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CLXV
Textos sobre Filosofia
A Jornada da Dor

Todos os dias de nossas vidas somos impelidos a muitas realizações, atividades, consumos, os quais servem a diversos propósitos existenciais.
Muito do que ocorre vemos e percebemos, muito se manifesta quase que de maneira automática, sem que avaliemos a respeito, e muito é imperceptível, invisível, sem dúvida.

O Prazer e a Dor, assim como seus similares, que podemos reduzir e simplificar nestas duas palavras e seus sentidos literais, são a indicação mais básica de uma guiatura do que necessitamos fazer, ou deixar de fazer, e o quanto devemos fazer, até mesmo quando.
Coisas muito simples como nossa alimentação são baseadas no Prazer e na Dor. Se não nos alimentamos sentimos o desconforto da fome, quando nos alimentamos sentimos o prazer do alimento, se comemos demais sentimos dor, se nos alimentamos de algo que não deveríamos ter consumido, igualmente teremos dores, repulsas, etc. Muitas doenças que temos, são o longo prazo de ingestão de alimentos que não deveríamos consumir, ou em proporções que não deveríamos ingerir, ou mesmo consumidos em momentos inadequados, de forma inadequada.

Claro que aqui estamos falando dos aspectos mais básicos e puros de nossa funcionalidade humana. Dizemos isto porque claro desenvolvemos muitas falhas, distúrbios, equívocos mesmo em nosso pensamento, emoção, instinto, etc.

Quando temos maus pensamentos, eles nos trazem sensações negativas, quando temos maus sentimentos, eles nos trazem igualmente um tipo de dor, que claro muitas vezes é subjugada por algum outro tipo de prazer macabro. Que é aonde entra a questão dos distúrbios, das falhas psíquicas que conduzem o indivíduo a querer o que lhe faz mal, o que lhe danifica, o que lhe prejudica.

Temos de entender que a dor está nos extremos. Toda falta causa dor, todo excesso causa dor.
Por isto que a Maestria está no manejo das duas forças contrárias não na integração com uma ou com outra. Por este motivo se diz que o caminho espiritual está mesmo mais além do Bem, e do Mal. Porque em última síntese são extremos e são equivocados em sua natureza.

Claro que sempre que entramos nestas alturas do Saber, damos margens a interpretações absurdas e conceitos equivocados, os quais infelizmente cabe a cada um não permitir que se fixem em sua psicologia, ou que sejam alimentados.

Muitas vezes uma dor é substituída por algum outro tipo de prazer. Isto significa que podemos fazer algo que cause dor, por algum outro tipo de prazer diferente do que está originando a dor. Por exemplo, muitas pessoas trabalham além de suas capacidades, sejam intelectuais, sejam motoras, emocionais, e sofrem demasiadamente por isto, ainda assim tem uma compensação financeira, tem um prazer por supostamente dar algum tipo de "segurança" ou benefício por sua família, ou qualquer outra razão que seja diferente do meio que sente dor.
Assim que muitas dores são subjugadas por prazeres maiores, ou pelo menos distintos...

Muitas vezes a sobrevivência dita que uma pessoa coma algo que não deveria comer, ou em quantidades que não deveria consumir. Muitas vezes questões sociais exigem o mesmo, e claro devemos calcular o que ganhamos e o que perdemos com cada uma destas possibilidades. Este "calcular" já ocorre naturalmente e sem distúrbios funciona bem em qualquer organismo.

Se observarmos qualquer animal, vemos que ele se alimenta, ele se reproduz, ele vive e morre em base a estes princípios aonde busca um certo tipo de prazer e também evita certas dores.
Muitas espécies que cuidam de seus filhotes, o fazem por um certo tipo de prazer que tem nisto, de outra forma não fariam. Claro que cada espécie age diferente, e claro muda conforme a necessidade, conforme a época e o local.

O excesso de calor ou de frio causa dor, devido a que a vida requer certos parâmetros harmônicos para a existência. Isto comprovamos com qualquer outro aspecto. O próprio excesso de prazer gera dor, porque vai além do que é necessário e do que é justo.
Muitos dos distúrbios que hoje tem a humanidade, como a própria Obesidade, o Homossexualismo, e tantas outras coisas que poderíamos citar, é o resultado de um prazer incontido que foge de sua funcionalidade real para qual foi criado.

Se observamos a questão da temperatura, tanto o excesso de calor como o excesso de frio, ou melhor, o calor e a ausência deste, causam dor, sofrimento, isto porque a vida requer certos parâmetros harmônicos para a existência.

Não podemos pensar na vida sem harmonia, pois a harmonia é a base da vida, ainda que muitas vezes tenhamos que fazer certos sacrifícios por um bem maior.

Muitas pessoas sofrem voluntariamente porque sentem impulsos espirituais gigantescos. Isto é, alguém que jejua pode que sinta fome, ainda assim o faz com um fim maior que ele mesmo, como um esforço por integrar-se com princípios mais além do mundo conhecido. É Certo que para o asceta, há um prazer proporcionado pelo próprio espírito que é muito maior para ele que qualquer dor que possa vir a sentir pelo desconforto de ficar sem alimento, como neste exemplo que damos.

Claro que tudo o que aqui dizemos são pequenos exemplos e questões muito básicas que podem ser ampliadas ao infinito, dentro do que seja a vida ou mesmo a análise que faça cada um.

06/09/2018