digo a célula, porém não viva; imitação de vida, porém uma célula tal como é); porém foi sempre uma célula morta, nunca teve vida de verdade e era perfeita: com seu núcleo, sua membrana, etc., etc., etc., porém foi um célula que nunca teve vida (uma célula morta, repito).
Dessa maneira, vivemos em um planeta que desconhecemos, ou melhor digamos, não vivemos no planeta, vivemos em nosso pequeno mundo, pois, cada um de nós está condicionado por seus próprios interesses, paixões, desejos, preocupações. etc., etc., etc.; não vivemos propriamente no planeta Terra...
Disseram que existem os sentidos internos e não o negamos; obviamente, há mais sentidos internos que externos. As distintas escolas têm métodos para desenvolver os sentidos íntimos, os sentidos internos, porém na verdade lhes digo, meus caros irmãos, que se quisermos desenvolver os sentidos internos, devemos começar por desenvolver o sentido da observação de si mesmos, isto é, da auto-observação. Esse sentido está latente em cada um de nós, mas há que desenvolvê-lo; o desenvolvimento só é possível à base de prática; conforme vamos usando o sentido, este, por si mesmo, irá se desenvolvendo e, à medida que progridamos na observação de nós mesmos, outros sentidos irão também fazendo-se presentes e, no final, o dia em que mediante a auto-observação íntima nos hajamos conhecido a fundo, integralmente e em todos os departamentos da mente e do coração, os múltiplos sentidos internos que possuímos se expressarão, se desenvolverão preciosamente. Eis aí por que se nos há dito: nosce te ipsum (homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses).
Conforme vamos nos tornando reflexivos, vamos também compreendendo o estado lamentável em que nos encontramos... Como as pessoas não vivem senão dentro de seu pequeno mundo que carregam e isso nos andares mais baixos da máquina, é claro que não entendem coisas relacionadas com o Cosmo ou com os Cosmos e nem sequer sentem interesse, pois é algo que está mais além de si mesmos. Às pessoas a única coisa que lhes interessa são os assuntos mesquinhos, a satisfação plena de seus vícios, de suas paixões, de seus interesses criados, suas preocupações e egoísmos, dinheiro e mais dinheiro, fornicação, álcool, etc.
(essa é a Humanidade). Porém quando se lhes fala dos sete cosmos e se tenta que as pessoas comecem a estudar as Leis e seus princípios, francamente, não sentem muito interesse por isto, porque isto está mais além delas mesmas, não faz parte de suas preocupações mesquinhas; essa é a crua realidade dos fatos.
Nós necessitamos estudar a Gnose profundamente; para isso estão os livros, as conferências, etc., porém não basta a simples leitura das obras, há que ir mais longe, irmãos... Não há dúvida de que no princípio se necessita ler, escutar as gravações, assistir às aulas, anotar em nossas cadernetas ou cadernos e aprendêlo de memória; a memória é o princípio formativo, porém não é tudo. Se confiássemos sempre tudo à memória, em geral, nada nos serviria, porque a memória é, cem por cento, infiel; o que se confia à memória, cedo ou tarde, se perde. Se queremos verdadeiramente aproveitar estes ensinamentos, necessitamos depositar estes conhecimentos na consciência, isso é óbvio. No princípio, não nego que necessitamos da faculdade formativa, isto é, da memória, porém aí não deve ficar o conhecimento.
Quando, mediante a meditação, procuramos conhecer o sentido íntimo daquilo que temos depositado na memória, então, tais conhecimentos ali depositados passam a partes superiores do centro intelectual e, se buscamos ser mais conscientes do Ensinamento, no fim, acontecerá que dito conhecimento será, definitivamente, absorvido pelo centro emocional, que já não é intelectual (devemos distinguir entre o centro emocional e o centro intelectual).
Quando o conhecimento se tomou emocional, quando foi depositado no centro emocional, absorve-se, por último, na Essência, isto é, na consciência e o conhecimento que se torna consciência não se perde jamais, nem com a morte do corpo físico, porque ao retomarmos, o traremos na consciência. Mas o que se deposita, exclusivamente na memória, cedo ou tarde, se perde; por esse motivo, meus caros irmãos, é aconselhável que o conhecimento seja depositado na consciência...
Repito: primeiro há que estudar; depois, depositar toda a informação no centro formativo (memória); em seguida, buscar capturar, aprender o sentido intimo disso que temos depositado na memória. Quando o fazemos, sentimos tal conhecimento como algo, digamos, sentimental ou emotivo, ou emocional para ser mais claro, porque passa, então, à parte emocional do centro intelectual. Mas se insistimos em procurar apreender ou capturar o essencial do conhecimento, este tornar-se-á emoção, emoção vivida, passará, digamos, ao centro emocional e novas meditações farão que se tome consciente; isto acontecerá quando, no final, o conhecimento emocional se submerja na Essência, na consciência. Esse, pois, o processo pelo qual tem que passar o conhecimento, a fim de que se torne consciência...
As pessoas comuns e correntes vivem presas pelos sentidos externos; entretanto, há criaturas que já têm estabelecido, em si mesmas, um centro de gravidade permanente; são aqueles que, em vidas anteriores, estiveram nestes estudos; essas pessoas buscarão o ensinamento, o anelarão, sentirão que mais além do mundo dos sentidos há algo e não se equivocam: muito mais além destes sentidos, mediante os quais nos pomos em contato com o mundo exterior, encontramos a Essência. Não há dúvida de que aquelas pessoas que possuem um centro de gravidade permanente anelam, sim, de verdade algo distinto, diferente; apesar de todas as contingências da existência, entendi que sua Essência permanece imutável, que não foi, digamos, deteriorada ou alterada.
Dessa forma, na Essência está o melhor que possuímos; a Essência é a consciência, é o mais decente, o mais digno de nosso Ser...
Existem duas correntes de pensamento em cada um de nós: uma vem da Personalidade, a outra, da Essência. Também podemos dizer que são os pensamentos que vêm da Personalidade cultivada, pois, aparentemente, são mais brilhantes, ainda que de conteúdo escorregadio, mas no fundo, os pensamentos que vêm da Essência são superiores; entretanto, se necessita de uma boa capacidade de observação para distinguir uns dos outros.
Ocorre que, como os pensamentos da Essência são mais simples, e os da Personalidade, mais complicados, poderíamos nos confundir e crer que os pensamentos da mesma, isto é, da Personalidade, são de qualidade superior aos da Essência; mas tal confusão se fundamenta especialmente na ignorância. Os pensamentos da Essência, ainda que não tenham muita erudição, ainda que sejam muito simples, inquestionavelmente são de qualidade superior...
Quando alguém na vida começa a preocupar-se um pouquinho com sua situação na existência, quando se dá conta, pois, de que não é mais que um habitante da Terra, demasiado pequena; quando pensa que a Terra é um pedaço do Sol, uma fatia desprendida do Sol, ou uma partícula do Sol, indubitavelmente, está nos indicando que sua Essência se encotra, digamos, em desassossego, que anela, que tem algo superior.
Obviamente este tipo de pensamentos ainda que muito simples não interessa às pessoas que vivem em seu pequeno e minúsculo mundo, aquele do microcosmo, às pessoas que vivem dentro do infinitesimal mundo dos sentidos ordinários. Ninguém sentiria o anelo de saber se a Terra é um pedaço de Sol e se o Sol pertence à Via Láctea, a menos que da Essência saísse, digamos, tal preocupação ou tal anelo; é a Essência a que tem essa qualidade de pensamentos, simples, porém, no fundo, grandiosos.
Dessa maneira, é necessário que os irmãos compreendam que o mais importante que temos em nosso interior é a Essência, isto é, a consciência...
São muitos os que se preocupam com os poderes mágicos; eu lhes digo que a Essência desperta possui, em si mesma, belíssimas faculdades. O que necessitamos é desenvolvê-la e ninguém poderia desenvolvê-la a menos que trabalhe sobre si mesmo. Quando na verdade nos preocupamos em eliminar, de nossa natureza íntima, nossos defeitos psicológicos: ira, cobiça, luxúria, inveja, orgulho, preguiça, gula, etc., etc., etc., a Essência, naturalmente, começa a desenvolver-se maravilhosamente.
Normalmente a Essência está engarrafada, como já disse tantas vezes, nesses múltiplos elementos inumanos que carregamos em nosso interior (refirome aos defeitos psicológicos). A medida que vamos desintegrando ou pulverizando tais elementos, a Essência ficará absolutamente livre, completamente desperta, com uma espontaneidade preciosa, nesse mundo da manifestação.
À medida que vamos aniquilando o ego, isto é, o eu da Psicologia, o mim mesmo, a Essência irá se libertando. Com a morte radical do eu, do mim mesmo, do si mesmo, ela ficará absolutamente livre, e uma Essência livre, manifestando-se através de um corpo humano, através de um cérebro (ou de três cérebros, porque realmente não temos somente o cérebro intelectual, mas também o cérebro emocional e o cérebro motor), será uma Essência naturalmente preciosíssima e, nela, resplandecerão os poderes da Clarividência, da Clariaudiência, da Telepatia, das faculdades para o desdobramento astral e muitos outros sentidos íntimos que seria longo enumerá-los...
Dessa maneira, o caminho para conseguir poderes é o da morte; por isso, disseram-nos: “Se o gérmen não morre, a planta não nasce”... Quando nós morremos em nós mesmos, quando este “querido ego” que levamos interiormente se torna pó, os poderes afloram porque surge a Essência (surge a Essência livre); a Essência livre desfruta de muitas faculdades, de preciosos sentidos de capacidades assombrosas.
Existem também múltiplas organizações, diversas organizações, escolas, etc., para desenvolver chacras, para conseguir poderes mágicos; algumas dessas instituições ensinam, definitivamente, práticas que poderíamos classificar de negras. Na verdade, podemos afirmar, meus queridos irmãos, que se nos preocupássemos somente em desenvolver poderes e não aniquilássemos o mim mesmo, o si mesmo, o eu da Psicologia, o mais que poderia acontecer era que nos convertêssemos em magos negros... As Sagradas Escrituras têm falado muito claro; o Evangelho diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua Justiça, que tudo o demais se vos dará por acréscimo”...
Vejam quão bela é uma criança recém-nascida; através da criança, nela, a única coisa que se expressa é a Essência (porém repito: falo de criança recém-nascida). Os que pensam que uma criança recém-nascida se encontra em estado de inconsciência, adormecida, estão profundamente equivocados. Uma criança recém-nascida vê vocês com piedade, está mais desperta que vocês. Se vocês crêem que ela não se dá conta de suas vidas, estão perfeitamente equivocados; não só se dá conta do modo como vocês vivem, como também do que é pior: dos horrores que vocês carregam em seu interior, e isso é o mais lamentável.
Não quero dizer-lhes que cem por cento da Essência se expresse em uma criança recém-nascida, não, obviamente, na criatura que veio, naquele que retornou à existência (que se reincorporou, quero dizer, em um novo organismo humano), expressa-se somente uma fração mínima da Essência, porém essa mínima fração livre (que pode se expressar porque está livre na criança), inquestionavelmente está também desperta e autoconsciente. E pena que a totalidade da Essência não possa expressar-se; praticamente se expressa em uma criança recém-nascida somente uns três por cento, porém esses três por cento estão livres, autodespertos e conscientes; portanto, tem muitos sentidos íntimos em plena atividade.
Obviamente, à medida que o tempo passa, tudo vai mudando: aquela criança, devido especialmente aos mais velhos, vai adormecendo; começa a imitar os gestos dos adultos, suas emoções inferiores, etc., até que acaba, também, dormindo, fazendo o mesmo...
Como o eu é múltiplo, qualquer iluminado verdadeiro que se proponha a observar uma criança recém-nascida, poderá ver o seguinte: a criança em seu berço, desperta; uma fração mínima da Essência, que é a que se expressa, estará completamente autoconsciente, desperta; mas também se vêem, ao redor do berço, criaturas que tentam se manifestar, distintos egos, distintos eus, alguns com bonitas formas, outros com formas horripilantes, que vão e vêm, entram e saem, dentro daquele quarto onde a criança dorme, que dão voltas em torno de seu berço, etc. São os eus que querem manifestar-se; dentro desses eus está dividido o resto da Essência, isto é, os noventa e sete por cento da Essência que estão embutidos em cada um desses eus (em um eu está embutida determinada quantidade de Essência, em outro eu, outra quantidade), etc. E esses múltiplos eus dão voltas ao redor do berço, querem expressar-se, manifestar-se, introduzir-se no corpinho da criança, porém não podem. Mas acontece que, à medida que o tempo passa, a nova personalidade infantil vai se formando e o faz com o exemplo dos mais velhos, com a escola, etc.; de maneira que, conforme a nova personalidade vai se formando, os eus vão tendo também oportunidade para ir se expressando, depois que a fontanela frontal dos recém-nascidos se fecha, (vocês observaram perfeitamente, nas crianças, que o parietal superior está ligeiramente aberto; é o que chamam a moleirinha; nós, tecnicamente, chamamos fontanela frontal dos recém-nascidos). Enquanto está aberta, tudo caminha bem, porém, à medida que essa fontanela frontal vai se fechando, a personalidade também vai se desenvolvendo, a capacidade para que os eus comecem a intervir faz-se cada vez maior; então, começam-se a ver, nas crianças, certas manifestações de ira (especialmente, lá pela idade entre três e quatro anos), começam a tornar-se irascíveis e, pouquinho a pouquinho, os eus vão tendo oportunidade para se manifestarem, até que, definitivamente, acabam se expressando todos. E interessante observar as crianças recém-nascidas...
Que bom seria, digo eu, se a Essência não estivesse engarrafada, introduzida em todos os eus; que bom seria que a criança crescesse sem que nenhum eu se introduzisse nela, que a totalidade de sua Essência estivesse nela durante toda sua vida; então, todos os cinco cilindros da máquina: intelecto, emoção, movimento, instinto e sexo, estariam sob o controle da Essência e caminhariam em harmonia com o infinito! Desgraçadamente, os noventa e sete por cento da Essência estão engarrafados entre os diversos elementos que constituem o ego, o eu... Necessitamos desenvolver a Essência, desengarrafá-la, desenfrascá-la; quando o lograrmos, múltiplos poderes divinos, naturais, expressar-se-ão em nós com toda sua beleza e com todo seu poder. Não necessitamos, pois, nos afanar para conseguir poderes, devemos nos afanar é para morrerem nós mesmos, aqui e agora, porque somente com a morte advém o novo...
Observem a vida dos grandes cristãos: não se preocuparam em conseguir poderes, preocuparam-se somente com a santidade, em eliminar cada um de seus defeitos psicológicos, em ir morrendo em si mesmos e, à medida que o iam logrando, múltiplas faculdades supranormais iam se manifestando neles. Foram conhecidos, sempre, como santos e, deles, há muitas e das mais diversas origens, seja do Oriente ou do Ocidente. E, pois, a santidade o mais importante, meus queridos irmãos...
Aqui, termina minha exposição. Se alguém tem alguma pergunta, pode fazêla, com a mais inteira liberdade.
D - Mestre: Você nos explicou o processo pelo qual deve passar o conhecimento, a fim de que este se torne consciente. Minha pergunta é: a natureza da verdade é de caráter emocional ou é de caráter instintivo?
M - A verdade é algo que não se pode definir, porque quando se define, se desfigura; porém, podemos, sim, dizer que os passos para que o conhecimento se tome consciente se acham traçados da seguinte forma: primeiro se estuda, para que depois o conhecimento fique depositado na memória. Segundo passo: medita-se com a intenção de aprender o profundo significado do conhecimento depositado na memória; quando isso acontece, o conhecimento (mediante a meditação) passa à parte emocional do centro intelectual, e este há que explicá-lo...
O centro intelectual tem três partes: a parte intelectual superior, a parte emocional e a parte motora. Diríamos que o conhecimento passa à parte emocional do centro intelectual; então, começamos a sentir aquele sabor que temos depositado na memória. Em um estado mais avançado da meditação, aquele conhecimento já abandona definitivamente o centro intelectual, para ficar depositado, estritamente, dentro do centro emocional e, ulteriormente, mediante a técnica da meditação, logramos que, no final, o conhecimento passe do centro emocional à Essência. Nesta, fica, pois, depositado tal conhecimento, isto é, a verdade ou as verdades que possamos levar à Essência, para falar mais claro, têm um sabor mais emocional (mas não falo de emoções inferiores, mas sim de emoções superiores). A emoção superior permite a qualquer verdade passar à Essência, onde vem a ficar depositada; o frio intelecto analítico de um Aristóteles, por exemplo, é completamente coxo, não permitiria jamais ao conhecimento tornar-se consciente, ficaria depositado na memória e isso é tudo... Por isso é que, digamos, entre os sistemas aristotélicos (que são puro frio raciocínio) e os sistemas platônicos ou porfídicos (de Porfídio), eu prefiro Platão. Os métodos neoplatônicos, ou as Escolas de Jâmblico e Porfídio, são emocionais e permitem levar o conhecimento à Consciência, isto é, permitem que o conhecimento se tome consciente, coisa que jamais se lograria com o frio raciocínio aristotélico; isto é tudo...! Há alguma outra pergunta?
D - Venerável Mestre: De que forma poderíamos conseguir que as crianças, à medida que sua nova personalidade vai se formando, não se deixassem aprisionar pelos eus?
M - Pois, a verdade é o que é (verbum est codex)... Obviamente, pois, em uma criança recém-nascida está a Essência, uma fração mínima, que é a que se expressa através dela; por isso é formosa, digamos, e sublime. Desgraçadamente, e é o pior, cedo ou tarde (sobretudo depois de que se fecha a fontanela frontal dos recém-nascidos), os eus começam a se manifestar, começam a introduzir-se nesse corpinho, porque não foram dissolvidos... Se pudéssemos orientar as crianças desde a infância, deveríamos ensinar-lhes verdadeiramente o caminho da Gnose, mostrar-lhes o que é seu ego, etc. Porém isto já requer, isto já seria, digamos, capítulo à parte, seria questão de outra conferência, e seria muito longo falar sobre educação das crianças; unicamente me limito a dizer que enquanto existam eus, terão eles que se manifestar. O desejável é que nós desintegremos os eus para que a Essência fique livre. Ao voltarmos, ao retomarmos, ao nos reincorporarmos em um novo veículo, viríamos, então, completamente despertos e seguiríamos com firmeza pela Senda do Fio da Navalha, seríamos diferentes.
Desgraçadamente, ao nos reincorporarmos, cedo ou tarde, os eus começam a manifestar-se, e quando eles começam realmente a entrar no corpo, a expressar-se através de nós, obviamente perdemos essa beleza própria do recém-nascido...
Por isso é que o Cristo disse: “Enquanto não sejais como crianças, não podereis entrar no Reino dos Céus”... Nós necessitamos reconquistar a inocência na mente e no coração. Muitos
crêem que a inocência torna o indivíduo mais débil, mais tolo, qualquer um pode explorá-lo miseravelmente, pois, como é inocente todo o mundo “monta nele”. Porém, esse é um conceito falso, emitido pelo ego, porque o ego se crê forte, onipotente e poderoso e, realmente, não o é, porém, ele crê que é muito forte... A verdade é que quando alguém desintegra o ego, cria a inocência, porém com sabedoria, porque a desintegração de cada elemento nos dá sapiência...
Fixem-se, digamos, no que é o processo da ira. Quantas são as situações da ira? Múltiplas, não é verdade? Pode haver ira pelo ataque de ciúmes, pode haver ira porque nos sentimos defraudados, pode haver ira por amor próprio, porque alguém nos feriu o amor próprio, etc. Bem estudar a ira, como se processou, por que tal situação de ira, como surgiu é muito interessante. Dessa maneira, quando dissolvemos algum eu da ira, é porque o temos compreendido previamente, e, no fato de havê-lo compreendido temos adquirido, unicamente, uma sabedoria formidável... Se vocês querem o pão da sabedoria, têm que ir compreendendo cada um dos elementos indesejáveis que vão desintegrar e, à medida que os compreendam, irão adquirindo sapiência. Em resumo, quando alguém desintegra o ego em sua totalidade, libera a sua Essência, fica inocente, porém, com sabedoria e esta, a sapiência, o protege, porque lhe permite conhecer, não somente o bom e mau, mas também o mau do bom e o bom do mau.
D - Mestre: É correto que os eus, à medida que vão se dissolvendo, vão se fazendo cada vez mais pequeninos, cada vez mais gordinhos, e que vão deixando sua forma horrenda, vão se tornando bonitos, por assim dizer?
M - Sim, é verdade! Os eus têm formas variadas. Há eus monstruosos que parecem verdadeiras bestas horripilantes; qualquer clarividente que os observe, se horroriza...
Vocês já viram que as crianças recém-nascidas costumam assustar-se, que de repente se assustam dando gritos sem motivo algum. Pois, se deve a que eles vêem alguns de seus próprios eus, que passam ao redor do berço e isto lhes causa pavor. Se isso acontece com os recém-nascidos, o que não acontecerá com as pessoas que vivem no abismo? Têm, diante de sua vista, seus próprios eus e, então, se produzem espantos e horrores indescritíveis. Porém, conforme alguém vai, aqui no mundo, dissolvendo os eus, estes vão se tornando pequenos.
Suponhamos que queiramos dissolver um eu de inveja; no princípio, será aquele um monstro horrendo, porém, à medida que o trabalhamos, vai perdendo volume, vai ficando pequeno e belo; por último, toma a forma de uma criança e essa criança diminuindo cada vez mais até que, por último, se desintegra, já convertido em poeira cósmica. Até aí se cumpre isso que se diz o Cristo: “Enquanto não sejais como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”... Dessa maneira, necessitamos desintegrar todos os eus para que a Essência fique livre e se expresse em nós com toda sua beleza, com toda sua naturalidade, com toda essa espontaneidade... Já lhes disse que temos mais sentidos internos que externos e que devemos começar a usar, desenvolver esse sentido da observação de nós mesmos; à medida que o usemos, outros sentidos internos vão também se desenvolvendo, isso é óbvio... Assim, meus queridos irmãos, necessitamos trabalhar intensamente sobre nós mesmos. Algum outro irmão deseja perguntar?
D - Venerável Mestre, você nos dizia que algumas pessoas têm, estabelecido em si mesmas, um centro de gravidade permanente e que suas Essências permanecem imutáveis, que não foram deterioradas ou alteradas. Isto refere-se aos Mestres caídos, aos Bodisatvas?
M - Bom, o centro de gravidade permanente, toda pessoa que em vidas anteriores, que em suas existências anteriores esteve neste tipo de estudos, que trabalhou antes sobre si mesma, o tem. Pessoas assim, criam seu centro de gravidade; uns o têm mais forte, e outros, mais fraco. Quando alguém tem um centro de gravidade específico, porque trabalhou em vidas anteriores, inquestionavelmente, ao retornar ao mundo, vêm-lhe todos os elementos de que necessita para seu avanço: livros, instrutores, etc.; tudo lhe vem, isso é tudo...
D - Mestre: Todos os que tratamos com crianças pequenas sabemos muito bem que em certas ocasiões, se dão nelas certas expressões de desgosto, disso que chamamos rabugice. Poder-se-iam considerar tais manifestações como expressões do eu pluralizado, ou de algum eu específico?
M - Sim, isso é verdade. Esses eus já se expressam com liberdade e, à medida que a criança vai crescendo, a oportunidade ou as oportunidades para a expressão dos diversos eus são cada vez maiores, até que, no final, se expressa, definitivamente, em um todo o eu pluralizado e isso é o que nos faz feios, horrorosos. Se através de nós se expressasse unicamente a Essência, desfrutaríamos da beleza de Deus; de tal beleza emana, por sua vez, isso que se chama amor.... Por que há tantas confusões no mundo? Vejam que os humanóides não se entendem uns com os outros. Vou expor-lhes um caso concreto. Uma dama, de imediato, por exemplo, resolve atender a um cavalheiro porque lhe agradou, porque lhe pareceu muito simpático, etc. Pode fazê-lo desinteressadamente, não tem tal dama, digamos, nenhum pensamento de luxúria, não está enamorada do cavalheiro, unicamente lhe parece uma boa pessoa e se preocupa em atendê-lo nestes ou naqueles misteres. Porém, o que acontece? O cavalheiro tem ego e o ego controla os cinco cilindros da máquina.
Como o ego controla aqueles cinco cilindros da máquina, pois então interpreta como deseja e aquelas boas maneiras da dama, em vez de passar, digamos, ao centro emocional, passam, pois, para outro cilindro: para o centro instintivo-sexual e, então, surge, naquele cavalheiro, a luxúria. A mente, claro, vem a ficar controlada pelo sexo, como sempre se tem visto e o cavalheiro diz: “Aquela dama está apaixonada por mim, possivelmente, lhe agrado... Tempo depois começa a dirigir-lhe propostas sexuais; a dama se surpreende e diz: “Impossível, se eu lhe estava atendendo, e este senhor interpretou mal meus bons modos, minhas boas maneiras”... Sim, é verdade, as interpretou mal. Por que as interpretou mal?
Porque tem ego e o ego controla os cinco cilindros da máquina; se aquele cavalheiro não tivesse ego, se fosse unicamente a Essência a que controlasse os cinco cilindros da máquina, as atenções daquela dama passariam ao quadro emocional e este se expressaria com prazer puro e beleza verdadeira; não haveria, pois, má interpretação... E o exemplo que exponho, nesse sentido, pode estender-se a muitos outros sentidos. Dizemos uma palavra e outro a interpreta mal. Por que a interpretou mal? Porque não a interpreta com o centro correspondente, a interpreta com um centro que não corresponde. Emitimos um conceito intelectual, por exemplo, e pode ser que o centro emocional (não o superior, mas o inferior) receba aquele conceito intelectual e o interprete mal, pense que se lhe está ferindo o amor próprio, que este indivíduo, com esse conceito, lançou-lhe uma ironia, de tal modo que reage com ela. Conclusão: não nos entendemos uns com os outros. Por quê? Por causa do ego; este é uma Torre de Babel. E os seres humanos não poderemos nos entender, sobre a face da Terra, enquanto houver ego. Haverá guerras e rumores de guerra, haverá greves, haverá violência, ódio, etc., etc., etc., enquanto não dissolvermos o ego... O ego nos tornou todos horríveis, não desfrutamos da verdadeira beleza devido a isso, a que temos ego, somos feios, espantosamente feios... Se vocês vissem quão belas são as Essências livres de ego; alguém se enche de êxtase, por exemplo quando com suas faculdades superiores, penetra em um jardim e vê os elementais inocentes das flores, desprovidos de ego; os elementais das árvores, como crianças, cheios de beleza, desprovidos de ego (não têm ego, não há problemas entre eles, vivem em um verdadeiro Paraíso, estes Paraísos elementais da Natureza e desfrutam de preciosas faculdades, das faculdades livres da Essência).
Dessa maneira, irmãos, enquanto nós estejamos como estamos, será impossível que gozemos da felicidade verdadeira, porém o dia em que logremos a inocência, o dia em que morramos em nós mesmos, poderemos conversar maravilhosamente com as criaturas inocentes de toda esta criação e conviver com elas nos paraísos elementais. Porém, com o ego não! Assim, com ego, os príncipes do fogo, do ar, das águas e da terra, nos fecham as portas... Somos monstros horríveis! Quando estou em meditação, irmãos, e de repente alguém vem visitar-me, percebo porque me chegam as vibrações horríveis, sinistras, do visitante; apercebo-me de quem vem, traz ego. Com que poderia comparar alguém, quem tem ego? A Frankenstein não, porque Frankenstein é uma ficção que não tem nenhum valor científico... Então, com quem? Com o Conde Drácula! Esse é o tipo de vibrações que qualquer pessoa, que tenha ego, carrega. Agora, vocês compreenderão porque as criaturas dos elementos se horrorizam quando vêem alguém que tem ego, e fogem apavoradas... Entenderam-me?
Bom, aqui, meus caros irmãos, termina a conferência.
 
A LEI DO PÊNDULO
Vamos começar nossa cátedra. A humanidade vive, certamente, entre o batalhar da antítese, entre a luta cruenta dos opostos. Às vezes nos encontramos muito alegres, contentes; outras vezes, nos achamos deprimidos, tristes. Temos épocas de progresso, de bem-estar - uns mais que outros, de acordo com a Lei do Carma; temos, também, épocas críticas no econômico, no social, etc. Às vezes, nos encontramos otimistas, com relação ávida e, às vezes, nos sentimos pessimistas. Sempre se tem visto que a todo período de alegria, de contentamento, segue uma temporada depressiva, dolorosa, etc. Ninguém pode ignorar que estamos sempre submetidos a muitas alternativas, no terreno prático da vida. Geralmente, às épocas que denominamos felizes seguem épocas angustiantes. É a Lei do Pêndulo a que governa, realmente, nossa vida.
Vocês já viram, por exemplo, o pêndulo de um relógio: tão logo como sobe pela direita, se precipita para subir pela esquerda. Essa Lei do Pêndulo governa também as nações - não há dúvida. Nas épocas, por exemplo, em que o Egito florescia às margens do Nilo, o povo judeu perecia, ou melhor, era nômade no deserto. Muito mais tarde, quando o povo egípcio decaiu, levantou-se vitorioso o povo hebreu - é a Lei do Pêndulo. Uma Roma triunfante se sustentava sobre os ombros de muitos povos, porém depois cai - com a Lei do Pêndulo - e esses povos ascendem vitoriosos.
A União Soviética apaixonou-se terrivelmente pela dialética materialista, porém, agora, o pêndulo começa a mudar, está passando para o outro lado e, como resultado, a dialética materialista está ficando ou já ficou praticamente encurralada, já não tem nenhum valor. Hoje em dia, a maior produção que temos em matéria de Parapsicologia a devemos à União Soviética. E já está comprovado, de acordo com os dados, que a União Soviética está produzindo a maior quantidade de matérias relacionadas com a Parapsicologia: usa-se o ocultismo nas clínicas, a Parapsicologia, em todos os hospitais. etc. Ao passo que a União Soviética, dentro de pouco tempo, passará, exatamente, ao lado oposto do materialismo, tornar-se-á absolutamente mística e espiritual. Já segue esse caminho e muitos paladinos místicos estão, sobrepujando, pois, na Rússia.
E a dialética de Carl Marx? Ficou, pois, encurralada, está caindo, praticamente, no fosso do esquecimento, para dar lugar à Parapsicologia e, posteriormente, ao esoterismo científico, ao ocultismo, à Ioga, etc., porque o pêndulo está mudando, está passando para o outro lado: da tese à antítese.
Todos os seres humanos dependem da Lei do Pêndulo, isso é óbvio. Temos bons amigos e, se sabemos compreendê-los, é claro que poderemos conservar sua amizade; seria absurdo que exigíssemos que nossos amigos não estivessem jamais submetidos à Lei do Pêndulo. Nunca devemos estranhar, por exemplo, que um amigo com o qual temos tido sempre boas relações, resulte, da noite para o dia, com entrecenho franzido, iracundo, rabugento, irascível, áspero na conversa, etc., diante de nós. Nesses casos, há que fazer uma reverência respeitosa e afastar-se, para que o amigo tenha tempo para aliviar-se e, pelo fato de que, um dia, nos faça “cara feia”, não devemos desanimar, pelo contrário, compreendê-lo, porque não há ser humano que não esteja submetido à Lei do Pêndulo.
Dessa maneira, vale a pena ser reflexivo. Esta Lei do Pêndulo parece ou entendo que se faz muito manifesta, especialmente nos nativos de Gêmeos: 21 de maio a 21 de junho. Estes geminianos, diz-se, que têm uma dupla personalidade.
Como amigos são extraordinários, maravilhosos, chegam até o sacrifício por seus amigos, porém, quando muda a personalidade, então, são opostos e todo o mundo fica desconcertado. Bom, este é precisamente um exemplo do que é a Lei do Pêndulo. Não quero dizer que eles sejam os únicos e exclusivos nesta questão da Lei do Pêndulo, não, não chegamos a isso, porém, pelo menos, sim, a especificam, a põem em relevo, servem como padrão de medida, nos indicam o que na realidade, e na verdade é tal Lei.
Nós que conhecemos os nativos de Gêmeos, sabemos lidar com eles. Quando vem sua personalidade fatal ou manifestação negativa, não opomos nenhuma resistência e, pacificamente, aguardamos que a personalidade simpática volte à atividade.
Tudo isto é interessante; porém é que a Lei do Pêndulo não somente fica demonstrada pelos nativos de Gêmeos, como também a podemos evidenciar em nosso organismo. Existe uma diástole e uma sístole no coração, isto é, a Lei do Pêndulo. Diástole origina-se de certa palavra grega que significa “reorganizar”, “preparar-se”, “acumular”, etc. Sístole significa “contração”, “impulso”, “direção”, de acordo com certas palavras gregas. Durante a diástole, o coração se abre para receber o sangue, mas organiza, prepara, também, etc., até que toma uma nova iniciativa, se contrai e lança, pois, sangue para todo o organismo. Este lançamento é importante, por ele é que se existe. Porém sim, me apercebo cabalmente de que as pessoas compreendem que há uma diástole e uma sístole, porém não entendem que, entre uma e outra, existe uma terceira posição: a preparação, ordenamento, acumulação de potências vitais, etc. Dir-se-á que é muito breve, pois, o intervalo entre a diástole e a sístole. Compreendo: trata-se de milésimos de segundo. Para nós resulta demasiado fugaz, porém para esse mundo maravilhoso do infinitamente pequeno, para esse mundo extraordinário do microcosmo, pois, é o suficiente para realizar prodígios. Olhando as coisas a partir deste ângulo, me parece que deveríamos nos orientar com esta questão da diástole, da sístole e sua síntese organizativa; isso é óbvio...
Todas as pessoas, em suas relações ou inter-relações, vivem completamente escravizadas pela Lei do Pêndulo:
tão rápido como sobem com a alegria transbordante, cantando vitoriosas, vão ao outro lado, deprimidas, pessimistas, angustiadas, desesperadas. A vida parece complicar-se toda, de acordo com a Lei do Pêndulo. As altas e baixas monetárias, subidas e descidas das finanças, as épocas de maravilhosa harmonia entre os familiares, os tempos de conflitos e problemas, sucedem-se inevitavelmente, de acordo com a Lei do Pêndulo.
Para nossa maneira de ver as coisas, devemos assegurar, de forma enfática, que a Lei do Pêndulo é, cem por cento, mecanicista. Temos essa Lei em nossa mente, em nosso coração e nos centros motor-instintivo-sexual. É óbvio que existe, em cada centro, a Lei do Pêndulo. Na mente, está perfeitamente definida com o batalhar das antíteses, nas opiniões encontradas, etc. No coração, com as emoções antitéticas, com os estados de angústia e de felicidade, de otimismo e depressão. No centro motor-instintivo-sexual, manifesta-se com os hábitos, os costumes, com os movimentos; franzimos o entrecenho, ficamos austeros; quando nos encontramos deprimidos ou sorrimos alegres, sob o impulso, pois, do centro motor; quando nos achamos muito contentes, etc. Saltamos, pulamos cheios de alegria por uma boa notícia, nos tremem as pernas diante de um perigo iminente: tese e antítese do centro motor, a Lei do Pêndulo, no centro motor.
Conclusão: somos escravos de uma mecânica. Se alguém nos dá palmadinhas no ombro, sorrimos tranqüilos; se alguém nos dá uma bofetada, respondemos com outra; se alguém nos dirige uma palavra de louvor, sentimonos felizes; porém, se alguém nos fere com uma palavra agressiva, sentimo-nos terrivelmente ofendidos. Resumo: somos maquininhas submetidas à Lei do Pêndulo, cada um pode fazer de nós o que lhe venha na vontade. Querem ver-nos contentes? Dêem-nos algumas palmadinhas nas costas e digam-nos algumas lisonjas ao ouvido e ficamos contentíssimos. Querem ver-nos cheios de ira?
Digam-nos uma palavra que nos fira o amor próprio, digam-nos qualquer palavra dura e nos verão também ofendidos, iracundos.
Dessa forma, a psique de cada um de nós, na realidade, está submetida ao que os demais queiram. Não somos - isso é triste dizer - donos de nossos próprios processos psicológicos, somos verdadeiras marionetes que qualquer um maneja.
Se eu quero tê-los, aqui, contentes, basta-me mitigar-lhes o ódio, louvá-los, e os tenho felizes. Se quero que fiquem desgostosos comigo, ponho-me a ofendê-los e, então, vocês franzem o cenho, o entrecenho; já não me verão “com doces olhos”, como o fazem neste momento, mas sim de forma iracunda, com “olhos de pistola”. Porém, se eu quero tornar a vê-los contentes outra vez, volto e lhes falo docemente. Resultado: vocês convertem-se, para mim, em um instrumento em que posso tocar melodias, sejam doces, graves, agressivas ou românticas, como quiser. Então, onde está, pois, a individualidade das pessoas? Pois, não a possuem, se não são donas de seus próprios processos psicológicos. Quando alguém não é dono de seus próprios processos psicológicos, não pode dizer, realmente, que possui uma individualidade.
Vocês saem, por exemplo, à rua, vão muito contentes, enquanto não haja algo que os desgoste. Vão, talvez. dirigindo seu carrinho e, por aí, vem um louco, desses que andam pela cidade, e os ultrapassa pela direita, e os cruza. Isto lhes ofende terrivelmente. Vocês não protestam nesse momento com a palavra - pelo menos protestam com a buzina -, porém sem protestar não ficam. Quer dizer, o do carrinho que os ultrapassou, que os ofende, que os aborreceu, fê-los mudar totalmente. Se iam contentes, se encheram de ira; então, aquele do carrinho pôde mais sobre vocês, pois conseguiu manejar suas psiques e vocês não.
Estão vendo, pois, a Lei do Pêndulo? Bom, haveria alguma forma para se escapar desta terrível Lei mecânica do Pêndulo? Vocês crêem que existe alguma maneira de escapar? Se não a houvesse, estaríamos condenados a viver urna vida mecânica per secula seculorum, amém... Obviamente, tem que haver algum sistema que nos permita evadir-nos dessa Lei, ou manejá-la. Existe, realmente: ternos que aprender a tornar-nos compreensivos, reflexivos, aprender a ver as coisas, na vida, tal corno são. Evidentemente, qualquer coisa, na vida, tem duas faces. Urna superfície qualquer está nos indicando a existência de uma face oposta; isso é inquestionável. A face de uma moeda sugere-nos o reverso da mesma. Tudo tem duas faces; as trevas são o oposto da luz. Nos mundos supra-sensíveis, pode evidenciar-se que, ao lado de um Templo de luz, existe sempre um Templo tenebroso; isso é claro. Porém, por que cometemos o erro de nos alegrar diante de algo positivo e de protestar ante algo negativo, se são as duas caras de uma mesma coisa? Penso que o erro mais grave, em nós, consiste precisamente em não sabermos olhar as duas faces de qualquer coisa, ou de qualquer circunstância, etc. Sempre vemos mais uma face, identificamo-nos com ela e sorrimos; porém quando se nos apresenta a antítese da mesma, protestamos rasgamos nossas vestes, trovejamos relampejamos; não queremos nós, na verdade, cooperar com o inevitável e é, precisamente, esse o nosso erro.
Às vezes, nos apaixonamos por um prato da balança e, outras vezes, pelo outro prato; às vezes, vamos a um extremo do Pêndulo e, outras vezes, vamos ao outro, e, por esse motivo não há paz entre nós, nossas relações são péssimas, conflitivas. A toda época de paz, sucede uma época de guerra e a toda época de guerra, sucede uma de paz. Somos vítimas da Lei do Pêndulo e isso é doloroso. A isso se deve, exatamente, a tempestade de todos os exclusivismos, a luta de classes, os conflitos entre o capital e os trabalhadores, etc.
Se pudéssemos ver as duas faces de toda questão, realmente tudo seria diferente; mas nos falta compreensão. Se quisermos ver as duas faces de cada questão, se faz necessário - à minha maneira de entender as coisas - viver não dentro da Lei do Pêndulo, mas dentro de um círculo fechado, um círculo mágico.
Por esse círculo vão passando todos os pares de opostos da Filosofia: as teses e as antíteses, as circunstâncias agradáveis e desagradáveis, as épocas de triunfo e de fracasso, o otimismo e o pessimismo, o que chamam “bom” e o que as pessoas chamam “mau”, etc. Ao redor desse círculo mágico, podemos ver um desfile muito interessante; descobriremos, por exemplo, que a toda grande alegria, sucede, em seguida, estados depressivos angustiosos, dolorosos. Quando as pessoas riem mais, as lágrimas são maiores e os prantos piores. Observem, verão que tem havido - na vida - instantes em que todo mundo ri, a família, que todos estão contentíssimos, que não há senão gargalhadas e alegria... Má coisa é essa. Quando alguém vê isso em uma família, pode profetizar - certo de que não vai falhar - que a essa família aguarda um sofrimento em que todos vão chorar. Isso é certo, porque,
na vida, tudo é duplo. Ao trejeito da gargalhada segue outro trejeito fatal: o da suprema dor e o pranto. Aos gritos de alegria, etc., sucedem os gritos de suprema dor.
Tudo tem duas faces: a positiva e a negativa, isso é óbvio. Este signo, por exemplo, indica - esoterismo. Suponham, ou reflitam-no, aqui, no solo. Observem a sombra, no solo. O que se vê? O diabo, isso é claro e, entretanto, é o signo do esoterismo, porém sua sombra, obviamente, tem a cara do diabo. Tudo na vida, não há nada que não seja duplo.
Quando alguém se acostuma a ver as coisas a partir do centro de um círculo mágico, tudo muda, libera-se da Lei do Pêndulo. Em certa ocasião, quando tive o corpo físico de Tomás Kempis, escrevi, em uma obra intitulada A Imitação do Cristo, a seguinte frase: “Não sou mais porque me louvem, nem menos porque me vituperem, porque sempre sou o que sou”. Isso é claro, tudo tem sua face dupla: o louvor e vitupério, o triunfo e a derrota. Tudo tem duas faces.
Quando alguém se acostuma a ver qualquer circunstância, qualquer coisa, qualquer acontecimento, de forma íntegra, unitotal, com suas duas faces, evita, pois, muitos desenganos, muitas frustrações, muitas decepções, etc. Se alguém trata uma amizade, um amigo, deve, pois, compreender que esse amigo não é perfeito, que tem seus agregados psíquicos, que a qualquer momento poderia passar de amigo a inimigo, o que, ademais, é normal. E o dia em que isso aconteça de verdade, o dia em que esse acontecimento se realize, não passa por nenhuma desilusão, está imune, isso é óbvio.
Recordo quando comecei com O Movimento Gnóstico. Por aí, umas três ou quatro pessoas me seguiam e, na verdade, eu havia posto todo o meu coração nessa gente, lutando para ajudá-las, para que saíssem em corpo astral, meditassem, no estudo da Gnose, etc. Consegui fundar certo grupinho; esperava tudo, então, menos que alguém do grupinho se retirasse, posto que tinha vindo,
pois, de cheio dedicado a formar esse grupinho com muito amor. Claro, quando um dos do grupo se retirou, senti como se me houvessem cravado um punhal no coração. Disse: “Porém, se eu tenho lutado por este amigo, se eu queria que ele marchasse pela Senda, como devia ser; se não lhe fiz nenhum mal, então, por que me trai? Filiou-se a outra escola. Pensava tudo, menos que alguém que está recebendo os ensinamentos pudesse filiar-se a outra escolinha. Entretanto, resolvi continuar estoicamente com meu trabalho. O grupo foi aumentando, e chegou o dia em que havia muita gente. Por aqueles dias, disseram-me, nos mundos superiores, que o “Movimento Gnóstico era um trem em marcha e que uns passageiros descem em uma estação, e que outros subiam em outra estação; que mais adiante descem outros e muito mais adiante outros subiam”. Conclusão: era um trem em marcha e eu era o maquinista, que ia conduzindo a locomotiva.
Portanto, “não deveria me preocupar”. Assim o entendi e, realmente, mais tarde, o pude comprovar: uns passageiros subiam em uma estação e desciam mais adiante e, assim, sucessivamente. Desde então, me tornei estóico, vi que retirava um e chegavam dez. “Bom, disse, então não há por que me preocupar tanto”.
Desde aquela época, depois de um grande sofrimento por um que se retirou, aprendi que muito raro é o que chega à estação final. Isso me custou bastante dor. Que hoje um irmão se retire? Boa sorte! Já não sou aquele que se enchia de terrível angústia, desesperado pelo irmãozinho; esses tempos já passaram. Se se retira alguém? Chegam dez, vinte... Pois bem, quando há tanta gente, por gente não devemos brigar; isso é claro.
Todos estão submetidos à Lei do Pêndulo: os que hoje se entusiasmam pela Gnose, amanhã, se desiludem. Isso é normal, pois, todos vivem dentro dessa mecânica.
Aprendi, então, a ver as duas faces em cada pessoa. Filia-se alguém à Gnose? Ajudo-o e tudo, porém estou absolutamente seguro de que esse alguém não vai permanecer conosco toda a vida, de que esse alguém não vai chegar à estação final. Como o sei antecipadamente, estou “imune”. Pus-me, exatamente, no centro do circulo mágico para ver tudo que vai passando nele: cada
circunstância, cada pessoa, cada acontecimento, cada sucesso com suas duas faces, positiva e negativa. Se alguém se situa no centro e vê passar tudo ao seu redor, sem tomar partido pela parte positiva, ou pela negativa de cada coisa, evita, pois, muitos desenganos, muitos sofrimentos.
O erro mais grave, na vida, é querer ver nada mais que um lado de qualquer questão, um lado de uma aresta, uma face de uma circunstância, uma face de um objeto qualquer, urna face de um acontecimento. Isso é grave, porque tudo é duplo. Quando vem a parte negativa, então, sente que lhe cravam punhais no coração.
Há que aprender a viver, meus amigos, há que saber viver, se é que queiram ir longe, não como muitos. Porque se vocês vêem, unicamente, uma face - nada mais -, não vêem a antítese, a outra face, a fatal, têm que passar por muitos desenganos, por muitos desencantos, por muitos sofrimentos; terminam doentes e, no fim, morrem. A pobre Blavatsky, por exemplo, mataram-na. Quem a matou? Todos seus caluniadores e detratores, inimigos secretos e amigos - ou esses que se dizem “amigos”. Simplesmente, a assassinaram; não com pistolas, nem com facas; não, não, não, falaram mal dela, caluniaram-na publicamente, traíram-na, etc., etc., etc., e “outras tantas ervas”. Conclusão: a pobre morreu, cheia de sofrimentos...
Eu, francamente, o lamento muito, porém, esse gosto não vou dar a todos os irmãozinhos do Movimento. Eu vejo, em cada irmãozinho, duas faces. Um irmão que hoje está conosco, um irmãozinho que estuda nossa Doutrina, aprecio-o, amo-o, porém o dia em que se retirar, para mim é normal que se retire; estranho mais quando alguém fica demasiado. Porém, para aprender esta horrível lição, tive que sofrer fortemente. Os primeiros foi, sim, como se me cravassem um punhal no coração; já depois, me tornei melhor, parece que criou um calo no coração. De maneira que, como Blavatsky, não vou fazer, porque estou vendo as duas faces de qualquer questão; estou em uma terceira posição, na posição em que está o coração, quando se está preparado para sua sístole. Ele está em estado de alerta, absorvendo - em suas profundezas - preparando, organizando, para, logo, recolher-se, comprimir-se e lançar o sangue pelo organismo. Melhor dizendo, considero que melhor é estar no centro de um circulo mágico que nos extremos do Pêndulo. Esse centro, no Oriente, na China, especialmente, chama-se Tau. Tau é o trabalho esotérico-gnóstico, Tau é o caminho secreto, Tau é algo muito íntimo, Tau é o Ser. Quando alguém vive no centro do círculo, não está, pois, metido nesse joguinho mecânico da Lei do Pêndulo, não está submetido a essas alternativas de angústia e de alegria, de triunfo e de fracasso, de alegria e de dor, de otimismo e pessimismo, etc., não. Liberou-se da Lei do Pêndulo, isso é óbvio.
Porém, repito, há que aprender a ver cada coisa, em suas duas faces: positiva e negativa e não se identificar nem com uma, nem com a outra, porque ambas são passageiras, tudo passa; na vida tudo passa...
Dentro deste mundo que poderíamos chamar intelectual, sempre se tem como uma certa aversão às opiniões. Porque tenho entendido que uma opinião emitida não é mais que a exteriorização intelectiva de um conceito, com o temor de que outro seja o verdadeiro. Isto, naturalmente, indica excessiva ignorância, isto é grave, aí estão as antíteses.
Não entendo, ainda, não compreendo, o motivo por que certa Pitonisa sagrada disse a Sócrates que “havia algo entre a sabedoria e a ignorância”, e que “esse algo era opinião”. Sinceramente, ainda que seja muito sagrada essa Pitonisa, não pude aceitar sua tese, porque a opinião vem, pois, da personalidade e não do Ser. A personalidade, realmente, conduz os seres humanos para a involução submersa dos Mundos infernais. A personalidade, como dizia em certa ocasião, tem muitos subterfúgios, é artificiosa, é formada pelos costumes que nos ensinaram, com essa falsa educação que recebemos nas escolas e colégios, que nos separou do Ser, que não guarda nenhuma relação com as distintas partes do Ser. Esta personalidade é artificiosa. Como nos afasta do nosso Ser interior profundo, obviamente nos conduz por um caminho equivocado que nos leva para a involução do Reino Mineral submerso.
De modo que penso - estou pensando aqui em voz alta - que quando alguém não sabe algo, é preferível calar-se a opinar, porque a opinião é o produto da ignorância. Alguém opina porque ignora; se não, não opinaria. Alguém emite um conceito com temor de que outro seja o verdadeiro. Vejam vocês esse dualismo da mente; é terrível o batalhar: a uma opinião se contrapõe outra. Na realidade, a personalidade se move dentro da Lei do Pêndulo, vive no mundo das opiniões contrapostas, dos conceitos antitéticos do batalhar das antíteses. Então, a personalidade não sabe nada e a opinião é produto da ignorância. Se analisamos o que é a personalidades que é a que origina a opinião, chegamos à conclusão de que a opinião é o resultado da ignorância. De maneira que o que essa Pitonisa disse a Sócrates parece equivocado.
Sócrates pergunta, também, à Pitonisa - Divinus se chamava a Pitonisa de Delfos - sobre o amor. Diz Sócrates que o amor é belo, inefável, sutil”. A Pitonisa responde-lhe que, propriamente, não é belo. Sócrates diz-lhe, assombrado, lhe responde: “Acaso não é belo? Então é feio’? A Pitonisa diz-lhe: “Não podes ver senão o feio, como se não existisse mais que o feio? Não podes conceber que entre o belo e o feio há algo diferente, algo distinto? O amor não é belo nem feio; é diferente e isso é tudo”... Como era um sábio, Sócrates teve de guardar silêncio.



Claro como estou pensando, aqui, em voz alta com vocês, convido-os à reflexão. Como têm visto o amor? Como o têm visto? Não como se o têm dito que é, mas como vocês o têm sentido: belo ou feio? Algum de vocês pode me responder? Quem gostaria de responder?
Discípula: Mestre, quando se está enamorado, é belo, e, se alguém recebe amor do ser que ama, é, pois, duplamente belo.
Mestre: Veremos...
Discípulo: Sempre se tem relacionado a beleza com o amor e o feio com a antítese do amor. São dois aspectos psicológicos que nossas avozinhas, quando nos falavam das Fadas, pintavam-nas como boas, belas, e quando nos falavam dos papões, por serem maus, pintavam-nos como feios. Então, creio que o amor está mais além desses princípios.
Mestre: foram dadas duas respostas. Mas deve fazer-se uma diferença entre o que é belo e o que é o amor. De modo que não está muito completa a questão. Ver se outro dá uma resposta. E tu...
Discípulo: Pressinto que o amor está mais além desse par de opostos, transcende o belo e o feio, está mais além.
Mestre: A resposta está muito interessante. Vamos, diz-me, irmão...
Discípulo: O amor é inefável, porque não é uma questão intelectiva; é uma questão que poderíamos chamar “sublime”.
Mestre: Essa resposta é mais transcendental.
Discípula: Mestre, eu considero que o amor é indefinível, quando alguém o sente, não pode expressá-lo com palavras.
Discípula: Mestre, eu diria que para nós é muito difícil dizer se o amor é belo ou feio, porque nós não o conhecemos.
Mestre: Bom, veremos a última das respostas.
Discípulo: Penso que como captamos tudo desde o ponto de vista de nossa personalidade humana, tudo é relativo, somos vítimas das circunstâncias e não aprofundamos, então, o amor foge ao entendimento. Isso pertence realmente ao Ser e não à personalidade humana.
Mestre: Temos te escutado. Quem mais vai dizer alguma coisa?
Discípulo: O amor é do Ser; a única razão do amor é ele mesmo.
Está bem... Na realidade, aquela Pitonisa de Delfos, que falou a Sócrates, ensinou praticamente uma verdade: o amor está ainda mais além do belo e do feio. Que a beleza advém do amor é outra coisa. Por exemplo, quando o ego é dissolvido, fica em nós a beleza interior e, dessa beleza, advém isso que se chama amor. De maneira que, então, o amor, em si mesmo, está mais além dos conceitos que se têm sobre a fealdade e sobre a beleza. Não se pode definir, porque, se se define, se desfigura. A Pitonisa, então, teria, ou não, razão? Sim, tem razão: o amor está mais além dos conceitos de fealdade e de beleza, ainda que dele advenha a beleza, resulte a beleza. Onde existe o verdadeiro amor, existe a beleza interior; isso é óbvio.
Dessa maneira, irmãos, entre a tese e antítese há, sempre, uma sítese que coordena e reconcilia os opostos. Vejamos isto. Sabemos que existe a grande batalha entre os poderes da luz e os poderes das trevas. No próprio esperma sagrado existe uma luta entre os poderes atômicos da luz e os poderes atômicos das trevas. Em todo o criado existe essa grande luta; as colunas de Anjos e de Demônios se combatem mutuamente, em todos os rincões do Universo.
Quando alguém não tem ainda a Pedra Filosofal, vê como impossível a reconciliação dos opostos: luz e trevas dentro de si mesmo. Mas quando logra a Pedra dos Filósofos, a Pedra da Semente, à base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários, então, mediante a mesma, logra reconciliar os opostos, e os reconcilia em si mesmo, pois, reconhece que tudo na criação tem dupla face.
E somente mediante uma terceira posição, isto é, somente mediante o Tau, no centro do círculo mágico, somente mediante a síntese, podemos reconciliar os opostos dentro de nós mesmos; isso é óbvio.
Assim, pois, se faz necessário que aprendamos a reconciliar os opostos, se faz necessário que nos libertemos da Lei do Pêndulo e que vivamos melhor dentro da Lei do círculo. Alguém se liberta da Lei do Pêndulo quando se coloca na Lei do círculo, quando se coloca em Tau, que está no centro do círculo mágico. Porque, então, ao seu redor, tudo passa; por todo ao redor de sua consciência, que é um círculo, que é a consciência global de si mesmo, vê como passam os distintos acontecimentos, com suas duas faces; coisas com suas duas posições, as circunstâncias, etc., os triunfos e as derrotas, o êxito e o fracasso.
Tudo tem duas faces, e alguém, situado no centro, reconcilia os opostos, já não teme o fracasso econômico, já não seria capaz de “rebentar as tampas dos miolos”, porque perdeu sua fortuna do dia para a noite, como têm feito muitos jogadores do Cassino de Montecarlo: perdem sua fortuna e se suicidam - já não vão sofrer pelas traições de seus amigos, fazem-se invulneráveis ao prazer e à dor.
Vejam o extraordinário, o maravilhoso! Porém se nós não aprendemos a viver dentro do círculo, se não nos radicamos exatamente no Tau - ponto central do círculo mágico -, continuaremos como estamos: expostos à Lei trágica e cambiante do Pêndulo, que é completamente mecanicista, cem por cento, dolorosa.
Assim, meus queridos amigos, devemos aprender a viver inteligentemente, conscientemente; isso é óbvio. Desgraçadamente, toda a humanidade está submetida à Lei do Pêndulo. Olhamos como a mente passa de um lado para o outro. Isso é fatal! Eu tenho visto, pois, que não há ninguém, na realidade, que não esteja submetido a essa questão das objeções. Chega algum e nos diz alguma coisa, alguma frase. O que primeiro nos ocorre? Objetar, pôr tal ou qual objeção!
E a Lei do Pêndulo: “dize-me que eu te direi”. “me derruba e eu te derrubo depois”. Conclusão: dor. Vale mais que não, isso é terrível! Por que temos que estar objetando, irmãos? Vem-me, neste momento, à mente um caso interessante. Faz tempo, muitos anos, encontrando-me no mundo astral - em Hod, no Sephirote Hod, internado nesse Sephirote -, tive de invocar um Deiduso, Anjo ou Elohim, como vocês queiram denominá-lo, ou Deva. Disse-me algo aquele Deiduso e, de imediato, objetei e fiquei a reluzir a antítese. De forma muito vulgar, lhes diria que lhe refutei. Eu esperava que aquele Elohim discutisse comigo também, porém, não aconteceu asssim. Aquela Deidade me escutou com infinito respeito e profunda veneração. Aduzi muitos conceitos e quando concluí, que pensava que ia tomar a palavra para rebater-me, com grande assombro vi que fez este signo, inclinou-se reverente, deu as costas e se foi - deu meia volta e se foi.
Deu-me uma lição extraordinária: não objetou nada. Obviamente, aquele Elohim havia passado mais além das objeções. Sim, é indubitável que as objeções pertencem à Lei do Pêndulo. Enquanto alguém esteja objetando, está submetido a essa Lei.
Todo o mundo tem direito de emitir suas opiniões, cada um é livre para dizer o que quiser. Nós devemos, simplesmente, escutar ao que está falando, com respeito. Terminou de falar? Retiramo-nos... Claro, alguns não procedem assim, ou não procederão dessa forma. Por orgulho, dirão: “Eu não me retiro, eu tenho que lhe dar na torre”. Eis aí o orgulho supino, intelectualóide. Se nós não eliminamos de nós mesmos o eu do orgulho, é óbvio que tão pouco logramos jamais a liberação final.
O melhor é que cada qual diga o que tem que dizer e rão ponhamos objeções, porque cada qual é livre para dizer o que quiser, simplesmente. Porém as pessoas sempre vivem pondo objeções: objetam ao interlocutor e objetam, também, a si próprias. Claro, isto não significa que não exista o agrado e o desagrado; é óbvio que existe. Suponhamos que a qualquer um de nós, ponham para limpar uma pocilga, onde vivem os porcos - creio que este não seria, precisamente, um trabalho muito agradável. Teríamos direito a que não nos parecesse agradável, porém uma coisa é que tal trabalho não nos pareça agradável e outra coisa muito diferente é que ponhamos objeções, que comecemos a protestar: “Que porcaria é esta, meu Deus; nunca pensei que fosse descer a tal ponto! Ai de mim, desgraçado de mim, etc., etc., limpando uma pocilga de porcos! No que vim parar!” Bem, com isso, a única coisa que consegue é fortificar, pois, completamente, os eus da ira, do amor próprio, do orgulho, etc.
É, também, o caso de uma pessoa que, no princípio, nos desagrada: “É que me parece tão antipática essa pessoa...!” Porém, uma coisa é que, no princípio, nos desagrade, e outra coisa é que nós estejamos pondo objeções, que estejamos protestando contra essa pessoa: “Porém é que tal pessoa me parece antipática, esta pessoa é um problema”, e que estejamos buscando subterfúgios para apunhalá-la, para eliminá-la. Com as objeções, a única coisa que conseguimos é multiplicar a antipatia em nós, robustecer o eu do ódio, robustecer o eu do egoísmo, o eu da violência, do orgulho, etc.
Como fazer, neste caso, em que uma pessoa não nos é grata? É que todos devemos conhecer a nós mesmos, para ver por que não nos é grata essa pessoa.
Poderia acontecer que essa pessoa esteja exibindo alguns dos defeitos que nós possuímos. Alguém tem, interiormente, o eu do amor próprio e, se outro exibe algum desses defeitos interiores, pois, obviamente, esse outro “nos parece antipático”. De maneira que, em vez de estarmos pondo objeções sobre essa pessoa, protestando, brigando, devemos melhor nos auto-explorar, para conhecer qual esse “elemento psíquico” que temos interiormente e que origina essa antipatia. Pensemos que se nós descobrimos tal “elemento” e o dissolvemos, a antipatia cessa. Porém, se nós, em vez de investigarmos a nós mesmos, ponhamos objeções, protestemos, “trovejemos”, “relampejemos” contra essa pessoa, robustecemos o ego, o eu, isso é indubitável.
Dentro do mundo do intelecto, não há dúvida de que sempre estamos pondo objeções. Isto produz a divisão intelectual: divide-se a mente entre tese e antítese, converte-se em um campo de batalha que destrói o cérebro. Observem como essas pessoas que se dizem “intelectuais” estão cheias de estranhas manias - alguns deixam o cabelo irreverente, se “coçam” espantosamente, etc., fazem cinqüenta mil palhaçadas; claro produto de uma mente mais ou menos deteriorada, destruída pelo batalhar das antíteses.
Se a todo conceito pomos objeções, nossa mente termina brigando sozinha.
Como conseqüência, vêm as enfermidades ao cérebro, as anomalias psicológicas, os estados depressivos da mente, o nervosismo, que destrói órgãos muito delicados, como o fígado, coração, pâncreas, baço, etc. Porém se nós aprendemos a não estar fazendo objeções, mas que cada um pense como lhe venha na vontade, que cada um diga o que quiser, estas lutas acabarão dentro do intelecto e, em sua substituição, virá a paz verdadeira.
A mente da pobre gente está lutando a toda hora: luta, espantosamente, entre si, e isso nos conduz por um caminho muito perigoso, caminho de enfermidades do cérebro, de enfermidades de todos os órgãos, destruição da mente, muitas células são queimadas inutilmente. Há que viver em santa paz, sem pôr objeções; que cada um diga o que quiser e pense o que venha na vontade. Nós não devemos pôr objeções, pois assim, marcharemos como deve ser: conscientemente.
Dessa maneira, há que aprender a viver. Desgraçadamente, não sabemos viver, estamos dentro da Lei do Pêndulo. Agora, sim, que reconheço - conversando, aqui, com vocês - que não é coisa fácil pôr objeções. Saímos daqui, pegamos nosso “carrinho”; de imediato, mais adiante, alguém nos ultrapassa pela direita, nos cruza. Bem, se não dizemos nada, pelo menos buzinamos em sinal de protesto. Ainda que seja buzinando, mas protesta-mos. Se alguém nos diz algo - em um momento em que “abandonamos a guarda” - e asseguro que protestamos, opomos objeções. E muito difícil, espantosamente difícil, não objetarmos. No mundo oriental, já se tem refletido profundamente sobre isto; no mundo ocidental, também. Eu creio que, às vezes, há necessidade de se apelar a um poder que seja superior a nós, se é que queiramos nos libertar dessa questão das objeções.
Em certa ocasião, em que ia um monge budista caminhando, lá por essas terras do mundo oriental, em um inverno espantoso, cheio de gelo e de neve e de animais selvagens - claro, isto ocasionava sofrimentos ao pobre monge, naturalmente, protestava, punha suas objeções. Porém teve sorte: quando estava desmaiando, em meditação lhe aparece Amitaba, isto é, Amitaba, na realidade, é o Deus Interno de Gautama, o Buda, Sakya-Muni, e lhe entregou um mantra para que pudesse, pois, manter-se forte e sem fazer objeções; algo que lhe ajudasse para não ficar protestando, a todo momento, contra si mesmo, contra a neve, contra o gelo, contra o mundo. Esse mantra é utilíssimo: vou vocalizar bem para que o gravem em sua memória e para que fique gravado também nestas fitas que vocês trazem, aqui, em seus gravadores: GAAATEEE, GAAATEEE, GAAATEEE.
É melhor que o soletre: G-A-T-E. Entendi que esse mantra permitiu àquele monge budista abrir o Olho de Dangma, e isso é interessante. Relaciona-se com a iluminação interior profunda e com o vazio iluminador...
Houve necessidade dessa ajuda, porque não é fácil deixar de pôr objeções a tudo: à vida, ao dinheiro, à inflação, ao frio, ao calor, etc.,etc., etc. Muitos protestam porque está fazendo frio, protestam porque está fazendo calor, protestam porque não têm dinheiro, protestam porque um mosquito os picou - por tudo estão protestando -, porém quando alguém, na realidade, vive sempre opondo objeções se prejudica horrivelmente, porque o que tem ganhado por um lado, dissolvendo o ego, por outro lado, o está destruindo com as objeções. Se está lutando para não sentir ira, porém, se está opondo objeções, pois, obviamente, o demônio da ira volta e colhe força. Mesmo que alguém esteja lutando terrivelmente para eliminar o demônio do orgulho, porém se opõe objeções à má situação, a isto ou àquilo, pois volta a fortificar esse demônio.
Mesmo que esteja fazendo esforços para acabar com a abominável luxúria, porém se puser objeções em um instante dado: “porque a mulher não quer ter relações sexuais com ele”, ou a mulher, “porque o esposo não a procura” - e cinqüenta mil objeções assim pelo estilo -, está, pois, fortificando o demônio da luxúria. De maneira que, se por um lado estamos lutando para eliminar os agregados psíquicos e, por outro lado, estamos fortificando-os, simplesmente, estancamos.
Desse modo, se vocês querem, na realidade, desintegrar os agregados psíquicos, têm que terminar com essa questão das objeções. Se não procederem dessa forma, se estancarão inevitavelmente, não progredirão de modo algum.
Quero, pois, que entendam isso, meus estimáveis amigos, que o compreendam de uma vez. Bem, termina aqui a cátedra dada hoje. Entretanto, deixaremos facultada a palavra para as perguntas que os irmãos queiram fazer. Vamos, fala irmão...
D - Mestre: diz-se que “o silêncio é a eloqüência da sabedoria”. Muitas vezes – se diz – “é tão mau calar quando se deve falar, como falar quando se deve calar”. E, às vezes, é necessário falar, talvez, em momentos de defesa, quando o estão atacando, talvez, injustamente. Gostaria que me esclarecesse, pois, este aspecto.
M – Todos têm o direito de falar, porque não somos mudos, nem ninguém lhes coseu a língua. Porém o que não é conveniente jamais, para nosso próprio bem, é estar fazendo objeções, estar protestando, “trovejando” e “relampejando” porque está fazendo calor, porque está fazendo frio, desgostoso com tudo. Isso nos conduz, naturalmente, ao fracasso. Necessitamos, repito, não fazer objeções.
Deve-se dizer que o que se tem que dizer: a verdade e nada mais que a verdade e deixar, aos outros, a liberdade para que opinem como lhes venham na vontade, porque cada um é livre para dizer o que quiser. Se alguém procede assim, se a toda hora está fazendo objeções, destrói sua mente, destrói seu próprio cérebro e ocasiona muitos danos a si mesmo. Ademais, fortifica o ego, em vez de dissolvêlo. Há alguma outra pergunta?
D - Há pessoas que vivem muito, porém muito convencidas de que a um momento de alegria sucede um de tristeza. Isto é, se programam nesse sentido, não se colocam dentro do círculo protetor. Evidentemente, a essas pessoas sucede isso, porém de uma maneira infalível, matemática. Tanto é assim que não desfrutam dos momentos de alegria, porque já, fatalmente, estão temendo o momento de tristeza. Gostaria que nos esclarecesse um pouquinho isto.
M - Essas pessoas se apercebem, realmente, de que tudo na vida tem duas faces, porém, desafortunadamente, não se colocam no centro do círculo, não se colocam em Tau... Quando alguém está no Tau, sabe que vê passar, ao redor de si mesmo, ao redor de sua própria Consciência - dentro de si mesmo- todos os acontecimentos da vida com suas duas faces, e sabe que são passageiros.
Obviamente, então, não se identifica nem com uma, nem com a outra face: reconcilia os opostos, mediante a síntese. Tenhamos o caso de que alguém, por exemplo, que esteja em uma grande festa - muito contente, muito alegre.
Entretanto, esse alguém sabe que a todo momento de alegria sucede um de dor.
Mas se essa pessoa está radicada no centro, no Tau, então, reconcilia os opostos dentro de si mesmo, em seu próprio Ser, em sua própria Consciência. Diz: “Sei que a toda alegria sucede uma tristeza, mas, a mim, nada disso me afeta, porque tudo é passageiro, tudo passa: as pessoas, as coisas passam, passam as idéias, tudo passa...” Portanto, pude, perfeitamente, viver - esse acontecimento - como deve ser. Uma reflexão assim, permitirá a tal pessoa estar no evento sem preocupação alguma: está consciente, que está em um momento passageiro, não se ilude, o entende, conhece suas duas faces. Simplesmente, vive a consciência.
Uma pessoa, ao refletir assim, atua da mesma forma como atua o coração, quando a diástole se abre, recebe, acumula, organiza, elabora, para depois entrar em atividade com a sístole...
 
Lição 13
COMO FAZER A LUZ DENTRO DE NÓS MESMOS
Moisés disse, no Gênese: “Faça-se a Luz e a Luz foi feita!” Isto não é coisa que corresponda ao passado remotíssimo, não. Este tremendo princípio que se estremecia com o primeiro instante não muda, jamais, no tempo, é tão eterno como toda a eternidade; devemos tomá-lo como urna crua realidade de instante a instante, de momento a momento... Recordemos Goethe, o grande Iniciado alemão; suas últimas palavras, momentos antes de morrer, foram: “Luz, mais Luz!” E morreu (Goethe está agora reencarnado na Holanda, tem corpo fisico, porém esta vez não tem corpo fisico masculino, tem, agora, corpo fisíco feminino e está casado com um príncipe holandês; agora já é uma dama holandesa de alta estirpe... Isto é muito interessante, não é verdade?)
Bem, continuando o que falei antes com vocês, havíamos começado a estudar que essa luz é importantíssima, que enquanto alguém viva em trevas, anela a luz porque está cego. A pessoa que está dentro de um socavão, nas trevas, em um subterrâneo, o que mais anela é a luz...
A Essência é o mais digno, o mais decente que temos em nosso interior; ela advém, originariamente, da “Via Láctea” (aí ressoa a nota musical “Lá”); passa depois ao Sol, com a nota “Sol”, e vem, depois, a este mundo fisico com a nota “Mi”... A Essência é bela, é, digamos, uma fração do princípio humano, crístico, de cada um; é a Alma humana, pois, que normalmente mora no Mundo Causal; por isso, com justa razão, se diz que nossa consciência em Cristo há de nos salvar, etc., etc., etc. Tudo isto é certo, tudo isto é verdade, porém o grave de nossa consciência, de nossa Essência, é que, sendo tão preciosa, possuindo dons tão maravilhosos, poderes naturais tão preciosos, esteja aprisionada, pois, entre todos esses “elementos indesejáveis , subjetivos, que desafortunadamente temos em nosso interior; isto é, está falando em síntese, aprisionada em um calabouço... Ela quer a luz, mas como? Anelando-a! Não há quem não anele a luz, a não ser que já esteja demasiado perdido, pois quando se tem alguma aspiração, deseja-se a luz...
Dessa maneira, há que se fazê-la; a questão de fazer a luz é muito grave, porque implica destruir os receptáculos ou calabouços, ou falando em síntese, o antro negro onde está aprisionada, para resgatá-la, liberá-la, extraí-la dali, a fim de ficar como um verdadeiro vidente, como um Ser luminoso, e desfrutar dessa plenitude que por natureza nos corresponde e à qual temos, verdadeiramente, direito. Porém o que acontece é que se necessita de um heroísmo, ou de uma série de atos de tremendo heroísmo para poder liberar nossa Alma, para poder tirá-la do calabouço onde está aprisionada, para poder roubá-la das trevas.
Seria interessante que vocês lograssem compreender de verdade, conscientemente, isto que estou dizendo, porque poderia até dar-se o caso de que escutando não escutassem, ou não vivessem, digamos, o sentido das palavras que estou dizendo. Há que saber valorizar estas coisas para entender, pois, o que estou afirmando... Resgatar a Alma, tirá-la de entre as trevas, é bonito, porém não é fácil; o normal é que permaneça prisioneira.
E não poderá alguém desfrutar da iluminação autêntica, enquanto a Essência, a consciência, a Alma, estiver engarrafada, estiver prisioneira aí (isso é grave). Então, se necessita, forçosamente, destruir, desintegrar heroicamente, com um heroísmo superior ao de Napoleão em suas grandes batalhas, ou como o das pelejas de Morelos em sua luta pela liberdade, etc., desse heroísmo inigualável, para poder liberar a pobre Alma, tirá-la de entre as trevas. Necessita-se, antes de tudo, como dizia aqui, na conferência passada, aos irmãos, conhecer as técnicas, os procedimentos que conduzam à destruição desses elementos onde a Alma está engarrafada, prisioneira, para que venha a iluminação.
Antes de tudo há que começar por compreender a necessidade de saber observar. Nós, por exemplo, estamos aqui todos sentados, nestas cadeiras; sabemos que estamos sentados, porém nós não as temos observado. No primeiro caso, temos o conhecimento de que estamos sentados nelas, porém observá-las já é algo diferente; no primeiro caso, há, digamos, o conhecimento, porém não há observação; esta requer uma observação especial: observar de que são feitas e, depois de entrar em meditação, descobrir seus átomos, suas moléculas (isto requer uma atenção dirigida)... Saber que alguém está sentado em uma cadeira já seria uma atenção dirigida. Assim, também, nós podemos pensar muito em nós mesmos, mas isto não quer dizer que estejamos observando nossos próprios pensamentos; observá-los é distinto, é diferente... Vivemos em um mundo de emoções inferiores, qualquer coisa nos produz emoções de tipo inferior, e sabemos que as temos; porém uma coisa é saber que se encontra em um estado negativo, e outra coisa é observar o estado negativo em que se encontra, que é algo completamente diferente...
Vejamos um exemplo. Em certa ocasião, um cavalheiro manifestou a um psicólogo:
- “Bem, eu sinto antipatia por determinada pessoa” (e lhe citou o nome o sobrenome).
- O psicólogo respondeu: “Observe-a, observe essa pessoa”.
- O cavalheiro respondeu: “Porém para que eu vou observá-lo, se já o conheço?”
O psicólogo concluiu que ele não queria observar, que conhecia, porém não observava; conhecer é uma coisa e observar é outra coisa muito diferente.
Alguém pode conhecer que tem um pensamento negativo, porém isso não significa que o esteja observando; sabe que se encontra em um estado negativo, porém não o tem observado... Na vida prática, vemos que dentro de nós há muitas coisas que deveriam nos causar vergonha: comédias ridículas; questões interiores grotescas, pensamentos doentios, etc.; saber “Sim, neste momento tenho um pensamento doentio”; porém uma coisa é saber que o tem e outra coisa é observá-lo, que é totalmente diferente.
Dessa forma, se alguém quer chegar a eliminar tal ou qual elemento psicológico indesejável, primeiro de tudo tem que aprender a observar com o propósito de obter uma mudança, porque certamente, se não aprende a autoobservar-se, qualquer possibilidade de mudança se torna impossível...
Quando alguém aprende a auto-observar-se, desenvolve-se, em si mesmo, o sentido da auto-observação. Normalmente, este sentido está atrofiado na raça humana, está degenerado, porém à medida que o usamos, vai progredindo, se desenvolvendo.
Como primeiro ponto de vista, vimos a evidenciar, através da auto-observação, que mesmo os pensamentos mais insignificantes, as comédias mais ridículas que se sucedem interiormente e que nunca se exteriorizam, não são próprias, são criadas por outros, pelos eus. O grave é identificar-se alguém com essas comédias, com essas ridicularidades, com esses protestos, com essas iras, etc., etc., etc.; se alguém se identifica com qualquer um desses extremos interiores, colhe mais força o eu que os produz e, assim, qualquer possibilidade de eliminação se torna cada vez mais difícil. De maneira que a observação é vital quando se trata de provocar uma mudança radical em nós...
Os distintos eus que vivem no interior de nossa psique são muito astutos, muito sagazes; apelam, muitas vezes, a esse filme das recordações que carregamos no centro intelectual... Suponhamos que alguém, no passado, esteve fornicando com qualquer outra pessoa do sexo oposto, e que está insistindo ou não em eliminar a luxúria; então, o eu da luxúria apelará, se apoderará do centro das recordações, do centro intelectual; pegará, aí, digamos, o filme das recordações, do que tenha necessidade, e o fará passar pela fantasia da pessoa e ele se vigorará mais, far-se-á cada vez mais forte. Por todas estas coisas, vocês devem ver a necessidade da auto-observação; não seria possível urna mudança de verdade, radical e definitiva, se não aprendemos a nos auto-observar...
Conhecer não é observar, pensar tampouco é observar. Muitos crêem que pensar, em si mesmo, é observar, porém não é assim. Alguém pode estar pensando, em si mesmo, e, entretanto, não está se observando; é tão distinto pensar em si mesmo e observar, como a sede o é da água, ou vice-versa.
Obviamente, ninguém deve identificar-se com nenhum dos eus. Para observar-se, alguém tem que dividir-se entre dois, em dois, em duas metades: uma parte que observa e outra parte que é observada. Quando a parte que observa vê as ridicularidades e nescedades da parte observada, há possibilidades como nunca de descobrir (suponhamos o eu da ira) que não somos esse eu, que ele é ele; poderíamos exclamar: “O eu tem ira, esse é um eu, esse deve morrer; vou trabalhar para desintegrá-lo!” Porém se alguém se identifica com ele e diz: “Eu tenho ira, estou furioso!”, adquire mais força, faz-se cada vez mais vigoroso e, então, como o vai dissolver, de que maneira? Pois não poderia, não é verdade? De modo que não deve se identificar com esse eu, com sua zanga, ou com sua tragédia, porque se se identifica com sua criação, termina, pois, vivendo em sua criação também e isso é absurdo.
À medida que alguém vai trabalhando sobre si mesmo, que vai penetrando cada vez mais profundamente, não deve deixar de observar nem o mais insignificante pensamento; qualquer desejo, por passageiro que seja, qualquer reação, deve ser um motivo de observação, porque qualquer desejo, qualquer reação, qualquer pensamento, provém de tal ou qual eu. E, se queremos fabricar a luz, liberar a Alma, vamos permitir que continuem existindo esses eus? Seria absurdo! Se é a luz o que queremos, não resta outro remédio que reduzi-los a pó, e não poderíamos reduzir à poeira o que não temos observado; então, necessitamos saber observar...
Nesta questão, temos que cuidar, também, da tagarelice interior, porque há tagarelices interiores negativas e absurdas, conversações íntimas, que jamais se exteriorizam e, naturalmente, necessitamos corrigir essa tagarelice interior, aprender a guardar silêncio, saber falar quando se deve falar, saber calar quando se deve calar (isto é lei, não somente para o mundo físico, o mundo exterior, mas também para o mundo interior). As charlas interiores negativas vêm, mais tarde, a se exteriorizar fisicamcnte; por isso, é tão importante eliminar a charla interior negativa, porque é prejudicial (há que aprender a guardar o silêncio interior...).
Normalmente, se entende por silêncio mental quando alguém esvazia a mente de todo tipo de pensamentos, quando logra a quietude e o silêncio da mente, através da meditação, etc. Porém há outro tipo de silêncio... Suponhamos que se apresente diante de nós um caso de juízo crítico, com relação a um semelhante e, entretanto, mentalmente guardamos silêncio, não julgamos, não condenamos, nos calamos, tanto externa como internamente; nesta caso, há, pois, silêncio interior.
Os feitos da vida prática, ao fim e ao cabo, devem manter-se em íntima correspondência com uma conduta interior perfeita. Quando os feitos da vida prática concordam com uma conduta interior perfeita, é sinal de que já estamos criando, em nós mesmos, o famoso corpo mental.
Se pomos as diferentes partes de um rádio ou de um gravador sobre uma mesa, porém não sabemos nada de eletrônica, pois, tampouco poderemos captar as distintas vibrações insonoras que pululam no Cosmo; porém, se mediante a compreensão, unimos as diferentes partes destes estúdios, deste trabalho, vão se completando entre si para formar um corpo maravilhoso, o famoso corpo da mente. Este corpo nos permitirá captar melhor tudo o que existe dentro de nós e desenvolverá mais em nós o sentido da auto-observação íntima, e isso é bastante importante.
Desse modo, o objetivo da observação é realizar uma mudança dentro de nós mesmos, promover uma mudança verdadeira, efetiva...
Uma vez que nos tornemos, digamos, hábeis na observação de nós mesmos, vem, então, o processo de eliminação. De maneira que há propriamente três passos nesta questão: primeiro - a observação; segundo – o juízo crítico e o terceiro, que já é a própria eliminação de tal ou qual eu psicológico.
Ao observar um eu, devemos ver como se comporta no centro intelectual, de que maneira, e conhecer todos os seus jogos, na mente; segundo, de que forma se expressa através do sentimento, no coração, e, terceiro, descobrir seu modo de ação nos centros inferiores: motor, instintivo e sexual...
Obviamente, no sexo, um eu tem uma forma de expressão, no coração, tem outra forma e, no cérebro, outra. No cérebro, um eu se manifesta através da questão intelectual: razões, justificações, evasivas, escapatórias, etc., etc., etc.; no coração, como um sofrimento, como um afeto, como um amor aparentemente muitas vezes, quando é questão de luxúria, etc., e, nos centros motor-instintivo sexual, tem outra forma de expressão (como ação, como instinto, como impulso lascivo, etc., etc.).
Citemos por exemplo um caso concreto: luxúria. Um eu luxurioso, diante de uma pessoa do sexo oposto, na mente, pode ser que se manifeste com pensamentos constantes; poderia manifestar-se no coração como um afeto, como um amor aparentemente puro, livre de toda mácula, até tal grau, que alguém poderia, perfeitamente, justificar-se e dizer: “Bem, eu não sinto luxúria por esta pessoa, eu o que estou sentindo é amor”; porém se a pessoa é observadora, se tem muito cuidado com sua máquina e observa o centro sexual, vem a ficar evidenciado que não há tal afeto, que não há tal amor por essa pessoa, mas que o que há é luxúria...
Vejam, porém, quão fino é o delito: a luxúria pode, perfeitamente, disfarçar-se, no coração, como o amor e escrever versos, etc., etc., porém é luxúria disfarçada... Se a pessoa é cuidadosa e observa estes três centros da máquina, pode evidenciar que se trata de um eu e, descobrindo que se trata de um eu, havendo conhecido seus manejos nos centros, ou seja, no intelectual, no coração e no sexo, procede, então, à terceira fase. Qual é a terceira fase? A execução; esta é a fase final do trabalho: a execução. Então, tem que apelar à oração no trabalho. O que entende por oração no trabalho? A oração no trabalho deve ser feita sobre a base da íntima recordação de si mesmo...
Em alguma ocasião, dissemos que há quatro tipos de homens, ou quatro estados de consciência, para ser mais claro. Um primeiro estado de consciência é o do sono profundo e inconsciente de uma pessoa, de um ego que deixou o corpo adormecido na cama, porém perambula no mundo molecular, em estado de coma (é o estado inferior); um segundo estado de inconsciência é o do sonhador que regressou ao seu corpo fisico e que acredita que está em estado de vigília; neste caso, os sonhos continuam, claro, só que está com o corpo físico em estado de vigília. É mais perigoso este segundo tipo de sonhador, porque pode matar, pode roubar, pode cometer crimes de toda espécie; em troca, no primeiro caso, o sonhador é mais infra-humano, porém não pode fazer nada destas coisas. Como poderia fazê-lo, como poderia fazer dano? Quando o corpo está passivo para os sonhos, a pessoa não pode causar danos a ninguém, no mundo fisico; por isso, é que as Escrituras Sagradas insistem na necessidade de despertar...
Se estes dois tipos de pessoas: os que se encontram, digamos, em estado de inconsciência profunda, ou aqueles que seguem sonhando e têm seu corpo ativo para os sonhos, fazem oração, pois, dos dois semelhantes estados infrahumanos não se pode esperar nada, em razão de seus estados negativos; entretanto, a Natureza responde... Por exemplo: um inconsciente, um adormecido faz oração para resolver um negócio, porém pode ser que seus eus, que são tão inumeráveis, não estejam de acordo com o que ele está fazendo; é tão somente um dos eus que está fazendo a oração e os outros não foram levados em conta; aos outros pode ser que não interesse tal negócio, que não estejam de acordo com essa oração e peçam, na oração, exatamente o contrário para que esse negócio fracasse, porque não estão de acordo; como os outros são maioria, a Natureza responde com suas forças, com seu afluxo de forças, e vem o fracasso do negócio; isso é claro! Então, para que a oração tenha um valor efetivo, no trabalho sobre si mesmo, a pessoa, tem, pois, que se colocar no terceiro estado de consciência, que é o da íntima recordação de si mesma, isto é, de seu próprio Ser...
Submerso em profunda meditação, concentrado em sua Divina Mãe interior, lhe suplicará que elimine de sua psique esse eu que queira desintegrar. Pode ser que a Mãe Divina, nesse momento, atue, decapitando tal eu, porém nem com isso se tem feito a totalidade do trabalho; a Mãe Divina não o vai desintegrar instantaneamente tudo. Haverá necessidade, se não se desintegra tudo, de ter paciência; em trabalhos sucessivos, através do tempo, lograremos que tal eu se desintegre lentamente, que vá perdendo seu volume e tamanho... Um eu pode ser espantosamente horrível, porém à medida que vai perdendo volume, vai-se embelezando; depois, tem aparência de uma criança e, por último, se torna pó.
Quando já se transformou um pó, a consciência que estava dentro, engarrafada, embutida dentro desse eu, fica livre; então, a luz aumentará, é uma porcentagem de luz que se libera; procederemos, assim, com cada um dos eus...
O trabalho é longo e muito duro; muitas vezes, qualquer pensamento negativo, por insignificante que seja, tem por fundamento um eu antiquíssimo.
Esse pensamento negativo, que chega à mente, nos indica que de fato há um eu por trás desse pensamento, e que esse eu deve ser extirpado, erradicado de nossa psique. Há que estudá-lo, conhecer seus manejos, ver como se comporta nos três centros: no intelectual, no emocional e, falando em síntese, no motor-instintivosexual;
ver de que maneira trabalha em cada um destes três centros; de acordo com seu comportamento, a pessoa vai conhecendo-o... Quando alguém desenvolve o sentido da auto-observação, vem a evidenciar, por si mesmo, que alguns desses eus são espantosamente horríveis, que são verdadeiros monstros de forma horripilante, macabra e que vivem no interior de nossa psique.
SAMAEL AUN WEOR