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CLXV
Textos sobre Metafísica
Sistemas de Autorrealização

Para nós entender do contexto geral da Obra, é algo muito difícil, visto que devido a nossas limitações de memória, de vivências experiências ao longo desta existência, acabamos limitados ao entendimento de como é hoje, e por fim, não somos capazes de observar as nuances que ocorrem ao longo das Eras, ao longo das Humanidades no relativo aos processos de Autorrealização.

Falar deste contexto ao longo das eras, é necessário, não apenas para entender o processo que hoje estamos vivendo, mas também entender o como, e quem sabe, o porque, disto hoje ser como é.
A Obra Espiritual, sabemos é a integração da parte humana com a parte Divina, em outras palavras, o Encarne da parte Divina no homem, e a integração do homem com a parte divina. Como é dito por alguns Mestres, Deus se humaniza, o homem se Diviniza.

Existem três Sistemas de Autorrealização que sucedem a queda edênica e em geral ciclicamente retornam um após o outro, devido a cada momento que vive uma humanidade.
É Dito por alguns Mestres que muitos Homens da época edênica não caíram, isto claro é simbolizado como Adão e Eva, mas representa uma humanidade, sendo Adão todos os homens, Eva todos os mulheres de um tempo antigo. Mas a humanidade como um todo naquele momento caiu, e por isto é simbolizado desta maneira.

Antes mesmo da queda edênica, havia um Sistema de Autorrealização, isto porque mesmo naquele patamar que estavam, havia uma óbvia diferença entre o que era a Pessoa e o que era seu Deus, tanto que por isto que é possível a queda, afinal a Divindade Encarnada realmente autoconsciente não deveria cair neste delito.
Isto não significa que os Deuses não erram, os Deuses realmente cometem erros, e em parte estes acertos em suas Realizações e Obras, é o que no fundo acaba sendo sua Obra, de um ponto para cima da Iniciação, algo claro já muito além do que a atual humanidade pode imaginar.

Uma vez tendo ocorrido a queda edênica, que foi o resultado primeiramente do Ato Sexual realizado fora dos Templos, longe da supervisão dos sábios guias, e por consequência dando início fornicação e da queda sexual (orgasmo).
Quando o Fruto proibido que é o sexo, foi ingerido (orgasmo), o primeiro Sistema de Autorrealização não foi mais possível, visto que a Alma Humana se projetou a regiões Abismais, e com ela diversas partes autônomas do Ser, que ficaram aprisionadas juntamente com o Homem neste processo.
Com a queda, aquelas Almas tiveram seus olhos abertos, e com esta nova dificuldade, uma nova possibilidade de Autorrealização, ainda mais extrema e mais profunda que aqueles primeiros.

Há uma regra da natureza que é, para subir, precisamos baixar. A Própria criação, se dá sempre na esfera mais baixa e mais extrema dos poderes, tanto que bem sabemos que o Sexo, corresponde a Nona Esfera, o último círculo da Criação, e mesmo as coisas mais divinas, precisam descender até este círculo para serem provadas em seu propósito e recriadas de acordo com sua vontade.

O Sistema de Tentação é o que possibilita o nascimento da Virtude. Assim que sempre temos impulsos negativos os quais nos conduzem a certos processos aonde podemos, graças ao livre arbítrio, escolher entre a Virtude ou o Delito.
A Autorrealização fundamenta-se sempre nisto, Tentação. Em qualquer momento da Obra, sempre nos vemos diante de dois caminhos, um que nos conduz a próxima etapa da Obra, e outro que nos faz retornar. Claro que este retorno depende do tamanho da falta, e mesmo distintas faltas (outros delitos não relacionados) podem ocasionar a perda do nível obtido.
Assim que mesmo na época Edênica, e mesmo fora dela, a Tentação sempre esteve presente, e conforme a Humanidade vai cedendo a estas tentações, novos Sistemas de Autorrealização são entregues, pois cada descenso, cada distanciamento da parte interna, exige mais esforço e mais trabalho.

Claro que este descenso tem limites, e este "Cair em Tentação", igualmente tem um ponto final, do qual mais adiante não há retorno, que é o que falávamos em uma oportunidade anterior, nos referindo ao PSR (Ponto sem Retorno).

O Sistema Zero, por assim dizer, de Autorrealização, é o que antecede a saída Edênica, e o que é aplicado àqueles que não cairam pelo Pecado Original.
Ele consiste na Criação dos Corpos Solares, e na Cristificação dos Mesmos e assim por diante.
Pode se dizer, que para estes a Obra já se iniciava nas Iniciações Maiores, pois todos estes processos menores acabavam por irrelevantes.

O Primeiro Sistema de Autorrealização, entregue à Humanidade caída, exigia que a criação negativa que haviam feito fosse desfeita, e então iniciasse a Jornada que é praticamente como conhecemos, somente que nesta época ainda não havia o Ego, apesar de estarem caídos, apesar de terem sucumbido ao Delito, o Ego não existia, apenas o Princípio Tentador e as Cabeças de Legião, operavam de maneira a garantir as Provações e esta guiatura negativa, rumo ao Abismo, ou conduzindo o Iniciado ao desenvolvimento da Virtude, por meio destas Tentações.

O Segundo Sistema de Autorrealização, foi entregue à Humanidade quando do Surgimento do Ego, devido ao Tempo excessivo ao qual esta humanidade ficou entregue ao Órgão Kundartiguador (Inverso do Kundalini). E Este exigia mais sacrifícios por parte dos iniciados, pois além de resistir às Tentações, tinham de eliminar de seu interior a sombra da sombra, ou seja, uma tentação corrompida, algo ainda mais obscuro e mais negativo, cristalizado dentro do organismo humano.

O Terceiro Sistema de Autorrealização, foi entregue à Humanidade quando da Condenação da mesma ao Abismo, e é a doutrina de autorrealização que hoje temos, é a Doutrina Gnóstica entregue pelo V.M. Samael, devido a que a Humanidade como um todo, já foi considerada indigna, e incapaz de integrar-se com Deus e por isto fica praticamente "por sua conta", no trabalho Espiritual.

Vejam que cada um destes Sistemas de Autorrealização, contaram com ajudas muito maiores, quanto mais iniciais, devido a que era possível esta ajuda externa, e hoje em dia, do próprio Indivíduo, é necessário um trabalho quatro vezes maior, devido a degeneração que nos encontramos, e ao distanciamento que temos de nossa Mônada, de nossas partes internas, de onde emanamos.
Cada afastamento, faz com que nossa jornada torne-se mais amarga, mais dura, mais longa... e claro que com estes esforços dobrados, as recompensas também assim o são.

Aqueles que hoje levantem-se, no grau de dificuldade que nos encontramos nesta humanidade, certamente se erguerá, aonde nenhum daqueles que levantaram-se com o Segundo, ou o Primeiro Sistema foram capazes. Isto claro não é questão de orgulho, de vaidade, ou qualquer outra coisa similar, é apenas uma constatação e um comentário oportuno para entendermos o momento crítico e sem retorno que nos encontramos.

Quando da não condenação da Humanidade, o Iniciado ainda tinha uma ligação muito maior com o Íntimo, e percebia com muito mais força sua expressão, sua manifestação, e sua consciência ainda tinha o potencial para que o indivíduo por si mesmo, em sua vida cotidiana, fosse capaz de realizar todas as ações necessárias para a Autorrealização Íntima. Ou seja, bastava que cada indivíduo obedecesse estes impulsos internos, que reconhecia naturalmente como algo divino, em seu interior, e era capaz sem maiores dificuldades de trilhar a Obra, realizar-se totalmente, profundamente.

Isto porque mesmo na época da queda Edênica, mesmo com o surgimento do Ego, via-se na Humanidade um potencial de realização, e tinha-se apesar da desobediência as Leis de Deus, um novo patamar ainda possível para regenerar-se.
Quando chegou-se até certo extremo no delito e na depravação, houve tal julgamento, o qual inevitavelmente considerou-se esta humanidade indigna, perdida, e gerou-se estes processos finais e a entrega deste Terceiro Sistema (ou Quarto), o qual é a tentativa final, de ajudar aqueles que ainda estejam dispostos a realizar estes Titânicos esforços, neste momento crítico que bem vemos vive nossa atual humanidade.

Diante do disparate geral, para com as Leis Divinas, e do absoluto distanciamento mesmo do natural e do justo, vemos que este é o ponto final, o momento realmente sem retorno, o qual vivenciamos neste momento.

12/09/16