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CLXV
Textos sobre Filosofia
Progresso

Todos os dias lutamos para chegar até algum lugar, para realizar algo, conquistar algo. A Vida é composta por uma sucessão de acontecimentos os quais sempre nos conduzem a algo, sempre em movimento.
Seria absurdo pensar em Vida, sem pensar em movimento, em mudanças consecutivas constantes e em transformações, também consumo, produção.

Nossa interação com o meio, seja exterior ou interior, sempre resulta em algum tipo de Progresso, tudo está rumando em alguma direção. Por mais que algo possa parecer estático, na verdade não está. Nem mesmo os móveis, ou as pedras estão estáticas, já que aquilo que as compõe, a nível atômico, é uma vida que depende do movimento para estabelecer-se como é. E ainda assim, como um todo, está rumando para algum fim, sendo conduzida até algum resultado final, ao qual transforma-se dia a dia.

Se conseguimos observar a realidade de como as coisas são, de como progridem, de como avançam a cada instante, a cada ação nossa, cada interação, mesmo cada silêncio e esquecimento, entendemos que o que não está avançando, está inevitável regredindo, pois nada fica definitivamente estático.
Existe uma progressão muito observável em tudo, e quando as coisas param de avançar, é porque estão regredindo, sendo destruídas em seu fundamento.

Tudo requer manutenção, o que não tem manutenção, por si só, já está rumando para seu fim. Assim tudo que não está progredindo, está se destruindo, se desfazendo. É certo que tudo na vida tem seu tempo, mas mesmo a morte, quando vem como um processo natural de finalização da vida, é um progresso natural que rumamos.

Há muitos aspectos da vida que não sabemos para onde rumamos, apenas lidamos com pequenos detalhes e situações e isto nos conduz até um objetivo maior, algo que espiritualmente não somos capazes ainda de observar, de definir com palavras, mas que por vezes sentimos, vemos em meio a obscuridade. No entanto, há questões menores, e pontos específicos os quais nos propomos a chegar, situações que ansiamos vivenciar, e metas os quais anelamos cumprir.


Em geral existe uma dualidade muito importante entre o que seja o Planejamento e o que seja a Improvisação.
Quando falamos de Consciência, sempre falamos de viver cada momento, de observar as distintas escolhas que temos a cada momento, e fazer isto de acordo com um impulso maior, etc.
O Problema é que em geral, todos nós somos tomados por impulsos negativos, e mesmo para podermos vivenciar esta improvisação da consciência, dependemos de uma mínima organização, e de certos planejamentos de onde queremos chegar, o que estamos destinados a nos tornar.

Se uma pessoa não pensa no dia de amanhã, se não se planeja, como saberá que precisa lavar suas roupas pois usará elas, ou precisa ter o recurso, ou mesmo o alimento para esta situação vindoura, e assim por diante.
Claro que falando assim de detalhes óbvios e tão essenciais, todos concordarão, mas é certo que mesmo em certos pormenores é importante algum planejamento, exatamente para que possamos ter a liberdade ao longo destas vivências para experimentar a improvisação e ter as devidas percepções da Consciência para cada vivência que nos corresponde.

Vejam que se não temos um plano do que vamos fazer no dia seguinte, como sabemos que horário precisaremos repousar, para descansar o suficiente? Ou se o tempo está para chuva, ou mesmo se parece que irá esfriar, para levarmos as necessidades relativas a isto. Ou mesmo que situações encontraremos em nosso caminho, para levar recursos ou mesmo objetos que nos sejam necessários nesta jornada.

Muitos falhamos por uma falta de preparação, por uma falta de observação do porvir, pois sem um planejamento apropriado, ficamos a deriva, sem sequer saber para que lado remar, pois não sabemos onde estamos indo, o que estamos fazendo.
Este Planejamento que nos referimos é algo que em última síntese ter um norte, ter uma direção a qual sabemos temos de rumar, e algo que sabemos que é o que nos corresponde e é o que ansiamos. Desta maneira nosso coração por si só, já fica preenchido daquilo que estamos dispostos a vivenciar, e as demais coisas da vida que não nos correspondem ou que não temos como alterar, não nos afligem nem impedem este progresso necessário.

Progresso este, que sem a devida manutenção, sem a devida sustentação, destruiria-se inevitavelmente. Ou em outras palavras, rumaria em outra direção, simplesmente.

04/07/17