CLXV
Textos sobre Metafísica
O Filme da Vida

No gnosticismo dizemos com muita vivência que a vida é um filme. A Vida é um filme porque é, como diz o Mestre Samael um rolo de filme que vai se desenrolando no decorrer da vida e com a morte se rebobina o filme e uma vez que voltemos ao mundo se projeta o mesmo filme novamente.

Cada retorno ao reino humano nos faz viver os mesmos eventos, os mesmos problemas, as mesmas situações, os mesmos encontros.
Lógico que não é tudo exatamente igual, a cada repetição destas cenas da vida, levamos acrescidos para a próxima manifestação, os resultados positivos e negativos destas ações que vivemos.

Qualquer pessoa que consiga recordar alguma existência, que possa verificar por si mesma a realidade do "eterno" retorno, sabe que somos aquilo que fomos, e que muitos acontecimentos do passado nos buscam matematicamente para serem vividos, existência após existência.

Se repetem as coisas boas e ruins, alegres e tristes, afortunadas e desafortunadas. É como repetir um mesmo filme, em diferentes épocas, ao longo das eras.
O Inventor faz seus inventos, o vendedor tem seu comércio. Cada um gira ao longo da vida dentro dos inúmeros atores que leva dentro.

Estes atores são nossos defeitos psicológicos que nos fazem viver dentro desta mecânicidade que lhes correspondem.
E isto é a vida da grande e absoluta maioria das pessoas. Vivem sem saber porque vivem, lutam sem saber porque lutam, até mesmo morrem sem entender as forças ocultas que lhes impulsionaram até a grande Parca Soberana.

É muito triste quando nos damos conta que não somos donos de nós mesmos, quando temos a devida compreensão e consciência para ver que somos absolutamente máquinas movidas por diferentes impulsos, gerados por personagens ocultos, dentro de nós mesmos.
Os dramas se repetem infinitamente, os Defeitos atraem-se mutuamente de forma telepática, e realizam aqueles dramas os quais correspondem a eles viver.
O Bêbado se encontra com os velhos companheiros de bebedeira, o jogador com os velhos companheiros de jogatina... o Ladrão encontra sua corja de ladrões. Ainda que a cena da vida mude, o drama se repete, existência após existência.

Muitas das tragédias românticas que passam os casais, não são mais do que Eus, falhas psicológicas que afloram no mesmo instante que viveram situações em passadas existências... estas claro repetem o drama, ainda que na atual existência seja por um motivo que nenhum dos dois entende claramente. Assim é a vida mecânica que vivemos.

Muitas brigas, muitas disputas, muitas lutas, não são mais do que isto, atores cumprindo um papel no filme da vida.


Mas a vida pode ser muito diferente, existe uma chave, existe um conhecimento transformativo, capaz de converter este simples Ator de velhos acontecimentos em um Redator, um escultor de sua própria vida, de maneira consciente, ativa.
A Chave reside em nossa Consciência. Nossa consciência encontra-se presa, enfrascada, aprisionada em meio a estes atores e é o que precisamos compreender completamente, absolutamente, e com a ajuda da Mãe Divina desintegrar para que possamos liberar esta consciência e agirmos ativamente, conscientivamente frente aos eventos da vida.

Quantas pessoas morreriam por algo estúpido... quantas pessoas lutariam por algo sem sentido algum. São estes atores querendo viver seus dramas que tanto fazem sofrer a humanidade inteira.

Um Psicólogo, um Psiquiatra qualquer, poderia por drogas ou por uma instrução, uma conscientização, ocultar alguns destes atores. Fazer com que certas cenas da vida, as quais não estamos de acordo, deixassem de acontecer por algum tempo. Isto vale da mesma maneira para qualquer caso da vida prática. Muitas pessoas deixam de alcoolizar-se, deixam de fumar, de fofocar, mas não eliminaram o dito Ator, dito defeito.
A Realidade é que enquanto exista este personagem, estamos sujeitos a este delito.

Este desencarne de um defeito, sem que tenha morrido absolutamente, faz com que torne-se um terrível tentador na vida da pessoa. E é muito fácil que uma pessoa que deixou simplesmente de exercer um destes atores, que em qualquer descuido, uma baixa de guarda por conta de eventos da vida, volte a cometer o mesmo delito, deixe este ator mais uma vez livre para viver seus dramas. Imagine uma pessoa privada de fazer aquilo que seja sua natureza, anos sofrendo por não poder fazer aquilo que tanto anseia. De verdade e em verdade afirmamos que esta pessoa torna-se muito pior do que era. Quem fumava "socialmente" agora fuma mais do que compulsivamente. Aquilo que o alcóolatra bebia em uma semana, agora bebe em um dia.

Estes subterfúgios são muito perigosos. Mesmo que uma pessoa não volte a manifestar uma falha em uma existência, ao enrrolar novamente o filme da vida, chegada a morte, sabemos que repetiremos os mesmos eventos, e surgirão os mesmos atores nas suas épocas determinadas da existência. Sem consciência não poderemos impedir estes dramas e tragédias de acontecer.


Muitas pessoas querem ajudar aos demais, sabemos que sinceramente querem o bem estar comum, a felicidade de todos os seres, etc. Mas devemos começar por fazer-nos conscientes, livrar-nos destas amarras, destes compromissos tenebrosos que tem estes personagens que habitam em nosso interior. Então sim poderemos conscientemente atuar, viver e exercer nossas divinas capacidades em benefício de nossos semelhantes. Necessitamos o Despertar da Consciência.


Quando aprendemos a olhar para dentro, quando entendemos a necessidade de eliminar estes atores, inevitavelmente as coisas mudam. Cada defeito descoberto deve ser estudado, analisado, compreendido, julgado e eliminado com a força do Terceiro Logos.
Não há como haver estas mudanças, sem que tenhamos encontrado cada um destes personagens e realmente os eliminado totalmente de nosso mundo interior. Nada ganhamos simplesmente os ocultando em regiões mais sombrias e submersas de nossa subconsciência.


Conforme a consciência vá assumindo a guiatura de nossa vida, conforme nos tornemos donos realmente de nossos pensamentos, sentimentos, emoções, vontades... então sim a vida começa a ter um sabor muito diferente e verdadeiramente divino.
A Pessoa em vez de gravitar em sua personalidade, nas coisas da vida, passa a gravitar ao redor de sua consciência, de sua essência e isto lhe eleva a outro nível de vivências.
Aquele que gravitava ao redor do comércio, do vício, do delito, passa a gravitar ao redor daquilo que tem sabor divino e espiritual e isto traz a sua vida, pessoas, fatos, acontecimentos relativos a isto que corresponde sua gravitação.

Alguns dos fatos que algumas vezes recorrem nas existências, também são coisas divinas e ligadas a consciência, uma vez que já tenhamos estado no caminho. Velhos camaradas nos batem a porta naqueles momentos específicos de uma existência, para realizar "boas ações", ainda que claro por estarem governadas por leis superiores, são adaptações e realizações relativas ao tempo que vivemos, não meramente atores repetindo ações mecânicas da vida.


O Belo é poder por consciência saber quando chega a determinada hora de uma recorrência, que já não levamos mais em nosso interior aquele ator, ao qual o outro busca. Então o que acontece é que o drama, quando claro algo mecânico e gerado pelo ego, não pode ocorrer pois sem os atores não há a cena.
O Problema é quando nos identificamos com a vida, quando incorporamos estes atores e nos deixamos levar, sem saber de que é apenas um filme que já vimos e que já cansamos de viver e de repetir a mesma cena. Precisamos mudar a forma como vemos a vida, e isto depende de passarmos a gravitar, ao redor da consciência.


21/05/14