CLXV
Textos sobre Filosofia
O Sacrifício desinteressado pela Humanidade

Como é difícil hoje em dia ver boas ações sem propagandas. Todas as boas ações já vem embutidas com uma segunda intenção, o que na maioria das vezes já é divulgar uma crença ou uma filosofia.

Não digo que esteja errado responder a alguém que nos questione o porque de nossas ações, mas tentar impor uma idéia por meio de uma farsa, parece algo absurdo.


Hoje em dia, mesmo no meio gnóstico o valor de uma pessoa costuma ser medido por seu dinheiro e isto nada mais é do que um reflexo do que ocorre na sociedade, ainda que de uma forma um pouco distinta, mas é o mesmo.
O Melhor fiel não é aquele que vive os ensinamentos e os ensina desinteressadamente, mas aquele que dá seu dinheiro para os fins institucionais e que não questiona nada.

Realmente existe necessidade do dinheiro para muitas coisas boas dentro da divulgação gnóstica, mas esta exigência disto por parte dos diretivos, quase que forçada para com os assistentes, transforma estas instituições "sem fins lucrativos" no mais lucrativo dos negócios, infelizmente.

A Necessidade realmente existe mas sem a liberdade gera o caos e a anulação de um sistema que foi criado para auxiliar as pessoas e não para lhes causar mais danos e esgotamentos.
Samael já dizia: "Fora as finanças do Gnosticismo Universal", e ainda assim os diretivos de nossa época insistem em cobrar e muitas vezes caro por estes ensinamentos.


Na noite do 22 para 23 de Dezembro de 2012, estando nos mundos internos junto a certo Mestre e a outros irmãos, pudemos observar uma série de eventos do passado que aconteceram quando do ultimo desencarne físico deste Mestre e inclusive certa sucessão de eventos que inclusive levaram a nós certo objeto sagrado. Foi muito interessante poder observar tais fatos porque pudemos comprovar o que já supúnhamos, de que não fora uma obra do acaso.

O Que acompanhamos foi a Morte interna deste Mestre, que em um primeiro momento não compreendemos o porque ele estaria morrendo, pois o sentido do momento é nascer, mas logo nos veio o entendimento de que ele morria internamente, para expressar-se totalmente por meio de sua Alma Humana.

Então realmente se cumpriu o que aguardávamos que era o retorno destes Mestres em uma expressão humana, ainda que tenhamos acompanhando ou pelo menos recordado apenas um caso.


Ontem meditávamos em algo especial, no porque dois dos sete logos não participavam como auxiliares da Liturgia. Dos Sete logos, a Justiça e a Morte não se fazem presentes, Zachariel e Orifiel não participam neste sentido como vemos descrito na Pistis Sophia, e outras Obras Gnósticas.

"As Cinco Impressões da Grande Luz e os Cinco Auxiliares estão contidos na Estrela Flamígera. Os Cinco Auxiliares são os Cinco Gênios: Gabriel, Rafael, Uriel, Miguel e Samael. Tesouro Inteiro da Luz está contido no Pentagrama e este alegoriza o Homem." - Pistis Sophia Desvelada

Se tomarmos o sentido da expressão de cada logos, vemos que na evolução se faz presente Gabriel como a vida e a família, Rafael como a sabedoria elemental e progresso, Uriel como o amor e união, Michael como a glória e o poder, Samael como a força, ou impulso.

Se observarmos o outro lado da roda (da vida e da morte, Roda do Samsara), encontramos a Justiça e a Morte.
A Justiça não atua no reino elemental, como justiça, porque os elementais não tem livre arbítrio, há leis que regem mas não há leis que possam ser infringidas por estas submissas criaturas edênicas.
Também não há morte como processo seja ela revolucionária ou Abismal, porque a troca de corpos se dá de forma natural e divina.

Dizer que a Justiça e a Morte são más, sinceramente nos parece absurdo, mas compreender que elas atuam somente no reino humano e nas esferas submergidas, realmente nos parece correto.

No Abismo é aonde encontramos a suprema execução da Justiça como matemática resultante de nossas ações e igualmente a Morte como suprema piedade e eliminação daquilo que não fomos capazes de fazer espontaneamente em vida.


Sempre tive muita dificuldade em compreender o arrependimento. Posso dizer que mesmo depois de conhecer a Gnosis e os Mistérios, nunca me arrependi de meus erros verdadeiramente. Até porque compreendia que encontrei o caminho e que temos a chance de regeneração, por havermos caído e cometido estes erros, caído verdadeiramente. Ninguém que não tenha baixado, poderia levantar-se.

Mas confesso que hoje compreendo, talvez não totalmente mas um pouco melhor o sentido deste arrependimento.
Me arrependo mas não por mim, não pelo efeito destas ações para com a minha pessoa, mas pelo que principalmente isto causou e afetou a outras pessoas, sejam amarguras, tristezas, tantas coisas negativas que acabamos causando por estas debilidades que carregamos. Sinto particularmente uma grande dor por não poder ter ajudado mais ou cumprido talvez de forma mais adequada o nosso propósito, nesta vida.


A Maioria das pessoas que saíram da Gnosis ou que abandonaram a Obra, é porque realmente não compreenderam o sentido do trabalho. Não falo da gnosis como instituições ou grupos e sim do trabalho íntimo, profundo, sincero, verdadeiro... que é individual e intransferível.

A Maioria das pessoas que desejam graus, poderes, cargos, até a própria Maestria, não tem a mínima noção do que isto seja e não só do peso de responsabilidade que cada um destes atributos nos dá, como as forças que temos que combater e resistir por termos a audácia de fazer uso disto.

Grande coisa parece ser alguém saber o nome de seu Ser ou ter alguma habilidade, mas há milhares de Bodhisatwas com corpo físico na atualidade, todos eles tem um Ser, um Íntimo já formado e por consequência correm o risco de por um momento de iluminação terem acesso a estas informações.
Como pessoas lhes garanto que estamos muito, realmente muito distantes do Ser. Estamos mais pertos de ser considerados Demônios do que Anjos ou Deuses.

Porque estamos tentando subir esta escada celeste arrastando todas estas debilidades e imperfeições, como se fosse possível isto.
Por isto é tão importante encontrarmos verdadeiramente a nós mesmos, acharmos nossa função na terra, nossa verdadeira missão como indivíduos únicos que cada um de nós somos. Esforçar-nos para sermos homens e mulheres úteis verdadeiramente a nossos irmãos e a humanidade.

24/12/12