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CLXV
Textos sobre Filosofia
(Arcano XII) Renúncia e Reconciliação

Nossa vida e por consequência também no caminho esotérico encontramos muitas idas e vindas, repetições as quais nos trazem o que já foi e que nos pedem um novo parecer acerca daquilo que já resolvemos de uma maneira e agora temos a oportunidade de mudar não só nosso parecer mas a forma de lidar com tal circunstância.

A Vida por si só, com o passar dos processos e das repetições, costuma tornar-se aborrecedora a todos, uns porque fracassaram e nada conseguem lograr, outros porque triunfaram de uma maneira que nada lhe é um obstáculo ou uma dificuldade e isto igualmente lhes aborrece, afinal não tem uma devida provação a suas capacidades.
Claro que a vida tende a se adaptar ao processo que vive cada um, seja lhe diminuindo os fardos, seja jogando o peso do mundo sobre os braços daquele capaz de suportar tais investidas.

A Obra Espiritual constantemente nos demanda Sacrifícios, não apenas sacrifícios em nossas ações, mas sacrifícios daquilo que temos por prioridades, sacrifício mesmo daquilo que somos, um sacrifício de transcender a natureza que hoje nos compõe em benefício daquilo que temos de ser, que temos de encarnar, no decorrer destes processos os quais estamos submetidos.

Por diversas vezes a obra nos afasta de algo e logo nos põe novamente em contato com o mesmo, já sob um prisma muito distinto, exatamente para que possamos nos afastar para nos preparar e nos transformar de escravos a reis, desta circunstância em questão.
Não faz parte da Obra fugir das circunstâncias, no entanto as próprias circunstâncias muitas vezes nos demandam uma decisão a qual gera um afastamento e este afastamento faz parte da Obra, assim como este retorno acaba também fazendo parte, quando o Espírito assim demanda.


"Ainda que o sol te fadigue de dia e a lua te entristeça de noite, não leves teu pé ao resvaladeiro, nem durmas enquanto montas guarda." - Axioma do Arcano XII

O Caminho Espiritual em diversos momentos torna-se cansativo, repetitivo, obscuro até mesmo para nossos sentidos. Não porque estejamos perdidos ou porque tenhamos nos desviado da senda, mas porque muitas vezes nos acostumamos com uma situação ou mesmo não demos a devida transcendência a estes processos e isto nos dá uma percepção de que não estamos aonde devemos estar ou de que não estamos fazendo o que devemos fazer.
Isto é algo muito perigoso porque por diversas vezes as pessoas interpretam esta falta de mística para com o trabalho espiritual, como o desencaminho e um divórcio espiritual, enquanto na verdade é exatamente um chamado a renunciarmos estes processos que hoje vivemos, em prol de vivências ainda mais profundas e mais íntimas, guiadas pela Divindade. O que queremos dizer, é que nesta situação muitos dão um passo a trás em vez de dar um passo a frente, nestes momentos difíceis.

Na vida tudo passa, passam os dias, passam as noites, passam as alegrias, passam também as tristezas... da mesma forma passa o iniciado por suas crises e passa o iniciado pelos momentos de estabilidade, mas tudo passa e passa por um bem maior, para que siga transformando-se reconciliando-se cada vez mais com a Divindade ou mesmo se afastando dela em definitivo.

Há processos na Obra aonde mesmo os momentos bons são ruins, que dirá os momentos negativos, isto porque os processos divinos são cansativos e os ataques diabólicos nos causam tristeza e um certo desânimo, devido a natureza da incompreensão destes princípios para com aquilo que realizamos.
Nestes momentos sempre o indicado é buscar imobilidade, "solve e coagula", passou o momento de transformar-se e chegou o momento de buscar estabilidade, fixar o volátil pelo tempo prudente para que não se assimile impurezas em nossas cristalizações.
Pode parecer contrário dizermos que precisamos transcender um processo ainda assim devemos ser estáveis. A Questão é que há momentos que nos cabe preparar-nos e esta preparação é uma assimilação de conteúdo de entendimentos... mas chegam momentos aonde não podemos mais nada assimilar senão que por em prática aquilo que nos tornamos e aquilo que temos encarnado, uma terrível e justificável provação para aquilo que por fim resultamos, por nossas escolhas, seja do que vivenciamos, seja do que optamos por assimilar como entendimento.

Estes processos dolorosos, tanto os vivenciados na luz como nas trevas, comumente trazem ao iniciado um desânimo e uma profunda tristeza acerca de todos os processos envolvendo a vida, seja nos aspectos humanos como divinos. É muito comum o indivíduo por tudo em dúvida ao longo destas trevas as quais está submetido.
Em geral este Arcano chamamos de "O Apostolado" por um motivo muito óbvio, e é aonde o iniciado aprende o valor do amor e da transcendental caridade como profundo sacrifício pelos demais.
É quando este vendo-se uma vez perdido decide-se que se não pode salvar a si mesmo, salvará os demais e no processo salva a si mesmo, pois ajudando ao próximo ajuda a si mesmo pois na natureza nada fica sem um retorno.

Ao longo do Arcano XII aprendemos o valor do trabalho como representante e como Apóstolo do Cristo, revigorando nossa própria luz, ao servir de luz para nossos semelhantes que em uma angustia ainda mais profunda e mais desconcertados se encontram no caminho.


É ao longo desta passagem que aprendemos e que transforma-se a Obra dos demais nossa própria Obra, já que colocamos como principal meta o auxílio desinteressado como estandarte. O Apostolado.
E da necessidade de auxiliar os demais, o impulso final para transformar a nós mesmos em uma pedra fundamental no mundo para todo aquele que busque a verdade.


05/04/16