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CLXV
Textos sobre Filosofia
(Arcano IV) A Divinização do Homem e a Humanização de Deus

Ensinar sobre dos Arcanos, é falar da Obra como um todo, não apenas das Três Montanhas (a autorrealização), mas da própria jornada até o centro do Absoluto.
Cada ensinamento que nos dá cada um destes Arcanos, é uma força a ser encarnada, um ensinamento o qual deve tornar-se vivência ao longo de nossa existência, nos fazendo seguir esta longa jornada.

O Que temos aqui relatado e ensinado, é apenas o ponto básico e a síntese do Arcano, é a semente do número em questão, o qual fará germinar em nosso interior uma série de eventos e manifestações espirituais, se sabemos realizá-lo na profundidade de nossa Alma.
Esta é uma jornada longa e dura, a qual mesmo ao longo das eras, poucos Seres foram capazes de completar isto totalmente, perfeitamente.

Se para nós matar o Ego parece difícil, ou temos dificuldades na Alquimia ou mesmo não temos o devido entendimento e impulso ao Sacrifício pela Humanidade... o que diremos sobre os Chefes das Legiões, também as Fúrias, e de enfrentamentos ainda mais severos que temos de realizar na imensidão de nosso universo interior, para realizar-nos. E não apenas isto, mas seguir mais além disto, rumando até o centro do Absoluto Imanifestado por meio da repetição mais acentuada, mais severa e diferenciada, da Obra.

As palavras facilmente se perdem, são esquecidas, corrompidas, adulteradas, mas se aprendemos a intuir a natureza dos números, se entendemos concretamente a progressão do ensinamento numérico, do peso e do significado destes princípios manifestos, teremos sempre um guia sincero para apontar-nos a direção a seguir.


"Ao trabalho de tuas mãos, dá bênção; e no do pensamento, põe coração." - Axioma do Arcano IV

Os Três primeiros arcanos representam um ciclo, nesta etapa algo foi concluído e algo novo começa.
Assim como no Arcano I, aprendemos a integrar as diferentes partes que compõe o Homem, no Arcano IV devemos aprender a fundir em definitivo certas partes para que haja a constante e perfeita manifestação do Divino em nós, e por consequência de nós n'Ele.

O Homem deve Divinizar-se, e Deus deve Humanizar-se. O Cristo deve nascer no interior do Homem e com isto torná-lo divino. Assim Deus se Humaniza e o Homem se diviniza no mesmo processo. Na progressão que a Divindade penetra em nosso interior e integra-se conosco, nós nos integramos com ela.
Que não tenhamos dificuldades para compreender isto do Cristo, pois como já foi falado, é uma força que se manifesta naqueles que estejam devidamente preparados, alinhados, tal qual o Magnetismo se manifesta nos metais devidamente polarizados, preparados para isto.

O Axioma do Arcano IV nos ensina que aquilo que realizamos, devemos fazer com a presença do Espírito, ou seja, como uma manifestação de nossa Divindade Interior, de nossas Virtudes, do Cristo.
E que tudo que se manifeste em nosso interior, temos de por o coração, no sentido desta atenção consciente, esta constante e sincera auto-observação para que o Mal não tenha espaço em nosso universo interior.

Nosso mundo interior é muito parecido com o mundo aonde andamos nossos dias. Há um Sol que tudo ilumina e há objetos, pessoas.
Se estudamos como surgem estas criações em nosso interior, certamente teremos uma pista concreta de como não fazer novas criações e mesmo como eliminá-las.

Quando no mundo colocamos atenção à algum Objeto, este é criado, replicado em nosso universo interior.
Para facilitar o entendimento do leitor, peço que imaginem o mundo, mas vazio, no sentido de apenas a terra, sem árvores, sem prédios, sem pessoas, apenas um mundo totalmente iluminado pelo Sol. Não há Trevas nem escuridão pois não há barreiras para a Luz.
Quando nós pensamos acerca de algo, em nosso interior ergue-se da terra um bastão de cobre, este bastão sendo a representação do objeto o qual colocamos atenção no mundo ou mesmo que apenas imaginamos.
O Pensamento gera uma semente (o bastão), a qual se infundimos com a energia das emoções, cresce e toma forma.
Assim ao haver um sentimento em relação a aquele pensamento, em nosso interior aquele bastão de cobre cresce com esta energia, não apenas em altura mas principalmente em largura, formando um espesso cilindro. Este cilindro em questão é o objeto o qual nossa consciência (NOSSA LUZ) ao projetar-se, cria uma sombra e esta sombra é o Ego.

A Consciência ao esbarrar com o Objeto converte-se em algo negativo, contrária a sua natureza.
Assim se um indivíduo vê um carro, tem o pensamento em tê-lo, tem um anseio em tê-lo, fará de tudo para tê-lo pois em seu interior sua consciência esbarra neste objeto ali existente e projeta negativamente uma Sombra que é a manifestação e o que dá vida ao Ego.

Quando nós colocamos coração em nossos pensamentos, nossos sentimentos, na verdade estamos fazendo uma concreta e sincera análise destes objetos que existem em nosso interior, de tudo aquilo que colocamos atenção, que colocamos esperanças, desejos, anseios.
É realmente uma revisão do que tem valor e do que não tem valor.

Na prática, no fundo, se formos ver, o Ego existe e não tem como ser eliminado por ele mesmo.
É isto que talvez a muitos faltou entender e o motivo que não tem um trabalho concreto na Morte do Eu.
Porque o Ego não é a origem, ele é a consequência. A origem do Ego é a incompreensão acerca de algo.

Por exemplo, se vemos uma dama e esta nos chama atenção por qualquer motivo, imaginando claro uma pessoa pura e inocente, que nunca até então teve um agregado de luxúria. Se começamos a imaginar as possibilidades de estar com esta pessoa, de viver com esta pessoa, etc. Por fim um sentimento dá forma a isto e cria-se o Ego de uma Luxúria que ainda que pareça amor anseia por ter aquela bela dama (ou rapaz, no caso das mulheres).
Em fim, vemos que o Ego ele não é uma força que existe por si só, ele existe porque a consciência esbarrou em algo a qual gerou aquele agregado, aquele delito.
Cada fração da Luz que se desdobra para iluminar um objeto, gera uma sombra específica, um ego específico. Assim sobre um mesmo objeto podemos ter muitas sombras, muitos Eus. Por isto que nosso Traço Psicológico é algo tão difícil de ser eliminado, pois sob mesmos objetos temos muitas frações de consciência orbitando e projetando diferentes sombras.
Quando falamos que para conhecer os defeitos relacionados a algo, basta bater na associação, estamos dizendo para unificar nossa luz interior sobre o objeto em questão e veremos as sombras movendo-se, atuando para tentar afastar a luz e sobreviver.

Por isto que dizemos, por isto que é ensinado, que para eliminar o Ego necessitamos compreendê-lo, e no fundo o que estamos compreendendo não é simplesmente ele em si, mas o resultado da consciência projetada em algo, aprisionada por algo.

Se nós tiramos o objeto em questão de nosso mundo interior, a sombra desfaz-se, o problema é que para retirar o objeto, necessitamos desfazer a sombra.
Pode parecer um ciclo infinito pois estamos dizendo que para matar o ego temos que tirar a razão do ego e para tirar a razão do ego o ego não pode existir.

Neste processo de Divinização da Criatura e de Humanização da Divindade, este conúbio, esta aliança espiritual, faz com que aprendamos a manejar a luz em nosso interior e enfraquecer, eliminar o Ego em definitivo.
Se nós movemos a luz que estava lateralmente gerando a sombra, o ego... para uma posição diretamente superior ao objeto em questão, ele ficará totalmente iluminado, sem sombras por parte alguma, então a força elétrica do Terceiro Logos, a Mãe Divina, em nosso interior pode reduzi-lo a nada, apagando aquela forma que gerava a sombra.

Aceitar a existência do Ego como por uma lógica, por um ensinamento recebido, é algo, agora tê-lo observado e conhecer a sua concreta existência em nosso interior é outra questão. Necessitamos aprender a observar nosso mundo interior e influir conscientemente sobre esta criação, ao longo do processo do Arcano IV. Desta maneira podendo influir positivamente, no mundo exterior, já de uma forma mais elevada, consciente, verdadeira. Afinal ensinamos mais pelo exemplo que pelas palavras e para que sejam exemplos, necessitamos da bênção de nossa Divindade como manifestação d´Ele em nós. E para isto necessitamos purificar nosso interior, liberar totalmente nossa luz dos distintos objetos e assuntos os quais aprisionam nossa consciência.

Ainda que não tenhamos escrito pois tornaria-se algo muito longo e certamente maçante para o leitor, as pessoas que existem em nosso interior, nos referindo aos distintos defeitos, eles são estas sombras que giram, que rodam e que vivem em função de algo em nossa psique e isto tem o reflexo no mundo como nossos egoísmos, nossas debilidades, medos, anseios.
Assim vemos que haveria muito mais por se estudar, mas asseguramos que na prática cada um comprovará o que foi dito e muito mais, como consequência destes esforços.

"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.
Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.
Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação,
Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.
De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé;
"
Romanos 12:1-6

31/08/15