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CLXV
Textos sobre Filosofia
(Arcano III) O Discernimento dos Espíritos

O Caminho diversas vezes mostra-se com infinitas possibilidades e sub-ramificações e não é raro o Iniciado ver-se perdido e sem um solo fértil para seu trabalho espiritual.
O Estudo e a revalorização destes passos, descritos em cada um destes Arcanos, é o trabalho acertado a se fazer de maneira a reencontrar-nos no caminho e voltar-nos mais uma vez ao trabalho fecundo e profundo do Ser.

Nosso organismo nasce com um capital energético específico e o desgaste desta vitalidade é o que ocasiona a morte.
Assim que devemos usar sabiamente esta energia para nossas criações, pois não é ilimitado.
No Arcano III aprendemos a selecionar nossos entusiasmos e a compreender os meios e os fins, bem como a necessidade das distintas criações que exigem a vida e das infinitas possibilidades existentes, as escolhas que temos.

Recordemos que este estudo acerca dos Arcanos deve ser levado a prática de maneira ordenada, pois cada Arcano é a base para conquistar o dom, a habilidade, o entendimento que possibilita a vivência do próximo Arcano. Assim a perda de um destes Mistérios requer a revalorização destes ensinamentos e mais uma vez o estabelecimento deles em nosso interior, para seguir em frente, nesta jornada.

"Tecendo estás teu tear, telas para teu uso e telas que não irás usar." - Axioma do Arcano III

Quando unem-se as duas forças contrárias-complementares, surge sempre uma terceira força, uma força de ligação, de intermediação e de transição entre uma e outra força.
Quando Mãe e Pai unem-se, surge o Filho... assim como quando ocorre a união do Dia e da Noite, surge o Crepúsculo (o Amanhecer e o Entardecer). Da mesma forma entre o Verão e o Inverno, surgem seus mediadores, a Primavera e o Outono.

Para que haja a criação de qualquer coisa, são necessários três forças, ainda assim, a Terceira Força já é um resultado, da união das duas primeiras.

Recordemos que no Arcano I aprendemos a Ser, no sentido de termos esta integração física e interna de expressarmos aquilo que realmente somos e de estabelecer uma unidade em toda nossa manifestação.
Recordemos ainda que no Arcano II passamos a receber esta concreta guiatura Espiritual a qual como uma Luz resplandecente sobre nossas Trevas Interiores, nos guiou a regiões superiores de nosso próprio Ser e resgatou-nos de nosso interior as Trevas do Abismo o qual estávamos estabelecidos.

Neste Terceiro Arcano cumprimos com aquele ensinamento de Hermes Trismegisto que diz:
"8 - Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores."

Nós ascendemos aos Céus ainda que por uns breves instantes no Arcano II, e assim tomamos o devido fôlego e tivemos o devido impulso e estabelecemos a concreta guiatura para submergir-nos mais uma vez em nossas próprias Trevas, já não como Homens, mas como um Espírito Divino revestido pela majestade e pela Luz de sua Divindade Interior.
Não temos como liberar-nos do Abismo, se não fazemos Luz dentro de nós mesmos, por nós mesmos. E por isto que não conseguimos escapar de nossas Trevas sem uma verdadeira batalha contra nossas falhas, nossos distintos defeitos, criaturas estas nefastas que nos mantém atados a Fatalidade Universal.

A Vida, em nosso interior, como já dissemos, é uma força limitada, pois se a vida fosse ilimitada, em posse do mal, seria a morte de tudo quanto existe. O Mundo tornaria-se um perpétuo Não-Ser. Assim a vida desfaz-se sabiamente conforme ruma para as Trevas.

Neste terceiro passo de nossa jornada, aprendemos a selecionar nossos entusiasmos, usando assim nossa vida, nossa energia, nossa consciência, para tudo aquilo que é sublime e verdadeiro, e que tem sim uma transcendência real.
Também neste arcano aprendemos o valor das pequenas coisas da vida, das necessidades do que é temporário, em função do que é imortal, como é dito no próprio Axioma deste sublime Arcano.

Este passo, é o que dá ao Homem certamente seus primeiros dons mais profundos, e mais concretos, em relação a percepção espiritual.
Como já dissemos, neste Arcano, nesta etapa, aprendemos a selecionar nossos entusiasmos, e isto em nosso mundo interior, é a compreensão e a identificação, das diferentes partes que nos compõe. Falando claramente, é reconhecer as distintas partes do Ser, da Consciência, da Alma, e mesmo aquilo que são nossos Agregados Psicológicos, os distintos defeitos que são a origem de nossos erros e nossos delitos em geral.

Assim que, ao aprender a identificar nossas debilidades, também nossas virtudes, concretamente, sabemos aonde por nossas energias e nossas forças, pois é por meio destas virtudes, por meio destes impulsos celestes que brilham no céu de nossa psique, que recebemos as distintas missões, e as distintas ações as quais nosso próprio Íntimo necessita realizar, e que a Loja Branca por meio de seus afiliados realizam, nas distintas esferas que compõem os mundos.

Desta maneira fica claro, e reconhecemos em nosso interior as três forças necessárias para que o homem torne-se uma autentica manifestação do Criador. Ou seja, a integração destas três forças que podemos chamar de Ser, Saber e Discernir.
Claro que o Ser que nos referimos, é esta integração das distintas partes as quais estamos compostos, nossos distintos corpos, veículos de manifestação nas diferentes dimensões da natureza.
O Saber, o qual é a manifestação da Divindade em nosso interior, dando nós o necessário passo em direção ao Espírito, para que este dê o seu.
E o Dicernimento é o nosso reconhecimento da Luz e das Trevas em nosso interior. Afinal devemos encontrar em nosso interior esta Luz, e seguir seu passo, sua guiatura, e fazê-la brilhar até que não haja sombras por nenhuma parte.


Da mesma forma como aprendemos a reconhecer concretamente em nosso interior esta Luz e estas Trevas, recebemos o peculiar dom, por uma analogia, no mundo.
A Capacidade de "Discernir os Espíritos", que é o dom que permite identificar a natureza Espiritual de uma criatura Humana, dando-nos o concreto julgamento de se é um Iniciado, se é um Profano, se é uma força Negativa, dentre outras informações as quais são indispensáveis ao Iniciado para auxiliar ao próximo para reencontrarem seus respectivos Destinos ofuscados por suas próprias debilidades (seus defeitos psicológicos).

Muitos homens buscaram no mundo o que não foram capazes de cultivar em seu interior, e este foi certamente o maior erro que fizeram, pois se não somos capazes de realizar algo em nosso interior, jamais seremos capazes de replicar o feito no mundo. Claro que há processos iniciáticos aonde isto que estamos dizendo não é válido mas é uma exceção a esta regra.
Afinal como vamos ensinar a alguém a eliminar seus defeitos, a liberar-se das Trevas, se nós mesmos não fomos capazes de chegar à Luz, de realizar isto em nosso interior. Com os dons em geral é o mesmo, conforme conquistamos a Clarividência interior, a capacidade de penetrar nas diferentes regiões do Microcosmos-Homem, conhecer nosso próprio passado mais além desta existência a qual está em curso... então seremos capazes de fazer isto, de replicar estes feitos no mundo.
Quando sejamos senhores de nós mesmos internamente, então poderemos influir satisfatoriamente, e acertadamente em benefício da Lei Universal e do autêntico e verdadeiro Amor que em sua mais profunda manifestação é a Lei Consciente.

Estes três passos, estas três câmaras, estas três escalas da Sabedoria Oculta, são o que nos antigos tempos chamamos de Aprendiz, Companheiro e Mestre.
Deste ponto em diante, o próprio Iniciado já tem certamente a Sabedoria, a Força e o Impulso de trilhar seu próprio caminho rumo seu Ser, sua Redenção, por suas próprias pernas, se deu concretamente estes três passos, na profundidade que aqui relatamos.

Que tua autêntica, única, e verdadeira Luz, te guie nesta jornada, e que jamais te deixe sucumbir no erro e mergulhar mais uma vez nas Trevas.

Paz Inverencial.

28/08/15