CLXV
Textos sobre Metafísica
Os Símbolos Esotéricos

Todo Mago, todo Adepto, todo Mestre, sabe a real importância dos símbolos mágicos. Todo símbolo tem em si impregnados o dogma de seu criador e o dogma universal, caso esteja de acordo com tal dogma.

O Selo de Salomão, o Pentagrama Esotérico são exemplos de dogmas universais, forças além das crenças humanas que se relacionam com princípios e com símbolos de uma vontade muito além da vontade humana.

A Relação entre Luz e Sombras, o Bem e o Mal, a Evolução e a Involução, o Dia e a Noite, independem da interpretação e da crença humana para que existam ou para que tenham poder e força.
As Estações do ano , ou mesmo os pontos cardeais já existiam antes de serem interpretados pelos homens. Os Próprio quatro elementos básicos, antes de que o homem pudesse percebê-los já existiam e exalavam seu poder e seu mistério.

Na Cruz vemos o martírio e Sacrifício do Cristo por sobre os Elementos da natureza, isto, este símbolo, é uma força de grande poder, ainda que possam ser reforçados pelo entendimento humano e por novos argumentos que lhe possam ser atribuídos.

O Uso dos símbolos tem muitos motivos, desde atrair e impregnar certa força universal em um objeto que nos sirva de intermédio para exprimir nossa vontade, até como uma recordação moral de um compromisso ou de uma vontade que necessitamos conservar.

Hoje, 27 de Outubro de 2012, recordamos que até mesmo estes números (27/10) em que ocorre o Natal Gnóstico não é por acaso. Da mesma forma são símbolos, são alegorias que se quer transmitir e ensinar.

O Natal Cristão do 25/12, é algo verdadeiramente grandioso, pois soube valer-se do dogma universal do drama solar e com isto vivenciar tamanho feito em termos humanos.
Qualquer um que lute contra um dogma universal, seria fulminado tal qual um descapacitado indo contra uma força elétrica ou magnética.
Aprender a reconhecer e fazer-se servir de tais símbolos universais, é o prodígio que o Mago tem que realizar para fazer valer a Grande Obra.

Nossas Paixões, são o obstáculo final para qualquer Grande Iniciado. O Trabalho com a Paixão, expressa e vivida pelo Cristo em seus momentos finais, é fazer-se valer do impulso até então desordenado e desviado e tornar-se seu senhor e amo.

Lúcifer como impulso sexual, como impulso de vida, deve ser domado, purificado e perfeccionado até o estremo do estremo, assim tornando-se um receptáculo para o Cristo e criando o que os Alquimistas chamam de Pedra Filosofal.

A Pedra Filosofal tem quatro lados, ao centro fica o principio divino, já protegido por esta envoltura maravilhosa. 1690 e 8.

Muitos símbolos atormentaram as eras negras da Humanidade como foi a figura mágica do Bafometo. Baphomet é pois a síntese e o resultado do trabalho hermético, é a própria Pedra Filosofal.
Tal símbolo Hermético como é o Bafometo, serviu de inspiração e de representação de nossa Grande Obra para todos os célebres Alquimistas. Além de servir de excelente fonte mágica para nosso entendimento da Grande Obra, serviu igualmente para proteger a Arte Real do vulgo e do não iniciado, por longos séculos.

O Motivo de hoje, aqui, falarmos tão abertamente de tal figura, é remover o dogma negativo que foi criado sobre tal figura mágica. O Impulso Luciférico, a força negativa pode realmente ser transformada dentro do Homem no Demônio, como Sombra da Sombra, mas pode igualmente transformar-se no próprio Terceiro Logos individual de cada pessoa e com isto permitir a criação de nossa bendita pedra de Salvação.

É Pois esta a pedra de tropeço, a pedra fundamental, o Sexo e acima disto, as Paixões, já que o impulso sexual é a expressão máxima do Doador de Vida.
O Grande Arcano foi escondido descrito em símbolos e representado por estas alegorias, pois o não iniciado ao trabalhar com o Fogo Divino, sem a devida preparação, pois fundiria em si os elementos nocivos em vez de purificar-se.

Por isto ao longo dos séculos se entregava a chave do Grande Arcano aos que Despertavam a Consciência, pois já tinham virtudes e compreensões para fazer uso desta chave. Hoje os tempos são outros.

Mas há muita coisa não revelada; não por uma maldade em querer esconder algo, mas pela falta de compreensão das pessoas, pela falta de consciência e de capacidades espirituais.
Claro que não poderíamos transmitir muitos destes conhecimentos obtidos na prática por um diálogo, mas assinalar o caminho, ditar o oculto é já o suficiente para o entendido.

A Vontade sempre deve ser contínua e permanente, o débil hora quer tal coisa, hora quer outra coisa. Isto nos demonstra o quão fracionados estamos e a falta de um sentido, uma direção contínua a ser seguida.
Tais símbolos costumam servir a estes propósitos, pois são uma constante recordação, física, emocional, psicológica, de vontade e de consciência, que nos servem de alerta e de constante relembrança de nosso real propósito neste mundo corpóreo.

Por isto os símbolos são tão importantes aos Adeptos e aos Mestres, pois expressam sua única vontade e a única direção que permitem com que percorra este seu impulso interior. Esta é a mesma representação da Mãe Divina tendo por pés a serpente, é o que faz o Mago fazendo uso de seu impulso volitivo para um fim divino.

A Paixão é algo que devemos saber resguardar, dominar e guiar para que seja usada para nossa própria purificação interior, para a formação de nossos veículos internos e para este Sacrifício que temos que realizar por nossos semelhantes.
Não é problema ter uma diversão, não é dificuldade alguma estar vivo e gostar de coisas humanas, o problema é nos dedicar de corpo e de alma de forma apaixonada a algo ilusório e fatal. Sermos vítimas de uma ilusão temporal é algo que não tem qualquer propósito e é de muito mal gosto.

Os Abraxas Gnósticos são um exemplo do que estamos falando, são símbolos feitos com o objetivo de exprimir uma idéia, um objetivo final, algo verdadeiro e valioso para o Iniciado e com isto servir de Talismã e de constante recordação de nosso propósito.

Os Números são símbolos máximos, porque as letras necessitam formar palavras e mais que isto, frases para exprimir uma idéia. Um número por si só já é todo um conjunto de idéias e de princípios, coisa que nenhuma palavra ou até mesmo frase é capaz de fazer.

Antes que estas linhas que formam os símbolos possam existir, eles se expressam como números e tem significados ainda maiores e mais amplos do que suas formas pelas quais são representados, são seus princípios.
Dizer 2 é exprimir o mistério da dualidade, da Luz e de sua Sombra, do Dia e da Noite. O Próprio Selo de Salomão está contido e explicado pelo Mistério da dualidade do número 2 (1 e 0).

Os Números são vida espiritual e expressam os mistérios pulsantes da natureza os quais só vemos uma pequena parte expressos nos símbolos e nas idéias que tentam exprimir em suas formas.

Tudo podemos numerar, tudo no final das contas é expresso por números. Quantas voltas dá a Roda do Samsara? Quantas existências podemos ter no reino humano? Quantas vezes se pode jogar a Pedra Filosofal na água? Quantas são as Leis do Absoluto? Números, números...
Por mais que possamos os expressar como idéias formais, a nível Espiritual tudo são números e sentidos muito além de palavras, ainda que possamos por uma necessidade fazê-lo.

27/10/12