CLXV
Textos sobre Metafísica
A Experiência do Real

Algo que temos de compreender verdadeiramente é que a Verdade, o Real, não pode ser transmitido em um discurso, não é algo que pode ser ensinado.
Ao transformarmos estas percepções do Real, da Verdade em palavras, em explicações a respeito do mesmo, o que podemos fazer é indicar um caminho, dar noções de como chegar a ele, mas jamais é possível prender a vida que está em seu livre movimento.

No esoterismo, as pessoas que anelam realizar a Obra, normalmente cometem o erro inconsciente, de separar o Eu, e de criar ideias do que seja o Ser, mas na verdade o que criam é uma imagem de um Eu Superior, uma suposição do que devem transformar-se, e separam Eus de acordo com estas fantasias.
Assim se forma o que no esoterismo chamamos Eu Superior e Eu Inferior. Há defeitos psicológicos "evoluídos", "educados" e estes tendem a formar este Eu Superior que controla a mente e o coração destes iniciados equivocados no caminho. Também cria-se esta luta deste Eu Inferior, deste conjunto de eus menos polidos, para que se fusionem com este Eu Superior.

Por isto que afirma o V.M. Samael que Superior e Inferior são duas seções de uma mesma coisa, porque estas ideias que temos do que seja a Divindade, do que seja o Ser, são dentro de algo que conhecemos, que supomos, e muitos Eus que manejam a Mente são os que criam estas ideias e claro tornam-se parte disto que denominamos Eu Superior.

Eu é Eu, egoísmo, maldades de toda espécie, cultas ou incultas, justas ou injustas... tudo isto precisa ser eliminado para que floresça o Ser em nós.

É o próprio Eu Psicológico quem sonha com poderes, com Maestria, com converter-se em uma Divindade...
Porque não é porque uma pessoa busca poder esotérico que não seja o mesmo Eu que buscava poder social anteriormente. O Eu deseja e continua desejando, ainda que coisas mais sublimes, mais divinas.

Assim é como surge a Mitomania, porque como há este Eu Superior, estes elementos mais refinados e mais "evoluídos", cria-se uma falsa auto-imagem de Mahatma, etc... e acontece o que vemos tão comumente acontecer no Gnosticismo, no Esoterismo, uma quantidade tão grande de "Mestres" e "Guias" que parece que basta plantar uma semente e surge uma árvore com pencas destes.

Assim é como um Eu Superior é confundido com o Ser, com o Íntimo, com a Verdade e surgem os Falsos Mestres, originados pela Mitomania.
Assim é como se afasta do caminho acreditando estar seguindo o caminho. Engana-se a si mesmo e enganando-se aos demais.


É óbvio que qualquer Mitômano é facilmente identificado, porque está sempre cheio de amor-próprio a este Eu Superior e sua auto-consideração é a mostra de seu erro, de seu sincero, ou nem tão sincero equívoco. A Mitomania sempre está associada a adoração, o Mitômano quer ser adorado, quer ser visto dentro desta realidade a qual deseja; Mestre, Mahatma, etc...
Claro que nem todas as pessoas que desenvolvem este Eu Superior (seja como Eu ativo ou como idealização) e que almejam unir-se a ele, tornam-se mitômanos, mas o certo é que é o caminho para isto acontecer.

E é como nasce todo o fanatismo, porque a pessoa tem uma falsa ideia da Divindade Interior e cria poses, ações sem sentido em relação ao que seja o Ser. Não compreende o Ser, porque adora a um Eu Superior, uma evolução do Eu, e não o Ser que nada tem a ver com estas ideias.

É por meio da Mente que o Eu cria estes ideais e estas falsas ideias do que seja o Ser, dando origem a este Eu Superior.
A Mente não sabe e nada pode saber sobre o Real. Diz o Mestre Samael que se as pessoas conhecessem o Ser, tornariam-se muito compreensivas.

É aquilo que já dissemos que a Compreensão para com nós mesmos torna-se psicologia, e para com os demais filosofia, é a natureza do Ser que seja assim isto. Porque o Ser compreende os demais, a mente simplesmente julga, e julga equivocadamente.


Se ainda não temos Corpos Solares, isto não é um empecilho para experimentarmos o Ser e encontrarmos a verdade... por meio da meditação profunda, podemos chegar ao completo silêncio da mente, utilizando a técnica correta desfazemos esta nuvem de pensamentos e pensadores que nos impede de ver o Real, o Ser, e chegar até ele.

É Importante chegar-se a isto de encontrar o Real, experimentar o SER, porque é como se findam boa parte dos processos de deserto esotérico, também é quando nos tornamos absolutamente sérios no caminho, se é que ainda não somos. Com isto se desfaz qualquer teoria sobre o Ser, e se experimenta na prática o Real, então não podemos ser enganados nem por Eus de mitomania internos, nem externos.

Quem passe por uma experiência destas sempre será humilde, porque reconhece a sua natureza e a d´ELE. Também a distância que se encontram um do outro.

É Claro que isto não é uma experiência fácil, requer treino, requer profundidade na meditação, absoluta concentração, então silêncio completo, total.

Isto não é resultado de silenciar a mente, e sim da compreensão de tudo quanto surja, para que não fique nenhum rastro, para que não continue nada ecoando subconscientemente.

Aí entra a questão que já falamos, até mesmo na prática é necessário que não seja o Eu a realizando, cobiçando o Ser, desejando experiências internas. Não podemos por o diabo para realizar este santo ofício.

A Meditação nos conduz a iluminação e ao Ser, se sabiamente realizada.

Não podemos julgar os pensamentos, nem os afirmar, temos de compreender tudo que surja na mente e dar sua devida solução para que a mente fique em silêncio.
Se nos vem a lembrança da beleza de jovem donzela ou do belo rapaz, recordamos que esta beleza já foi uma criança, e que dentro do tempo será um velho, ou que isto é meramente um conjunto de átomos que vem a formar isto, olhamos isto de outras dimensões, com outras percepções e desfazemos qualquer fascínio, qualquer possibilidade de identificação e sono para com o assunto.
Assim se surgem problemas, recordamos que estes passam, também se é algo que não tem solução, que por si só, já está solucionado, nada podemos fazer, e não temos com o que nos preocupar. Tudo tem sua antítese, então quando nos apresenta algo belo, mostramos o feio e chegamos a síntese da questão, também o inverso.
Se mostra o bom, olhamos o ruim, e assim mais uma vez a síntese da questão e o silêncio em relação a este assunto.

Libertando a mente deste dualismo que é o que geram estes pensamentos egóicos, chegamos ao verdadeiro silêncio, assim experimentamos o Íntimo, o Real, o Ser.

Porque a mente tenta afirmar algo, bom ou mal, certo ou errado, alto ou baixo, agradável ou desagradável, quente ou frio, assim uma infinidade de coisas.

A Fração de Alma que temos se encontra aprisionada em meio a este batalhar da mente, quando chegamos a este silêncio verdadeiro, então ela escapa deste aprisionamento do Eu e se funde com o Ser para experimentar a realidade. Assim é como muda totalmente a nossa visão do caminho, e daquilo que temos de realizar.

03/04/14