CLXV
Textos sobre Filosofia
Vingança e Justiça

A Vida cotidiana possui muitos detalhes os quais não compreendemos, os quais não nos aprofundamos, e por consequência acabamos cometendo delitos, os quais nem percebemos.
Muitas das coisas que aqui comentamos, no relativo aos termos (como este de Justiça e Vingança), são diferentes expressões de uma mesma força, aonde dentro de um contexto são a expressão da verdade, e mais além disto, seja de um lado ou de outro, são o inverso desta medalha, a contraparte negativa da Verdade.

Hoje temos o anelo de buscar auxiliar o leitor a compreender os Mistérios relativos ao Arcano VIII do Tarot, A Justiça.
Todos nós já presenciamos algum delito, alguma maldade, até porque em nosso dia a dia, todos os dias, todas as horas do dia, acontece a nossa volta algum delito, algum equívoco, algum erro, alguma maldade.

Antes de falar da Justiça, temos de falar do Arcano V, a Lei. Afinal a base da Justiça são as Leis.
Sem as Leis não existe Justiça, porque a Justiça é sempre baseada em Leis.

Depois do surgimento da Lei, do Arcano 5, surge a dualidade e a escolha, o livre arbítrio com o arcano 6, por fim vem os reformadores, os organizadores, no arcano 7, e por fim a Justiça, como Arcano 8.

A Lei é a norma, é o padrão de medidas, os quais os Juízes do Karma como representação da justiça levam em conta para acertar as contas de todo delito que qualquer criatura cometa.


Bem, aí entra a diferença entre o que é Justiça e o que é Vingança.
A Humanidade normalmente o que faz ao que comete um delito, é Vingança, e o que os Mestres do Karma aplicam a esta pessoa que cometeu o delito é Justiça.
Se observarmos o atual sistema carcerário e o vasto e complexo mundo das leis físicas, chegamos muito claramente a conclusão que isto nada tem de ver com o Karma. Pelo contrário, a humanidade é quem adquire Karma a condenar as pessoas a uma pena aonde receberão desproporcionalmente algo por seus erros.

O Karma em si não é um castigo, não é uma vingança divina, é sim uma busca por equilibrar o que está desequilibrado. É um remédio, é um meio o qual utiliza-se a Divindade para tentar mostrar ao Indivíduo seu erro e fazer-se com que arrependa-se e mude sua maneira de pensar, de sentir e de atuar, purificando-se e integrando-se com a vontade universal.
Assim que é isto que cedo ou tarde aplica a Justiça, o Karma, o remédio, por meio da Justiça Divina.
Nós quando queremos fazer Justiça, não fazemos Justiça, fazemos não mais que uma Vingança por um mal que entendemos tem de ser reparado dentro do nosso conceito. Afinal não é raro que um Karma não seja cobrado em uma mesma existência e para nós, vale o que é feito agora: "Aqui se faz, aqui se paga", "Olho por olho, dente por dente". Assim vive e atua a humanidade.

Isto é a Vingança que encontramos em cada esquina, em cada lar, em cada canto do mundo. Me fez mal, te faço mal... Me disse algo, te respondo no mesmo tom.
Tudo na vida tem um inevitável retorno, e isto as pessoas aprendem cedo ou tarde, pois a Vida faz questão de ensinar-nos. No entanto não nos cabe a nós como indivíduos determinar a culpa ou mesmo a punição.

Tendo isto assimilado, passamos a compreender melhor os ensinamentos relativos a "Não violência", já que a violência sempre gerará algum tipo de violência para com o que cometeu o delito. Assim que se nos Vingamos com Violência de quem fez Violência, geramos um ciclo de violências intermináveis.
Se ao que cometeu violência, respondemos com benevolência, este pagará pelo seu erro, da maneira determinada pela Lei Divina e nós seguimos indiferentes a isto, em nosso caminho.


É claro que não estamos falando de deixar os criminosos soltos pela rua ou deixar os bandidos, e invasores livres para cometer seus delitos e atrocidades. Apenas estamos explicando que não importa a pena a qual lhes humanamente seja dada, eles continuarão em dívida para com a Lei Divina e serão cobrados, indiferente do que humanamente sejam Julgados.
O Problema é que não podemos excluir estas pessoas da sociedade, como é o que ocorre no caso do atual sistema carcerário, o que é necessário, é sim aplicar firmes e rígidas penas alternativas aonde sejam estes obrigados a integrarem-se com a sociedade, como claro já ocorre em algumas regiões do mundo.
Assim que quem roube, em vez de ir a um lugar aonde vá pôr-se em contato com pessoas ainda de pior indole aprendendo a ser um bandido ainda pior, fique trancafiado remoendo-se em ódio, vá a uma comunidade agrícola e lá trabalhe e aprenda uma profissão e pague sua pena para com a sociedade produzindo alimento, produzindo algo de maneira a integrar-se com aquilo que não compreende (a Sociedade).


Em fim, isto vale para as pequenas coisas do dia a dia, pois naturalmente nós queremos sempre "dar uma lição" nos demais, sentimo-nos superiores e queremos reparar o mal do outro, sendo que isto deveríamos voltar para um trabalho interno, buscando sim mudar a nossa própria natureza interior e então sim, com o exemplo, com a vivência prática, auxiliar aos demais, mostrando como é possível esculpir-nos a nós mesmos, dentro do que é o Plano Divino para o Homem.

05/06/15