CLXV
Textos sobre Metafísica
Cascões Cabalísticos

Há uma questão pouco comentada e explicada no que diz respeito ao surgimento das virtudes e a morte do ego. Normalmente ensinamos a respeito da regra mas nos parece valer o caso de falar de uma exceção, neste momento.

No trabalho psicológico de morte dos defeitos e de obtenção destas virtudes de nossa Alma, normalmente o trabalho se dá por meio da compreensão e da realização da Mãe Divina (Devi Kundalini) em desintegrar o agregado e então obter dentre as entranhas do eu reduzido a poeira cósmica, tal ou qual virtude.
Algumas vezes, raras vezes, a Mãe pouco a pouco resgata a virtude em meio ao ego, sem que haja a desintegração de um defeito, formando o que os esoteristas chamam de "cascões cabalísticos".

Estes cascões cabalísticos, são o ego já desprovido de qualquer consciência, fantasmas, cadáveres do caos.

Por isto encontramos algumas raras vezes em uma pessoa a predisposição a uma virtude e logo o impulso ao delito, demonstrando não apenas o conflito mas como a dualidade existente entre a Virtude e o Delito.
Claro que muitos vão associar isto com ações dentre defeitos contrários ou na luta da própria libertação da essência, mas estamos falando de um caso distinto, aonde realmente a pessoa tem a virtude livre e encarnada, e ainda assim carrega o germe do delito.

Um dos motivos disto acontecer, é que a pessoa cometeu delitos graves, realmente muito graves em alguma de suas existências e por tal motivo a existência daquele agregado em sua psique torna-se obrigatória, como uma punição moral por seus crimes e um obstáculo permanente para seu avanço.
No entanto, se há méritos e dependendo da missão que aquela Alma vá desempenhar, tal virtude pode ser extraída em meio ao ego e ainda assim o defeito continuará existindo na pessoa. São casos raros mas são casos comprováveis por meio da auto-observação consciente de nossa psique.


Qualquer pessoa que observe suas vidas anteriores, encontrará motivos mais do que suficientes para que carregue em si, agregados psicológicos indissolúveis pelos métodos convencionais de morte psicológica. O Mal público causado por um mal servidor, é suficiente para que ao prejudicar um grande número de pessoas, esteja preso a alguma punição severa, como a que causou a estas outras pessoas.

Muito da atual necessidade que temos de ensinar e de cumprir com estas missões para com a Loja Branca, seja ensinando o caminho secreto, seja reparando o mal que fizemos, é porque existem amarras que não poderiam ser desfeitas de outra forma.
Claro, tudo que fazemos, devemos fazer de boa vontade, sem segundas intenções; mas querer reparar o mal cometido, nos parece algo justo. Não buscando sequer o perdão, mas pelo menos devolvendo o que acabamos tirando destas pessoas, seja por um mal exemplo, seja por uma má administração.

Quem fomos? Pois sem dúvida os mesmos que somos. Recentemente tivemos a graça de recapitular um trecho de uma existência do Século XVII, e para nossa grande infelicidade notamos que somos exatamente o mesmo estúpido e arrogante daquela época. Que repetimos miseravelmente os mesmos dramas e equívocos, sem quase por ou tirar nada. Pois mais de trezentos anos, e continuamos os mesmos... certamente estes fatos só nos vem a demonstrar a falta de capacidade e de compreensão para com os eventos de cada uma destas vidas que tivemos.
No caminho cria-se algo paradoxal, pois quanto mais sabemos sobre o caminho e sobre nós mesmos, mais compreendemos a base de fatos, que nada somos e nada sabemos.


Confesso que estamos completamente fragilizados por conhecer em fatos o dano que causamos a atual humanidade, danos estes que sabemos são irreparáveis, e que talvez nunca consigamos pagar por nossos delitos. Que os Deuses tenham piedade da alma deste servidor.


"Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras. Então Jesus disse aos discípulos: 'Esta noite vocês todos vão ficar desorientados por minha causa, porque a Escritura diz: 'Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão'. Mas depois de ressuscitar, eu irei à frente de vocês para a Galiléia.' Pedro disse a Jesus: 'Ainda que todos fiquem desorientados por tua causa, eu jamais ficarei.' Jesus declarou: 'Eu garanto a você: esta noite, antes que o galo cante, você me negará três vezes.' Pedro respondeu: 'Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei.' E todos os discípulos disseram a mesma coisa." - Mateus 26, 30-35

24/01/13