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Textos sobre Filosofia
O Cristo Íntimo e a Mecanicidade Humana

A Humanidade e todos nós temos a tendência à mecanicidade lunar.
Muitos vivem suas vidas e tem sua atenção e suas ações voltadas a questões que realmente não tem o menor sentido ou objetivo.

Necessitamos claro viver esta vida material e lhe dar sustento, vestimenta e abrigo, mas supor que isto, o meramente mecânico do dia a dia tem algo de Especial e Real, é uma grande bobagem.
Dizemos isto porque muitas pessoas já sentiram este impulso interior de mudar verdadeiramente o rumo de suas vidas, talvez até um sentir muito especial de fazer algo real e objetivo pela humanidade. A Grande maioria ficou nisto, porque logo depois deste sentir tão especial de ter percebido este impulso que surge em um encontro com a realidade e a vida de momento a momento, retornam a sua mecanicidade, seja ela de tipo financeiro, social, pseudo-religioso, etc...

Há muitas coisas sem sentido e sem objetivo que prendem totalmente a atenção da humanidade, e isto se dá porque não tem objetividade, nem unidade, muito menos consciência de suas ações.

Aqueles poucos que muitas vezes atendem a este chamado desta voz silenciosa que brota em um momento qualquer da vida, por diversas vezes acabam metidos em escolas pseudo-esotéricas ou mesmo escolas esotéricas autênticas, mas sem levar adiante a prática deste objetivo oculto, que perceberam o impulso.
Isto se dá, porque como já dissemos, somos tendenciosos a tornar-nos mecânicos, fazer tudo adormecidos, repetidamente, sonhando.

É Muito triste quando nos damos conta que tão poucas pessoas lograram perceber este impulso íntimo e perceber a minoria que foi capaz de seguir isto, de se encontrar verdadeiramente com o causador deste anelo espiritual.

Muitas vezes falamos do final da raça, desta humanidade como conhecemos. Em nome da verdade, diremos que uma das formas de uma humanidade acabar, é quando já não atendem a estes impulsos íntimos espirituais que percebem nestes momentos que aqui nos referimos.

A Humanidade como humanidade, conjunto de habitantes do planeta, no momento que por sua extrema e completa mecanicidade já não sejam capazes de levantar sua vista para dentro, localizar e seguir este impulso superior, já não há porque sustentar a vida, em geral, neste planeta.
Não quer dizer que todos venham a desencarnar ou mesmo os que venham por algum motivo a perder seu veículo físico, não vão tomar novamente corpo físico, mas sempre há esta seleção daqueles que estão cumprindo com isto e a isto denominamos êxodo.

Viver cada momento, sem pensar no futuro sem amargurar ou vangloriar do passado, consiste uma tarefa que é possível quando movemos nosso centro magnético à consciência. Quando as questões da Personalidade e da multiplicidade interior já não sejam a alavanca que nos move, então sim, poderemos iniciar a trilhar este caminho.


O Cristo Cósmico é algo bastante distante, mas em nós, o Cristo Íntimo surge sempre em momentos de terríveis Sacrifícios feitos de forma consciente e voluntária. Estes padecimentos que passa esta humana pessoa voltada as questões da consciência e do Ser, é o que permite com que esta força especial se desenvolva em cada Iniciado.

Antes que o Cristo possa nascer, já devemos ter passado as funções de nossos centros à Consciência. Nossas ações e processos sejam eles mentais, emocionais, motores, instintivos e sexuais devem estar voltados ao interesse da consciência.

O Cristo Íntimo é para o homem a sua salvação e a única esperança de progresso neste caminho. É Urgente viver livre, de momento a momento, para que estes constantes impulsos e guiaturas possam nos levar livres pelo caminho real de retorno ao Pai Cósmico comum. Aqueles que vivem presos a mecanicidade e as questões comuns e correntes do dia a dia, jamais encarnarão ao Cristo Intimo e mesmo que encarnassem, jamais seguiriam sua guiatura.


Ao Iniciado, em posse deste Cristo Interior, torna-se amarga a vida de constantes mudanças aonde o mundo estagnado tenta constantemente lhe impedir o passo.
Há poucos cristãos na terra. Certamente um único punhado muito, muito pequeno.

Todos falam que adoram ao Cristo da boca para fora, mas não são Cristãos, muitos se horrorizam quando falamos dos Mistérios, porque não atende a suas suposições e crenças deturpadas da realidade.
Ao Cristo sempre lhe jogam pedras, e se não jogam lhe dão um beijo para logo lhe entregar aos seus executores. Este é um drama incrível que se repete na vida de todos que passam por esta vivência em comum.

É Muito fácil e muito cômodo adorar a um Cristo Histórico que podemos adaptar a nossos conceitos pessoais e idéias falsas a respeito dele. Igualmente torna-se fácil aceitar a tantos quantos já não estão mais conosco neste mundo como homens que levavam em si esta Força que há de nascer em todo homem e mulher justos e verdadeiramente fiéis a estes impulsos superiores que recebe.

Enfim, vemos que assim como tudo na vida, o próprio Cristo é algo desconhecido, insólito e inimaginável para quem não o tenha encarnado.

27/12/12