CLXV
Textos sobre Metafísica
Dar e Receber

Temos que aprender de verdade a dar e aprender a receber. Muitas vezes em nossas ações, fazemos coisas relativamente boas, mas sem o devido estado de consciência o que faz com que aquela boa ação não se torne tão boa, pois não sabemos dar.
Outras vezes passamos necessidades, tanto físicas como espirituais, mas igualmente não nos colocamos no estado adequado para receber, o que não só dificulta o recebimento como transforma a ação boa da outra pessoa em algo que pode fazer mal a ambos.

Claro que estes estados são na maioria das vezes provocados por nossos defeitos psicológicos, digo na maioria das vezes, porque existem forças externas a nós que muitas vezes nos tornam indivíduos densos e pesados até mesmo obstruindo a consciência.
Vejam um Jejum, quando uma pessoa se põe a jejuar, ali por aquela falta de alimento o corpo passa a sofrer transformações e como é a base dos corpos internos, é muito natural que se torne mais difícil a expressão de defeitos e até da consciência dependendo do nível de intoxicação diário que esta pessoa esteja.
Se fazemos um jejum, seja de um dia ou mais, ali vamos para dar algo a divindade e a receber algo de nosso defeito, não é um ato meramente físico, há uma transcendência por detrás da ação que deve ser valorizada para extrairmos o melhor do evento.

Quando em Jejum, os eus se põe a pensar, "Queria um sorvete", "quero fazer algo", "Não gosto de ficar sem comer", vejam que temos muitas mentes e podemos fazer com que estes defeitos se manifestem com mais expressão durante o jejum, é bastante difícil em Jejum ficar com a mente calada, os Eus que estão fracos correm sérios riscos de desencarne quando em jejum, exatamente porque algumas vezes se mantém vivos por um estímulo provocado por nossas glândulas. Assim temos que aprender a receber a informação da existência do Eu, não é negar o eu ou afirmar, é apenas perceber sua existência para o devido estudo e compreensão, digo isto porque com o tempo os Eus se tornam mais sutis no trabalho e muitas vezes no dia a dia as pessoas não conseguem perceber suas falas.
Todo este sacrifício fazemos com o objetivo de liberar partes autônomas do Ser, a Consciência aprisionada nos defeitos. Se não fazemos esta integração com o Ser, digo o Ser porque mesmo que não tenhamos condições de estar próximos dele, este eco que nossas orações sempre chega a ELE, e seu impulso sempre chega até nós, por mais distante que ele tenha que ficar até que criemos os corpos Solares e cheguemos até certa iniciação. Então há que se integrar com o Ser, para que este sacrifício do jejum, este sacrifício da morte do Eu, seja a cada dia que fazemos, uma reafirmação da nossa plena vontade de realizar a Obra dele, aqui na terra.

O Jejum com o tempo já não vai surtir tanto efeito para a maioria dos defeitos, se conseguimos manter a mente em silêncio, mas vejam que o Jejum é uma abdicação das coisas humanas, dos prazeres, dos sabores, se fazemos este sacrifício com a devida consciência, acabamos por já estarmos trabalhando sobre as nossas Paixões. Se fazemos a ação e não nos fusionamos com a Alma que é quem sente aquela alegria pelo sacrifício do Eu, acabamos identificados com o Defeito e claro sofremos o que ele sofre.

Ao Defeito só podemos dar a Morte, a essência dentro do Eu damos o conhecimento e a força para que se rebele.
Na transmutação se não fornecemos ao nosso corpo um alimento adequado, a semente não tem a devida qualidade que deveria ter, se na transmutação não nos inspiramos e nos conectamos com nossas partes autônomas do Ser, a energia fica em suspenso e acaba involucionando, precisamos entregar esta energia para a Mãe ou para algum fim específico.

Na vida muitas vezes recebemos por meio de conferências e textos informações que já sabemos, que já conhecemos, mas se nos colocamos no devido estado de consciência, mesmo que aquela pessoa ali na frente repita toda informação que uma pessoa já sabe, esta pode se conectar com sua consciência e por meio disto discorrer e aprender muito internamente pela inspiração. Igualmente se ensinamos e não nos conectamos com as pessoas, acabamos por falar de coisas que muitas vezes não correspondem a elas, a vida destas pessoas e pode ser que como conhecimento se torne algo distante e incompreensível.

Se fazemos uma caridade sem o devido estado interior, se não compreendemos a necessidade daquela criatura, que fazemos isto porque realmente ali a vida que a criou foi a mesma que nos criou, que aquele ser sofre e nós estamos aqui para ajudar, para Servir... acabamos por perder uma excelente chance de fazer algo por completo.

Todas as ações de nossa vida podem ser associadas a questões do Eu ou do Ser (sua expressão em nós), compreender isto, é dar a cada impulso a devida atenção ou o silêncio, pois de outra forma estamos impossibilitados de seguir os desígnios do Ser e DAR a ele o que nos pede.


15/09/11