CLXV
Textos sobre Antropologia
Après moi, le déluge

Estas foram as palavras do Conde Luís XV (Rei), prevendo a queda da Monarquia e o evento da Revolução Francesa. "Depois de mim, o dilúvio".

Não entraremos nos méritos deste governante que certamente causaram todos estes catastróficos eventos, que culminaram com a sangrenta Revolução Francesa.

Luís XV foi um fornicário irredento, seu sucessor, Luís XVI foi um glutão sem igual, dentre outros delitos menores.


O Ponto que queremos tocar não é necessariamente histórico, mas kabalístico, já que o XV (Quinze - 15) são as Paixões, e depois de satisfeitas as paixões, resta o fracasso espiritual, XVI (Dezesseis - 16).
Para a monarquia, os reis e o sistema daquela época, os números foram exatos e assinalaram o destino dos governantes e a revolta por uma mudança.

O Dezesseis (16, XVI), para Luís XVI foi fatal, resultado da herança das ações deixadas por Luís XV.

Não estamos dizendo que o XV seja negativo, e sim que seja referente a questão sexual. O Sexo, a força sexual, o impulso do Logos, pode ser usando tanto para nossa destruição, como para nossa salvação.
O Próprio XVI não deixa de ser uma provação, uma mudança forçosa, pois o XV é um marco de modificações. XV (15) é a força da criação em seu esplendor, é o ápice da roda, é o instante máximo aonde ou transforma-se em algo novo e divino, ou segue pela irmã gêmea da evolução, a involução, a destruição.


A Morte física, o desencarne, é para uns uma benção porque lhes traz o esquecimento de uma vida amarga, ou até de uma vida doce o suficiente para que os prazeres já não tenham sabor. Para outros pode ser considerada uma maldição, porque por este esquecimento, busca os mesmos prazeres que já não recorda que viveu, igualmente passa pelos mesmos dramas, vida após vida.

"Esses pesares eu os domino, são meus servidores, meus mais humildes escravos. Fazei vós igual e eu os premiarei agora e sempre. Não penseis certamente em mudanças inúteis, porque sereis sempre como sois e não de outro modo. Por isto os Reis da Terra sempre serão Reis e os escravos lhes deverão servir. Ninguém será derrubado ou exaltado; tudo continuará e permanecerá incólume, como sempre foi. Porém eis que também surgem servidores mascarados e pode acontecer que aquele mendigo seja um rei encoberto, porque pode eleger sua roupa a vontade; não há disto prova segura. Sem dúvida o verdadeiro esmoleiro não poderá ocultar sua pobreza." - Trecho de um Ritual Gnóstico

Enquanto não formos capazes de realizar mudanças verdadeiras e significativas em nossa forma de Ser, isto é, liberando as funções da consciência da tirania de nossas debilidades, vícios e delitos, não teremos condições de perpetuar a memória de nossas ações, porque de outro modo estaríamos presos a uma limitação egóica da personalidade e não da integração e posse da virtude e dos poderes da Alma.


O Número XV anuncia a mudança e a força da criação em movimento, a força do logos mudando o rumo e o destino da humanidade, hoje mais uma vez dá mostra da revolução em andamento e não nos resta dizer outra coisa, senão: "Post me, diluvium".

"Senhor, ouve a minha súplica e permite que a minha voz chegue a Ti.
Não desvies o Teu rosto de mim; inclina o Teu ouvido para mim no dia em que esteja oprimido; ouve-me com prontidão no dia em que clame por Ti.
Pois os meus dias desvanecem-se como fumo e os meus ossos estão secos como a pedra.
Estou esgotado como o pasto e meu coração está seco pois esqueci-me de comer o meu pão.
Da voz dos meus lamentos, os meus ossos rasgam-me a carne.
Sou agora como um pelicano no deserto. Converti-me num «mocho de casa».
Passei a noite em vigília; converti-me num «gorrião» solitário no telhado.
Os meus inimigos vilipendiaram-me durante todo o dia e aqueles que me honravam injuriaram-me.
Pois comi cinzas em vez do meu pão e misturei a minha bebida com lágrimas.
Devido à Tua ira e indignação. Pois Tu me levantaste e derrubaste.
Os meus dias declinaram como uma sombra e estou esgotado como o pasto.
Porém Tu, oh Senhor! Perduras para sempre, assim como a Tua lembrança na geração de todas as gerações.
Aparece e tem piedade de Sião, pois chegou o dia de se ter piedade dela. O preciso momento chegou.
Os Teus servos suspiraram pelas suas pedras e terão piedade do seu solo.
E as Nações temerão o Nome do Senhor e os Reis da Terra temerão a Tua Soberania.
Pois o Senhor construirá Sião e revelar-se-á a Si próprio na Sua Soberania.
Ele tomou em conta a oração do humilde e não desprezou as suas súplicas.
Isto será registrado para outra geração, e o povo que será criado louvará o Senhor.
Porque Ele olhou para baixo, da Sua Santa Altitude. O Senhor olhou para baixo, do Céu sobre a Terra.
Para escutar os lamentos dos acorrentados, para libertar os filhos daqueles que estão mortos.
Para proclamar o Nome do Senhor em Sião e a sua glorificação em Jerusalém."
- Pistis Sopia Desvelada

 

25/01/13