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CLXV
Textos sobre Filosofia
O Direito de Falar

Anteriormente explicamos a diferença entre o Ser e o Saber, a diferença entre levar algo no mais Íntimo, no Coração, por assim dizer, e carregar algo no Cérebro.
Existe inevitavelmente um abismo entre o que é Ser, e o que é Saber algo. Ainda assim, é necessário um equilíbrio entre o Ser e o Saber, pois há muito que temos encarnado, que somos realmente em manifestamos, mas não temos como expressar, porque falta um mediador humano, faltam palavras, falta uma expressão adequada.

Sobre o Direito de Falar, estamos nos referindo àqueles indivíduos que realmente colocaram-se no caminho, a um processo o qual passa um Apóstolo, um Intérprete da Divindade, quando no processo de tornar-se interlocutor destas forças Divinas. É Claro que isto que estamos dizendo não equivale a uma pessoa qualquer que queira falar qualquer coisa, repetir o que já foi dito, transmitir conhecimentos intelectuais que tenha acumulado, etc.

No Caminho Espiritual, encontramos dois processos os quais denominamos "O Direito de Falar", e "O Direito de ser Escutado".
Quando o indivíduo que verdadeiramente está neste caminho de Despertar da Consciência está minimamente preparado, certas amarras que o impedem de falar, de escrever, de expressar-se dentro do que seja a Sabedoria mais Profunda que tenha, são removidas e este consegue transmitir tais ensinamentos e aprender acerca dos meios para este fim, também do resultado do que fala, como fala, quando fala.
E esta primeira liberação ocorre exatamente para ver, por parte dos Seres Divinos, o que escreve, como escreve, o que fala, como fala, e assim por diante.


Certamente para os Intelectuais é difícil entender que nunca a Divindade para de transmitir seus ensinamentos, até porque faz parte da Obra de alguns, ser este elo entre as coisas Humanas e as coisas Divinas. Não estamos dizendo que isto seja para todos, mas que é um caminho possível.
Quando nós realmente compreendemos um ensinamento, quando o verificamos por meio da vivência própria, inevitavelmente isto torna-se nosso, uma fração daquilo que somos. E a Verdade é algo universal, não é propriedade de ninguém. Assim que é indiferente se esta verdade encarnamos diretamente de ensinamentos da Divindade, ou de ensinamentos entregues através de outras pessoas.
O Importante é que tenhamos levado isto a prática e verificado a autenticidade, a realidade de tais ensinamentos, da maneira que nos seja possível, já que nem sempre estamos no nível ou no processo necessário para tais vivências.

Enfim, uma vez que libere-se este indivíduo para falar, para escrever, há um período probatório, aonde este pode ser qualificado para uma segunda verificação, aonde passa pelo processo onde se recebe "O Direito de ser Escutado".
Caso este passe nesta primeira etapa a falar o que não lhe corresponde, ou seja, coisas que são apenas para si mesmo, coisas que não tem permissão de falar, seja porque não é o momento, seja porque não é para alguma pessoa em específico, ou mesmo porque usou a forma errada de expressar-se, porque modificou o ensinamento interno, e assim por diante, perde o dom de falar, de escrever, de maneira ainda mais severa que antes, até que, se for o caso, conquiste mais uma vez a chance de passar novamente por este processo, quando esteja novamente qualificado para isto.

Este processo onde se conquista "O Direito de ser Escutado", é quando o Iniciado recebe realmente o direito de falar para as massas, ou seja, ser escutado por um número maior de pessoas. Não que o número importe, mas é quando se recebe a validação da Consciência e do Íntimo daqueles que necessitam receber tais ensinamentos que transpassam este Ser que faz o trabalho de descender tais Sabedorias do Interno.
Neste segundo processo, nesta segunda etapa, o objetivo inicial é ver como estes ensinamentos chegam às pessoas, como elas interpretam, como aproveitam.
É Certo que já no primeiro momento, quando este passa a ser escutado, há uma verificação neste sentido, mas é quando o ensinamento toma uma amplitude distinta, e necessita ser mais adaptado a generalidade existente e a uma certa atemporalidade, pela qual deve perdurar tais ensinamentos.


Isto aqui explicamos, porque há sempre indivíduos que buscam romper esta barreira entre o Aprender e o Ensinar, fazer esta travessia entre o que é ser um Aprendiz, e o que é ser um Mestre. Aprendiz é aquele que aprende, que não tem os meios para chegar por si mesmo até a Sabedoria. O Mestre é em última síntese aquele que encarnou de tal maneira tais Sabedorias, que tem a plena capacidade de transmiti-las, a quem necessite, no momento que necessite, na forma que necessite.
Já vimos muitas pessoas iniciarem-se neste primeiro processo aonde puderam falar por alguns momentos, para algumas poucas pessoas, mas muito raramente algo negativo não sufoca tais Divinos Processos.

Sempre há aqueles que falam do que desconhecem, sempre existe aqueles que não estão no caminho nem passaram nem jamais passarão por tais processos, e que intelectualmente vomitam teorias nas pessoas.
As Massas sempre amam as teorias, porque certamente soam muito mais bonitas e muito mais interessantes do que a Verdade. A Teoria pode ser aumentada, diminuída, adaptada totalmente ao desejo do ouvinte, é sempre sedutora e falsa. A Verdade é o que é, podemos dosar a luz, mas jamais modificá-la no seu sentido mais Íntimo.

Assim que não podemos confundir o que seja quem fala por falar, e quem fala porque recebeu um Dom, e uma Permissão Divina para isto.

09/10/17