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CLXV
Textos sobre Metafísica
Emanações do Mal

Existe no mundo muito mais do que aquilo que vemos, e que sentimos em nossa carne. Por vezes percebemos sentimentos e mesmo intenções de pessoas que estão distantes, de criaturas que nunca vimos e que ainda assim sentimos suas intenções, sua natureza.

Há muito oculto de nós e que ainda assim de maior ou menor maneira percebemos, e mais perceberemos conforme nos tornamos sensíveis a estas regiões internas da natureza.


Algumas noites atrás estava nos mundos internos, e observava uma senhora, já de certa idade, que falava com grande eloquência e velocidade. Estava eu distante, algo como seis metros, mas pude sentir emanações negativas daquela criatura, não diretamente a mim, ou a qualquer pessoa, mas uma força muito grande, uma força muito negativa que dali se expandia e se distribuía pelo ambiente.
Em voz baixa disse como que falando comigo mesmo, "está possuída", me referindo àquela senhora, que tinha os lábios brilhantes como que úmidos. Esta como que recobrou a consciência por alguns instantes e olhando para mim afirmou de maneira clara: "Sim, estou possuída", e reintegrando-se com a criatura em questão, seguiu seu árduo monólogo que destilava.

Me concentrei por alguns instantes naquela pessoa, com o objetivo de ver com os olhos do espírito, a real natureza do que estava por detrás daquela infeliz forma, e o que vi foi algo que certamente nada tem de similar no mundo. Lembrava uma criatura com um aspecto humano no sentido de tamanho e membros, mas se assemelhava mais a um inseto, com seus olhos e asas, também sua postura.


Um filósofo certa vez disse, que quando olhamos para o Abismo, o Abismo olha de volta para nós, e certamente isto ocorreu naqueles momentos. A Criatura, talvez a mais poderosa que já havia sentido nos mundos internos, acabou voltando sua atenção para mim, após meu esforço em observá-la em sua natureza Íntima.

Optei por ser cordial, e tentar compreender totalmente a natureza deste Terrível Demônio. Afinal se é com a compreensão que eliminamos nossos defeitos, que nos libertamos deles, certamente se queremos auxiliar ao Mundo, e à Humanidade, necessitamos compreender aquilo que escraviza e que seduz a todos.

Isto deste estudo das forças tenebrosas da Natureza, é algo que não recomendamos a ninguém, senão claro é uma tarefa natural do Adeptado, afinal é natural que a Luz e as Trevas lutem por espaço, e que mutuamente se vejam, se reconheçam e interajam nos momentos que assim corresponde que ocorra.


Tal criatura tenebrosa entregou-me três objetos, um livro, certamente o maior livro que já pude ver, uma capa tão grande em extensão que certamente teria o tamanho de uns seis livros destes normais que vemos. Cuja grossura apenas da capa era maior que a grossura de qualquer livro destes comuns que vemos. Obviamente o conteúdo do livro era imenso, talvez seis vezes a grossura da capa.
Também entregou-me um pergaminho, este era dourado, estava dentro de uma armação dourada de metal. pela parte inferior se puxava o pergaminho que se enrolava em uma outra estrutura menor que acompanhava tão ornamentado objeto.
O Terceiro objeto que era mais impressionante, eram três tubos de sustentação que saiam do chão e subiam até uma altura de aproximadamente dois metros, e sustentavam tres placas metálicas que verticalmente ficavam estendidas ao redor destes tubos que formavam como um lustre excêntrico, ainda que sem luzes. A Placa metálica ficava sustentada ligada a estes tubos na parte superior, e mais ou menos um pouco abaixo da metade do objeto.
Ao puxar cada uma das placas para baixo, elas iniciavam um movimento perpétuo que fazia com que o objeto produzisse imagens, algo como um televisor mas que não precisava tela para projetar as imagens. Originalmente quando a primeira placa foi puxada, a imagem ficava limitada a um reflexo na própria placa, mas quando as três estavam ativas, aquele reflexo se projetava na matéria astral de maneira a formar uma tela translúcida que permitia ver a frente do objeto as imagens.

Confesso que me senti muito mal, ao ler, e ao ver o que vi. Mas também tenho de dizer que nunca estive tão lúcido em uma região tão negativa. Obviamente tais objetos emanavam forças terríveis, realmente de indescritível poder negativo. As emanações eram dolorosas, mas busquei aguentar até aonde foi possível, tentando entender a real natureza de tal criatura.

Em certo processo, decidi que as emanações eram extremas demais e que já estava a muito tempo sob tais influências, e me pareceu mais adequado voltar ao físico e deixar para trás tão terrível experimento. Logo que voltei ao físico, tive transmitida parte desta energia ao mesmo, o que foi bastante desagradável. Fiquei por alguns momentos imóveis me desligando daquelas forças e gravando na memória tal experimento e logo me levantei por um momento para não correr o risco de adormecendo retornar ao mesmo lugar de onde havia partido.


Nós certamente queremos conhecer e interagir com os Anjos e Arcanjos, ansiamos por penetrar em cada uma das Regiões Celestes, mas se nos é dito que ninguém pode subir sem primeiro ter tido a moléstia de baixar. Que se queremos chegar ao Céu, primeiro necessitamos atravessar o Inferno. Nisto há mistérios e nisto há entendimentos que realmente precisamos reflexionar.

15/12/17