CLXV
Textos sobre Filosofia
Diversão e Distração

O Mundo como um todo é um grande parque de distrações e diversões.
Apesar de parecer ser o mesmo, a verdade é que distração e diversão tem sentidos bastante diferentes apesar de comumente serem confundidos e estarem associados.

O Sentido principal da palavra Diversão é um passatempo, uma atividade prazerosa.
O Sentido principal da palavra Distração é falta de atenção, irreflexão, esquecimento, inadvertência.

Atualmente algumas pessoas tomam a Diversão como um sinônimo de Distração e isto é incorreto.

Divertir-se é fazer algo agradável sem um motivo pré-definido de resultado. Distração é estar adormecido, estar agindo de forma inconsciente.

Podemos nos divertir conscientemente ou inconscientemente. Quando fazemos inconscientemente chamamos de distração.


A Diversão dizemos assim porque não é um trabalho. O Trabalho normalmente fazemos visando um resultado, seja o sustento, seja outra razão física ou não física que almejamos. A Diversão costuma ser algo que somente pela oportunidade de realizar o próprio fato em sí, já é o retorno.

É como escutar uma boa música, o prazer, a alegria pelo ato de escutar dita música é o benefício de escutá-la, não há um segundo resultado esperado nesta diversão. A isto chamamos divertimento.

A Televisão não é má, ela tem de tudo, é como a internet, há o que podemos usar para a diversão ou para a distração. O Problema não é assistirmos a televisão, mas o que vemos, quanto vemos, a maneira que assistimos também muito conta.

Se formos a fundo no que seja a distração, vemos que há um limiar muito pequeno entre o que seja o divertimento e este fascínio este sono da consciência, que designamos distração.


No Caminho espiritual muitas vezes nos encontramos exaustos, fatigados pelo trabalho, e muitas vezes o próprio caminho nos parece áspero, intrilhável, terrível. A Pessoa sente-se com ânsia de coisas humanas, terrenas, simples... ou seja, exige-se um divertimento.
infelizmente as pessoas confundem o divertimento com a distração e muitas vezes abandonam a consciência e o caminho nestes momentos.

Toda pessoa que não esteja acostumada com certa carga de trabalhos e de esforços, naturalmente sentirá-se desiludida, fadigada, exausta. Então exige-se um descanso e este descanso é dita diversão que nos permite renovar estas energias.

Muitos sem compreender isto da sã diversão, sentem como se estivessem presos em uma gaiola que eles mesmo se meteram. Imaginam "o mundo lá fora", que perdeu a juventude, que está perdendo tempo fazendo tal ou qual prática, e na verdade o único que o impulso está lhe dizendo é que faça algo sadio e simples como um divertimento, um passatempo para os momentos de descanso.


Não é raro que o iniciado em alguns destes momentos se não sabe conciliar o caminho com a vida, sinta inveja do simples operário ou de qualquer outra pessoa no mundo, ... claro que equivocadamente por não saber atender as necessidades mais básicas da vida.
Entendam que não estamos falando de delitos nem de profanações, sim de questões que naturalmente todas as pessoas fazem, e que lhes encantam fazer pelo simples fato de fazer.
Há quem tenha sua horta, seu jardim, quem prefira dedicar-se a desenhar, a pintar, até mesmo coisas mais modernas, escutar uma boa música, em fim, tudo isto preenche este vazio gerado pelos esforços em trilhar o caminho.


Todo o Mestre sempre retorna as coisas da terra, mesmo tendo tocado o Espírito. É na terra que encontramos a tranquilidade e o repouso para retomarmos a força para seguir no caminho.
Os que são mais sábios naquilo que é Ideal, que é espiritual, são os que melhor sabem aproveitar a realidade humana e divertir-se sem distraírem-se. Pois é na vida que obtemos o material de estudo e as compreensões que nos liberam de tudo que é falho e nos fusionam com tudo que é perfeito. Desta matéria fabricamos o espírito.

Todo artista, todo cientista, todo político honesto, sincero, encontra nos problemas sociais, nos detalhes do dia a dia, os problemas e as necessárias verdades para auxiliar a si mesmo e aos demais e exercer suas capacidades em benefício de todos. Temos apenas atentos ao nosso coração, desfrutando destas alegrias mas sempre em consonância com nossa consciência para que façamos apenas o justo.

As coisas mais sem sentido e mais simples para um, podem ser que mais tem significado para um artista, para um filósofo, para um cientista, pelo simples fato dele não estar distraído, e sim divertindo-se em meio a criação.

15/01/14