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CLXV
Textos sobre Filosofia
(Arcano VII) Teúrgia e Alta Magia

O que conhecemos por Magia, como já dissemos em diversas oportunidades, é a possibilidade de influenciar a natureza interna e por este motivo conduzir os feitos físicos de maneira a atenderem nossa vontade.
Assim é possível influenciar o clima, é possível auxiliar alguém a cumprir com seu destino, dentre tantas possibilidades como provocar curas e feitos não menos impressionantes.
O que os leigos conhecem como milagres, nada mais é do que a manipulação de uma natureza superior (interna) influindo sobre a natureza inferior (física).

Existem dois tipos de Magia, vale ressaltar, a Magia Branca e a Magia Negra.
A Magia Negra, o que não é do que aqui tratamos e ensinamos, leva em conta apenas a Vontade do Operador, ou seja, do Mago Negro. O Mago Negro faz a natureza obedecer sua vontade, indiferente as vontades do Íntimo, ou da Divindade Universal (Deus). E é negro isto, porque viola o livre arbítrio das pessoas, e aí entram estas práticas bem conhecidas da atual sociedade como "amarrações", "fazer voltar o amado", e coisas deste gênero, e claro muito, muito mais, até muitas coisas do dia a dia, acabam sendo Magia Negra, e para nós são coisas cotidianas.

Neste processo de nossa Obra, ficamos um passo mais próximos da Alta Magia, e já podemos, na verdade desde o Arcano V, exercer o domínio sobre a natureza, com a devida permissão de nosso Íntimo, nosso Real Ser. É claro que há processos aonde isto se intensifica, e é por isto que tratamos aqui deste maravilhoso tema.
Sempre que o Mago Branco ordena um elemental (a Alma de alguma criatura como uma planta, um animal, um mineral), ele o faz com a devida permissão do Íntimo, de acordo com a Divindade, esta ocorre maravilhosamente e nunca fere leis básicas como as do livre arbítrio que tem os indivíduos.

"Quando a ciência entre em teu coração e a sabedoria seja doce em tua alma, pede e te será dado." - Axioma do Arcano VII

Se entendemos a progressão dos Arcanos até chegarmos aqui, vamos entender o motivo pelo qual não é possível exercer plenamente a Magia, até este ponto de nosso trabalho. Afinal sem as devidas virtudes, sem o devido entendimento acerca dos procedimentos do Espírito, poderíamos estar olhando para a Luz, mas no fundo caminhando para as Trevas, como é representado na figura do Arcano VI.

Apesar de falarmos destas Câmaras que são os ensinamentos dos Arcanos (Mistérios), dos números, há algo que não escrevemos mas que temos de levar em conta que é a integração destes arcanos, pois entre um e outro há um caminho o qual devemos percorrer para ligar um arcano com outro.
Na nossa Obra espiritual encontramos muitas câmaras ocultas que são representados em Mistérios que estão entre estes Arcanos ou mesmo depositados em uma recâmara ainda mais oculta dentro destes próprios números.

Ao realizar em nós cada um destes arcanos, necessitamos ligá-los uns aos outros, de maneira a tornarem-se algo íntegro.
A força do Arcano I isolado do Arcano II, é uma, mas estes dois arcanos unidos, integrados, formam algo completamente diferente.
Podemos dizer que é esta a diferença entre passar pela iniciação (as diferentes etapas da Obra) simplesmente, ou passar pela iniciação Consciente, integrado, pleno.

Quanto a este Arcano, seu sentido básico é aprender sobre duas questões:
1) Por a ciência em nosso coração;
2) Integrar a sabedoria com a Alma.
O Resultado disto é a plena manifestação da Magia.

Se nós tomarmos nosso dia a dia, veremos que fazemos estas coisas em geral de maneira muito mecânica, há pessoas que rezam da mesma maneira que vão ao trabalho, como por uma obrigação, por um mero protocolo, o fazem sem sentimento, realizam sem vontade. Isto também costuma ocorrer em práticas Esotéricas, fazem sem a devida integração, sem o devido estado interno.
Primeiramente temos de aprender a levar estas ações até nosso coração, pois é a maneira de como dizemos "fazer as coisas de coração", ou seja, detidamente, com vontade, plenamente. Para que nosso coração esteja em nossas ações, os princípios que movem estas ações devem estar em nosso coração.

É preferível alguém rezar de joelhos, por uma hora todos os dias, mecanicamente ou alguém fazer uma vez por semana, deitado, mas de boa vontade, integrado?
Em um primeiro momento, para desenvolver a disciplina, é muito bom isto de repetir diariamente, mesmo sem vontade estes feitos, mas chega o momento que ao termos eliminado a má vontade e a preguiça, que precisamos realmente levar estas ações até o centro de nossos impulsos e manejar nossos estados conscientemente para provocar o devido ânimo para estas realizações que nos cabe realizar.

Sabem aquilo que se manifesta em uma mãe quando vê seu filho prestes a sofrer um grande dano? É exatamente isto, que precisamos desenvolver para estas questões espirituais, esta verdadeira ânsia por esta realização, uma vontade capaz de romper qualquer barreira para fazer este devido bem necessário. Isto aliado a permissão e a concordância das partes internas, são os que geram o que popularmente já dissemos, chamam de milagres.


A Ciência claro significa a prática, a realização de algo. A Sabedoria são os meios.
Nossas virtudes nascem em nosso interior, da mesma maneira que uma criança nasce no mundo, ela precisa crescer, desenvolver-se, e leva tempo até ser capaz de suas próprias realizações, seus feitos.
Assim que precisamos dar a cada fração de Alma em nosso interior, a devida integração com o Espírito, de maneira a que esta desenvolva-se e torne-se plena.

Muitas pessoas lutam por desintegrar um defeito, no entanto uma vez o defeito morto, abandonam a essência totalmente, sem dar a ela a devida atenção e o devido estímulo, guiatura, para tornar-se parte de nossa vida.


Ao fazermos uma oração, por exemplo, de maneira plena, realmente entregues a isto (em nosso coração), e nossa Alma tendo esta desenvoltura, o desenvolvimento necessário, o resultado desta oração é a concretização de nossos anelos, até porque para esta Alma ser Sábia, ela já está devidamente integrada com as vontades do Íntimo e por consequência a vontade d'Ele é a vontade dela.

Ao longo deste processo nos integramos ainda mais com o Íntimo e podemos vislumbrar suas vivências ao longo das eras, suas realizações, sua natureza.
Até este ponto de nosso trabalho, apesar de tantas vivências e tantas realizações em potencial, nos guiamos por uma luz alheia a nossa, por uma sabedoria que não provém de nosso Íntimo, e este é o último processo de integração com nossas partes internas, antes do primeiro Deserto, que temos efetivamente de atravessar, para então depois disto sair desta noite espiritual que se dará ao longo do Arcano VIII.
Todos estes arcanos até aqui, são um prelúdio do que terá de viver o Iniciado ao longo do Arcano VIII, o qual será um verdadeiro teste, terrível, e doloroso, à sua compreensão, sua vontade, e sua integração com as distintas partes internas que até aqui logrou integrar-se.

Até o Arcano VII, vimos muitas pessoas chegarem ao longo das eras, no entanto, deste ponto em diante, ainda que claro não com a devida consciência e integração que aqui relatamos, vemos raros personagens que passaram pelos sucessivos processos.

"E naquele dia não me pedireis mais nada. Pois Eu verdadeiramente vos asseguro que, tudo o que pedirdes ao Pai, Ele o concederá a vós, em meu Nome." - João 16:23

15/09/15