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CLXV
Textos sobre Filosofia
A Jornada do Amor

A Grande Obra Espiritual tem muitas maneiras de ser realizada, no sentido dos distintos processos os quais nos corresponde vivenciar, também os caminhos que acabamos tendo de passar, para chegar até estes augustos processos finais de nossa jornada.

Já dissemos em outras oportunidades que o caminho tem grandes exigências, também detalhes que nunca foram ou serão escritos, mesmo falados, visto que é o mistério que cada um tem de por si só vivenciar, desvendar, ainda assim há uma série de indicações por vezes muito severas e de difícil compreensão visto que por vezes não estamos ainda em tais processos, e por isto nos parece difícil, ou mesmo impossível aceitar tais terríveis conselhos, os quais por vezes parecem um revés, por vezes parecem um abandono, e assim por diante.

O Caminho é feito de recomeços, de revalorizações, exatamente porque formamos conceitos equivocados, porque nos fixamos em ideais falsos, e tudo isto nos conduz constantemente a becos sem saída, ou a situações as quais precisam ser resolvidas se anelamos seguir em frente em nossa jornada.

A Obra sabemos é até certo processo individual, algo que vive cada um, e que depende de cada um, para que ocorra.
No entanto, temos de asseverar, que em certas alturas de nossos processos Íntimos, aonde encontramos o Verdadeiro Amor, a Obra torna-se algo mais além da individualidade, e que depende do outro para que trilhem juntos, onde a queda de um é a queda dos dois, a falha de um é a falha dos dois, mas também o avanço de um é o avanço dos dois e o Triunfo de um é o inevitável Triunfo dos dois.


Estes processos que nos referimos não são uma questão de tempo, não são uma questão de idade, porque muitos já vivemos neste caminho há muitas gerações, há muitas eras, mesmo há muitos mahavantaras, e isto faz com que seja por vezes exatamente o que nos corresponde viver nesta existência, assim que temos de avaliar isto com Consciência, para saber o que nos corresponde ou não.

Um dos aspectos necessários nesta altura, neste processo específico, é igualdade entre o casal. Isto significa que precisam igualar-se para seguirem em frente, em todos os aspectos, já que se é um Matrimônio Perfeito, se há esta perfeita afinidade em todas as regiões cósmicas, basta com que se nivelem na forma já que o Princípio é o mesmo.
Esta igualdade que nos referimos são principalmente a nivelação dos aspectos inferiores, como é a vivência de cada um, os interesses de cada um, e coisas que em geral fazem a pessoa seguir um rumo ou outro, buscar uma coisa ou outra.
Quando há amor, isto é algo muito fácil de fazer, pois nada importa mais para um, do que a felicidade e o bem estar do outro, assim que havendo este mútuo desprendimento de suas debilidades, há uma nivelação perfeita em todos os aspectos da vida, para que juntos possam fazer o que seja a vontade dos dois, unificados.

Nesta nivelação encontramos duas questões, que é aflorar os defeitos ou eliminá-los. Necessitamos mais que nunca nestes processos realizar aquilo que a cada indivíduo recomendamos, de ver o que sobra, de ver o que falta, neste caso em relação a esta pessoa a quem profundamente amamos, já que estas diferenças, por vezes geram afastamentos e interesses distintos, realizações distintas que impedem esta perfeita integração.
O que um dos dois não esteja disposto a eliminar, o outro inevitavelmente precisa aflorar, para que juntos possam fazer este trabalho um apoiando o outro.

Talvez algumas pessoas considerem absurdo aquele conselho que dá em alguma de suas Obras o V.M. Samael, aonde diz que devemos deixar a mulher fazer o que quiser conosco.
Isto porque no fundo o Homem depende da Mulher para sua Obra, e se há verdadeiramente Amor, gera-se aquele processo que relata este mesmo Mestre, aonde afirma o iniciado: "Ou faço a Obra com esta mulher, ou não faço".
O Amor é algo realmente por deveras profundo, certamente quem Ama, está disposto a tudo pelo Amor, não é demais o sacrifício da Vida, mesmo do Espírito pelo Ser amado.
Há processos onde realmente somente podemos transcender se chegamos a este nível de compreensão e de vivências, aonde na prática entregamos nossa vida e nossa obra nas mãos de outro Ser, e são obviamente processos muito belos, e de grande transcendência.

Nesta jornada integrada do Amor, acabamos sempre pondo o outro em primeiro lugar, e cada passo dado, inevitavelmente é dado pelos dois, de maneira igual, já que há uma igualdade em todos os aspectos possíveis de serem igualados.
As Decisões da Obra dependem desta cumplicidade, desta integração, já que ambos em comum acordo devem decidir os distintos aspectos da vida e por consequência trilhar os rumos relativos a estas decisões que tomaram.
Isto é o que torna possível vivenciarem juntos, unidos o que quer que seja a escolha de ambos, e é quando verdadeiramente torna-se possível integrar-se com a Luz ou mesmo submergir verdadeiramente nas Trevas.
Uma pessoa por ela mesma por vezes pode negar a Luz por uma debilidade, ou mesmo rechaçar as trevas por uma Consciência que ainda tenha.
No entanto quando vê no outro um reflexo de si mesmo, e ama o outro tanto, ou mesmo mais, que a si mesmo, acaba sendo o impulso final para sustentar certas decisões, certas realizações.

A Compreensão para com o Ser amado é essencial, pois certamente ao longo desta jornada afloram muitos aspectos que somente um dos dois ainda tem dentro, e isto não pode ser motivo de afastamento e de distanciamento, por mais difícil que seja lidar com estes aspectos sejam positivos ou negativos que o outro tem e não conseguimos aceitar, ou nos igualar.

Se a Lei maior, se a única Lei é o Amor, certamente estes processos são os que verdadeiramente aprendemos a encarnar este Amor e assimilar esta Lei, da qual a única advertência que existe, é que temos de prestar conta por nossas ações, algo que certamente é o verdadeiro sentido de qualquer ação feita verdadeiramente com AMOR.

23/01/17