CLXV
Textos sobre Metafísica
A Terceira Montanha

Existem muitos momentos no caminho aonde se desfazem todas as bases daquilo que sabemos, pois o conhecimento, mesmo teórico, não tem como ser transmitido de imediato, em sua forma mais exata ou aproximada da verdade, então que mesmo o ensinamento precisa de bases e precisa de constantes transformações para nos aproximar da verdade.

A Escola (as diferentes escolas e os diferentes estágios da escola), mesmo os nossos pais, por mais aptos que sejam, de forma alguma nos preparam para a vida, mas dão as bases para que possamos nos preparar para o que nos aguarda, o que somente na prática seremos capazes de compreender e de vivenciar e que mesmo no aspecto teórico precisamos da base para entender ainda que intelectualmente o próximo nível da questão. Afinal não há como se ensinar matemática a quem não compreendeu previamente o funcionamento da entidade numérica.
O Caminho esotérico é bastante parecido, existem limitações relativas ao processo que cada um vive dentro do mais profundo daquilo que é.

Apesar de que muitas vezes citarmos a iniciação como um processo que ocorre ao longo da vida, e onde as pessoas passam por uma série de iniciações esotéricas que internamente lhe aproximam de sua autorrealização, temos de entender e realmente compreender, que a Iniciação, que este processo de reintegração com nossa Divindade Interior, e o regresso até a região do Absoluto (Deus Imanifestado), é algo que é mais que absolutamente impossível realizar em uma existência.

Então que apesar de que muitos estejam realmente trilhando o caminho pela primeira vez, isto não significa que boa parte destes indivíduos não tenham já passado por estes processos ao longo de outras existências e hoje sejam como Almas vertidos mais uma vez na esfera, no mundo, para dar seguimento àquilo que já está em pleno andamento, em seu sentido espiritual, em passados ciclos de manifestação física.

O Problema é que nascemos, crescemos, e nosso físico não necessariamente é tão diferente dos demais, temos uma personalidade e esta também é feita para adaptar-se a expressão contemporânea no mundo que vivemos. Também não temos mais a mesma integração e expressão do Ser que tínhamos na época em que trilhamos anteriormente o caminho...
Ainda assim, carregamos os frutos daquilo que já foi realizado, e o Ser continua seus processos de onde parou a guiar-nos quando em uma nova existência.

Sendo assim, não é difícil entender a particularidade daquilo que vive cada pessoa, e os diferentes dramas e situações que cabe a cada um viver ao longo de sua existência.
É impossível julgar-mos ao próximo, por aquilo que vivemos, fazendo comparações... Ou por aquilo que o outro não realiza, ou realiza, porque certamente vive um processo dentro da sua particularidade e dentro daquilo que o Ser já realizou em outros tempos, se for o caso.

Por mais que como pessoa o indivíduo queira imitar o que outro vive, ou queira realizar algo que não lhe corresponde, certamente é impossível, dado que não tem os meios de realizar o que se propõe. Muitas coisas é possível imitar o sentido físico da ação, mas o Espírito não é capaz de acompanhar a ação no sentido espiritual, dado que não é capaz de realizar algo que não lhe corresponde, então não acompanha a "pessoa humana" em sua ação e esta faz algo meramente físico.


A Consciência de cada um de nós, é sempre limitada pela integração que temos com a parte espiritual (pela iniciação) e pela pureza que conseguimos desenvolver ao longo do caminho (Morte Psicológica e Despertar). Existem Mestres e Mestres... porque é diferente um Ser que se levanta pela primeira vez, daquele que hoje faz um recorrido daquilo que já viveu, ou mesmo está muito além da Maestria, como perfeição de uma Obra.
Assim que mesmo se tomarmos dois Seres, encarnados, que estão em um mesmo estágio iniciático, um pode ter avançado grandemente no que seja a Morte Psicológica e o Despertar e ter vivências, dons, percepções, poderes, compreensões... que o outro não tem.


Por isto que vemos que não há como fazer sequer comparativos entre Mestres ou mesmo entre Iniciados, pois nada impediria de que um indivíduo que hoje toma conhecimento do Caminho, seja na verdade um Ser autorrealizado que abriu mão da felicidade supra-nirvânica e hoje está aqui no plano físico.
E o que diríamos se uma pessoa recém aparentemente iniciada no caminho, tivesse mais vivência, mais propriedade, mais consciência que alguém que recentemente conquistou graus de Maestria?

Isto nos faz ser mais respeitosos para com o que cada um vive.. pois sabemos que existem diferentes exigências para cada etapa e para cada processo.
Muitas vezes vemos que algumas pessoas tentam imitar situações e ações que alguns Mestres realizaram, sendo que estavam vivendo o ápice de certos processos.

Existe uma série de particularidades que caracterizam o caminho que cada um irá realizar sob a tutela de seu Espírito Divino, para regressar até o seio do Pai Imanifestado. Então que por mais que algumas pessoas tenham caminhos diferentes a vivenciar, não significa que não estejam trilhando o caminho no sentido real, daquilo que é a Iniciação e esta integração com o Ser e com estas forças mais além do próprio Ser individual.


Existe um processo, na Iniciação conhecido como "A Terceira Montanha", que são os processos de Ascensão, a etapa final que vive o iniciado antes de sua autorrealização.
A Terceira Montanha caracteriza-se pela absoluta entrega no serviço para com a Humanidade. E é o processo aonde o Adepto necessita realizar profundas transformações em si mesmo, de maneira a preparar-se para encarnar realmente a Divindade.
Mesmo este processo da Terceira Montanha, apenas este passo de três etapas que correspondem aos três últimos trabalhos de Hércules, sabemos dura muito mais do que poderia realizar-se ao longo de uma existência. Afinal esta preparação é para nada mais nada menos que encarnar o Ancião dos Dias.


Assim que, não seria possível, não seria capaz uma pessoa que hoje começa a trilhar o caminho, fazer isto, já que é esta força a qual necessita entregar-se ao serviço para com a humanidade, e não meramente a pessoa humana.
E que serviço prestaria a humanidade meramente a pessoa, sem que seu Deus lhe acompanhe? Já que não é o processo que lhe cabe viver...

Não é dito isto com o objetivo de desanimar aqueles que anseiam servir e trabalhar... e sim de buscar esta guiatura interior, de voltarem-se para esta guiatura interna que temos, de buscar esta integração com o Ser, e integrar-se com ele, seja qual for o momento que lhe cabe viver...
Pois seria muito triste que uma pessoa ansiando servir, servisse sim de pedra de tropeço, tanto para seu Ser, como para com a humanidade.

02/03/15