CLXV
Textos sobre Metafísica
Iniciação e Magia

A Magia é, como bem sabemos, a utilização das forças mais sutis e imperceptíveis da natureza. E a magia se faz mais presente no dia a dia do que certamente podemos imaginar.

Quando observamos os Templos das grandes religiões autênticas, do presente passado, vemos como estes lugares ficam impregnados desta magia, destas forças sutis que servem como catalisadores e potencializadores do exercício da Fé.

Um procedimento feito dentro destes lugares sagrados, tem um efeito muito superior, devido ao fato que pela constante fé dos ali presentes e da utilização daquele espaço como mediador destas forças superiores, o mesmo fica impregnado de energias de altíssima potência que em geral nos dias atuais denominamos egrégora.

A Egrégora de um local sempre é influenciada pela harmonia, pela fé dos presentes, e não é raro que pessoas negativas venham a afetar a egrégoras de muitos lugares.


A Base da iniciação se fundamenta nos quatro elementos básicos que tem a natureza, pois do domínio destes elementos penetramos no Santuário da Magia.
O que vemos como Terra, Fogo, Água e Ar fisicamente, são tão somente a parte mais grosseira e rude destas forças primordiais da criação, as quais em seu estado superior podem ser coordenadas e dominadas por uma vontade que seja soberana.


A maioria dos homens tem uma vontade débil a qual pode ser dominada por uma vontade perfeita a qual pode arrastar multidões em um mesmo propósito. Assim também uma vontade perfeita pode dominar as forças sutis da natureza e produzir aquilo que popularmente chamam de Milagres, que na verdade são comoções e movimentações perfeitas de energias superiores apontadas em uma única direção, um magnetismo devidamente estruturado e guiado por esta vontade superior.


Para se ter este domínio sobre os elementos que aqui relatamos, há o Neófito de ter passado pelas devidas provas que dizem respeito ao domínio de cada elemento.
Quem tema ao fogo, ou seja incapaz de lidar com emoções internas e externas, é certamente incapaz de dominar as Salamandras e por consequência o Fogo. Aqueles que temem a altura bem como são incapazes de lidar com os pensamentos e as diferentes formas de pensar de cada criatura, falham em dominar os Silfos e sua expressão física, o Ar. Quem tema a Terra (esmagamento, soterramento), bem como não tenha estabilidade, firmeza, certamente é incapaz de dominar os Elementais denominados Gnomos e sua respectiva cristalização física, a Terra. Por fim, os que temem a água (afogamento), ou não são capazes de se adaptar as diferentes expressões e modificações que nos impõe a vida, são comprovadamente inaptos para dominar as Ondinas e sua materialização, a Água.

Assim que os elementais simplesmente se aborrecem daqueles que os tentam governar mas não tem real domínio comprovado sobre eles. No entanto temem e respeitam aquele que se faz amo e senhor de seu elemento e que por consequência tem uma vontade mais soberana que a sua.


Durante os grandes períodos das trevas iniciáticas, aonde as Escolas de Mistérios desapareceram na noite dos séculos, muitos Homens e Mulheres se lançaram a auto-iniciação, aonde se impunham elas mesmas as provas dos elementos, buscando extirpar de sua natureza todo medo, todo temor, impondo-se disciplinas severas e subjugando toda força contrária a esta Vontade que busca ser soberana dentro do indivíduo.

Assim se colocavam em situações aonde eram afrontados, tanto fisicamente como psicologicamente por estes elementos... coisa que claro naturalmente a vida nos impõe, uma vez que adentramos em uma Escola de Mistérios autêntica e pedimos a iniciação.

A Iniciação é um processo muito severo, e como bem sabemos, são raros os que chegam a meta, que vencem, mesmo estes estágios mais básicos do caminho espiritual.


Falhar é uma possibilidade, tornar-se um escravo daquilo que ansiava dominar é uma grande possibilidade. Mas a vida como vida, é criada exatamente com o propósito desta revolução que denominamos Iniciação.

A Força primária, criadora da vida e da morte, leva e traz as Almas deste mundo com o propósito de conduzi-las até a perfeição absoluta. Isto que relatamos do domínio dos elementos é a primeira tarefa a qual cabe a qualquer indivíduo que se lance a este caminho.


Esta Iniciação, estas provas esotéricas, este domínio da natureza, não é algo mecânico, e requer autoconhecimento, autossacrifício, pois é algo que realiza o indivíduo por ele mesmo.

Se observamos os sonhos que tem as pessoas em geral, vamos encontrar uma direta relação entre estes Elementais (os elementos em sua forma mais primordial) e as experiências que nesta região temos.
Assim que muitas das experiências que internamente temos durante os momentos de repouso do corpo físico, são o resultado da atuação destes Elementais da natureza, que no decorrer da Iniciação nos provam em nossa coragem, em nossa vontade, em nosso domínio sobre estes elementos que lhe correspondem.

Assim que uma vez vencidas tais provas, igualmente nas regiões internas da natureza passamos a ser servidos por estes elementais, que nos geram visões de perigos, de eventos futuros que devemos nos preparar, etc.

Por isto que os sábios sempre afirmaram de forma muito concreta que a Iniciação é a vida, sabiamente vivida. Pois o iniciado é aquele que em fatos, tanto fisicamente como internamente persevera sobre as provas dos elementos e demais processos que naturalmente temos de viver na vida.

Aquilo que simbolicamente vivenciou um Cristo de Nazaré, é o mesmo que no nosso dia a dia teremos em algum momento de vivenciar, pois é o mesmo que estamos aqui falando. Assim teremos nosso Gólgota, experimentaremos nossa Coroa de Espinhos e teremos de enfrentar os Terrores do Abismo e da Morte.

26/11/14