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Livros e Documentos Esotéricos
Samael Aun Weor
Tratado de Psicologia Revolucionária

Prefácio
O presente Tratado de Psicologia Revolucionária é uma nova Mensagem que o Mestre entrega aos irmãos, com o motivo do Natal de 1975. É um Código completo que nos ensina a eliminar defeitos.
Até agora os estudantes se conformam em reprimir os defeitos, algo como um chefe militar que impõe ante seus subordinados, pessoalmente temos sido peritos em reprimir defeitos, porém chegou o momento em que nos vemos obrigados a dar morte, elimina-los, valendo-nos da técnica que o Mestre Samael, quem de forma nítida, precisa e exata nos dá as chaves.
Quando os defeitos morrem, então se expressa a Alma com sua imaculada beleza, tudo muda para nós, muitos perguntam como fazer quando varias defeitos afloram ao mesmo tempo, e a eles explicamos que eliminem uns e os outros aguardem, a estes outros pode se reprimir para mais tarde eliminar.
O PRIMEIRO CAPÍTULO: nos ensina como mudar a página de nossa vida, eliminar: Ira, cobiça, inveja, luxúria, orgulho, preguiça, gula, desejo, etc. É indispensável dominar a mente terrena e fazer girar o vórtice frontal, para que este absorva o eterno conhecimento da mente universal, neste mesmo capítulo nos é ensinado a examinar o nível moral de Ser e mudar este nível. Isto é possível quando destruímos nossos defeitos.
Toda mudança interior traz como conseqüência uma mudança exterior. O nível de Ser que trata o Mestre nesta obra, se refere à condição que nos encontramos.
No SEGUNDO CAPÍTULO: explica em que nível de Ser é a escala em que nos encontramos situados na escala da Vida, quando subimos esta escala então temos progresso, porém quando permanecemos parados, nos produz abatimento, desengano, tristeza, cansaço.
No TERCEIRO CAPÍTULO: nos fala sobre a rebeldia Psicológica e nos ensina que o ponto Psicológico de partida, está dentro de nós e nos diz que o caminho vertical, ou perpendicular, é o campo dos Rebeldes, os que buscam mudanças imediatas, de tal sorte que o trabalho sobre si mesmo é a característica principal do caminho vertical; Os humanóides caminham pelo caminho horizontal da escala da vida.
No QUARTO CAPÍTULO: determina como se produzem as mudanças, a beleza de uma criança deve-se ao fato de não haver desenvolvido seus defeitos, e vemos que conforme eles vão se desenvolvendo a criança vai perdendo sua beleza inata.
Quando desintegramos os defeitos, a Alma se manifesta em seu esplendor, e isto percebem as pessoas, pela simples observação, ademais a beleza da Alma é a que embeleza o corpo físico. O QUINTO CAPÍTULO: Nos ensina o manejo deste ginásio Psicológico, e nos ensina o método para aniquilar a fealdade secreta que levamos dentro, (os defeitos); nos ensina a trabalhar sobre nós mesmos, para lograr uma transformação Radical.
Mudar é necessário, porem as pessoas não sabem como mudar, sofrem muito e se contentam com jogar a culpa aos demais, não sabem que unicamente eles são os responsáveis pelo manejo de sua vida.
No CAPÍTULO SEXTO: nos fala sobre a vida, nos diz que a vida resulta um problema que ninguém entende: Os estados são Interiores e os eventos são Exteriores.
No CAPÍTULO SÉTIMO: nos fala sobre os estados Interiores, e nos ensina a diferença que existe entre os estados de consciência e os acontecimentos exteriores, da vida prática.
Quando modificamos os estados equivocados da consciência, isto origina mudanças fundamentais em nós.
Nos fala no NONO CAPÍTULO: sobre os sucessos pessoais, e nos ensina a corrigir os estados Psicológicos equivocados e os estados interiores errôneos, nos ensina a por ordem em nossa desordenada casa interior, a vida interior traz circunstâncias exteriores, e sem estas, são dolorosas, se devem aos estados inferiores absurdos. O exterior é um reflexo do interior, a mudança interior origina de Imediato, uma nova ordem de coisas.
Os estados inferiores equivocados nos convertem em vitimas indefesas da perversidade humana, nos ensina a não nos identificarmos com nenhum acontecimento, recordando-nos de tudo o que ocorre, devemos aprender a ver a vida como um filme, e no drama devemos ser observadores, não confundindo-nos com o drama.
Um de meus filhos tem um Teatro aonde se exibem os filmes modernos, e este fica cheio quando trabalham artistas que se destacaram com o Oscar; Um dia qualquer, meu filho Álvaro, me convidava à um filme aonde trabalharam artistas que receberam o Oscar, ao convite contestei que não poderia assistir pois estava Interessado em um drama humano melhor que o filme, onde todos os artistas eram dignos do Oscar; ele me perguntou: Qual é este drama? E eu lhe respondi, o drama da Vida; Ele continuou, porém neste drama todos trabalhamos, e eu manifestei: Eu trabalho como observador deste Drama. “Por que?”, Lhe respondi: porque já não me confundo com o drama, faço o que devo fazer, não me emociono nem me entristeço com os acontecimentos do drama.
No CAPÍTULO DÉCIMO: Nos fala sobre os diferentes eus, e nos explica que na vida interior das pessoas, não existe trabalho harmonioso, por haver uma soma de eus, tantas mudanças na vida diária e de cada um de seus atores do drama: ciúmes, risadas, prantos, raiva, sustos, essas características nos mostram mudanças e alterações tão variadas a que nos expõe os eus de nossa personalidade.
No CAPÍTULO ONZE: Nos fala sobre nosso querido Ego e nos diz que os eus são valores psíquicos, sejam positivos ou negativos, e nos ensina a pratica da auto-observação interior e assim vamos descobrindo a muitos eus que vivem dentro de nossa personalidade.
No CAPÍTULO DOZE: Nos fala da Mudança Radical, ali também nos ensina que não é possível mudança nenhuma em nossa psique, sem observação direta de todo este conjunto de fatores subjetivos que levamos dentro.
Quando aprendemos que não somos um, senão muitos dentro de nós, vamos no caminho do auto-conhecimento. Conhecimento e compreensão são diferentes, o primeiro é da mente e o segundo é do coração.
CAPÍTULO TREZE: Observador e observado, ali nos fala do atleta da auto-observação interna, que é aquele que trabalha seriamente sobre si mesmo e se esforça por separar os elementos indesejáveis que carregamos dentro.
Para o auto-conhecimento, devemos dividir-nos em observador e observado, sem esta divisão jamais poderíamos chegar ao auto-conhecimento.
No CAPÍTULO QUATROZE: Nos fala sobre os pensamentos Negativos; e vemos que todos os eus possuem inteligência e se valem de nosso centro Intelectual para lançar conceitos, idéias, análises, etc., o que indica que não possuímos mente individual, vemos neste capítulo que os eus abusivamente utilizam-se de nosso centro pensante.
No CAPÍTULO QUINZE: Nos fala sobre a Individualidade, ali nos damos conta que não temos consciência nem vontade própria, nem individualidade, mediante a auto-observação íntima podemos ver as pessoas que vivem em nossa psique (os eus), e que devemos eliminar para lograr uma Transformação Radical, posto que a individualidade é sagrada, vemos os casos das Professoras de escola que vivem corrigindo as crianças por toda a vida, e assim chegam a decrepitude, porque também se confundiram com o drama da vida.
Os restantes capítulos do 16 ao 32, são interessantíssimos para todas aquelas pessoas que queiram sair do montão, para os que aspiram ser algo na vida, para as Águias altaneiras, para os revolucionários da consciência e do espírito indomável, para aqueles que renunciaram ao espinhaço de borracha, que se dobra e serve ante a infelicidade de qualquer tirano.
CAPÍTULO DEZESSEIS: nos fala o Mestre sobre o livro da vida, é conveniente observar a repetição de palavras diárias, a recorrência de todas as coisas em um mesmo dia, tudo nos conduz ao conhecimento superior.
No CAPÍTULO DEZESSETE: nos fala sobre as criaturas mecânicas e nos diz que quando um não se auto-observa, não pode dar-se conta da incessante repetição diária, quem não deseja observar a si mesmo, tão pouco deseja trabalhar para lograr uma verdadeira transformação Radical, nossa personalidade é somente uma marionete, um boneco falante, algo mecânico, somos repetidores de sucesso, nossos hábitos são os mesmos, nunca quisemos modifica-los.
CAPÍTULO DEZOITO: trata-se do Pão Super-Substancial, os hábitos nos mantém petrificados, somos pessoas mecânicas carregados de velhos hábitos, devemos provocar mudanças internas. A auto-observação é indispensável.
CAPÍTULO DEZENOVE: nos fala do bom dono de casa, há que analisarmos o drama da vida, há que defender o escape da psique, este trabalho vai contra da vida, se trata de algo muito distinto do que a vida diária.
Enquanto uma pessoa não mude interiormente, será sempre vitima das circunstâncias. O bom dono de casa é aquele que nada contra a corrente, os que não querem deixar-se devorar pela vida são muito escassos.
No CAPÍTULO VINTE: Nos fala sobre os dois mundos, e nos diz que o verdadeiro conhecimento que realmente pode originar em nós uma mudança interior fundamental, tem por base a autoobservação direta de si mesmo. A auto-observação interior é um meio para mudar intimamente, mediante a auto-observação de si, aprendemos a mudar no caminho interior. O sentido da auto-observação de si mesmo se encontra atrofiado na raça humana, porém este sentido se desenvolve quando perseveramos na auto-observação de nós mesmos, assim é como aprendemos a caminhar no mundo exterior, também assim mediante o trabalho psicológico sobre nós mesmos aprendemos a caminhar no mundo interior.
No CAPÍTULO VINTE E UM: nos fala sobre a observação de si mesmo, nos diz que a observação de si mesmo é um método prático para conseguir uma transformação radical, conhecer nunca é observar, não há que confundir o conhecer e o observar.
A observação de si, é cem por cento ativa, é um meio de mudança do que somos, já o conhecer que é passivo não é. A atenção dinâmica provem do lado observador, enquanto os
pensamentos e as emoções pertencem ao lado observado. O conhecer é algo completamente mecânico, passivo; a mudança da observação de si é um ato consciente.
O CAPÍTULO VINTE E DOIS: nos fala da conversa, nos diz que verifiquemos, isto de “falar sozinhos” é daninho, porque são nossos eus enfrentando uns a outros, quando te descubras falando sozinho, observa-se e descobrirá que equivoco que está cometendo.
No CAPÍTULO VINTE E TRÊS: nos fala do mundo das relações, e nos diz que existem três estados de relações, Relação com nosso próprio corpo, com o mundo exterior e a relação consigo mesmo, o qual não tem importância para a maioria das pessoas, as pessoas só se interessam nos primeiros tipos de relações. Devemos estudar para saber com quais destes tipos de relações estamos em falta.
A falta de eliminação interior faz com que não estejamos relacionados conosco mesmos e isto faz com que permaneçamos em trevas, quando te encontre abatido, desorientado, confundido, recorda-te de “ti mesmo” e isto fará com que as células de teu corpo recebam um alento diferente.
No CAPÍTULO VINTE E QUATRO: Nos fala sobre a canção psicológica, nos diz sobre a autodefesa, nos sentirmos perseguidos, etc., o crer que os outros tem a culpa de tudo quanto
nos ocorre, as mudanças os triunfos os tomamos como nossa obra, assim jamais poderemos melhorar. O homem aprisionado nos conceitos que ele gera, se pode tornar útil ou inútil, esta
não é a Tonica para observar-nos e melhorar-nos, aprender a perdoar é indispensável para nosso melhoramento interior. A lei da Misericórdia é mais elevada que a lei do homem violento. “Olho por olho, dente por dente”. A Gnosis está destinada aqueles aspirantes sinceros que verdadeiramente querem trabalhar e mudar, cada qual contra sua própria canção psicológica.
A triste recordação de tantas coisas vividas nos atam ao passado e não nos permitem viver o presente, o qual nos desfigura. Para passar a um nível superior, é indispensável deixar de ser o que se é, sobre cada um de nós há níveis superiores que devemos de escalar.
No CAPÍTULO VINTE E CINCO: Nos fala sobre o Retorno e a Recorrência, nos diz que a Gnosis é transformação, renovação, melhoramento incessante; o que não quer melhorar-se, transformar-se, perde seu tempo, porque ademais não adianta se cai no caminho de retrocesso e por tanto se incapacita para conhecer-se; com justa razão assevera o Venerável Mestre, que somos marionetes repetindo as cenas da vida. Quando reflexionamos sobre estes fatos, nos damos conta que somos artistas que trabalhamos, em cheio, no drama da vida diária.
Quando temos o poder de vigiar-nos para observar o que fazemos e escutar nosso corpo físico, nos colocamos no caminho da auto-observação consciente, e observamos que uma coisa é consciência, a que conhece, e outra coisa a que executa e obedece, ou seja, nosso próprio corpo. A comédia da vida é dura e cruel com aquele que não sabe ascender os fogos internos, se consome entre seu próprio labirinto, em meio as mais profundas trevas, os nossos eus vivem prazerosamente nas trevas.
No CAPÍTULO VINTE E SEIS: Nos fala sobre a Auto-Consciência Infantil, diz que quando uma criança reincorpora a essência, isto dá a criança sua beleza, logo conforme vai desenvolvendo a personalidade, vão se reincorporando os eus que vem de vidas passadas e vai perdendo a beleza natural.
No CAPÍTULO VINTE E SETE: Tratado Publicano e do Fariseu, diz que cada qual descansa sobre algo que não tem, daí o interesse de todos por ter algo: Títulos, bens, dinheiro, fama, posição social, etc. O homem e a mulher cheios de orgulho, são os que mais necessitam do necessário para viver, o homem descansa unicamente sobre bases externas, também é um invalido, porque o dia que perde estas bases, se converterá no homem mais infeliz do mundo.
Quando nos sentimos maiores que os demais, estamos engordando nossos eus, e recusamos com isto chegar a ser bem-aventurados. Para o trabalho esotérico, nossos próprios elogios são obstáculos que se opõe a todo progresso espiritual, quando nos auto-observamos podemos descobrir as bases sobre as quais descansamos, devemos por muita atenção nas coisas que nos ofendem e nos laceram, assim descobrimos as bases psicológicas sobre as quais falamos.
Neste caminho do melhoramento, o que se crê superior a outro se estanca ou retrocede. O Progresso Iniciático de minha vida teve uma grande mudança quando afligido por minhas asperezas, desenganos e infortúnios, fiz em meu lar, o curso de “paria”, abandonei a pose de “eu sou o que dá tudo para este lar”, para sentir-me um triste esmoleiro, enfermo e sem nada na vida, tudo mudou em minha vida, porque se me brindava: Café da manhã, almoço e janta, roupa limpa e o direito de dormir no mesmo leito de minha patroa (a esposa Sacerdotisa), porém isto só durou dias, porque aquele lar não suportou aquela atitude ou tática de guerra.
Há que aprender a transformar, o mal em bem, as trevas em luz, o ódio em amor, etc. O Real Ser não discute nem entende as injurias dos eus que nos disparam os adversários ou amigos. Os que sentem estes látegos são os eus que aprisionam nossa alma, eles se enfrascam e reagem coléricos e iracundos, a eles lhes interessa ir contra o Cristo Interno, contra nossa própria semente.
Quando os estudantes nos pedem remédio para curar as poluções, lhes aconselhamos que abandonem a Ira, os que o fizeram, obtiveram grandes benefícios.
No CAPÍTULO VINTE E OITO: Nos fala o Mestre sobre a Vontade, nos diz que devemos trabalhar na Obra do Pai, porém os estudantes crêem que é trabalhar com o arcano A.Z.F., o trabalho sobre nós mesmos, o trabalho com os três fatores que libertam a nossa consciência, devemos conquistar-nos Internamente, libertar o Prometeu que temos acorrentado dentro de nós. A vontade Criadora é nossa obra, qualquer quer seja a circunstância em que nos encontremos.
A emancipação da Vontade advém com a eliminação de nossos defeitos, e a natureza nos obedece.
No CAPÍTULO VINTE E NOVE: Nos fala da Decapitação, nos diz que os momentos mais tranqüilos de nossas vidas, são os menos favoráveis para auto-conhecermos, isto só se consegue no trabalho da vida, nas relações sociais, negócios, jogos, enfim, na vida diária é quando mais afloram nossos eus. O sentido da auto-observação interna, se encontra atrofiada em todo ser humano, este sentido se desenvolve em forma progressiva, com a autoobservação que executamos, de momento a momento e com o uso contínuo.
Tudo o que está fora do lugar é mal, e o mal deixa de sê-lo quando está em seu lugar, quando deve ser.
Com o poder da Deusa Mãe em nós, a Mãe RAM-IO podemos destruir os eus de diferentes níveis da mente, a fórmula a encontraram os leitores em várias obras do V.M Samael.
Stella Maris é a assinatura astral da potência sexual, ela tem o poder de desintegrar as aberrações que em nosso interior psicológico, carregamos. “Tonantzin” decapita qualquer eu psicológico.
No CAPÍTULO TRINTA: Nos fala do Centro de Gravidade Permanente, e nos diz que cada pessoa é uma máquina de serviço dos inumeráveis eus que possuem, e por conseguinte a pessoa humana não possui centro de gravidade permanente, por conseqüência só existe instabilidade para lograr a auto-realização íntima do Ser; se requer continuidade de propósito e isto se logra extirpando os egos ou eus que levamos dentro.
Se não trabalhamos sobre nós mesmos, involucionamos e nos desintegramos. O processo da Iniciação nos põe no caminho da superação, nos conduz ao estado Angélico-dévico.
No CAPÍTULO TRINTA E UM: Nos fala do trabalho Esotérico Gnóstico, e nos diz que se requer experimentar o eu preso, o que o reconhecemos, requisito indispensável para poder destruir é a observação, ela permite que entre um raio de luz em nosso interior.
A destruição dos eus que analisamos, deve ir acompanhado com serviço aos demais, dando- lhes instrução para que eles se liberem dos satans ou eus que obstaculizam sua própria redenção.
No CAPÍTULO TRINTA E DOIS: Nos fala sobre a Oração no Trabalho, nos diz que a Observação, Juízo e Execução, são os três fatores básicos da dissolução do Eu. 1º - observa-se, 2º - Sentencia, 3º - Executa; assim se faz com os espiões da guerra. O sentido da auto-observação interna conforme for desenvolvido, permitirá ver o avanço progressivo de nosso trabalho.
Faz 25 anos, no Natal de 1951, nos dizia o Mestre aqui na cidade de Ciénaga e mais tarde o explica na Mensagem de Natal de 1962, o seguinte: “Estou de parte com vocês, até que hajais formado o Cristo em vosso Coração.
Sobre seus ombros pesa a responsabilidade do povo de Aquário, e a doutrina do Amor se expande através do conhecimento Gnóstico, se queres seguir a doutrina do Amor, deves deixar de odiar, até em sua mais ínfima manifestação, ele nos prepara para que surja o menino de ouro, o menino da alquimia, o filho da castidade, o Cristo Interno que vive e palpita no fundo de nossa Energia Criadora. Assim logramos a morte de legiões de eus Satânicos que mantemos dentro, e nos preparamos para a ressurreição, para uma mudança total. Esta Santa Doutrina não a entendem os humanos desta Era, porém devemos lutar para eles no culto de todas as religiões, para que anelem uma vida superior, dirigida por seres superiores, este corpo de doutrina nos regressa a doutrina do Cristo Interno, quando a vivemos na prática, mudaremos o porvir da humanidade.

PAZ INVERENCIAL,
GARGHA KUITCHINES

CAPÍTULO I
O NÍVEL DE SER
Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Para que vivemos? Por que vivemos?...
Inquestionavelmente o pobre “Animal Intelectual” equivocadamente chamado homem, não só não sabe, senão que sequer sabe que não sabe...
O pior de tudo é a situação tão difícil e tão estranha em que nos encontramos, ignoramos o segredo de nossas tragédias e sem dúvida estamos convencidos que sabemos tudo...
Leve-se um “Mamífero Racional”, uma pessoa destas que na vida se presumem muito influentes, ao centro do deserto do Saara, deixe-o ali longe de qualquer Oásis e observe desde uma nave aérea tudo o que ocorre...
Os fatos falam por si mesmos; o “Humanóide Intelectual”, ainda que presuma-se forte e se creia muito homem, no fundo resulta espantosamente débil...
O “Animal Racional” é tonto em cem por cento; Pensa de si mesmo o melhor; crê que pode desenvolver-se maravilhosamente mediante o Jardim de Infância, Manuais de Urbanidade, Primário, Secundário, Bacharelado, Universidade, ou bom prestígio do papai, etc., etc., etc.
Desafortunadamente, por detrás de tantas letras e bons modos, títulos e dinheiro, bem sabemos que qualquer dor de estomago nos entristece e que no fundo continuamos sendo infelizes e miseráveis...
Basta ler a História Universal para saber que somos os mesmos bárbaros de ontem, e que em vez de melhorar, temos nos tornado piores...
Neste século XX, com toda seu espetáculo, guerras, prostituição, sodomia mundial, degeneração sexual, drogas, álcool, crueldade exorbitante, perversidade extrema, monstruosidades, etc., etc., etc., é o espelho em que devemos olhar-nos; não existe pois razão concreta como para acreditarmos haver chegado a uma etapa superior de desenvolvimento...
Pensar que o tempo significa progresso, é absurdo, desgraçadamente os “ignorantes ilustrados” continuam presos no “Dogma da Evolução”...
Em todas as páginas da “Negra História” falamos sempre das mesmas horrorosas crueldades, ambições, guerras, etc.
Sem duvida nossos contemporâneos “Super-civilizados” estão no entanto convencidos que isto da Guerra, é algo secundário, um acidente passageiro que nada tem a ver com sua tão cacarejada “Civilização Moderna”.
Certamente o que importa é o modo de ser de cada pessoa; algumas pessoas serão alcoólatras, outros abstêmios, aqueles honrados e estes outros sem-vergonhas; de tudo há na vida...
A massa é a soma dos indivíduos; o que é o indivíduo é a massa, é o Governo, etc. A massa é pois a extensão do indivíduo; não é possível a transformação das massas, dos povos, se o individuo, se cada pessoa, não se transforma...
Ninguém pode negar que existem distintos níveis sociais; há gente de igreja e de prostíbulo; de comércio e de campo, etc., etc., etc.
Assim também existem diversos Níveis de Ser. O que internamente somos, caridosos ou mesquinhos, generosos ou tacanhos, violentos ou aprazíveis, castos ou luxuriosos, atrai as diversas circunstâncias da vida...
Um luxurioso atrairá sempre cenas, dramas e até tragédias de lascívia em que se verá metido...
Um bêbado atrairá aos bêbados e se verá metido sempre em bares e cantinas, isto é obvio...
O que atrairá o usurário o egoísta? Quantos problemas, cárceres, desgraças?
Sem dúvida as pessoas amarguradas, cansadas de sofrer, tem ganas de mudar, virar a página de sua história...
Pobres pessoas! Querem mudar e não sabem como; não conhecem o procedimento; estão metidas em um beco sem saída...
O que lhes ocorreu ontem lhe ocorre hoje e lhes ocorrerá amanhã; repetem sempre os mesmos erros e não aprendem as lições da vida, nem a pauladas.
Todas as coisas se repetem em sua própria vida; dizem as mesmas coisas, fazem as mesmas coisas, lamentam as mesmas coisas...
Esta repetição aborrecedora de dramas, comédias e tragédias, continuará enquanto carreguemos em nosso interior os elementos indesejáveis de Ira, Cobiça, Luxúria, Inveja, Orgulho, Preguiça, Gula, etc., etc., etc.
Qual é nosso nível moral?, melhor dizendo: Qual é nosso Nível de Ser?
Enquanto o Nível do Ser não mude radicalmente, continuará a repetição de todas as nossa misérias, cenas, desgraças e infortúnios...
Todas as coisas, todas as circunstâncias, que ocorrem fora de nós, no cenário deste mundo, são exclusivamente o reflexo que interiormente levamos.
Com justa razão podemos asseverar solenemente que “o exterior é o reflexo do interior”.
Quando um muda interiormente e tal mudança é radical, o exterior, as circunstâncias, a vida, também mudam.
Estive observando neste tempo, (1974), um grupo de pessoas que invadiram um terreno alheio. Aqui no México tais pessoas recebem o curioso qualificativo de “PARAQUEDISTAS”.
São vizinhos da colônia campestre de Churubusco, estão muito próximos de minha casa, motivo este pelo qual pude estudar-los mais de perto...
Ser pobre jamais pode ser um delito, o mais grave não está nisto, senão em seu Nível de Ser... Diariamente lutam entre si, se embebedam, se insultam mutuamente, se convertem em assassinos de seus próprios companheiros de infortúnio, vivem certamente em imundas choças, dentro das quais em vez de amor, reina o ódio...
Muitas vezes pensei em que se qualquer sujeito destes, eliminara de seu interior o ódio, a ira, a luxúria, a embriagues, a maledicência, a crueldade, o egoísmo, a calúnia, a inveja, o amor próprio, o orgulho, etc., etc., etc., agradaria a outras pessoas, se associaria por simples Lei de Afinidades Psicológicas, com pessoas mais refinadas, mais espirituais; estas novas relações seriam definitivas para uma mudança econômica e social...
Seria este o sistema que permitiria que tal sujeito, abandonasse a “cocheira”, a “cloaca” imunda...
Assim pois, se realmente queremos uma mudança radical, o primeiro que devemos compreender, é que cada um de nós (seja branco ou negro, amarelo ou vermelho, ignorante ou ilustrado, etc.) está em tal ou qual “Nível de Ser”.
Qual o nosso Nível de Ser? Haveis vós reflexionado alguma vez sobre isto? Não seria possível passar a outro nível, se ignoramos o estado que nos encontramos.


CAPÍTULO II
A ESCADA MARAVILHOSA
Temos que anelar uma mudança verdadeira, sair desta rotina aborrecedora, desta vida meramente mecânica, cansativa...
O primeiro que devemos compreender com inteira claridade, é que cada um de nós, seja burguês ou proletário, acomodado ou de classe média, rico ou miserável, se encontra realmente em tal ou qual Nível de Ser...
O Nível de Ser do bêbado é diferente do abstêmio, e o da prostituta muito distinto da donzela. Isto que estamos dizendo é irrefutável, irrebatível...
Ao chegar nesta parte de nosso capítulo, nada perdemos com imaginar-nos verticalmente uma escada que se estende de baixo para cima, verticalmente, com muitíssimos degraus...
Inquestionavelmente em algum destes degraus, nós nos encontramos; degraus a baixo haverá pessoas piores que nós; degraus acima se encontrarão pessoas melhores que nós...
Nesta vertical extraordinária, nesta escada maravilhosa, é claro que podemos encontrar todos os Níveis de Ser... cada pessoa é diferente e isto ninguém pode refutar...
Indubitavelmente não estamos agora falando de caras feias ou bonitas, nem tampouco se trata de questão de idades. Há pessoas jovens e velhas, anciões que já estão por morrer, e crianças
recém nascidas...
A questão do tempo e dos anos; isto de nascer, crescer, desenvolver-se, casar-se, reproduzirse, envelhecer e morrer, é exclusivo da Horizontal...
Na “Escada Maravilhosa”, na Vertical, o conceito de tempo não cabe. Nos degraus de tal escada, só podemos encontrar “Níveis de Ser”...
A esperança mecânica das pessoas, não serve para nada; crêem que com o tempo as coisas
serão melhores; assim pensavam nossos avós e bisavós; os fatos vem precisamente demonstrar o contrário...
O “Nível de Ser” é o que conta e isto é Vertical; nós nos encontramos em um degrau, porém podemos subir até outro degrau...
A “Escada Maravilhosa” que estamos falando, e que se refere aos distintos “Níveis de Ser”, certamente, nada tem a ver com o tempo linear...
Um “Nível de Ser” mais elevado está imediatamente acima de nós, de instante a instante...
Não está em nenhum remoto futuro horizontal, senão aqui e agora; dentro de nós mesmos; na Vertical...
É ostentável e qualquer um pode compreender, que as duas linhas, horizontal e Vertical, se encontram de momento em momento em nosso interior psicológico e formam uma Cruz...
A personalidade se desenvolve na linha Horizontal de nossa Vida. Nasce e morre dentro de seu tempo linear; é perecível; não existe amanhã algum para a personalidade do morto; não é o
Ser...
Os Níveis de Ser; o próprio Ser, não é do tempo, nada tem que ver co ma Linha Horizontal; encontra-se dentro de nós mesmos. Agora, na Vertical...
Resultaria manifestamente absurdo buscar a nosso próprio Ser, fora de nós mesmos...
Não está demais assentar como corolário o seguinte: Títulos, graus, ascensões, etc., no mundo físico exterior, de modo algum originariam exaltação autêntica, revalorização do Ser, passagem a um degrau superior nos “Níveis de Ser”...

CAPÍTULO III
REBELDIA PSICOLÓGICA

Não está demais recordar a nossos leitores, que existe um ponto matemático dentro de nos mesmos...
Inquestionavelmente tal ponto, jamais se encontra no passado, nem tampouco no futuro...
Quem quiser descobrir este ponto misterioso, deve busca-lo aqui e agora, dentro de si mesmo, exatamente neste instante, nem um segundo depois, nem um segundo atrás...
Os dois paus, o Vertical e Horizontal da Santa Cruz, se encontram neste ponto...
Encontramo-nos pois de instante em instante ante dois caminhos: o Horizontal e o Vertical... É ostensível que no Horizontal é muito comum, por ele anda “Vicente e toda a gente”, Villegas e todo que chega”, “Senhor Raimundo e todo mundo”...
É evidente que na Vertical é diferente; é o caminho dos rebeldes inteligentes, o dos Revolucionários...
Quando alguém se recorda de si mesmo, quando trabalha sobre si mesmo, quando não se identifica com todos os problemas e penas da vida, de fato vai pela Senda Vertical...
Certamente jamais resulta tarefa fácil eliminar as emoções negativas; perder toda identificação com nosso próprio trem da vida; problemas de toda índole, negócios, dívidas, pagamento de letras, hipotecas, telefone, água, luz, etc., etc., etc.
Os desocupados, aqueles que por tal ou qual motivo perderam o emprego, o trabalho, evidentemente sofrem por falta de dinheiro e esquecer de seu caso, não preocupar-se nem
identificar-se com seu próprio problema, resulta espantosamente difícil.
Aqueles que sofrem, aqueles que choram, aqueles eu foram vítimas de alguma traição, de uma de um mal pago na vida, de uma Ingratidão, de uma calúnia ou de alguma fraude,
realmente se esquecem de si mesmos, de seu Real Íntimo, se identificam completamente com sua tragédia moral...
O trabalho sobre si mesmo, é a característica fundamental do Caminho Vertical. Ninguém poderia trilhar a Senda da Grande Rebeldia, sem jamais trabalhar sobre si mesmo...
O trabalho que estamos nos referindo é de tipo Psicológico; se ocupa de certa transformação do momento presente em que nos encontramos. Precisamos aprender a viver de instante a
instante...
Por exemplo, uma pessoa se encontra desesperada por algum problema sentimental, econômico ou político, obviamente se esqueceu de si mesma...
Se tal pessoa, se detém um instante, se pensa em tudo o que ocorre; que a vida é ilusória, fulgaz, e que a morte reduz a cinzas todas as vaidades do mundo...
Se compreende que seu problema no fundo não é mais que um “fogo de palha”, um fogo fátuo que logo se apaga, logo verá com surpresa que tudo mudou...
Transformar reações mecânicas é possível mediante a confrontação lógica e Auto-Reflexão Íntima do Ser...
É evidente que as pessoas reagem mecanicamente ante as diversas circunstâncias da vida...
Pobres pessoas! Costumam sempre converter-se em vítimas. Quando alguém lhes adula, sorriem; quando lhes humilham, sofrem. Insultam se insultadas; ferem se lhe ferem; nunca são livres; seus semelhantes tem poder para levar-lhes da alegria à tristeza, da esperança ao desespero.
Cada pessoa dessas que vão pelo Caminho Horizontal, se parece à um instrumento musical, onde cada um de seus semelhantes, toca o que deseja...
Quem aprende a transformar as reações mecânicas, de fato se mete pelo “Caminho Vertical”. Isto representa uma mudança fundamental no “Nível de Ser”, resultado extraordinário da “Rebeldia Psicológica”.

Capítulo IV
A Essência
O que faz belo e adorável a toda criança recém nascida, é sua essência; esta constitui em si mesma sua verdadeira realidade...
O normal do crescimento da Essência em toda criatura, certamente é muito residual, incipiente...
O corpo humano cresce e se desenvolve de acordo com as leis biológicas da espécie, sem dúvida tais possibilidades resultam por si mesmas, muito limitadas para a Essência...
Inquestionavelmente a Essência só pode crescer por si mesma, sem ajuda, em um pequeníssimo grau.
Falando francamente e sem rodeios diremos que o crescimento espontâneo e natural da Essência, só é possível durante os primeiros três, quatro e cinco anos de idade, quer dizer, na primeira etapa da vida...
As pessoas pensam que o crescimento e desenvolvimento da Essência se realiza sempre de forma contínua, de acordo com a mecânica da evolução, mais o Gnosticismo Universal ensina claramente que isto não ocorre assim...
Com o objetivo de que a Essência cresça mais, algo muito especial deve ocorrer, algo novo há que realizar.
Quero me referir de forma enfática ao trabalho sobre si mesmo. O desenvolvimento da Essência unicamente é possível a base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários...
É necessário compreender que estes trabalhos que não se referem a questões de profissão, bancos, carpintaria, serralharia, ajuste de linhas férreas ou assuntos de oficina...
Este trabalho é para toda pessoa que desenvolveu a personalidade; se trata de algo Psicológico...
Todos nós sabemos que temos dentro de nós mesmos, isto que se chama Ego, Eu, Mim Mesmo, Si Mesmo...
Desgraçadamente a Essência se encontra aprisionada, enfrascada, entre o EGO e isto é lamentável.
Dissolver o EU Psicológico, desintegrar seus elementos indesejáveis, é urgente, inadiável, impostergável... assim é o sentido do trabalho sobre si mesmo.
Nunca poderíamos libertar a Essência sem desintegrar previamente o EU Psicológico...
Na Essência está a Religião, o Buda, a Sabedoria, as partículas de dor de nosso Pai que está nos Céus e todos os dados que necessitamos para a AUTO-REALIZAÇÃO INTIMA DO SER.
Ninguém poderia aniquilar o EU Psicológico, sem eliminar previamente os elementos inumanos que levamos dentro...
Necessitamos reduzir a cinzas a crueldade monstruosa destes tempos: a inveja que desgraçadamente veio a converter-se na mola secreta da ação; a cobiça insuportável que tornou a vida tão amarga; a asquerosa maledicência; a calúnia que tantas tragédias origina; a embriagues; a imunda luxúria que age tão feio; etc., etc., etc.
A medida que todas estas abominações vão sendo reduzidas a poeira cósmica, a Essência além de emancipar-se, crescerá e se desenvolverá harmoniosamente...
Inquestionavelmente quando o Eu Psicológico for morto, resplandece em nós a essência...
A Essência livre nos confere beleza íntima; de tal beleza emanam a felicidade perfeita e o verdadeiro Amor...
A Essência possui múltiplos sentidos de perfeição e extraordinários poderes naturais...
Quando “Morremos em Nós mesmos”, quando dissolvemos o Eu Psicológico, gozamos dos preciosos sentidos e poderes da Essência...


CAPÍTULO V
ACUSAR-SE A SÍ MESMO
A Essência que cada um de nós leva em seu Interior, vem de cima, do Céu, das estrelas...
Inquestionavelmente a maravilhosa Essência, provém da nota “LA” ( A Via Láctea, a Galáxia em que vivemos).
Preciosa, a Essência passa através da nota “SOL” (o Sol) e logo da nota “FÁ” (A Zona Planetária) entra neste mundo e penetra em nosso próprio interior.
Nossos pais criaram o corpo apropriado para a recepção desta Essência que vem das Estrelas...
Trabalhando intensamente sobre nós mesmos e sacrificando-nos por nossos semelhantes, reingressamos vitoriosos ao seio profundo de Urânia...
Nós estamos vivendo neste mundo por algum motivo, par algo, por algum fator especial...
Obviamente em nós há muito que devemos ver, estudar e compreender, se é que em realidade anelamos saber algo sobre nós mesmos, sobre nossa própria vida...
Trágica é a existência daquele que morre sem haver conhecido o motivo de sua vida...
Cada um de nós deve descobrir por si mesmo o sentido de sua própria vida, aquele que o mantém prisioneiro no cárcere da dor...
Ostensivamente há em cada um de nós algo que nos amarga a vida, e contra o qual necessitamos lutar firmemente...
Não é indispensável que continuemos na desgraça, é impostergável reduzir a poeira cósmica isto que nos faz tão débeis e infelizes.
De nada serve engrandecer-nos com títulos, honras, diplomas, dinheiro, vão racionalismo subjetivo, costumeiras virtudes, etc., etc., etc.
Não devemos esquecer jamais que a hipocrisia e as tontas vaidades da falsa personalidade, fazem de nós pessoas torpes, rancores, retardatários, reacionários, incapazes para ver o
novo...
A morte tem muitos significados tanto positivos como negativos. Consideramos aquela magnífica observação do “Grande KABIR, Jesus o Cristo”: “Que os mortos sepultem seus
mortos”.
Muitas pessoas ainda que vivam estão de fato mortas para todo possível trabalho sobre si mesmas, e por fim para qualquer transformação íntima.
São pessoas presas entre seus dogmas e crenças; pessoas petrificadas nas recordações de muitos passados; indivíduos cheios de prejuízos ancestrais; pessoas escravas do que dirão, espantosamente mornas, indiferentes, as vezes “sabichonas” convencidas de estarem com a verdade, porque assim lhe disseram, etc., etc., etc.
Não querem estas pessoas entender que este mundo é um “Ginásio Psicológico” mediante o qual seria possível aniquilar esta fealdade secreta que todos levamos dentro...
Se essas pobres pessoas compreendessem o estado tão lamentável que se encontram, tremeriam de horror...
No entanto, tais pessoas pensam sempre de si mesmas o melhor; se jactam de suas virtudes, se sentem perfeitas, bondosas, nobres serviçais, caritativas, inteligentes, cumpridoras de seus deveres, etc.
A vida prática como escola é formidável, porem toma-la como um fim, em si mesma, é manifestamente um absurdo.
Quem toma a vida em si mesma, tal como se vive diariamente, não compreenderam a necessidade de trabalhar sobre si mesmos para lograr uma “Transformação Radical”.
Desgraçadamente as pessoas vivem mecanicamente, nunca ouviram falar algo sobre o trabalho interior...
Mudar é necessário, porém as pessoas não sabem como mudar; sofrem muito e nem sequer sabem porque sofrem...
Ter dinheiro não é tudo. A vida de muitas pessoas ricas soam ser verdadeiramente trágica...


CAPÍTULO VI
A VIDA

No terreno da vida prática descobrimos sempre contrastes que assombram. Pessoas ricas, com magnífica residência e muitas amizades, as vezes sofrem espantosamente...
Humildes proletários de pá e picareta ou pessoas de classe média, parecem viver, as vezes, em completa felicidade.
Muitos arqui-milionários sofrem de impotência sexual e ricas madames choram amargamente a infidelidade do marido...
Os ricos da terra parecem abutres entre jaulas de ouro, por estes tempos não podem viver sem “guarda-cosas”...
Os homens de estado arrastam correntes, nunca estão livres, andam por onde quer que seja, rodeados de gente armada até os dentes...
Estudemos esta situação mais detidamente. Necessitamos saber o que é a vida. Cada qual é livre para opinar como queira...
Digam o que digam certamente ninguém sabe nada, a vida resulta um problema que ninguém entende...
Quando as pessoas desejam contar-nos gratuitamente a história de sua vida, citam acontecimentos, nomes e apelidos, datas, etc., e sentem satisfação de fazer seus relatos... Essas pobres pessoas ignoram que seus relatos estão incompletos, porque eventos, nomes e datas, são tão só o aspecto externo do filme, falta o aspecto interno...
É urgente conhecer “estados de consciência”, a cada evento lhe corresponde tal ou qual estado anímico.
Os estados são interiores e os eventos são exteriores, os acontecimentos externos não são tudo...
Entenda-se por estados interiores as boas ou más disposições das preocupações, da depressão, a superstição, o temor, a suspeita, a misericórdia, a autoconsideração, a sobre-estimação de si mesmo; estados de sentir-se feliz, estados de gozo, etc., etc., etc.
Inquestionavelmente os estados interiores podem corresponder-se exatamente com os acontecimentos exteriores ou ser originados por estes, ou não ter relação alguma com os
mesmos...
Em todo caso estados e eventos são diferentes. Nem sempre os sucessos se correspondem exatamente com os estados afins.
O estado interior de um evento agradável poderia não se corresponder com o mesmo.
O estado interior de um evento desagradável poderia não se corresponder com o mesmo.
Acontecimentos aguardados durante muito tempo, quando vieram sentimos que faltava algo... Certamente faltava o correspondente estado Interior que devia combinar-se com o acontecimento exterior...
Muitas vezes o acontecimento que não se esperava, veio a ser o que melhores momentos nos proporcionou...

CAPÍTULO VII
O ESTADO INTERIOR

Combinar estados interiores com acontecimentos exteriores de forma correta, é saber viver inteligentemente...
Qualquer evento inteligentemente vivenciado exige seu correspondente estado interior específico...
Porém, desafortunadamente as pessoas quando revisam sua vida, pensam que esta em si mesma está constituída exclusivamente por eventos exteriores...
Pobres pessoas! Pensam que se tal ou qual acontecimento não lhes houvesse sucedido, sua vida haveria sido melhor...
Supõe que a sorte saiu ao seu encontro e perderam a oportunidade de serem felizes...
Lamentam o perdido, choram o que desprezaram, gemem recordando os velhos tropeços e calamidades...
Não querem dar-se conta as pessoas que vegetar não é viver, e que a capacidade para existir conscientemente depende exclusivamente da qualidade dos estados interiores da Alma...
Não importa certamente quão formosos sejam os acontecimentos externos da vida, se não nos encontramos em tais momentos no estado interior apropriado, os melhores eventos podem parecer-nos monótonos, cansativos ou simplesmente aborrecedores...
Alguém aguarda com ansiedade a festa de bodas, é um grande acontecimento, mas poderia ocorrer que estivesse tão preocupado no momento preciso do evento, que realmente não
encontrasse nele nenhum deleite e que tudo aquilo tornar-se tão árido e frio como um protocolo...
A experiência há nos ensinado que nem todas as pessoas que assistem a um banquete ou a um baile, deleitam-se de verdade...
Nunca falta um aborrecido no melhor dos festejos e nas peças mais deliciosas, alegra uns e faz chorar a outros...
Muito raras são as pessoas que sabem combinar conscientemente o evento externo com o estado interno apropriado...
É lamentável que as pessoas não saibam viver conscientemente: choram quando deveriam rir e riem quando deveriam chorar...
Controle é diferente: O sábio pode estar alegre, mas nunca, Jamais, cheio de louco frenesi; Triste porém nunca desesperado e abatido... Sereno em meio a violência; abstêmio na orgia; casto entre a luxúria, etc.
As pessoas melancólicas e pessimistas pensam da vida o pior e francamente não desejam viver...
Todos os dias vemos pessoas que não somente não são felizes, senão que além disto, e o que é pior, fazem também amarga a vida dos demais...
Pessoas assim não mudariam nem vivendo diariamente de festa em festa; a enfermidade psicológica a levam em seu interior... tais pessoas possuem estados íntimos definitivamente
perversos...
Sem dúvida estes sujeitos se auto-qualificam como justos, santos, virtuosos, nobres, serviçais, mártires, etc., etc., etc.
São pessoas que se auto-consideram demasiado; pessoas que querem muito a si mesmas...
Indivíduos que se apiedam muito de si mesmos e sempre buscam escapatórias para iludir suas próprias responsabilidades...
Pessoas assim estão acostumados as emoções inferiores e é ostensível que por tal motivo criam diariamente elementos psíquicos inumanos.
Os eventos desgraçados, reveses de fortuna, miséria, dividas, problemas, etc., são exclusividade daquelas pessoas que não sabem viver...
Qualquer um pode formar uma rica cultura intelectual, mas são muito poucas pessoas que aprenderam a viver retamente...
Quando alguém quer separar os eventos exteriores dos estados interiores da consciência, demonstra sua incapacidade para existir dignamente.
Quem aprende a combinar conscientemente eventos exteriores e estados interiores, marcha pelo caminho do êxito...

CAPÍTULO VIII
ESTADOS EQUIVOCADOS
Inquestionavelmente na rigorosa observação do Mim Mesmo, resulta sempre impostergável e inadiável fazer uma completa diferenciação lógica em relação aos acontecimentos exteriores da vida prática e os estados íntimos da consciência.
Necessitamos com urgência saber aonde estamos situados em um dado momento, tanto em relação com o estado íntimo da consciência, como na natureza específica do acontecimento exterior que está ocorrendo.
A vida em si mesma é uma série de acontecimentos que se processam através do tempo e do espaço...
Alguém disse: “A vida é uma prisão de martírios que leva o homem enredado na Alma...”
Cada qual é muito livre para pensar como queira; eu creio que os efêmeros prazeres de um instante fulgaz, lhe sucedem sempre o desencanto e a amargura...
Cada acontecimento tem seu sabor característico especial e os estados interiores são assim mesmos de distinta classe; isto é incontrovertível, irrefutável...
Certamente o trabalho interior sobre si mesmo se refere em forma enfática aos diversos estados psicológicos da consciência...
Ninguém poderia negar que em nosso interior carregamos muitos erros e que existem estados equivocados...
Se de verdade queremos mudar realmente, precisamos com urgência máxima e inadiável, modificar radicalmente estes estados equivocados da consciência...
A modificação absoluta dos estados equivocados, origina transformações completas no terreno da vida prática...
Quando alguém trabalha seriamente sobre os estados equivocados, obviamente os eventos desagradáveis da vida, já não podem ferir-lhe tão facilmente...
Estamos dizendo algo que só é possível compreender vivenciando-o, sentindo realmente no terreno dos fatos...
Quem não trabalha sobre si mesmo é sempre vítima das circunstâncias; é como um misero lenho entre as águas tormentosas do oceano...
Os acontecimentos mudam incessantemente em suas múltiplas combinações; vem um atrás do outro em ondas; são influências...
Certamente existem bons e maus acontecimentos; alguns eventos serão melhores ou piores que outros...
Modificar certos eventos é possível; Alterar resultados, modificar situações, etc., está certamente dentro do número das possibilidades.
Porém existem situações, de fato, que em verdade não podem ser alteradas; neste ultimo caso deve ser aceito conscientemente, ainda que resultem muito perigosas e até dolorosas...
Inquestionavelmente a dor desaparece quando não nos identificamos com o problema que se apresentou...
Devemos considerar a vida como uma série sucessiva de estados interiores; uma história autêntica de nossa vida em particular está formada por todos estes estados...
Ao revisar a totalidade de nossa própria existência, podemos verificar pó nós mesmos em forma direta, que muitas situações desagradáveis foram possíveis graças a estados interiores
equivocados...
Alexandro Magno, ainda que sempre fora temperado por natureza, se entregou por orgulho aos excessos que lhe produziram a morte...
Francisco I morreu por causa de um sujo e abominável adultério, que muito bem recorda ainda a história...
Quando Marat foi assassinado por uma monja perversa, morria de soberba e inveja, acreditava ser mesmo absolutamente justo...
As damas do Parque dos Servos, inquestionavelmente acabaram totalmente com a vitalidade do espantoso fornicário chamado Luis XV.
Muitas são as pessoas que morrem por ambição, ira ou ciúmes, isto o sabem muito bem os Psicólogos...
Enquanto nossa vontade se confirma irrevogavelmente em uma tendência absurda, nos convertemos em candidatos para o panteão ou cemitério...
Otelo, devido ao ciúmes, se converteu em assassino e o cárcere está cheio de equivocados sinceros...

CAPÍTULO IX
ACONTECIMENTOS PESSOAIS
Plena auto-observação intima do Mim Mesmo, resulta indispensável, quando se trata de descobrir estados psicológicos equivocados.
Inquestionavelmente os estados interiores equivocados podem ser corrigidos mediante procedimentos corretos.
Como a vida interior é o imã que atrai os eventos exteriores, precisamos com urgência máxima inadiável, eliminar de nossa psique os estados psicológicos errôneos.
Corrigir estados psicológicos equivocados é indispensável quando se quer alterar fundamentalmente a natureza de certos eventos indesejáveis.
Alterar nossa relação com determinados eventos é possível, se eliminamos de nosso interior certos estados psicológicos absurdos.
Situações exteriores destrutivas poderiam converter-se em inofensivas e até construtivas mediante a inteligente correção dos estados interiores errôneos.
Alguém pode mudar a natureza dos eventos desagradáveis que nos ocorrem, quando se purifica intimamente. Quem jamais corrige os estados psicológicos absurdos, crendo-se muito forte, se converte em vitima das circunstâncias.
Colocar ordem em nossa desordenada casa interior é vital, quando se deseja mudar o curso de uma desgraçada existência.
As pessoas se queixam de tudo, sofrem, choram, protestam, gostariam de mudar de vida, sair do infortúnio em que se encontram, desafortunadamente não trabalham sobre si mesmas.
Não querem se dar conta as pessoas que a vida interior atrai circunstâncias exteriores e que se estas são dolorosas, se deve aos estados interiores absurdos.
O estado exterior é tão somente o reflexo do estado interior, quem muda interiormente origina uma nova ordem das coisas.
Os eventos exteriores jamais seriam tão importantes, como o modo de reagir ante os mesmos. Permaneceis sereno ante o insultador? Recebeste com agrado as manifestações desagradáveis de seus semelhantes?
De que maneira reagiste ante a infidelidade do ser amado? Te deixaste levar pelo veneno dos ciúmes? Mataste? Estas no cárcere?
Os hospitais, os cemitérios, os panteões, as prisões, estão cheios de sinceros equivocados que reagiram de forma absurda ante os eventos exteriores.
A melhor arma que um homem pode usar na vida, é um estado Psicológico correto.
Alguém pode desarmar feras e desmascarar traidores, mediante os estados interiores apropriados.
Os estados interiores equivocados nos convertem em vítimas indefesas da perversidade humana.
Aprendei a enfrentar os eventos mais desagradáveis da vida prática com uma atitude interior apropriada...
Não se identifique com nenhum acontecimento; recordai que tudo passa; aprendei a ver a vida como um filme e recebereis os benefícios...
Não esqueça que acontecimentos sem nenhum valor poderiam levar-lhes a desgraça, se não elimina de vossa Psique os estados interiores equivocados.
Cada evento exterior precisa inquestionavelmente, do bilhete apropriado; quer dizer, o estado Psicológico preciso.
CAPÍTULO X
OS DIFERENTES EUS
O Mamífero Racional equivocadamente chamado homem, realmente não possui uma individualidade definida.
Inquestionavelmente esta falta de unidade Psicológica no Humanóide, é a causa de tantas dificuldades e amarguras.
O corpo físico é uma unidade completa e trabalha todo como um organismo, a não ser se estiver enfermo.
No entanto, a vida interior do Humanóide, de modo algum é a unidade psicológica.
O mais grave de tudo isto, a respeito do que digam as diversas escolas de tipo Pseudo- Esotérico e Pseudo-Ocultista, é a ausência de organização Psicológica no fundo íntimo de cada
pessoa.
Certamente em tais condições, não existe trabalho harmonioso como um todo, na vida interir das pessoas.
O Humanóide, a respeito de seu estado interior, é uma multiplicidade psicológica, uma soma de “Eus”.
Os ignorantes ilustrados desta época tenebrosa, lhe rendem culto ao “EU”, o endeusam, o põe nos altares, o chamam de “Alter Ego”, “Eu Superior”, “Eu Divino”, etc., etc., etc.
Não querem dar-se conta os “Sabichões” de que esta idade negra em que vivemos, que “Eu Superior” ou Eu Inferior”, são duas seções de um mesmo Ego pluralizado...
O Humanóide não tem certamente um “EU Permanente”, senão uma multiplicidade de diferentes “Eus” Infra-humanos e absurdos.
O pobre animal intelectual equivocadamente chamado homem, é semelhante a uma casa em desordem aonde em vez de um amo, existem muitos criados que querem sempre mandar e fazer o que desejam...
O maior erro do Pseudo-Esoterismo e Pseudo-Ocultismo barato, é supor que os outros possuem ou que tem um “Eu Permanente e Imutável” sem principio e sem fim..
Se estes que assim pensam despertassem a consciência, ainda que fosse por um instante, poderiam vivenciar claramente por si mesmos, que o Humanóide racional nunca é o mesmo por muito tempo...
O Mamífero intelectual desde o ponto de vista psicológico, está mudando continuamente...
Pensar se uma pessoa se chama Luis seja sempre Luis, resulta algo assim como uma brincadeira de muito mal gosto...
Este sujeito a quem chamam de Luis, tem em si mesmo outros “Eus”, outros egos, que se expressam através de sua personalidade em diferentes momentos e ainda que Luis não goste de cobiça, outro “Eu” nele, chamemos de Pepe, gosta da cobiça e assim sucessivamente...
Nenhuma pessoa é a mesma de forma contínua, realmente não se precisa ser muito sábio para dar-se conta cabal das inumeráveis mudanças e contradições de cada pessoa...
Supor que alguém possui um “Eu Permanente e Imutável” equivale desde logo a um absurdo para com o próximo e para consigo mesmo...
Dentro de cada pessoa vivem muitas pessoas, muitos “Eus”, isto o pode verificar por si mesmo e de forma direta, qualquer pessoa desperta, consciente...

CAPÍTULO XI
O QUERIDO EGO

Sendo que superior e inferior são duas seções de uma mesma coisa, não está demais afirmar o seguinte: “EU SUPERIOR, EU INFERIOR” são dois aspectos do mesmo EGO tenebroso e pluralizado.
O denominado “Eu Divino” ou “Eu Superior”, “Alter Ego” ou algo no estilo, é certamente uma evasiva do “mim Mesmo”, uma forma de Auto-Engano.
Quando o EU quer continuar aqui e no mais além, se Auto-Engana com o falso conceito de um EU Divino, Imortal...
Nenhum de nós tem em verdade uma verdadeira e autêntica Unidade de Ser;
desafortunadamente nem sequer possuímos uma legítima individualidade.
O Ego ainda que continue mais além do sepulcro, tem sem dúvida um principio e um fim.
O Ego, o EU, nunca é algo individual, unitário, uni-total. Obviamente o EU são “Eus”.
No Tibet Oriental aos “EUS” se denominavam “Agregados Psíquicos” ou simplesmente “Valores” sejam estes últimos positivos ou negativos.
Se pensamos em cada “Eu” como uma pessoa diferente, podemos asseverar em forma enfática o seguinte: “Dentro de cada pessoa que vive no mundo, existem muitas pessoas”.
Inquestionavelmente dentro de cada um de nós vivem muitas pessoas diferentes, algumas melhores, outras piores...
Cada um destes Eus, cada uma destas pessoas luta pela supremacia, quer ser exclusiva, controla o cérebro intelectual ou os centros emocional e motor, cada vez que pode outro o substitui...
A Doutrina dos muitos Eus foi ensinada no Tibet Oriental pelos verdadeiros Clarividentes, por autênticos Iluminados...
Cada um de nossos defeitos psicológicos está personificado em tal ou qual Eu. Como quer que temos milhares e até milhões de defeitos, ostensivamente, vive muita gente em nosso
interior.
Em questões psicológicas pudemos evidenciar claramente que os sujeitos paranóicos, ególatras e mitômanos, por nada na vida abandonariam o culto ao querido Ego.
Inquestionavelmente tais pessoas odeiam mortalmente a doutrina dos muitos “Eus”.
Quando alguém de verdade quer conhecer a si mesmo, deve auto-observar-se e tratar de conhecer os diferentes “Eus” que estão metidos dentro da personalidade.
Se algum de nossos leitores não compreende no entanto a doutrina dos muitos “Eus”, deve-se exclusivamente a falta de prática na matéria de Auto-Observação.
A medida que cada um pratica a Auto-Observação Interior, vai descobrindo por si mesmo, muitas pessoas, muitos “Eus”, que vivem dentro de nossa própria personalidade.
Quem nega a doutrina dos muitos Eus, quem adora a um Eu Divino, indubitavelmente jamais se Auto-Observou seriamente.
Falando desta vez em estilo Socrático, diremos que estas pessoas não só ignoram, senão que ignoram que ignoram.
Certamente jamais poderíamos conhecer a nós mesmos, sem a auto-observação séria e profunda.
Entretanto um sujeito qualquer que siga considerando-se como Um, é claro que qualquer mudança interior será algo mais que impossível.

CAPÍTULO XII
A MUDANÇA RADICAL

Enquanto um homem prossiga com o erro de crer-se a si mesmo como Um, Único, Individual, é evidente que a mudança radical será algo mais que impossível.
O fato de que o trabalho esotérico comece com a rigorosa observação de si mesmo, nos está indicando uma multiplicidade de fatores Psicológicos, Eus ou elementos indesejáveis que é urgente extirpar, erradicar de nosso interior.
Inquestionavelmente de modo algum seria possível eliminar erros desconhecidos, urge observar previamente aquilo que queremos separar de nossa Psique.
Este tipo de trabalho não é externo senão que interno e quem pense que qualquer manual de urbanidade ou sistema ético externo e superficial lhes poda levar ao êxito, estarão de fato, totalmente equivocados.
O fato concreto e definitivo de que o trabalho intimo comece com a atenção concentrada na observação plena de si mesmo, é motivo mais que suficiente como para demonstrar que isto exige um esforço pessoal muito particular de cada um de nós.
Falando francamente e sem embargos, asseveramos de forma enfática o seguinte: Nenhum ser humano poderia fazer este trabalho por nós.
Não é possível mudança alguma em nossa Psique, sem a observação direta de todo este conjunto de fatores subjetivos que levamos dentro.
Dar por aceita a multiplicidade de erros, descartando a necessidade de estudo e observação direta dos mesmos, significa de fato uma evasiva escapatória, uma fuga de si mesmo, uma forma de auto-engano.
Somente através do esforço rigoroso da observação judiciosa de si mesmo, sem escapatórias de nenhuma espécie, poderemos evidenciar realmente que não somos “Um”, senão “Muitos”.
Admitir a pluralidade do EU e evidenciá-la através da observação rigorosa, são dois aspectos diferentes.
Alguém pode aceitar a Doutrina dos muitos Eus sem haver jamais evidenciado, este ultimo só é possível auto-observando-se cuidadosamente.
Evitar o trabalho de observação íntima, buscar evasivas, é sinal inconfundível de degeneração.
Enquanto o homem sustente a ilusão de que é sempre uma mesma pessoa, não pode mudar, é obvio que a finalidade deste trabalho é precisamente lograr uma mudança gradual em nossa
vida interior.
A transformação radical é uma possibilidade definida que normalmente se perde quando não se trabalha sobre si mesmo.
O ponto inicial da mudança radical permanece oculta enquanto o homem continue crendo-se um.
Quem rechaça a Doutrina dos muitos Eus, demonstram claramente que jamais se autoobservaram seriamente.
A severa observação de si mesmo, sem escapatórias de nenhuma espécie, nos permite verificar por nós mesmos o cru realismo de que não somos “Um” senão “Muitos”.
No mundo das opiniões subjetivas, diversas teorias pseudo esotéricas ou pseudo-ocultistas, servem sempre de saída para fugir de si mesmos...
Inquestionavelmente a ilusão de que se é sempre uma e a mesma pessoa, serve de obstáculo para a auto-observação...
Alguém poderia dizer: “Sei que não sou Um senão Muitos, a Gnosis me ensinou”. Tal afirmação ainda que fosse muito sincera, se não existisse plena experiência vivida sobre esse aspecto doutrinário, obviamente tal afirmação seria algo meramente externo e superficial.
Evidenciar, experimentar e compreender é o fundamental, só assim é possível trabalhar conscientemente para conquistar uma mudança radical.
Afirmar é uma coisa e compreender é outra. Quando alguém diz: “Compreendo que não sou Um, senão Muitos”, se sua compreensão é verdadeira e não mero palavreado insubstancial de
conversa ambígua, isto indica, assinala, plena verificação da Doutrina dos Muitos Eus.
Conhecimento e Compreensão são diferentes. O primeiro destes é da mente, o segundo do coração.
O mero conhecimento da Doutrina dos Muitos Eus de nada serve; desafortunadamente por estes tempos em que vivemos, o conhecimento foi muito além da compreensão, porque o
pobre animal equivocadamente chamado homem, desenvolveu exclusivamente o lado do conhecimento, esquecendo lamentavelmente o correspondente lado do Ser.
Conhecer a Doutrina dos Muitos Eus e compreende-la, é fundamental para toda mudança radical verdadeira.
Quando um homem começa a observar detidamente a si mesmo, desde o ângulo que não é Um senão Muitos, obviamente iniciou o trabalho sério sobre sua natureza inferior.

CAPÍTULO XIII
OBSERVADOR E OBSERVADO
É muito claro e não resulta difícil compreender, que quando alguém começa a observar a si mesmo seriamente, desde o ponto de vista que não é um, senão Muitos, começa realmente a trabalhar sobre tudo isto que carrega dentro.
São obstáculos, tropeços, para o caminho da Auto-observação Íntima, os seguintes defeitos psicológicos: Mitomania (Delírio de Grandeza, crer-se um Deus), Egolatria (Crença de um Eu Permanente; adoração de qualquer espécie de Alter-Ego), Paranóia (Acreditar que sabe tudo, Auto-suficiência, presunção, crer-se infalível, orgulho místico, pessoa que não sabe ver o ponto de vista alheio).
Quando se continua com a convicção absurda que se é Um, que se possui um Eu permanente, resulta algo mais que impossível o trabalho sério sobre si mesmo.
Quem sempre se crê Um, nunca é capaz de separar-se de seus próprios elementos indesejáveis. Considerará a cada pensamento, sentimento, desejo, emoção, paixão, afeto,
etc., etc., etc., como funcionalismo diferentes, imodificáveis, de sua própria natureza e até se justificará ante os demais dizendo que tais ou quais defeitos pessoais, são de caráter hereditário...
Quem aceita a Doutrina dos Muitos Eus, compreende a base de observação que cada desejo, pensamento, ação, paixão, etc., corresponde a este outro Eu distinto, diferente...
Qualquer atleta da Auto-Observação íntima, trabalha muito seriamente dentro de si mesmo e se esforça por separar de sua Psique os diversos elementos indesejáveis que carrega dentro... Se alguém de verdade e muito sinceramente começa a observar-se internamente, resulta dividindo-se em dois: Observador e Observado.
Se tal divisão não se produzisse, é evidente que nunca daríamos um passo adiante na Via maravilhosa do Auto-Conhecimento.
Como poderíamos observar-nos a nós mesmos se cometemos o erro de não querer dividir-nos em Observador e Observado?
Se tal divisão não se produzisse, é óbvio que nunca daríamos um passo adiante no caminho do Auto-Conhecimento.
Indubitavelmente quando esta divisão não sucede, continuamos identificados com todos os processos do Eu Pluralizado...
Quem se identifica com os diversos processos do Eu Pluralizado, é sempre vitima das circunstâncias.
Como poderia modificar circunstâncias aquele que não conhece a si mesmo? Como poderia conhecer a si mesmo quem nunca se observou internamente? De que maneira poderia alguém auto-observar-se se não se divide previamente em Observador e Observado?
Agora bem, ninguém pode começar a mudar radicalmente enquanto não seja capaz de dizer: “Este desejo é um Eu animal que devo eliminar”; “este pensamento egoísta é outro Eu que me atormenta e que preciso desintegrar”; “este sentimento que fere meu coração, é um Eu intruso que necessito reduzir à poeira cósmica”; etc., etc., etc.
Naturalmente isto é impossível para quem nunca se dividiu entre Observador e Observado.
Quem toma todos seus processos Psicológicos como funcionalismos de um Eu Único, Individual e Permanente, se encontra tão identificado com todos seus erros, os tem tão unidos a si mesmo que perdeu por tal motivo a capacidade para separa-los da Psique.
Obviamente pessoas assim jamais podem mudar radicalmente, são pessoas condenadas ao mais rotundo fracasso.


CAPÍTULO XIV
PENSAMENTOS NEGATIVOS

Pensar profundamente e com plena atenção, resulta estranho por esta época involutiva e decadente.
Dentro do Centro Intelectual surgem diversos pensamentos provenientes, não de um Eu permanente como supõe de forma néscia os ignorantes ilustrados, senão que dos diferentes “Eus” em cada um de Nós.
Quando um homem está pensando, crê firmemente que ele em si mesmo e por si mesmo está pensando.
Não quer dar-se conta o pobre mamífero intelectual, que os múltiplos pensamentos que por seu entendimento passam, tem sua origem nos distintos “Eus” que levamos dentro.
Isto significa que não somos verdadeiros indivíduos pensantes; realmente ainda não temos mente individual.
Sem dúvida cada um dos diferentes “Eus” que carregamos dentro, usam nosso Centro Intelectual, o utilizam cada vez que podem para pensar.
Absurdo seria, nos identificarmos com tal ou qual pensamento negativo e prejudicial, crendoo propriedade particular.
Obviamente este ou aquele pensamento negativo provém de qualquer “Eu” que em um momento dado foi usado abusivamente nosso Centro Intelectual.
Pensamentos negativos existem de diversas espécies: Suspeita, desconfiança, má-vontade, para com outra pessoa, ciúmes passionais, ciúmes religiosos, ciúmes políticos, ciúmes por amizades ou de tipo familiar, cobiça, luxúria, vingança, ira, orgulho, inveja, ódio, ressentimento, furto, adultério, preguiça, gula, etc., etc., etc.
Realmente são tantos os defeitos psicológicos que temos, que ainda que tivéssemos paladar de aço e mil línguas para falar, não alcançaríamos enumera-los cabalmente.
Como seqüência ou corolário do que antes falei, resulta descabido nos identificarmos com os pensamentos negativos.
Como queira que não é possível que existe defeito sem causa, afirmamos solenemente que nunca poderia existir um pensamento por si mesmo, por geração espontânea...
A relação entre pensador e pensamento é ostensível; cada pensamento negativo tem sua origem em um pensador diferente.
Em cada um de nós existem tantos pensadores negativos, quanto pensamentos da mesma índole.
Vendo esta questão desde o ângulo pluralizado de “Pensadores e Pensamentos”, ocorre que cada um dos “Eus” que carregamos em nossa Psique, é certamente um pensador diferente.
Inquestionavelmente dentro de cada um de nós, existem demasiados pensadores; sem dúvida, cada um destes, apesar de ser tão só parte, crê-se o todo, em um dado momento...
Os mitômanos, os ególatras, os narcisistas, os paranóicos, nunca aceitaram a tese da “Pluralidade de Pensadores”, porque querem muito a si mesmos, se sentem “o pai do Tarzan” ou “a mamãe das criancinhas”...
Como poderiam tais pessoas anormais aceitar a idéia de que não possuem uma mente individual, genial, maravilhosa?...
Sem dúvida tais sabichões pensam de si mesmos o melhor e até se vestem com a túnica de Aristípo, para demonstrar sabedoria e humildade...
Conta a lenda dos séculos que Aristípo, querendo demonstrar sabedoria e humildade, se vestiu com uma velha túnica cheia de remendos e buracos; empunhou com a destra o Bastão da Filosofia e foi pelas ruas de Atenas...
Dizem que quando Sócrates lhe veio ver, exclamou com grande voz: “Oh Aristípo, se vê a tua vaidade através dos buracos de tua vestidura!”.
Quem não vive sempre em estado de Alerta Novidade, Alerta Percepção, pensando que está pensando, se identifica facilmente com qualquer pensamento negativo.
Como resultado disto, fortalece lamentavelmente o poder sinistro do “Eu Negativo”, autor do correspondente pensamento em questão.
Quando mais nos identificamos com um pensamento negativo, mais escravos seremos do correspondente “Eu” que o caracteriza.
Com respeito a Gnosis, o Caminho Secreto, o trabalho sobre si mesmo, nossas tentações particulares se encontram precisamente nos “Eus” que odeiam a Gnosis, o trabalho esotérico, porque não ignoram que sua existência dentro de nossa psique está mortalmente ameaçada pela Gnosis e pelo trabalho.
Estes “Eus Negativos” e brigões, apoderam-se facilmente de certos rolos mentais armazenados em nosso Centro Intelectual e originam seqüencialmente correntes mentais nocivas e prejudiciais.
Se aceitamos estes pensamentos, estes “Eus Negativos” que em um dado momento controlam nosso Centro Intelectual, seremos então incapazes de livrar-nos de seus resultados.
Jamais devemos esquecer que todo Eu Negativo, se Auto-Engana, e Engana, conclusão: Mente. Cada vez que sentimos uma súbita perda de força, quando o aspirante desilude da Gnosis, do trabalho esotérico, quando o aspirante perde o entusiasmo e abandona o melhor, é óbvio que foi enganado por algum Eu Negativo.
O “Eu Negativo do Adultério”, aniquila aos nobres lares e faz desgraçados aos filhos.
O “Eu Negativo do Ciúmes”, engana aos seres que se adoram e destrói a dita dos mesmos.
O “Eu Negativo do Orgulho Místico”, engana aos devotos do Caminho e estes, sentindo-se sábios, aborrecem a seu Mestre e o traem...
O Eu Negativo apela a nossas experiências pessoais, a nossas recordações, a nossos melhores anelos, a nossa sinceridade, e mediante rigorosa seleção disto tudo, apresenta uma falsa luz, algo que fascina e vem o fracasso...
Sem dúvida quando alguém descobre o “Eu” em ação, quando aprendeu a viver em estado de alerta, tal engano faz-se impossível...

CAPÍTULO XV
A INDIVIDUALIDADE
Crer-se “Um”, certamente é uma brincadeira de muito mal gosto; desafortunadamente esta vã ilusão existe dentro de cada um de nós.
Lamentavelmente sempre pensamos de nós mesmos o melhor, jamais nos ocorre compreender que nem sequer possuímos individualidade verdadeira.
O pior neste caso, é que nos damos ao falso luxo de supor que cada um de nós possui plena consciência e vontade própria.
Pobres de nós! Quão néscios somos! Não há duvida que a ignorância é a pior das desgraças.
Dentro de cada um de nós, existem muitos milhões de indivíduos diferentes, sujeitos distintos, Eus ou pessoas que brigam entre si, que lutam pela supremacia e que não tem ordem nem concordância nenhuma.
Se fôramos conscientes, se despertássemos de tantos sonos e fantasias, quão distinta seria a vida...
Mas para o cúmulo de nosso infortúnio, as emoções negativas, as auto-considerações e o amor próprio, nos fascinam, nos hipnotizam, jamais nos permitem recordar-nos de nós mesmos, vermos tal qual somos...
Cremos ter uma só vontade quando em realidade possuímos muitas vontades diferentes (Cada Eu tem a sua).
A trágica-comédia de toda esta multiplicidade Interior resulta pavorosa; as diferentes vontades interiores chocam-se entre si, vivem em conflito contínuo, atuam em diferentes direções.
Se tivéssemos verdadeira individualidade, se possuíssemos uma Unidade em vez de uma Multiplicidade, teríamos também continuidade de propósitos, consciência desperta, vontade particular, individual.
Mudar é o indicado, sem dúvida devemos começar por ser sinceros com nós mesmos.
Precisamos fazer um inventário psicológico de nós mesmos, para conhecer o que nos sobra e o que nos falta.
É possível conseguir Individualidade, mas se cremos ter-la, tal possibilidade desaparecerá.
É evidente que jamais lutaríamos por conseguir algo que cremos ter. A fantasia nos faz crer que somos possuidores da Individualidade e até existem no mundo escolas que assim o ensinam.
É urgente lutar contra a fantasia, esta nos faz aparecer como se fossemos isto ou aquilo, quando em realidade somos miseráveis, desavergonhados e perversos.
Pensamos que somos homens, quando em verdade somo tão somente mamíferos intelectuais desprovidos de Individualidade.
Os mitômanos se crêem Deuses, Mahatmas, etc., sem suspeitar que nem sequer tem mente individual e Vontade Consciente.
Os ególatras adoram tanto a seu querido Ego, que nunca aceitariam a idéia da Multiplicidade de Egos dentro de nós mesmos.
Os paranóicos com todo o orgulho clássico que os caracteriza, nem sequer lerão este livro...
É indispensável lutar até a morte contra a fantasia sobre nós mesmos, se é que não queremos sermos vitimas de emoções artificiais e experiências falsas que além de colocar-nos em situações ridículas, detém toda possibilidade de desenvolvimento interior.
O animal intelectual está tão hipnotizado por sua fantasia que sonha que é leão ou águia, quando em verdade não é mais que um vil gusano do lodo da terra.
O mitômano jamais aceitaria estas afirmações feitas nas linhas acima; obviamente ele se sente arquihierofante, digam o que digam; sem suspeitar que a fantasia é meramente nada, “nada senão fantasia”.
A fantasia é uma força real que atua universalmente sobre a humanidade e que mantém o Humanóide Intelectual em estado de sono, fazendo-lhe crer que já é um homem, que possui verdadeira Individualidade, vontade, consciência desperta, mente particular, etc., etc., etc. Quando pensamos que somos um, não podemos mover-nos de onde estamos em nós mesmos, permanecemos estancados e por ultimo degeneramos, involucionamos.
Cada um de nós se encontra em determinada etapa psicológica e não poderemos sair da mesma, a menos que descubramos diretamente a todas estas pessoas ou Eus que vivem dentro de nossa pessoa.
É claro que mediante a auto-observação íntima poderemos ver as pessoas que vivem em nossa psique, e que precisamos eliminar para lograr a transformação radical.
Esta percepção, esta auto-observação, muda fundamentalmente todos os conceitos equivocados que sobre nós mesmos teríamos, e como resultado evidenciamos o fato concreto de que não possuímos verdadeira Individualidade.
Enquanto não nos auto-observemos, viveremos na ilusão de que somos Um e como conseqüência nossa vida será equivocada.
Não é possível relacionarmos corretamente com nossos semelhantes enquanto não se realize uma mudança Interior no fundo de nossa psique.
Qualquer mudança íntima exige a eliminação prévia dos Eus que levamos dentro.
De nenhuma maneira poderíamos eliminar tais Eus se não nos observamos em nosso interior.
Aqueles que sentem-se Um, que pensam de si mesmos o melhor, que nunca aceitariam a doutrina dos muitos, tão pouco desejam observar aos Eus, por conseqüência qualquer possibilidade de mudança se faz neles impossível.
Não é possível mudar a si se não se elimina, mas se quem sente-se possuidor da Individualidade aceitasse que deve eliminar, ignoraria realmente o que deve eliminar.
No entanto não devemos nos esquecer que quem crê-se Um, auto-enganando, crê que sim sabe o que deve eliminar, mas em verdade nem sequer sabe que não sabe, é um ignorante
ilustrado.
Necessitamos “desegoistizar-nos” para “individualizar-nos”, mas quem crê que possui Individualidade é impossível que possa desegoistizar-se.
A Individualidade é sagrada em cem por cento, raros som os que a tem, mas todos pensam que a tem.
Como poderíamos eliminar “Eus”, se cremos que temos um “Eu” Único?
Certamente só quem jamais se Auto-observou seriamente pensa que tem um Eu Único.
No entanto devemos ser muito claros neste ensinamento, porque existe o perigo psicológico de confundir a Individualidade autêntica com o conceito de alguma espécie de “Eu Superior” ou algo no estilo.
A Individualidade Sagrada está muito mais além de qualquer forma de “Eu”, é o que é, o que sempre foi e o que sempre será.
A legitima individualidade é o Ser e a razão de Ser do Ser, é o mesmo Ser.
Distinga-se entre o Ser e o Eu. Quem confunde o Eu com o Ser, certamente nunca se autoobservou seriamente.
Enquanto continue a Essência, a consciência, presa entre este conjunto de Eus que levamos dentro, a mudança radical será algo mais que Impossível.

CAPÍTULO XVI
O LIVRO DA VIDA
Uma pessoa é o que é sua vida. Isto que continua mais além da morte, é a vida. Este é o significado do livro da vida que se abre com a morte.
Vendo esta questão desde o ponto de vista estritamente psicológico, um dia qualquer de nossa vida, é realmente uma pequena réplica da totalidade da vida.
De tudo isto podemos concluir o seguinte: Se um homem não trabalha sobre si mesmo hoje, não mudará nunca.
Quando se afirma que quer trabalhar sobre si mesmo, e não se trabalha hoje deixando para amanhã, tal afirmação será um simples projeto e nada mais, porque no hoje está a réplica de toda nossa vida.
Existe por aí um dito popular que diz: “Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”.
Se um homem diz: “Trabalharei sobre mim mesmo, amanhã”, nunca trabalhará sobre si mesmo, porque sempre haverá um amanhã.
Isto é muito similar a certo aviso, anuncio ou letreiro que alguns comerciantes põe em suas lojas: “Fiado só amanhã”.
Quando algum necessitado chega a solicitar crédito, encontra-se com este terrível aviso, volta no outro dia e encontra outra vez o desdito anuncio ou letreiro.
Isto é o que se chama em psicologia a “enfermidade do amanhã”. Enquanto um homem diga “amanhã”, nunca mudará.
Necessitamos com urgência máxima, indispensável, trabalhar sobre nós mesmos, hoje, não sonhar preguiçosamente em um futuro ou em uma oportunidade extraordinária.
Estes que dizem: “Vou primeiro fazer isto ou aquilo e logo trabalharei”, jamais trabalharão sobre si mesmos, estes são os moradores da terra mencionados nas Sagradas Escrituras.
Conheci um poderoso latifundiário que dizia: “Preciso primeiro aumentar minhas propriedades e logo trabalhar sobre Mim Mesmo”.
Quando adoeceu mortalmente, o visitei e lhe fiz a seguinte pergunta: “Ainda querei aumentar suas propriedades?”
“Lamento de verdade haver perdido tempo”, me respondeu. Dias depois morreu, depois de haver reconhecido seu erro.
Aquele homem tinha muitas terras, porém queria se apossar das propriedades vizinhas a fim que sua fazenda ficasse exatamente limitada por quatro caminhos.
“Basta a cada dia seu afã”, disse o Grande Kabir Jesus. Auto-observando-nos hoje mesmo, no que ocorreu no dia que passou, vemos uma miniatura de nossa vida inteira.
Quando um homem começa a trabalhar sobre si mesmo, hoje mesmo, quando observa deus desgostos e penas, marcha pelo caminho do êxito.
Não seria possível eliminar o que não conhecemos. Devemos observar antes nossos próprios erros.
Precisamos não só conhecer nosso dia, senão também a relação com o mesmo. Há certo dia ordinário que cada pessoa experimenta diretamente, exceto os acontecimentos insólitos,
inusitados.
Resulta interessante observar a recorrência diária, a repetição de palavras e acontecimentos, para cada pessoa, etc.
Esta repetição ou recorrência de eventos e palavras, merece ser estudada, nos conduz ao auto-conhecimento.


CAPÍTULO XVII
CRIATUTRAS MECÂNICAS
De nenhuma maneira poderíamos negar a Lei de Recorrência processando-se em cada momento de nossa vida.
Certamente em cada dia de nossa existência, existe repetição de eventos, estados de consciência, palavra, desejos, pensamentos, volições, etc.
É obvio que quando alguém não se auto-observa, não pode dar-se conta desta incessante repetição diária.
Resulta evidente que quem não sente interesse algum por observar-se a si mesmo, tampouco deseja trabalhar para lograr uma verdadeira transformação radical.
Para o cúmulo dos cúmulos, há pessoas que querem transformar-se sem trabalhar sobre si mesmos.
Não negamos o fato de que cada um tem direito à real felicidade de espírito, mas também é certo, que a felicidade seria algo mais que impossível se não trabalhamos sobre si mesmos.
Alguém pode mudar intimamente, quando de verdade consegue modificar suas relações ante os diversos fatos que lhe ocorrem diariamente.
Porém se continuamos assim como estamos, comportando-nos da mesma forma, todos os dias, repetindo os mesmos erros, com a mesma negligência de sempre, qualquer possibilidade de mudança ficará de fato eliminada.
Se alguém de verdade quer chegar a conhecer-se a si mesmo, deve começar por observar sua própria conduta, ante os eventos de qualquer dia da vida.
Não queremos dizer com isto que não deva alguém observar a si mesmo diariamente, somente queremos afirmar que deve começar por observar um primeiro dia.
Em tudo deve haver um começo, e começar por observar nossa conduta em qualquer dia de nossa vida, é um bom começo.
Observar nossas reações mecânicas ante todos estes pequenos detalhes do quarto, lar, sala de jantar, casa, rua, trabalho, etc., etc., etc., o que alguém diz, sente e pensa, certamente é o mais indicado.
O importante é ver logo como ou de que madeira se pode mudar estas relações; porém se cremos que somos boas pessoas, que nunca nos comportamos de forma inconsciente e equivocada, nunca mudaremos.
Antes de tudo necessitamos compreender que somos pessoas-máquinas, simples marionetes controladas por agentes secretos, por Eus ocultos.
Dentro de nossa pessoa vivem muitas pessoas, nunca somos idênticos; as vezes se manifesta em nós uma pessoa mesquinha, outras vezes uma pessoa irritável, em qualquer outro instante uma pessoa esplendida, benevolente, mais tarde uma pessoa escandalosa ou caluniadora, depois um santo, logo um embusteiro, etc.
Temos pessoas de toda classe dentro de cada um de nós, Eus de toda espécie. Nossa personalidade não é mais que uma marionete, um boneco falante, algo mecânico.
Comecemos por comportar-nos conscientemente durante uma pequena parte do dia; precisamos deixar de ser simples máquinas, ainda que seja durante breves minutos diários, isto influenciará decisivamente sobre nossa existência.
Quando nos Auto-Observamos e não fazemos o que tal ou qual Eu quer, é claro que começamos a deixar de ser máquinas.
Um só momento, em que se está bastante consciente, como para deixar de ser máquina, se é feito voluntariamente, pode modificar radicalmente muitas circunstâncias desagradáveis.
Desgraçadamente vivemos diariamente uma vida mecanicista, rotineira, absurda. Repetimos eventos, nossos hábitos são os mesmos, nunca quisemos modifica-los, são os trilhos por onde anda o trem de nossa miserável existência, porém pensamos de nós o melhor...
Por toda parte abundam os “Mitômanos”, os que se crêem Deuses; criaturas mecânicas, rotineiras, personagens do lodo da terra, míseros bonecos movidos por diversos Eus; pessoas assim não trabalharão sobre si mesmas...

CAPÍTULO XVIII
O PÃO SUPERSUBSTANCIAL
Se observamos cuidadosamente qualquer dia de nossa vida, veremos que certamente não sabemos viver conscientemente.
Nossa vida parece um trem em marcha, movendo-se entre os trilhos fixos dos hábitos mecânicos, rígidos, de uma existência vã e superficial.
O curioso do caso é que jamais nos ocorre modificar os hábitos, parece que não cansamos de estar repetindo sempre o mesmo.
Os hábitos nos tem petrificados, mas pensamos que somos livres; somos espantosamente feios porém nos cremos Apolos...
Somos pessoas mecânicas, motivo mais que suficiente para carecer de todo sentimento verdadeiro do que se está fazendo na vida.
Nos movemos diariamente dentro do velho trilho de nossos hábitos antiquados e absurdos, assim fica claro que não temos uma verdadeira vida; em vez de viver, vegetamos miseravelmente, e não recebemos novas impressões.
Se uma pessoa iniciasse seu dia conscientemente, é ostensível que tal dia seria muito distinto dos outros dias.
Quando alguém toma a totalidade de sua vida, como o dia que está vivendo, quando não deixa para amanhã o que se deve fazer hoje mesmo, chega realmente a conhecer o que significa trabalhar sobre si mesmo.
Jamais um dia carece de importância; se em verdade queremos transformar-nos radicalmente, devemos ver-nos observar-nos e compreendermos diariamente.
Sem dúvida, as pessoas não querem ver a si mesmas, alguns tendo ganas de trabalhar sobre si mesmo, justificam sua negligência com frases como a seguinte: “O trabalho no escritório não
me permite trabalhar sobre mim mesmo”. Palavras estas sem sentido, ocas, vãs, absurdas, que só servem para justificar a indolência, a preguiça, a falta de amor pela Grande Causa.
Pessoas assim, ainda que tenham muitas inquietudes espirituais, é óbvio que não mudariam nunca.
Observar a si mesmo é urgente, indispensável, inadiável. A Auto-Observação íntima é fundamental para a mudança verdadeira.
Qual é seu estado psicológico ao levantar-se? Qual é seu estado de ânimo durante o desjejum? Esteve impaciente com o empregado? Com a esposa? Porque esteve impaciente? O que é que sempre lhe transtorna?, etc.
Fumar ou comer menos não é toda a mudança, mas indica certo avanço. Bem sabemos que o vício e a gula são inumanos e bestiais.
Não está bem que alguém dedicado ao Caminho Secreto, tenha um corpo físico excessivamente gordo e com um ventre avolumado e fora de toda eurritmia de perfeição. Isto indicaria gula, e até preguiça.
A vida cotidiana, a profissão, o emprego, ainda que vitais para existência, constituem o sono da consciência.
Saber que a vida é sonho, não indica haver compreendido. A compreensão vem com a autoobservação e o trabalho intenso sobre si mesmo.
Para trabalhar sobre si, é indispensável trabalhar sobre sua vida diária, hoje mesmo, e então se compreenderá o que significa aquela frase da Oração do Senhor: “O Pão de cada dia, dá- nos hoje.
A expressão “Cada Dia”, significa o “Pão supersubstancial” em grego, ou “Pão do Alto”.
A Gnosis dá este Pão de Vida no duplo sentido de idéias e forças que nos permitem desintegrar erros psicológicos.
Cada vez que reduzimos a poeira cósmica tal ou qual Eu, ganhamos experiência psicológica, comemos o “Pão da Sabedoria”, recebemos um novo conhecimento.
A Gnosis nos oferece o “Pão supersubstancial”, o “Pão da Sabedoria”, e nos assinala com precisão a nova vida que começa em nós mesmos, dentro de nós mesmos, aqui e agora.
Agora bem, ninguém pode alterar sua vida ou mudar coisa alguma relacionada com as reações mecânicas da existência, a menos que conte com a ajuda de novas idéias e receba auxílio
Divinal.
A Gnosis dá essas novas idéias e ensina o “modus operandi”, mediante o qual alguém pode ser assistido por Forças Superiores à mente.
Necessitamos preparar os centros inferiores de nosso organismo para receber as idéias e força que vem dos centros Superiores.
No trabalho sobre nós mesmos não existe nada de depreciável. Qualquer pensamento por insignificante que seja, merece ser observado. Qualquer emoção negativa, reação, etc., deve ser observada.

CAPÍTULO XIX
O BOM DONO DE CASA
Separar-se dos efeitos desastrosos da vida, nestes tempos tenebrosos, certamente é muito difícil, porém indispensável, de outro modo seriamos devorados pela vida.
Qualquer trabalho que alguém faça sobre si mesmo com o propósito de lograr um desenvolvimento anímico e espiritual, se relaciona sempre com o isolamento muito bem entendido, pois baixo a influencia da vida tal como sempre vivemos, não é possível desenvolver outra coisa que a personalidade.
De modo algum intentamos nos opor ao desenvolvimento da personalidade, obviamente esta é necessária na existência, mas certamente é algo meramente artificial, não é o verdadeiro, o real em nós.
Se o pobre mamífero intelectual, equivocadamente chamado homem, não se isola, senão que se identifica com todos os sucessos da vida prática e dissipa suas forças em emoções negativas, em auto-considerações pessoais e em vão palavrório insubstancial de conversa ambígua, nada edificante, nenhum elemento real pode desenvolver-se nele, fora o que pertence ao mundo da mecanicidade.
Certamente quem queira chegar de verdade a lograr em si o desenvolvimento da Essência, deve chegar a estar hermeticamente fechado. Isto se refere com algo íntimo, estreitamente relacionado com o silêncio.
A frase vem dos antigos tempos, quando se ensinava secretamente uma Doutrina sobre o desenvolvimento interior do homem, vinculada com o nome de Hermes.
Se alguém quer algo real cresça em seu interior, é claro que deve evitar o escape de suas energias psíquicas.
Quando alguém tem escapes de energia e não está isolado em sua intimidade, é inquestionável que não poderá lograr o desenvolvimento de algo real em sua psique.
A vida ordinária comum e corrente quer devorar-nos implacavelmente; nós devemos lutar contra a vida diariamente, devemos aprender a nadar contra a correnteza...
Este trabalho vai contra a vida, se trata de algo muito distinto ao de todos os dias, e que sem dúvida devemos praticar de instante a instante; quero referir-me a Revolução da Consciência. É evidente que se nossa atitude para com a vida diária é equivocada; se acreditamos que tudo deve marchar bem, assim porque sim, virão os desenganos...
As pessoas querem que as coisas lhes saiam bem, “assim porque sim”, porque tudo deve marchar de acordo com seus planos, mas a crua realidade é diferente, enquanto alguém não mude interiormente, goste ou não goste ele, será sempre a vítima das circunstâncias.
Se diz e se escreve sobre a vida muita estupidez sentimental, mas este Tratado de Psicologia Revolucionária é diferente.
Esta Doutrina vai ao grão, aos fatos concretos, claros e definitivos; afirma enfaticamente que o “Animal Intelectual” equivocadamente chamado homem, é um bípede mecânico, inconsciente, adormecido.
“O Bom Dono de Casa” jamais aceitaria a Psicologia Revolucionária; cumpre com todos seus deveres como pai, esposo, etc., e por isto pensa de si mesmo o melhor, porém só serve aos fins da natureza e isto é tudo.
Por oposição dizemos que também existe “O Bom Dono de Casa” que nada contra a corrente, que não quer deixar-se devorar pela vida; porém estes sujeitos são muitos escassos no mundo, nunca são abundantes.
Quando alguém pensa de acordo com as idéias deste Tratado de Psicologia Revolucionária, obtém uma correta visão da vida.

CAPÍTULO XX
OS DOIS MUNDOS

Observar e observar-se são duas coisas completamente diferentes, sem dúvida ambas exigem atenção.
Na observação a atenção é orientada para fora, para o mundo exterior, através das janelas dos sentidos.
Na auto-observação de si mesmo, a atenção é orientada para dentro, e para isto os sentidos de percepção externa não servem, motivo este mais que suficiente para que seja difícil ao neófito a observação de seus processos psicológicos íntimos.
O ponto de partida da ciência oficial em seu ponto prático é o observável. O ponto de partida para o trabalho sobre si mesmo, é a auto-observação, o auto-observável.
Inquestionavelmente estes dois pontos de partida acima citados, nos levam a direções completamente diferentes.
Poderia alguém envelhecer enfrascado entre os dogmas transigentes da ciência oficial, estudando fenômenos externos, observando células, átomos, moléculas, sois, estrelas, cometas, etc., sem experimentar dentro de si mesmo nenhuma mudança radical.
A classe de conhecimento que transforma interiormente a alguém, jamais poderia lograr-se mediante a observação externa.
O verdadeiro conhecimento que realmente pode originar em nós uma mudança interior fundamental, tem por embasamento a auto-observação direta de si mesmo.
É urgente dizer a nossos estudantes Gnósticos que se observem a si mesmos, em que sentido devem auto-observar-se e as razões para isto.
A observação é um meio para modificar as condições mecânicas do mundo. A auto-observação Interior é um meio para mudar intimamente.
Como seqüência ou corolário disto tudo, podemos e devemos afirmar de forma enfática, que existem duas classes de conhecimento, o externo e o interno e que a menos que tenhamos em nós mesmos o centro magnético que possa diferencias as qualidades de conhecimento, esta mescla dos planos ou ordens de idéias, poderiam levar-nos à confusão.
Sublimes Doutrinas pseudo-esotéricas com marcado cientificismo ao fundo, pertencem ao terreno do observável, sem dúvida são aceitas por muitos aspirantes como conhecimento
interno.
Nos encontramos pois ante dois mundos, o exterior e o interior. O primeiro destes é percebido pelos sentidos de percepção externa; o segundo só pode ser perceptível mediante o sentido de auto-observação interna.
Pensamentos, idéias, emoções, anelos, esperanças, desenganos, etc., são interiores, invisíveis para os sentidos ordinários, comuns e correntes, e sem dúvida são para nós mais reais que a mesa da sala de jantar ou as poltronas da sala.
Certamente nós vivemos mais em nosso mundo interior que no exterior; isto é irrefutável, irrebatível.
Em nossos Mundos Internos, em nosso mundo secreto, amamos, desejamos, suspeitamos, bendizemos, maldizemos, anelamos, sofremos, gozamos, somos defraudados, premiados, etc., etc., etc.
Inquestionavelmente os dois mundos, interno e externo são verificáveis experimentalmente. O mundo exterior é o observável. O mundo interior é o auto-observável em si mesmo e dentro de si mesmo, aqui e agora.
Quem de verdade queira conhecer os “Mundos Internos” do planeta Terra, do Sistema Solar ou da Galáxia em que vivemos, deve conhecer previamente seu mundo íntimo, sua vida interior, particular, seus próprios “Mundos Internos”. “Homem, conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses”.
Quando mais se explore este “Mundo Interior” chamado “Si mesmo”, tanto mais compreenderá que vive simultaneamente em dois mundos, em duas realidades, em dois âmbitos, o exterior e o interior.
Do mesmo modo que a um lhe é indispensável aprender a caminhar no “mundo exterior”, para não cair em um precipício, não se perder nas ruas da cidade, selecionar suas amizades, não
associar-se com perversos, não comer veneno, etc., assim também mediante o trabalho psicológico sobre nós mesmos, aprendemos a caminhar no “Mundo Interior” o qual é explorável mediante a auto-observação de si.
Realmente o sentido da auto-observação de si mesmo se encontra atrofiado na raça humana decadente desta época tenebrosa em que vivemos.
A medida que nós perseveramos na auto-observação de nós mesmos, o sentido de autoobservação íntima irá se desenvolvendo progressivamente.

CAPÍTULO XXI
OBSERVAÇÃO DE SÍ MESMO
A Auto-Observação íntima de si mesmo é um meio prático para lograr uma transformação radical.
Conhecer e observar são diferentes. Muitos confundem a observação de si, com o conhecer. Se conhece que estamos sentados em uma cadeira na sala, mas isto não significa que estejamos observando a cadeira.
Conhecemos que em um instante dado nos encontramos em um estado negativa, talvez com algum problema ou preocupados por este ou aquele assunto, ou em estado de desassossego ou incerteza, etc., porém isto não significa que o estamos observando.
Sente você antipatia por alguém? Lhe cai mal certa pessoa? Porque? Vocês dirão que conhecem a esta pessoa... Por favor! Observe-a conhecer nunca é observar; não confunda o conhecer com o observar...
A observação de si é em cem por cento ativa, é um meio de mudança de si, enquanto o conhecer, que é passivo, não o é.
Certamente conhecer não é um ato de atenção. A atenção dirigida para dentro de si mesmo, até o que está acontecendo em nosso interior, sim é algo positivo, ativo...
No caso de uma pessoa a quem tem antipatia, assim porque sim, porque nos veio a gana e muitas vezes sem motivo algum, observe a multidão de pensamentos que se acumulam na mente, o grupo de vozes que falam e gritam desordenadamente dentro de si mesmo, o que estão dizendo, as emoções desagradáveis que surgem em nosso interior, o sabor desagradável de tudo que tudo isto deixa em nossa psique, etc., etc., etc.
Obviamente em tal estado nos damos conta também de que interiormente estamos tratando muito mal a pessoa a quem temos antipatia.
Mas para ver tudo isto, se necessita inquestionavelmente de uma atenção dirigida intencionalmente para dentro de si mesmo; não de uma atenção passiva.
A atenção dinâmica provém realmente do lado observante, enquanto os pensamentos e as observações permanecem ao lado observado.
Tudo isto nos faz compreender que conhecer é algo completamente passivo e mecânico, em contraste evidente com a observação de si que é um ato consciente.
Não queremos com isto dizer que não exista a observação mecânica de si, mas que tal tipo de observação nada tem que ver co ma auto-observação psicológica a que estamos nos referindo.
Pensar e observar resultam também muito diferentes. Qualquer sujeito pode dar-se o luxo de pensar sobre si mesmo tudo o que queira, porém isto não quer dizer que se esteja observando
realmente.
Necessitamos ver os distintos “Eus” em ação, descobri-los em nossa psique, compreender que dentro de cada um deles existe uma porcentagem de nossa própria consciência, arrependernos de haver os criado, etc.
Então exclamaremos: “Porém o que está fazendo este Eu?” “O que está dizendo?” O que é que quer?” “Porque me atormenta com sua luxúria”, “Com sua ira?”, etc., etc., etc.
Então veremos que dentro de si mesmos, todo este trem de pensamentos, emoções, desejos, paixões, comédias privadas, dramas pessoais, elaboradas mentiras, discursos, desculpas, morbosidades, leitos de prazer, quadros de lascívia, etc., etc., etc.
Muitas vezes antes de dormirmos, no preciso instante de transação ente a vigília e o sono, sentimos dentro de nossa própria mente, distintas vozes que falam entre si, são os distintos
eus que devem romper totalmente em tais momentos toda conexão com os distintos centros de nossa máquina orgânica, com o fim de submergir-se logo no mundo molecular, na “Quinta
Dimensão”.

CAPÍTULO XXII
A TAGARELICE
Resulta urgente, indispensável, impostergável, observar a tagarelice interior e o lugar preciso de onde provém.
Inquestionavelmente a conversa interior equivocada é a “Causa Causorum” de muitos estados psíquicos inarmônicos e desagradáveis no presente e também no futuro.
Obviamente este vão palavrório insubstancial de conversa ambígua e em geral, toda ação prejudicial, daninha, absurda, manifesta no mundo exterior, tem sua origem na conversação interior equivocada.
Sabe-se que existe na Gnosis a prática esotérica do silencio interior; isto o conhecem nossos discípulos de “Terceira Câmara”.
Não está demais dizer com inteira claridade que o silêncio interior deve referir-se especificamente a algo muito preciso e definido.
Quando o processo de pensar se esgota intencionalmente durante a meditação interior profunda, se logra o silêncio interior; mas não é isto que queremos explicar no presente
capítulo.
“Esvaziar a mente” ou “coloca-la em branco” para lograr realmente o silêncio interior, tão pouco é o que tentamos explicar agora nestes parágrafos.
Praticar o silêncio interior a que estamos nos referindo, tão pouco significa impedir que algo penetre na mente.
Realmente estamos falando agora de um tipo de silêncio interior muito diferente. Não se trata de algo vago e geral...
Queremos praticar o silêncio interior em relação com algo que já esteja na mente, pessoa, sucesso, assunto próprio ou alheio, o que nos contaram, o que fez fulano, etc., porém sem toca-lo com a língua interior, sem discurso íntimo...
Aprender a calar não somente com a língua exterior, senão também, além disto, com a língua secreta, interna, resulta extraordinário, maravilhoso.
Muitos calam exteriormente, mas com sua língua interior esfolam vivo ao próximo. A tagarelice interior venenosa e malévola, produz confusão interior.
Se observamos a conversa interior equivocada, se verá que está cheia de meias verdades, ou de verdades que se relacionam entre si de um modo mais ou menos incorreto, ou de algo que se agregou ou se omitiu.
Desgraçadamente nossa vida emocional se fundamente exclusivamente na “auto-simpatia”.
Para o cúmulo de tanta infâmia, só simpatizamos conosco mesmos, com nosso tão “querido Ego”, e sentimos antipatia e até ódio com aqueles que não simpatizam com nós.
Queremos demais a nós mesmos, somos narcisistas em cem por cento, isto é irrefutável, irrebatível.
Enquanto continuemos engarrafados na “auto-simpatia”, qualquer desenvolvimento do Ser, se faz algo mais que impossível.
Necessitamos aprender a ver o ponto de vista alheio. É urgente saber nos colocar na posição dos demais.
“Assim que, todas as coisas que queirais que os homens façam com vocês, assim também fazei vocês com eles” (Mateus: VII, 12).
O que verdadeiramente conta nestes estudos, é a maneira como os homens se comportam interna e invisivelmente uns com os outros.
Desafortunadamente ainda que sejamos muito corteses, até sinceros às vezes, não há duvida que invisível e internamente, nos tratamos muito mal uns aos outros.
Pessoas aparentemente muito bondosas, arrastam diariamente a seus semelhantes até a cova secreta de si mesmos, para fazer com estes, todos os seus caprichos. (humilhações, burla, escárnio, etc.)

CAPÍTULO XXIII
O MUNDO DAS RELAÇÕES

Ó mundo das relações tem três aspectos muito diferentes, que de forma muito precisa precisamos aclarar.
Primeiro: Estamos relacionados com o corpo planetário. Quer dizer, com o corpo físico.
Segundo: Vivemos no planeta Terra e por conseqüência lógica estamos relacionados com um mundo exterior e com todas as questões atinentes a nós: familiares, negócios, dinheiros, questões de ofício, profissão, política, etc., etc., etc.
Terceiro: A relação do homem consigo mesmo. Para a maioria das pessoas este tipo de relação não tem a menor importância.
Desafortunadamente as pessoas só se interessam pelos dois primeiros tipos de relações, olhando com a mais absoluta indiferença o terceiro tipo.
Alimento, saúde, dinheiro, negócios, constituem realmente as principais preocupações do “Animal Intelectual” equivocadamente chamado “homem”.
Agora bem: Resulta evidente que tanto o corpo físico como os assuntos do mundo, são exteriores a nós mesmos.
O Corpo Planetário (corpo físico), as vezes se encontra enfermo, as vezes são e assim sucessivamente.
Cremos sempre ter algum conhecimento de nosso corpo físico, mas em realidade nem os melhores cientistas do mundo sabem muito sobre o corpo de carne e osso.
Não há duvida que o corpo físico dada sua tremenda e complicada organização, está certamente muito mais além de nossa compreensão.
No que diz respeito ao segundo tipo de relações, somos sempre vítimas das circunstâncias; é lamentável que, todavia, não hajamos aprendido a originar conscientemente as circunstâncias.
São muitas as pessoas incapazes de adaptar-se as coisas, as pessoas ou a ter êxito verdadeiro na vida.
Ao pensar em si mesmo desde o ângulo do trabalho esotérico Gnóstico, se faz urgente averiguar com qual destes três tipos de relações estamos em falta.
Pode ocorrer o caso concreto de que estejamos equivocadamente relacionados com o corpo físico e como conseqüência disto estamos doentes.
Pode ocorrer que estamos mal relacionados com o mundo exterior e como resultado tenhamos conflitos, problemas econômicos e sociais, etc., etc., etc.
Pode que estejamos mal relacionados conosco mesmos e que seqüencialmente soframos muito por falta de iluminação interior.
Obviamente se a lâmpada de nosso aposento não se encontra conectada a instalação elétrica, nosso aposento estará em trevas.
Quem sofre por falta de iluminação interior, deve conectar sua mente com os Centros Superiores de seu Ser.
Inquestionavelmente necessitamos estabelecer corretas relações não só com nosso Corpo Planetário (corpo físico) e com o mundo exterior, senão também com cada uma das partes de nosso próprio Ser.
Os enfermos pessimistas, cansados de tantos médicos e medicinas, já não desejam curar-se e os pacientes otimistas lutam por viver.
No Cassino de Monte Carlo muitos milionários que perderam sua fortuna no jogo, se suicidaram. Milhões de mães pobres trabalham para sustentar seus filhos.
São incontáveis os aspirantes deprimidos que por falta de poderes psíquicos e de iluminação íntima, renunciaram ao trabalho esotérico sobre si mesmos. Poucos são os que sabem aproveitar as adversidades.
Em tempos de rigorosa tentação, abatimento e desolação, deve-se apelar para a íntima recordação de si mesmo.
No fundo de cada um de nós está a Tonantzin Asteca, a Stella Maris, a Isis Egípcia, Deus Mãe, aguardando-nos para sanar nosso dolorido coração.
Quando alguém se dá o choque da “Recordação de Si”, se produz realmente uma mudança milagrosa em todo o trabalho do corpo, de modo que as células recebem um alimento diferente.

CAPÍTULO XXIV
A CANÇÃO PSICOLÓGICA

Chegou o momento de reflexionar muito seriamente sobre isto que se chama “consideração interna”.
Não cabe a menor dúvida sobre o aspecto desastroso da “auto-consideração íntima”; esta além de hipnotizar a consciência, nos faz perder muitíssima energia.
Se alguém não cometesse o erro de identificar-se tanto consigo mesmo, a auto-consideração interior seria algo mais que impossível.
Quando alguém se identifica consigo mesmo, se quer em demasia, sente piedade por si mesmo, se auto-considera, pensa que sempre se portou muito bom com fulano, com sultano, com a mulher, com os filhos, etc., e ninguém o soube apreciar, etc. Enfim é um santo e todos os demais uns malvados, um velhacos.
Uma das formas mais comuns de auto-consideração íntima é a preocupação pelo o que os outros possam pensar sobre nós mesmos; talvez suponham que não sejamos honrados, sinceros, verídicos, valentes, etc.
O mais curioso de tudo isto é que ignoramos lamentavelmente a enorme perda de energia que esta classe de preocupações nos traz.
Muitas atitudes hostis para com certas pessoas que nenhum mal no fizeram, se deve precisamente a tais preocupações nascidas da autoconsideração íntima.
Nestas circunstâncias, querendo-se tanto a si mesmo, autoconsiderando-se deste modo, é claro que o Eu, ou melhor, os Eus, em vez de extinguir-se se fortificam espantosamente.
Alguém identificado consigo mesmo, se apieda muito de sua própria situação e até se põe a fazer contas.
Assim é como pensa que fulano, que sultano, que o compadre, que a comadre, que o vizinho, que o patrão, que o amigo, etc., etc., etc., não lhe pagaram como deviam, apesar de todas
suas costumeiras bondades e engarrafado nisto se torna insuportável e aborrecedor para todo mundo.
Com um sujeito assim, praticamente não se pode falar, porque qualquer conversação é certo que vai para no seu livro de contas e em seus tão cacarejados sofrimentos.
Escrito está que o trabalho esotérico Gnóstico, só é possível o crescimento anímico mediante o perdão aos outros.
Se alguém vive de instante em instante, de momento em momento, sofrendo pelo que lhe devem, pelo que lhe fizeram, por tantas amarguras que lhe causaram, sempre com sua mesma canção, nada poderá crescer em seu interior.
A Oração do senhor nos disse: “Perdoa nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.
O sentimento de que alguém nos deve, a dor por todos os males que outros lhe causaram, etc., detém o progresso interior da alma.
Jesus o Grande KABIR, disse: “Coloca-te de acordo com teu adversário enquanto estás com ele no caminho, para que não seja o adversário que te entregue ao juiz, e o juiz ao guarda, e sejas colocado no cárcere. Com certeza vos digo que não sairás dali, até que pagues o ultimo centavo”. (Mateus, V, 25-26)
Se nos devem, devemos. Se exigimos que nos pague até o último denário, devemos pagar até o ultimo centavo.
Esta é a “Lei de Talião”, “Olho por olho e dente por dente”. “Circulo Vicioso”, absurdo.
As desculpas, a cumprida satisfação e as humilhações que a outros exigimos por males que nos causaram, também a nós são exigidas, ainda que nos consideremos mansas ovelhas.
Colocar-se sob leis desnecessárias é absurdo, melhor é colocar-se a si mesmo sob novas influências.
A Lei da Misericórdia é uma influência mais elevada que a Lei do homem violento> “Olho por olho, dente por dente”.
É urgente, indispensável, inadiável, colocar-nos inteligentemente sob as influências maravilhosas do trabalho esotérico Gnóstico, esquecer que nos devem e eliminar de nossa psique qualquer forma de auto-consideração.
Jamais devemos admitir que dentro de nós, sentimentos de vingança, ressentimento, emoções negativas, ansiedades por males que nos causaram, violência, inveja, incessante recordação de dívidas, etc., etc., etc.
A Gnosis está destinada à aqueles aspirantes sinceros que verdadeiramente querem trabalhar e mudar.
Se observarmos as pessoas, podemos evidenciar de forma direta, que cada pessoa tem sua própria canção.
Cada qual canta sua própria canção psicológica; quero referir-me em forma enfática a questão essa das contas psicológicas; sentir que a um lhe devem, queixar-se, autoconsiderar-se, etc. As vezes as pessoas “cantam sua canção, assim porque sim”, sem que lhe dê corda, sem que lhes estimule e outras ocasiões depois de uns quantos copos de vinho...
Nós dizemos que nossa aborrecedora canção deve ser eliminada; esta nos incapacita interiormente, nos rouba muita energia.
Em questões de Psicologia Revolucionária, alguém que canta demasiado bem - não estamos nos referindo a formosa voz, nem ao canto físico - certamente não pode ir mais além de si mesmo; fica no passado...
Uma pessoa impedida por tristes canções não pode mudar seu Nível de Ser; não pode ir mais além do que é.
Para passar à um Nível Superior de Ser, é preciso deixar de ser o que é; necessitamos não ser o que somos.
Se continuarmos sendo o que somos, nunca poderemos passar a um Nível Superior de Ser.
No terreno da vida prática ocorrem coisas insólitas. Amiúde uma pessoa qualquer trava amizade com outra, só porque é fácil lhe cantar sua canção.
Desafortunadamente, tais classes de relações terminam quando ao cantar pedem que se cale, que mude o disco, que fale de outra coisa, etc.
Então o cantor ressentido vai em busca de um novo amigo, de alguém que esteja disposto de escutar-lhe por tempo indefinido.
Compreensão exige o cantor, alguém que o compreenda, como se fosse tão fácil compreender a outra pessoa.
Para compreender a outra pessoa, é preciso compreender-se a si mesmo.
Desafortunadamente o bom cantor crê que compreende a si mesmo.
São muito os cantores decepcionados que cantam a canção de não serem compreendidos e sonham com um mundo maravilhoso onde eles são as figuras centrais.
Sem dúvida nem todos os cantares são públicos, também há os reservados; não cantam sua canção diretamente, mas secretamente a cantam.
São pessoas que trabalharam muito, que sofreram demais, sentem-se defraudados, pensam que a vida lhes deve aquilo que nunca foram capazes de lograr.
Sentem normalmente uma tristeza interior, uma sensação de monotonia e espantoso aborrecimento, cansaço íntimo ou frustração cujo redor se amontoam pensamentos.
Inquestionavelmente as canções secretas nos trancam o passo no caminho da auto-realização
íntima do Ser.
Desgraçadamente tais canções interiores secretas, passam desapercebidas para nós mesmos, a não ser que intencionalmente as observemos.
Obviamente toda observação de si, deixa penetrar a luz em si mesmo, nas suas profundidades mais íntimas.
Nenhuma mudança interior poderia ocorrer em nossa psique a menos que seja levada à luz da observação de si.
É indispensável observar a si mesmo estando a sós, do mesmo modo que ao estar relacionando-se com as pessoas.
Quando alguém está só, “Eus” muito diferentes, pensamentos muito distintos, emoções negativas, etc., se apresentam.
Nem sempre se está bem acompanhado quando se está só. É apenas normal, e muito natural, estar muito mal acompanhado em plena solidão. Os Eus mais negativos e perigosos se apresentam quando se está só.
Se queremos transformar-nos radicalmente, necessitamos sacrificar nossos próprios sofrimentos.
Muitas vezes expressamos nossos sofrimentos em canções articuladas ou inarticuladas.

CAPÍTULO XXV
RETORNO E RECORRÊNCIA
Um homem é o que é sua vida, se um homem não modifica nada dentro de si mesmo, se não transforma radicalmente sua vida, se não trabalha sobre si mesmo, está perdendo seu tempo miseravelmente.
A morte é o regresso ao próprio começo de sua vida, com a possibilidade de repeti-la novamente.
Muito foi dito entre a literatura Pseudo-Esotérica e Pseudo-Ocultista, sobre o tema das vidas sucessivas, melhor é que nos ocupemos das existências sucessivas.
A vida de cada um de nós, com todos seus tempos, é sempre a mesma, repetindo-se de existência em existência através dos inumeráveis séculos.
Inquestionavelmente continuamos na semente de nossos descendentes; isto é algo que já é demonstrado.
A vida de cada um de nós em particular, é um filme vivente que ao morrer levamos à eternidade.
Cada um de nós leva seu filme e volta a trazer para projeta-la outra vez na tela de uma nova existência.
A repetição de dramas, comédias e tragédias, são um axioma fundamental da Lei de Recorrência.
Em cada nova existência s repetem sempre as mesmas circunstâncias. Os atores de tais cenas sempre repetidas, são estas pessoas que vivem dentro de nosso interior, os Eus.
Se desintegramos estes atores, estes “Eus” que originam sempre as repetidas cenas de nossa vida, então a repetição de tais circunstâncias se faria algo mais que impossível.
Obviamente sem atores não pode haver cenas; isto é algo irrebatível, irrefutável.
Assim é como podemos libertar-nos das Leis de Retorno e Recorrência; assim podemos fazer- nos livres de verdade.
Obviamente cada um dos personagens (Eus) que em nosso interior levamos, repete de existência em existência seu mesmo papel; se o desintegramos, e o ator morre o papel acaba.
Reflexionando seriamente sobre a Lei de Recorrência pó repetição de cenas em cada Retorno, descobrimos por auto-observação íntima, os mecanismos secretos desta questão.
Se em uma passada existência na idade de vinte e cinco (25) anos tivemos uma aventura amorosa, é indubitável que o “Eu” de tal compromisso buscará a dama de seu sonos aos vinte e cinco (25) anos da nova existência.
Se a dama em questão então só tinha quinze (15) anos, o “Eu” de tal aventura buscará a seu amado na nova existência com a mesma idade.
Resulta claro compreender que os dois “Eus” tanto o Dele como o Dela, se buscam telepáticamente e se encontram novamente para repetir a mesma aventura amorosa da passada existência...
Dois inimigos de morte que lutaram na passada existência, se buscam outra vez na nova existência para repetir sua tragédia na idade correspondente.
Se duas pessoas tiveram um pleito por bens de família, na idade de quarenta (4) anos, na passada existência, na mesma idade se buscam telepáticamente na nova existência para repetir o mesmo.
Dentro de cada um de nós vivem muitas pessoas cheias de compromissos; isto é irrefutável.
Um ladrão carrega em seu interior uma cova de ladrões com diversos compromissos delituosos. O assassino leva dentro de si mesmo um “clube” de assassinos e o luxurioso porta em sua psique uma “Casa de encontros”.
O grave de tudo isto é que o intelecto ignora a existência de tais pessoas ou “Eus”, dentro de nós mesmos, e também tais compromissos que se vão cumprindo.
Todos estes compromissos dos Eus que dentro de nós moram, ocorrem no subconsciente e inconsciente.
Com justa razão nos foi dito que tudo nos ocorre, como quando chove ou como quando troveja.
Realmente temos a ilusão de fazer, porém nada fazemos, nos ocorre, isto pe fatal, mecânico...
Nossa personalidade é tão só um instrumento de distintas pessoas (Eus), mediante a qual cada uma destas pessoas (Eus), cumpre seus compromissos.
Por debaixo de nossa capacidade cognitiva sucedem muitas coisas, desgraçadamente ignoramos o que por debaixo de nossa pobre razão ocorre.
Nos cremos sábios quando em verdade nem sequer sabemos que não sabemos. Somos míseros lenhos, arrastados pelas embravecidas ondas do mar da existência.
Sair desta desgraça, desta inconsciência, do estado tão lamentável em que nos encontramos, só é possível morrendo em si mesmo.
Como poderíamos despertar sem morrer previamente? Só com a morte advém o novo! Se o germe não morre, a planta não nasce.
Quem desperta de verdade, adquire por tal motivo plena objetividade de sua consciência, iluminação autêntica, felicidade...

CAPÍTULO XXVI
AUTO-CONSCIÊNCIA INFANTÍL

Nos foi dito muito sabiamente que temos noventa e sete por cento de Subconsciência e Três Por Cento de Consciência.
Falando francamente se sem rodeios, diremos que os noventa e sete por cento de Essência que em nosso interior levamos, se encontra engarrafada, embutida, metida, dentro de cada um dos Eus que em seu conjunto constituem o “Mim Mesmo”.
Obviamente a Essência ou Consciência enfrascada entre cada Eu, se processa em virtude de seu próprio condicionamento.
Qualquer Eu desintegrado libera determinada porcentagem de Consciência, a emancipação ou liberação da Essência ou Consciência, seria impossível sem a desintegração de cada Eu.
Quanto maior a quantidade de Eus desintegrados, maior Auto-Consciência. Quanto menor quantidade de Eus desintegrados, menor porcentagem de Consciência desperta.
O despertar da Consciência só é possível dissolvendo o Eu, morrendo em si mesmo, aqui e agora.
Inquestionavelmente enquanto a Essência ou Consciência esteja embutida entre cada um dos Eus que carregamos em nosso interior, se encontrará adormecida, em estado subconsciente. É urgente transformar o subconsciente em consciente, e isto só é possível aniquilando os Eus; morrendo em si mesmos.
Não é possível despertar sem haver morrido previamente em si mesmos. Aqueles que tentam despertar primeiro para logo morrer, não possuem experiência real do que afirmam, marcham resolutamente pelo caminho do erro.
As crianças recém nascidas são maravilhosas, gozam de plena autoconsciência; encontram-se totalmente despertos.
Dentro do corpo da criança recém nascida, se encontra reincorporada a Essência e isto dá a criatura sua beleza.
Não queremos dizer que o cem por cento de Essência ou Consciência esteja reincorporada no recém nascido, porém sim os três por cento livre que normalmente não está enfrascado entre os Eus.
Sem dúvida, esta porcentagem de Essência livre reincorporada no organismo das crianças recém nascidas, lhes dá plena auto-consciência, lucidez, etc.
Os adultos vem ao recém nascido com piedade, pensam que a criatura se encontra inconsciente, porém se equivocam lamentavelmente.
O recém nascido vê ao adulto tal como em realidade é; inconsciente, cruel, perverso, etc.
Os Eus do recém nascido vão e vem, dão voltas ao redor da cama, querem meter-se dentro do novo corpo, porém devido a que ele recém nasceu e ainda não fabricou sua personalidade, toda tentativa dos Eus para entrar no novo corpo, resulta algo mais que impossível.
Às vezes as criaturas se espantam em vez estes fantasmas ou Eus que se aproximam de sua cama e então gritam, choram, porém os adultos não entendem isto e supõe que a criança está enferma, que tem fome ou sede; tal é a inconsciência dos adultos.
A medida que a nova personalidade vai se formando, os Eus que vem de existências anteriores vão penetrando pouco a pouco no novo corpo.
Quando já a totalidade dos Eus se reincorporou, aparecemos no mundo com esta horrível fealdade interior que nos caracteriza; então andamos como sonâmbulos por todas as partes; sempre inconscientes, sempre perversos.
Quando morremos, três coisas vão ao sepulcro: 1) O corpo físico. 2) O fundo vital orgânico. 3) A personalidade.
O fundo vital vai se desintegrando pouco a pouco junto a fossa sepulcral, a medida que o corpo também vai se desintegrando.
A personalidade é subconsciente ou infraconsciente, entra e sai do sepulcro cada vez que quer, se alegra quando os desconsolados lhe levam flores, ama a seus familiares e vai se dissolvendo muito lentamente até se converter em poeira cósmica.
Isto que continua mais além do sepulcro é o Ego, o Eu pluralizado, o mim mesmo, um montão de diabos dentro dos quais se encontra enfrascada a Essência, a Consciência, que a seu tempo e a sua hora, retorna, se reincorpora.
Resulta lamentável que ao fabricar-se a nova personalidade da criança, se reincorporem também os Eus.

CAPÍTULO XXVII
O PUBLICANO E O FARISEU
Reflexionando um pouco sobre as diversas circunstâncias da vida, bem vale a pena compreender seriamente as bases sobre as quais, descansamos.
Uma pessoa descansa sobre sua posição, outra sobre o dinheiro, aquela sobre o prestígio, esta outra sobre seu passado, esta ainda sobre tal ou qual título, etc., etc., etc.
O mais curioso é que todos, seja rico ou mendigo, necessitamos de todos e vivemos de todos, ainda que estejamos inflados de orgulho e vaidade.
Pensemos por um momento no que possam nos tirar. Qual seria nossa sorte em uma revolução de sangue e Água Ardente? Em que ficariam as bases sobre as quais descansamos? Ai de nós, nos cremos muito fortes e somos espantosamente débeis!
O Eu se sente em si mesmo a base sobre a qual descansamos, deve ser dissolvido se é que quem realidade anelamos a autentica Bem-aventurança.
Tal Eu subestima as pessoas, se sente melhor que todo o mundo, mais perfeito em tudo, mais rico, mais inteligente, mais experto na vida, etc.
Resulta muito oportuno citar agora aquela parábola de Jesus, o Grande Kabir, sobre dois homens que oravam. Foi dita a uns que confiavam em si mesmos como justos e menosprezavam a outros.
Jesus o Cristo, disse: “Dois homens subiram ao Templo à orar; um era Fariseu e o outro Publicano. O Fariseu, colocado de pé orava consigo mesmo desta maneira: Deus. Te dou graças porque não sou como os demais homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como este Publicano: Jejuo duas vezes por semana, dou o dizimo de tudo que ganho. Mas o Publicano estando longe, não queria nem levantava os olhos para o céu, senão que golpeava o peito dizendo: “Deus sê propício a mim, pecador”. Os digo que este voltou para sua casa justificado, e não o outro, porque todo o que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado”. (Lucas XVIII, 10-14)
Começar a dar-se conta de sua própria nulidade e miséria em que nos encontramos, é absolutamente impossível enquanto exista em nós o conceito esse do “Mais”. Exemplos: Eu sou mais justo que aquele, mais sábio que fulano, mais virtuoso que sultano, mais rico, mais esperto nas coisas da vida, mais casto, mais cumpridor de seus deveres, etc., etc., etc.
Não é possível passar através do buraco de uma agulha enquanto sejamos “ricos” enquanto em nós exista este complexo do “Mais”.
“É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha, que entrar um rico no reino de Deus”.
Isto de que tua escola é melhorar e de que a do próximo não serve; isto de que tua Religião é a única verdadeira, que a mulher de fulano é péssima esposa e que a minha é uma santa; Isto de que meu amigo Roberto é um bêbado e que eu sou um homem muito judicioso e abstêmio, etc., etc., etc., é o que nos faz sentirmos ricos; motivo pelo qual todos somos os “Camelos” da parábola bíblica, com relação ao trabalho esotérico.
É urgente auto-observar-nos de momento em momento, com o propósito de conhecer claramente os fundamentos sobre os que descansamos.
Quando alguém descobre aquilo que mais lhe ofende em um instante dado; o incomodo que lhe deram por tal ou qual coisa; então descobre as bases sobre as quais descansa psicologicamente.
Todas as bases constituem segundo o Evangelho Cristão “as areias sobre as quais edificou sua casa”.
É necessário anotar cuidadosamente, como e quando depreciou a outros sentindo-se superior, talvez devido ao título ou a posição social, à experiência adquirida, ao dinheiro, etc., etc., etc.
É grave alguém se sentir rico, superior a fulano ou a sultano por tal ou qual motivo. Gente assim não pode entrar no Reino dos Céus.
Bom é descobrir em que alguém se sente lisonjeado, em que é satisfeita sua vaidade, isto virá a mostrar-nos os fundamentos sobre os quais nos apoiamos.
Sem dúvida, tal classe de observação não deve ser questão meramente teórica, devemos ser práticos e observar-nos cuidadosamente em forma direta, de instante em instante.
Quando alguém começa a compreender sua própria miséria e nulidade; quando abandona seus delírios de grandeza; quando descobre quão néscios são tantos títulos, honras e vãs
autoridades sobre nossos semelhantes, é sinal inequívoco que já começa a mudar.
Alguém não pode mudar nem se aferra a isto e diz: “Minha casa”. “Meu dinheiro”. “Minhas propriedades”. “Meu emprego”. “Minhas virtudes”. “Minhas capacidades intelectuais”.
“Minhas capacidades artísticas”. “Meus conhecimentos”. “Meu prestígio” etc., etc., etc.
Isto de aferrar-se ao “Meu” e a “Mim”, é mais que suficiente como para impedir reconhecer nossa própria nulidade e miséria interior.
Alguém se assombra ante o espetáculo de um naufrágio; então as pessoas desesperadas se apoderam muitas vezes de coisas que causam riso; coisas sem importância.
Pobres pessoas! Sentem-se nestas coisas, descansam em bobagens, se apegam a isto que não tem a menor importância.
Sentir a si mesmo por meio das coisas exteriores, fundamentar-se nelas, equivale a estar em estado de absoluta inconsciência.
O sentimento da “Seidade” (O Real Ser), só é possível dissolvendo a todos estes “Eus” que em nosso interior levamos; antes, tal sentimento resulta algo mais que impossível.
Desgraçadamente os adoradores do “Eu” não aceitam isto; eles se crêem Deuses; pensam que já possuem estes “Corpos Gloriosos” de que falava Paulo de Tarso; supõe que o “Eu” é Divino e não há quem lhes tire tais absurdos da cabeça.
Alguém não sabe o que fazer com tais pessoas, se lhes explica e não entendem; sempre aferrados as areias sobre as quais edificaram sua casa; sempre metidos em seus dogmas, em seus caprichos, em suas necedades.
Se estas pessoas se auto-observam seriamente, verificariam por si mesmos a doutrina dos muitos; descobririam dentro de si mesmos a toda esta multiplicidade de pessoas ou “Eus” que vivem dentro de nosso interior.
Como poderia existir em nós o real sentimento de nosso verdadeiro SER, quando estes “Eus” estão sentindo por nós, pensando por nós?
O mais grava de toda esta tragédia é que alguém pensa que está pensando, sente que está sentindo, quando em realidade é outro em que dado momento pensa com nosso martirizado cérebro e sente com nosso dolorido coração.
Infelizes de nós! Quantas vezes acreditamos estar amando e o que ocorre é que outro dentro de nós mesmos, cheio de luxúria utiliza o centro do coração.
Somos uns desventurados, confundimos a paixão animal com o amor, e sem dúvida é outro dentro de nós mesmos, dentro de nossa personalidade, quem passa por tais confusões.
Todos pensamos que jamais pronunciaríamos aquelas palavras do Fariseu na parábola bíblica:
“Deus, te dou graças porque não sou como os outros homens”, etc. etc.
Sem dúvida, ainda que pareça incrível, assim procedemos diariamente. O vendedor de carne no mercado diz: “Eu não sou como os outros açougueiros que vendem carne de má qualidade e exploram as pessoas”.
O vendedor de tecidos em sua loja exclama: “Eu não sou como outros comerciantes que sabem roubar ao medir e que enriqueceram”.
O vendedor de leite afirma: “Eu não sou como outros vendedores de leite que põe água à mesma. Gosto de ser honrado”.
A senhora de casa comenta em uma visita o seguinte: “Eu não sou como fulana que anda com outros homens, sou graças a Deus pessoa decente e fiel à meu marido”.
Conclusão: Os demais são malvados, injustos, adúlteros, ladrões e perversos, e cada um de nós uma mansa ovelha, um “Santo de Chocolate”, bom para servir como menino de ouro em alguma igreja.
Quão néscios somos! Pensamos sempre que nunca fazemos todas estas bobagens e perversidades que vemos fazer a outros, e chegamos por tal motivo a conclusão de que somos
magníficas pessoas, desgraçadamente não vemos as bobagens e mesquinhezas que fazemos.
Existem estranhos momentos em nossa vida em que a mente sem preocupações de nenhuma classe, repousa. Quando a mente está quieta, quando a mente está em silêncio, advém então
o novo.
Em tais instantes é possível ver as bases, os fundamentos, sobre os quais descansamos.
Estando a mente em profundo repouso interior, podemos verificar si mesmos a crua realidade desta arena da vida, sobre a qual edificamos a casa. (veja Mateus 7 - Versículos 24-25-26-27- 28-29; parábola que trata dos cimentos)


CAPÍTULO XXVIII
A VONTADE

A “Grande Obra” é antes de tudo, a criação do homem por si mesmo, a base de trabalhos conscientes e padecimentos voluntários.
A “Grande Obra” é a conquista interior de nós mesmos, de nossa verdadeira liberdade em Deus.
Necessitamos com urgência máxima, inadiável, desintegrar todos estes “Eus” que vivem em nosso interior, se é que em realidade queremos a emancipação perfeita da Vontade.
Nicolas Flamel e Raimundo Lúlio, pobres ambos, liberaram sua vontade e realizaram inumeráveis prodígios psicológicos que assombram.
Agripa não chegou mais que a primeira parte da “Grande Obra” e morreu penosamente, lutando na desintegração de seus “Eus” com o propósito de possuir a si mesmo e fixar sua independência.
A emancipação perfeita da vontade assegura ao sábio o império absoluto sobre o Fogo, o Ar, a Água e a Terra.
A muitos estudantes de Psicologia contemporânea lhes pareça exagerado o que em parágrafos acima afirmamos , em relação com o poder soberano da vontade emancipada; Sem dúvida a Bíblia nos fala maravilhas sobre Moisés.
Segundo Filon, Moises era um Iniciado na terra dos Faraós, as margens do Nilo, Sacerdote de Osíris, primo do Faraó, educado entre as colunas de ISIS, a Mãe Divina, e Osíris nosso Pai que está em segredo.
Moisés era descendente do Patriarca Abraão, o grande Mago Caldeu, e do muito respeitável Isaac.
Moisés o homem que liberou o poder elétrico da vontade, possui o dom dos prodígios; isto o sabem os Divinos e os humanos. Assim está escrito.
Tudo o que as Sagradas Escrituras dizem sobre este caudilho hebreu, é certamente extraordinário, portentoso.
Moisés transforma seu bastão em serpente, transforma uma de suas mãos em mão de leproso, logo lhe devolve a vida.
A prova aquela da sarça ardente colocou bem claro seu poder, as pessoas compreendem, se ajoelham e se prosternam.
Moisés utiliza uma Vara Mágica, emblema do poder real, do poder sacerdotal de um Iniciado nos Grandes Mistérios da Vida e da Morte.
Ante o Faraó, Moisés transforma em sangue a água do Nilo, os peixes morrem, o rio sagrado fica infectado, os egípcios não podem beber dele, as irrigações do Nilo derramam sangue pelos campos.
Moisés faz mais; logra que apareçam milhões de rãs desproporcionais, gigantescas, monstruosas, que saem do rio e invadem as casas. Logo, sob seu gesto, indicador de uma vontade livre e soberana, aquelas rãs horríveis desaparecem.
Mas como o Faraó não deixa livre os israelitas. Moisés realiza novos prodígios: cobre a terra de sujeira, suscita nuvens de moscas asquerosas e imundas, que depois se dá o luxo de afastar. Desencadeia a espantosa peste, e todos os rebanhos morrem, exceto os dos judeus.
Colhendo fuligem do forno, dizem as Sagradas Escrituras, o atira ao ar, e caindo sobre os Egípcios, lhes causa pústulas e úlceras.
Estendendo seu famoso bastão Mágico, Moises faz chover granizo do céu, que em forma inclemente destrói e mata. Em continuação faz estalar um raio flamígero, retumba o trovão aterrador e chove espantosamente, logo com um gesto devolve a calma.
Sem dúvida o Faraó continua inflexível. Moisés, com um golpe tremendo de sua vara mágica, faz surgir como por encanto nuvens de gafanhotos, e logo vêm trevas. Outro golpe com a vara e tudo retorna a ordem original.
Muito conhecido é o final de todo aquele Drama Bíblico do Antigo Testamento: Intervém Jehová, faz morrer a todos os primogênitos dos egípcios e ao Faraó não resta mais remédio que deixar ir os hebreus.
Posteriormente Moisés se utiliza de sua vara mágica para abrir as águas do Mar Vermelho e atravessa-las a pé.
Quando os guerreiros egípcios se precipitaram por ali, perseguindo aos israelitas, Moisés com um gesto, faz com que as águas retornem a se fechar, tragando estas aos perseguidores.
Inquestionavelmente muitos Pseudo-Ocultistas ao ler tudo isto, quiseram fazer o mesmo, ter os mesmos poderes de Moisés, sem duvidai sto resulta algo mais que impossível, enquanto a
Vontade continue engarrafada entre todos e cada um destes “Eus” que em distintos transfundos de nossa psique, carregamos.
A Essência é “Vontade-Cosnciência”, desgraçadamente processando-se em virtude de nosso próprio condicionamento.
Quando a Vontade se libera, então se mescla ou fusiona integrando-se assim com a Vontade Universal, fazendo-se por isto soberana.
A Vontade individual fusionada com a Vontade Universal, pode realizar todos os prodígios de Moisés.
Existem três classes de atos: A) Aqueles que correspondem à Lei dos acidentes. B) Estes que pertencem a Lei de Recorrência, fatos sempre repetidos em cada existência. C) Ações determinadas intencionalmente pela Vontade-Consciente.
Inquestionavelmente só pessoas que hajam liberado sua Vontade mediante a morte do “Mim Mesmo”, poderão realizar atos novos, nascidos de seu livre arbítrio.
Os atos comuns e correntes da humanidade, são sempre o resultado da Lei de Recorrência ou mero produto de acidentes mecânicos.
Quem possui Vontade livre de verdade, pode originar novas circunstâncias; quem tem sua Vontade presa entre o “Eu Pluralizado”, é vitima das circunstâncias.
Em todas as páginas bíblicas existem relatos maravilhosos de Alta Magia, Vidência, Profecia, Prodígios, Transfigurações, Ressurreição dos mortos, seja por insuflação, por imposição das mãos ou pelo olhar firme sobre a raiz do nariz, etc.
Abunda na Bíblia a massagem, o azeite sagrado, os passes magnéticos, a aplicação de um pouco de saliva sobre a parte enferma, a leitura do pensamento alheio, os transportes, as aparições, as palavras vindas do céu, etc., etc., etc., verdadeiras maravilhas da Vontade Consciente liberada, emancipada, soberana.
Bruxos? Feiticeiros? Magos Negros? Abundam como má erva; porém estes não são Santos, nem Profetas, nem Adeptos da Branca Irmandade.
Ninguém poderia chegar à “Iluminação Real”, nem exercer o Sacerdócio Absoluto da Vontade- Consciente, se previamente não estivesse morto radicalmente em si mesmo, aqui e agora.
Muitas pessoas nos escrevem freqüentemente se queixando de não possuir Iluminação, pedindo poderes, exigindo-nos chaves que lhes convertam em Magos, etc., etc., etc., porém
nunca se interessam por auto-observar-se, por auto-conhecer-se, por desintegrar estes agregados psíquicos, estes “Eus” dentro dos quais se encontra enfrascada a Vontade, a
Essência.
Pessoas assim, obviamente estão condenadas ao fracasso. São pessoas que cobiçam as faculdades dos Santos, porém que de nenhuma maneira estão dispostas a morrer em si mesmas.
Eliminar erros é algo mágico, maravilhoso por si só, que implica rigorosa auto-observação psicológica.
Exercer poderes é possível quando se libera radicalmente o poder maravilhoso da Vontade.
Desgraçadamente como as pessoas tem a vontade enfrascada entre cada “Eu”, obviamente aquela se encontra divida em múltiplas vontades que se processam cada uma em virtude de seu próprio condicionamento.
Resulta claro compreender que cada “Eu” possui por tal causa sua vontade inconsciente, particular.
As inumeráveis vontades enfrascadas entre os “Eus”, chocam-se entre si freqüentemente, fazendo-nos por tal motivo impotentes, débeis, miseráveis, vítimas das circunstâncias, incapazes.


CAPÍTULO XXIX
A DECAPTAÇÃO

A medida que alguém trabalha sobre si m esmo, vai compreendendo cada vez mais e mais, a necessidade de eliminar radicalmente de sua natureza interior, tudo isto que nos faz tão abomináveis.
As piores circunstâncias da vida, as situações mais críticas, os fatos mais difíceis, resultam sempre maravilhosos para o auto-descobrimento íntimo.
Nestes momentos insuspeitados, críticos, afloram sempre e quando menos o pensamos, os Eus mais secretos; se estamos alertas inquestionavelmente nos descobrimos.
As épocas mais tranqüilas de nossa vida, são precisamente as menos favoráveis para o trabalho sobre si mesmo.
Existem momentos na vida demasiado complicados em que a pessoa tem marcada tendência de identificar-se facilmente com os sucessos e a esquecer-se completamente de si mesmo;
nestes instantes se faz bobagens que a nada conduzem; se estivesse alerta, se nestes momentos em vez de perder a cabeça, se recordasse de si mesmo, descobriria com assombro, certos Eus os quais jamais teve nem a mais mínima suspeita de sua possível existência.
O sentido da auto-observação íntima, se encontra atrofiado em todo ser humano; trabalhando seriamente, auto-observando-se de momento em momento; tal sentido se desenvolverá de forma progressiva.
A medida que o sentido da auto-observação prossiga seu desenvolvimento, mediante seu uso contínuo, iremos nos fazendo cada vez mais capazes de perceber de forma direta aqueles Eus sobre os quais jamais tivéramos dado algum relacionado com sua existência.
Ante o sentido da auto-observação íntima de cada um dos Eus que em nosso interior habitam, estes assumem realmente esta ou aquela figura, secretamente, afim com o defeito personificado pelo mesmo. Indubitavelmente a imagem de cada um destes Eus tem certo sabor psicológico inconfundível, mediante o qual aprendemos, capturamos, aprisionamos, instintivamente sua natureza íntima, e o defeito que o caracteriza.
No principio o esoterista não sabe por onde começar, ante a necessidade de trabalhar sobre si mesmo, porém se encontra desorientado.
Aproveitando os momentos críticos, as situações mais desagradáveis, os instantes mais adversos, se estamos alertas descobrimos nossos defeitos que sobressaem, os Eus que devemos desintegrar urgentemente.
As vezes se pode começar pela ira, ou pelo amor próprio, ou pelo infeliz seguido da luxúria, etc., etc., etc.
É necessário tomar nota sobre todos os nossos estados psicológicos diários, se é que de verdade queremos uma mudança definitiva.
Antes de deitar-nos é conveniente que examinemos os fatos ocorridos no dia, as situações embaraçosas, a risada estrondosa de Aristófanes e o sorriso sutil de Sócrates.
Pode que hajamos ferido alguém com uma risada, pode que hajamos enfermado alguém com um sorriso ou com um olhar fora de lugar.
Recordemos que em esoterismo puro, bom é tudo o que está em seu lugar, mal é tudo o que está fora de lugar.
A água em seu lugar é boa, porém se está inundando a casa, estaria fora de lugar, causaria danos, seria má ou prejudicial.
O fogo cozinha e dentro de seu lugar, além de ser útil é bom; fora de seu lugar, queimando os moveis da sala, seria mal e prejudicial.
Qualquer virtude por santa que seja, em seu lugar é boa, fora de lugar é má e prejudicial. Com as virtudes podemos até prejudicas os outros. É indispensável colocar as virtudes em seu lugar que correspondem.
O que diria de um sacerdote que estivesse predicando a palavra do senhor, dentro de um prostíbulo? O que diria de um homem manso e tolerante que estivesse bendizendo uma quadrilha de assaltantes que tentassem violentar sua mulher e filhas? O que diria desta classe de tolerância, levada ao excesso? O que pensais sobre a atitude caritativa de um homem que
em vez de levar comida para casa, repartisse o dinheiro entre mendicantes do vicio? O que opinarias sobre um homem serviçal que em um instante dado, emprestasse um punhal à um assassino?
Recordai querido leitor que entre as cadências do verso também se esconde o delito. Há muita virtude nos malvados e há muita maldade nos virtuosos.
Ainda que pareça inacreditável, entre o mesmo perfume da oração também se esconde o delito.
O delito se disfarça de santo, usa as melhores virtudes, se apresenta como mártir e até oficia nos templos sagrados.
A medida que o sentido da auto-observação íntima se desenvolve em nós, mediante o uso contínuo, poderemos ir vendo todos estes Eus que servem de fundamento básico à nosso temperamento individual, e seja este ultimo, sanguíneo ou nervoso, fleumático ou bilioso.
Ainda que você não creia, querido leitor, detrás do temperamento que possuímos se escondem entre as mais remotas profundidades de nossa psique, as criações diabólicas mais
execráveis.
Ver tais criações, observar essas monstruosidades do inferno, dentro das quais se encontra engarrafada nossa mesma consciência, se faz possível com o desenvolvimento sempre progressivo do sentido da auto-observação íntima.
Enquanto um homem não haja dissolvido estas criações do inferno, estas aberrações de si mesmo, Indubitavelmente no mais fundo, no mais profundo, continuará sendo algo que não deveria existir, uma deformidade, uma abominação.
O mais grave de tudo isto é que o abominável não se da conta de sua própria abominação, se crê belo, justo, boa pessoa e até se queixa da incompreensão dos demais, lamenta a ingratidão de seus semelhantes, diz que não lhe entendem, chora afirmando que lhe devem, que lhe pagaram com negra moeda, etc., etc., etc.
O sentido da auto-observação íntima nos permite verificar por nós mesmos e de forma direta, o trabalho secreto mediante o qual em dado tempo estamos dissolvendo tal ou qual Eu (tal ou qual defeito psicológico), possivelmente descoberto em difíceis condições e quando menos suspeitávamos.
Haveis pensado tu alguma vez na vida, sobre o que mais o agrada ou desagrada? Tu haveis reflexionado sobre os mecanismos secretos da ação? Porque quereis ter uma bela casa? Porque desejeis ter um carro de último modelo? Porque quereis estar sempre na ultima moda? Porque cobiças não ser cobiçoso? O que é que mais te ofendeu em um dado momento? O que é que mais vos lisonjeou ontem? Porque te sentistes superior a fulano ou fulana de tal, em determinado instante? A que hora sentistes superior à alguém? Porque te engrandeceste ao relatar seus triunfos? Não pudestes calar quando murmuraram de outra pessoa conhecida? Recebestes o copo de licor por cortesia? Aceitasse fumar talvez não tendo o vício, possivelmente por um conceito de educação ou hombridade. Estais tu seguro de haver sido sincero naquela conversação? Quando te Justificas a ti mesmo, quando te elogias, e quando conta teus triunfos e os relatas repetindo o que antes disseste aos demais, compreendeis que sois vaidoso?
O sentido da auto-observação íntima, além de nos permitir ver claramente ao Eu que estais dissolvendo, te permitirá também ver os resultados patéticos e definidos de teu trabalho interior.
Em princípio, estas criações do inferno, estas aberrações psíquicas que desgraçadamente te caracterizam, são mais feias e monstruosas que as bestas mais horrendas que existem no fundo dos mares ou nas selvas mais profundas da terra; conforme avanceis em vosso trabalho podereis evidenciar mediante o sentido da auto-observação interior, o fato evidente de que aquelas abominações vão perdendo o volume, vão diminuindo...
Resulta interessante saber que tais bestialidades conforme diminuem de tamanho, conforme perdem volume e diminuem, ganham em beleza, assumem lentamente a figura infantil; por ultimo se desintegram, se convertem em poeira cósmica, então a Essência enfrascada se libera, se emancipa, desperta.
Indubitavelmente a mente não pode alterar fundamentalmente nenhum defeito psicológico;
obviamente o entendimento pode dar-se ao luxo de rotular um defeito com tal ou qual nome, de justifica-lo, de passa-lo de um nível a outro, mas não poderia por si mesmo aniquila-lo, desintegra-lo.
Necessitamos urgentemente de um poder flamígero superior a mente, de um poder que seja capaz por si mesmo de reduzir tal ou qual defeito psicológico, a mera poeira cósmica.
Afortunadamente existe em nós esse poder serpentino, esse fogo maravilhoso que os velhos alquimistas medievais batizaram com o nome misterioso de Stella Maris, a Virgem do Mar, o
Azoe da Ciência de Hermes, a Tonantzin do México Asteca, essa derivação de nosso próprio ser íntimo, Deus Mãe em nosso interior, simbolizada sempre com a serpente sagrada dos Grandes Mistérios.
Se depois de haver observado e compreendido profundamente tal ou qual defeito psicológico (tal ou qual Eu), suplicamos a nossa Mãe Cósmica particular, pois cada um de nós tem a sua própria, que desintegre, reduza a poeira cósmica, este ou aquele defeito, aquele Eu, motivo de nosso trabalho interior, podeis estar seguro de que ele mesmo perderá volume e lentamente irá se pulverizando.
Tudo isto implica naturalmente sucessivos trabalhos a fundo, sempre contínuos, pois nenhum Eu, pode ser desintegrado jamais instantaneamente. O sentido da auto-observação íntima poderá ver o avanço progressivo do trabalho relacionado com a abominação que nos interessa verdadeiramente desintegrar.
Stella Maris, ainda que pareça incrível, é a assinatura astral da potência sexual humana.
Obviamente Stella Maris tem o poder efetivo para desintegrar as aberrações que em nosso interior psicológico carregamos.
A decapitação de João Batista é algo que nos convida a reflexão, não poderia ser possível nenhuma mudança psicológica radical, se antes não passássemos pela decapitação.
Nosso próprio ser derivado, Tonantzin, Stella Maris como potência elétrica desconhecida para a humanidade inteira e que se encontra latente no fundo de nossa psique, ostensivamente goza do poder que lhe permite decapitar a qualquer Eu antes da desintegração final.
Stella Maris é esse fogo filosofal que se encontra latente em toda matéria orgânica e inorgânica.
Os impulsos psicológicos podem provocar a ação intensiva de tal fogo e então a decapitação se faz possível.
Alguns Eus podem ser decapitados no começo do trabalho psicológico, outros no meio e os últimos ao final. Stella Maris como potência ígnea sexual, tem consciência plena do trabalho a realizar e realiza a decapitação no momento oportuno, no instante adequado.
Enquanto não se haja produzido a desintegração de todas estas abominações psicológicas, de todas estas lascívias, de todas estas maldições, roubo, inveja, adultério secreto ou manifesto,
ambição de dinheiro ou poderes psíquicos, etc., ainda quando nos creiamos pessoas honráveis, cumpridoras da palavra, sinceras, corteses, caritativas, interiormente belas, etc., obviamente
não passaremos a ser mais que sepulcros branqueados, formosos por fora, mas por dentro cheios de asquerosa podridão.
A erudição livresca, a pseudo-sapiência, a informação completa sobre as sagradas escrituras, já sejam estas do oriente ou ocidente, do norte ou do sul, o pseudo-ocultismo, o pseudo- esoterismo, a absoluta segurança de estar bem documentados, o sectarismo intransigente com pleno convencimento, etc., de nada servem, porque em realidade só existe no fundo disto que ignoramos, criações do inferno, maldições, monstruosidades que se escondem por detrás da bonita face, do rosto venerável, baixo roupagem santíssima de líder sagrado, etc.
Temos que ser sinceros consigo mesmo, perguntar o que é que queremos, se viemos ao Ensinamento Gnóstico por mera curiosidade, se de verdade não é passar pela decapitação o que estamos desejando, então estamos enganando a nós mesmos, estamos defendendo nossa própria podridão, estamos procedendo hipocritamente.
Nas escolas mais veneráveis de sapiência esotérica e de ocultismo, existem muitos equivocados sinceros que de verdade querem auto-realizar-se, porém que não estão dedicados à desintegração de suas abominações interiores.
São muitas as pessoas que supõe que mediante as boas intenções é possível chegar à santificação. Obviamente enquanto não se trabalhe com intensidade sobre esses Eus que em nosso interior carregamos, eles continuarão existindo, sob o fundo de um olhar piedoso e de uma boa conduta.
Chegou a hora de saber que somos uns malvados disfarçados com a túnica da santidade; ovelhas com pele de lobo; canibais vestidos com traje de cavaleiro; verdugos escondidos atrás do signo sagrado da cruz, etc.
Por muito majestosos que pareçamos dentro de nossos templos, ou dentro de nossas aulas de luz e harmonia, por muito serenos e doces que nos vejam nossos semelhantes, por muito reverendos e humildes que pareçamos, no fundo de nossa psique continuam existindo todas as abominações do inferno e todas as monstruosidades das guerras.
Em Psicologia Revolucionária, se nos faz evidente a necessidade de uma transformação radical e esta só é possível declarando-nos a nós mesmos uma guerra de morte, desapiedada e cruel.
Certamente nós todos não valemos nada, somos cada um de nós a desgraça da terra, o execrável.
Afortunadamente João Baptista nos ensinou o caminho secreto: Morrer em nós mesmos, mediante a decapitação psicológica.

CAPÍTULO XXX
O CENTRO DE GRAVIDADE PERMANENTE

Não existindo uma verdadeira individualidade, resulta impossível que haja continuidade de propósitos.
Se não existe o indivíduo psicológico, se em cada um de nós vivem muitas pessoas, se não há sujeito responsável, seria absurdo exigir-lhe a alguém continuidade de propósitos.
Bem sabemos que dentro de uma pessoa vivem muitas pessoas, então o sentido pleno da responsabilidade não existe realmente em nós.
O que um Eu determinado afirma em um dado instante, não pode revestir de nenhuma seriedade devido ao fato concreto de que qualquer outro Eu pode afirmar exatamente o contrário em qualquer outro momento.
O grave em tudo isto é que muitas pessoas crêem possuir o sentido de responsabilidade moral e se auto-enganam afirmando ser sempre as mesmas.
Pessoas há que em qualquer instante de sua existência vem aos estudos Gnósticos, resplandecem com a força do anelo, se entusiasmam com o trabalho esotérico e até juram consagrar a totalidade de sua existência a estas questões.
Inquestionavelmente todos os irmãos de nosso movimento chegam até admirar um entusiasta assim.
Alguém não pode menos que sentir grande alegria ao escutar pessoas desta classe, tão devotas e definitivamente sinceras.
Sem dúvida a ilusão não dura muito tempo, qualquer dia devido a tal ou qual motivo justo ou injusto, sensível ou complicado, a pessoa se retira da Gnosis, então abandona o trabalho e para consertar o erro, ou tratando de justificar-se a si mesma, se afilia a qualquer outra organização mística e pensa que agora vai melhor.
Todo este ir e vir, todo este mudar incessante de escolas, seitas, religiões, se deve a multiplicidade de Eus que em nosso interior lutam entre si por usa própria supremacia.
Considerando que cada Eu possui seu próprio critério, sua própria mente, suas próprias idéias, é apenas normal esta mudança opiniões, este mariposar constante de organização, de ideal
em ideal, etc.
O sujeito em si não é mais que uma máquina que tanto serve de veículo a um Eu como a outro.
Alguns Eus místicos se auto-enganam, depois de abandonar tal ou qual seita resolvem crer-se Deuses, brilham como luzes fátuas e depois desaparecem.
Há pessoas que por um momento chegam ao trabalho esotérico e logo no instante em que outro Eu intervem, abandonam definitivamente estes estudos e se deixam tragar pela vida. Obviamente se alguém não luta contra a vida, esta o devora e são raros os aspirantes que de verdade não se deixam tragar pela vida.
Existindo dentro de nós toda uma multiplicidade de Eus, o centro de gravidade permanente não pode existir.

É apenas normal que nem todos os sujeitos se auto-realizem intimamente. Bem sabemos que a auto-realização íntima do ser exige continuidade de propósitos e como quer que é muito difícil encontrar a alguém que tenha um centro de gravidade permanente, então não é estranho que seja muito rara a pessoa que chegue a auto-realização interior profunda.
O normal é que alguém se entusiasme pelo trabalho esotérico e que logo o abandone; o estranho é que alguém não abandone o trabalho e chegue à meta.
Certamente e em nome da verdade, afirmamos que o Sol está fazendo um experimento de laboratório muito complicado e terrivelmente difícil.
Dentro do animal intelectual equivocadamente chamado homem, existem germens que convenientemente desenvolvidos podem converter-lhe em homens solares.
Sem dúvida não está demais aclarar que não é certo que estes germens se desenvolvam, o normal é que se degenerem e se percam lamentavelmente.
Em todo caso, os citados germens que hão de converter-nos em homens solares, necessitam de um ambiente adequado, pois é bem sabido que a semente em um meio estéril não germina, se perde.
Para que a semente real do homem, depositada em nossas glândulas sexuais, possa germinar, se necessita de continuidade de propósitos e corpo físico normal.
Se os cientistas continuarem fazendo experiências com as glândulas de secreção interna, qualquer possibilidade de desenvolvimento dos mencionados germens, poderá perder-se.
Ainda que pareça incrível, as formigas já passaram por um processo similar, em um remoto passado arcaico do nosso planeta Terra.
Qualquer um se enche de assombro ao contemplar um palácio de formigas. Não há duvida que a ordem estabelecido em qualquer formigueiro é formidável.
Aqueles Iniciados que despertaram a consciência, sabem por experiência mística direta, que as formigas em tempos que nem remotamente suspeitam os maiores historiadores do mundo, foram uma raça humana que criou uma poderosíssima civilização socialista.
Então os ditadores daquela família eliminaram as diversas seitas religiosas e o livre arbítrio, pois tudo o que lhes tirava poder e eles necessitavam ser totalitários no sentido mais completo da palavra.
Nestas condições, eliminada a iniciativa individual e o direito religioso, o animal intelectual se precipitou pelo caminho da involução e da degeneração.
A tudo isto dito antes, se acrescentaram-se os experimentos científicos; transplantes de órgãos, glândulas, experiências com hormônios, etc., etc., etc., cujo resultado foi a diminuição gradual e a alteração morfológica daqueles organismos humanos, até converteremse por ultimo nas formigas que conhecemos.
Toda aquela civilização, todos estes movimentos relacionados com a ordem social estabelecido, se tornaram mecânicos e foram herdados de pais para filhos; hoje alguém se enche de assombro ao ver um formigueiro, mas não podemos menos que lamentar sua falta de inteligência.
Se não trabalhamos sobre nós mesmos, involucionamos e degeneramos espantosamente.
O experimento que o Sol está fazendo no laboratório da natureza, certamente além de ser difícil tem dado muito poucos resultados.
Criar homens solares só é possível quando existe verdadeira cooperação em cada um de nós.
Não é possível a criação do homem solar se não estabelecemos antes um centro de gravidade permanente em nosso interior.
Como poderíamos ter continuidade de propósitos se não estabelecemos em nossa psique um centro de gravidade?
Qualquer raça criada pelo Sol, certamente não tem outro objetivo na natureza, que o de servir aos interesses desta criação e ao experimento solar.
Se o Sol fracassa em seu experimento, se perde todo o interesse por uma raça e assim esta fica de fato condenada a destruição e a involução.
Cada uma das raças que existiram sobre a face da Terra, serviram para o experimento solar. De cada raça logrou o Sol alguns triunfos, colhendo pequenos grupos de homens solares.
Quando uma raça deu deus frutos, desaparece de forma progressiva ou perece violentamente mediante grandes catástrofes.
A criação de homens solares é possível quando alguém luta por se tornar independente das forças lunares. Não há duvida de que todos estes Eus que levamos em nossa psique, são de tipo exclusivamente lunar.
De modo algum seria possível liberar-nos da força lunar se não estabelecemos previamente em nós um centro de gravidade permanente.
Como poderíamos dissolver a totalidade do Eu pluralizado se não temos continuidade de propósitos? De que maneira poderíamos ter continuidade de propósitos sem haver estabelecido previamente em nossa psique um centro de gravidade permanente?
Como queira que a raça atual em vez de se tornar independente da influência lunar, há perdido todo interesse pela inteligência solar, inquestionavelmente se condenou a si mesma a Involução e a degeneração.
Não é possível que o homem verdadeiro surja mediante a mecânica evolutiva. Bem sabemos que a evolução e sua irmã gêmea a involução, são tão somente duas leis que constituem o eixo mecânico de toda a natureza. Se evoluciona até certo ponto perfeitamente definido e logo vem o processo involutivo; a toda subida lhe precede uma baixada e vice-versa.
Nós somos exclusivamente máquinas controladas por distintos Eus. Servimos a economia da natureza, não temos uma individualidade definida como supõem equivocadamente muitos pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas. Necessitamos mudar com máxima urgência, a fim de que os gérmenes do homem dêem seus frutos.
Somente trabalhando sobre nós mesmos com verdadeira continuidade de propósitos e sentido completo de responsabilidade moral, podemos converter-nos em homens solares. Isto implica consagrar a totalidade de nossa existência ao trabalho esotérico sobre nós mesmos.
Aqueles que tem esperança de chegar ao estado solar mediante a mecânica da evolução, enganam a si mesmos e se condenam de fato a degeneração involutiva.
No trabalho esotérico não podemos dar-nos o luxo da versatilidade; esses que tem idéias volúveis, estes que hoje trabalham sobre sua psique e amanhã se deixam tragar pela vida, estes que buscam evasivas, justificativas para abandonar o trabalho esotérico degenerarão e involucionarão.
Alguns dão tempo ao erro, deixam tudo para um amanhã, enquanto melhoram sua situação econômica, sem ter em conta que o experimento solar é algo muito distinto que seu critério pessoal e seus costumeiros projetos.
Não é tão fácil converter-se em homem solar quando carregamos a Lua em nosso interior (O Ego é lunar).
A terra tem duas luas; a segunda é chamada Lilith e se encontra um pouco mais distante que a lua branca.
Os astrônomos conseguem ver a Lilith como uma lentilha, pois é muito pequena. Esta é a Lua negra.
As forças mais sinistras do Ego chegam a Terra desde Lilith e produzem resultados psicológicos infra-humanos e bestiais.
Os crimes da sangrenta imprensa, assassinatos mais monstruosos da história, os delitos mais insuspeitados, etc., etc., etc., se devem às ondas vibratórias de Lilith.
A dupla influência lunar representada no ser humano mediante o Ego que carrega em seu interior, faz de nós um verdadeiro fracasso.
Se não vemos a urgência de entregar a totalidade de existência ao trabalho sobre nós mesmos, com o propósito de liberar-nos da dupla influência lunar, terminaremos tragados pela Lua, involucionando, degenerando cada vez mais e mais dentro de certos estados que bem poderíamos qualificar de inconscientes e infraconscientes.
O grave de tudo isto é que não possuímos a verdadeira individualidade, se tivéssemos um centro de gravidade permanente, trabalharíamos de verdade, seriamente, até lograr o estado solar.
Há tantas desculpas nestas questões, há tantas evasivas, existem tantas atrações fascinantes, que de fato costuma fazer-se quase impossível compreender por tal motivo a urgência do trabalho esotérico.
Sem dúvida a pequena margem que temos de livre arbítrio e o Ensinamento Gnóstico orientado até o trabalho prático, poderiam servir-nos de base para nossos nobres propósitos relacionados com o experimento solar.
A mente volúvel não entende o que aqui estamos dizendo, lê este capítulo e posteriormente o esquece; vem depois outro livro e outro, e ao final concluímos que afiliando-nos a qualquer instituição que nos venda passaporte para o céu, que nos fale de forma mais otimista e que nos assegure mais comodidades no mais além.
Assim são as pessoas, meras marionetes controladas por fios invisíveis, bonecos mecânicos com idéias volúveis e sem continuidade de propósitos.
CAPÍTULO XXXI
O TRABALHO ESOTÉRICO GNÓSTICO
É urgente estudar a Gnosis e utilizar as idéias práticas que nesta obra damos para trabalhar seriamente sobre si mesmos.
Sem dúvida não poderíamos trabalhar sobre nós mesmos com a intenção de dissolver tal ou qual “Eu”, sem havê-lo observado previamente.
A observação de si mesmo permite que penetre um raio de luz em nosso interior.
Qualquer “Eu” se expressa na cabeça de um modo, no coração de outro modo e no sexo de outro modo.
Necessitamos observar ao “Eu” que em um momento dado tenhamos apanhado, urge vê-lo em cada um dos três centros de nosso organismo.
Em relação com outras pessoas, se estamos alertas e vigilantes como o vigia em época de guerra, nos autodescobrimos.
Recorda você a que hora feriram sua vaidade? Seu orgulho? O que foi que mais lhe contrariou no dia? Por que teve esta contrariedade? Qual sua causa secreta? Estude isto, observe sua cabeça, coração e sexo.
Qualquer contrariedade, qualquer incidente, pode conduzir-nos mediante a auto-observação íntima, ao descobrimento de um “Eu”, seja de amor próprio, inveja, ciúmes, ira, cobiça, suspeita, calúnia, luxúria, etc., etc., etc.
Necessitamos conhecer a nós mesmos antes de poder conhecer aos demais. É urgente aprender a ver o ponto de vista alheio.
Se nos colocamos no lugar dos demais, descobriríamos que os defeitos psicológicos que a outros atribuímos, os temos sobrando em nosso interior.
Amar ao próximo é indispensável, mas alguém não poderia amar a outros se antes não aprende a colocar-se no lugar da outra pessoa, no trabalho esotérico.
A crueldade continuará existindo sobre a face da terra, enquanto não hajamos aprendido a nos colocar no lugar dos demais.
Mas se alguém não tem o valor de ver-se a si mesmo, como poderia colocar-se no lugar de outros?
Por que haveríamos de ver exclusivamente a parte má das outras pessoas?
A antipatia mecânica para com outra pessoa que pela primeira vez conhecemos, indica que não sabemos nos colocar no lugar do próximo, que não amamos ao próximo, que temos a consciência demasiado adormecida.
Nos cai muito antipática determinada pessoa? Por qual motivo? Talvez bebe? Observemo-nos... Estamos seguros de nossa virtude? Estamos certos de não carregar em nosso interior o “Eu” da embriaguez?
Melhor seria que ao ver um bêbado fazendo palhaçadas, disséramos: “Este sou eu, que palhaçadas estou fazendo”.
É você uma mulher honesta e virtuosa e por isto lhe cai mal certa dama; sente antipatia por ela. Por que? Sente-se muito segura de si mesma? Crê você que dentro de seu interior não tem
o “Eu” da luxúria? Pensa que aquela dama desacreditada por seus escândalos e lascívias é perversa? Está segura de que em seu interior não existe a lascívia e perversidade que vê nesta mulher?
Melhor seria que se auto-observasse intimamente, e que em profunda meditação ocupasse o lugar daquela mulher a quem aborrece.
É urgente valorizar o trabalho esotérico Gnóstico, é indispensável compreende-lo e aprecia-lo, se é que em realidade anelamos uma mudança radical.
Nos faz indispensável saber amar a nossos semelhantes, estudar a Gnosis e levar este ensinamento a todas as pessoas, do contrário cairemos no egoísmo.
Se alguém se dedica ao trabalho esotérico sobre si mesmo, porém não dá o ensinamento aos demais, seu progresso íntimo se torna muito difícil por falta de amor ao próximo.
“O que dá, recebe e quanto mais dê, mais receberá, porém ao que nada dá, até o que tem lhe será tirado”. Esta é a Lei.

CAPÍTULO XXXII
A ORAÇÃO NO TRABALHO
Observação, Julgamento e Execução, são os três fatores básico da dissolução. Primeiro: se observa. Segundo: se julga. Terceiro: se executa.
Aos espiões de guerra, primeiro se lhes observa; segundo se lhes julga; terceiro lhes fuzila.
Na inter-relação existe auto-descobrimento e auto-revelação. Quem renuncia a convivência com seus semelhantes, renuncia também o auto-descobrimento.
Qualquer incidente da vida, por insignificante que pareça, indubitavelmente tem por causa um ator íntimo em nós, um agregado psíquico, um “Eu”.
O auto-descobrimento é possível quando nos encontramos em estado de alerta percepção, alerta novidade.
“Eu” descoberto em flagrante, deve ser observado cuidadosamente em nosso cérebro, coração e sexo.
Um Eu qualquer de luxúria poderia manifestar-se no coração como amor, no cérebro como um Ideal, mas ao por atenção no sexo, sentiríamos certa excitação morbosa inconfundível.
O julgamento de qualquer Eu deve ser definitivo. Necessitamos lhe sentar no banco dos acusados e julga-lo sem piedade.
Qualquer evasiva, justificação, consideração, deve ser eliminada, se é que de verdade queremos fazer-nos conscientes do “Eu” que anelamos extirpar de nossa psique.
Execução é diferente; não seria possível executar a um “Eu” qualquer, sem haver-lhe previamente observado e julgado.
Oração no trabalho psicológico é fundamental para a dissolução. Necessitamos de um poder superior a mente, se é que em realidade desejamos desintegrar tal ou qual “Eu”.
A mente por si mesma nunca poderia desintegrar nenhum “Eu”, isto é irrefutável, irrebatível. Orar é conversar com Deus. Nós devemos apelar a Deus Mãe em Nossa Intimidade, se é que em verdade queremos desintegrar “Eus”, quem não ama a sua Mãe, é um filho ingrato, fracassará no trabalho sobre si mesmo.
Cada um de nós tem sua Mãe Divina particular, individual, ela em si mesma, é uma parte de nosso próprio Ser, porém derivado.
Todos os povos antigos adoraram a “Deus Mãe”, no mais profundo de nosso Ser. O principio feminino do Eterno é Isis, Maria, Tonantzin, Cibeles, Rea, Adonia, Isoberta, etc., etc., etc. Se no meramente físico temos pai e mãe, no mais fundo de nosso Ser temos também nosso Pai que está em segredo e a nossa Divina Mãe Kundalini.
Há tantos Pais no Céu quanto homens na terra. Deus Mãe em nossa própria intimidade é o aspecto feminino de nosso Pai que está em segredo.
Ele e Ela são certamente as duas partes superiores de nosso Ser íntimo. Indubitavelmente Ele e Ela são nosso próprio Real Ser, mais além do Eu da Psicologia.
Ele se desdobra Nela e manda, dirige e instrui. Ela elimina os elementos indesejáveis que em nosso interior levamos, sob a condição de um trabalho contínuo sobre nós mesmos.
Quando hajamos morrido radicalmente, quando todos os elementos indesejáveis hajam sido eliminados depois de muitos trabalhos conscientes e padecimentos voluntários, nos fusionaremos e nos integraremos com o “Pai-Mãe”, então seremos Deuses terrivelmente divinos, mais além do bem e do mal.
Nossa Mãe Divina particular, individual, mediante seus poderes flamígeros pode reduzir a poeira cósmica a qualquer destes tantos “Eus”, que hajam sido previamente observados e julgados.
De modo algum seria necessária uma fórmula específica para rezar a nossa Mãe Divina interior. Devemos ser muito naturais e simples ao dirigir-nos a Ela. O filho que se dirige a sua mãe, nunca tem fórmulas especiais, diz o que sai de seu coração e isto é tudo.
Nenhum “Eu” se dissolve instantaneamente; nossa Divina Mãe deve trabalhar e até sofrer muitíssimo antes de lograr uma aniquilação de qualquer “Eu”.
Volvei-se introvertidos, dirigi vossa súplica para dentro, buscando dentro de vosso interior a vossa Divina Senhora e com suplicas sinceras podeis falar-lhe. Roga-lhe que desintegre aquele “Eu” que hajais previamente observado e julgado.
O sentido da auto-observação íntima, conforme se vá desenvolvendo, os permitirá verificar o avanço progressivo de vosso trabalho.
Compreensão, discernimento, são fundamentais, sem dúvida se necessita de algo mais se é que em realidade queremos desintegrar o “Mim Mesmo”.
A mente pode dar-se o luxo de rotular qualquer defeito, passar-lo de um departamento a outro, exibir-lo, esconder-lo, etc., mas nunca poderia altera-lo fundamentalmente.
Necessita-se de um “poder especial” superior a mente, de um poder flamígero capaz de reduzir as cinzas qualquer defeito.
Stella Maris, nossa Divina Mãe tem esse poder, pode pulverizar qualquer defeito psicológico.
Nossa Mãe Divina vive em nossa intimidade, mais além do corpo dos afetos e da mente. Ela por si mesma tem um poder ígneo superior a mente.
Nossa Mãe Cósmica particular, individual, possui Sabedoria, Amor e Poder. Nela existe absoluta perfeição.
As boas intenções e a repetição constante das mesmas, de nada servem, a nada conduzem.
De nada serviria repetir: “não serei luxurioso”; os Eus da lascívia de toda maneira continuarão existindo no fundo de nossa psique.
De nada serviria repetir diariamente: “não terei mais ira”. Os “Eus” de ira continuariam existindo em nosso fundo psicológico.
De nada serviria dizer diariamente: “não serei mais cobiçoso. Os “Eus” da cobiça continuariam existindo nos diversos transfundos de nossa psique.
De nada serviria nos afastarmos do mundo e encerrar-nos em um convento ou viver em alguma caverna; os “Eus” dentro de nós continuariam existindo.
Alguns anacoretas cavernários a base de rigorosas disciplinas chegaram ao êxtase dos santos e foram levados aos céus, onde viram e ouviram coisas que aos seres humanos não lhes é dado compreender; sem dúvida os “Eus” continuaram existindo em seu interior.
Inquestionavelmente a Essência pode escapar do “Eu” a base de rigorosas disciplinas e gozar do êxtase, porém, depois da dita, retorna ao interior do “Mim Mesmo”.
Quem se acostumou ao êxtase, sem haver dissolvido o “Eu”, crêem que já alcançaram a liberação, se auto-enganam crendo-se Mestres e até Ingressam na Involução submergida.
Jamais nos pronunciaremos contra o arrombamento místico, contra o êxtase e a felicidade da Alma em ausência do Ego.
Só queremos por ênfase na necessidade de dissolver “Eus” para lograr a liberação final.
A Essência de qualquer anacoreta disciplinado, acostumado a escapar do “Eu”, repete tal façanha depois da morte do corpo físico, goza por um tempo de êxtase e logo volta como o Gênio da lâmpada de Aladim ao interior da garrafa, ao Ego, ao Mim Mesmo.
Então não lhe resta mais remédio que retornar a um novo corpo físico, com o propósito de repetir sua vida sobre o tapete da existência.
Muitos místicos que desencarnaram nas cavernas dos Himalaias, na Ásia Central, agora são pessoas vulgares, comuns e correntes neste mundo, a pesar de que seus seguidores todavia lhes adorem e venerem.
Qualquer tentativa de liberação por grandioso que seja, se não tem em conta a necessidade de dissolver o Ego, está condenado ao fracasso.