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Textos sobre Filosofia
O Bom dono de casa

Nós todos bem sabemos a importância que tem o lar para a Obra que cabe a todos nós realizar.
No lar encontramos o nascimento, o matrimônio e até a morte, porque o lar é aonde estamos, aonde vivemos.
Todos nós nascemos de um pai e de uma mãe, e aí está o primeiro lar que conhecemos, posteriormente vem o matrimônio e temos um novo lar para formar, e aí neste lar normalmente nos encontramos até o fim de nossa existência, quando chega a morte.

Ser um bom dono de casa, é ter a base para as grandes realizações que cabe a cada um de nós, no decorrer de nosso trabalho espiritual.
Ser um bom dono de casa, é lutar contra a corrente da vida, já que a vida nos tempos atuais ruma em uma corrente decrescente e involutiva.
Dentre muito que isto quer dizer, podemos citar não sermos vítimas das circunstâncias.

Vivemos tempos difíceis aonde o errado foi tomado por certo, e aonde a virtude é considerada um defeito. Esperto é aquele que engana, inteligente é quem sabe passar os outros para trás. Esta é a triste realidade dos tempos atuais.
Aonde a mentira é a nova verdade necessária para o convívio, e aonde quem seja honesto, quem seja verdadeiro, não tem vez.


Falamos deste lar, desta casa como uma base para a Obra, porque o lar consiste em um eficaz invólcruo, um útil isolamento para com as influências externas que nos dá a vida comum e corrente dentro da qual vive a atual humanidade.

No lar podemos separar-nos das forças negativas que impõe normalmente a vida, e buscar agir, antes de mais nada, como um bom dono de casa.
Nosso desenvolvimento espiritual depende de um sábio manejo destas forças que podemos usufruir no lar, não só como isolamento das forças externas.

Nossa casa, nosso lar, nossa família tem uma energia própria e uma força em menor escala do que é toda a humanidade, ou uma cidade.
Como sabemos, todo trabalho deve iniciar-se de dentro para fora, e o primeiro que temos da sociedade fora (de nós), é o lar, a família.

Tanto o sucesso como o fracasso no campo da vida, são emoções, são pensamentos negativos que simplesmente desgastam as energias que tem o homem.
Para desenvolvermos a essência, nossa consciência, em vez da personalidade, precisamos trocar o rumo que toma a energia dentro de nós mesmos.

Normalmente a humanidade, cada indivíduo luta pela matéria, luta pela sociedade, mas em uma luta egóica porque não conquistou as virtudes que são quem efetivamente conhecem a realidade e os resultados de cada ação necessária.
Devemos inverter esta polaridade e lutar pela parte espiritual, pelo triunfo das virtudes, e deste isolamento necessário para que surjam as virtudes, para que possamos formar dentro de nós esta consciência, logo devemos traduzir isto em fatos, dentro de nosso lar.

Enquanto não conquistemos os dons do espírito, enquanto não tenhamos a consciência do que é real, do que é necessário, sempre estaremos a mercê das circunstâncias, e por mais que possamos planejar, imaginar, supor algo, nunca poderemos ter certeza se é realmente certo, se é viável, se acontecerá conforme planejado.

O Que as pessoas normalmente entendem por um “bom dono de casa”, são questões mecânicas da vida, como ter um bom trabalho, ter uma boa casa, ter comida farta na mesa, e isto vemos não é o que estamos aqui nos referindo.
Porque neste exemplo que estamos dando, esta pessoa está desgastando-se e utilizando sua energia, sua força em algo que é o normal da vida, em vez de dedicar isto para a obtenção do que é eterno e verdadeiro, o sentido real da vida.
Claro que não vamos deixar de cumprir nossas funções de Pai, de Esposo, de filhos, só temos que atuar na justa medida do que é necessário e não ficarmos presos em questões que cria o mundo para nos manter metidos em sistemas que não nos permitem seguir este passo frente a esta integração que temos que ter para com as Virtudes, para com nosso Ser, para com nossa Consciência.

Para que possamos ter uma postura adequada frente à sociedade, temos que iniciar este trabalho dentro do lar, sendo bons donos de casa.

Quem não seja capaz de lidar, de vivenciar todos estes processos que proporciona o lar, não poderá lidar posteriormente com as questões sociais, cotidianas da vida, sabiamente, sem se deixar levar pelas multidões e por costumes equivocados.

O Excesso de busca pelo o que é material, como a falta do respaldo material claro são um equívoco. Tanto a riqueza como a pobreza são condenáveis porque por detrás delas se escondem e sobrevivem delitos, falhas psicológicas.

A virtude deve iniciar seu processo de expansão desde a psique do homem, passando pelo seu lar e então sim expressando-se para com a sociedade.
Quantos pais de família não cumprem com suas obrigações familiares por vícios que tenham, por mal hábitos que permitem livre expressão.
Muitas vezes não é que falte dinheiro em um lar, falta este isolamento, esta abstenção do que em realidade não necessitamos, apenas desejamos quando identificados com questões inferiores da vida.

Há muitas variáveis e muitas questões que em nossos comentários servem para alguns casos e não para outros, porque são particularidades e escolhas que cada um fez na vida e acaba tendo que arcar.
É Óbvio que uma pessoa que tomou por esposa ou por esposo uma pessoa que espiritualmente não lhe pertença, terá um lar tumultuado e de difícil harmonização e convívio. Mas claro há que utilizar tudo isto da melhor forma possível, até porque nestas dificuldades encontramos grandes oportunidades de desenvolvermos nossas virtudes.

Quando não se é bom dono de casa, é claro que não se está preparado para entrar na Senda do Fio da Navalha. Para se trabalhar na Revolução da Dialética, precisa-se ter chegado ao nível do bom dono de casa.” – Samael Aun Weor

14/05/13