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CLXV
Textos sobre Metafísica
A Dualidade da Lei

Lei, na vida cotidiana somos regidos por leis, que nada mais são do que normas que limitam o que são os direitos e os deveres dos cidadãos. São um código o qual rege os povos de acordo com um senso comum do que é o justo e o correto. Quem viole a lei, tem por consequência uma punição...
Se as leis não fossem obedecidas, o que teríamos seria a Anarquia e não a Liberdade, porque a Lei serve exatamente para preservar o direito à Liberdade e não para impor normas que impeçam-na de se manifestar. Claro que há povos os quais foram dominados por sistemas de governos deturpados, e então claro a Lei torna-se o próprio delito.

Certamente que a Lei que temos a necessidade de falar não é humana e sim Divina, interna, Espiritual, a que rege todas as esferas da criação, desde as regiões Celestes, Terrestres e mesmo Abismais. Claro que são leis distintas e leis que vão se pluralizando conforme se afastam de Deus, já que quando mais distante da Divindade, mais normas são necessárias, visto que o crime é maior, e por consequência a Lei torna-se mais severa.


Algumas noites atrás, em posse de meus sentidos internos, fui até o Templo Coração de Vênus, com o objetivo de requisitar certo favor, certo auxílio do Logos de Vênus. Após o rito de rigor para entrar no Templo e as respectivas saudações e passos ritualísticos, já prosternado diante deste Logos, rogando por seu auxílio e sua ajuda, fui invadido por uma energia característica deste Templo e deste Ser, o qual me permitiu integrar-me e inteirar-me de certos assuntos por certo muito interessantes, no relativo a Misericórdia e por consequência à Lei.

O Que nós em geral pensamos ser Misericórdia na verdade seria Anarquia, sem sombra de dúvidas.

A Lei como norma, ao manifestar-se, tem duas polaridades as quais são intrínsecas a própria Lei, que são a Misericórdia e a Justiça.
A Justiça por si só, é o exercício pleno da Lei, exercendo toda a penalidade e toda a norma.
Já a Misericórdia, diferente do que muitos imaginam sendo como a ausência da manifestação da Justiça, é sim um "alívio", uma negociação, uma ressalva a qual não invalida a ação da Justiça e por consequência da Lei, senão que nos auxilia para que consigamos pagar o devido, ou mesmo obter o que é necessário com maior facilidade, visto que de outra maneira muitas coisas seriam realmente impossíveis.

É Dito por alguns Mestres que a Justiça sem Misericórdia é Tirania e a Misericórdia sem a Justiça é Anarquia, e isto fundamenta-se de que para que a Lei seja plena, estas duas faces dela própria precisam estar atuantes em igual harmonia.
A Lei precisa ser cumprida e esta é certamente a função da face da Justiça, e dentro do cumprimento da Lei precisamos levar em conta as circunstâncias, as origens, as consequências e sob este ponto manifesta-se a Misericórdia como um mediador entre a aplicação da norma e cada circunstância.
Isto da Justiça e da Misericórdia podemos comparar a um rádio, aonde a Lei é o sinal que é transmitido, a Justiça sendo o som em si manifesto, e o volume como a Misericórdia dosando de acordo com a capacidade de cada um e a circunstância. Afinal o volume do som, em um ambiente aberto será um, em um ambiente fechado será outro, se é apenas para uma pessoa escutar é de uma maneira, e assim por diante, é a ponderação.

Misericórdia não é sentimentalismo, certamente não é isenção da culpa, nem mesmo é o esquecimento das dívidas. Não que na própria Lei Espiritual, certas circunstâncias não possam ser apagadas, mas tudo na vida tem um preço e é aonde entra a Misericórdia, dando-nos a capacidade de negociar o que é possível ser negociado.

Temos de entender que o Amor, como manifestação de Misericórdia e da Justiça, por diversas vezes seria considerado tenebroso pelo intelecto humano. Afinal muitos dos males que sofrem a humanidade, esta sofre exatamente por uma Misericórdia e não por uma Justiça plenamente e unicamente atuando, já que se não fosse a Misericórdia dosando e aplicando isto sabiamente e de acordo com o que é necessário para gerar o aprendizado, desenvolvimento, simplesmente seríamos dizimados por nossos delitos acumulados dia após dia, hora após hora em um único Veredito de Justiça plena.


Mesmo nas regiões Abismais, no Inferno em si, encontraremos plenamente tanto a Misericórdia por parte da Divindade do que a própria Justiça, visto que se fosse apenas para fazer cada um pagar por seus males, poderia-se jogar isto sobre a pobre Alma em vida e dizimá-lo de uma vez por todas, para sempre (como acontece em alguns casos realmente muito, muito raros). No entanto a Divindade aplica este remédio que é a conscientização da Alma, ainda que a força, para que liberte-se e possa mais uma vez reascender à Luz.
O Inferno não é um lugar de castigo como imagina-se, é um lugar de liberação aonde os perdidos são liberados de seus pecados e podem buscar mais uma vez a luz e recomeçar sua jornada até o Reino Humano e buscar mais uma vez a transcendência de sua natureza então humana.
E mesmo os perdidos, no próprio abismo submergido, tem a possibilidade de serem resgatados dependendo de seu estado de consciência, o que prova que a Lei manifesta como Justiça e Misericórdia vivem abraçados e unidos em todas as esferas.

Nossa vida certamente pode e deve ser um reflexo desta Natureza Divina, a qual precisamos encarnar e tornar parte de nós mesmos. Sendo justos e ao mesmo tempo misericordiosos, sem exageros e sem identificação única com nenhum dos aspectos da Lei. Esta é a Lei Consciente... A Justiça como manifestação da Lei pelo Pai, e a Misericórdia como manifestação da Lei pela Mãe.
Nós pensamos na Lei como principio, mas a Lei é o Filho, já que como dissemos, a própria Lei é criada pela integração da Justiça (Pai) e da Misericórdia (Mãe), que em sua manifestação polariza-se como outra trindade, então invertida, visto que o Filho passa a ser a origem das outras duas polaridades manifestas. Do ponto de vista do criador a Lei é a consequência, do ponto de vista humano a Lei é a Origem.

16/05/16