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CLXV
Textos sobre Filosofia
(Arcano V) A Manifestação da Virtude como Manifestação da Lei

Como vemos nítidamente na progressão dos Arcanos, gradualmente ao percorrer estas câmaras vamos transformando-nos profundamente e cada passo no caminho nos exige um Sacrifício, no sentido deste "sacrifício vivo" de nós mesmos, pois deixamos de lado nosso egoísmo, nossos conceitos equivocados e provocamos mudanças tremendas em nosso organismo físico e interno por conta destes profundos e sinceros esforços.

Este arcano em sí é a primeira manifestação dos mandatos divinos de maneira clara e objetiva.
As pessoas em geral costumam rezar à Deus, costumam pedir sinceramente o que necessitam, mas é neste ponto, neste processo em que a oração transforma-se em um diálogo em vez de um monólogo, é aonde cara a cara encontramos estas forças primordiais que nos fundaram e recebemos delas seus ordenamentos, suas leis, seus mandamentos.


"De ouvidos te havia ouvido; mas agora meus olhos te vêem e meu coração te sente." - Axioma do Arcano V.

Nada na vida escapa de certos cálculos. Não estamos falando da matemática humana mas das ações e reações, das origens e das consequências de tudo, desta matemática universal.
Peço que imaginem por um momento se todas estas pessoas que perdidas estão no mundo, que sentem-se privadas de seus desejos, de seus anelos, que ansiosas por uma guiatura espiritual, que profundamente sofrem por uma resposta, realmente recebessem sem a devida preparação para cumprirem com aquilo.
Santo e bendito Deus... estariam estas condenadas as mais torduosas das maldições possíveis, sem dúvida.

Tudo na vida tem um preço, por assim dizer. Porque cada dom que recebemos, cada força que encarnamos, passa a cumprir uma função e nos dá uma responsabilidade acerca de algo.
Deus não pode cobrar de maneira efetiva a alguém, se este não compreende seus desígneos. Mas Ái!, daquele que compreenda estes designeos e não os cumpra.
O Crime de um ignorante não é o mesmo daquele que não ignora; e este Arcano é o Umbral mais terrível que há neste sentido, pois é aonde desfaz-se o véu que o separava das mais terríveis verdades.

Toda esta jornada desde o Arcano I até o Arcano IV, se passa podemos dizer em um deserto, em uma região aonde o até então Profano (não iniciado nos Mistérios), abandonou uma vida antiga, e propôs-se a uma nova vida. Ainda assim ele somente trilha estes quatro primeiros arcanos em posse de sua Vontade e de sua Fé... No entanto por mais que tenha comprovações parciais e que tenha ouvido este chamado espiritual, é nesta etapa de seu trabalho espiritual aonde ele realmente vê e sente estes principios que o guiam.
Em outras palavras, é a primeira vez, é o primeiro momento em que nos deparamos com a Luz em sua forma original e verdadeira, e por consequência fazemos parte dela e ela faz parte de nós (como foi explicado no Arcano anterior como exigência para este processo do Arcano V).

Sem a manifestação da Lei em nosso interior, não seria possível a manifestação da Justiça, pois a Lei é o requisito básico da Justiça.


Nós todos que estudamos estes Mistérios, que trilhamos a Grande Obra, acabamos de alguma maneira reconhecendo o chamado deste ensinamento. Realmente o percebemos como uma verdade, no entanto por uma Fé, no sentido de uma percepção oculta que secretamente nos guia e nos leva a estas verdades. É exatamente no decorrer deste arcano que este principio que nos guia se "revela", se mostra e se faz presente, manifesto em nossa vida e por consequência nos dá o direito a um Destino. Por isto dizemos que é nesta etapa quando realmente comprovamos totalmente e temos as condições de vivenciar este ensinamento.

Neste passo colocamos uma pedra fundamental em nosso caminho o qual ninguém é capaz de mover, pois as dúvidas se dissipam, e o que antes aparecia em meia-luz agora é revelado totalmente.

Todos nós temos uma particularidade especial, temos um motivo mais profundo do porque estamos hoje aqui vivos, e é no decorrer deste Arcano que isto se revela pois a Divindade brilha esplendorosamente sobre nosso céu interior nos levando as realizações as quais nos cabe fazer em seu nome.
É aqui neste processo que assumimos as profundas responsabilidades perante não apenas nossa Divindade Interior mas perante as Divindades Universais e recebemos nossa responsabilidade perante o Cósmos. Exatamente porque encarnamos o principio da Lei como manifestação da Divindade a qual é Lei.

É também neste processo quando aprendemos a reconhecer o que é verdadeiro e o que é falso, o que é correto e o que é errado, ainda que o senso pleno da Justiça somente o teremos no decorrer dos processos do Arcano VIII.
Tudo que nasce em nós, nasce como uma criança nasce no mundo, e precisa desenvolver-se, progredir. Assim a Lei deve transformar-se em Justiça a seu tempo, ainda que aqui manifeste-se como Lei.

O Que antes era difícil, daqui para frente torna-se severo. Erros que antes eram tolerados, agora não serão mais tolerados, por parte das divindades. O Que antes era justificável, agora já não tem mais justificativas. O Karma deste ponto em diante é o mesmo Karma que regem os Deuses, pois estamos já em um processo de plena integração com a Divindade, a vimos, a sentimos... e ainda que não sejamos um, temos deste ponto em diante sua firme e próxima guiatura, a qual nos dá seu parecer, seu desígneo a cada passo do caminho.
Infeliz daquele que se afaste de seu Sol Interior, pois sucumbirá em sombras, trevas muito piores do que aquela que estava antes desta jornada iniciar.


É aqui aonde as coisas tornam-se sérias, e quando surge um raio de esperança por parte dos sábios Mestres para com este Iniciado.
O Caminho não é algo simples, no sentido a ser algo sem profundos esforços e sacrifícios... e sabemos que são pouquíssimas pessoas que realmente se predispõe a este tipo de trabalho. Até porque é algo da pessoa com sua Divindade.
E é aqui, neste passo, aqui nesta Câmara aonde isto torna-se realmente um compromisso entre o Homem e sua Divindade. É aonde ambos são apresentados um ao outro e aonde sabe-se por si mesmo o que precisa saber, o que precisa fazer.
Deste passo em diante as opiniões alheias perdem o valor, e os estímulos externos perdem sua força, e por consequência é quando tem-se a verdadeira compreensão e força, o profundo anseio pelas realizações Espirituais sob a guiatura de sua própria Consciência, de seu Ser.

02/09/15