CLXV
Textos sobre Metafísica
O Templo da Morte

Nesta ultima noite tivemos algumas experiências bastante satisfatórias no campo do aprendizado Interno.
Primeiramente pudemos aprender o combate contra Magia Negra, desde as regiões superiores. Repetimos diversas vezes uma mesma defesa a três pessoas que víamos ameaçadas por forças tenebrosas.

Para o Mal, o Bem é o pior castigo. Vemos como os Demônios e os malfeitores se revoltam quando lhes damos bem pelo mal que causaram. Sua natureza invertida sempre espera um recíproco ataque em vez de perdão, compreensão e amor.
Claro que lutas existem mas no sentido de defesas e não de um ataque que criaria uma luta sem fim e uma destruição mútua.

Logo após estes aprendizados e exames, fomos literalmente arrebatados a um Templo muito especial. Digo arrebatado porque verdadeiramente nada fizemos para lá estar, fomos levados por uma inteligência superior a tal região tão expressiva.

Logo se apresentou um Anjo e ao nosso lado outros dois Adeptos que eram levados a este aprendizado que seria nos proporcionado.
Confesso em absoluto que não recordo de uma experiência tão clara e tão lúcida nestes regiões superiores.
Certamente aquele Anjo ou aquela região sobrepunha nossas falhas e nos permitia uma manifestação extrema de consciência.
Toda aquela liberdade a nível de consciência que ali percebíamos era como se estivéssemos mortos, livres verdadeiramente do corpo físico, tridimensional.
Tentei recordar do físico e em vão fiz tal experimento, estava preso naquele belo lugar, para minha felicidade e dos outros irmãos ali presentes.

Completamente lúcido e desperto questionei tão imponente criatura que estava ali para nos instruir nos mistérios da Morte:
- Posso escrever a respeito do que for visto e dito neste Templo?

Como que aguardando já o questionamento, respondeu com um solene - "Sim".
Então já sabia de antemão que o que aprendia era para ser compartilhado de alguma forma, mas sabemos que nem tudo nos é permitido recordar e então lhe fiz um segundo questionamento:

- Irei recordar do que vi e do que me foi dito?

Mais uma vez nada surpreso com meu questionamento ele repetiu o afirmativo - "Sim", dando a entender que era o motivo de estar ali presente em tal Templo.

Estando em uma sala fúnebre vimos a Alma de um falecido ser posta em um Altar de pedra, sendo tal altar todo talhado em pedra, muitas figuras ali podíamos observar, o altar é de dimensões similares as humanas mas claro em formato retangular.

Uma vez a Alma ali depositada naquele Altar, nos aproximamos para estudar os ritos da Morte que lhe seriam aplicados.
Para meu espanto a Liturgia destes Anjos nada tinha de relacionado a morte física (naquele momento), por assim dizer, mas com a morte psicológica.

Observávamos aquele Anjo rogando pedindo forças e ajuda à aquela Alma para que pudesse eliminar suas debilidades as quais ele listava cabalmente em sua Liturgia.

Confesso que me senti completamente transparente para com aquele Ser. Em certo momento enquanto nos dava certas instruções sobre os delitos humanos, nos olhou de uma forma que certamente nos causou grande comoção e assombro.
Sentíamos aquele Ser, ainda que alheio a nossa unidade penetrar em nosso mundo interior e observar nosso passado e nosso futuro (destino) e víamos o que ele olhava, sabíamos o que ele sabia sobre nós, tudo.

Ele nos fez uma advertência nos dizendo que tudo eles sabiam sobre os que se levantavam do lodo e sobre os que se lançavam ao Abismo e ainda durante seu discurso nos fez recordar certos defeitos do passado, como que nos alertando para jamais retroceder um passo em nossa Obra.

Me senti satisfeito com sua observação e concordei sinceramente com sua advertência.


Estávamos eu e mais um casal (homem e mulher), a dama em questão tinha sardas e era ruiva. O Anjo (que tinha um rosto de mulher mas nome e expressões masculinas) fez uma advertência a Dama sobre as Sardas que possuía, indicando que era causa de certo defeito psicológico que carregava e por isto nascera daquela forma.

Confesso que protestei em minha ignorância de tal advertência. Como sardas de nascença poderiam ser causados por um mal psicológico? Claro que agora, fisicamente analisando vejo com justiça as palavras de tal criatura mas naqueles momentos acabei protestando.

Enfim ele me disse que em sua liturgia eles sabiam bem do que se tratava e logo chamou um superior que me asseverou que realmente assim era e que eles sempre rogavam pela eliminação disto nos que tinham esta característica.
Bem, para minha infelicidade não questionei o que era tal defeito, mas confesso fiquei impressionado com tal detalhe, já que realmente todas estas modificações físicas que temos, ainda que naturais, ocorrem por motivos sobrenaturais ou internos.

O Que pude entender é que sua liturgia se dividia em duas, uma para os Vivos que anelavam a Morte Psicológica e outra aos desencarnados que eram por eles tratados para se prepararem para regressar a vida.

Tal Anjo, bastante cordial, apesar de toda uma potestade magnética que lhe cercava, nos convidou para participar de uma destas Liturgias (Rituais Litúrgicos da Morte), interagir e dizer algumas orações a um falecido.
Alegremente tomei seu santo livro e li aonde ele me indicara.

Sua liturgia aos Mortos era bastante complexa para a consciência deste que vos escreve e confesso que interpretei literalmente aquelas palavras.
Ao final como já esperava ele me questionou sobre meu entendimento ao Rito e lhe dei a interpretação literal de meu entendimento.

Ele sorriu e deu uma breve riso como que já aguardando minha incompreensão e literal interpretação do texto.
Se limitou a dizer, que claro estava correta minha interpretação mas que seu profundo significado era muito maior do que eu havia interpretado.

Creio que a maior dificuldade em minha interpretação era a língua em que estava escrita. Mal consegui trazer recordações de algumas palavras de sua Liturgia, que em minha memória parecem desconexas ao texto.
Falava da história de um casal, do Sol e da morte. Ainda que conscientemente não possa reescrever tal texto, talvez até entendo para preservar o mistério e o oculto sobre seus ritos nestas regiões superiores.

Já tivemos a chance de ler algumas Liturgias de outros templos nos mundos internos, e na maioria das vezes só trazemos disto algumas palavras, frases ou textos pequenos, apesar do restante serem recordações bastante exatas e completas.

Bem sabemos que nenhum esforço fica sem sua recompensa merecida, e por isto que fazemos aqui este relato e este testemunho consciente de que é possível e viável realizar e repetir todos estes feitos que nossos Mestres relatam e nos parecem tão extraordinários.


Quando o V.M. Samael questionou a outro Mestre nos mundos internos sobre uma chave para o Despertar da Consciência nas regiões Superiores, a resposta de tal Mestre foi transfigurar-se em uma criança, sem nada dizer além de tais fatos.
O V.M Samael se sentiu defraudado e sem uma resposta mas intuiu a seu tempo que a resposta era ser como uma criança, levar uma vida consciente e que isto se refletiria nas regiões superiores.

A Criança pode parecer inconsciente e temos que concordar que não está consciente de sua consciência e isto indica certa inconsciência. Como adultos temos que recuperar as habilidades infantis sem claro nos rendermos a idiotice, pois certamente um adulto agindo como criança ao pé da letra, seria algo mais que ridículo.

Então claro que a criança tem uma imaginação perfeita que lhe permite realmente intuir a verdade ainda que pareça incrível algumas de suas observações. Além disto busca viver cada momento e vive sem medos ou preocupações de nenhuma espécie, é neste sentido que devemos buscar capacidades similares.


Esta noite ainda, bastante agitada por resultados de toda espécie, pudemos fechar um ciclo que estava aberto a muito tempo. Em nossa infância, pode se dizer que começamos nossos estudos esotéricos na leitura de certo livro de um autor esoterista de mesma nacionalidade e esta noite percebemos que tal autor, bastante conhecido, acabou por se deparar com nossos escritos e em especial com o Símbolo CLXV.

Dialogamos com este irmão e lhe mostramos o símbolo que havíamos percebido e formulado fisicamente, já há tanto tempo cronológico.
Ele olhou, observou, tocou com sua face, com sua testa o símbolo e fez algumas observações, logo vendo uma manifestação negativa de sua parte, se desculpou e fez observações mais educadas e sinceras.

Confesso que além daquele único livro que lemos, em nossa infância física, de tal autor, não tivemos interesse de buscar nada mais deste, então desconhecemos seu atual trabalho ou posterior daquele que lemos.
Ele nos assegurou que tal Símbolo era algo muito similar a algo que ele havia exposto em uma de suas Obras.

Internamente ficamos nisto, e fisicamente, hoje antes de escrever este texto nos lançamos a buscar por alguma luz sobre este assunto internamente discutido. Buscando alguma informação realmente nos deparamos com o que seria tal símbolo que ele descrevera como similar e realmente assim concordamos.

19/11/12