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Textos sobre Filosofia
O Aprendiz que supera o Mestre?

Na vida cotidiana é bastante natural que aquele que aprenda de outro acabe superando o primeiro. Isto porque o esforço que teve o Professor, o Mestre em seu aprendizado é muito grande e quando ele repassa isto tudo já filtrado e organizado a um Aluno, a um Aprendiz, este tem a possibilidade de já ver o assunto sob uma perspectiva superior, de uma forma mais organizada e com isto tecer seu próprio aprendizado sobre as bases que lhe foram dadas.

Claro que o Aprendiz também está mais propício a erros, pois também ocorre que por conta de não ter percorrido a totalidade do caminho até tais conhecimentos e sabedorias, acaba pois não tendo o conhecimento direto sobre tais processos nem as vivências que o conduziram até tal região, até tal entendimento.

Isto que falamos serve tanto para os conhecimentos cotidianos como para o conhecimento espiritual. Claro que há um mínimo que é transmissível verbalmente... Muitas coisas somente fariam sentido a alguém, se já tivesse um prévio entendimento, uma prévia vivência sob certos assuntos, sob certas circunstâncias.

Em geral quando uma pessoa busca a Luz, ela acaba sendo mergulhada em Trevas. Assim como quem busca a Paz, acaba vendo-se em meio a intermináveis Guerras. Pode parecer isto tudo arbitrário, mas se uma pessoa quer realmente estabilidade, ela se verá rodeada de instabilidade. Pois é exatamente pela tentação que se constrói a virtude e é pela necessidade de fornecer estabilidade que se adquire ainda mais estabilidade. E Isto sempre ocorre inevitavelmente em meio a instabilidade.
O Músculo ele não se desenvolve do nada, ele se desenvolve do esforço de uma necessidade. Assim igualmente as Virtudes nascem da possibilidade do Vício, do Delito... Uma pessoa que queira realmente viver em Paz, terá de vivenciar todo o tipo de Guerra, então quando termine esta jornada, sempre estará em paz, e aonde quer que esteja levará a paz, pois viveu, pois solucionou toda a Guerra.
Isto não é algo que tenhamos de buscar, é um processo natural e inerente a aquilo que queremos alcançar, e não falamos querer como um desejo, mas como uma necessidade íntima intrínseca ao mais profundo de nós mesmos.

Algo que temos de assegurar, é que nem sempre realmente o Aprendiz supera o Mestre, na verdade, no sentido Espiritual pelo menos, na grande parte das vezes, na quase totalidade dos casos, o que vemos é que não há superação, apenas que o Aprendiz tomou um caminho distinto do Mestre que lhe guiava, e neste caminho aquilo que o Mestre lhe dava já não faz mais sentido.

Isto claro pode indicar duas coisas, que este Aprendiz encontrou sua própria Luz Interior, seu próprio Mestre Íntimo e localizou-se em sua Íntima Jornada que lhe corresponde trilhar, ou que abandonou o Caminho Espiritual e se enveredou por outros rumos e perdeu-se totalmente, abandonado seu trabalho e seu guia.

No trabalho espiritual sempre necessitamos de um Guia, de uma Luz que nos ajude principalmente nos momentos de dificuldade, de uma voz que nos diga uma palavra adequada em um momento de desespero e de fraqueza. Muitas vezes os indivíduos tem isto fisicamente, mas principalmente nos dias atuais recebemos tais ajudas internamente...

É Sempre muito natural que conforme a criança cresça que haja um afastamento de seus progenitores. No sentido de que torne-se independente e que consiga fazer as coisas por si mesma. O Mestre e o Aprendiz geralmente tem uma relação similar, principalmente porque este afastamento é a forma de que em meio as Trevas este vá buscando sua Verdadeira Luz e não fique eternamente espelhando-se em uma Luz alheia.

É muito comum e muito natural que em determinado momento do caminho o Mestre diga ao Aprendiz que nada mais tem de ensinar, que nada mais há que possa lhe transmitir, até que passe por certo processo transformativo íntimo.

Falávamos anteriormente sobre estações, sobre mudanças, e é muito natural que as pessoas acostumem-se a serem guiadas, ou que as pessoas acostumem-se a não serem guiadas. Ou seja, no caminho há diferentes momento, e diferentes estações que passamos, algumas de Luz, algumas de Trevas, alguns momentos de trabalho, alguns momentos de aparente descanso.

Há muito que fazemos errado e seguimos fazendo errado porque estamos habituados a isto, e estas mudanças fazem com que revalorizemos nossas ações e nossos entendimentos. Infelizmente isto tem dois lados, por vezes um aparente acerto, mostra-se como um erro, quando o vento sopra. Ou seja, que o indivíduo não solucionou realmente tal questão, e que apenas habituou-se ao certo e na menor mudança perde completamente o que havia acertado, ajustado, arrumado em sua vida.

Temos de entender que há um tempo, há sempre um prazo para que tudo se resolva, para que tudo se ajuste, ou inevitavelmente ocorre como ocorre em toda a natureza, se perde, se destrói e oportunamente se repete o ciclo.

25/06/2018