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CLXV
Textos sobre Alquimia
A Santa Unção Eucarística

Como de costume, sempre que entramos em um terreno desconhecido para as pessoas, acabamos tendo de vê-las lidar com seus conceitos, com seu aprendizado mecânico o qual tomou sempre como uma verdade, sem jamais ter vivenciado ou feito consciência realmente destes conceitos que carrega.

Certamente muitos justificarão o Adultério com algumas destas palavras que anteriormente dissemos, assim como muitos discordarão que seja o significado destas passagens, e quanto a isto guardamos o respeitoso silêncio, já que são escolhas que cada um tem, e são compreensões e vivências que cabe a cada um encarnar, vivenciar a seu tempo.

O Cristo afirmou que o Pão é o seu Corpo, e que o Vinho é o seu Sangue, referindo-se a estes processos que já transcrevemos em oportunidades anteriores, da Santa Ceia.
O Cristo assim afirma que necessitamos unir em nós mesmos seu Sangue e seu Corpo para que sejamos um com ele.
É certo que a energia sexual feminina é o vinho, e esta como claramente fica observável está contida no Cálice, a mulher.
É verdadeiro que a energia sexual masculina é simbolizada e cristalizada pela transubstanciação no Pão que geralmente fica em um cesto sobre o Altar, e certamente depositada no homem.

Este é o grande motivo pelo qual os sábios Mestres nos justificam que o ato sexual é exatamente este Santo Ofício, aonde estes dois princípios mais uma vez se encontram, e formam esta unidade primordial da vida, e ainda que por alguns instantes, este casal forma uma Divindade capaz de criar.
É claro que a criação pode ser meramente física, pode ser interna, também pode como é comum a atual humanidade, ser usado este ato apenas para o delito da fornicação.


Este drama final, o trabalho de Maria Madalena, encontramos sob diferentes formas, com diferentes nomes, em diferentes épocas, tal qual como é apresentada no Parsifal de Wagner:

"É a primeira hora da Sexta-Feira Santa. Gurnemanz, o ermitão envelhecido, trajado apenas com a velha túnica dos cavaleiros do Graal, sai da choça e escuta uns profundos gemidos, como de alguém que, em profundo sono, luta contra um pesadelo.
Dirige-se apressadamente para o sarçal de onde provêm os gemidos e encontra Kundry, fria e rígida, escondida não se sabe há quanto tempo, nos ásperos espinheiros do inverno – a triste noite moral do pecador – sem conhecer a chegada da primavera.
O ancião arrasta Kundry para fora e procura reanimá-la com o seu alento.
Ela desperta, finalmente, lançando um grito. Veste-se de penitente. Sua tez é
mais pálida.
Do rosto e dos modos desaparecera a crueldade intratável.
Contempla Gurnemanz, demoradamente, como quem evoca antigas lembranças; levanta-se e dirigindo-se à cabana do eremita dispõe-se à faina de servi-lo, como outrora o fizera com os santos cavaleiros.
Enche um cântaro com água da fonte e logo regressa à cabana, dispondo-se a trabalhar, como de costume, por gratidão ao último sobrevivente do Graal.
Enquanto isso, sai do bosque Parsifal, vestindo um traje negro com armadura fechada, viseira abaixada, lança inclinada e a cabeça curvada sob o peso de seus desencontrados pensamentos.
Gurnemanz aproxima-se, oferecendo-lhe auxílio. Parsifal não responde às atenções do asceta; mas este lhe recorda que é Sexta-Feira Santa, dia cuja santidade não deve ser escarnecida pelo uso de armas.
Parsifal levanta-se, arroja ao solo suas armas, crava na terra a lança e diante dela cai de joelhos em estática oração.
Gurnemanz contempla-o, emocionado e assombrado, enquanto através de sinais chama Kundry. Nele, reconhece agora o matador do cisne de outrora, pecador que retorna, qual o homem, ao Santo Recinto ‘pelos caminhos da desolação e do desacerto, cem vezes amaldiçoado; por paragens sem senda e contendas inumeráveis’.
O ermitão informa-o sobre o estado de desgraça em que haviam caído os cavaleiros do Graal, todos dispersados ou mortos, menos ele, desde que Amfortas, já impotente para resistir à maldição de sua ferida, busca a morte, renunciando descobrir o sagrado Vaso para que Ele não continue prolongando-lhe a vida com o seu hálito imortal.
Parsifal, ante dor tamanha, cai desmaiado junto à fonte.
Gurnemanz sustenta-o, fazendo sentar-se na relva, e Kundry acode com uma vasilha de água para refrescar o rosto de Parsifal.
Não!, diz Gurnemanz. Seja a própria fonte sagrado o Vaso - o Yoni que ao peregrino restaure.
Prevejo que está chamado a realizar hoje uma obra sublime; a exercer uma missão divina. Seja, pois, limpo de toda mancha e lavado aqui das impurezas de sua longa peregrinação.
Ambos conduzem Parsifal até à beira de uma fonte.
Kundry desata-lhe as grevas (parte da armadura que recobre as pernas) e banha-lhe os pés, enquanto o ermitão despoja-o das velhas e negras vestiduras da dor e da luta, deixando-o apenas com a túnica branca do Neófito, que é a nova túnica da pureza, expurgado já de todo o velho fermento do pecado, como diria São Paulo!
Kundry unge os pés do predestinado, vertendo sobre eles o conteúdo de um frasquinho de ouro oculto em seu seio.
Qual nova Madalena, enxuga-lhe os pés com seus próprios cabelos.
Simultaneamente, Gurnemanz unge-lhe a cabeça como a um futuro Rei, batizando-lhe como ao Redentor do Graal e como a um sapiente por compaixão.
"
- O Parsifal Desvelado, V.M. Samael Aun Weor

04/11/16