zzzzzzzz

 

CLXV
Textos sobre Filosofia
Sacrifício Pessoal e Condução

É muito nobre um indivíduo estar disposto sacrificar-se em prol da humanidade, mas por vezes este impulso, está boa vontade, acaba sendo escravizada por outras vontades, por outras condições as quais sobrescrevem e distanciam-se destes princípios e direções que internamente hão de conduzir e de realmente fazer com que o indivíduo realize algo de real e de concreto.

Recordemos que qualquer ação que façamos que não venha de um princípio divino, inevitavelmente não nos conduz a nada, visto que se não é o próprio Espírito Divino individual se manifestando por meio da pessoa, são ações vazias, ações que carregam consigo equívocos, delitos, e tantas coisas que seria difícil neste momento explicar ao leitor.

Toda Obra se fundamenta em uma guiatura interior, uma evocação do princípio Crístico que devemos fazer brotar em nosso interior e logo entregar a este nossa vida, de maneira a ter esta condução e encontrar os meios e os momentos de nossas realizações que no fundo são as d'Ele.


No mundo principalmente quando nos unimos por quaisquer motivos com outras pessoas que igualmente estejam trilhando o caminho, por vezes temos de nos submeter a um ordenamento, a uma guiatura, e aí entra o enlace do que é interno e do que é externo, de maneira a que gere aquilo que chamamos de alinhamento, aonde a parte externa o que pede é um reflexo do que a parte interna ordena.
Quando isto não ocorre desta maneira, o que existe são conflitos. Conflitos estes que gerarão inevitavelmente um processo aonde ou se sacrifica uma guiatura externa ou se sacrifica esta guiatura interna, já que ambas se mostram opostas em certos momentos.

Claro que não estamos aqui falando de desejos pessoais, de conceitos que tem o indivíduo, e sim destes impulsos íntimos que são no fundo a mais pura manifestação do que é Divino e realmente Digno no interior da pessoa que faz com que tenha certos anseios por realizações necessárias à Obra destes princípios que estão por cristalizar-se e integrar-se com a pessoa humana.
Por vezes forças externas e internas se mostram contrárias, não porque o que recebemos diretamente dos princípios divinos estejam contrárias àquilo que a nível de um povo é necessário realizar, senão que por vezes os Grupos, as Instituições não estão mais alinhados em alguns pontos ou em todos eles, com os planos que tem o Logos, que tem a Loja Branca, ou mesmo o inverso, a pessoa perde esta integração interna, esta guiatura e não sente mais a afinidade com esta guiatura exterior que pode sim estar alinhada com estes planos espirituais que sabemos existem para o bem geral.


Existem sim, tantos mistérios, tantas profundidades insondáveis de sabedoria, que muito difícil é um indivíduo no fundo estar totalmente de acordo com o outro no caminho, já que cada pequeno detalhe conscientivo já abre uma série ampla de percepções e de compreensões que o outro não tem. Ainda assim, falamos de uma guiatura no sentido mais básico, como direções e formas de condução, que em geral deveriam ser os mesmos e complementarem-se, no que seja o trabalho pessoal e no que seja um trabalho institucional, por assim dizer.
Quando não existe este alinhamento, esta concordância mútua entre o que seja o Trabalho Pessoal e o que seja o Trabalho Institucional, inevitavelmente um destes se mostra obscuro, equivocado.

Quando observamos o drama Crístico, quando vemos aquelas palavras do Cristo que dizem: "Negue a si mesmo, tome sua cruz, e siga-me", muitos interpretam como uma guiatura externa, como um trabalho institucional, e no fundo isto tudo é muito íntimo, porque o Cristo não está em outro lugar para nós senão dentro de nós mesmos, aguardando os instantes mágicos de um natal, e mesmo de uma Sexta-feira Santa, para seus processos finais. E é este o principio que nos salva, que realmente nos redime, não forças externas, estas existem para dar uma guiatura melhor, para dar ajustes e suportes, para prover meios para realizar certas coisas que como indivíduo não é possível, mas estas duas forças precisam estar em harmonia e equilibradas, alinhadas como já dissemos, caso contrário o trabalho pessoal fará ruir o institucional ou o institucional irá causar a morte do Cristo no interior da pessoa.

É muito difícil encontrar pessoas realmente dispostas a cumprir com este pré-requisito da Grande Obra, no sentido prático disto. Afinal bem sabemos que a Obra se fundamenta exatamente nestes três aspectos fundamentais e indissolúveis que são os Fatores de Revolução da Consciência.
Veja que dizemos exatamente isto: "Três Fatores Revolução da Consciência", e ainda assim as pessoas entendem que apenas lidamos com a Consciência quando cumprimos com este "Negar a si mesmo", como morte de nossos defeitos. No fundo a Consciência uma vez liberta, recebe seu alimento, sua armadura, sua arma, pela energia sexual, que é o fundamento do cruzamento das duas unidades básicas da vida, das duas polaridades que conhecemos como homem e mulher, falo e útero, que formam este símbolo majestoso da Cruz, o qual o Cristo nos indica como fator indispensável à Obra. Mais além disto nos deparamos com a necessidade óbvia das demais criaturas, e da manifestação plena desta Consciência já liberada e desenvolvida, preparada, em prol disto.


Temos de entender o quão graves, e o quão severos alguns processos para a parte interna.
Quantos homens e mulheres se depararam com estes processos aonde tem de fazer uma terrível escolha, aonde tem de decifrar um definitivo enigma que muda totalmente o rumo de suas vidas e por consequência em seu caminho espiritual. E o mais difícil quando isto envolve um Povo, quando envolve a Obra de muitos.


Falando de Sacrifícios, há muitas coisas que o indivíduo tem de sacrificar para poder em certos momentos dar continuidade à sua Obra. Em geral no início da Obra temos de sacrificar o mal em nosso interior, nossos egoísmos, nossas debilidades... Conforme a Obra avança, sacrificam-se mesmo os dons, os poderes, as próprias virtudes em prol de novas criações ainda mais divinas e mais espirituais. Claro que não é apenas algo interno, fora de nós muitas circunstâncias, muitos eventos, muitos processos necessitam renovar-se, recriarem-se, para que realmente possamos integrar-nos ainda mais com nossas partes internas.

Por isto que é tão comum, e é tão visível que as pessoas acabem travadas em algum momento de sua Obra, em alguma vivência específica, principalmente quando tem de sacrificar o que é bom, o que é justo, por algo ainda mais superior a isto.
Vejam que a própria Razão, no sentido cotidiano acaba tendo de ser sacrificada para o nascimento da Intuição, pois são percepções no fundo incompatíveis, já que uma leva em conta os fatos e os eventos e outra as percepções superiores e a captação dos fluxos internos da natureza.

Não esqueçamos da Sagrada Fênix, símbolo da Divindade manifesta e completa, a qual sacrifica-se por um propósito sempre maior, ainda que nos seja neste momento talvez difícil de entender o profundo significado disto. Ainda assim, ela morre para o que é, pela simples possibilidade de vir a ser, o que lhe corresponde ser.

30/11/16