CLXV
Textos sobre Metafísica
O Mundo das Impressões

Verdadeiramente nós nada sabemos sobre a realidade, as percepções que temos do mundo, são mais reflexos internos de nossos estados psicológicos do que a veracidade que existe fora de nós.

Na noite de ontem, como de costume, fazíamos nossos estudos, práticas, meditações e fizemos como sempre o processo do Desdobramento Astral, só que acabamos vencido pelos sonhos e iniciamos um desdobramento involuntário aonde se processou alguma destas histórias como todos estamos acostumados a vivenciar mecanicamente.
Acabamos em um lugar iniciador, um sonho iniciador como comenta o Mestre Samael em um de seus livros. Estava em um castelo aonde comumente me vejo sonhando quando da tentativa falha do desdobramento.
Lá havia um animal, um belo espécime de características não convencionais dos animais físicos. patas longas, corpo comprido e delgado. Pelos escuros mas com um leve tom avermelhado, muito longos, realmente muito longos aqueles pelos e macios.
Brincamos um pouco com aquele animal e estranhamos bastante suas formas, sua boca era muito grande e abria de uma forma espantosa se comparado aos cães físicos, que era o mais parecido que poderíamos assemelhar, daquela criatura.

Claro, não somos bobos e logicamente nos questionamos da possibilidade de encontrar um espécime daqueles com tais características no mundo físico e o resultado obviamente foi o entendimento que já havíamos feito o desdobramento e nos encontrávamos nas regiões superiores da natureza.
De imediato acabamos abrindo os olhos astrais, ainda no leito, estávamos de olhos fechados (físicos) e conectados ao veículo físico novamente, é uma sensação muito estranha e que seguidamente vivenciamos, aonde vemos através dos olhos fechados e até mesmo no escuro. Tal característica, claro, é porque já estamos em posse do veículo astral e observamos com os sentidos internos e não mais por meio dos sentidos do corpo físico.
Muitas vezes antes de desdobrarmos, sabemos que estamos prontos, exatamente por esta questão de nossa visão ultrapassar a barreira dos olhos (físicos) fechados e vermos além do que nos permite os sentidos tridimensionais.

Mas enfim, cheios de fé e de vontade, suplicamos ao Íntimo que nos levasse a Santa Igreja Gnóstica dos Mundos Superiores e fizemos aquele supremo esforço de levantar do leito. Naqueles momentos sentíamos o físico sendo tomado por aquela imensa expressão do Espírito sobre a matéria e sentíamos ainda que de certa forma já desligados, o físico vibrando e se movimentando como sempre ocorre quando fazemos supremos esforços nos mundos internos..
Nesta ocasião, acabamos identificados com o fenômeno que estava sofrendo o corpo material e acabamos acordando e ficando verdadeiramente defraudados por não termos conseguido ir até os pés dos Santos Mestres, já nesta segunda tentativa da noite (já que a primeira foi o desdobramento voluntário, sem o uso do discernimento). A Falha ocorreu porque tentamos levar o corpo físico, entrar em Jinas.

Porque relatamos a falha e não o sucesso? Para que vejam que a todos custa o sacrifício e cada dia é diferente porque um alimento pode nos atrapalhar, a hora que vamos deitar, o estado de consciência que tivemos no dia, enfim, é um conjunto de elementos que temos que aprender a manejar se realmente queremos e estamos dispostos a verificar por nós mesmos todas estas realidades dos mundos internos.
Mas no decorrer da noite tivemos outras chances e nossa esposa pela manhã ainda relatou que no meio da noite o corpo passava por estas vibrações naturais destes esforços da consciência nos mundos superiores, que já relatamos.


Mas o tema que queremos tratar é a questão que se refere a esta percepção que temos deste mundo tridimensional. O Que é real? O que tocamos é real? Então se perdemos o sentido do tato, passa a não existir aquilo que primeiramente percebíamos?

Temos que ser analíticos neste sentido. O Real é o que vemos? é o que podemos sentir seu odor? Realidade são as vibrações sonoras que percebemos?
Se levamos em consideração estes questionamentos vamos perceber que o que conhecemos como real nada mais são do que percepções de impressões que recebemos por meio de nossos sentidos.
Se não tivéssemos estes sentidos, o que seria a realidade?

Para muitos a realidade dos mundos superiores é tão palpável e verificável quanto como quem olha e vê outra pessoa ou toca e sente o chão. É Tudo uma questão de sentidos e percepções que não estamos acostumados a usar, porque não temos desenvolvido.


Mas voltando a isto da realidade das coisas tridimensionais, físicas no sentido material que estamos acostumados, temos que entender que muito do que nos parece ser, realmente não é.
Vejam o exemplo de algum objeto que por meio de nossos sentidos parece ter um grande valor. Isto nada mais é do que algo interno, não é que nossos sentidos percebam e reconheçam que algo é melhor ou pior, eles somente nos transmitem estas impressões, a nós depende digerir e transformar estas impressões sabiamente.

Então vemos que o valor que tem os objetos, são valores que internamente atribuímos a eles. É Tudo uma questão psicológica e que a realidade que supomos existir, na verdade não existe, senão dentro da psique de cada pessoa. O Que nos parece belo e sedutor, nada mais é do que um jogo mental, do que uma realidade física.

O Que somos, somos, porque as impressões do mundo nos transformam mecanicamente a cada momento. Temos ira porque nos ofendem e por uma falha psicológica aonde nos cremos superiores ou donos da razão, por termos uma auto-piedade, acabamos reacionando e reagindo como escravos de alguma situação.
Se aprendemos a não permitir com que estas impressões ingressem mecanicamente, se aprendemos a manejar estas impressões sabiamente, dando a cada uma delas sua devida interpretação ou transformação, verdadeiramente é como podemos iniciar este trabalho interior de forma adequada.

A Maioria das pessoas lutam contra o interior, contra seus defeitos, mas não percebem que estes elementos são alimentados por estas impressões equivocadas que ingressam por meio de nossos sentidos.

Se nos ofendem, não podemos mudar o que nos disseram, porque o que foi dito, é o que é. Mas ao estas palavras ingressarem em nosso interior como impressões, podemos transformá-las e não permitir que nossos defeitos se apossem destas imagens, estes elementos nocivos como são a auto-piedade, o orgulho, etc.
Se levamos estas impressões a consciência, temos condições de não reagir mecanicamente aos eventos e verdadeiramente retribuir o suposto mal que nos fazem, com bem.

Existe um postulado comentado pelo Venerável Mestre Samael, para se encarnar ao Cristo: "Receber com agrado as manifestações desagradáveis de nossos semelhantes".
E Para isto ocorrer em nós, necessitamos aprender a trabalhar e a organizar dentro de nós a maneira que recebemos estas impressões externas.

Como já dissemos, em nosso mundo interior, nossos defeitos se alimentam destas impressões equivocadas que chegam até eles e por esta vibração, sobrevivem.
Nossos defeitos se alimentam desta maldade humana e por isto retribuem o mal com mal e assim permanecem vivos. Se nos dizem palavras duras e se somos capazes de analisar aquilo com consciência, de nos colocar no lugar do insultador, de buscar a realidade do que foi dito, pois não chegarão estas impressões a nossos defeitos e com isto não perpetuarão sua existência em nós.
Se nos dizem alguma dura palavra e é verdade, porque sofreríamos ou reagiríamos frente a este suposto insulto? Deveríamos pois ser grato pela prestatividade do próximo em nos alertar de erros que não percebemos, é lógico!! Se não é verdade? Bem, então a pessoa está equivocada e nada precisamos sofrer ou nos sentirmos mal com aquelas palavras, não é verdade e isto é tudo que precisamos saber.
Aonde fica a maldade, aonde ficam as reações mecânicas? Pois não existem mais se agimos de momento a momento desta forma.

Isto é o mesmo para estas impressões que provocam luxúria, cobiças, etc...

Todos estes defeitos psicológicos que hoje temos, se deram por esta má transformação de impressões que percebemos da vida. Hoje claro muito de nossos equívocos se dão porque vemos os mundos com olhos já pervertidos por nossas próprias maldades.
Muitas vezes ao ver uma pessoa podemos dizer que é um luxurioso, que é um iracundo e na verdade o que vemos são simplesmente impressões mal transformadas e adulteradas por nossos defeitos psicológicos.


Vejam que se uma pessoa se propõe a rever todas estas impressões que já tenha armazenadas, mal transformadas, verdadeiramente é o mesmo que tanto falamos sobre a eliminação dos defeitos psicológicos, desintegração da falsa personalidade e até mesmo a destruição das formas mentais (impressões mecânicas armazenadas na mente).

Todas estas questões de superioridade e de inferioridade, não são mais do que formas mentais que projetamos sobre impressões que recebemos da vida.
Já dissemos e reforçamos que um Padeiro não é menos que um Médico ou um Mecânico. Infelizmente na vida todo este caos que hoje existe se dá porque as pessoas não são capazes de transformar estas impressões equivocadas que recebem do mundo.

Muitas pessoas supõe que os Mestres quando se mostram humildes e sentem-se como serviçais que são, estão fazendo algum tipo de jogo psicológico para serem aceitos ou serem aclamados, mas muito equivocada é esta impressão que as pessoas tem.
Estes Mestres relatam a crua realidade de perceberem que eles próprios não são mais que um camponês que com o suor de seu trabalho mantêm viva a sua plantação ou do que aquele batalhador da cidade que muitas vezes já está totalmente esquecido de sua Divindade.

Porque estes mais, menos, são questões mentais. São suposições que faz a mente quando temos o orgulho e a inveja que quer sempre nos por acima dos demais.

Como poderia o erro continuar existindo em nosso interior se nos tornamos capazes de não alimentar mais estas maldades interiores com estas impressões do mundo exterior?
O Exterior que vemos, na verdade é nosso próprio interior projetado na tela de nossa mente.

Ao bom, bem lhe parece.


Conforme aprendemos a trabalhar estas impressões de forma a não ingressarem mecanicamente em nosso interior e a eliminar estas vibrações destas impressões já impregnadas em nós, pois rumaremos frente ao Despertar da Consciência e o natural regresso e conquista das regiões superiores da natureza. E Assim vamos aprendendo e percebendo que os problemas só existem na cabeça de quem os imagina que tem.

03/01/13