CLXV
Textos sobre Metafísica
O Número 15

Imagino que algumas pessoas realmente estranhem todo este interesse e estudo em um único Arcano, mas para cada um, por sua particularidade, sempre terá um ponto de apoio e um norte que sempre guia nosso caminho no sentido da Grande Obra.

O Último quadrado Mágico, o quadrado mágico de Saturno, tem como constante a soma 15 e para este que vos escreve, isto é bastante significativo.
Aos que já leram nossos escritos, explicamos claramente que o 15 é a Paixão e a força motriz da criação, é o próprio Terceiro Logos em seu esplendor ou o Diabo como força pervertida de uma criação sombria.

Um Homem movido pela força sexual poderia ser seu escravo ou seu senhor. Disto está a realização da Grande Obra. Eliminar a Paixão (como impulso sexual) é anular-se, é destruir a si mesmo e impossibilitar qualquer progresso íntimo.

Então é claro que a Morte desta Paixão é o último, na verdade não é morte, é mais uma assimilação, uma integração para que se torne estável em determinado ponto.
Por isto aos Mestres de certa altura iniciática o Arcano (qualquer contato sexual) fica proibido, porque já terminou a criação e necessita vencer esta ultima sombra.

No Tarot, a última carta, a soma de todas elas (como unidade) é a 78, pois é o mesmo 15 de Saturno.

A Quinta Lei, o Terceiro principio (3x5) é o 15, a força do Terceiro Logos, o próprio Terceiro Logos, o Espírito Santo.

Claro que o Diabo não existe como personificação de uma força, o Diabo é a consciência corrompida ou aprisionada pelos erros e pelo vício de um impulso de criação mal canalizado.


A Síntese do 15 é o 6, cujo principal sentido é a Luta do Espírito e da Matéria contra o Vício e em busca do caminho das Virtudes. O Homem como expressão física, material e perecível do espiritual, perfeito e imperecível, tende ao vício e ao erro, por sua natureza inferior.

Como tudo é dual, o Homem é a sombra do Ser, no entanto é sua contra parte e seu próprio desdobramento. É a expressão temporal do intemporal e a manifestação da Liberdade em benefício do que é Justo.

Saturno com seus anéis muito nos recorda esta dualidade, representados pelo Traço e pelo Círculo; se o observarmos lateralmente.
Se observarmos de seu norte, teremos o círculo como os anéis e um ponto como o próprio planeta, mais uma vez nos mostrando este mesmo símbolo.


O Homem justo deve aprender a ter um imenso controle sobre toda sua natureza interior, pois um pensamento, um sentimento, uma palavra de um homem justo é para a natureza como uma lei inefável, é a própria vontade de seu Deus e por magnetismo, vontade da natureza que o cerca.

A Maldição ou a Benção de um Santificado é certamente um Verbo que altera a natureza das coisas e por consequência o rumo de uma pessoa ou até de uma Humanidade.
Os Grandes Médicos não são os que curam por meio da natureza externa das plantas e das medicinas naturais ou artificiais, é o que cura e o que transforma o mundo por suas causas e pela expressão de sua própria vontade e de seu verbo.

As Grandes Liturgias dos Deuses nos demonstram o fato de que pelo verbo destes grandes Seres, se alteram rumos e se curam ou adoecem de acordo com sua vontade e mágico poder.


Muitos grandes médicos do corpo não operavam sobre o corpo, pois conheciam que o corpo é apenas uma expressão do que ocorre internamente com uma pessoa. Todos os males, todas a desgraças humanas, sejam elas físicas ou internas, estão relacionadas com nossos erros e com nossos vícios e defeitos.

É Pois estúpido remediar um corpo para que possa continuar por mais um tempo matando a si mesmo e se destruindo em seu vício.
Estudar a causa de nossos males e eliminar a raiz do erro é a única solução que nos parece adequada neste caminho da Grande Obra.

Sempre que dialogamos com Mestres e Divindades nos mundos internos eles sempre demonstram certa repugnância por alguns atributos negativos que as pessoas humanas carregam. Isto é muito similar aos elementais da natureza que jamais obedeceriam ou sequer ajudariam a alguém que não fosse senhor do elemento em que vivem.

Por isto os Coléricos jamais dominariam ou se fariam obedecer pelos elementais do Fogo; da mesma forma os Luxuriosos jamais poderiam servir-se do poder do elemento água.

Tudo que fazemos em nosso microcosmos, se reflete e se multiplica no macro. Dominar a natureza dentro é dominar fora, tudo começa pela unidade de nosso progresso interno.

Então se queremos algo, se anelamos poder receber ensinamentos de tal ou qual Mestre ou Templo, devemos nos submeter as disciplinas relativas a seu Raio e a sua natureza.
Uma pessoa que anele receber a força do Logos de Marte, deve pois lutar por eliminar de si a má utilização do principio desta Força. A Força mal canalizada e direcionada a causar dano denominamos Ira, eliminando a Ira caímos sob as graças do Logos de Marte e da Força sabiamente direcionada.

Este é um dos motivos que muitos não tem sucesso em algumas de suas práticas, porque rogam ajuda a forças que não se fazem merecedores de respeito ou de domínio.
Por isto que havíamos dito que uma palavra de benção ou de maldição de um justo é uma lei que a natureza toma por absoluta verdade.
Como um justo poderia mentir ou dizer algo que não é a mais pura realidade? Pois este é o segredo do magistério da magia.

A Estabilidade é o ponto chave aonde nos servimos das forças evolutivas e involutivas da natureza sem que sejamos afetados por nenhuma delas.
A Única forma disto ocorrer é a eliminação de toda esta natureza inferior que levamos dentro... forças que nos arrastam em um momento pelas cadeias evolutivas e em outro pelos caminhos de involução.

Isto seja a nível de reinos, seja no conjunto de nossas existências, seja em uma existência ou em um único dia de uma de nossas vidas.

Recordemos que o presente é sempre o ponto chave porque une o passado e o futuro que são ambos ilusões pois não existem.
O Passado talvez não possa ser apagado, mas pode ser remediado se sabemos viver o presente. O Futuro para muitos é uma predestinação de repetir o que viveu no passado, mas se um sabe moldar a si mesmo de acordo com sua vontade e sua consciência, transforma-se conforme a necessidade seu progresso e seu êxito futuro.

O Enigma da esfinge que no meio ocultista resumimos a Saber, ousar, querer e calar, podemos explicar em Saber a respeito do futuro, Ousar no presente, Querer a eternidade e calar-se sobre o Passado.

Nos calamos sobre o passado porque para que nasça o novo deve morrer o velho e a lembrança do velho no verbo de um criador é repetir ou reviver tais fatos e acontecimentos, é transformar o passado maldito em um futuro abominável.

Querer a eternidade é viver em função da Obra, colocar sempre o Espírito sobre a Matéria ainda assim sabendo equilibrar ambos de acordo com a necessidade, um sendo o apoio para o outro.

Ousar no presente é viver sabiamente cada instante e momento, vivendo o justo e transformando-se de acordo com a verdade e a lei que emana de nossa consciência e de nosso Ser, mediante o esforço da Vontade... subjugando nossas paixões e o vício (Por isto o 8 como eternidade e o 15 como trabalho sobre as paixões).


Saber a respeito do futuro é verdadeiramente conhecer e reconhecer quem somos, para aonde rumamos e se destes dois caminhos um determinado pelo vício e outro determinado pela virtude, qual trilharemos e aonde chegaremos. Saber é conhecer, verdadeiramente ver e compreender o fato.

21/11/12