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CLXV
Textos sobre Metafísica
Bases Esotéricas

Como expusemos em nosso último diálogo, o que hoje manifestamos, muito longe é daquilo que realmente somos. E sequer estamos nos referindo ao Ser, ou a pura Consciência ou essência livre de suas amarras.
Nossa manifestação no dia a dia, sequer é o resultado daquilo que somos como Alma, ou seja, nossas virtudes ou nossos defeitos simplesmente, mas um emaranhado de outras forças que não se cristalizaram e que servem apenas como intermediários falhos e de bloqueios para a real expressão do que somos, em outras palavras a Falsa Personalidade e algo mais.

Há uma máxima esotérica que é "Solve" e "Coagula", que nos indica exatamente o trabalho mágico da reconstrução do homem por si mesmo.
Este Solve e Coagula, que é Dissolver e Solidificar, em outras palavras... é o que faz constantemente a natureza com o nascimento e a morte, com a evolução e a involução.
Só que sofremos o resultado destes efeitos de maneira involuntária, exatamente porque não soubemos, não fomos capazes por nós mesmos de nos reduzir à nossa Base Esotérica e disto construir por nós mesmos o que é necessário construir, solidificar o Anjo, já que o Homem necessita dissolver-se por si mesmo como Homem para transcender este estado cristalizando em si forças, mais além do próprio Homem.

Mas como sabemos, sequer somos homens, e sequer somos aquilo que é o protótipo do homem. Por isto precisamos, reduzir-nos a esta base a qual é o "solve" esotérico, que é nossa substância básica de manifestação a qual podemos uma vez tendo ela preparada e manifesta, então sim, concretamente transformar-nos em algo novo.

É dito que não podemos verter um vinho novo em odre velho, pois este rompe-se e o odre se perde. Da mesma maneira não podemos encher um cálice que já está cheio e é por isto que precisamos voltar as bases sempre que queremos realizar algo novo... ou como já foi dito, imitar a Fênix que destrói a si mesma para então renascer mais poderosa e mais gloriosa que antes.


Este ciclo de decomposição de nós mesmos e este recomeço, em qualquer nível do caminho, se dá de duas maneiras, uma é a descida e outra é a queda. A Descida é este ato voluntário aonde como já dissemos conscientemente realizamos estes trabalhos de voltar a nossa origem mais íntima de manifestação e então refazemos nossos passos com esta consciência renovada que temos realmente encarnada.
A Queda, são processos que inevitavelmente vão ocorrendo ao longo da vida e que por não nos reduzirmos por nós mesmos a este principio original, de maneira consciente, falhamos em transcender estes processos e acabamos caindo inevitavelmente no erro e forçando a natureza a fazer por ela mesma este trabalho em nós.

Isto de reduzir-nos a nossa base esotérica, é algo que por diversas vezes é necessário. Principalmente para quem trilhou um caminho negativo e sente o anelo de voltar-se ao caminho positivo. Antes de necessariamente criar algo positivo, é necessário desfazer as criações negativas para então retornando a sua base, possa transformar-se em algo novo.

Se nós tomamos o aço e fazemos um revolver e em certo momento entendemos que este revolver não nos é útil nem foi uma boa criação, o que precisamos fazer? Pois transformar este objeto mais uma vez em sua base, submetê-lo ao intenso fogo para que volte a sua manifestação primária como metal e então possamos moldá-lo em algo novo, seja uma pá, seja uma maçaneta, ou que entendamos seja o correto a fazer com este metal.

Mas sem que haja este processo de dissolução, não é possível fazer uma nova criação, exatamente porque a matéria que precisamos para a criação, está presa naquela forma infeliz.

Somente quando retornamos a este estado mais puro, disto que temos realmente encarnado, disto que nos é próprio, disto que é o que hoje realmente somos e que é o resultado daquilo que vivemos e daquilo que não apenas vivemos mas tornou-se parte de nós... poderemos realmente ver tal qual somos e compreender o que nos sobra e o que nos falta, o que fazemos de maneira adequada ou inadequada. Porque nossa vida, por diversas vezes parece-se mais com um teatro, como algo falso e artificial que impede com que a realidade manifeste-se e por consequência que possamos realmente modificar profundamente nossa natureza, já que devido a estas limitações não vemos manifestar-se, nem de positivo nem de negativo no sentido mais profundo desta palavra.

Sempre que o caminho mostra-se intransponível, sempre que nos perdemos em nossa jornada rumo ao Ser, sempre que a vida apresenta situações as quais como indivíduos não somos capazes de transcender, sempre que hajam cristalizações (resultados) negativos em nossas ações, necessitamos conscientemente operar esta limpeza destas forças que superficialmente impedem a manifestação espontânea e sincera do que somos para que possamos então claramente modificar nossa natureza e então ascender a novos estados de Consciência e de manifestação.

E este é um dos tantos e quase inumeráveis motivos que muitos por mais que trabalhem na Obra, não tem avanços concretos ou resultados. E é o motivo pelo qual ficam estancados em um mesmo processo ao longo de décadas...
Pelo simples fato que assumiram uma postura e que revestiram sua manifestação de uma pose, de um falso aspecto que no fundo bloqueia a própria Consciência e o Ser de manifestar-se.

E ainda que isto sirva no entendimento deste, como um "dique" ao mal, infelizmente também o trava totalmente para qualquer avanço na Obra de integração com o Ser, com Deus.
Infelizmente as pessoas iniciam a enganar aos demais ocultando sua maldade e acabam enganando a si mesmo e impossibilitados de realizar um trabalho concreto sobre si mesmo.

Sem esta entrega, sem esta intensidade, sem esta profundidade na manifestação da Alma, não é possível realizar as profundas mudanças necessárias para que nos tornemos verdadeiramente aptos para manifestar a Deus. O Problema em si, não é não ter experiências negativas, mas não ter experiências profundas e marcantes. Já que o próprio sofrimento do arrependimento por haver cometido o erro, por diversas vezes é o impulso final que necessita a consciência para liberar-se deste mal que tem em si estabelecido.

24/02/16