CLXV
Textos sobre Filosofia
O Homem Vegetal

Algumas pessoas certamente ao ler tal título vão imaginar que estamos falando de alguma criatura mítica ou de algum tipo de fusão de homem e vegetal, mas não é isto que vamos expor.

Na natureza vemos que tudo tem suas similaridades e que o que difere um átomo de um mundo, ou de um sistema solar, é sua amplitude, sua complexidade, seu tamanho, sua potência, dentre outros atributos relativos a isto.

Na Obra nos deparamos com muitas questões que se observarmos a natureza, podemos entender que há similaridades e analogias perfeitas.
Isto é o caso de alguns vegetais, que de acordo com seu crescimento e desenvolvimento, se relacionam com o tipo de iniciado e de processos que ele tem de viver.

Não podemos imaginar que a Obra é algo idêntico para todos, ainda que haja um caminho único e muito estreito a se seguir, a forma como cada um vive estes processos, certamente são particularidades da Obra do Ser de cada um destes Homens e Mulheres.

Claro que dentro destas particularidades, encontramos algumas similaridades, pois pertencem a certas classes esotéricas que tem de viver os processos iniciáticos de diferentes formas.

Estes dias observávamos internamente o desenvolvimento de um Alface e de uma Cenoura, e buscávamos entender o porque de um se desenvolver na luz, sua parte comestível e o outro se desenvolver na escuridão da terra.
Ambos ao final das contas, são removidos da terra para serem consumidos, todos vêem a luz, mas cada um a seu tempo.

Isto temos visto ocorrer com muitos iniciados, há os que logo no começo da Obra já se projetam para fora de suas trevas e vivem em meio a luz, caminham mais ou menos conscientes, tem suas recordações internas, tem resultados precisos em suas práticas.
Há outros que vivem todos estes processos em trevas, tem de aprender a se deixar alimentar por suas partes superiores e desenvolver uma fé muito grande para com a Obra, para não se deixarem extraviar.

Então vemos que há iniciados que são provados e guiados como são os processos dos vegetais, uns tem de adaptar-se e viver sob a luz e outro baixo a terra.
Uns se alimentam das coisas de cima, outros das coisas de baixo, ainda que no final das contas, ambos se alimentem dos dois princípios e outros mais.


Mas é interessante ver isto, compreender isto, porque vemos que cada pessoa tem o que necessita para seu desenvolvimento.
Se damos a um homem, mais luz do que ele pode suportar, este fica cego ainda que em meio a luz. Também na escuridão, muitas vezes é possível se ver algo, mas para outros uma mínima escuridão já é uma completa cegueira.

Isto não estamos comentando para justificar quem não tenha resultado em suas práticas. Não tem resultado quem não pratica, ou quem não faz corretamente, isto é a verdade.
O Que queremos dizer, é que acaba sendo natural, para alguns, não ter grandes comprovações, ou viver literalmente em dois mundos, por conta do prejuízo que isto traria ao desenvolvimento desta Alma, deste Ser, em seus processos.

Não é que uma pessoa tenha algum prejuízo em sair consciente em Astral, ou perceber as dimensões internas por seus sentidos ocultos, certamente que não é isto.
Todas as pessoas que praticam, inevitavelmente se fazem corretamente, acabam tendo experiências realmente transcendentais, o que muitas vezes ocorre, é que alguns diálogos, algumas vivências, são suprimidas pela consciência, porque a pessoa não tem condições de lidar e compreender o ocorrido.

Se não fosse desta forma, teríamos pessoas amaldiçoadas por suas capacidades, como realmente ocorre com a pseudo-clarividência (clarividência negativa), dentre outros poderes que podem também se desenvolver negativamente, por meio de um caminho sinistro.


Claro que chega um momento, aonde este vegetal-homem está pronto em seu desenvolvimento, e há de ser tragado por sua Divindade, aquele que fez o cultivo, e aí todos somos arrancados da terra e nos integramos com este Ser, mas até lá, alguns vivem sobre o solo e outros abaixo dele.


Nos mundos internos, muitas vezes vemos uma Árvore como representação do Ser, pois o Ser é exatamente esta parte que se projeta para luz, e o homem (A Alma Humana e os corpos inferiores) são suas raízes que permanecem em baixo da terra. Ele, o Ser, se alimenta das coisas superiores e inferiores, então pode dar suas flores, seus frutos (desenvolver suas virtudes e realizar sua Obra). Se observamos internamente uma árvore cortada, não caída, ou quebrada, mas cerrada, isto indica um quaternário, porque se retirou "O Ser".

Quando vemos em nossas experiências astrais, muitas árvores, isto comumente simboliza aqueles que trilham o caminho secreto.


06/08/13