zzzzzzzz

 

CLXV
Textos sobre Filosofia
O Início, o Fim, e o Meio

Na vida tudo parece ter uma continuidade, como é o Início, Meio e Fim, mas nem sempre é desta forma que as coisas ocorrem.
Por vezes esta ordem se altera e temos o Início, então o Fim, e por último o Meio.
Em um primeiro momento pode parecer confusa esta afirmação, mas se temos de ir para algum lugar, precisamos conhecer tal lugar, antes de passar por esta ponte, que conduz desde o ponto até onde estamos, até o ponto aonde queremos ir.

Vejam que hoje somos algo, há algo que devemos Ser, e então o processo entre uma coisa e Outra.
Se observarmos os Ensinamentos Divinos que nos são entregues, eles são muito, realmente muito distintos da vida cotidiana, da vida que as pessoas levam, do entendimento que as pessoas tem.
A Vida de cada um é o Início, é o ponto de partida desta jornada, o Fim, neste caso, é este ensinamento Divino, esta Sabedoria a qual é incompreensível em sua íntima natureza, também não vivenciável pelas pessoas. Por fim, há a ponte, o meio, que é a condução, que é a guiatura, entre o que é uma coisa e o que é outra.
Se não houvéssemos primeiro tido o Fim, observado o Fim, não reconheceríamos, nem aceitaríamos os Meios.

A Vida se processa desta forma, quando nascemos, gera-se o evento inevitável da morte, e então o meio entre uma coisa e outra é nossa existência. Compreender o fim, é sempre imprescindível se queremos viver plenamente o Meio. Se sabemos que se vivemos, morreremos, e se compreendemos os processos mais além disto, podemos levar uma vida mais proveitosa e mais benéfica dentro do contexto geral da existência, não apenas perdendo tempo com coisas inúteis, mas com realizações que transcendem o curso de uma existência.

Quando da Criação, a primeira coisa projetada depois das Luz, foram as Trevas, e a vida certamente se faz manifesta entre uma coisa e outra.


Muito dos processos iniciáticos tem esta característica que aqui relatamos. Vejam o caso dos Desertos Esotéricos, das Noites Esotéricas, o Indivíduo sempre termina estes processos com um Samadhi, com uma Vivência que no fundo é um Fim, e isto é o que gera o meio para saber onde tem de chegar, o que tem de fazer. Até então, exatamente por ele não ter este Norte, por ele não ter Visto, não ter Vivido, seu destino, ele anda sem rumo, sem objetivo, perdido. Ele primeiro precisa resgatar algo, para que este "Algo" Divino, o resgate.

Certa vez quando traduzia um Livro Gnóstico, um Mestre se apresentou nos Mundos Internos se colocando a disposição para ajudar na compreensão de qualquer ponto que pudesse não compreender totalmente, exatamente para que a tradução fosse fiel a realidade transcendental do ensinamento. Nisto acabou-se que internamente houveram vários contatos, e explicações acerca do que sequer foi escrito, exatamente para que pudesse entender o que foi escrito e porque foi escrito.
Uma das coisas que me chamou muito atenção na explicação deste Mestre, é que exatamente recebemos o Grau, antes da Prova. Isto foi algo que na época não pude divulgar, era para meu entendimento próprio, então guardei isto, até que fosse adequado e permitido falar a respeito.

Assim que isto é um aspecto mais que se encaixa nisto do Princípio, do Fim, e do Meio. Sei que muitas pessoas sequer se darão ao trabalho de tentar entender isto, a mente assimila as coisas sem avaliar, não se importa em conhecer a verdade, se acha que já sabe algo, geralmente se acomoda com o entendimento que já tem, não aceita mudar. Também muitos aceitarão isto igualmente sem compreender, o que é um erro, certamente. Também há aqueles que não tem ainda vivência esotérica o suficiente para entender isto.

O Que vemos, depois das Provas, as Festas e os Itens que são entregues nos Mundos Internos ao Iniciado, é o que chamamos de Qualificação, o Grau ele recebe para poder passar pelas provas, e a Qualificação é a Confirmação dele no Grau, é o sinal que ele realizou o processo de maneira satisfatória.
Vejam que os Ensinamentos Esotéricos não poderiam ser dados, a uma pessoa que não fosse de tal, ou qual grau, e por este motivo primeiro recebe-se o Grau, então recebe-se o necessário para tal travessia, então se faz a travessia, e por fim se comemora a travessia.

Não estamos dizendo com isto que não hajam outras qualificações do que foi obtido, somente que o que as pessoas entendem que é o Grau, na verdade é a Comemoração da Qualificação.
Sei o quanto pode isto parecer confuso para alguns, e certamente é este o motivo pelo qual isto não fora explicado, geraria mais atenção do que outros pontos que eram indispensáveis tratar na época. Ainda assim, é o que comentamos, foi dado o Fim, e hoje damos o Meio.

Quando o Ensinamento Divino é entregue, inevitavelmente não nos é possível assimilar, porque é algo muito distante, seja por sua linguagem, seja pelo nível necessário para vivenciá-lo, e por isto vem a guiatura, vem a tradução por assim dizer, com palavras mais próximas de nossa realidade, com um formato mais acessível para nosso estado, para que então possamos chegar até tal objetivo distante.

23/10/17