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Textos sobre Filosofia
O Exercício das Virtudes

A Vida para muitos tem o sentido de uma busca por posses, de uma organização plena para a vida em família, dentre tantas coisas, mas se vamos ao fundo investigar o que é a vida, como se processa, o que ocorre antes e a pós ela, vemos que há algo muito exato e definido que nos demonstra em fatos qual é o sentido da vida.

Nós como pessoas, somos o desdobramento de uma força maior que é a força que nos deu origem. A Vida tem por sentido, exatamente a chance de podermos unir-nos a este principio espiritual, este Ser, este Cristo-Íntimo que em ultima síntese é nosso Deus interior.

O Que fez de Jesus, um ser tão notável, não foram suas vivências humanas, simplesmente; O Que fez de Jesus um homem acima de todos os homens, foi sua integração com seu Cristo Íntimo e mais que isto, com o Cristo Cósmico, esta força que está mais além de toda e qualquer individualidade.
Claro que o drama que viveu Jesus, é o mesmo que viveu Buda, que viveu Hermes Trismegisto, que teve de passar Dante (em sua Divina Comédia), ainda que não escrevamos esta história da mesma maneira, é um mesmo processo de união e de integração com esta força espiritual que nos personifica.

Como pessoas, o que nos cabe é viver cada evento da vida, e dar a cada um deles, a justa atenção, compreensão e atuação.
Se compreendemos o que nos corresponde, o que nos cabe fazer, e o que não nos cabe fazer, pois o que se expressará por meio deste indivíduo são suas virtudes.
As Virtudes são partes independentes do Ser, são elementos, forças espirituais que atuam por meio da pessoa, o que em uma primeira instância conhecemos como Alma.

A Alma é algo que nós temos, porém não a possuímos, não estamos integrados com ela. Cada falha humana que se apresenta por meio da pessoa, ocorre exatamente porque não temos encarnada aquela virtude correspondente.

Falando em termos gerais, se temos preguiça, nos falta a diligência. Se temos a Ira, nos falta o amor.

Claro que este trabalho temos que ver os detalhes, porque é muito amplo dizer IRA, ou dizer PREGUIÇA, temos que ver em nossas vidas os pequenos detalhes aonde cada uma destas falhas psicológicas se manifesta.

Quando uma falha, um defeito psicológico, cresce até certo ponto, ele se reproduz, dando assim a existência uma série de defeitos menores, que tem esta possibilidade de crescer.
Nos é difícil entrar em detalhes, porque acabamos instigando questões que não nos cabe, então vale a observação de cada um sobre este ponto.

Mas as virtudes atuam de forma similar, quando há uma virtude atuando, se expressando por meio de uma pessoa, ela também desenvolve-se até certo ponto, então dá origem a novas virtudes, relativas a sua natureza.
Ao mesmo tempo que precisamos trabalhar na eliminação destes defeitos que percebemos atuam por meio de nós, precisamos também reconhecer, estimular e trabalhar dentro do que sejam o impulso destas virtudes, porque é aonde se expressa a Consciência e o Ser, dentro de cada um.

Deus é bondade, é amor, é justiça, é até severidade, mas em nós, por nossos defeitos, estes impulsos divinos acabam aprisionados por nossos defeitos.

A Bondade se converte em complacência com o delito, o amor em um desejo, a justiça em uma tirania, a severidade em agressividade.
Então compreender o que é o impulso divino, o que é uma falha humana atuando, é a forma que temos de retirar esta força que tem o defeito, compreender realmente toda esta situação e ao eliminar isto, atuar por meio da virtude.

Não vamos aqui adentrar nas técnicas de dissolução de defeitos, porque já é um tema bastante tocado e quem estude o gnosticismo claro vai se deparar e estudar estas técnicas.


Muitos buscam poder, buscam experiências, mas vemos que isto não são situações que temos como as buscar, porque são questões que naturalmente ocorrem quando nos integramos com estas virtudes.
Cada falha, cada defeito eliminado, libera um dom, um atributo divino, um poder, uma virtude.
Então vemos que para despertar, para realmente encarnar e expressar esta consciência, temos que tê-la primeiro liberto do meio do defeito que a aprisionava.

O Despertar da Consciência não é o mero resultado da morte psicológica, o resultado da morte psicológica é a essência, a virtude livre.
Mas expressar, encarnar, integrar-se com esta virtude é algo que devemos também fazer conscientemente.

Se temos o impulso de ajudar o próximo, e se negamos isto, se não realizamos isto, pois estamos negando ao Cristo, ao Íntimo, ao Ser. Supondo claro que este seja o impulso gerado por uma virtude, algo realmente sem segundas intenções, sem esperar nada em troca, sem querer reconhecimento ou qualquer outra questão gerada por nossos defeitos. O Mesmo vale para qualquer outro impulso divino que tenhamos.

"Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude;
Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.
E vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência,
E à ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade,
E à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade.
" - 2 Pedro 1:3-7

 

29/08/13