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CLXV
Textos sobre Filosofia
(Arcano VIII) Dor e Reflexão

Ao discorrer acerca dos Mistérios do Arcano VII, já comentamos acerca do terrível processo que relaciona-se ao Arcano VIII, e que este umbral, por comum é o último que a grande maioria dos Iniciados cruza, já que por comum as pessoas não vão mais além deste processo, senão que aqui afastam-se em definitivo do caminho ou continuam em uma eterna luta sem jamais superar esta terrível provação.

Alguns Mestres dizem, que se relatássemos em fatos o que seja a Iniciação, ou seja, as tremendas dificuldades e escolhas que a pessoa por ela mesma tem de fazer, nesta jornada de reintegração para com a Divindade, provavelmente ninguém perseguiria tal caminho, já que depende de tremendos esforços voluntários e de um Sacrifício Consciente e constante do indivíduo.
Claro que o caminho é gradual, e que ao longo desta jornada, como já dissemos também, vamos encarnando as forças, os princípios necessários para as próximas etapas e por isto que o caminho não nos apresenta nada além do que podemos suportar, e se há algo além de nossas capacidades, sempre surge a oportuna ajuda, no momento preciso para cruzarmos o que nós por nós mesmos não somos capazes de aguentar.

No entanto, no Arcano V recebemos as Leis, e como dissemos ao explicar este arcano, as Leis desdobram-se em Justiça. Justiça é acima de tudo dar a cada um, a cada situação, o que é devido.
Aos bons, bondades, aos maus, maldades. Em outras palavras, podemos dizer que ao longo desta câmara, pagamos nossas maiores dividas e por isto que é algo tão terrível. Claro que o propósito desta jornada ao longo deste Arcano, é desfazer nossos mal entendidos acerca da Obra, também alivar-nos de nossas cargas, já que as culpas que carregamos são um obstáculo a Obra e aos processos que ainda estão por vir.

É graças a este Arcano, ao concluí-lo, que temos o pleno julgamento do que é correto e do que não é, do que é justo e do que não é, assim aprendemos a não criar novos Eus Psicológicos e a não gerar novos Karmas.


Para muitos, sabemos é estranha, incomum, a forma que estamos relatando a Iniciação, mas lhes recordamos que em passados remotos, esta já foi a forma com a qual se assinalava ao Indivíduo a Iniciação, estes números sequenciais de Câmaras as quais correspondiam a estes respectivos processos os quais estamos aqui hoje relatando. Para isto que existia e ainda existe internamente o Templo aos pés da Esfinge ou mesmo Trinta e Três Câmaras da Pirâmide de Queops.


É certo que nada nos prepara no fundo para o que precisamos encarnar ao longo do Arcano VIII, porque tudo muda, tudo transforma-se ao longo deste processo.
A Luz que tínhamos, e que não era nossa, é de potencialmente suprimida, retirada... Forçando o Indivíduo a buscar por si mesmo, sua Luz Interior ou retornar às Trevas. Alguns leitores mais ávidos, vão dizer que isto já aconteceu ao longo do processo de outro Arcano, e não negamos, no entanto a Iniciação como já dissemos, se processa em níveis, mesmo isto que hoje estamos aqui relatando, haverá de se repetir em escalas superiores logo mais a frente.
O Problema maior deste processo, é que todo o ânimo, toda a força, toda a compreensão que tem este Iniciado, e que não provinha dele, é retirado e este vê-se mais uma vez em Trevas, Trevas as quais são piores do que aquela aonde estava antes de lançar-se a Iniciação.
Por consequência ele duvida de tudo, de todos, duvida de sua Obra, duvida da Divindade... E ao longo deste processo ele passa só, e as vezes pior, mal acompanhado.

Estas dúvidas e esta dor que aqui relatamos não é aquela mesma que prova-se ao longo dos Cinco Primeiros Arcanos e não pode ser confundido com isto. Afinal do Arcano V ao VII, encarnamos forças as quais nos dão mais que a devida comprovação do caminho, da verdade, da Iniciação, dos Poderes, dos Mestres, etc.

"'Disse então o Senhor a Satanás: 'Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal'.
'Será que Jó não tem razões para temer a Deus?', respondeu Satanás.
'Acaso não puseste uma cerca em volta dele, da família dele e de tudo o que ele possui? Tu mesmo tens abençoado tudo o que ele faz, de modo que os seus rebanhos estão espalhados por toda a terra.
Mas estende a tua mão e fere tudo o que ele tem, e com certeza ele te amaldiçoará na tua face.'
O Senhor disse a Satanás: "Pois bem, tudo o que ele possui está nas suas mãos; apenas não toque nele".
Então Satanás saiu da presença do Senhor.
" - Jó, 1, 8-12.

Este breve diálogo que encontramos no Livro de Jó, é o que talvez melhor dê uma prévia do que aguarda o Iniciado no decorrer deste penoso e demorado processo.

"Edifica um altar em teu coração, mas não faças de teu coração um altar." - Axioma do Arcano VIII

Recomendamos ao que esteja realmente tentando compreender e vivenciar estes mistérios, que estude a frase acima, que medite acerca dela e que tenha uma compreensão acerca do significado da mesma, antes de dar continuidade a leitura.
Nosso objetivo aqui não é escravizar o entendimento ou substituir a capacidade de cada um de buscar por si mesmo as verdades, senão que apenas de indicar o caminho e os meios de lograr vivenciá-lo. Então que deixe o restante deste texto para outro momento, e busque realmente sentir o profundo significado deste Arcano.
Se o Iniciado foi capaz de chegar até a vivência deste processo, ele inevitavelmente terá de tornar-se capaz de vivenciar este tipo de verdades, no sentido de adquirir a sabedoria por si mesmo, para poder trilhar os próximos Arcanos.


Esperamos sinceramente que o que vamos escrever agora, seja apenas para confirmar o que cada um destes que esteja realmente trilhando o caminho, compreendeu acerca deste Axioma.

O Altar sabemos é um símbolo da Oração, da Ritualística, da Liturgia. Fazer um Altar em nosso coração, significa ter um espaço sincero e verdadeiro em nosso entendimento, no mais profundo de nossa Alma, à estas súplicas e a estes exercícios de integração com a parte Espiritual.
Já a orientação acerca de não fazermos de nosso coração um Altar, é no relativo ao abandono das coisas inferiores, mas necessárias não apenas para nós mesmos, mas para os demais, para nosso Íntimo.

Se não fosse necessária a parte material, não precisaríamos tomar corpo físico para realizar uma Obra, assim que tudo que vemos no mundo, tem um papel fundamental para nossa Obra e nossa Obra tem um papel fundamental para o mundo.
A Questão é que há muitas pessoas que no caminho devotam-se apenas para a parte Espiritual, outros que abandonam totalmente a parte Espiritual, vivendo em benefício apenas da matéria, o equilíbrio é necessário e aprendemos este equilíbrio encarnando o Senso da Justiça.

Nós não podemos passar o tempo todo rezando... Vivendo apenas na parte espiritual, precisamos do equilíbrio para gerar por meio da matéria o que o espírito necessita e transmitir à matéria o que o Espírito assim designa-lhe.
Fazer deste coração um altar, é devotar-se totalmente e unicamente a parte interna, viver como um eremita, ou eternamente meditando, sem jamais levar estas práticas e ensinamentos internos aos demais ou mesmo a prática no dia a dia.

Na prática do Arcano A.Z.F. sabemos por exemplo que não temos como já ir a prática rezando, porque são necessários o manejo de outras forças, de outras atenções, para manter o organismo apto para o ato sexual. Claro que antes do Arcano é comum que o Devoto e Sincero aspirante a Alta Magia, suplique à suas partes internas o auxílio para que não naufrague nestas tempestuosas águas sexuais. Também claro há o momento da oração, no instante máximo da dita sexual, aonde a energia acumulada pode e deve ser utilizada para a eliminação de qualquer defeito, contanto que tenhamos o compreendido.
Isto claro é um exemplo, mas em tudo, há momentos que temos de pedir à divindade, mas também há momentos que temos de integrados à esta Divindade Interior, atuarmos, sem estar necessariamente exercendo o que seria devido em um papel de Altar.
Basta recordarmos, que todos aqueles que se entregam a felicidade do Nirvana, o fazem pela plena integração com a parte interna, mas esquecem-se e abandonam todos aqueles que ficaram no mundo sem uma guiatura, sem uma luz, sem ajuda. Neste caso, fizeram estes de seu coração um Altar, como faz qualquer Eremita que meditando libera-se parcialmente de suas debilidades e submerge no Nirvana, ainda que sem o devido trabalho na parte física, escapando momentaneamente de suas responsabilidades morais.

Entendamos, por favor, que o que este Arcano nos ensina, não é o esquecimento ou o desligamento da parte interna, senão que exatamente esta integração que torna desnecessário o esforço, pois neste momento SOMOS, ou seja, temos de atuar, de viver e de traduzir aquilo que recebemos nestes momentos espirituais, em questões práticas da vida, em ensinamentos, em exemplo.

Que fique claro que neste Arcano aprendemos um Equilíbrio já em outro nível (pois isto já foi trilhado de certa maneira), assim como o Artista que pinta sente sua fadiga ao tentar exprimir suas pinceladas com a mão do Espírito, ele necessita dedicar-se a outros afazeres e a buscar inspiração nas coisas da vida (O mesmo vale para o ensinamento Filosófico, Religioso, Científico ou demais derivações da Arte).
Há uma dualidade no manejo das vivências físicas e internas, que aprendemos a manejar neste Arcano.
Afinal muito do que há internamente, deve ser aplicado na vida prática, mas também se não temos a vivência prática, não vemos a necessidade nem sentimos o anelo de buscar espiritualmente estas respostas.


E é por isto que é o Arcano de Jó, este processo, porque a vida prática torna-se difícil, e a parte espiritual, a parte alheia a nós, cessa sua luz.
Assim o iniciado retorna mais uma vez do Céu a Terra, de maneira a poder reerguer-se por si mesmo, àquelas regiões que até então tinha experimentado.

É neste processo que o Iniciado exprime pela primeira vez sua própria Consciência plenamente e recebe de Lábios a Ouvidos, seus primeiros mistérios, acerca da natureza Íntima que lhe formou. Isto já como uma preparação para os processos que terá de viver ao longo do processo do Arcano X.
Como já dissemos, e por fim reforçamos, costuma ser aqui aonde a jornada dos iniciados termina, e tanto é assim, que apenas após concluír este processo, que o Iniciado é levado realmente a sério por parte da Loja Branca e recebe importantes missões a desempenhar.


21/09/15