CLXV
Textos sobre Metafísica
Capital Espiritual

O Grande mal que sofre toda a humanidade é o desconhecimento do funcionamento de como opera a vida, não apenas em seu sentido material, mas nos aspectos também mais sutis de sua manifestação.

Todos os dias vemos centenas de milhares de pessoas sofrendo das mais distintas situações, e um sofrimento desnecessário, improdutivo, infrutífero, já que sofrem por erros que cometeram, por constantes delitos os quais a seu tempo retornam como dor ao indivíduo que os cometeu.

As pessoas são tão inconscientes, que buscam algo, fazendo exatamente o oposto para conseguir o que anseiam.
Existe uma regra simples que não podemos esquecer é que o que damos, recebemos, e quanto mais damos, mais recebemos.
Isto é a vida... seja uma pessoa agressiva e receberá agressividades... seja amável e receberá amabilidades.

Claro que muito do que hoje colhemos na vida, é o resultado do que plantamos ao longo de muitas existências e isto explica tantos problemas e situações difíceis aonde aparentemente somos inocentes. Ainda que estejamos em um novo corpo, somos em nossa Alma aquele mesmo indivíduo que em outras épocas cometeu erros e delitos e não é porque trocamos de vestimenta que nos livramos deste tenebroso passado.
Assim que, há que ter muito claro, o que vale e o que não vale a pena se investir na vida.

Normalmente as pessoas tem a tendência ao egoísmo como forma de obter o que gostariam. Assim quem quer alimento, busca para si, indiferente se o outro tem ou não. Quem quer recursos faz o mesmo, acumula, ainda que este acúmulo seja um desequilíbrio e causará pobreza em outras partes.
É interessante mas exatamente por esta postura, a vida para de fornecer estes princípios a este indivíduo, porque é uma força que não produz nada para o meio.
Os mais entendidos nos textos bíblicos devem conhecer aquela passagem da árvore que não dá frutos... e isto é esta pessoa que vive por si, para si.

Se nós temos um único pedaço de pão, e se mesmo sabendo que aquilo nos é o último, que ao acabar aquilo nada teremos, dividimos com quem sabe não tem nem este pedaço de pão, o que ocorre é que por uma lei natural se restitui de forma espiritual aquilo que abrimos mão materialmente.
Por regra, aquilo que damos recebemos, então este capital espiritual normalmente retorna a nós como o mesmo que demos, por haver compartilhado aquilo que tínhamos. Neste caso, demos alimento, recebemos alimento.

E vejam que estamos claro dando um caso extremo, afinal não tinha nada, e deu praticamente tudo que tinha.


Não estamos falando que uma pessoa tenha de dar tudo o que tem, senão que deve saber aprender a gerenciar seus recursos de forma inteligente, já que há leis que regem nossas ações.
No caso do mendigo, é muito provável que pelo seu egoísmo morra de fome, ou vá cometer algum delito para continuar vivo, já que preferiu violar este principio básico da vida (supondo que não compartilhou o seu último alimento).
Agora se este mendigo, tivesse compartilhado, imaginem a comoção em seu companheiro ao ver que este deu o último que lhe restava... é verdade que provavelmente faça um amigo, ou pelo menos dê além de uma alegria a outro, um ótimo exemplo.
Não devemos, não podemos fazer algo esperando algo em troca, mas em realidade temos de ter consciência que nada na natureza fica sem seu retorno.

Tudo que fazemos, cada pequena coisa, cada pensamento, cada sentimento, cada ação, tudo flui e por consequência retorna a nós como um resultado. Cada boa ação gera certo capital espiritual, cada má ação, tira valores deste capital espiritual.

Este Capital Espiritual chamamos de Dharma, este Dharma é gerado pela Lei do Karma que é a lei de ação e consequência que estamos até agora discorrendo.


É interessante comparar estas forças espirituais com questões de nosso dia a dia, porque realmente são muito parecidos...
A Humanidade aprendeu a captar de diferentes fontes a energia elétrica e isto é algo que praticamente todas as pessoas já viram se processar.
Colocam represas nos rios e pelo movimento das águas geram eletricidade. Captam a energia Solar (Luz) e igualmente transformam em eletricidade. O Mesmo ocorre com os ventos que movem as pás de centrais eólicas... assim ocorre similarmente com o calor das caldeiras, sistemas magnéticos, etc.
Praticamente todo esforço de qualquer tipo, pode ser acumulado como eletricidade. Hoje em dia existem projetos para que se aproveite até mesmo a energia de cada pisada que damos no chão, ou mesmo a energia gerada por exercícios como bicicletas.
Uma vez tendo energia elétrica, isto todos bem sabem, podemos transformar ela novamente no que quisermos. Podemos gerar novamente o calor, a luz, o movimento. Inclusive podemos utilizar esta eletricidade para gerar novas expressões diferentes do que a originou.

Assim, exatamente igual é o Capital Espiritual. Cada boa ação, cada ação de resultado espiritualmente correto, traz como resultado que esta ação fica convertida em Capital Espiritual, capital este que como a eletricidade pode ser transformada em qualquer coisa que queiramos.

Vemos que muitas pessoas fazem boas ações e transformam este capital espiritual em honra, em poder, em dinheiro... ou seja, coisas humanas.
O Cristo, Budha, todos os sábios Mestres nos ensinam a aproveitar este capital espiritual para fins divinos, espirituais.

Se quem dá recebe, do que dá recebe, e quanto mais dá, mais recebe... fica muito fácil entender como funciona a força Cristo.
Assim também entendemos os supremos esforços que fizeram todas estas manifestações do Cristo ao longo das eras e a força que foi gerada por estes esforços, que não foi investido em coisas materiais, exatamente porque são perecíveis e temporais, não pertencem ao Reino que nos ensinou o Cristo a conquistar.

Devemos ajudar as pessoas, não devemos ajudar? Bem, isto é como falar da verdade, cada momento é um momento, cada situação é uma situação, a consciência é quem deve determinar que ação tomar em base de sua percepção da verdade, que se expressa de momento a momento.

Obviamente em um primeiro momento temos de romper com as barreiras do Egoísmo, retirar de nós o mal, as Trevas, para que possa se manifestar primeiro esta Luz, então logo a Luz das Luzes.

 

03/03/15