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CLXV
Textos sobre Metafísica
O Ritual

O Ritual como manifestação da vontade, é sempre uma representação simbólica de um processo espiritual.
O Ritual é sempre um meio do Mago esgrimir sua vontade e cristalizar aquilo que lhe é ansiado.
O Ritual é sempre um diálogo entre duas forças, uma que chama e outra que atende o chamado.

Todo Ritual, como cerimônia mágica, é uma ligação que fazemos com alguma força, sempre claro de acordo com a natureza do Ritual.

Muitas de nossas ações, são ritualísticas, ainda que por vezes não reconheçamos.
Se almejamos o favor, a graça de tal ou qual fração de Deus, de tal ou qual Anjo, Arcanjo, certamente Ritualizaremos com o que é a natureza de tal criatura, com palavras afins a natureza do mesmo, com símbolos e alegorias relativas a sua natureza, repetiremos seus feitos e glorificaremos seu poder.

Obviamente, que para o Ritual ser perfeito, para realmente se obter completamente a graça Divina, ser digno da presença, das bênçãos e tudo mais que se evoca, o operador necessita realmente ser afim a tal potestade a qual busca integrar-se. Muitas vezes a falta da virtude correspondente de tal Princípio Divino, ou o concreto e sincero anelo de integrar-se com tal Ser.


Para que o Ritual aconteça, o que se necessita é o Estado (como estamos) adequado, também que nossa Condição (aquilo que somos) seja realmente afim ao que ansiamos contactar. Muitas pessoas dizem que Deus não lhe ouve, que suas orações não são atendidas, e no fundo, grande parte do problema é que estas pessoas estão tão distantes e tão avessas a este Deus, que realmente não tem a afinidade, a integração para que suas orações cheguem até ele, falha o Ritual da Oração.

Por isto as Cerimônias Ritualísticas são criadas, quanto maior os detalhes e os Sacrifícios feitos, maiores as chances de uma integração. Por isto alguns Rituais recomenda-se um longo Jejum, as vezes de até Nove Dias, como quando se quer cristalizar Fisicamente um Ser divino e falar-lhe cara a cara. Isto porque destas purificações, destes esforços, surge uma ponte para realizar o que por nós mesmos, em nosso dia a dia é impossível.

A simples Consagração do Pão e o Vinho, como depositários da Substância Crística para a Santa Unção, na simplicidade que fez o Cristo Jesus, sem cerimônia ritualística, é certamente possível quando temos dentro de nós encarnados como Condição e manifesto como Estado, tal natureza Divina. Do contrário a Cerimônia Ritualística, a Santa Missa acaba sendo necessária para evocar-se as forças e os princípios para que intervenham por nós e realizem tal mística, abençoada e divina façanha.

Quando se indica que para Meditar se necessita tal ou qual posição, isto e aquilo de procedimentos, no fundo se está especificando um Rito, para que nos aproximemos um pouco mais do Estado necessário para a Meditação. Mas se nossa natureza já está integrada com o Espírito, a própria vida como um todo é um constante estado Meditativo, onde se manifesta a Consciência em cada ação, em cada palavra.

O Ritual é sempre esta ponte entre o que somos, e aquilo que precisaríamos Ser, para obter as graças de tal ou qual princípio, e quanto mais distantes de tal princípio, mais complexo torna-se o Ritual. Também quanto mais integrados com tais forças, quanto mais próximos, menor ou desnecessário faz-se o Rito.


Um exemplo cotidiano disto é que quando visitamos a casa de nossos Pais, se há uma integração com estes, podemos fazê-lo sem avisar, podemos entrar com a própria chave que temos da casa deles, e assim por diante, não há cerimônia, pois nos são próximos e nossa natureza é similar. Já que vamos na casa de algum amigo, depende da amizade que temos, já há mais passos, mais etapas para isto ocorrer, se vamos na de um desconhecido, já é mais complicado. Se queremos ter contato com uma Autoridade, seja Eclesiástica, seja Política, já dificulta mais ainda o contato, e assim por diante. Ainda há o caso de dependendo de nossa postura, de como falamos, de como atuamos, algumas pessoas não queiram nossa presença, nossa proximidade, porque não somos afins a elas, não temos as mesmas virtudes, não temos similaridade de interesses, etc.

Quando um indivíduo devota sua vida a tal ou qual Divindade, como um aprendiz de seus dons, de sua sabedoria, esta passa exatamente a tornar sua vida um constante Ritual de integração e de integração com a mesma, fazendo-se cada vez mais integrado e parte integrante, deste princípio. Vai o indivíduo conquistando os valores relativos a tal natureza e por consequência sendo capaz de manejar sua força. Assim é como alguns Magos tornam-se discípulos de tal ou qual criatura Divina, e recebem seus dons e suas graças.

É óbvio que jamais temos de nos esquecer de nosso Íntimo, afinal é de onde viemos, e é para onde vamos, será este o poder que iremos manejar, e esta será a sabedoria final que poderemos conquistar e expressar. Mas nada impede que assimilemos outras sabedorias e outros dons, tão necessários nesta jornada, não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles que necessitam.

01/08/17