CLXV
Textos sobre Filosofia
Os Prazeres da Vida

No dia de ontem, discorriamos sobre os motivos que as pessoas não estão despertas, do motivo que muitas vezes mesmo realizando uma Obra, se vêem em trevas.

Claro que cada um destes pontos que citamos, seria possível encher muitos volumes de explicação a respeito, mas realmente vale mais a prática e a vivência de cada um.

Um tema que vale a pena adentrar e aprofundar um pouco mais é a questão das sensações, dos prazeres.

Se formos observar o Eu, o que ele busca é o prazer, não um prazer natural, uma sensação agradável, mas um prazer bestial e sem fim.

O Eu é a sombra de uma sombra. A Sombra de Deus projetada no fundo do homem, é uma parte autônoma da própria Divindade. Mas ao corromper-se, surge o ego, nossos defeitos, o egoismo.


O Prazer são sensações agradáveis que temos.
A Alimentação do que necessitamos, fornece ao organismo uma sensação de prazer. Respirar e encher o organismo de oxigênio, nos dá uma sensação prazerosa. Claro que há prazeres humanos e prazeres divinos, assim como claro bestiais.

A Felicidade não é por acaso um prazer espiritual? E é algo que as pessoas desconhecem, confundem com alegria que é algo relativo e dependente das circunstâncias.


A Deturpação do prazer, e o prazer inconsciente, são as raizes que mantém o ego vivo. Nós permitimos o eu viver, porque ele nos fornece uma falsa sensação agradável, temporária e fatal.

Por isto que não vemos outra maneira para eliminar o ego, senão a comprenssão, senão com a vontade.

Se observarmos o Quarto Caminho, que é o do homem autêntico, vemos que um destes atributos que temos que trabalhar, é sobre o faquirismo, que é vencer a dor, e negar os prazeres mundanos.
Isto é o que muitas vezes nos falta para que possamos verdadeiramente eliminar nossas debilidades.

É Como uma pessoa que está acostumada a comer um prato muito salgado, se come com metade do sal, ainda que seja muito, sente sem gosto, sente-se mal por não sentir o prazer do sabor do alimento, como sentia. Claro que o organismo re-adapta-se e logo passa a sentir novamente os sabores mais simples do paladar perdido pelo excesso de estímulo.

Por isto que precisamos aprender a viver cada momento, e dar a cada momento um sabor único e verdadeiro do ponto de vista que tem a consciência.
Nós sofremos ao eliminar um defeito, porque estamos integrados com ele e não com a consciência.

Quando estamos em posse de nossa consciência, por mais que lá no fundo sintamos a dor do elemento sendo desintegrado, sentimos uma felicidade, um prazer espiritual e todos os benefícios relativos a esta consciência sendo emancipada dentre aquele aprisionamento que tinha.


O Mundo tornou-se uma ratoeira de prazeres e nós tal qual ratos, sempre presos pela fome de satisfazer nossas bestialidades subconscientes.

Hoje em dia é muito difícil uma pessoa saber concentrar-se em algo. Nós fazemos duas, quatro, oito coisas ao mesmo tempo.
Como alguém que faz tantas coisas ao mesmo tempo, conseguirá meditar? Pois não conseguirá! Como sairá em Astral se depende de concentração, de vontade? Não sairá!

Então vemos que a vida nos fornece muitos prazeres, nos conta muitas histórias e nos dá muitos passatempos que em verdade são opostos ao funcionamento da consciência.

Nunca deixaremos de sonhar, se a cada dia criamos novas efígies e novas formas mentais, que são constantemente alimentadas pela vida moderna.
Claro que não nos cabe dizer o que cada um deve ou não deve fazer, seria realmente o cúmulo do absurdo.

Mas vale a reflexão de cada um, ao que cabe e não cabe fazer em cada momento, já que é a própria consciência desta pessoa, seu Íntimo, é quem deve lhe guiar nesta jornada. Claro que o Íntimo nem sempre faz isto diretamente, mas atua por meio das partes autônomas do Ser, por meio da Mãe Divina, do Santo Gurú, e de tantas outras formas possíveis.


Há muitos acordos em que a pessoa poderia obter grandes benefícios, se fosse capaz de cumprir até a morte com o que se propõe.
As Pessoas não recordam suas existências anteriores, nem viajam conscientemente pelos mundos internos, proque trocam o Íntimo, este Cristo Bendito, pelas coisas do mundo. Querem ver judas? Pois que cada um se olhe no espelho e verá!

Nós nos contentamos com pequenos detalhes e bobagens passageiras da vida, e o Ser, a Obra, por mais que seja a meta de muitos, na prática é algo que fica sempre em segundo plano.
Podemos estar fazendo muitas coisas, coisas realmente relativas ao que é a Obra, mas se não é nossa consciência ali atuando, se não é o Ser obrando pelas mãos desta pessoa, ela não faz mais do que um castelo de cartas, esculturas em areia, que o tempo desfaz, porque não foi uma Obra do Espírito.


Temos que entender que não é questão de fazer grandes coisas, mas fazer o que nos corresponde, fazer o que cabe a cada um, dentro do que seja o impulso que lhe dá sua consciência, dos ordenamentos que tenha de seu Ser, e o que seja autorizado pela Venerável Loja Branca.


Se vivem algo prazeroso, seja bom, seja mau, pois que vivam conscientemente... nada mais justo do que gravar em ferro e fogo estas experiências, para que saibamos suas origens e consequências, e nos façamos livres daquilo que não nos corresponde.

26/07/13