CLXV
Textos sobre Filosofia
O Ideal e o Belo

Existem no homem duas naturezas, tal qual expressa o Selo de Salomão com seus dois triângulos sobrepostos, um Divino aspirando expressar-se na matéria, humanizar-se.
Outro humano, com sua ponta levantada para cima, aspirando divinizar-se.

Da união destes dois triângulos surge “O Adorável Salvador do Mundo”, uma mescla entre o que é Ideal e o que é Belo.
Estas são as duas forças, Positiva (1) e Negativa (0) harmonizando-se (8) por meio da ascensão da força inferior (6) e do descenso (9) desta força superior.

Todos os grandes sábios que moldaram as humanidades, tiveram um ideal muito alto para os padrões humanos, muitos sábios artistas, filósofos, religiosos, demonstraram em seu pensamento e em seu sentimento uma verdadeira demonstração concreta do que são as palavras que emanam estimuladas por uma Divindade.

Se queres conhecer a Deus, pois observa estas máximas dos sábios, seus ensinamentos, sua encantadora harmonia que seja pela escultura, pela pintura, pela música, pelas palavras sabiamente encravadas no papel, despertam os sentimentos e os pensamentos mais nobres os quais já teve qualquer homem ou mulher na face da terra. Isto é o Ideal, fruto divino.

A Beleza é a natureza humana, de certa forma sombria, pois a Alma humana diferente de sua irmã Divina, tende as coisas do mundo, não apenas a vivê-las e executá-las, mas viver presa a esta ilusão.

Muitos homens foram grandes sábios em seus ensinamentos e seus pensamentos, transmitiram ideais e idéias as quais moldaram o rumo de nossa atual humanidade, no entanto como beleza, como fração humana, não eram capazes de atingir tal perfeição.

Isto demonstra que dentro de um mesmo homem, ainda que falho e imperfeito, se já há formada esta Divindade (Fusão da Alma Divina com o Íntimo), esta pode inspirar-lhe os sentidos mais nobres e buscar guiá-lo por meio de uma arte divina ainda que por meio da beleza (da vida) aos ideais mais nobres do espírito.


Muitos homens buscam a imortalidade física, e se não vemos homens hoje imortais andando pelas ruas de nossas cidades, apesar de sabermos e de conhecermos a realidade do que sejam os poderes da Pedra Filosofal e do Elixir de Ouro, deste magno elixir da longa vida, isto deve ser para nós um prudente aviso e um ligeiro sinal, de que tal imortalidade ou tem um preço muito alto, ou não deve ser exercida sem prudência.

Mas se assim não vemos, não quer dizer que não existam, pois sabemos que há homens entre os homens que cumprem com estas funções de elevar o nível da humanidade, exatamente por meio destes ideais sublimes aos quais sugerem.

Pelo ideal, por estes sublimes pensamentos e sentimentos brotados desde uma consciência divina de homens talvez comuns ao olhar do profano, tornaram imortais senão homens, um ideal por eles lançado e anelado como se nisto estivesse sua salvação e por consequência a salvação do gênero humano.


O Divino, o Ideal devemos aspirar no belo, afinal palavras, pensamentos e sentimentos sem que se tornem fatos concretos de ações mediante a vida de um homem, são palavras ainda que belas, vazias.

E mesmo o pássaro que conquista o céu e que seja sob a luz do sol ou sob o brilho das estrelas voa contrariando a força da gravidade que preferiria talvez o ter bem preso à terra, necessita de tempos em tempos repousar seus pés sobre o rígido, o material, pois suas asas não eternamente batem.
Assim o homem não é capaz de viver apenas pelo Ideal, necessita ele aprender a conviver com o Belo, com o que seja também desta natureza humana, pois é ali, bem ali nesta vida cotidiana e prática que o espírito molda seus Ideais para que possam inspirar senão um homem, uma multidão que carece de estímulos e de apreço.

Não temais a nada, pois enquanto o espírito seja livre, ele se encarregará de levar consigo tudo aquilo que esteja dentro da beleza e do bem.


Os tolos põe a coroa de espinhos sobre o Cristo, o cospem, o maltratam, e com sua ignorância e ainda que não querendo fazê-lo, o convertem em Rei da Natureza, em um Senhor e Amo da Vida e da Morte.

17/12/13