CLXV
Textos sobre Filosofia
Indiferença

O Caminho esotérico, a Grande Obra, é chamado também como "A Senda do Fio da Navalha" e isto certamente demonstra que não é um caminho largo ou amplo, senão que algo muito estreito e rígido, dentro da disciplina, da exatidão e retitude que tem de desenvolver o indivíduo que trilha este árduo caminho espiritual. É óbvio que como já tanto dissemos, isto é uma autodisciplina que desenvolve o indivíduo conforme acata os impulsos espirituais que receba de seu Íntimo.

A Existência é criada pela dualidade, e desde o primeiro instante aonde a Luz separou-se das trevas do primeiro instante, surgiu a vida e esta infinita dualidade que tão bem acompanhamos em nosso dia a dia ao qual estamos todos nós submetidos.

Dia e noite, masculino e feminino, calor e frio, fogo e água, ár e terra, sólidos e líquidos, bem e mal, movimento e repouso, atração e repulsa, etc.

Se observarmos os ensinamentos dos Sábios, vamos encontrar citações de que as Divindades não são homens nem mulheres, ou seja, não possuem a dualidade do sexo, também que estão mais além do Bem e do Mal, que exercem ao mesmo tempo a Justiça e a Misericórdia.
Isto nos demonstra que são seres que vivem em um ponto matemático aonde a Lei do Pêndulo já não atua pois não vivem indo de um extremo a outro, nem tem preferência por um lado ou outro, senão que realizam o que lhes cabe realizar e isto é tudo.

A Humanidade vive indo de um extremo a outro, da Alegria a Tristeza, do Movimento ao Repouso, da Atração a Repulsa, sempre mecanicamente, de maneira inconsciente e involuntária pois não tem controle algum sobre os processos de sua vida.
Este é o grande problema e a grande tragédia que vive a humanidade, pois não compreende intimamente os processos que ocorrem dentro de si mesma, e por isto é tão susceptível as influências externas negativas.

A Raiz da Maldade Humana se fundamenta na busca pelos prazeres e na repulsa das dores.
Bem, entendemos que é o que nos é conveniente e agradável, e Mal, o que não nos convém e é desagradável.
Há muitas coisas desagradáveis na vida que surgem para um bem maior em nosso destino e muitas coisas agradáveis que vem para nossa ruína, exatamente porque temos estes sentidos pervertidos e nos deixamos levar pelas aparências e pelo mero raciocínio materialista em vez de nos basear nos impulsos que provém daquilo que realmente somos espiritualmente, nosso Íntimo.

Quando aprendemos a sermos indiferentes ao prazer e a dor, ao movimento e ao repouso, a atração ou a repulsa, então podemos atravessar ambas as regiões sem sermos afetados por nada.
Pois se a pessoa fixa-se ao movimento, terá problemas físicos relativos ao excesso de movimento, como sofrem tantos esportistas que levaram seu corpo a extremos de chegar até mesmo a perder os movimentos. Se nos fixamos no repouso vamos instalar sobre nós o defeito da Preguiça, e vamos nos fixar no outro extremo negativo. Assim que para nós deve ser indiferente o movimento e o repouso, pois assim atuaremos em ambos equilibradamente, dentro da necessidade e dos impulsos espirituais que tenhamos, também de acordo com o momento que estamos vivendo.


Há muitas coisas na vida que parecem-nos erradas e más e na verdade são as grandes dádivas de Deus buscando redimir esta Alma Animal que se vê confundida e perdida em meio a materialidade da vida.
Para muitos a dor de uma doença é algo terrível, uma injustiça divina, uma maldição do seu ponto de vista... e na verdade isto é uma demonstração de seu erro e um acerto de contas para que pague pelo mal que cometeu. As próprias dores são sinais de que algo vai mal, mas as pessoas preferem intoxicarem-se de medicamentos para não sentirem as dores do que buscar atender a indicação que seu organismo dá que "algo vai mal" e que precisa atenção.

Assim que os conceitos de bem e mal ficam sobrando quando seguimos os impulsos de nosso Íntimo, pois vemos que há ações e caminhos que muitos julgam negativos, mas podem ser necessários seja para um aprendizado ou para uma realização final que seja necessária.
Deus nos mostra em fatos que os fins justificam os meios... pois mais além de todo sofrimento humano que vemos, mesmo das mais terríveis catástrofes, há um plano divino em guiar e reconduzir a humanidade, ou pelo menos aqueles que estejam dispostos, a esta reintegração com o Espírito Divino.

Se observamos um Tabuleiro de Xadrez, vemos que naturalmente as peças se movem por casas tanto brancas como negras, e isto é esotericamente muito significativo.

Mas há que eliminar de nós a dualidade, para que possamos transitar livremente pelos extremos sem ficarmos presos a estes ou sem que sejamos jogados ao extremo oposto pela Lei do Pêndulo.
Os Vícios são prazeres que o indivíduo busca de maneira insaciável.
Medos são gerados pela repulsa a eventos desagradáveis.

É óbvio que não podemos desenvolver atrações a nada, nem repulsas a nada, pois se nos cabe passar por um evento agradável, devemos passar sem sentir seus efeitos, igualmente se nos cabe passar por uma situação que nos traz desagrado, devemos passar sem maiores identificações ou repulsas ao fato. Temos de ser indiferentes mesmo ao Triunfo ou ao Fracasso.

No caminho há muitos oásis e desertos, e é muito fácil que qualquer um fique travado em sua Obra por conta do apreço a um processo agradável e a repulsa a um processo desagradável.

Somente aprenderemos a nos mover pelo impulso divino quando estejamos livres das prisões dos extremos.

23/12/14