CLXV
Textos sobre Metafísica
O Bode Expiatório

Em nossa última dissertação, discorríamos sobre a Iniciação e a conquista dos Elementos, os quais concedem ao Iniciado o domínio da natureza em sua forma mais primária.

É óbvio que a pessoa que é dona de si mesma, de suas vontades, é por consequência um Rei da natureza.
A Vontade exercida em sua última instância e potência é a causa determinante de qualquer consequência que queria o Mago realizar. Os Deuses criam pelo poder da vontade.

Por mais que ao ignorante destes mistérios seja impossível compreender como é possível controlar e determinar consequências físicas ordenando e imperando sobre a natureza interna dos mesmos, ao mago isto é simplesmente uma questão de exercício de vontade.

Se é a vontade do indivíduo consciente desencadear uma Tempestade ou mesmo desfazer uma Tempestade, obviamente a natureza lhe obedece.

A Invocação de Seres Divinos é certamente outro muito interessante exercício da Vontade. Quantas vezes vemos relatos de pessoas de muita fé, e de certa maneira de muita vontade, que por sua devoção a tal Divindade ou a tal Santo, puderam ver, dialogar, interagir plenamente, com estes Seres que já estão mais além do mundo tridimensional como conhecemos.

Uma pessoa sem continuidade de propósitos, volúvel em seus interesses, certamente não seria capaz de sustentar esta ligação necessária, por tempo e potência necessária, para fazer tais evocações divinas.


O Exercício da vontade de um indivíduo é capaz de fazer-se percebido ou passar desapercebido pelas demais pessoas. Vemos que há pessoas que chamam muita atenção aonde quer que passem, como se carregassem algo que os distinguisse dos demais, ainda que em sua forma e aparência seja idêntica as de mais pessoas. Algumas vezes, isto é um exercício deste magnetismo, desta comoção da natureza, que aqui relatamos.


O Tema que queremos hoje relembrar, reafirmar, e complementar, é referente ao que chamamos "Bode Expiatório" e o "Bode Emissário".

"Depois degolará o bode, da expiação, que será pelo povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho, e o espargirá sobre o propiciatório, e perante a face do propiciatório." - Levítico 16:15

"E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso." - Levítico 16:21

Antes de tudo temos de levar em consideração os números, já que estes livros sagrados referem-se antes de mais nada a Mistérios e estão escritos em código.
A Obra como um todo pode ser representada por números, assim como a criação se manifesta através dos números, pois tudo inicia no um, se divide em dois, do dois surge o terceiro e do três surge toda a criação. Basta nos recordar do Mistério do Pai Inefável como tríade indivisível, que se desdobra em Espírito Santo e em Filho, a trindade criadora.

Sem nos adentrar e nos aprofundar neste tema específico dos números, temos de recordar que o Arcano XV é um processo iniciático assim como o Arcano XXI. O Cristo é sempre o Bode Expiatório e o Bode Emissário.

É difícil para a humanidade imaginar que um Ser, um indivíduo que tenha transcendido sua natureza, capaz de controlar aos elementos (da natureza)e as consequências, e mesmo as multidões, deixe-se acusar injustamente e ser sacrificado. "Se és o Cristo, salva-te a tí mesmo", gritam sempre as multidões, incitando ao bendito.

No Arcano XV, do Tarot, vemos um Ser incompreendido, odiado e mal falado por toda humanidade, mas em cuja razão de existir, está dentre elas, a purificação dos pecados. O Cristo não é o que imagina a humanidade, afinal em todas as épocas o Cristo é sempre visto como um Diabo, sendo este perseguido e morto... desafortunadamente por aqueles que o aguardam ansiosamente, dentro claro de conceitos e preconceitos que nada tem de ver com a realidade deste principio divino.

No Arcano XXI vemos um Homem, que caminha sobre um crocodilo, sem defender-se, indiferente aos perigos que o cerca.

Existem vinte e dois arcanos maiores, e o último processo antes do verdadeiro Triunfo que representa o Arcano XXII como finalização da Obra, é o Arcano XXI, que é denominado "O Louco do Tarot", e que dentre outras coisas, pode ser representado por este processo do Bode Emissário.


Seria difícil especificar em fatos, afirmando na vida diária, cotidiana como estas questões se processam, sem ferir o entendimento de muitos.


"A Doutrina da Santa Igreja Gnóstica é a sabedoria de nosso Senhor Jesus Cristo. Sigamos agora com a Epifania; esta palavra vem do grego. Epifania é a Ascensão, revelação ou manifestação de Cristo em nós, depois da Ressurreição de nosso Cristo. Esta Ascensão nos leva à iluminação do Espírito Santo depois de recapitular todo nosso passado no abismo profundo do mal. Com a Epifania, recebemos a iluminação, mas durante os quarenta dias precedentes à Ascensão submergimos em profundas trevas. " - As Sete Palavras, V.M. Samael Aun Weor.

Quando o Mestre foi baixado da cruz e posto no sepulcro, o que lhe deu ali todos os tratamentos para a ressurreição, foram as Santas Mulheres que o embalsamaram, foi Lúcifer, neste tempo que o Mestre esteve no sepulcro fisicamente, se retirava ELE ao AIN, mundo do Logos, a confirmar, quer dizer a preparar, assim quando eu chegue aqui venho com fulano e então ELE lá olha, o olham que tão cristalino esta Lúcifer, que tem que estar como um diamante, não ter nem um milímetro de imperfeição para que então o Mestre depois da ressurreição passe pelos quarenta dias de jejum e já esteja disposto, para entrar no Absoluto através da montanha da Ascensão.” - Semana Santa 99, V.M. Lakhsmi Daimon


Assim que, o Gólgota e a Cristificação correspondem ao processo do Bode Expiatório, e a Ascensão tem seu início com o processo do Bode Emissário. Pois o que ocorre é que esta ida do Cristo ao Deserto, ocorre após a Cristificação (gólgota), e não antes.

"Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

01/12/14