zzzzzzzz

 

CLXV
Textos sobre Filosofia
A Jornada do Paramartasaya

Tudo aquilo que vivenciamos, certamente logramos ter alguma compreensão acerca destes eventos vividos e isto nos permite auxiliar ou mesmo guiar outros que vivenciem estes mesmos processos.
Há indivíduos que por conta de sua vasta vivência, acabam servindo de intermediários entre distintos grupos, classes, regiões, etc.

Uma pessoa que unicamente viveu na cidade, certamente entende unicamente os benefícios e os prejuízos da cidade, e desconhece a realidade do campo e vice-versa.
No entanto uma pessoa que já viveu tanto no Campo como na Cidade, que já teve seus momentos de Riqueza e de Pobreza, que já viveu no norte como no sul, conhece a realidade destas regiões, tem alguma compreensão acerca destas naturezas e inevitavelmente tem a devida condição de ser um intermediário entre estas duas ou mais forças.

Claro que o que queremos falar está muito além das coisas cotidianas, e sim relacionado com os processos de integração com a Divindade Imanifestada, ou seja, desta segunda jornada a qual nos corresponde, que é tornar-nos habitantes do Absoluto e ingressar mais profundamente nas regiões mais distantes de Deus Imanifestado.

A Natureza tem sempre três aspectos, e isto é um reflexo da própria Divindade em sua primeira manifestação. Falamos de Positivo, Negativo e Neutro, que na natureza sexual é o aspecto Masculino, Feminino e a Criação (o Filho).
Deus, comumente na atualidade convencionamos a nomenclatura de Pai, Filho e Espírito Santo, no Cristianismo, algo que claro nas distintas culturas já tiveram outros nomes, e outras formas de nos referirmos a esta natureza Divina.

Nós somos o resultado do desdobramento de uma destas forças, quando de nossa criação primária. Neste instante supremo de nossa criação, "nascemos" à existência (que não é a existência física mas a unidade existencial monádica espiritual) atravessamos o limiar do imanifestado para o manifestado por um destes Raios Primários que são o Positivo, o Negativo ou o Neutro.

Quando nos autorrealizamos, temos a experiência (encarnamos) de um destes Raios, e como a divindade é formada de três princípios, para integrar-nos permanentemente com a Divindade Imanifestada, precisamos completar a Obra por três vezes, resultado da vivência destes três raios primários da criação.

Quando o Ser se autorrealiza pelo Raio Positivo, Negativo e Neutro, ele torna-se o que nas antigas culturas chamávamos de Paramartasaya, que em termos simples é um habitante do Absoluto, uma fração da própria Divindade Imanifestada.

Para entendermos como o Três se desdobra em Sete, e o motivo da Obra estar fundamentada em a realizarmos sete vezes, não mais, nem menos, vamos numerar as forças divinas como 1, 2 e 3.
A Obra quando realizada na Quarta, na Quinta e na Sexta vez, são o resultado da integração de dois destes raios, já que aquele Íntimo perfeccionou-se em cada um dos princípios, só resta integrá-los dois a dois.
Assim teremos, 1,2... 1,3... 2,3.
Ou seja, O Positivo e o Neutro, o Positivo e o Negativo, o Neutro e o Negativo. Já que a mescla destes dois princípios gera algo novo e alterar a ordem deles não altera este resultado.
Por fim, a Sétima Autorrealização é o processo final, aonde integram-se os Três Princípios em uma Obra, e onde somos regidos pelos três princípios ao mesmo tempo, e assim finaliza-se totalmente o ciclo, com esta sétima autorrealização.

Este Raio o qual nos desdobramos do Absoluto, gera em nós impulsos muito característicos, também capacidades de compreensão absolutamente relacionados a natureza deste princípio.
Isto explica o porque da incompreensão entre uns e outros, acerca muitas vezes da própria Obra, já que uma pessoa que seja do Raio do Pai, terá uma maior inclinação à Morte Psicológica por exemplo, do Raio do Espírito Santo, terá à Alquimia, e do Filho ao Sacrifício pela Humanidade.
Isto claro não quer dizer que haverá desequilíbrio nos Fatores de Revolução da Consciência, senão que ele compreenderá e será capaz de realizar algo mais, no sentido da natureza que o personificou nesta manifestação.

Isto que estamos dizendo obviamente não está limitado à Obra, mas a questões da vida como um todo, já que isto acaba sendo determinante da maneira como observamos o mundo e aquilo que somos capazes de compreender.
Há um grande "salto" de Consciência, quando o Íntimo se autorrealiza pela terceira vez, visto que completou o ciclo individual de cada um dos Raios e isto possibilita com que tenha, como no exemplo inicial, uma perspectiva e uma compreensão daquilo que praticamente todos estão realizando, já que ele viveu a experiência e realizou-se nestes três aspectos de Deus.

A Jornada do Paramartasaya de certa maneira é uma jornada de unificação, já que por sua plena vivência é capaz de compreender as diferentes psicologias e vivências, bem como interagir com todos, indiferente de seu Raio de Projeção do Absoluto, já que como dissemos e aqui nos repetimos com ênfase, encarnou estes princípios totalmente.

O Íntimo que tornou-se habitante do Absoluto, de certa maneira é um representante da Divindade e um Interprete não apenas das Vontades Divinas, mas um guia e um unificador de povos, por conta de sua natureza completa, no sentido mais básico.


Alguns poderiam até este momento não entender o real sentido da Obra ter de ser realizada Sete vezes, algo mais além das Três primeiras, já que soa como uma repetição de algo que já está perfeito, mas a realidade é que no Três os princípios apenas foram encarnados individualmente, somente no Sete, estarão devidamente Organizadas e totalmente unificadas, integradas.

Se observamos o esplendor dos Sete Logos, como Inteligências Planetárias e regentes do Sistema Solar, vamos encontrar exatamente em sua natureza esta mesma relação que aqui expomos.

1) + (Pai)
2)+, =/= (Pai, Filho)
3) +, =/=, - (Pai, Filho e Espírito Santo)
4) =/= (Filho)
5) +, - (Pai, Espírito Santo)
6) =/=, - (Filho, Espírito Santo)
7) - (Espírito Santo)

Ou seja, a própria criação se dá no fundo de duas forças extremas, aonde em seu interior fundamenta-se o resultado e a integração das mesmas.
A Criação não se dá de cima para baixo, ou de um lado para o outro, e sim das extremidades para o centro, e do centro para a extremidade em um segundo momento, uma vez que é necessário duas forças opostas para que em seu ventre suja uma terceira e então esta se expanda em virtude e em direção das duas primeiras originais.
E resulta significativo que a integração destes Três Princípios encontremos exatamente em Vênus, o qual como Terceira Potência em nós, é o Coração (Entrecenho, Laringe, Coração [ I, E, O].
Coração este, cujo caminho secreto, no processo de Iniciação, somente se abre depois da Terceira Iniciação de Mistérios Maiores, já exatamente como um reflexo deste mesmo significado que aqui comunicamos.

24/10/16