CLXV
Textos sobre Filosofia
Mais além do Bem e do Mal

Isto que temos que passar mais além do bem e do mal, costuma ser muito mal interpretado pelos próprios gnósticos.
Alguns sentem-se realmente superiores ao bem e o mal mas na verdade vivem em ambos, e não mais além deles, e isto é lamentável.

Se observarmos o número 108, que é um número sagrado para muitas religiões, vamos entender que se refere exatamente a este ensinamento de passar mais além do bem e do mal.
Já nos foi dito pelo V.M. Samael que devemos entender como Bem as forças evolutivas da natureza e Mal como as forças involutivas da natureza.

Sempre que necessitamos chegar a síntese, precisamos estudar os dois opostos.
Primeiro surge a tese, posteriormente vem a antítese e disto vamos a síntese, a síntese de um pensamento é o não pensamento, porque a antítese anula a tese e vem a manifestação da consciência.

Gnosis é G (Gênese), No (Negação, antítese), Si (Afirmação, tese) e S síntese.
Em números poderíamos representar como 69108, porque o 69 representa o principio, o 1 é a negação ou o aspecto negativo, o 0 a força positiva ou de afirmação, e o 8 claro é a síntese.

Então 108 vemos que é o caminho para a revolução, 1 é a evolução, 0 é a involução, necessitamos pois o 8, a revolução da consciência.
Todo Iniciado luta contra as forças do bem e do mal, é uma luta porque os evolucionantes não compreendem o revolucionário, os involucionantes não aceitam o revolucionário, porém é assim o caminho.

Então fica óbvio que lutar contra o bem e contra o mal, é libertar-se das ondas evolutivas e involutivas da natureza, porque desta dualidade só encontramos amargura, a revolução é estar livre desta dura roda a qual é submetida a humanidade.

A Revolução da Consciência é algo difícil, certamente quem considere tarefa fácil é porque não está fazendo corretamente, o caminho reto é amargo e duro, os nirvanís comumente crêem que trilham o caminho reto mas vivem suas vidas tranqüilas sobre a face da terra.

Para nos liberar da podridão do Ego ainda em vida, necessitamos submeter-nos a terríveis disciplinas e desenvolver uma força de vontade inquebrantável.
Despertar a consciência é urgente, mas não podemos despertar o que não temos, necessitamos pois um grande esforço por resgatar esta consciência que vive em sofrimento a mercê de nossos defeitos psíquicos.

No feito prático da vida, observamos muitas pessoas que seguem processos evolutivos, que surgem com bons costumes e com bons feitos, mas inconscientes, inocentes.
No dia a dia vemos igualmente pessoas que perderam sua fé, que perderam seu amor, que perderam a esperança em algo superior e se lançam em cheio as coisas do mundo, que vivem no egoísmo de suas vidas, que se revolvem dentre maus costumes e más maneiras, exatamente contrários aos que ainda percorrem a evolução.

O Revolucionário é o incompreendido, não é um rebelde sem causa, sua causa é o Espírito, dependendo do caminho que sua Mônada optou trilhar, será a vida que este levará, mas certamente só, ainda que esteja entre multidões.
O Caminho da revolução é um caminho amargo e difícil, diferente da evolução e da involução, é um caminho que não está pavimentado, tem que ser aberto a força, a imortalidade da Alma custa caro.

O Revolucionário tem que ser como o Sol, como a Chuva e como a Mãe Terra. Deve ter para todos uma luz, deve saber iluminar a todos sem distinção, tal como o Sol faz a cada ser vivo, sem distinção; deve ser como a chuva que traz a vida e mata a sede de todo aquele que se alimenta dela, por fim deve ser igualmente como a Terra que dá o abrigo e este infinito amor de um acolhimento eterno a cada ser vivo que ali habita.
O Revolucionário necessita estar mais além da individualidade, claro que primeiro necessita conquistar a individualidade para não ser afetado pelas forças evolutivas e involutivas da natureza, logo deve passar para a sobre-individualidade, assim é o caminho reto.
Enquanto haja um só pensamento como indivíduo, enquanto haja um anelo de manifestação, não se pode um Mestre ingressar ao Absoluto.

A Revolução começa nos detalhes, necessitamos sempre fazer o possível e deixar o impossível para que nossa Divindade Interior resolva, se não somos capazes.

A Obra se faz difícil, porque todo iniciado passa por muitos lugares dentro de si mesmo, é um planeta, ali passamos por desertos, passamos por oásis, o problema para este revolucionário é que nunca pode parar, pois ficaria preso em alguma região tentadora.
Existem dias e noites cósmicas dentro de cada indivíduo, raro é o que suporta todas estas provas, raro é quem termina esta Obra.

Durante estas noites e estes duros processos de trevas interiores, é quando cada pessoa necessita crescer espiritualmente, necessita esgrimir sua consciência e fazer jus aos esforços que o Ser de cada pessoa tem feito por ela.
Estas noites, estes desertos pelos quais se passa interiormente, são os momentos em que é posto em prova tudo que esta pessoa aprendeu, se foi capaz de fixar em sua consciência todo aquele aprendizado que teve.
É Muito fácil para uma pessoa fazer algo quando o Ser lhe ordena, quando o Ser lhe impulsiona, lhe dá luz, lhe dá anelo, mas raro é quem sabe caminhar por suas próprias pernas durante estas noites psicológicas.

Muitos processos o indivíduo sente-se abandonado, sente-se realmente só, claro que o caminho é solitário, mas sempre os Veneráveis Mestres da Loja Branca nos acompanham, nos observam, ainda que não possamos perceber sua presença.
Estes grandes seres nos acompanham e nos observam com o objetivo de estarem ali em caso de necessidades, caso o iniciado realmente necessite ajuda e claro para avaliar suas capacidades e sua força interior.

O Ser necessita saber o potencial de seu filho, não se entrega o poder de Reis a débeis, ninguém pode mandar, se não soube primeiro obedecer, isto é uma lei.
Nossa obrigação como homens é executar este re-ligare, é retornar ao Pai que está em segredo, isto seja durante o dia ou durante estas terríveis noites psicológicas.

A Vida como vida só tem um sentido, o que fizemos a nível conscientivo, a nível espiritual.
A Carne é perecível, a Personalidade se perde em meio aos séculos, somente a Alma, nossos veículos internos e nossas ações de sacrifício pela humanidade são levados em conta.
As forças evolutivas e involutivas da natureza não esperam que estas Almas se libertem de seus sistemas, para a natureza, cada criatura que se liberte de suas amarras é mais um que terá domínio sobre a mesma.

Estamos nos instantes finais de uma raça, momentos em que um passo atrás e um é envolvido por uma escuridão que não verá mais luz, são momentos em que uma queda é fatal.
Só precisamos seguir firmes neste nobre propósito em relação a nosso Ser, marchar rumo a revolução da consciência mesmo que nossos ossos se quebrem diante desta marcha e que nossa pele se desfaça em pó.
A Carne, o corpo, os sentidos, enfim o mundo é uma ilusão que mantém aficionados os seres evolutivos e involutivos da natureza, os revolucionários buscam a realidade espiritual, não estão presos as ilusões temporais da matéria.

26/02/12