CLXV
Textos sobre Filosofia
Obediência a Consciência e ao Ser

A Obediência é algo essencial, indispensável, para o triunfo de qualquer instituição ou grupo esotérico, nos referimos claro a hierarquia e a organização que há dentro de uma instituição.

Jamais deveríamos nos opor a nada por caprichos ou por desejos de fazer diferente, a única coisa que pode dar a pessoa a razão de não seguir uma regra institucional, se chama Consciência, Ser.

Certamente muitos interpretarão suas idéias e seus desejos próprios como desígnios da Consciência e claro isto seria um equívoco lamentável, já que estariam sempre justificando-se pelos seus delitos e jogando a culpa em algo que não se faz presente naquela pessoa.

Por isto que o primeiro que precisamos é disciplina, porque para que surja este guia dentro de nós, temos que ter uma auto-disciplina, que nos serve para que possamos ir avançando no caminho que é nosso. E Necessitamos de uma disciplina institucional, no sentido de seguir as ordens e as orientações daqueles que estão guiando e organizando aquele grupo ou instituição, para que não hajam conflitos, este é nosso trabalho a nível público.

Por isto que sempre recomendamos aos irmãos que façam um trabalho institucional, aliado a este trabalho interno que se propõe a realizar. Porque um é um complemento do outro. Tal como é dentro é fora tal como é encima é em baixo, e isto deve acontecer junto e ao mesmo tempo para que possamos ir nos aprofundando e percorrendo este longo caminho até nosso Ser.

No começo a pessoa deve se esforçar para meditar todos os dias, fazer boas ações, caridades, runas, vocalizações, mesmo que não sinta vontade (para não citar tantas coisas mais), mesmo que não compreenda o valor destas coisas, porque como nossa consciência não está ainda presente, como não temos a guiatura do Ser, não sabemos quando ele está conosco ou quando não está e estas práticas nos ajudam a estarmos naquele limiar que é nossa parte, para que ele possa fazer a dele.

Não é que o Ser não esteja conosco, mas em nós, sabemos que por uma questão iniciática não existe esta possibilidade de se ter o Ser encarnado e por isto há uma limitação de sua expressão, mas há uma expressão dele, porque o Ser são partes autônomas, são um exército que vão se aglomerando dentro da pessoa.
Então que temos que aprender a sentir, sentir este impulso da consciência, ser capaz de compreender o que é um impulso do Ser ou do Ego.

Uma pessoa que medite, que realmente medite, ela tem naqueles momentos contato direto com sua consciência, ela sabe tudo que deve e que não deve fazer, por isto que é tão importante meditar, rever nossas ações diárias, rever todas nossas ações de uma existência, porque ali sabemos o que foram acertos ou erros, porque é a nossa consciência que está fazendo este julgamento.

Esta presença de nossa consciência, depende de estados psicológicos que nos coloquemos, já falamos da Paz e da Inspiração; porque isto nos desloca internamente a regiões de luz, de sabedoria, em nosso país psicológico (nosso mundo interno).

Algumas vezes quando estamos no Astral, pedimos a Mãe Divina que nos leve a Santa Igreja Gnóstica dos Mundos Superiores, digo.. quando vamos por nossa vontade, porque muitas vezes somos levados aos templos por necessidades...
Certa vez ao estar no astral flutuando e voando livremente, tivemos a recordação e o ímpeto de ir a Santa Igreja Gnóstica, tínhamos o anelo de fazer um questionamento a um Mestre da Loja Branca sobre determinado assunto, então pedimos a Mãe e vimos uma luz que subia pela coluna e instantaneamente aparecemos dentro de um Templo.

Mas não vimos o que esperávamos, porque não era a Santa Igreja Gnóstica dos Mundos Superiores, e sim dos Mundos Interiores (Astral Interno), ou seja, a Igreja da pessoa, estávamos em nosso coração, nosso próprio templo, nossa Santa Igreja.
O Interessante é que aquele lugar não tinha portas, entramos dentro do templo por um estado de consciência e não por atravessar um umbral.
Claro que haviam portas que separavam as câmaras e até o Templo Principal aonde oficia o Ser.

Ali dentro haviam como pessoas, cada uma daquelas pessoas eram estas partes auto-conscientes do Ser, frações da Alma que trabalham e laboram neste nosso templo coração.
Cada uma tinha seus ensinamentos, suas funções, como uma delas nos explicou nos mostrando o lugar e a função de alguns que estavam no salão principal.
É Muito gratificante poder realmente ver e observar quem são e como atuam cada uma das partes autônomas do Ser, inclusive nos encontramos em determinado momento com uma parte muito especial, que é a que nos dá aquele sentir, de que temos que fazer algo, a parte que faz este elo entre o Ser e a pessoa.

Sabíamos quem era, porque ao mesmo tempo que a víamos ali a nossa frente como uma terceira pessoa, sentíamos sua expressão dentro de nós mesmos, algo realmente espantoso.

O Que queremos dizer com este relato, é que isto existe dentro de cada um de nós, e são regiões que necessitamos aprender a penetrar, exatamente pelo estado de consciência que nos colocamos.
Não é questão de ver ou dialogar com nossas partes autônomas, senão penetrar a nível de consciência dentro destas regiões e permitir com que estas frações do Ser, que em realidade é o que somos, façam seu trabalho, se expressem e dêem a solução dos enigmas de nossa vida e do caminho.

Porque os Mestres insistem tanto que não sigam a eles? Porque dizem que não querem seguidores?
Porque nós temos nosso guia dentro de nós mesmos, e toda a guiatura que nos dão, todo o aprendizado que nos convidam, é para que possamos nos conectar a isto, a nosso Ser, a nossa Consciência e então sim começar a trilhar o Real caminho.

Não precisamos que todo dia alguém nos dê um tapinha nas costas e nos convide para viver o caminho, sinceramente não precisamos de nenhum estímulo externo... porque estes estímulos não duram para sempre e o que será deste iniciado quando não tenha alguém para empurrar ou para puxar no caminho? Pois fica aí aonde parou, se é que não joga tudo para o alto e desfaz-se de todo mérito que conseguiu até ali.

E Isto acontece porque não soube fazer este trabalho externo junto com esta busca interna, não conciliou ambos.
É Muito bom irmãos, é algo maravilhoso que façam boas coisas pelos demais, mas de nada adianta se não fazemos isto por nós mesmos, porque a Obra tem que ser guiada pela Consciência, por estes impulsos do Ser, senão que Obra é esta?

Toda vez que um Mestre que esteja a frente de um grupo ou instituição desencarna, se diz que este Mestre vai ao Abismo para desfazer-se dos últimos laços que tenha e claro ressurge e ressuscita para a vida eterna.
No entanto seu povo sempre acompanha ao Mestre, vai ao Abismo com o Mestre, mas poucos voltam a ver a Luz. Poucos voltam a ver a Luz, porque a Luz que tem que nos tirar deste Abismo é nossa própria consciência, é nosso Ser que tem que nos dar a mão e nos retirar destes estados e nós claro temos que fazer nossa parte.

Porque a luz que a guiava deixou de brilhar de uma forma perceptivel, e a luz que tinham seus seguidores, era aquela luz emprestada do Mestre, então é o momento em que a pessoa tem que eleger por consciência seu próprio caminho, porque a luz que seguiamos penetrou no Abismo e fomos atrás, só que ainda não é nosso momento, então temos que sair dali por nosso mérito.

Temos gnósticos que estão aí e vivem no meio gnóstico a décadas, muitas décadas, mas tem a Gnosis como um conhecimento intelectual, algo a ser decorado e repetido, não lograram serem capazes de seguir o que sua própria consciência determina, é terrível ver e ter de dizer isto.

Porque há muitas e muitas coisas que nunca foram escritas sobre este caminho, exatamente para que cada um possa fazer duas escolhas, tomar suas decisões, e que queira Deus, optem pelo que lhes guie a Consciência de cada um.

Vivemos tempos aonde o Mal se faz presente como nunca, não vamos contar outra história, mas são tempos difíceis, ainda que os irmãos não percebam, acompanhamos isto de perto. Felizmente a ajuda é grande, realmente a ajuda não falta, o problema é que as pessoas se acomodam, não tornam-se aquelas Águias Rebeldes de que falam os Mestres.

Dizemos Águia porque se refere ao Espírito, dizemos rebelde, porque não se encaixam em parâmetros que os outros lhe impõe. Não que estejam contra tudo e todos, mas por estarem em um mundo de injustiças (tanto dentro como fora de nós), não se adaptam a estes parâmetros que tem estas humanidades.

Por isto que rogamos, aprendam a viver desta consciência, porque assim faz o que é justo e segue seu próprio ritmo que é o que necessita para trilhar o caminho.
Não permitam, não façam deste Cristo, destes Apóstolos e de cada fração de consciência que está despertando, escravos de nossos erros e delitos, estejamos dispostos realmente a seguir os desígnios destes personagens Divinos que tem que viver este belo drama dentro de nós, e a nível público por meio de nossas vidas.

Estudem, analisem suas vidas, do ponto de vista desta consciência, e saberão que passos dar, que caminhos rumar, e podem ter certeza que se fazem isto sentindo e seguindo o coração de cada um de vocês, são passos que ninguém poderá obstaculizar, porque como já dissemos outras vezes, não é uma pessoa que vai ali, mas o próprio Cristo, vivendo sua via-crúcis.

E ao Cristo, lhe denigrem, lhe pisam, lhe insultam, lhe coroam com espinhos, e ao fim lhe matam, mas com esta morte, com esta coroa, e com toda esta purificação que lhe permitiram, ele renasce, renasce para esta vida Eterna.

E Esta é a promessa de nosso caminho, dor, sofrimentos e reflexões, e a certeza de que somos fiéis até o fim; e por esta consciência, seremos mortos, porque ao Cristo sempre lhe mata, e com isto recebe o mérito de seu sacrifício, porque seguiu sua Consciência e não trocou sua consciência por comodidades glórias ou aceitações humanas.

Gostaríamos de adicionar ao que foi dito, um belo texto do irmão Aron (Mestre Aron), que realmente nos demonstra em fatos, este processo em sua vida, que não é mais do que um reflexo da nossa e de todos que trilham este caminho:

Obediência conscientiva.
Irmãs e irmãos, a obediência conscientiva é sumamente importante e por sua vez é muito delicada, mas lembrem-se que a palavra 'conscientiva' nos exige que o que vamos obedecer esteja em sintonia com nossa consciência, para não servir de bode expiatório ou para não servir ao demônio ou à força tenebrosa que pode existir em um determinado momento; inconscientemente obedecer fazendo dano porque este também o temos conhecido na prática, na prática.
Quero lhes dizer, eu fui editor das obras do V.M. Samael por mais ou menos 15 anos, na Colômbia. Uma vez desaparecido o Venerável, fomos fazer uma edição de Psicologia Revolucionária e a pessoa que neste momento tomou o mando me disse:
"Luis Adolfo, (é o meu nome, o nome de minha personalidade), Luis Adolfo está em condições de fazer uma edição de Psicologia?"
E Falei que sim.
"Prepara-se para que a façamos!".
"Mas tem só uma coisa que eu quero dizer".
Falei: "Com muito prazer, qual é?"
"Que não saia o prólogo do Mestre Garga Kuichines, que não saia o prólogo do Venerável Mestre Garga Kuichines!"
Castrar a psicologia, minha reação não deixou esperar, e falei para a pessoa:
"Veja, respeito-o, sem dúvida que obedeço-o, mas não posso".
"Como é possível que não possa?"
E falei: "Não, não posso porque castrar, tirar, omitir este prólogo do livro do Mestre para mim é um grave erro e é algo que minha consciência não me permite".
Aos trinta dias recebi uma carta de expulsão do Movimento Gnóstico por desobediência. Arnaldo , sabia disto?
Por desobediência, e falou isso em todo o país e mais deste servidor, e posso confessar a vocês aqui, irmãs e irmãos, que não tive medo, não tive temor porque estava sentindo que era minha consciência e eu sempre disse: "Enquanto minha consciência não me acuse, que me acuse o resto do mundo!", e me senti bem; e é assim que segui trabalhando, ainda que expulso por circular.
Pequena situação que sofremos, mas se as trago neste ponto porque necessitamos ser conscientes na obediência à Doutrina, na obediência ao Pai, na obediência à Obra de meu Senhor, o Cristo, que nós estamos realizando. Quero que isso fique muito claro para que não se tenha equívocos ou comentários diferentes ao que aqui estamos falando.
Bom, vemos então que necessitamos complementar o que temos falado em relação com o arrependimento, o necessitamos complementar com a negação e ainda com a renunciação.
Isto quer dizer que os cinco pontinhos que vimos antes são uma ajuda e que o arrependimento entra em plena atividade, cristaliza, abrindo as portas do céu, abrindo as portas realmente em todos os sentidos quando o completamos com a negação: "Nega-te a ti mesmo, toma sua cruz e siga-me", nos falou o Mestre.
Quando fazemos uma verdadeira renunciação ao mal, sabem para que a pessoa baixa? O Senhor vai aos mundos infernos para renunciar ao mal e para vir com suas partes que vivem ali, a sair com elas.
E esse é o Mistério da Doutrina: arrependimento, negação e renunciação.

Paz Inverencial!

28/09/12